Pokémon Mythology
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Presságio

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Presságio

Mensagem por tshaman em Dom 4 Dez 2016 - 17:53


Sinopse :
O tradicional ritual da ilha Moena se aproxima, diversos turistas aguardam ansiosos para conhecer as iguarias e costumes diferentes do povo humilde isolado do resto do mundo. Lá, o fantástico fica mais real, o sobrenatural mais mundano e o divino mais presente.
Kaleo é um jovem de 15 anos que sonha em ser um mestre pokemon desde a infância, mas não imagina o que os deuses reservaram para ele.
Acompanhe a estória de jovens sonhadores que tem a vida e as perspectivas mudadas por uma convergência de eventos durante o ritual mais sagrado do seu povo.
Notas do Autor:
Estou upando aqui uma fic que já está em andamento em outro site, tem poucos capítulos de qualquer jeito, então logo vocês alcançarão o original.
pretendo escrever toda semana : )


Capitulo 1: Eclipse


A sineta tocou alta, estridente, aguda e extramente irritante como usual. Hoje, especialmente, Kaleo achou o som mais bonito que o mais refinado coral dos anjos.



Todo o seu material já estava socado de qualquer jeito dentro da mochila, o que se resumia em algumas canetas “emprestadas” permanentemente de colegas, um álbum de figurinhas de líderes de ginásios, nenhum caderno e dois livros sobre as estórias lendárias da região. Assim que ouviu o som, levantou-se da cadeira, esbarrou na mesa  e começou a correr em direção a porta, nem ligando para os protestos da professora: “Kal! Para de correr dentro da escola!”



Acontece que hoje era o ultimo dia de aula do ultimo ano de Kaleo no ensino fundamental, nada iria estragar sua empolgação.



A escola ficava a alguns quilômetros da sua casa, separada numa área da ilha longe do centro urbano e mais próxima ao porto – provavelmente de propósito para os turistas verem que a ilha se preocupava com suas crianças, pura propaganda politica – o jovem ensandecido desatou sua bicicleta as pressas do repouso e pulou em cima dela, batendo com o braço no ferro e a perna numa arvore próxima duas vezes no processo.



– Cheeeeeeeeeeega dessa porraaaaa! – Exclamou aos céus assim que começou a pedalar a toda velocidade, abafando os sons dos outros adolescentes saindo do prédio. Kaleo odiava com todas as forças a rotina robótica da escola e o tom monótono de ensinar que todos os professores pareciam adotar com afinco, nunca se interessou por nenhuma das áreas do ensino fundamental, preferindo enterrar a mente nos livros de seus heróis treinadores favoritos. Finalmente estava livre disso.



A paisagem entre a escola e sua casa sempre fora agradável, pedalou furioso entre a parte arborizada no pedaço exterior da ilha e saiu direto na área rural, a claridade explodiu nos seus olhos e o incomodou por alguns momentos, mas logo se acostumou. Vários campos de semeadura enfeitavam os pequenos relevos do terreno quase nu, dezenas de tauros puxando pesadas ferramentas agrícolas e mugiam em tom grave, protestando pelo cansaço do fim do dia. Um dos fazendeiros reconheceu Kal de longe e balançou o braço em cumprimento, ao que Kal retribuiu rápido e desajeitado antes de pegar o guidão da bike e acelerar o passo novamente. Tudo parecia um pouco mais feliz hoje.



Logo a parte rural ficou para trás e pode divisar no horizonte as construções de madeira e as poucas árvores características de seu vilarejo.



Kal morava numa pequena vila perto da “cidade” central da ilha, se é que se pode chamar de cidade, a ilha Moena era pequena demais para que grandes centros urbanos se desenvolvessem, os habitantes sempre sobreviveram da pesca, agricultura e mais recentemente de atrações turísticas periódicas. Em breve começaria o maior festival ritualístico de seu povo, o que normalmente faria Kal ficar animado, mas a alguns anos a grande mídia tinha descoberto que era um grande negócio vender os rituais sagrados de um povo humilde e a perspectiva de dezenas de turistas metidos infestando a ilha broxava um pouco seu animo.



Hoje, nada disso importava. Sacudiu os pensamentos da cabeça, entrou de qualquer jeito em casa  – uma pequena construção de bambu, madeira, folhas, cipós e um pouco de barro  – jogou a mochila numa mesa de madeira no canto e caiu para trás com um súbito impacto no estomago.



– Foooo! – Um pequeno pokemon humanoide pulou empolgado em Kal assim que ele entrou em casa. A criatura sacudia os braços e esperneava de alegria e saudade em cima do dono.



– Já chega Mienfoo! – Grunhiu se contorcendo no chão e empurrando com força o pokemon lutador de cima dele  – Bora, a gente precisa visitar a Moana ainda.



A criatura assentiu, correu em círculos algumas vezes e pulou nas costas de Kal assim que este saiu de casa. Os dois sentiram o ar cortando o rosto enquanto pedalavam até a cidade principal, menino e pokemon sentindo a felicidade mutua.



A cidade principal da ilha já se encontrava ricamente enfeitada, logo na entrada viu um grande cartaz com “Boas vindas!” escrito na língua nativa bem chamativo, pessoas se espalhavam por todos os cantos, subindo em escadas, pintando árvores, colando cartazes e luzes de essência de ledibas nos telhados, Kal não pode deixar imaginar o quão bonita ela estaria no dia do ritual.



Seguiu pedalando pela rua principal da cidade, a maior atração no dia do festival seriam as inúmeras barracas com comidas, bebidas e jogos típicos da região, além da procissão que fazia parte do ritual propriamente dito, indo da rua principal até o grande altar no centro da cidade.  Avistou a casa de seu amigo, logo depois viu ele e seu pai em cima do telhado pregando uma grande placa de madeira “Bar dos lou”. Pai e filho eram bem diferentes apesar de dividirem o mesmo nome, Lou era magro, bem branco e tinha cabelos castanhos ligeiramente arrepiados, tinha um nariz longo e – Kal sempre ficava pasmo com isso – os dedos mais esquisitos que um ser humano já viu. Seu pai era gordo, cabelos pretos, nariz cheio e rosto inchado.



– Cuzão! – Lou exclamou ao identificar o colega, seu pai parou de martelar e virou-se



– Fala aew jow. – Kal parou a bike alguns segundos para dar atenção ao amigo, mienfoo grunhiu.



– Vai lá visitar a Moana?



– Vou



– E vai passar aqui depois?



– Claro, tenho que ajudar vocês a organizar o bar



– Pode ficar tranquilo filho, hoje é seu dia de folga  – Disse o pai de lou na voz grave e no tom ligeiramente brincalhão usual



– Que isso tio, eu posso ajudar vocês, não é problema nenhum



– Ainda vamos fazer a parada depois? – Lou interrompeu antes que seu pai pudesse protestar



– Claro! – Kal respondeu empolgado, e foi recebido com o sorriso suspeito padrão de seu amigo e dois dedões fazendo um “positivo”. Acelerou a bike dizendo “até mais” e continuou seu caminho.



Desde criança Lou era seu melhor amigo, os dois vivam fazendo um monte de besteiras juntos, eram quase irmãos, o que era bem justo, considerando que a familia de Lou sempre abrigou Kal e sua irmã, desde que seus pais os abandonaram a muito tempo atrás.



Chegou finalmente no seu objetivo final, sentiu a barriga borbulhar, sempre se sentia assim quando olhava para cima e lia o letreiro “hospital geral de Moena”. Já estava mais do que acostumado, seguiu pela recepção e falou roboticamente o que sempre dizia: “Boa tarde enfermeira, vim visitar minha irmã” e acenou com a cabeça como sempre ao ouvir: “Boa tarde Kal, pode seguir, ela estava esperando por você”.



Chegou no quarto, e por um ínfimo momento o borbulhar frio na barriga subiu e se intensificou mil vezes, antes de dobrar a porta e ver sua irmã sorridente o esperando.



– Oi diaba. – Kal chamou-a por seu apelido, aliviado como sempre ao ver que a irmã ainda estava ali



– Oi rimão, você está alguns minutos adiantado hoje, qual é o milagre? – Moana também chamou-o pelo apelido, sorrindo. Era parecida com o irmão de todos os jeitos, e as semelhanças eram óbvias apesar dos cinco anos a menos de idade. Mesmo com a cabeça raspada ainda tinha uma beleza singular, sua pele era morena clara, seus olhos de um escuro profundo, suas feições delicadas faziam a maioria das pessoas que a conheciam ficarem encantadas.



Mienfoo ameaçou gritar de alegria, mas Kaleo o censurou antes que pudesse faze-lo. Contrariado, o pokemon seguiu silencioso e subiu com cuidado na cama de Moana para se aninhar perto de seu braço direito.



– Hoje era o ultimo dia de aula, não fiz nada de errado por que não queria ficar retido, sai correndo daquele lugar como nunca. Finalmente! – Moana sorriu mais ainda ao ouvir a empolgação do irmão.

– E quando você vai ganhar a licença de treinador? – Disse curiosa, fazendo carinho na cabeça do mienfoo com seu braço esquerdo.



– Em breve, o sr Lou e eu temos um tratado a muito tempo, tenho trabalhado igual um tauros no bar dele e nas entregas pra que quando eu fizesse 15 anos pudesse pagar a licença  – Kal se empolgou e desatou a falar sobre como seria incrível sair por ai conquistando insignias, capturando pokemons e ficando famoso, ganhando dinheiro e vivendo as grandes aventuras que lia nos seus livros e contava para a irmã com frequência. Moana ouviu tudo feliz, era a parte do dia que ela mais gostava.



Kaleo reparou só depois de alguns minutos que a irmã tinha pego no sono enquanto ele falava, e bateu na testa de leve por deixar a empolgação tomar conta



– Você vai ver irmã, eu vou ser famoso e ter dinheiro suficiente para te tirar daqui, vou te mostrar o mundo que lemos nas estórias... juntos... Eu prometo. – E foi devagar até a cama da irmã e a beijou na testa.



Pegou o mienfoo e foi embora.





___________________________________________________________________





A noite já se arrastava quando Lou e Kaleo terminaram os trabalhos no bar, saíram escondidos correndo pelas portas dos fundos para que o pai de Lou não pudesse perguntam o que iriam fazer. Os dois seguiram pelas ruelas e passagens secretas que só eles sabiam até sair num pequeno morro ao lado de um prédio, avançaram ainda mais e adentraram num bosque para finalmente chegar em sua clareira secreta.



– E ai, trouxe a parada? – Kal perguntou empolgado, dando um tapa no braço do amigo.



Lou revirou os bolsos com os olhos brilhando, e tirou uma esfera branca e vermelha de lá.



– Nooooossa! É muito mais maneiro do que eu imaginava, ao vivo é muito foda! – Kal exclamou embasbacado, nunca tinha visto uma pokebola antes.



– E o melhor, olha o que eu consegui como inicial. – Lou fez um movimento de arco excessivamente teatral e jogou a pokebola no ar, liberando uma espécie de lagarto avermelhado com fogo na cauda. – Eu vou te falar que não gostei de cara, esse bicho não tem essência nenhuma, mas aprendi a gostar dele desde que ganhei... Ainda sim eu preferia um caterpie.



– Caralho, realmente eu não consigo pensar em um ser humano que prefira um charmander a um caterpie... Certamente alguém louco. – Kal disse sendo irônico como sempre, e se aproximou do charmander para ver melhor. O bicho colocou as duas garras na cintura e estufou o peito, querendo obviamente se mostrar.



– Vamo cara, ta esperando o que? Bota o mienfoo pra rolo ai! – Lou exclamou e bateu uma mão na outra como alguém que pede pressa.



– Ta, ta... certo. – Kal se atrapalhou um pouco, apesar de estar com o mienfoo a muito tempo, nunca tinha feito nenhuma batalha contra outro treinador com ele. – Tenta desequilibrar ele – Disse no ouvido do pokemon ao coloca-lo no chão.



– As regras são as oficiais, o pokemon que desmaiar perde e quem perder leva um dia de salario do outro! – Lou abriu seu sorriso suspeito novamente e recuou para abrir espaço.



– Certo! – Respondeu Kal, com menos convicção do que mostrava, não queria perder um dia de salario.



A clareira tinha algumas pedras soltas que provavelmente rolaram do morro e terra batida, além de vários galhos de árvore espalhados. Kal notava os detalhes e pensava no que poderia usar quando sua linha de pensamento foi cortada por um “AGORA!” bem alto de Lou.



– Charmander, usa o Scratch! – Lou ordenou de surpresa.



O lagarto correu e pegou impulso em uma das pedras, desceu de cima para baixo com um poderoso arranhão de suas garras, mienfoo mal teve tempo de reagir e defendeu com um de seus braços.



– Aaa! É... Usa o pound, seilá. – Kal se atrapalhou um pouco em como deveria ordenar o mienfoo, se sentindo um pouco ridículo por falar com seu companheiro desse jeito.



Mas a resposta foi imediata, mienfoo rolou para o lado e desviou da sequencia de arranhões do charmander usando seus próprios socos como contra-golpe. A luta ficou assim por alguns segundos sem que nenhum dos treinadores soubessem direito o que fazer a seguir, até que Lou se lembrou.



– A é, usa o ember! – ordenou enquanto batia na própria testa, provavelmente tinha esquecido o nome do golpe.



Seu pokemon afastou o mienfoo de súbito e recuou deslizando, abriu a boca mostrando o pequeno dente afiado. Kal pode ver a pequena labareta se formando na garganta da criatura, desesperado, ordenou qualquer coisa para seu pokemon.



– Caralho! Medita, desvia, bloqueia, seilá cara. – Mienfoo ficou confuso e olhou para o treinador, tomou um balaço de fogo na cara e rolou alguns metros para trás chamuscado.



– haaaaaa! Se fudeu! – Lou gritou e riu honestamente, esquecendo-ce da batalha por alguns instantes.



Kaleo percebeu que se continuasse assim, iria perder, não podia deixar que seu amigo que mal teve contato com o pokemon ganhasse da parceria de anos que mantinha com seu mienfoo. Olhou ao redor e decidiu que ia usar o campo ao seu favor.



– Mienfoo, usa o pound nas pedras, rápido! – o pequeno pokemon levantou enfurecido e rosnando de leve, o que fez Lou parar de rir e ordenar outra rajada de fogo. Mienfoo foi mais rápido, correu até a primeira pedra, levantou com um dos pés e atingiu-a com as costas da pata. Em cheio, a pedra acertou a cara do charmander que cuspiu fumaça e caiu para trás.



– Pqp, você é muito desonesto! Charmander, levanta ai e taca fogo nele de novo! – Lou pulava no lugar, empolgado.



– Joga areia na cara dele! – Kal gritou em resposta, e seu pokemon correu até o charmander arrastando o pé na terra batida, levantando uma nuvem de poeira que bateu nos olhos do charmander. – E agora senta o cacete!



Mienfoo disparou uma sequencia de socos e chutes precisos, que fizeram o charmander tentar recuar instintivamente para trás. Aproveitando a situação vantajosa momentânea, mienfoo bandou o charmander com sua perna e montou em cima dele, repetindo vários socos seguidos no seu rosto.



– Ta bom, ta bom, já chega! – Lou gritou, pegou sua pokebola e recolheu o charmander antes que este apanhasse demais. – Muito maneiro essa ideia de usar o campo, eu não teria pensado nisso.



– Valeu man... – Kal foi andando até seu pokemon e o convidou a subir em suas costas. Os dois amigos se olharam e desataram a rir, mesmo essa batalha de baixo nível tinha despertado a adrenalina e a paixão que os dois sempre imaginaram que iam sentir por batalhas com pokemons.



Subiram cada um em suas árvores habituais e ficaram encarando a lua cheia, pensando sobre o futuro.



– Qual região você pensa em visitar primeiro? –  Kal rompeu o silêncio de súbito, sempre começava as conversas dessa maneira.



–  Hmm, acho que se fosse pra escolher eu iria para unova, mas eu sei que Kanto e Johto são as mais fáceis pra gente...



– Unova? Ta de sacanagem? Por que tu gosta dessas paradas esquisitas cara? – Kal inquiriu rindo de leve, o que fez Lou rir também – Se fosse para escolher eu queria Hoenn, sempre quis uma daquelas galinhas de fogo... esqueci o nome.



– Hoenn seria maneiro também, tem vários pokemons no nosso album que eu gosto que são de lá, mas essa galinha que você ta falando não é de hoenn não cara, é de Kalos! – Kal respondeu negativamente, ao que Lou proclamou “eu ouvi no programa do professor carvalho” e a discussão durou por boa parte da noite, até que os dois ficaram extremamente cansados e resolveram ir até suas casas.



___________________________________________________________________





No caminho até em casa, Kal reparou que Lou tinha esquecido a chave do bar com ele, e resolveu voltar para entregar, sabia que o pai de Lou ficava irritado quando o filho esquecia a chave.



Se aproximou da casa de Lou pela lateral como sempre fazia, mas parou ao ouvir um barulho alto, parecendo uma discussão vindo de uma das janelas.



– Mas Lou, isso não é justo! – Era seu amigo discutindo com o pai, não queria ficar ouvindo e invadir a privacidade dele mas não sabia muito bem o que fazer, se recuasse eles podiam ouvi-lo e achar que estava espiando.



– Eu sei que é, mas eu não posso fazer nada... As vendas foram péssimas durante o ano, o meu maior comprador de fora da ilha deu para trás... Você sabe disso. – A voz do pai de Lou estava estranhamente soturna, como Kal nunca tinha ouvido – Essas coisas são muito caras, não posso pagar duas.



– E não tem nenhum jeito?



– Não... a não ser que o festival esse ano de um lucro absurdo, o que é bem improvável, não tem o que fazer – O pai de Lou falou essa ultima frase quase como um pedido de desculpas. O que será que estava acontecendo? Será que Lou queria outro pokemon e não podia receber? – Infelizmente Kal não vai poder sair em viagem de treino com você.



O gelo caracteristico bateu no estomago de Kaleo com toda força. Era sobre isso que estavam falando? Então o sr Lou não teria dinheiro para pagar a licença de treinador e a passagem para fora da ilha como combinado?  Mas ele tinha trabalhado todos esses anos duro para conseguir aquilo! Sentiu raiva, enjoo, tristeza, vontade de chorar e muito mais ao mesmo tempo, não sabia o que fazer.



Saiu dali correndo o mais rápido possível sem nem olhar para trás.
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Re: Presságio

Mensagem por xKai em Qua 7 Dez 2016 - 10:50

Olá, é novo por aqui? Bom, que seja, gostei bastante do que li, porém vou ser um pouco rigoroso nesta primeira avaliação, justamente porque gostei bastante e acho que existem várias pequenas coisas que podem ser melhoradas com o tempo.

Seu uso de sinônimos é ótimo, que bom! Sério mesmo, eu particularmente sou péssimo com eles, quase sempre tenho que recorrer ao dicionário online para adaptar uma palavra ou outra quando escrevo, você pareceu utilizá-los com bastante naturalidade, o que já faz ganhar alguns pontos, principalmente lhe impedindo de repetir palavras de forma exagerada. Achei bem bacana esse tipo 'moderno' de escrever, nada contra as abreviações, afinal nós jovens falamos de tal maneira hoje em dia "pqp, etc...", mas é bom utilizar de forma moderada para que não tire a riqueza do texto, e muito cuidado, percebi vários inícios de frase em que usou letra minúscula, não digo as narrativas de ação, mas falas, o que mesmo que sejam gírias não é aceitável, tirando estes detalhes sua escrita segue um ótimo modelo. Sobre a pontuação pouparei detalhes, está excelente, principalmente o uso de vírgulas.

Agora sobre a fanfic, é sempre bom ler sobre novos continentes, também prefiro fazer assim... Pois quando você cria um mundo a partir do nada você possui total liberdade para criar o que você quiser, diferente de quando você pega algo já existente, acaba te impondo certas limitações. Fiquei um pouco confuso logo no começo, porque achei que seria um prólogo, mas logo percebi que tratava-se já do capítulo um, é bem incomum em fanfics postarem um capítulos antes do prólogo, mas nada contra, acho que cada um tem a sua maneira casual de escrever. Curti o protagonista, e também o Lou, tal como a irmã do Kaleo, Moana... Por acaso seria alguma referência a Moana, animação da Disney? Bom, não há como não ficar comovido com os acontecimentos até o momento, é quase que triste, espero que tudo isto seja resolvido... Imagino que Kal fará alguma coisa para que este tal festival se torne um sucesso para que o Sr. Lou consiga pagar as duas coisas. Bom, até o próximo capítulo.

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Re: Presságio

Mensagem por tshaman em Sex 9 Dez 2016 - 8:35

Respostas :
Ainda bem que você gostou Kai, e tem que ser rigoroso mesmo, assim que você me ajuda : D
Obrigado por chamar atenção pras letras minusculas, eu escrevo sem corretor ortográfico por que meu word está zuado então as vezes deixo escapar muita coisa.
As girias, eu penso, estão devidamente colocadas só nas falas dos jovens, e tem como objetivo ambientar como eles pensam e se expressam, conforme a estória avançar vamos ver outras pessoas que falam de jeitos totalmente diferentes.

Curti o protagonista, e também o Lou, tal como a irmã do Kaleo, Moana... Por acaso seria alguma referência a Moana, animação da Disney?

Não é bem referencia ao filme da Disney, eu só queria um nome de origem havaiano (como todos os outros) e esse é bem legal.

Imagino que Kal fará alguma coisa para que este tal festival se torne um sucesso para que o Sr. Lou consiga pagar as duas coisas. Bom, até o próximo capítulo.

Logo vai ficar evidente meu estilo de estruturar uma estória, espero que você se surpreenda muitas vezes haha.




Capitulo 2: Fogos de Artificio

O som de estouro chamou a atenção de Kal, a luz espiralada ganhou os ares rapidamente até que explodiu em diversas cores, o fenômeno se repetiu várias vezes, fazendo contraste com o céu escuro e sem nuvens, pintando um verdadeiro quadro no meio da noite. Kaleo sempre achou que tinha algo de muito deprimente num festival de fogos.

– Ei cara, ta me ouvindo? – Kal voltou a realidade quando Lou deu dois tapas de leve no seu braço

– Ahn? Não... Foi mal cara, tava distraído aqui

– Eu disse pra gente dar um pulo ali na Olivina.

– Ahn... rua Olivina cara? – Kal perguntou com um claro tom de má vontade. A rua Olivina era a principal rua durante o festival, boa parte dos jogos e competições tradicionais eram feitas lá, o que atraia a maioria dos turistas e dos habitantes da ilha. Era batizada assim por causa da sra Olivina, uma velhinha que dirigia um comercio local a décadas, uma das mais notórias cidadãs de Moena.

– É, porra! Vai ficar ai assistindo fogos? Ta vendo alguma mulher, alguma comida ou algum machamp espancando gente gorda por aqui? Totalmente sem essência! – Lou reclamou animado, adicionando “deixa de cuzice” várias vezes no processo.

Sem paciência para argumentar, Kal balançou a cabeça positivamente e começou a andar em direção ao destino. Estava sem muita vontade de fazer nada ultimamente, a perspectiva de não sair em viagem o assombrava como um Gengar maldito. Não conseguia parar de pensar nisso, até já tinha tentado se convencer de que não era verdade ou que o festival daria lucro suficiente para que o Sr Lou pudesse pagar sua viagem, mas no final sabia que só estava se consolando.

Não teve coragem de comentar isso com ninguém, nem com Lou e seu pai e muito menos com sua irmã. Deixou de visitá-la alguns dias com medo de transparecer seu estado de espirito.  

Lou percebia isso e tentava animar o amigo do único jeito que conhecia... Sendo extremamente inconveniente e exagerando nas brincadeiras. Kal ficava irritado com frequência, algumas vezes já tinha até discutido sério, mas no fundo era agradecido por ter alguém que se importasse com ele, mesmo que de um jeito maluco.

As únicas horas em que se animava eram durante os treinos intensos e nas diversas discussões sobre estratégia e planejamento que tinha com Lou sobre o oficio de treinador. Os dois continuaram batalhando praticamente todos os dias, além de incorporarem os pokemons nas diversas tarefas diárias do restaurante do pai de Lou.

A sincronia e habilidade da dupla estava visivelmente aumentando, assim como as capacidades gerais do charmander e do mienfoo, os treinos funcionais de levantamento de peso durante o trabalho no restaurante estavam fortalecendo os músculos das criaturas. Não só isso, Kal notou o quanto Lou cada dia mais começava a incorporar sua mente louca no jeito que batalhava: Uma das batalhas em que Lou ganhou fora conquistada quando este ordenou que o charmander subisse numa árvore e se jogasse com os dois braços abertos. “Eu chamo isso de El muchacho” Lou declarou com o sorriso suspeito habitual e dois dedões fazendo “positivo”, Kal rolou no chão de rir apesar da derrota.

Mas mesmo as batalhas, os treinos e os planejamentos só serviam para aumentar o fantasma que perseguia kal. “VOCÊ NÃO VAI SAIR DA ILHA” era só nisso que pensava.



Logo chegaram na rua Olivina, onde uma amalgama de cores, luzes e pessoas diferentes se amontoava, o barulho era desagradável aos ouvidos de Kaleo.

Diversas barracas com jogos diferentes disputavam a atenção e o dinheiro do publico e dos turistas, barracas de pesca de magikarp, barracas de competição de força de machamp, corrida de ratatas e uma em particular que Kal odiava mais que as outras: um cercadinho de lama com um tepig alucinado dentro, onde as pessoas entravam e tentavam capturar o pokemon com as próprias mãos.

– HAHAHA! Viu ali?! – Lou ria assistindo um tipico turista com cara de otário escorregando na lama e tomando um drible do tepig – Vamos?

Kaleo virou o rosto quase como a menina do exorcista, tinha certeza que Lou perguntava essas coisas de sacanagem. Lou logo desistiu de convencer o amigo e foi andando a esmo decidindo qual das barracas merecia mais sua atenção, cumprimentou uns cinco velhos e cachaceiros no processo, fazia questão de falar com toda pessoa que reconheciam ele. “Você ta querendo virar prefeito um dia?” Kaleo sempre dizia impaciente quando o festival de abraços e cumprimentos atrapalhava o destino da dupla.

– Vamos apostar no ratata?

– Não tenho dinheiro sobrando pra isso, prefiro comer mais tarde. – Kal respondeu

– Eu te empresto um pouco aqui, de boa – Lou disse, já tirando algumas notas do bolso. Chegou perto de Kal e acrescentou baixinho – Me deram o macete de qual ratata tomou ração de taurus essa semana.

Kaleo riu disso e concordou com o amigo, ganhar dinheiro a mais não era recusável. Notou que um moleque negro e careca observava os dois de longe, parecia ligeiramente mal encarado apesar da cara de bobo. Não deu muita importância.

– QUEM DA MAIS?! QUEM DA MAIS?! – O dono da barraca anunciava, fazendo propaganda de cada um dos ratatas e garantindo hora ou outra que um deles era imbatível, Kal já conhecia esse tipo de trambiqueiro de longe.

Muitos turistas ingênuos se reuniam em volta e apostavam nos ratatas que o homem enaltecia, mal sabiam que provavelmente esses eram os que tinham menos chance de ganhar. O ratata que Lou apontou estava muito bem disfarçado, parecia timido e franzino, ninguém apostaria nele só de olhar.

Todos se reuniram em volta do cercado esperando a corrida, o homem começou a enrolar um pouco o publico tentando causar ansiedade e antecipação, entre as frases, estalava a lingua como se estivesse marcando o tempo, mas Kal notou que alguns ratatas balançavam as orelhas ao ouvir o estalo.

– CORRAM! – O homem gritou num megafone e estourou um balão, as baias de madeira caíram no chão e os ratatas saíram desenfreados em direção a linha de chegada, onde um belo pedaço de queijo os esperava.

Alguns ratatas pularam as baias e foram atacar os vizinhos, outros pularam que nem loucos de um lado para o outro e uns correram com sangue nos olhos. O ratata que Lou apostou se mostrou o mais vorás, não se distraiu e correu com uma velocidade impressionante, quase um Quick Attack.

No fim, somente Lou, Kal e surpreendentemente o moleque negro ganharam o prêmio, todas as outras trinta pessoas perderam o dinheiro e pareciam felizes com isso. Kal sempre ficava impressionado.

– Um dia eu desisto de tudo e vou bancar o showman nesses festivais, é como roubar dinheiro – Kal comentou para Lou, mesmo com três ganhadores, a maior parte do dinheiro das apostas ficava para o dono da barraca, que feliz, contava as cédulas e já se preparava para outra rodada. – Reparou como ele estala a língua antes da corrida? Provavelmente é assim que ele passa a mensagem pro ratata correto ganhar. Acho que aquele moleque deve ter observado e percebido isso.

– Que moleque? – Lou contava o quanto tinha ganho na aposta sorridente

– Aquele ali... – Kal apontou, mas notou que o estranho desaparecera no meio da multidão – Deixa pra lá.

– Como vocês ganharam? Eu sempre perco dinheiro nesses jogos.

Uma voz suave e feminina fez Kaleo e Lou virarem os rostos, uma menina mais ou menos da idade dos dois estava parada com as mãos cruzadas atrás das costas, tinha feições asiáticas e cabelo preto trançado jogado para frente até a cintura. Kal ficou desconcertado.

– Questão de observação, quando se nasce nessa ilha a gente aprende a sobreviver, haha – Lou se adiantou e falou brincalhão, percebendo que a menina era obviamente uma turista. Virou o rosto e sorriu suspeito para o amigo.

– Vocês podiam nos ensinar... Eu e minhas amigas chegamos ontem e não sabemos quase nada daqui – A menina respondeu sorridente apontando para duas loiras idênticas atrás dela.

Lou sorriu ainda mais para Kal, gostava de loiras e ainda mais de gêmeas – Claro, nós estávamos indo para o luau agora mesmo. Tão afim de ir?

“Mas que filho da puta” Kaleo pensou, Lou sabia que Kal não gostava do luau e já tinham falado sobre isso, o amigo estava se aproveitando do fato de ter percebido que Kal claramente estava impressionado com a menina de feições asiáticas.

– Fala tu, Kal.

– Claro... Vamo ao luau.

As meninas trocaram algumas palavras rapidamente e decidiram que iam também, Lou indagou o nome delas. Kal mal ouviu o nome das gêmeas, mas achou curioso o da morena: “Malí”, nunca tinha ouvido esse nome.

– Eu sou Lou e esse moleque emburrado é o “Kal”. – Lou deu uma ultima olhada para o amigo e recebeu o tipico olhar de “você é desprezível” em resposta, sorriu mais ainda e foi andando em direção as gêmeas.



__________________________________________________________________________



A praia estava enfeitada com dezenas de tochas temáticas e lampiões de óleo de lédiba pendurados, uma meia dúzia de pessoas tocava alguns instrumentos populares da ilha, a maioria era jovem e mais velhos que Kal e Lou.

O ambiente até que era agradável, o problema era o esteriótipo que deixava marcado na mente dos estrangeiros. Como se a ilha Moena fosse resumida em um bando de pseudo índios paz e amor que ficam na praia tocando as mesmas musicas velhas e comendo coco o dia todo. Além de que esse tipo de festa sempre acabava em algum tipo de confusão ou alguém querendo se mostrar fazendo babaquices, isso Kaleo odiava mais que tudo.

Não estava pensando muito nessas coisas porém, só conseguia ficar pensando no que dizer para Malí, nunca tivera problemas em falar com as garotas da sua escola, sempre se achou moderadamente atraente e com um bom físico para a idade – O constante trabalho no restaurante tinha feito esse favor a ele e Lou – Tinha a pele morena como a da irmã e olhos extremamente escuros, os cabelos eram negros com diversos fios brancos espalhados, costumava dizer que era seu charme. Mas Malí era diferente, nunca tinha visto uma garota que julgou tão bonita, e ainda por cima era de fora. O que poderia falar com ela?

Enquanto pensava nisso, Lou disparava uma tonelada de brincadeiras e piadas para as gêmeas, estava se sentindo no paraíso. “Mas que filha da puta.” Kaleo pensou novamente e riu sem querer, Lou estava realizado ali dando em cima das duas irmãs.

– Acho que seu amigo gostou das gêmeas.

Kal se surpreendeu ao ouvir a voz vindo das costas, estava sentado num tronco de arvore dobrado até quase  chão, olhando Lou e as gêmeas em volta de uma das fogueiras mais na frente.

– É... – Disse simplesmente, um pouco sem graça. – Mas o Lou gosta fácil de qualquer um... Eu vivo dizendo que ele é o profeta de paz do nosso tempo...

Malí sorriu de leve com a brincadeira e Kal percebeu que ela tinha covinhas na bochecha.

– Mas me conta, você ta meio isolado aqui por que? – Perguntou e se sentou no mesmo tronco que Kal, deixando-o mais desconfortável ainda. – Não curte o luau?

Kaleo sem saber o que dizer, olhou de leve para a fogueira por alguns segundos até que resolveu ser honesto. – Não, na verdade eu acho isso aqui extremamente irritante. – E acrescentou ao ver a expressão de curiosidade no rosto da menina – Essa musica ruim, esse clima de competição de ego e essa decoração cafona. Eu não gosto de nada disso.

– Entendi, então por que veio?

– Vim fazer companhia ao Lou, ele que gosta desse tipo de coisa, não podia deixar ele sozinho.

– Sei bem como é, na minha cidade também tem um festival bem grande, sempre odiei estar lá e ter que concordar com aquele amontoado de esteriótipos. – Malí respondeu, brincando com o cabelo – Mas gosto de estar no meio das pessoas, por isso vim com as gêmeas.

Kaleo assentiu com a cabeça e voltou a olhar para a fogueira pensativo, Malí fez o mesmo. A pouca conversa com ela tinha deixado seu estado de espirito um pouco melhor.

– Então, vai me contar como vocês conseguiram ganhar a corrida dos ratatas?

– Só se você me der alguma coisa em troca. – Kal sorriu antes de responder

– Mas que absurdo, isso é chantagem! – Malí respondeu divertida, fingindo estar indignada.

Os dois riram de leve, mas antes que pudessem falar mais alguma coisa, vários fogos de artifício foram disparados em sequencia em algum ponto da praia. O barulho parecia um assovio e a frequência era intensa, o céu ficou colorido de novo.

– Você pode me achar estranha, mas eu sempre achei fogos de artificio algo muito triste por algum motivo, sempre me sinto sozinha.

Kal se surpreendeu ao ouvir aquilo, se achava maluco por pensar desse jeito, mas aqui estava alguém que o entendia. Ficou olhando para Malí por um tempo até que ela percebeu e encarou-o de volta, os dois se olharam assim por alguns segundos até desviarem a atenção novamente para os fogos.

Se sentiram um pouco menos sozinhos por aquele tempo.







____________________________________________________________________________



Já eram altas horas da madrugada quando Kaleo decidiu que queria ir para casa, só restavam agora ele, Lou e mais alguns habitantes da ilha no luau, as meninas já tinham se retirado para seu hotel a muito tempo. Kal teve que ficar aturando Lou super excitado por que tinha conseguido beijar as duas gêmeas.

Ainda estava um pouco embriagado pela sensação nova que experimentou na companhia de Malí essa noite, saiu da praia mais feliz que nos últimos dias, deixando para trás um Lou ligeiramente embriagado de álcool fazendo uma dancinha da vitória com seu charmander.

Decidiu que iria pela mata, pegar um de seus atalhos para ir direto da cidade principal para sua vila menor.

A lua estava minguante, parcialmente nublada por algumas poucas nuvens, o que causava um clima meio sombrio a mata. Kal já estava acostumado claro, não ligava para o escuro.

Minutos mata a dentro e ouviu alguns ruídos, não soube identificar direito o que eram. Preocupado, resolveu se abaixar e começar a rastejar pelas moitas para não ser surpreendido por algum pokemon selvagem, estava sem seu Mienfoo hoje, tinha deixado com sua irmã na ultima visita.

Conforme ia rastejando, o barulho ia ficando mais claro, até que percebeu que eram vozes humanas discutindo em uma clareira próxima.

– Você ta de sacanagem? TA DE SACANAGEM COMIGO?! – Uma voz grossa, bem agressiva e com sotaque rosnou

Kaleo continuou rastejando prendendo a respiração, queria ver quem estaria tão furioso numa floresta de Moena no meio da madrugada. Afastou uma moita com cuidado e pode ver a clareira: Um homem branco, alto, vestido de calça jeans, sem camisa e com uma tatuagem de um simbolo geométrico nas costas segurava outro que Kal não conseguia ver direito pelo colarinho. Sua mão direita estava pendendo do lado do corpo de maneira ameaçadora, aparentemente com sangue.

– O quanto eu vou ter que te bater pra você me dizer a porra da informação?! – O homem branco gritou, indignado. O outro, se ouviu, não deu nenhum sinal de vida. – Tudo bem... Eu tenho mais o que fazer. Se você quer assim, que seja.

Um raio de luz feriu os olhos de Kal rapidamente, e um pokemon negro como a noite com dois chifres surgiu atrás do homem.

– Houdoom, fareje. – O homem branco largou o outro num tronco e deixou seu pokemon subir em cima dele e farejá-lo. A criatura fuçou todos os bolsos do homem ensanguentado até que apontou para uma pokebola escondida na calça. – Esperto você né... Acho que ninguém ia pensar em procurar um documento numa pokebola?

A esfera foi aberta, mas dessa vez sem nenhum raio luminoso, de lá saiu o que aparentemente era um envelope de carta. O homem branco parecia satisfeito.

Kal assistia a tudo atônito, mal conseguindo respirar de ansiedade, queria sair dali logo.

– Seu filho da puta. Hahaha – O homem agredido falou golfando sangue, surpreendendo Kaleo – Você acha que vai ficar fácil pra vocês? Vão caçar vocês todos, você é um homem morto! – E cuspiu o máximo de sangue que conseguiu na direção do outro.

– Como quiser. Houdoom, mate... – O tatuado ordenou calmamente, seu Houdoom partiu pra cima do outro e mordeu bem na mandíbula. Um grito horrível ecoou pela floresta, Kal teve que tapar a boca para não fazer nenhum barulho por instinto, estava aterrorizado.

A cena terrível continuou por algum tempo. Depois, o homem tatuado enterrou uma maleta e o envelope que conseguiu do lado da arvore, pegou a vitima e colocou no ombro. Ele e seu pokemon foram se afastando da clareira para se livrar do corpo.

Passado vários minutos, Kal ainda tentava se recuperar do que vira, a cena de sanguinolência ficava ressoando na sua memória. Tinha acabado de ver alguma espécie de mafioso agredir e matar um outro homem com um houdoom. Se inclinou pra frente e vomitou na moita.

Estava apavorado, mas ao mesmo tempo extremamente curioso, ficou indeciso com o coração batendo forte até que decidiu: Saiu da moita e foi com cuidado até o local onde a pasta tinha sido enterrada.

Olhou para os dois lados, não viu nem ouviu nada, colocou as duas mãos rápido no solo e começou a cavar freneticamente até bater na pasta, espanou a terra para o lado e fez força para puxá-la, era leve apesar do tamanho. Abriu a pasta sem problemas, o tatuado não teve tempo de trancar com o código.

Notas e mais notas de dinheiro estavam organizados em blocos dentro da pasta, Kal ficou embasbacado, nunca tinha visto quantia tão alta. Viu logo a carta em cima dos bolos, pegou instintivamente e guardou no bolso, fechou a mala de novo e ficou alguns segundos parado sem saber o que fazer.

Se levantou decidido a levar a mala dali e esconder em outro lugar.

– Bonemerang! – Uma ordem baixa veio da escuridão, e um projétil branco rasgou os ares assobiando, acertou em cheio o braço que carregava a mala.



– Ai, caralho! – Kal gritou em protesto e caiu pra o lado.

Das sombras surgiu o mesmo moleque negro que Kal tinha visto mais cedo, com um pokemon humanoide baixinho com um cranio na cara indo correndo catar seu osso. Rapidamente, o agressor correu e pegou a mala que tinha caído no chão.

Os dois se olharam desconfiados

– Eu conheço você, te vi na barraca mais cedo! – Kal ameaçou ainda com o braço doendo, começou a levantar. – Vai roubar a pasta? Aquele cara vai te matar!

– Ta achando que eu sou otário? Você ia roubar a pasta também, quer o dinheiro tanto quanto eu... – O moleque respondeu simplesmente, numa voz irônica

Kal pensou em negar mas não ia ter argumentos

– Agora que você me viu, tenho que te apagar – O moleque ameaçou e o cubone se pôs a postos do lado dele com o osso balançando na mão. Kal tentou pensar rápido, não tinha como ganhar sem um pokemon para se defender. Devia ter dado uma bicuda no Cubone quando teve a chance.

“Vou morrer” Pensou, com um frio caracteristico na barriga.

Antes que os dois pudessem fazer qualquer coisa, um latido agressivo foi ouvido ao longe. Era o houdoom e seu dono voltando, Kal mal tinha virado a cabeça na direção do barulho e perdeu o moleque de vista. Quando se deu conta estava sozinho na clareira.

Ficou ainda dois segundos parado, impressionado com a velocidade do moleque negro, até que ouviu outro latido ao longe e lembrou-se de correr o quanto podia.

Acelerou pela noite até suas pernas queimarem, suando e respirando pesadamente.



Só descansou quando chegou em casa, exausto
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Re: Presságio

Mensagem por xKai em Sab 10 Dez 2016 - 11:21

E aí, tudo bem?

Capítulo bem interessante este, mostrou bastante da convivência dos dois amigos e ainda inseriu um certo romance que acredito que será levado adiante no decorrer da fanfic. Fiquei bastante surpreso com a cena de assassinato, é algo bem incomum em fanfics de pokémon, mas foi tudo muito interessante, pois dará um ar de suspense na fanfic e também atrairá um público de faixa etária acima dos 14 anos, o que na verdade é muito bom.

Você ambientou muito bem os cenários, fazendo com que o leitor conseguisse enxergar perfeitamente a situação em que Kal se encontrava, conseguiu transparecer todo o aflito do jovem, quando ele presenciou a cena do crime... Mas esse cara é muito doido, hein? Quem é que no meio da madrugada escuta um barulho de pessoas discutindo numa floresta... E vai até lá ver o que é? Eu sairia correndo de lá!

Erros eu vi poucos, a maioria foi de pontuação, alguns pontos faltando no final de alguma frase. Dois ou três erros de digitação, que acontece quando você pensa em escrever uma coisa mas acaba por engano teclando a tecla vizinha, acontece demais comigo -q Enfim, acho que isso é tudo.

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Re: Presságio

Mensagem por Sketdan em Dom 11 Dez 2016 - 11:32

Bem... eu não costumo ler fanfics que tratam de Pokémons (sempre tive preferência pela área de "outras fanfics"), mas admito que essa sua história me chamou bastante a atenção e me parece ser bem interessante. Como xKai já comentou anteriormente, você conseguiu realizar uma excelente ambientação dos cenários e também dos eventos que aconteciam em cada capítulo. Quanto à sua escrita, eu particularmente achei muito boa e sem quaisquer erros de gramática ou de pontuação significativos que já não tenham sido observados anteriormente em outros comentários.

Apesar de estar um pouco atarefado com diversas coisas nesse momento (não obstante ao fato de estar de férias), acredito que irei acompanhar essa sua história. De qualquer forma, boa sorte com essa sua fanfic, caro confrade. Abraços. ;/
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Re: Presságio

Mensagem por Slow em Dom 11 Dez 2016 - 19:18

Yo, Tshaman!

Qnd terminei o cap 1 vc publicou o 2, então demorei um pouco pra comentar, enfim, estou aqui agora. 
Gostei do seu uso de gírias, embora as vezes parece desnecessário. Mas dá uma maior naturalidade nas falas, pois é algo bem comum na vida real. Na ortografia, só achei 3 erros do cap 1 ao 2 (pelo menos os que me incomodaram o suficiente para perceber). Estão em ordem decrescente de "incomodação" (essa palavra existe?):
1-
– haaaaaa! Se fudeu! – Lou gritou e riu honestamente, esquecendo-ce da batalha por alguns instantes.

Mesmo sendo um erro pequeno, foi o que mais me incomodou. O segundo, foi a falta de pontuação, geralmente pra terminar a frase. E, em terceiro, de vez em quando vc coloca "a" em vez de "há", como em:

desde que seus pais os abandonaram a muito tempo atrás.

Enfim, nenhum erro muito grave. Assim como já anteriormente, a ambientação dos cenários está boa mesmo. Apesar de aparecer pouco, acho que minha personagem preferida até agora é a Malí, mas os outros são legais também. Fui surpreendido, a fanfic estava fluindo de boa e do nada tem um assassinato Shocked gostei da sua descrição, especialmente nessa cena.

Acho que é só, por enquanto. Até o/
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Re: Presságio

Mensagem por tshaman em Ter 13 Dez 2016 - 16:00

Respostas.:


Kai
Mas esse cara é muito doido, hein? Quem é que no meio da madrugada escuta um barulho de pessoas discutindo numa floresta... E vai até lá ver o que é? Eu sairia correndo de lá!

Eu com 15 anos, inconsequente e maluco. hahahah

Sketdan

Apesar de estar um pouco atarefado com diversas coisas nesse momento (não obstante ao fato de estar de férias), acredito que irei acompanhar essa sua história. De qualquer forma, boa sorte com essa sua fanfic, caro confrade. Abraços. ;/

Opa, que bom que gostou parça, e que bom que consegui chamar sua atenção mesmo não sendo o comum. Sei bem como é estar atarefado, obrigado por destinar um pouco de tempo pra fic : )


Slow
Enfim, nenhum erro muito grave. Assim como já anteriormente, a ambientação dos cenários está boa mesmo. Apesar de aparecer pouco, acho que minha personagem preferida até agora é a Malí, mas os outros são legais também. Fui surpreendido, a fanfic estava fluindo de boa e do nada tem um assassinato Shocked gostei da sua descrição, especialmente nessa cena.

Acho que é só, por enquanto. Até o/


Muito obrigado por ressaltar os erros, como disse ao Kai, escrevo sem corretor então as vezes deixo passar mesmo. Vlw.

A Malí ainda vai aparecer mais, espero que ela continue te cativando assim como os outros personagens. E se você se surpreendeu com o assassinato, não perde por esperar haha.


Obrigado pela atenção de vocês, espero que gostem do 3 capitulo (apesar de que eu próprio não gostei muito desse, o quarto estará BEEEEm melhor).





Capitulo 3: Fantasmas



Em qualquer época do ano, o sol brilhava forte na ilha Moena, de Janeiro a dezembro, até durante o inverno a ilha ainda era quente. Isso combinado com as praias, os ventos refrescantes e as diversas arvores criavam um clima de descontração sem igual. Era extremamente difícil pensar em coisas ruins, ficar deprimido ou ter medo num lugar como aquele, principalmente para quem é de fora.

Curiosamente, o povo de Moena sempre fora extremamente supersticioso. Era comum para os mais velhos andarem com bigodes de roedores trançados em forma de colar, dizia-se que afastava os maus espíritos e trazia bons ventos.

Lou nunca acreditou em nada disso durante sua vida, sempre viu as tradições mais supersticiosas como bobagem e não conseguia entender como alguém podia ter medo de fantasmas num lugar como aquele. Talvez se os velhos dali passassem alguns dias na sua cidade natal, veriam o que é ter medo de verdade.

Crescera numa cidade cinza e sem vida, nos subúrbios das regiões mais pobres de johto, só foi conhecer a ilha com uns 8 anos de idade quando seu pai se separou de sua mãe e pediu demissão do emprego. “Vida nova filho, novas oportunidades” Era o que o pai dizia, e Lou sempre tomou aquilo como lema para a vida.

Ultimamente porém, Lou começava a sentir um pouco das tradições na pele. De repente sentia a ilha mais sombria, o festival mais apagado e seu melhor amigo mais soturno. Não sabia bem o que estava acontecendo com Kal, mas sabia que tinha alguma coisa, o amigo não era do tipo que desabafava com frequência.

Aliado a isso, sentia um vazio existencial que não sabia explicar. Pensava que não sabia muito bem o que estava fazendo da vida, que não gostava do jeito que as coisas estavam e que estava farto de depender do pai para tudo. Imaginava constantemente o fatídico dia após o ritual final da ilha em que poderia partir finalmente em viagem, e ficava triste por saber que Kal não estaria com ele.

Um medo agudo das coisas não darem certo também o assolava, achava que estava melhorando como treinador a cada luta com Kaleo, mas olhando os outros garotos da sua escola, parecia que estava a quilômetros de distancia de suas habilidades.

Pensava em tudo isso enquanto ajudava uma velhinha a atravessar a rua, a terceira nos últimos vinte minutos, o pai tinha pedido para que achasse Kaleo, que estava bem atrasado para o trabalho hoje; No caminho para a casa do amigo, já tinha ajudado meia cidade e falado com umas cinco pessoas. Lou sempre gostou de ajudar quem quer que fosse, mas as vezes sentia que alguma força invisível praticamente o obrigava a faze-lo. Kal sempre dizia que ele era o “profeta de nossa era”.


– Kaaaaal! – Gritou assim que chegou perto da casa do amigo, mas estranhamento não teve resposta. Intrigado pelo silêncio incomum, resolveu dar a volta e ir checar o pequeno pedaço de terra que Kal gostava de chamar de quintal.

Antes de chegar lá, Kaleo apareceu meio correndo e respirando rápido, sujo de terra nas mãos, camisa e rosto.

– Oi, coe cara. – Kaleo disse simplesmente, e ficou parado esperando Lou falar alguma coisa.

– Ta todo imundo hein, que merda. Tava fazendo o que? – Implicou com o amigo como de costume

– Aaahn, nada demais, só tava plantando umas mudas...

– Você plantando? Não acredito... – Lou disse em tom de brincadeira, e Kaleo só balançou a cabeça e foi se afastando do jardim. Lou achou que ele estava ligeiramente estranho mas lembrou para que veio – tu ta atrasado pro trabalho, bora logo porra, to fazendo tudo sozinho lá!

– É, é mesmo... Desculpa, eu dormi demais e não reparei na hora. – Kal disse e correu pra dentro de casa – Deixa eu só trocar de camisa e lavar as mãos.

– Depois do trabalho vai rolar um evento de um dos compradores do meu pai, vai ficar bom. Ta afim de ir? – Lou foi falando enquanto Kal se arrumava dentro de casa. Ao sair, Lou reparou que Kal parecia meio sem jeito e sem saber o que dizer. “Ta, eu vou” foi a resposta.

Os dois seguiram para o trabalho sem falar muito, Kal estava estranhamente quieto e Lou não encontrou nenhuma piada padrão pra aliviar o clima. Ainda parou para ajudar algumas velhinhas no caminho, mas sem muita vontade de faze-lo.





_______________________________________________________________________________



O dia passou devagar, arrastado, deprimente. Lou chegou no evento com uma disposição extra para se divertir, queria tirar o clima ruim da mente e beber um pouco.

O evento era perto da grandiosa arena de madeira no pé do vulcão mais famoso da ilha, lá a tradicional luta pelo escolhido era feita perto da finalização do festival. O comprador do pai – uma das pessoas mais distintas que Lou já vira: tinha longos cabelos vermelhos e uma mecha bem branca perto do olho direito – alugou uma das plataformas elevadas que rodeavam o local, destinadas aos turistas com mais dinheiro. Dali, Lou conseguia ver todas as pessoas dançando dentro da arena, que acabava virando um grande palco antes do dia da competição. A tradicional fantasia compartilhada de gyarados se agitava ao redor das pessoas, com vários pés ágeis gerando seu movimento e vida, estava particularmente bem grande esse ano, os turistas sempre se encantavam com isso.

Lou respirou aliviado, adorava esse tipo de lugar.

Várias musicas tradicionais da ilha tocavam ao fundo, Lou bebia um copo generoso de uma bebida alcoolica caríssima enquanto ria e fazia piada com alguns dos gerentes da empresa, todos falando de mulheres, rugby e de situações engraçadas que aconteceram nos últimos negócios. Seu pai estava se divertindo também, muito bem recebido por aqueles homens que eram imprescindíveis para os negócios.

Kaleo porém, estava parado em uma das pontas da plataforma elevada olhando atentamente para algum ponto lá embaixo.

– Ta tranquilo ai? – Lou perguntou ao chegar perto do amigo, deixando de lado por um tempo a pequena roda de executivos.

– Ahn? Sim, tranquilo – Respondeu simplesmente, e bebericou um pouco do copo que trazia na mão.

– Por que você ta parado ai sem falar com ninguém? Geral ta ali na roda, chega junto, eu não me arrumei todo e fiquei todo gostosinho atoa. – Lou fez uma ligeira dancinha simulando sua “gostosice”, queria animar o amigo de leve.

Kal riu a contra gosto e fez a cara que sempre fazia quando Lou falava alguma coisa estranha – Por que você é desse jeito cara? – Kal disse e deu as costas ao que estava vendo, foi até a mesa e pegou um pão torrado com molho – Eu estava olhando os funcionários da empresa se preparando para a apresentação daqui a pouco, eles parecem ser treinadores experientes.

– Que isso cara, relaxa um pouco. Amanha nós voltamos a treinar. – Lou disse com um ligeiro tom de impaciência, Kal conseguia irrita-lo as vezes com seu jeito obsessivo de pensar nas coisas. – Pega uma cerveja, fala um pouco ali com os executivos, quem sabe a gente não consegue algum favor deles no futuro? – A ultima parte sendo dita mais baixo, perto do ouvido de Kal.

Kaleo assentiu e foi seguindo Lou até a roda de executivos, todos ainda conversando sobre os mesmos assuntos, um deles contanto uma estória que conseguia misturar rugby, mulheres e negócios ao mesmo tempo. Lou riu várias vezes, mas Kal continuava só bebendo quieto e olhando para trás disfarçadamente.

A noite seguiu assim até que o dono da companhia resolveu falar, foi até um dos extremos da plataforma e todos se calaram.

– Amigos, sócios, companheiros – Começou, com uma voz tranquila, quase melódica – Fico muito feliz de receber vocês aqui hoje no coquetel de comemoração ao mais novo produto SmartTec. Se todos tiverem interesse, poderão ver os nossos mais habilidosos treinadores usando agora mesmo os aparelhos de treino modelo V5.

A maioria foi se aproximando da sacada, e todos passaram a observar o ponto onde Kal estava olhando mais cedo.

– A nova tecnologia vai facilitar e potencializar o desenvolvimento de vários aspectos no trato dos pokemons, inclusive a federação internacional já entrou em contato conosco. – Vários murmúrios de surpresa e aprovação. A federação era responsável pela supervisão geral das ligas, da elite dos 4 e da organização formal do torneio mundial. Só os melhores eram contratados por ela. – Daqui a poucos minutos o resultado será demonstrado no palco. Obrigado pela presença.

Ao finalizar o discurso, virou-se de costas e foi observar seus treinadores como os demais.

Lou colou na sacada perto de Kaleo e foi curioso ver o que seria esse novo aparelho. Viu diversos treinadores de camisas pretas com o logo da SmartTec usando aparelhos mega sofisticados grudados ao corpo dos pokemons, a maioria fazendo uma série de exercícios básicos.

Seguiu o olhar de Kaleo e encontrou um rapaz bem alto e corpulento, com o cabelo castanho e um olhar severo. Na frente dele, um growlithe com quatro aparelhos presos nas patas corria de um lado para o outro, desviando de alguns cones e pulando alguns aros.

– Aquele maluco ali parece mauzão – Lou comentou e apontou pro sujeito.

– Ele tem mania de mexer muito as mãos quando da uma ordem – Kal respondeu

– Porra... Então deve ser mais ruim ainda, imagina um troglodita desses gesticulando enquanto grita com você – E riu acompanhado pelo amigo.

Lou olhou para o lado de leve e notou que o pai cochichava com o dono da empresa, o ruivo deu uma olhada rápida na direção de Lou e Kal, fez um semblante de reconhecimento e respondeu ao pai.

– Não olha agora, mas acho que meu pai está fazendo propaganda da gente pro Jacques – Lou falou de canto de boca, e se inclinou pra frente na sacada da plataforma.

– Quem é Jacques? – Kal respondeu, se inclinando pra frente igual.

– O dono da empresa, o cara ruivo com uma porra branca no cabelo. Não olha! – Disse rispidamente dando uma cotovelada quando Kal ameaçou olhar, recebeu uma cara sínica de impaciência em resposta.

Antes que pudessem falar mais, uma salva de palmas e barulhos de agitação chamaram a atenção de todos. Os funcionários começaram a se dirigir ao palco aos poucos, e as pessoas iam saindo e sentando nas arquibancadas feitas para assistir o espetáculo.

Uma modelo genérica foi até o meio do palco e começou o discurso padrão de como a SmartTec era a melhor empresa de tecnologia e como eles faziam os melhores produtos, Lou achava isso um saco. Pensou em gritar “Vocês estão cagando pro meio ambiente!”, mas decidiu que não ia adiantar em nada. Sempre se importou muito com a questão ambiental e a exploração de recursos, mas não tinha quem pudesse compartilhar essas ideias.

As demonstrações prosseguiram e até Lou teve que admitir, eram realmente impressionantes. Apesar da apresentadora avisar que eram apenas protótipos, o que prometiam parecia incrível.

A maioria dos produtos era uma espécie de prótese que ao ser colocada nos pokemons, estimulava ao máxima suas capacidades musculares ou genéticas. Em teoria, o treino com pokemons usando aquilo seria absurdamente mais proveitoso e com menos riscos.

Growlithes, machops, um Onix e até mesmo um Blaziken faziam várias acrobacias usando as próteses que eram colocadas em pontos estratégicos. Alguns aparelhos de treino convencionais com uma cara mais moderna também eram mostrados: Balões com um material incrivelmente resistente e elástico, sacos de areia mecanizados que tentavam acertar o pokemon na plataforma e uma espécie de pilão mecânico que testava a força bruta do pokemon que o empurrasse de vários ângulos ajustáveis.

Após alguns aplausos moderados, a apresentadora retomou o microfone e todos os treinadores e aparelhos foram retirados do palco, menos o troglodita e o dono do machop.

– E para mostrar na pratica os resultados dos treinos intensivos, dois dos nossos melhores treinadores vão dar um pequeno gosto a vocês de como será o torneio do escolhido daqui a alguns dias. Segurem-se nos assentos e aproveitem! – A modelo genérica anunciou e apontou para os dois desafiantes.

– Finalmente. – Kal declarou, empolgado pela primeira vez no dia.

Os dois treinadores se afastaram para seus respectivos lugares, growlithe e machop se posicionaram a frente deles, visivelmente ansiosos para lutar.

A modelo foi para um dos lados da arena – Preparados? – Perguntou olhando de um lado para o outro e depois para a plateia – Comecem!

E com o grito da anunciante, o growlithe partiu desenfreado fazendo zigue zague na direção do oponente. Machop por sua vez, se preparou numa pose de batalha e esperou as ordens do dono.

– Ember – O dono do growlithe falou calmamente, mas a voz dele soou alta mesmo assim.

O humilde jato de fogo foi cuspido durante a corrida, nenhuma das chamas pegou no oponente. “Que ruim” Lou pensou e sorriu sozinho. Um pouco depois, reparou que as chamas pegaram na madeira da arena e praticamente cercavam o machop, tornando difícil a movimentação deste.

– Malandrão você né? – O outro treinador gritou irônico – Focus Energy!

O macho recuou dois passos, juntou as mãos e respirou fundo várias vezes, uma luz alaranjada começou a surgir em volta dele.

– Muito óbvio – O outro respondeu – Roar.

O pokemon quadrupede começou a correr em círculos em volta do outro, latindo estridentemente. O barulho absurdo desconcentrou o machop que não conseguiu aplicar a concentração da melhor maneira possível.

De repente, o machop partiu desenfreado correndo na direção do growlithe, passando por vários pequenos focos de incêndio deixados pelo ember e se queimando. Seu dono gritou algo ininteligível e o pokemon respondeu saltando quase dois metros em arco, descendo com o punho esticado.

O growlithe pego de surpresa, não conseguiu desviar a tempo e foi acertado em cheio no tronco. O chão de madeira abriu uma grande rachadura fazendo um barulho terrível como de um osso quebrando.

– Caralho, ele deve ter morrido depois dessa. – Lou falou rindo e batendo com a palma da mão na sacada.

Machop foi jogado para trás depois do impacto, se recompôs e começou a correr na direção do growlithe caído. O pokemon se levantou de súbito e começou a recuar com dificuldade desviando das rachaduras do chão de madeira. Machop perseguia-o, aplicando uma série de golpes com as mãos e os pés a esmo.

Um pouco depois o growlithe tentou desviar de um soco e de uma rachadura ao mesmo tempo, tendo que pular no ar.

– Rolling Kick! – O dono do machop reagiu rápido e ordenou o ataque assim que o growlithe saiu do chão.

O pokemon humanoide rodou no próprio eixo e destacou a perna direita, desferindo um poderoso chute na boca do oponente, que caiu alguns metros para trás.

A plateia era um misto de vibração e choque pela violência dos impactos.

Lou procurou com o olhar o treinador mauzão, imaginando se ele ainda estaria com o semblante calmo. Para sua surpresa, o mesmo estava rindo discretamente.

– Morning Sun. – Ordenou. O growlithe caído levantou se tremendo de raiva, latindo muito, uma luz dourada emanou do corpo dele, e os sinais de cansaço e dor desapareceram quando esta se apagou.

– Caralho, que golpe era aquele? – Lou perguntou para Kal, impressionado com a demonstração. “Também não sei” ouviu o amigo responder empolgado.

A situação tinha se invertido: agora o machop parecia apresentar sinais de cansaço, provavelmente por causa das queimaduras que teve que aguentar desde e o começo da luta. E pior, agora estava do lado da arena que tinha mais rachaduras, teria que esperar o growlithe agir primeiro ou estaria em desvantagem.

Surpreendentemente, o dono do machop ordenou outro focus energy, “que burro, o growlithe simplesmente vai usar roar de novo” Lou pensou, mas se enganou, o troglodita ordenou algo que Lou não conseguiu ouvir direito e o growlithe começou a correr pra frente raivoso.

Chamas começaram a cercar o corpo do quadrupede, até que ficaram tão violentas que cobriram o corpo todo dele.

– Karate Chop, rápido! – O treinador oposto ordenou ligeiramente desesperado assim que o machop terminou a meditação.

Os dois pokemons correram na direção um do outro, o machop pulou contra a bola de fogo com os dois braços em formato de X, aplicando dois karate chop juntos.

Uma explosão de luz e fumaça feriu os olhos de Lou, que piscou várias vezes. “Que luta foda” foi o que pensou enquanto protegia o rosto.

Após a fumaça baixar, todos puderem ver estarrecidos que o machop se encontrava caído a metros de distancia e o growlithe permanecia em pé no meio da arena arfando de cansado.

Uma explosão ensurdecedora de gritos e aplausos tomou conta do espetáculo, os executivos elogiando com vontade enquanto acompanhavam a torcida.

– Caralho, mas que luta foda. Nunca vi uma tão disputada – Lou gritou cutucando Kal

– Foi muito foda mesmo, mas não foi disputada não.

– Que, ta maluco? Tu viu a mesma luta que eu? Os dois tomaram um sufoco! – Lou respondeu indignado e notou como o treinador do growlithe tinha ido até o centro da plataforma e agora levantava o próprio pokemon fazendo carinho e brincando com ele. Não pode evitar de pensar o quão bizarro era a cena, parecia até mais assustador pensar num cara desses assim do que se estivesse irritado.

– O mamoswine ali tinha tudo sobre controle... Cada vez que o pokemon dele era atingido, foi uma oportunidade de usar um ataque que diminuía a defesa do machop. – Kal disse, ainda olhando para a arena e fazendo a mesma cara de estranhamento que Lou fizera ao ver o tratamento do treinador com seu growlithe – Provavelmente ele já sabia que o machop ia se cansar, e estava contando com aquele golpe estranho que recuperou a energia do pokemon dele... Fez tudo isso de propósito querendo dar um show ao publico, muito esperto.

Lou achou um pouco improvável que realmente tivesse acontecido tudo isso, prestes a responder, foi interrompido por uma voz melodiosa vindo de trás dele. – Tem um olho bom garoto – Disse Jacques, que aparentemente estava ali a um tempo.

Kal pareceu surpreso e não soube bem o que responder, só agradeceu sem jeito.

– O que você acha de ir visitar nossa filial aqui na ilha antes do campeonato? Se estiver planejando entrar na competição pode te ajudar muito.

Lou viu os olhos de Kal se encherem de brilho, e não pode deixar de se sentir magoado por Jacques não ter falado com ele também. Mas antes que o amigo pudesse responder, viu as feições dele mudarem do nada, parecia que Kaleo tinha visto um fantasma.

– Desculpa senhor, provavelmente não tenho tempo pra isso, tenho que visitar minha irmã e fazer meu trabalho. Com licença, não estou me sentindo bem. – Kal respondeu e foi meio correndo em direção a escada de saída da plataforma.

Surpreso, Lou seguiu o amigo com o olhar e percebeu que o que tinha gerado aquela reação era um homem branco, alto e careca que chegava no recinto.

– Seu amigo não pareceu gostar muito da sugestão – Jacques se dirigiu a ele, mas sem tirar os olhos de Kal que descia as escadas – Talvez ele fique mais interessado se souber que nossa empresa pretende dar uma recompensa simbólica em dinheiro ao vencedor do torneio desse ano... Acho que ele pode gostar disso – E riu divertido.

Lou pediu desculpas meio enrolado e foi ao encalço do amigo enquanto o recém chegado, Jacques e seu pai se sentavam em um dos bancos para conversarem sobre negócios. Reparou que o desconhecido tinha uma marca preta no pescoço, provavelmente de uma tatuagem que tomava boa parte das costas.

– Que isso cara? O que ta acontecendo contigo – Lou falou meio alto, depois de ter descido as escadas correndo e alcançado Kal – Como tu sai correndo assim e dispensa um convite desses?!

Kal viu o amigo e diminuiu o passo, mas continuou seguindo para longe do evento. – Eu tive meus motivos – disse simplesmente.

O estresse de Lou atingiu seu auge – Você sempre tem seus motivos pra fazer o que quer, isso já está enchendo o saco. – Gritou – Você não pensou que recusar esse convite talvez pegasse mal pro meu pai? Depois de tudo que ele faz por você, que tal pensar um pouco nele?!

Kaleo parou de andar e virou para encarar Lou. Visivelmente muito irritado.

– Tudo que ele fez por mim? Tipo mentir pra mim todos esses anos? Dizendo que comprar a merda da licença de treinador e me deixando sem nada agora? – Kal gritou de volta – Me diz exatamente... Exatamente pelo que eu deveria ser grato? Por que ele teve o minimo de pena de dois órfãos abandonados pelos pais?

Lou não sabia o que responder, ficou chocado pelo fato de Kaleo saber disso. Como poderia? Pensou no que falar mas sentiu que ia começar a gaguejar, sempre gaguejava quando ficava nervoso.

Antes que pudesse dizer alguma coisa, Kal deu as costas e começou a correr desenfreado.

Lou ficou algum tempo parado olhando a direção que o amigo tinha corrido, sem saber como diabos as coisas tinham ficado daquele jeito.
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Re: Presságio

Mensagem por Slow em Seg 19 Dez 2016 - 17:02

Yo, Tshaman o/

O capítulo foi meio tenso, com Kal dizendo na cara do Lou o que ouviu e a última frase do cap descreve bem o que eu pensei na hora. Eu nem esperava que ele responderia o convite daquela forma, achei uma boa oportunidade. A batalha foi muito boa e bem narrada, mesmo que tenha sido uma encenação por parte do "Mamoswine", vc ta de parabéns por isso.

Quanto aos erros, o "a" em vez de "há" se repetiu e um novo apareceu:

O mamoswine ali tinha tudo sobre controle [...]

"Sobre" seria em cima, ou seja, fora do controle. Nesse caso, o correto é "sob", em baixo, no controle.

É isso, até o/
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Re: Presságio

Mensagem por xKai em Ter 20 Dez 2016 - 11:15

Desculpa a demora amigo, semana bem agitada essa! Meu presente de Natal está por me ocupar bastante -q Meu cachorro já é velhinho, não imaginava o quanto um filhotinho podia ocupar, nossa é muita coisa que tem que fazer... Bom, agora vamos ao que realmente importa aqui que é o meu comentário, apenas ignore a mediocridade do mesmo, é que realmente meu tempo essa semana anda curto, fiz uma breve leitura das fanfics, e para ser justo com todos e comentar em todas, os comentários desta vez serão curtinhos Mad

Como de praxe você implementou um tipo bem único de comédia no meio de todo o suspense, o que torna a fanfic muito cativante, sério é bem legal porque descontrai um pouco todo aquele clima de "porra acabei de ver um assassinato e segundos depois quase fui o assassinado" tipo isso -q O Kal tem um jeito bem exclusivo de guardar estes sentimentos para ele, não é? -q Bom, mas mesmo com toda essa comédia fazendo uma ótima presença também tivemos bastante ação, essa batalha foi muito boa, a parte em que o Lou pergunta se eles realmente estavam vendo a mesma luta foi no mínimo hilária, é igual numa partida de futebol, onde um time só ataca e outro só defende e um narrador fala que aquele time que mal toca na bola tá jogando melhor, apenas por estar conseguindo se defender -q Mas enfim, queria ressaltar bem esta parte, pois achei o comentário muito bem bolado. Logo no fim do capítulo tivemos um golpe de realidade ali... Ansioso para ver o decorrer deste "drama" agora. Até o próximo capítulo mano e boa sorte com a fanfic. Novamente peço desculpas por não comentar tão detalhadamente como normalmente tento fazer.

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Re: Presságio

Mensagem por tshaman em Qua 21 Dez 2016 - 14:24



Spoiler:

Slow

Quanto aos erros, o "a" em vez de "há" se repetiu e um novo apareceu:

Vou prestar atenção nisso nos prox caps mano, lol xD

"Sobre" seria em cima, ou seja, fora do controle. Nesse caso, o correto é "sob", em baixo, no controle.

Consequência direta do sono e da falta de atenção, hahashaha.

Eu nem esperava que ele responderia o convite daquela forma

Não sei se eu deixei claro, mas o cara que chegou no evento é o mesmo da floresta, por isso a reação do Kal.

xKai

É a vida cara, estar atarefado numa certa idade é constância, sei muito bem como é isso. Por enquanto to de boa por causa das férias da faculdade e a pausa no estágio, mas em breve vou estar igual a você.

a parte em que o Lou pergunta se eles realmente estavam vendo a mesma luta foi no mínimo hilária

E foi inspirado numa conversa verdadeira entre eu (Kaleo) e o Lou da vida real HUDUHDEHU

Espero que goste muito dos próx caps e da trama que vai se desenrolar. : ) Muitas surpresas ainda estão por vir.



Capitulo 4: VIvo

– Então eu joguei na cara dele que sabia de tudo isso e sai correndo. – Kal terminou de contar o que tinha acontecido na noite anterior e olhava cabisbaixo na direção da irmã. Resolveu que não tinha mais como fugir, tinha que dizer a ela tudo que estava acontecendo e o que estava preocupando-o.

Moana ficou olhando para ele, até que estendeu os braços pra frente oferecendo um abraço. Kaleo aceitou, e se colocou entre os braços da irmã delicadamente por cima do leito e dos fios.

– Rimão, tenho certeza que você vai conseguir de algum jeito, e sei que o Sr Lou não fez de propósito. –Disse, abraçando-o com o máximo de força que conseguia – Mas de que adianta você ficar preocupado agora? Vai te fazer ser melhor no que gosta? Vai fazer surgir dinheiro pra licença? O que o Sr Lou sempre dizia?

Kaleo disfarçou a reação involuntária ao ouvir o nome do pai de Lou, sabia o que a irmã queria dizer, “Cada problema é uma oportunidade de se superar filho”, era o que ele dizia, mas estava magoado demais agora.

– Que tal você ter um pouco de fé, continuar trabalhando e treinando? As coisas vão melhorar. – Moana disse de forma carinhosa, e sentiu um pouco de dor no corpo.

Kaleo soltou a irmã, ainda frustrado com tudo aquilo que tinha ido lá contar a ela, mas refletiu e pensou o quanto estava sendo egoísta se importando tanto com algo tão pequeno enquanto ela estava numa cama de hospital. No minimo, deveria saber controlar suas emoções, afinal ele que era o irmão mais velho.

– Obrigado Moana. – Disse simplesmente, e os dois continuaram falando sobre a rotina dela no hospital e coisas triviais pelo resto da tarde. Kaleo pegou o Mienfoo de volta, tinha deixado ele lá para fazer companhia a irmã desde a ultima visita, a criatura pulava de empolgação na saída.

Enquanto caminhava pelo hospital, refletia no que a irmã tinha dito, as vezes sentia que ele era o caçula dos dois de tão estupido que era. Moana tinha razão, não era hora pra pensar em problemas pequenos, e sim em soluções.

– Até a próxima enfermeira. – Se despediu como costumava fazer quando chegou a recepção do hospital, mal desviando o rosto para olhar o balcão.

– Kal, não esquece que a próxima visita é só depois do fim do ritual por causa do recesso – A enfermeira gritou avisando e Kaleo virou na direção dela pensando em tirar uma duvida.

Um moleque negro mais ou menos de sua altura estava de costas para ele, parado falando com a enfermeira baixinho. Kal achou a figura estranhamente familiar e se distraiu tentando lembrar de onde conhecia.

– E qual seria o nome do paciente? – Perguntou. O moleque respondeu muito baixo, mas a enfermeira repetiu o nome em voz alta – Brady? Hmmm... Sala 301, qual seria o seu nome e parentesco com o paciente?

Notou que o estranho parecia ligeiramente sem jeito com a pergunta, começou a revirar os bolsos tentando ganhar tempo, claramente nervoso. Foi quando o moleque virou para trás para ver se tinha alguém perto que Kal reconheceu em choque. Era o dono do Cubone que tinha presenciado o assassinato na floresta.

Por alguns segundos Kal ficou sem reação, foi o tempo necessário para que o outro reparasse nele e reconhece-o também. Os dois se olharam paralisados.

– Então, vai me responder ou não? – O tom de impaciência da enfermeira cortou o silêncio e o torpor dos dois. Kal deu um passo pra frente, levantou a mão e começou a articular o que iria dizer, mas foi surpreendido. O moleque empurrou o balcão, deslizou pelo chão da recepção e começou a correr desenfreado em direção ao corredor da esquerda.

– Ei... EI... EI! Sem correr dentro do prédio! SEGURANÇAS! – A enfermeira gritou ao entender o que estava acontecendo. Kal reagiu mais rápido, se pôs ao encalço do contraventor hospital a dentro.

Bateu os pés o máximo que conseguia, todo o sentimento acumulado daquela noite voltaram enquanto tentava alcançar o moleque, sabia que não tinha como ele fugir, não tinha saída desse lado do prédio. Enquanto passavam de corredor a corredor dentro do hospital, vários doentes saíram do caminho assustados, viu um dos seguranças aparecer, mas sem muitas chances de alcançá-los.

Reparou durante a perseguição que o outro corria com um gingado próprio de quem era criado na rua. O fugitivo olhou para trás algumas vezes e chegou a derrubar um amontoado de tigelas de alumínio que estavam empilhadas em um dos corredores, Kaleo simplesmente pulou por cima e continuou correndo.

– VOCÊ NÃO TEM PRA ONDE FUGIR! – Gritou furioso, e pensou em usar o Mienfoo. O pokemon corria ao seu lado, mas sabia que se quisesse passaria os dois com facilidade.

Prestes a dar a ordem, viu que o moleque virou a esquerda na direção das escadas do segundo andar; "Deve estar desesperado", pensou, não tinha como fugir por la, só queria ganhar tempo. Os dois subiram a escada, já bem mais próximos um do outro, deram de cara no corredor principal do segundo andar, cheio de elevadores e uma janela bem no final.

“Não pode ser”, mas sabia que era exatamente isso que ele queria. O fugitivo pretendia pular do segundo andar para a liberdade.

Pouco tempo para raciocinar separou Kaleo do momento decisivo, conforme se aproximavam da janela sua mente trabalhava furiosamente tentando decidir o que faria. O desconhecido não hesitou, continuou correndo a toda velocidade e pulou usando o braço de apoio. Kaleo ainda ficou um segundo surpreso, não acreditando que ele tinha feito isso mesmo.

– Mienfoo, Pound! – A ordem veio assim que se recuperou, seu pokemon se adiantou e pulou a janela com tudo estendendo a perna numa voadora violenta. Kal parou derrapando a tempo de ver o moleque negro aterrissando numa moita bem grande que tinha logo a baixo e um pouco depois mienfoo acertando em cheio o peito dele, fazendo-o afundar na grama e perder o ar.

Passou devagar as pernas pela janela, segurou-se com o braço pelo lado de fora e pulou com mais cuidado, ainda impressionado pela coragem do fugitivo. Foi andando até a moita, onde o Mienfoo se engalfinhava contra o estranho. Seu pokemon foi jogado para trás reclamando, e o fugitivo recomeçou a corrida, dessa vez claramente machucado e mais devagar.

– Desiste cara... – Kal falou tranquilo, já contando com a vitória, recomeçando a perseguição.

O hospital ficava em um dos extremos cantos da cidade principal da ilha, atrás dele, só haviam arvores, riachos e vegetação rasteira antes de chegar nos pequenos morros que precediam o mar. Os dois continuaram correndo chegando cada vez mais perto do limite, até que subiram e desceram um dos morros e deram num pequeno bosque. O fugitivo corria como se soubesse muito bem para onde estava indo, e quando Kaleo tinha acabado de pensar nisso, um borrão branco no limite da sua visão o fez virar a cabeça de súbito.

Kaleo reagiu por instinto, se jogou para frente tentando fazer uma espécie de rolamento improvisado, o osso passou voando e acertou uma arvore a sua esquerda com violência. Se levantou do chão rápido e identificou o atacante, o pequeno Cubone do moleque negro vinha correndo tentando pegar o osso de volta.

Não teve pena, correu e desferiu um chute com todas as suas forças no pokemon, que voou para trás choramingando. “O chute que eu estava te devendo, cuzão. Essa é pelo meu braço” Kaleo pensou, realizado, mas por pouco tempo. Sentiu uma porrada violentíssima na lateral da cabeça, perto da orelha, desabou no chão tonto.

O mundo girou para Kaleo, o soco pegou em cheio, ficou alguns segundos tentando se levantar tonto e sem enxergar nada. Quando conseguiu recuperar um pouco do equilíbrio, levantou a cabeça de leve e se arrastou para ver o que tinha acontecido. O fugitivo tinha acertado um soco aproveitando o momento de distração que Kal teve ao atacar o Cubone, agora, este apanhava severamente do Mienfoo no chão, sem chances de revidar.

– Você é um filho da puta mesmsss né... – Balbuciou enrolado, ainda confuso pelo nocaute recebido – Primeiro rouba a porra do dinheiro que eu catei do cara e depois causa esse alvoroço no hospital. Quem é você moleque? Onde está o dinheiro?

Mienfoo parou de agredir o estranho, que gemeu de dor um pouco e se pôs sentado apoiado num tronco de arvore, olhou para Kal misturando raiva e desconfiança.

– E quem é você, mano? Também estava na floresta de noite, também ganhou a corrida de ratatas naquele dia, também queria o dinheiro do mafioso. – Acusou – Se eu sou um filho da puta, o que você é?

Kal se sentiu ofendido e não conseguiu evitar de responder – Eu tenho meus motivos, minha irmã está naquele hospital morrendo. Preciso do dinheiro.

– E o que te faz achar que eu não tenho os meus motivos? – O estranho gritou de volta, claramente irritado.

Kaleo lembrou que o estranho estava no hospital também, querendo visitar um tal de Brady. Por um momento não soube muito bem por que estavam brigando.

Os dois ficaram um tempo em silêncio, Kal com a mão na testa andando de um lado para o outro pensando.

– O que tinha na carta? O que você fez com ela? – Rompeu o silêncio, já mais calmo.

– Ahn? – A pergunta fez Kal voltar a realidade – Eu escondi, pensei que se viessem procurar na minha casa poderia negar e fingir que não sabia de nada se ela não estivesse comigo. Nem li.

– Eu fiz igual. – Respondeu, e fez uma cara como quem pensa, “até que você não é tão burro”, ou pelo menos foi assim que Kaleo interpretou.

– Parece que estamos num impasse, eu tenho a carta e você o dinheiro. Você deve ser esperto suficiente pra saber que se sair gastando vai ser morto rápido. A informação é mais valiosa.

– E dai? Assim como você não vai conseguir vantagem nenhuma com aquela carta na situação de merda que está. – Declarou, sabia jogar o mesmo jogo.

– Sim, verdade. – Kal admitiu – Eu tenho a informação, você o dinheiro, nenhum dos dois é muito valioso agora. Mais importante ainda, eu sei quem são esses caras.

O moleque ficou visivelmente surpreso, depois fez cara de pensativo por um tempo.

Já não sentia tanta raiva assim, os dois tinham apanhado o suficiente. "Ele só estava acuado igual a mim, é burrice brigar", agora, pensava em como tirar proveito da situação.

– Da forma que vejo, precisamos sair daqui. – Continuou – Longe da ilha, podemos usar o dinheiro melhor e dar um jeito de lucrar com a informação. É a unica solução, o problema é que sair da ilha é caro por si só.

– Gosto do seu jeito de pensar, mano. – O estranho respondeu, abrindo um grande sorriso cínico – Mas o que me impede de te encher de porrada e roubar a carta pra mim?

Kal não sabia muito bem ler as emoções do estranho, a cara de bobo e o jeito dele falar confundiam facilmente. Era difícil saber se ele estava brincando ou não, resolveu bancar.

– Por que você não conhece nada da ilha, é óbvio que é estrangeiro; Por que não sabe onde está a carta; Por que seu Cubone está desmaiado e você está fudido. O que me impede de chamar a policia e te prender? – Tentou parecer confiante, mas não soube se convenceu ou não. De qualquer forma, o estranho levantou as poucos ainda com o sorriso esquisito no rosto, foi andando até Kal e estendeu a mão.

– Tanga, Raga. – O estranho falou – Sem ressentimentos sobre as porradas né? Não sabia se podia confiar em você.

– De boa cara... Mas me diz, tu ta de sacanagem que teu nome é Raga Tanga né?!

– Não, é só Raga, mas eu sempre achei foda falar desse jeito.

Kaleo não aguentou e desatou a rir, talvez gostasse mais do moleque do que previra.





________________________________________________________________________________



Kal se escondia entre arbustos atrás de um dos mais famosos armazéns de Moena, seu coração batia rápido e as mãos já estavam pegajosas de suor. Uma parte dele dizia insistentemente que aquilo era errado, que ele ia ser preso ou morrer tentando; Outra parte, gritava com toda força: “Ninguém nunca se importou com você! Por que você deveria se importar?!”.

De qualquer modo, teria que se decidir dentro de cinco minutos, tempo combinado com Raga para que o parceiro começasse a confusão e o plano se desenrolasse.

Nas horas seguintes ao incidente do hospital, os dois confabularam incessantemente sobre o plano de ação. Discutiram sobre como poderiam sair da ilha do melhor jeito possível, o fator decisivo foi Raga contar que uma empresa anonima ia doar uma grande quantia em dinheiro para o vencedor de “alguma merda de evento da ilha”. Kaleo sabia muito bem do que se tratava, era perfeito, iriam lavar dinheiro bem na cara dos donos.

O problema era: Raga não podia participar por que estava ilegal na ilha, não quis entrar em detalhes, mas foi categórico nesse ponto. Kaleo poderia, mas ainda era novato demais e não se garantia em batalhas formais.

Depois de chegar nesse novo impasse, Raga sugeriu que treinassem intensivamente até o dia da competição. “Quando é?” perguntou, e declarou que poderia ensinar muito bem Kaleo em uma semana o suficiente para ser melhor do que a maioria dos outros treinadores da ilha. “Ainda tem um problema, você só tem esse Mienfoo, e pelo que me contou, nem capturou ele de verdade”, Kal concordou, nunca tinha capturado nenhum pokemon e muito menos lutado pela sua sobrevivência, como um treinador de verdade deveria fazer.

“Sem caô, a ilha em que eu naufraguei...” E quando disse isso, rapidamente cortou a frase desconcertado, “Podemos ir lá e capturar outro pokemon pra você, só precisamos de um barco pequeno e uma pokebola”.



E ali estava, prestes a roubar um pequeno bote inflável de quatro lugares do “Joia do pacifico”, esperando Raga e seu Cubone começaram uma confusão em pleno festival para que o publico se distraísse.

A noite estava escura e as pessoas alegres, hoje era o dia da luz, a cidade estava triplamente iluminada com lanternas de variados formatos e desenhos de essência de Ledyba. Tradicionalmente era esse o dia em que a sacerdotisa seria escolhida para prestigiar o ganhador do torneio do escolhido e realizar o ritual final na fogueira lá no pé do vulcão. Várias pessoas tinham rastros de essência de Ledyba na cara e no corpo, era a ultima moda, o que fazia o ambiente ficar um pouco surreal e fantástico.

Viu o sinal, Raga foi andando até perto da barraca dos ratatas com o Cubone andando junto. O plano era o Cubone destruir as baias libertando os ratatas, causando alvoroço e forçando o dono do armazém a sair para ajudar os parceiros de vendas. Kal não podia deixar de se sentir um pouco traíra de contar essas coisas para um forasteiro, ainda mais com o objetivo que tinham.

Não teve tempo de se arrepender, o Cubone começou a correr com o osso na mão e se preparou para destruir a baia. No meio da corrida, tropeçou com toda a força e bateu com o cranio na entrada do evento, começou a chorar escandalosamente.

Uma multidão de gente foi amparar o pequeno pokemon, com várias meninas exclamando “Tadinho!” em alto e bom som. A expressão de Raga era impagável, nunca tinha visto uma cara de “não acredito nisso mano” tão perfeita na vida.

Raga aproveitou a comoção, e ainda com a expressão de descrença, foi até o inicio da corrida dos ratatas e deu um chute nas baias, fazendo-as desmoronar e os ratatas correrem igual loucos.

– Mas o que é isso?! – Kal ouviu o dono do Joia do pacifico gritar apavorado e correr junto com a esposa para conter a multidão de turistas, moradores, vendedores e pokemons confusos. Era sua chance.

Partiu a todo vapor da moita que estava, com Mienfoo logo atrás, pulou a cerca de ferro com facilidade e escalou a parede de madeira que dava para os fundos do armazém. Lá, os dois começaram a procurar rápido uma caixa dos botes infláveis.

Dezenas de tralhas e produtos inúteis que obviamente só turistas otários comprariam lotavam os fundos do armazém, Kal e Mienfoo procuraram um pouco desesperados, mas sem querer bagunçar muito o armazém.

Continuou atento ao barulho da rua, não podia ser descoberto e contava com o parco tempo da confusão generalizada para conseguir pegar o bote, a pokebola e correr de lá.

– Cade essa merda, cade essa merda?! – Falou pra si mesmo revirando algumas caixas.

– fooo!

Mienfoo saltitou no lugar e apontou para uma caixa um pouco a direita, Kaleo foi até lá derrapando e conferiu. Era mesmo o bote.

– Muito bem! – Deu dois tapinhas na cabeça de seu pokemon e se abaixou para retirar a caixa. Quando puxou porém, uma pilha de outras coisas que estavam apoiadas na caixa caíram em sequencia. Kal apertou o rosto, “fiz merda”, pensou.

A pilha terminou de desmoronar e Kal ficou apreensivo, aprumou os ouvidos para verificar sua situação. O barulho da rua continuava intenso, tudo sobre controle.

– Beleza Mienfoo, vamos sair daqui rápido. – Deus as costas e colocou a caixa do bote dentro da mochila que tinha trazido, começou a olhar a esmo para encontrar alguma pokebola. Foi quando um som cavernoso, parecendo um ruido sonolento, se elevou lá do meio das tralhas.

Kaleo virou o rosto devagar, sentindo o gelo na barriga e quase rezando para não morrer.

Um Charizard enorme se erguia do meio das caixas de papelão vazias, um pouco desnorteado de sono. A criatura começou a farejar o ar e andar devagar de um lado pro outro, Kal congelou no lugar, “vou morrer”.

Mienfoo cutucou a perna do dono com força, fazendo-o acordar. Os dois começaram a recuar devagar tentando não fazer barulho enquanto o monstro de fogo ainda não tinha percebido a presença da dupla.

Um rugido colossal quase ensurdeceu Kaleo, o charizard tinha notado os dois invasores e começava a levantar voo, furioso.

– CORRE MIENFOO!!! – Os dois deram as costas e abandonaram a cautela, correram como nunca na vida sentindo o ar atrás deles se agitar e esquentar, o lagarto de fogo estava ganhando terreno rapidamente com sua velocidade aérea.

Kaleo deu impulso na parede de madeira e pulou com uma disposição que nem tinha, quase tropeçando, foi catando cavaco e arrancando pedaços de grama no chão de tanto desespero.

O charizard passou voando bem no meio da parede de madeira e uma explosão de pedaços e farpas voou para todos os lados. Kaleo caiu no chão tamanha violência do impacto, teve certeza que morreria.

Por alguma espécie de milagre ou algo do tipo, o Charizard de repente tomou um puxão em pleno ar e caiu para trás. Kaleo não tinha percebido, mas a criatura era presa ao galpão com uma coleira no pescoço ligada a uma corrente bem firme.

– HAAAAAAAAAAAAA! Não acreditooooo, chupa otário! – Levantou ainda tremendo, mas aliviado e satisfeito que não morreria ali. Mienfoo acompanhava a dancinha da vitória, satisfeito igual.

O lagarto lutou contra as correntes com força, encarando os invasores e bufando. Kaleo estava com um sorriso gigante na cara, como poucas vezes tinha experimentado na vida, “eu te ganhei, Charizard de merda!”, era o que pensava.

Enquanto ainda estava comemorando sua vitória, reparou que o bicho se apoiou nas quatro patas e fez força com o peito e a garganta.

– Ah não... – Lamentou. Pegou rapidamente o Mienfoo no colo e correu sem nem lembrar de respirar, pulou a grade de alumínio com a mesma força do desespero recém descoberta. Quando aterrissou do outro lado, sentiu a pancada de ar absurda e a quentura da bola de fogo que o Charizard tinha cuspido.

Kaleo foi jogado metros no ar, sentindo algumas partes da pele queimando. Bateu com violência com a perna numa arvore durante o voo forçado e aterrissou rolando com o mienfoo abraçado nele. Por sorte, boa parte do ataque tinha sido parado pela grade de metal.

Foi arfando ar se arrastando para longe, sentindo várias partes do corpo ardendo e outras doendo, mas vivo. Ouviu o pokemon lamentar ao longe por não ter matado os invasores, ouviu também a confusão na rua ainda acontecendo.

Rolou de costas para o chão e se permitiu descansar um momento. Nunca tinha se machucado tanto na vida, mas nunca tinha se sentido tão vivo e feliz também.

Começou a rir descontrolado por longos segundos, até que virou-se e voltou a rastejar pra longe dali.

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