Pokémon Mythology
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As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

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As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Rush em Sex 1 Abr 2016 - 0:48



Prólogo:



O som do despertador soava pelo seu quarto, mas não adiantara muita coisa já que não havia conseguido dormir esta noite. Apenas o desativava golpeando a sua superfície, enquanto seus olhos verdes olhavam preocupados para o teto do cômodo. Mesmo com a cortina fechada, era possível  ver que ainda era muito cedo para o céu estar claro.

Dia três de dezembro. – Murmurava para si mesmo, sentindo a sua voz fraquejar junto a uma frieza percorrendo por sua espinha. – A grande convocação...

Inspirava fundo o ar pelas narinas, enchendo o peito. Segurava por alguns segundos antes de eliminar todo ar de uma vez pela boca. Tentava desacelerar seu coração e enganar a si mesmo, fingindo que não estava nervoso. Era impossível, nunca estivera tão nervoso em toda a sua vida.

Levantava-se sem hesitar e ia direto ao banheiro. Entrava no chuveiro e tomava uma ducha de apenas dez minutos. Saía enrolado em uma toalha e escovava os dentes. Se enxugava, vestia uma camisa cinza que ficava justa em seu corpo definido, expondo seu peitoral musculoso e ficando apertada em seu bíceps. Em seguida vestia uma calça esportiva tão justa quanto.

Sabendo que o Planalto Índigo era uma região bastante fria, como toda região em alta altitude de Pallet, ele pegava uma jaqueta esportiva branca detalhada com listras negras nas mangas, sendo de uma marca tão cara que nunca se esqueceria do preço avaliado, ao realizar que aquilo tinha sido um presente da própria Confederação de Batalhas de Kanto, como uma lembrança do dia em que se registrou oficialmente na Grande Liga.

Por fim, colocava uma corrente no pescoço para fazer um charme e vestia o seu velho gorro negro surrado na cabeça, que havia o acompanhado desde o início de sua jornada. Uma lembrança que recebeu de seu pai quando se mudou de Sinnoh para Kanto.

Olhava-se para o espelho e ficava contente com o que via. Ele estava muito mais bonito do que ele jamais imaginaria que estivesse. Agora não era uma criança brincando com Pokémons. Era um homem. Um treinador reconhecido nacionalmente e até internacionalmente. Possuía um cachê milionário. Ele possuía uma imagem que era tão forte quanto seu nome. Uma lenda viva.

Engolia seco. Por mais que tentasse deixar de lado, sua humildade nunca sairia de sua personalidade.

Saía de seu quarto e descia as escadas até o térreo de sua casa – era um lugar simples e bem casual. Alguns retratos de famílias que serviam como uma linha do tempo, mostrando os integrantes envelhecendo a cada foto – a cada passo que dava nos degraus de madeira, mais ele se preocupava em não acordar sua mãe sua irmã, até que ele finalmente pisava no carpete azul que representaria a sala de estar.


Surpresa! – o rapaz se assustava com a presença de ambos seus pais e sua irmã já acordados na cozinha, com o café da manhã muito bem apresentado e rico de comidas de seu agrado. O rapaz não podia segurar uma lágrima escorrendo de seu rosto, o que acabava contagiando os outros.


Conversa a fora, todos se alimentavam e se abraçavam. Tanto seus pais já divorciados, quanto ele e sua irmã que sempre se encrencavam quando mais jovens. Nunca havia ficado tão feliz e tão nervoso como essa manhã.


~x~



Sentado no banco do passageiro, o rapaz olhava a cidade de Veridian se afastando pelo vidro enquanto o carro adentrava a rota principal para o Planalto Índigo. Seriam quatro horas de viagem inevitáveis, mas que ele adoraria passar com seu pai. Mesmo com conversas longas, matando a saudade que um sentia pelo outro, ele continuava distante. Apenas refletindo naquelas palavras que pensava desde que havia se registrado na liga.


E se eu falhar?


Após finalmente chegar ao Planalto Índigo, o jovem treinador se surpreendia com imensidão do local. Ficava alto que de sua localização poderia observar a região de Kanto inteira. Uma cena linda.

Uma construção que se assemelhava a um velho – porém enorme – templo também encantava os seus olhos. Seus imensos portões de mármore  estavam fechados, com dois gigantescos seguranças, beirando aos dois metros e meio, se aproximando e fazendo sinal para que o seu pai abaixasse os vidros.


– Nomes? – perguntava de maneira direta e fria.

– Luke Veil Sharpp. – Seu progenitor os respondia.  – Eu sou o pai dele, só vim trazê-lo.

– Certo. Grande Luke, meu garotinho é seu fã número um. – um dos seguranças o cumprimentava com um sorriso. – Eu sinto muito senhor, mas o Planalto Índigo está fechado para cidadãos, inclusive convidados, até dia cinco. No momento só estamos permitindo a entrada dos participantes para que eles possam se acomodar em seus quartos no hotel, e se prepararem um pouco psicologicamente até o grande evento.

– Tudo bem, eu entendo. Como eu disse, só vim trazê-lo. – Continuava com um sorriso simpático. Em seguida dava um longo abraço em Luke e se despedia com um beijo na testa. – Você consegue, campeão.



Via seu pai se afastando de carro, até um ponto que ele desaparecia a caminho de Veridian. Acompanhava os dois seguranças, ainda com o estomago embrulhado, e tentando prestar atenção em tudo que eles falavam para apresentar o local a ele.

Em alguns minutos ele finalmente chegava ao hotel. O clássico “Índigo”, o hotel cinco estrelas mais chique de toda Kanto. Pelo menos esse seria o objetivo. Mal podia contemplar o hall que os seguranças já o levavam até a sala de espera, onde alguns outros treinadores estavam esperando pela chegada dos demais.
Vários rostos conhecidos faziam o seu coração pulsar tão forte que poderia pular pela garganta.


John Toy, o famoso “Food”, estava jogando ping-pong com Randy, seu Ambipom. Os dois jogavam com duas raquetes na mão e aparentavam ser extremamente profissionais, pelo jogo acelerado.

Atilla e Bernard Bolt assistiam ao jogo empolgados, torcendo animadamente enquanto se divertiam com a partida. O Raichu de Bolt também parecia participar.

Matthew Light estava sentado em uma poltrona, lendo um livro enquanto Ink, seu Typhlosion, descansava ao seu lado, encostando seu corpo quentinho nas pernas do seu treinador. Ao lado de ambos, Michelle Bellegarde puxava um assunto que não interessava o loiro. Ela no entanto não percebia que estava sendo um incomodo.

Sir Auto Aldebaran tocava uma melodia em seu violão enquanto estava sentado encostado a uma parede. Em sua volta, Gabriel Hihill, Christopher Yellow, Harry Tawny e Helena Moore, pareciam estar gostando bastante.

Sky disputava com Logan algumas flexões, para ver quem possuia mais resistência. Priscila e Lise Kayserling observavam, torcendo para Sky. A competição terminava quando a última sentava em cima de Sky e ele continuava fazendo flexões num ritmo mais rápido que Logan.

Joseph G. Castelliana conversava com Guille Green e Rush, enquanto bebiam uma garrafinha de cerveja.

Kyle Green, Seth Crimson, Karine Redflame e Ezekiel Vega, riam enquanto conversavam sentados em um sofá. Heather Summer se aproximava para cumprimenta-los, e todos acabavam prestando atenção em um duelo de rap entre Hammer Skyfall e William Henzler.

Em seguida, S-Storm e Silverfang participavam em duplas, competindo com os outros dois.

Zeus dava em cima de Terry, Victória, Yohanna e Gabrielle, mas levava um fora de todas. Ele então voltava a dar em cima de Terry.
Noah meditava em silêncio.

Luke ficava boquiaberto ao ver tantas celebridades, tantos treinadores famosos reunidos em um só lugar. Ainda faltavam muitos outros, o que o deixava ainda mais ansioso diante tudo aquilo. O rapaz fechava os olhos e tentava se acalmar, inspirando o ar pelas narinas profundamente.

De todos eles... Só um irá triunfar. Os outros irão voltar para casa de mãos vazias.








Última edição por Rush em Qui 23 Mar 2017 - 20:58, editado 6 vez(es)
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por DarkZoroark em Dom 3 Abr 2016 - 17:01

Rush o/
Antes de qualquer coisa, peço desculpas pela demora do comentário. Havia lido no dia em que postasse, mas acabei protelando em fazer o comentário x.x Enfim, não poderia deixar de vir comentar a Fanfic que eu estava tão ansioso para ler. Então, sem mais delongas, vamos ao review:
Olhando por cima a princípio, devo dizer que gostei bastante do prólogo. A princípio estranhei um pouco a perspectiva pois achei que a Fic ainda fosse se passar com o Kyle como POV principal, mas aí lembrei que havias me falado pelo Skype que adotarias o ponto de vista de vários personagens. Achei interessante que o Luke tenha um passado, digamos, conturbado. Me fez ter uma certa empatia por ele. O papel dele, ao menos por hora, me parece o de um protagonista típico com uma história tanto quanto triste e esforçado, mas eu curto bastante esse tipo de personagem quando bem escrito.
Curti a ideia de teres posto um momento de descontração entre os treinadores durante o prólogo. Um clima mais calmo antes que as batalhas comecem é interessante, pois poucas vezes é apresentado. Em geral cada um fica em um canto e/ou conversando com seus companheiros de viagem. Achei meio cômico - e egocêntrico - o Zeus ficar dando em cima de várias garotas por lá, mas creio que sempre vão existir pessoas assim. Imagino que o encontro entre todos os treinadores talvez sirva para fazer laços de amizade/inimizade surgirem ou serem reforçados, o que irá aumentar a tensão durante as batalhas.
Como de costume, sua escrita continua ótima. Achei meio estranho o prólogo estar em spoiler, mas imagino que tenhas seus motivos para fazê-lo. Bem, por enquanto é só. O prólogo foi curto e não há muito mais que eu possa comentar, creio eu. Fico no aguardo do seu primeiro capítulo. ninja
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Bakujirou em Seg 4 Abr 2016 - 22:46

:B Oes rush. Já estava de olho num dos tópicos seus, o que está no escritorio de fics, que faz/ traz o perfil e algumas tiny bits de infos pessoais dos personagens. Achei muito bacana como especifica varios traços deles e fez uma boa diversificacao de pokemon para cada um deles. :B

Sobre o prólogo em si. Eu já tinha comentado anteriormente em outro lugar, que eu nao sou muito acostumado a ler algo com a formatacao de texto centralizada (formando nuvens) a cada parágrafo, já que eu tenho certos problemas de desvio de atencao e qualquer coisa me distrai ultimamente (me distraio facil). Bom, tirando isso, nao vi nada de errado com a grafia.

A passagem que escolheu para nos ilustrar a chegada do Luke até a Indigo league é bem interessante, dá pra se ter uma nocao de que ele sabia quais treinadores estavam presentes (e o quao bons eles sao), por isso o problema de nervosismo / ansiedade. Also, boa sorte na fanfic champs!

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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Rush em Sex 8 Jul 2016 - 0:03


Muito obrigado pelos comentários, DZ e Baku. Eu agradeço de coração o apoio de vocês. Vocês são incríveis. <3

Peço desculpas pelos três meses de atraso e sumiço. UAHEUAHU













O relógio batia meio dia em ponto. O sol estava no centro de um céu limpo com poucas e belíssimas nuvens. O Planalto Índigo realmente era um lugar muito belo, e esse tempo – mesmo que ainda estivesse frio – acabava por tornar o local mais paradisíaco.

Como o nome já dizia, se localizava em um gigantesco planalto no oeste de Kanto, sendo possível ver todas as cidades em sua entrada. O ponto era extremamente estratégico, com o único defeito de só poder ser acessado por Veridian. Após o colapso do Caminho à Vitória, o acesso ao Planalto Índigo ficou absurdamente mais fácil. O que acabou resultando na sua expansão territorial. Agora, além de sua entrada, ele possuía um espaço semelhante a uma cidade um pouco menor que Pallet.

O seu território era dividido nove áreas: Quatro estádios em cada canto extremo – Ártico, Vulcano, Intempérie e Íris -, onde aconteciam eventos e várias batalhas de Ligas menores, geralmente copas menores cuja audiência não chega nem perto das partidas da Grande Liga – tanto que os quatro fecham quando as partidas oficiais começam.

No centro, o épico estádio “Vitória”, com 25.000 m² de área, chegando a 70 metros de altura, com a capacidade para 200.000 espectadores, sendo o maior estádio do mundo. Mesmo sendo tão avassalador, somente batalhas oficiais da Grande Liga ou desafios à Elite Four são permitidos nele. Apenas treinadores com no mínimo oito insígnias são dignos de pisar num estágio de tão grande porte.

As outras quatro áreas são extensões entre as áreas acima, possuindo grande variedade de hotéis cinco estrelas, restaurantes e lojas de luxo, feiras de troca Pokémon e pequenas casas de evento. Um detalhe interessante sobre tais áreas, é que era proibido o acesso de veículos não autorizados, sendo que os pouquíssimos carros que trafegam pelas largas ruas dessas feiras são de funcionários públicos do Planalto Índigo. O uso dos veículos era mais focado para casos de ambulância, transportes dos treinadores em caso de atraso às batalhas, e em raras ocasiões, transportar meliantes para a delegacia local.


O enorme hotel índigo ficava próximo ao estádio Vitória, ficando ambos na região central do Planalto.
 
 




As Crônicas de um Gyarados Voador!
 
- A L L   ★   S T A R S ! -
 
 

Volume I - Imensurável
 
Opening

 
Capítulo I - Planalto Índigo
 
 





[Luke]
 

 
Luke saía do hotel cobrindo os olhos com uma das mãos, pelos raios solares que banhavam seu rosto e ofuscavam a sua visão. Após se acostumar com a claridade, ele arregalava seus olhos, se admirando com o tamanho do Planalto Índigo. Logo em sua frente ele se deparava com o gigantesco estádio Vitória. Era colossal.
 

– Incrível né? – A voz de um rapaz o assustava, fazendo-o virar repentinamente para o lado.

 
Luke se surpreendia ao reconhecer o rapaz. Era Kyle Green, um dos treinadores que havia admirado durante a sua jornada. Além de ser companheiro de viagem de seu primeiro e único amor, Alice.

O treinador vestia uma jaqueta de couro vermelha, da famosa marca “Charizard’s Den”, por cima de uma blusa negra. Trajava uma calça jeans justa cinzenta e calçava sapatos da mesma cor da jaqueta. O que mais chamava a atenção de Luke eram as únicas luvas do rapaz, dotadas do magnetismo “KA-C”, que permitia que as Pokébolas com o registro de treinador fossem atraídas velozmente para a mão dele.  Uma tecnologia invejável.

 
– K-Kyle-Kun! – O adolescente de gorro ficava sem graça já que havia sido pego desprevenido.

– Hoi. – O amigo respondia com um sorriso, dando um leve tapa em seu ombro. – Parece que conseguimos, né? Chegar até aqui. Planalto fucking Índigo. – Soltava um riso.

– Pois é. Quem diria... De todos os treinadores de Kanto... Eu... Luke Veil Sharpp, o perdedor de Sinnoh. – Luke esboçava um sorriso sincero em seu rosto, mostrando seus perfeitos dentes brancos. Seus olhos se emocionavam ao lembrar de toda a sua jornada até ali.

– Não seja tão duro consigo mesmo, Luke-San. No final das contas você conseguiu Mega Evoluir teu Lucario, algo que eu não consegui fazer com nenhum Pokémon meu até hoje. – Kyle balançava sua cabeça negativamente, decepcionado com suas próprias palavras.
 


O outro ria, olhando para o céu limpo azul, o que parecia destacar ainda mais a coloração esverdeada de seus olhos.
 


– Wolflux. – Dizia, sem tirar os olhos do azul infinito. – Ele com certeza está tão nervoso quanto eu nesse exato momento.

– Com certeza. – Kyle respondia imediatamente, compartilhando do mesmo sentimento que o amigo. Na verdade não. Luke podia notar que Kyle estava nervoso, mas não por insegurança igual ele. Kyle estava empolgadíssimo com aquilo. Estava mais feliz do que nunca.  – Tenho certeza que os meus Pokémons também estão assim, assim como eu.
 

Luke sorria para Kyle. Um sorriso de gratidão profunda. Não pelas palavras que acabara de escutar, mas por tudo, desde o início de sua jornada. Se Kyle não tivesse o incentivado a continuar com seu sonho, provavelmente teria desistido há muito tempo. Por palavras de Anthony Silverheart, Auto Aldebaran e tantos outros nomes que teria de ter uma enorme folha para lista-los. Porém... Kyle Green nunca havia o desanimado, pelo contrário. Aquela rivalidade amigável sempre pressionou Luke a melhorar.
Agora ele sabia que era um dos melhores. O favorito da temporada. Todos o conheciam e torciam por ele. Se não todos, a grande maioria.
 

– Ei, Kyle-Kun…

– Huh?

– Muito obrigado. Por não ter duvidado de meu potencial.
 


Kyle respondia com um enorme sorriso amarelo no rosto. Coçando a nuca sem graça por todo aquele sentimentalismo.
 


– Hoi. Não baixe a guarda, idiota. Agora somos todos inimigos. Gladiadores que lutarão até a morte até sobrar apenas um. – Começava a andar depois de dar um leve soco no ombro do amigo. – Eu irei caminhar um pouco. Sugiro que você entre no site da Liga Oficial para você dar uma estudada nos teus futuros oponentes. Embora não tenham saído às chaves, todo cuidado é pouco.

– Irei fazer isso, obrigado. – Luke continuava sorrindo enquanto via Kyle se afastando dele.
 
 






->x<-
[Karine Redflame]
 




Karine estava sentada em uma cadeira ao ar livre de um dos restaurantes cinco estrelas do Planalto. Ao seu lado fora da parte coberta, sua Charizard, Ignis, estava de pé com o pescoço inclinado para baixo, descansando enquanto suas asas se estendiam para sentir os raios solares banharem seu corpo. Aquilo era extremamente prazeroso para a Charizard.

Sua treinadora estava protegida dos raios solares pela cobertura que lhe providenciava a sombra que tanto desejava. Ela comia um croissant de frango e catupiry enquanto bebia uma xicara de café. No centro a mesa redonda em que estava, um notebook aberto acessava o site oficial da liga. Em sua boca, um cigarro descansava em seus lábios revezando com o alimento francês. A ponta acesa emanava uma fina linha de fumaça.

O fato do Planalto Índigo estar aberto apenas para os sessenta e quatro participantes não era desculpa para os estabelecimentos não abrirem dois dias antes do grande evento. Todos os estabelecimentos estavam abertos, mesmo que estivessem em sua avassaladora maioria vazios. Para Karine aquilo era perfeito.
 


– Não sei como tu consegue, Ignis-Chan. – Ela comentava com um sorrisinho no canto de seu belo rosto.

– Hunph. – A Charizard apenas respondia com um bufo das narinas, emburrada.

– Você tem razão. Se eu fosse um Pokémon de fogo eu provavelmente gostaria dessa coisa horrível que vocês chamam de calor. – Mostrava a língua, ironizando repúdio. Ria logo em seguida, fazendo com que Ignis sorrisse.


 
Era incrível. Mesmo não existindo um método preciso e cientifico para compreender o que os Pokémons dizem, Karine parecia compreender totalmente sua inicial. Cada gesto, cada sinal, aquilo era explícito para a garota, fazendo com que as duas tivessem longas conversas, mesmo que em línguas totalmente opostas.
 

– Sabe... Nós nunca passamos por uma barra como essa. Vai ser complicado chegar às finais... Imagine conquistar o título.
 

A Charizard abria seus olhos, levantando suavemente a cabeça como se tivesse ouvido algum barulho suspeito. Ao virar o rosto em direção do som indesejado, ela rosnava e abria as asas, ameaçando atacar.
 

– Woah! Calma! Não há necessidade para um conflito agora! – O intruso se revelava ao sair de trás de uma das paredes do estabelecimento, mostrando que estava tentando se esconder.
 

O estranho rapaz fazia Karine arquear uma de suas sobrancelhas, curiosa a respeito das explicações que o individuo iria dar. Ela o observava dos pés à cabeça. Ele realmente era muito estranho. Usava roupas avulsas, que não combinavam, e se consistiam de uma calça jeans marrom, uma malha verde e um sobretudo vermelho. Seus cabelos eram arrepiados e bagunçados, da coloração verde-claro.
 

– Você é aquele moleque que acha ser invencível, né? – Karine se apresentava com tais palavras, não muito interessada no que o outro tinha a dizer. – Zeus?

– Exatamente! Não, não, não! Não me acho invencível... EU SOU invencível. – O garoto fazia poses mirabolantes, como se fosse um super herói. Toda vez que ele se referia a ele mesmo, ele apontava o polegar contra o peito. – EU irei conquistar a taça de Kanto, e acredite, EU vou fazer isso ser histórico!
 


Karine tragava seu cigarro, soltando a fumaça sem mostrar nenhuma cativação nas palavras daquele sujeito.
 

– Mas enfim! EU... EU estava te observando. – Zeus ficava corado ao dizer tais palavras. Ele coçava o braço esquerdo com a mão direita, enquanto chutava o chão. – Você é a garota mais bonita dessa competição, sabia?

– ... – Karine colocava o cigarro na boca e desviava os seus olhos para o notebook, onde ela começava a digitar. Rejeitava totalmente o rapaz de cabelos verdes.

– HEY! N-Não precisa ser tão rude com o futuro campeão de Kanto!
 

Redflame revirava os olhos, o encarando em desdém.
 

– Primeiro que eu escutei você falando essas exatas mesmas palavras para a “antiga garota mais bonita dessa competição”. – Fazia sinais de aspas com os dedos. – Segundo que você não é invencível. Me coloque no campo contra você que eu te mostro o contrário. E terceiro... Não, não estou interessada no discurso egocêntrico de alguém que se autoproclamou “Zeus”.

 
Zeus arregalava os seus olhos com tais palavras que o feriam como facadas em seu ego. Sua expressão mudava de tímido para bravo.
 

– Não ouse despertar a FÚRIA do trovão! – Ao aumentar o seu tom, a Charizard de Karine se levantava totalmente, expandindo suas asas e rugindo para o treinador, que dava um salto assustado. – V-Você quer ver como EU frito essa Charizard com apenas um movimento?!


Zeus segurava uma Pokébola, apertando em seu botão central para que ela expandisse o seu tamanho. Aquilo fazia Ignis sorrir maliciosamente, já que ansiava por uma batalha desde que havia chego ao Planalto Índigo.


– Vocês sabem que batalhas não oficiais causam a desqualificação de ambos os participantes, né? – Um belo e jovem rapaz de cabelos castanhos espetados, mas num corte muito bem feito, de olhos azuis e roupas sociais, interrompia o atrito entre os dois treinadores. – Não há motivos para brigarem aqui fora. Vocês terão tempo de sobra para resolverem suas diferenças em campo. Ah, boa tarde falando nisso. Meu nome é Noah Noland.

– Boa tarde, Karine Redflame. – Soltava a fumaça do cigarro com um suave sopro.

ZEUS ZEPPELIN-Sama! O futuro campeão! – O rapaz de cabelos verdes guardava a Pokébola e saía do local, não antes de olhar para trás com uma expressão raivosa. – Espero destruir todos vocês no campo! Não darei chance para quem destrói meus sentimentos! Roooar!
 

O jovem saía correndo. Noah e Karine se entreolhavam, um tanto quanto envergonhados pelas atitudes infantis do participante.
 

– Pouco convencido ele. – Karine comentava, com um sorrisinho no rosto.

– Com motivo. – A expressão de Noah era um tanto séria. – Ele de fato não possui nenhuma derrota... Em toda a sua carreira.
 

Karina estranhava, arregalando seus olhos. Ela finalmente jogava o cigarro fora, já que ele havia sido totalmente consumido e sobrado apenas o filtro.
 

– E como você sabe disso?

– Eu pesquisei, oras. Pesquisei sobre todos os sessenta e quatro participantes antes de vir para cá. Isso inclui você, senhorita Redflame.
 

Noah esboçava um sorriso simpático no rosto enquanto se aproximava. Ele ficava próximo de Ignis, fazendo Karine ficar receosa com aproximação, já que Charizards são territoriais. Ela se surpreendia ao observar que Noah fazia carinho na cabeça da Charizard sem ao menos causar algum tipo de desconforto na mesma. Pelo contrário, Ignis parecia se sentir a vontade, empurrando sua cabeça contra a mão do treinador.
 

– Essa é a primeira vez que vejo Ignis tão sociável com estranhos. – Karine estranhava.

– Haha... Não querendo parecer chato, mas eu estudei muito o comportamento dos iniciais de Kanto quando fui convidado para ser o novo Professor do continente.
 


Karine arregalava os olhos, finalmente reconhecendo o treinador que estava em seu lado. Era Noah Noland, o treinador com quem trabalhara com o Professor Elliot Oak até seus últimos dias neste plano, além de um dos maiores especialista em Pokémons psíquicos da atualidade.

Ao ver a expressão da garota, Noah apenas ria simpaticamente.


 
– Prazer. – Ele dizia.

 
 
 
 
 
 
 
->x<-
[Aaron Storm]
 


Engolia seco ao observar a vista deslumbrante da sacada de seu quarto. Apoiava suas mãos nas barras metálicas de segurança enquanto suas pupilas se dilatavam com a imagem de todo Planalto Índigo. Havia sido privilegiado com tal cômodo, que parecia ser um padrão para todos os competidores: Uma enorme suíte presidencial, cujo quarto possuía uma confortável cama de casal, um frigobar, uma televisão de plasma com mais polegadas do que poderia medir de cabeça. Honestamente, Aaron não havia dado muito valor aos outros detalhes do quarto com uma televisão daquelas. Havia reparado uma pequena sala de estar que se unia com uma cozinha, mas o que mais havia chamado sua atenção era o luxuoso banheiro tinha direito até a uma banheira de hidromassagem.  


 
– Isso é maneiro pra caramba, Glades! – O rapaz comemorava enquanto pulava em um confortável sofá na luxuosa sala.
 

Glades, seu Feraligatr, não parecia muito animado. Ele estava deitado em cima de um tapete, mal-humorado.
 

– Gr.. – O crocodilo resmungava, olhando triste para a sacada.

– Bleh, você é um pé no saco mesmo, ein? – Aaron forçava um mal humor semelhante de seu Pokémon. – Você quer batalhar logo, não é? Sei como é a sensação, seu idiota. Mas temos que esperar.

– Urr? – O olhar do Feraligatr possuía um brilho inocente, como se estivesse perguntando, “Nem uma batalhazinha?”.

– Welp. – Aaron dava os ombros. – Suponho que possamos treinar.
 


Glades levantava imediatamente, arrastando o tapete da sala com seu enorme peso, desorganizando tudo enquanto tentava ficar em duas patas. Aaron suspirava.
 
 


->x<-
 
 
 

Aaron estava sentado em uma espécie de cadeira de sol, mexendo em um aparelho eletrônico que se assemelhava a um tablete, mas num tamanho compacto para que pudesse ser preso no pulso, como um relógio.

O moreno estava em uma região afastada do centro do Planalto, entre os estádios Ártico e Vulcano, na parte superior do mapa. Lá possuía longas piscinas olímpicas onde ocorriam alguns eventos de natação, mas também serviam como local de treino para Pokémons aquáticos. Não era de se esperar menos que Glades estava nadando por lá. A velocidade do crocodilo dentro d’água era incrível.
 

– Matthew Light... – Aaron pensava alto, olhando as informações de tal treinador no Site Oficial da liga no seu computador de pulso. Ele sentia nostalgia ao ver informações sobre seu Typhlosion, afinal, Matt foi o grande rival de toda sua jornada. – Dez insígnias, Pokémon Oficial... Typhlosion, Ink.
 

O rapaz fechava os olhos, tentando imaginar que eventualmente iria acabar enfrentando Matthew, e isso seria um dos maiores desafios de sua vida. O seu maior medo, no entanto, era dele perder antes de poder enfrenta-lo, mas sabia que seu rival iria chegar às finais.
 


– Yo.


 
Uma voz chamava a sua atenção, fazendo com que ele fechasse a página de Matthew imediatamente. O autor da voz era um rapaz bem alto, beirando os um metro e noventa de altura, além de possuir um rosto muito bonito. Seu porte físico também era notável, já que ele estava bastante em forma. Seus cabelos castanhos eram lisos e faziam uma franja, estando bastante bagunçados devido ao vento, o que o deixava ainda mais estiloso.
 

– Eu não acho uma boa ideia você treinar em público dessa forma. – O rapaz continuava, sem ao menos se apresentar.

– Desculpe, quem é você mesmo? – Aaron respondia no mesmo tom de grosseria.

– Eh? Strokes. Alex Strokes. – Ele respondia a pergunta, um pouco indignado pelo fato do outro ter ignorado seu conselho.

– Sou Aaron Storm. É assim que o pessoal de Johto começa uma conversa. O pessoal de Kanto deveria seguir esse exemplo.


 
Alex cerrava os olhos, não apreciando nem um pouco a atitude do outro treinador.

 
– Sou de Unova. Desculpa ai.

– Bem que tem cara de playboy mesmo. – Aaron ria, se levantando com dificuldade devido a sua perna ruim. Pegava sua muleta a se aproximava de Alex, estendendo sua mão. – Desculpa a grosseria, é bom conhece-lo, Strokes. Mas porque você diz isso?

– Eh... Ok, né. – Alex retribuía o aperto de mão. – É um tanto quanto óbvio, não é mesmo? Expor seus Pokémons treinando dessa forma é como dar a sua receita para outros cozinheiros.
 


O Feraligatr parava de nadar ao perceber que alguma pessoa conversava com seu treinador. Ele saía da piscina e ficava atento para ver se Aaron estava sendo ameaçado ou coisa do gênero.


 
– Eu não me preocupo com isso. – Aaron ria. – Só estou dando espaço pro Glades se sentir livre e se exercitar um pouco. Nenhuma estratégia sendo revelada ou algo do tipo.

– É o que você pensa garoto. Agora eu sei que a velocidade de seu Feraligatr é absurda em baixo d’água e irei evitar que ele entre na mesma a qualquer custo quando eu batalhar contigo, digo, SE eu batalhar contigo.


 
Aaron virava a cabeça, estranhando os comentários do treinador rival.
 

– Você é meio perturbado. – Comentava, ainda com a cabeça virada. – Ele só está se exercitando um pouco.

– Eh? Perturbado? – Alex cruza seus braços. – Você acha que está num playground, garoto? Você está na Grande Liga agora. Qualquer detalhe que perceberem de você vai ser usado contra você pelo resto da competição. É vencer a qualquer custo. Se perder não tem segunda chance.
 

O moreno se sente intimidado com o tom do belo rapaz, ainda mais ao ver que ele não estava levando nada que dizia na boa. Seu senso de humor era quase zero.
 

– Ok, eu acho... Obrigado pelo conselho. – Aaron arqueava a sobrancelha.

– Você nem imagina o quão tenso isso vai ser, né? – Alex perguntava num tom que conseguia ser ainda mais intimidador que antes. – Você não imagina o quão difícil isso vai ser, e eu te garanto que vai ser muito pior do que parece.

 
Aaron engolia seco.


– Eu sugiro que você estude muito bem todos os competidores. Tanto pelo site oficial como pessoalmente, os observando. Não foque em seus rivais de infância. Foque nos treinadores que irão te derrotar futuramente. Só assim você vai ter uma chance de mudar o futuro.

– Você estava me observando, cara?! – Aaron parecia se ofender com aquilo. – Cara, sai fora! Que bizarro, você parece um stalker!
 


Alex recuava um passo, assustado com aquelas afirmações.


 
– Eh? Eu estou tentando te ajudar, seu imbecil.

– Como vou saber? Acho que você quer mexer com meu psicológico para que eu fique nervoso e perca o controle.

– Eu estou fazendo exatamente o contrário! – Alex ficava bravo. – Eu estou tentando preparar o teu psicológico pra você enfre... Quer saber? Deixa quieto! Só fiquei com pena porque você tem essa perna toda cagada ai.

– Não fala assim da minha perna! Tu não sabe pelo que ela passou!
 


Aaron e Alex começam a discutir de maneira ridícula. Glades pensava em tentar dar apoio moral para seu treinador apenas mostrando em como era imenso perto dos treinadores, mas ele preferiu voltar para dentro d’água e nadar mais um pouco.
 
 
 




->x<-
[Lucas Darkblue]
 
 

Lucas estava de pé com as mãos dentro do bolso de seu casaco azul, apenas observando a imensidão do estádio Vitória. Os ventos balançavam seus cabelos negros, ameaçando derrubar o seu gorro azul, sem sucesso.
 

– Então é isso... – Pensava alto, focando totalmente a atenção para todos os mínimos detalhes do estádio colossal.

– Yep.
 

Lucas se assustava com aquela voz, fazendo-o pular para o lado com os olhos arregalados, apenas para depois limpar a garganta e voltar com a pose e expressão de badboy.
 

– Quem é você, criança?

– Criança? Eu sou bem mais forte que você, seu verme. – A criança respondia.

 
A garota era bem baixa, tendo no máximo um metro e cinquenta de altura. Ela tinha expressões orientais e era bem magra. Em sua cabeça, um grande gorro escondia os seus cabelos e suas orelhas.

 
– Chloe Stronghold. Você já deve ter ouvido meu nome por ai. – Ela respondia, com ar de superioridade.

– Nunca ouvi na minha vida.


 
Aquelas palavras acertava, Chloe como uma cachoeira fria.

 
– Como não?! – Ela perdia a compostura, mas logo respirava fundo e fazia a mesma pose de “badgirl” como se tentasse imitar Lucas. A verdade é que os dois eram tão antipáticos, frios e calculistas que acabavam parecendo o mesmo personagem de um livro. A diferença é que Chloe era uma criança.

– Bem... Não irei perder meu tempo com uma criança como você. Quando você fizer dez anos e poder ter seu primeiro Pokémon, dai conversaremos.

– Como ousa?! – Chloe rangia seus dentes com seus olhos queimando de ódio.
 


O que mais a irritava, era o fato de Lucas ignorá-la totalmente e deixa-la sozinha ali, queimando de ódio. Ela respirava o fundo a ponto de encher seu peito de ar, erguia o nariz, dava meia volta e saía de cena.
 










Ending
 
 


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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Dreamer em Ter 19 Jul 2016 - 12:25

Com licença~~ Gente nova aqui.
Boa tarde Rush. Então, eu vim passar aqui pra comentar sobre a sua história porque eu achei fantástico. Surreal.
Você escreve MUITÍSSIMO bem, tudo que você narrou dá pra entender com clareza e os personagens são bastante interessantes. Quem me dera eu fosse um escritor assim viu q
Não sei porque, mas eu gostei do Zeus q Sei lá né, tem um nome dahora e ele é engraçado. Até agora, para mim, ninguém é favorito para ganhar(porque não vi todo mundo)... Mas eu sempre aposto nos mais fraquinhos mesmo, nunca se sabe quando vai dar zebra né?

Eu espero o próximo capítulo e você tem um leitor novo, pode ter certeza.
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Rush em Dom 5 Mar 2017 - 23:44

@Dreamer: Muito obrigado, cara! Caso você não tenha morrido junto com o fórum - não lhe culpo, estou quase um ano sem postar -, espero sinceramente vê-lo aqui novamente! Tenha um ótima dia ou noite!








Rascunho do Planalto Índigo.








[Luke]



 O primeiro dia no Planalto havia sido lento, num clima preocupante e quase que hostil entre os participantes. A tensão de que todos ali acabariam sendo inimigos mexia com a cabeça da grande maioria. Afinal, eles estavam no topo naquele momento. Qualquer um poderia ser o grande campeão, e ninguém ali queria ser contrariado nessa questão.

Luke havia passado a tarde toda estudando sobre os participantes em seu quarto luxuoso no hotel Índigo. Mesmo sabendo de sua capacidade como treinador e a força de seus Pokémons, eles o amedrontavam. Ler a descrição de cada um dos outros sessenta e três participantes era cansativo e estressante demais, mas ao mesmo tempo, era interessante e perspicaz. Ele acabara tendo uma noção básica de cada um, como se fosse um cálculo. Uma fórmula correta e teria o resultado esperado.


— Lucas Darkblue... — Suspirava enquanto lia a descrição do treinador familiar, principal rival de seu amigo Kyle. – Vitórias registradas em batalhas oficiais... Cento e oitenta e nove. Derrotas... Oito.


Ele respirava fundo, tentando manter a calma e não se exaltar com a diferença avassaladora entre vitórias e derrotas. Conhecia Lucas, não havia necessidade para se aprofundar tanto sobre seu passado e estratégias, já que ele fez parte desse mesmo passado. Ele então passava a página para ver outro treinador de seu interesse.


— Kyle Green — Sorria ao ler o nome — vitórias registradas em batalhas oficiais... Cento e quarenta e quatro. Derrotas... Vinte e três.


Continuava passando até ver um treinador peculiar que o chamava a atenção. Um jovem de cabelos pintados de verde e tão volumosos quanto bagunçados.


— Zeus Zeppelin... Que cara egocêntrico. — Comentava vendo o perfil dele. — Vitórias registradas em batalhas oficiais... Duzentos e treze. Derrotas... Zero.


Seus olhos se arregalavam ao ver aquela informação. Por um instante jurava que era um erro da página, mas ao atualizá-la, os dados continuam os mesmos. Luke imediatamente começava a se aprofundar em pesquisar mais sobre aquele estranho treinador até então “invencível”. Pesquisava batalhas, depoimentos e entrevistas. Realmente não havia nenhum registro de ter sido derrotado.


— Esse cara... — Luke se dizia em um tom baixo, boquiaberto. — Ele deve ser um monstro no campo de batalha. Imagino como deve ser seu treinamento...







As Crônicas de um Gyarados Voador!

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Volume I - Imensurável

Opening


Capítulo II – Tormenta





~>x<~
[Zeus Zeppelin-Sama]



— Ah, qual é? Sério que você vai perder a oportunidade de beijar o futuro campeão?!


Já era tarde a um ponto da tímida lua estar bem no topo do céu, se escondendo entre as nuvens, mas dando algumas espiadas no Planalto Índigo eventualmente. Alguns restaurantes fechavam cedo pela escassez – na verdade, a nulidade total — de consumidores que não sejam os treinadores que iriam disputar na Grande Liga. Mesmo que estivessem perdendo a oportunidade de aumentarem sua popularidade pelo fato de uma das celebridades do esporte deleitar-se com seus pratos, ainda assim tinha na chance de terem prejuízos por ficarem um dia inteiro sem ter nenhum consumo.

O Sudowoodo’s Café’s era uma exceção. Era uma cafeteria gourmet que ficava aberta vinte e quatro horas por dia, independente de qual estabelecimento. Mesmo possuindo o fator “gourmet” que encarecia o seu custo benefício, ironicamente, era uma franquia conhecida por ter o café mais barato e saboroso. Seu logo consistia de um simples Sudowoodo no estilo pop art. Principal rival da franquia “Starmicks”.

Zeus juntava as mãos, quase que num sinal de implorar um beijo de uma garota de pele bronzeada e cabelos castanho-avermelhados. Ela não era exorbitantemente bela – além de possuir um corpo que era invejado por quase todas da competição – mas Zeus ameaçava ajoelhar-se diante dela, que apenas retribuía com um olhar de desprezo e vergonha alheia.


— Amigo, você está passando vergonha na frente dos funcionários. — Ela respondia, quase que em um sussurro discreto, olhando de canto para ver se alguém observava aquela cena. Ela tinha certeza que sim. — Você está me envergonhando, carinha. Só pare.

Eu te garanto que você não irá se arrepender! — A cada vez que referia a si mesmo, ele apontava o polegar em direção do peito. — Você vai se surpreender com o que eu consigo fazer, Victória!


A garota cobria seu rosto com a mão direita, tentando tirar aquela cena de seu campo de visão e simplesmente sumir, mas Zeus profetizava aquelas palavras num tom alto, muito mais alto do que ela gostaria de admitir. Muito maior que o limite do mínimo de semancol permitiria.

O silêncio constrangedor era quebrado pelo sininho da porta da frente sendo soada com a presença de um consumidor entrando no estabelecimento ao abrir a porta. Por ser aproximadamente meia noite, a atenção de todos era voltada à pessoa que estava interessada em tomar café agora.

Era um garoto baixinho de cabelos loiros lisos, quase que ocultos por um gorro negro com duas orelhinhas de urso, se não fosse pelo fato deles não serem tão curtos e transbordarem pela boca do gorro, como se fosse mel escorrendo de um pote. Possuía olhos sonolentos e azuis, que não pareciam ter um foco a não ser o caminho que seguia. Mesmo com a altura e a cara de sono, o rapaz era muito bonito.


— Zek-San! — Victória logo o reconhecia e se levantava e corria em direção do garoto, o abraçando de maneira abrupta e dando-lhe um beijo no canto da boca, quase que uma provocação, mas era óbvio que não passava de uma encenação. — Você demorou, amorzinho.

— Eh... Ok. — Ezekiel não entendera nada. Para ser honesto, ele nem sabia que era a garota. Só agradecia por aquilo não ser um assalto, como havia acontecido muitas vezes em sua jornada. Seu reflexo motor nunca fora seu forte. Ele basicamente ignorava Victória e passava reto em direção do balcão.


Zeus ficava arrasado vendo a cena. Não por Victoria “aparentemente” possuir um ficante na competição, mas pelo fato dela querer fingir isso apenas para ele sair de seu campo de visão e não importuná-la.


— Entendi. — Dizia, recompondo a postura e pela primeira vez não referindo a si mesmo em alguma sentença egocêntrica. — Obrigado pelo seu tempo.


Ele saía do Sudowoodo’s Café’s com o queixo erguido, passos espaçados e uma coluna perfeitamente ereta, mas quando a porta se fechava, fazendo com que o sininho tintilasse com o impacto da mesma, ele desabava em sua postura. Ficava curvado, passos curtos e desproporcionais uns aos outros. Sentia um aperto no coração que lhe dava uma vontade imensa de chorar.

Honestamente? Ele estava cagando e andando para a grande liga. Ele tinha certeza de que iria ganhar, como sempre. Zeus não conhecia o gosto da derrota, mas bem, era viciado no sabor da vitória.


— “Deveria ter dito isso! Seria uma ótima cantada para conquistar a Victória!” — Pensava furioso consigo mesmo. Socava o ar para jogá-lo no chão, e em seguida o chutava, em vão.


Tudo que Zeus queria no momento, era uma garota para ele dar uns beijos.


AAAAARGH!!!! — Seu berro soou por todo Planalto Índigo, ricocheteando em alguns prédios e estabelecimentos e voltando em forma de eco. — Eu SOU o CAMPEÃO dessa competição!!! Vocês ainda não viram ou está difícil?!


Gritava para o vento e esperava uma resposta. Tudo que ele recebeu, foi uma forte luz no rosto de um homem de uniforme montado numa moto, que estacionava na rua, ficando em paralelo com Zeus.


— Está tudo bem senhor? — O segurança perguntava, retirando um bloquinho de anotações de um bolso do colete que usava. — Está se sentindo bem?

—... Sim. — Respondia secamente, sem ao menos olhar para o segurança. — Eu sou o campeão, apenas isso. Queria que todos se certificassem disso.

— Entendo. Vou pedir apenas que o senhor não desrespeite a regra de silêncio estabelecida desde as vinte e três horas da noite, como visa na constituição Kantonia— Zeus ignorava o segurança, o interrompendo com o som de seu sobretudo vermelho se virando abruptamente.


O segurança apenas balançava a cabeça negativamente enquanto anotava o nome do treinador no bloquinho de notas.







~>x<~
[Ezekiel Lyn Vega]







Ezekiel saboreava o seu café enquanto escutava Victória conversando e conversando, sem parar um momento para que ele pudesse simplesmente respirar e aproveitar um resquício de paz que tanto buscava. Era incrível em como seu paladar sentia um imenso prazer em degustar daquele maravilhoso café que fazia jus ao Sudowoodo’s Café’s, mas sua audição era aborrecida pela voz feminina que tanto fazia perguntas ou profetizava palavras que alimentavam o ego.

Um conflito entre sentidos.

Ezekiel não se importava em bocejar, mostrando seu tédio. Não era uma atitude com o intuito de desprezar a menina, mas uma característica sua mesmo. Ele sentia muito sono, muito a mais que o normal. Era um rapaz que vivia na fadiga, e isso, de certa forma, o preocupava agora, em uma competição deste porte. Por isso decidiu tomar um café para despertá-lo e se dedicar aos estudos de todos os oponentes e não depender da arte do improviso a que era nato.



— [...] SOU [...] CAMPEÃO […] — Escutava do lado de fora. Ele suspirava. Só queria um pouco de paz.


O café que tomava era o famoso “Bonsly Feliz”, nome que havia chamado à atenção de Ezekiel no cardápio. Bonsly era um Pokémon melancólico e totalmente apegado emocionalmente a qualquer coisa que visse, incluindo árvores e pedras, por isso vivia chorando quando era obrigado a desapegar de uma coisa, e também, era um Pokémon típico de Johto e Sinnoh, sendo este último, o continente natal do rapaz.


Ezekiel achava engraçado o nome Bonsly feliz.


Sentia o gosto do café mesclado com rapaduras de Apricorns levemente apimentadas, misturadas com a amargura original da cafeína, mais o doce dos cubos de açúcar, era uma explosão de sabor estranha, mas harmônica.

Estranhamente, seu sono e preguiça haviam evaporado juntos à fumaça que saía da bebida quente. Aquilo despertava sua atenção na garota que ainda conversava com ele.


— Yo. — A interrompia fazendo um gesto com o dedo indicador. — Não quero parecer um completo babaca contigo, guria, mas eu estou cansado desse papo que massageia o teu ego e gostaria de ter uma conversa intelectual.


A garota continuava com a boca aberta, como se fosse completar a frase que dizia antes de ser interrompida. Quer dizer, não sabia se estava boquiaberta por isso ou pela atitude abrupta do rapaz em ser totalmente franco.


— É. Estranho. — Ela respondia, esfregando suavemente seu dedo indicador em seus lábios carnudos. — Geralmente os garotos não gostam de conversas intelectuais.

— Por isso continuam sendo garotos. — Ezekiel finalmente fazia contato visual com Victória, vendo que seus olhos eram da mesma cor que seus cabelos, castanho-avermelhados. — Eu não sou um garoto — Fazia um sinal com o rosto em direção da saída do estabelecimento, fazendo uma referência a Zeus. — Eu sou um homem. Aprecio o conteúdo.


Victória abria um sorriso que podia mostrar seus dentes brancos. Ela ajeitava os cabelos, os alisando para trás de sua orelha e debruçava em seus cotovelos, empinando o rosto enquanto olhava para Ezekiel de maneira desafiadora.


— Bem, se você quiser ter um papo cabeça sobre o desenrolar da Grande Liga...


Ezekiel sorria ao escutar as palavras. — É exatamente o que eu queria ter.








~>x<~
[Karine Redflame]






Karine estava debruçada na sacada de seu apartamento, vislumbrando o colossal estádio Vitória. Tragava um cigarro e sentia o vento tocando delicadamente em seu rosto, bagunçando os cabelos castanhos.

A Confederação de Batalhas de Kanto (CBK) havia lhe dado o apartamento do décimo sexto andar, o último, do hotel Índigo. Ela particularmente havia adorado. Gostava de ter devaneios enquanto apreciava um cigarro, principalmente em lugar relativamente altos. Talvez gostasse um pouco da sensação de perigo, ou da insignificância ao ver como é apenas um grão de areia em um gigantesco deserto.

Mas aquele perigo e insignificância não eram de seu agrado, na verdade, as duas sensações a perturbavam. Sentia os segundos fincando em sua pele como agulhas, como se esperar fosse uma tortura. Faltavam quatro dias para revelarem às chaves, e cinco para começarem as batalhas. Aquilo era uma covardia contra sua ansiedade.

Seu devaneio era interrompido quando a campainha de seu apartamento era soada. Um som agradável para uma campainha, se assemelhava ao som produzido por um Chimecho: Distante e melancólico.


— Está aberta. — Dizia em um tom audível para quem é que estivesse no lado de fora.


Escutou a porta abrindo e se fechando logo em seguida. O som dos passos era crescente, até alguém bater suavemente três vezes na portinha de vidro da parede que separava a sala da sacada. Karine se virava para olhar e sorria. Era Kyle.


— Kyle-Kun. Fique a vontade. — Sorrindo simpaticamente, ela voltava a se debruçar na sacada e a tragar seu cigarro.

— Trouxe chocolates que Jöhan me mandou de Kalos. — O rapaz trazia consigo uma caixa grande o suficiente a ponto de precisar carrega-la com as duas mãos. — Ele disse que era um presente por termos conseguido chegar até aqui.


Havia algo diferente em Kyle que Karine não podia dizer ou explicar. Ele estava de certa forma, elegante. Perfumado, trajando roupas sociais e com a postura diferente. Seu olhar se voltava discretamente a ele, o analisando dos pés à cabeça, interessada em descobrir qual era o “ar” que o diferenciava de seu cotidiano.

Redflame simulava um rápido aplauso ao bater suas mãos rapidamente e dar alguns pulinhos, ao escutar sobre os chocolates. Ela apagava o cigarro em um cinzeiro que havia deixado no chão para que as cinzas não voassem com o vento e aproveitava o embalo para sentar, encostando suas costas na parede da sacada. Kyle dava de ombros e fazia o mesmo, sentando-se ao lado de Karine.

Jöhan Falk é o empresário de Kyle. Haviam se conhecido desde que o treinador era um aspirante calouro e desengonçado, descobrindo seu talento na profissão. Desde então, a amizade e aliança foram muito lucrativa para ambos. Kyle enriquecia os bolsos de Jöhan e vice e versa. O empresário praticamente bancou a jornada inteira do rapaz: Pokébolas, roupas, hotéis, transporte, enquanto Kyle, bem, era um treinador participando da Grande Liga. Estava no auge de sua carreira até então.
Karine ria sozinha ao se lembrar desta época.


— O que é tão engraçado? — Kyle perguntava, arqueando a sua sobrancelha.


O rapaz não era tão belo como alguns rivais na competição. Willian Henzler, Noah Noland, Seth Crimson, Cloud Harres, Luke Veil Sharp, Mathew Light, Alex Strokes, Sky Supernova… Havia uma lista de pessoas que nasceram com uma beleza de roubar a atenção do olhar, e Kyle infelizmente não era uma delas. Não que ele fosse feio, mas o seu rosto era comum demais.

Claro que com seu penteado, roupas, porte físico atlético, perfume e seu bom senso de humor, ele era um bom partido.


— Nada. — Ela respondia, mexendo no cabelo, sem graça.


Já Karine era diferente. Ela era linda, a ponto de já ter despertado o desejo da maioria da competição. Pelo menos cinco já iniciaram uma conversa com segundas intenções só no primeiro dia, e sabia que nesses dias restantes, esse número aumentaria.

Seu rosto era delicado, com um nariz fino, lábios naturalmente rosados e carnudos, desenhados em sua boca como se fosse uma obra de arte. Suas sobrancelhas eram naturalmente arqueadas, dando um ar de dominância. A cor hereditária de seus olhos fora herdado pela família de seu pai, azuis, tão intensos como um céu limpo em uma tarde de verão.


— Estava lembrando quando éramos jovens treinadores bobos e sonhadores. — Continuava, com o mesmo sorriso cativante no rosto. — Quando Ignis era uma Charmander e Aoki era um Bulbasaur.

— Parece que os bobões transformaram o sonho em realidade, ein? Chegar aqui, onde poucos ousaram chegar. — Kyle abria a caixa. Seus olhos brilharam ao ver a quantidade de bombons de chocolate dentro da mesma. Todos delicados e desenhados cuidadosamente em formatos de flores típicas de Kalos. Eram perfumados com o doce cheiro das flores.  

— Não diria que o meu sonho ainda se tornou realidade. — Karine educadamente retirava um bombom perfumado da caixa, levando serenamente à sua boca, sentindo a superfície crocante partindo-se com a pressão dos dentes e o recheio cremoso abraçando seu paladar. — Hum, que delícia! — Degustava com mordidas lentas, tentando aproveitar o máximo que podia daquele gosto maravilhoso.



Kyle já estava em seu terceiro bombom enquanto Karine não terminava o primeiro. O rapaz mostrava de forma diferente como apreciava o doce de cacau, devorando-o como gafanhotos passando por plantações. No entanto, quando segurava o terceiro, ele olhava para Karine, e antes de coloca-lo na boca, ele coçava o queixo.


— Teu sonho é vencer a Grande Liga?

— Sim. — Respondia quase que imediatamente, decidida. — É um deles, mas irei torna-lo realidade.

— Bem. Não sei o que dizer. — O rapaz apenas demonstrava um sorriso que mesmo simpático, aparentava ser triste. — Não pretendo desistir do meu também.


Karine finalmente terminava o primeiro bombom, que havia comido em mordiscadas pequenas e delicadas. Ela não dizia nada, fazendo com que um silêncio constrangedor fizesse que o som do vento fosse um monólogo. Ela havia pensado muito a respeito sobre isso, por mais que estivesse feliz por estar a onde estava, realizar seu sonho significaria tirar a oportunidade de Kyle em realizar o sonho dele.

Não só Kyle, como de algumas amizades que havia feito durante toda sua jornada. Lucas Darkblue, Christopher Yellow, Ezekiel Lyn Vega, Luke Veil Sharp… Todos iriam voltar decepcionados para casa, caso ela realizasse seu sonho.

Honestamente, por mais que crucificasse esse pensamento com desdém, se martirizando por pensar desta forma, ela preferia que eles perdessem para outros treinadores para que ela não precisasse enfrenta-los. Ela estava decidida e não iria deixar de correr atrás de seu sonho.
Lutaria com a alma, assim como seus Pokémons.

Porém, o que lhe atormentava, é que ela sabia que eles iriam dar tudo de si também, e eles eram treinadores muito bons.


— Eu não quero falar sobre isso. — As palavras surgiram quase que como um suspiro.


Kyle abria um sorriso triste, vendo que não era só ele que pensava de tal forma e ficava perturbado como consequência.

Paulatinamente, avançava sua mão por trás da nuca de Karine, sentindo os macios fios perfumados de cabelo e firmava no seu ombro esquerdo, abraçando-a. Como resposta, ela conseguia relaxar um pouco o corpo, deitando a cabeça no ombro do rapaz e deixando seu braço deslizar por suas costas.

O calor de Kyle lhe trazia conforto e segurança, mas seu coração estava confuso. Ela não podia ser apegar afetivamente, pois isso poderia ser usado contra ela na competição. A dúvida causava desordem em seus pensamentos, deixando desarmônica a conexão entre sua razão e emoção, cada um gritando atitudes diferentes a serem feitas.

Sua razão bradava ordens, alertando quais seriam as consequências. Lhe ordenava a se soltar de seus braços, se levantar e dizer que iria dormir, educadamente pedir para que ele se retirasse e se focasse em si.

Sua emoção, no entanto, apenas dizia para ela relaxar. Não faça nada, apenas aproveite o momento.

Karine suspirava.

Ela afundava mais sua cabeça no ombro do rapaz, para que ele pudesse abraça-la com mais força e tirá-la desse mar de insegurança. Foi o que aconteceu.







~>x<~
[Alex Strokes]





Não é porque era considerado um veterano no ramo de batalhas de grande ibope, que significava não estar nervoso. A diferença, é que sua experiência fazia-o amadurecer a ponto de não demonstrar esse nervosíssimo para os outros, de maneira alguma.

Talvez fosse sua respiração calma, a confiança em seus olhos, o ar superior que demonstrava ao andar despreocupadamente pelo Planalto Índigo, com as mãos no bolso de sua jaqueta cinza. Podia sentir o temor nos olhos dos outros participantes que o observavam. De certa forma, gostava disso. Fazia com que seu teatro fosse mais fácil de interpretar, mais realista.

Hoje era dia quatro de dezembro, um dia após a grande convocação. O nascer do sol trazia ansiedade e pensamentos demais na cabeça de Alex. Não que tivesse dormido mal, mas o fato de ser assombrado por teus próprios méritos e títulos em seus sonhos, faziam com que o mesmo fosse tão leve que apenas o calor do sol matinal entrando na janela de seu quarto, fosse mais que o suficiente para que acordasse.



— Urgh. — Deitado na confortável cama do hotel, apenas levantava o seu torso, ficando sentado e observando o nascer do sol que abraçava as cidades de Kanto com seus braços luminosos e esperançosos. Havia ganhado um quarto de hotel com a vista oposta do estádio Vitória, ou seja, sua visão era privilegiada com as cidades de Kanto, como se fossem uma pintura em um quadro.



De qualquer forma, aquela vista não lhe afastava os pensamentos sobre hoje, dia quatro de dezembro, segundo dia no Planalto Índigo. Último dia em paz antes de a CBK liberar a entrada para cidadãos no Planalto e todo o sossego ser exaurido com pedidos de autógrafos, fotos e entrevistas. Mas o mais importante, hoje seria um dia longo.



Merda. — Franzia a testa antes de colocar a mão sobre a testa.


Se lembrava bem. Seu empresário havia lhe explicado detalhadamente os passos que teria que dar até a liberação das chaves. Dia três, o primeiro dia, seria a grande convocação. Todos os sessenta e quatro treinadores iriam ser confortavelmente escoltados por viaturas públicas ou por conta própria, se acomodar em seus quartos no luxuoso hotel Índigo e se acostumar com o ambiente.

Dia quarto, o segundo dia - hoje -, seria um pouco mais chato. A partir das dez horas da manhã, todos os participantes teriam que passar por uma série de... Qual era a palavra que seu empresário havia lhe dito mesmo? Procedimentos. Sim, uma série de procedimentos que visava não só o bem estar do treinador (Saúde mental e física), como evitar rupturas à imagem da Grande Liga.

Alex suspirava. Iria passar por um exame antidoping, tanto dos seus Pokémons registrados como ele mesmo, já que drogas que auxiliassem no estimulo mental para a eficiência nas batalhas era completamente ilegal: A cocaína era a principal droga usada por treinadores em batalhas não oficiais, mas que valessem algo, pelo fato de acelerar a mente e facilitar em criar contra estratégias.

Após os procedimentos médicos obrigatórios – sujeitos a penalidades caso não respeitados -, ainda teria uma entrevista individual de todos os participantes com o locutor e juiz-chefe de batalhas durante a grande liga, Lance Kenneth. A pior parte, além de cada entrevista possuir dez minutos, é que cada participante deveria estar presente dentro do estúdio desde a primeira entrevista até a última.

Dez horas. Dez horas dentro de um estúdio encarando os inimigos nos olhos.

Suspirava.



~>x<~



Eram aproximadamente sete horas da manhã. Já estava vestido com roupas casuais e caminhando nas ruas ensolaradas do Planalto Índigo, procurando algum restaurante para tomar o café da manhã. Já tinha um em mente: Um restaurante que sabia que estaria aberto neste horário, entre o estádio Ártico e Intempérie.

Como café da manhã, comia um delicioso e crocante pão na chapa com manteiga. Algo simples, mas que matava a fome do mesmo jeito. Bebia uma grande xicara de café. Iria precisar ficar acordado, qualquer sinal de desinteresse ou sono poderia manchar sua imagem nos olhos da CBK.

Acendia um cigarro ao sair do estabelecimento. Um filtro branco, Lavender. Uma curiosidade que Alex sabia, é que a empresa desse cigarro não se localizava em Lavender, e sim em Saffron, logo, a marca do tabaco não tinha nenhuma relação com a cidade, apesar do nome. Alex gostava de saber curiosidades, sempre esperava ansioso em alguma conversa alguma oportunidade para expressá-las.

Enquanto fumava o primeiro cigarro do dia – embora não fosse um hábito fumar com frequência -, Alex caminhava, por intuição, em direção das piscinas esportivas que visitara no dia anterior. Não se surpreendia em ver que sua intuição estava certa, mais uma vez, ao ver Aaron descansando em uma cadeira de sol enquanto seu Feraligatr testava sua velocidade embaixo d’água.


— Yo. Aaron-Kun. — Cumprimentava, tendo como resposta a mão de Aaron em um sinal de paz com os dedos. Decidia se aproximar. — Você parece ser apegado em rotinas, huh?

— Ei, de novo essas perseguições? Você é um cara bem macabro, sabia? — Aaron abria um sorriso suave em seu rosto. Ele parecia estar visualizando o computador de pulso que se assemelhava um relógio retangular.

— Eh? Macabro? — Alex coçava o rosto. — E você é um ser humano muito mal-agradecido. Deveria ter escutado minhas dicas de ontem. Você é apegado a rotinas, logo, acaba sendo um alvo fácil a ser estudado e previsível como adversário.

— E você é chato pra caralho. — Aaron ria.



Alex ficava ofendido com tal resposta. Como ele poderia ser chato? Ele era interessante em vários aspectos. Sabia de várias informações curiosas, como o fato dos cigarros Lavender não serem originalmente de Lavender. Era uma calúnia ser chamado de chato.

Aaron parece ter percebido pela reação de seu rosto. O tique que tinha em sua sobrancelha quando era contrariado ou ofendido.


— Ei, eu estava apenas brincando. Realmente, você não tem nenhum senhor de humor.

— Eu tenho senhor de humor. — Dizia em um tom baixo, um pouco envergonhado por ter levado a sério algo que parecia ser tão óbvio uma brincadeira. — É que... Meu senso de humor é mais refinado.


Aaron não parecia ficar impressionado com as autoproclamações.


— Senso de humor direto de Unova, né? Vocês devem ser comediantes. Ótimas companhias em rolês e festas. — Um sorriso irônico mostrava seus dentes brancos.

— É. Muito refinado para vocês que moram no interior de Kanto. — Respondia, mas não de forma hostil, brincando com a nacionalidade de Aaron, em Johto.


O moreno se surpreendia com a piada de Alex, conseguindo realmente rir de maneira sincera, e não por educação. Ele se levantava com dificuldades, usando uma muleta, graças à sua perna ruim, e educadamente dizia para Alex não se preocupar em ajuda-lo, quando o rapaz oferecia.

Alex se sentia mal por ter usado sua perna como motivo de piada, no dia anterior. Mal sabia que Aaron nem ligava, já estava acostumado.


— Fico feliz em ver que tens um mínimo de senso de humor nessa crosta fria e sem sal de um Unovense. De qualquer forma, eu acho que irei cochilar um pouco, e quem sabe, sei lá, acordar umas duas horas da tarde. — Aaron se despedia com o mesmo sinal de paz que havia feito para cumprimenta-lo, em seguida, assobiava para seu Feraligatr o seguir.


Glades dava um salto para fora da piscina, caindo em duas patas no piso liso de mármore. Devido o seu peso, Alex temeu na possibilidade do piso ter rachado, mas nada havia acontecido.

O rapaz dava um trago em seu cigarro. Percebia que Aaron não sabia sobre os procedimentos médicos e as entrevistas que ocorreriam logo a seguir. Aquilo poderia prejudica-lo severamente no decorrer da Grande Liga.


— “Tch. Ele realmente é um novato nesse ramo, uh?” — Pensava, vendo se afastar. Ele poderia muito bem ficar calado e deixa-lo se prejudicar. Isso apenas iria fazer um inimigo a menos que poderia disputar o seu título como campeão de Kanto. Alex sabia que isso seria o correto. — Tch! Aaron!


O moreno pausava sua caminhada com dificuldade ao escutar Alex o chamando. Ele virava a cabeça, curioso. Alex então ia até ele e explicava sobre os procedimentos. Fingiu ter lembrado na hora, para não haver suspeitas que ele houvesse pensado em prejudica-lo, embora quisesse.

Bem, isso não era de sua índole. Não iria se perdoar se ganhasse o título de campeão por ter sido desonesto e não cumprido com seu papel de cidadão. Sentiu algo estranho ao ver o sorriso agradecido de Aaron, que admitiu não saber de nada.

O moreno agradeceu com um aperto de mão firme. Alex apenas sorriu.






Ending


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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por -Ice em Dom 12 Mar 2017 - 11:53

Rush!!1! o/

Não sei por onde começar, exatamente :P O ano passado deve ter sido um ano muito ruim aqui no fórum, um ano em que eu, particularmente, não marquei presença, assim como vários, eu acredito, e isso causou uma diminuição considerável aqui nessa maravilhosa área de fanfics, que estava crescendo em 2015. Durante as poucas vezes em que visitei o fórum para dar uma olhada, reparei que a frequência de postagem na fanfic principal, a do Kyle, estava caindo, o que me deixou meio bolado.

Agora vejo que está escrevendo uma espécie de continuação direta, o que provavelmente é um time skip (não tenho certeza porque devo ter perdido alguns capítulos da fanfic principal) da jornada de Kyle, agora já no planalto índigo, um momento em que todos os treinadores devem se assustar, pois é algo muito mais diferente e pesado do que enfrentar ginásios, afinal, são dezenas de campeões lutando por apenas um prêmio.

Eu achei a ideia e o desenvolvimento sensacionais, como já era de se esperar, sua escrita ainda é impecável e surpreendente, pois me faz ler capítulos imensos sem me cansar ou ficar entediado, apenas esperando que acabem.

A narração e a localização também não deixam nem um pouco a desejar, descrições detalhadas sobre as aparências, passados, ações e pensamentos dos personagens nos situam perfeitamente no contexto, o que é admirável. Eu gostaria de citar aqui uma passagem que eu achei simplesmente incrível, que descreve o pensamento do personagem sobre um determinado prato e o porquê de ele pensar assim. Sensacional e a minha passagem preferida até o momento.

O café que tomava era o famoso “Bonsly Feliz”, nome que havia chamado à atenção de Ezekiel no cardápio. Bonsly era um Pokémon melancólico e totalmente apegado emocionalmente a qualquer coisa que visse, incluindo árvores e pedras, por isso vivia chorando quando era obrigado a desapegar de uma coisa, e também, era um Pokémon típico de Johto e Sinnoh, sendo este último, o continente natal do rapaz.

Ezekiel achava engraçado o nome Bonsly feliz.

É difícil dizer muito sobre dois capítulos, principalmente considerando que a liga nem começou, mas já posso te garantir que tenho os meus personagens preferidos até agora, que são Alex, Aaron e Karine, que também parecem ser os que mais tiveram foco até o momento. As aparições de Kyle também agradaram muito, mas o garoto ficou meio apagado, já que, quem leu a fanfic onde ele é o protagonista, sabe o quanto dá para explorar dele, e espero que isso realmente seja explorado, pois Kyle é um ótimo personagem.

É isso Rush, um abraço e já estou aguardando o próximo capítulo (tenta postar ele em um intervalo menor do que seis meses Laughing)

Ah, e eu gostaria de citar também a única coisa que me incomodou, que foi a mudança de fonte quando se trata das falas de Zeus. Tudo bem que o negrito ajuda a dar ênfase nas falas do narcisista, mas rola uma quebra de clima tão grande na formatação do capítulo que fica meio desagradável, mas nada com que eu não possa me acostumar.
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Rush em Qua 15 Mar 2017 - 19:46

@-Ice: Grande Ice! Muito obrigado pelas palavras, rapaz. Sim, essa é uma continuação direta, pois a fic do Kyle seria MUITO... MAS MUITO extensa. No capítulo cinquenta ele ainda tinha três insígnias, para você ter noção. No caso, essa fic será bem mais curta e dinâmica, com exceção ao começo. A ação vai começar em breve, mas pretendo explorar o arco principal em seu psicológico primeiro! Hahahah

Sobre Zeus, irei evitar a formatação diferente quando ele aparecer novamente, obrigado pela dica!

Fico muito feliz que esteja acompanhando, mas nada se compara a felicidade de você ter ressuscitado dos mortos aqui no fórum. Muito obrigado, espero que continue lendo! Um abraço!







[Victória Sanchez]



Escutava o som crescente de seu despertador invadindo sua audição de maneira irritante, o que era o suficiente para que pudesse abrir seus pesados olhos com dificuldades, ignorando os raios solares que cobriam seu rosto como um véu de luz.

Ao sentir um corpo encostado no seu, se lembrava da noite passada. O calor do toque trazia vários pensamentos descoincidentes que a importunavam mais que o dissonante som do despertador de seu celular.


Merda.. —  Dizia num tom não mais alto que um sussurro.


Com cuidado, ela se afastava do corpo adormecido que envolvia o braço por toda a extensão de suas costas. Ele não tinha reação ao membro tocar no tecido frio do lençol.

Sussurrava decepcionada com a situação. Trajava apenas a jaqueta esportiva verde musgo de Ezekiel, que parecia estranhamente precisa à sua altura, levando em consideração que o loiro era menor do que ela. Não fazia cerimônia ao arrancar a blusa de seu corpo e ficar totalmente despida, jogando-a como pano de chão em cima do proprietário da vestimenta.

Tomava um banho quente e não tão demorado. Secava seu cabelo usando o secador, escovava seus dentes e ainda se vestia. Se surpreendia ao ver que Ezekiel não havia acordado, ou sequer alterado a sua posição. O rapaz realmente fazia jus aos rumores que diziam que ele era tão desperto como um Slowpoke.


— Hey. Zek, está quase na hora dos exames obrigatórios. — Dizia num tom uníssono, sem emoção qualquer. Torcia o nariz ao não ver nenhuma reação.


Irritada, pousava sua mão em cima de sua testa, pensando em alguma solução para aquela equação tão complicada. Era o terceiro dia da competição e já havia se deitado com um dos outros participantes. Se alguém soubesse disso, seria um escândalo nas notícias. Iria viralizar como a polêmica que mancharia a sua reputação. “A vadia da Grande Liga”.

Ela se odiava por dar deslizes assim. Entregar o seu corpo para o primeiro rapaz legal, interessante e inteligente que cruzava com seu caminho, que a conquistava não só pela beleza, mas pelas ideias. Claro, queria alguém assim na sua vida, mas ela mal o conhecia. A primeira impressão ela já havia estrago. Agora, o rapaz deitava seminu na cama de seu quarto, e precisava o acordar com urgência para ele comparecer nos exames médicos obrigatórios, pois se alguém descobrisse que ele estava dormindo lá, desta forma, podia já dizer adeus para seus patrocínios, ou pior, sua moral.


— Ezekiel! — Cuspia as palavras em um tom ríspido mas baixo, para que as paredes não pudessem escutá-las.

— Uh... — O resmungo de reclamação era claro ser mais uma resposta motora automática do que de fato ele estar a escutando.

— Você precisa ir. Agora.

— Ok. — Ele respondia com sinais de embriaguez causados pelo seu pesado sono.


Por um momento sentiu-se aliviada ao ver que a solução havia sido bem mais fácil do que esperava. Ajeitava seus cabelos castanhos avermelhados atrás da orelha e, em seguida, cruzava os braços, revezando o peso de seu corpo para a perna direita.

Não havia sinais de atitude em relação à resposta. O garoto permanecia inerte e com a respiração tão pesada como a de um aspirador.

Victória bufava. Teria que ter alguma solução rápida e discreta. Urgentemente.










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Volume I - Imensurável

Opening


Capítulo III – Impressões








[Luke Veil Sharpp]



Os exames foram longos e desnecessários. Luke sentia-se indignado com o antiprofissionalismo por parte da Grande Liga que proporcionava tal situação deselegante para cada um dos sessenta e quatro participantes.

Ficara quase duas horas em uma sala de espera branca, sentado em um sofá branco e olhando para um chão branco. O exame, em seu inicio, pareceu ser totalmente o oposto do que havia imaginado, havia sido dinâmico e alimentou as esperanças em ser rápido. Um breve exame de vista, o doutor havia usado o estetoscópio para sentir sua frequência cardíaca e analisara sua garganta, para receitar antibióticos potentes e evitar uma possível perda de voz, o que seria uma tragédia ao ditar os comandos em uma batalha. No entanto, após tirar um raio x, urinar em um potinho e fazer um exame psicotécnico por uma psicóloga, ele começou a questionar os métodos medicinais da Grande Liga.


— Ok, senhor Sharpp. Está tudo certinho! — O doutor interrompia seus devaneios com uma voz muito mais simpática do que gostaria. Claro que aquilo não o irritava, pelo contrário, deixava-o tão animado que tinha vontade de apenas agradecer e sair correndo daquela tortura. — Os exames indicam que o senhor não andou usando nenhum entorpecente nesses últimos três meses. Fico contente em saber que esse seu porte... Atlético. — A pausa e o contato visual o perturbaram. —... Seja pela sua alimentação saudável e exercícios físicos constantes.

— Erm... Então eu posso ir? — Constrangido, Luke afastava-se um passo do doutor.

— Claro, claro. — O médico chacoalhava horizontalmente a cabeça, recompondo a postura e entregando os exames para Luke. — Aqui estão.


Cautelosamente, suas mãos pegavam os papéis grossos e visivelmente de qualidade, mas antes que pudesse se virar, o doutor colocava a mão em seu ombro, sorrindo macabramente enquanto mantinha o contato visual, sem piscar.


— Ei, campeão. Boa sorte.


Luke ficava sem reação, sustentando o olhar não por reciprocidade, mas por medo. Também ficava curioso em saber quando tempo o estranho homem podia ficar sem piscar.


— Ok. Tchau. — Se virava abruptamente, em passos largos e rápidos, saindo do local sem olhar para trás.


A cena ficava em sua cabeça até sair da unidade médica e sentir o calor dos raios solares banharem seu corpo. Perguntava-se no que aconteceria caso processasse aquele médico por assédio, se ele responderia o processo alegando homofobia ou se ele o sequestraria e arrancaria o seu rim. Fazia sentido, afinal, ele é um Doutor, deve ter alguma afinidade com tal tipo de cirurgia.



~>x<~



O dia estava sendo longo, e de certa forma, solitário, mais do que o anterior. Mesmo tendo contato com funcionários públicos da Grande Liga – e o Doutor Macabro -, Luke não havia trocado nenhuma palavra com outro participante. Havia os visto perambulando pelo mesmo percurso com ele, ou em algum percurso que ele iria percorrer em seguida, mostrando que todos estavam passando pelas mesmas experiências.

Agora, ele vislumbrava os pontos comerciais deslizando horizontalmente pelo seu campo limitado de visão, por fora do veículo em que estava de carona. Mesmo que o motorista conversasse sem parar um segundo, Luke não dava nenhuma atenção para nada que ele falava, não por arrogância, mas ainda estava muito nervoso para se concentrar em qualquer outra coisa.

Quando o veículo estacionava na frente de um grande prédio – quase tão grande quanto o hotel Índigo, quase. – ele podia perceber a deslumbrante presença de um homem que esteve presente em boa parte da sua infância pela televisão, mas nunca havia o encontrado pessoalmente: Lance Kenneth, o Mestre de Cerimônia, juiz-chefe e locutor das batalhas da Grande Liga.


— Gigante Luke! — O recebia com seus longos braços abertos.







Lance Kenneth era uma lenda viva em Kanto. Quer dizer, o atual campeão, Herick, é uma lenda viva. O antigo campeão também havia sido, assim como Asuke, o “Deus das batalhas”. A diferença, é que os campeões iam e despareciam, de acordo com suas habilidades e sorte em não ter que se deparar com alguém melhor do que eles, já Lance, sempre estava lá. Sempre.

Analisando bem, ele era BEM velho, o que realmente era muito estranho por sua aparência física e comportamental. Não era tão alto como Luke, mas sua postura era ereta e graciosa, não parecia ter nada que causasse alguma desarmonia em sua aparência. Pele tão clara que parecia que nunca havia tido contato com o sol, mas mesmo assim, sempre andava usando óculos escuros. Sua roupa ficava perfeitamente justa em seu corpo magro, parecendo até que fazia parte dele. Tudo sob medida, estrategicamente costurado. Luke nunca havia visto um nó de gravata mais imponente do que aquele.

Seu rosto era tão conhecido, que acabava sendo considerado como um rosto comum. Sua barba era totalmente feita, a ponto de não apresentar nenhum sinal de pelo. Cabelos bem cortados e moldados com gel, fazendo uma espécie de topete arrepiado. Mesmo com a presença de óculos escuros, era possível ver suas sobrancelhas expressivas que se moviam de acordo com as palavras que eram lançadas de sua boca.

Seu sorriso era o seu forte. Era cativante, quase que contagiante. Um sorriso tão forte e natural que poderia persuadir qualquer pessoa.

Lance Kenneth era o diabo em forma de gente. Luke sabia disso, havia sido muito bem informado sobre esse detalhe.


— Fiquei ansioso em vê-lo, meu mais novo amigo. — De maneira sutil e natural, Lance se aproximava e envolvia o seu braço no ombro de Luke, num abraço amigável que também havia criado a oportunidade de guiar o caminho para seu novo destino: A terrível entrevista de dez minutos.  — E estou mais ansioso ainda em poder conversar contigo no “Kanto Stars”. — Continuava, citando o nome do programa de entrevistas.


“Kanto Stars”. Um nome bem familiar para Luke, já que havia investido horas da sua infância assistindo as entrevistas de centenas de treinadores que chegaram a onde ele estava. Além de ser um evento de seiscentos e quarenta minutos de duração.

Seria um dia longo.



Luke era guiado até o enorme camarim que ficaria atrás do cenário onde se passariam as entrevistas – feitas pelo próprio Lance -, e sentia-se desconfortável ao ver que alguns rivais já estavam lá, olhando feio para Luke como se quisessem que ele tivesse perdido o horário.

Entre eles, estava Hammer Skyfall, um dos treinadores mais temidos da temporada. Ele havia sido o primeiro a chegar, logo, o primeiro a ser entrevistado. Skyfall encarava Luke como se o rapaz fosse carne fresca para ele dar aos seus famintos Pokémons devorá-lo. Aquilo lhe dava um calafrio que percorria a espinha.

Engolia seco, apenas aguardando o número de participantes ser grande o suficiente para as entrevistas começarem.



~>x<~






Dito e feito, Hammer Skyfall seria o primeiro entrevistado. A transmissão ao vivo, passava em uma televisão plana dentro do próprio camarim – mesmo podendo escutar as vozes microfonadas de Lance e Hammer por trás das paredes.

O cenário era simples. As paredes possuíam uma tela hiper-realista que simulava uma cidade grande em seu cotidiano, como se a entrevista se passasse em um alto prédio de Saffron. Lance ficava atrás de uma mesa enquanto o entrevistado se sentava em um sofá ao lado. Na frente deles, as câmeras os separavam de uma plateia ao vivo. Cada membro da plateia havia sido sorteada.

O treinador era alto e atlético. Sua pele negra era bem realçada com seus olhos azuis-escuros, e para manter a harmonia, tingia as laterais de seu cabelo – raspadas, num corte side cut – de azul, mantendo o centro nas cores originais.

Ele era bastante sério, mesmo com a popularidade e piadinhas decoradas soltadas por Lance numa conversa para quebrar o gelo antes das perguntas. O rapaz, na verdade, era tão sério que chegava a machucar com sua frieza, como os fortes invernos em Snowpoint, Sinnoh.


— Hammer Skyfall. — Lance dizia o nome com bastante entonação, soando as consoantes de maneira poética, mas dando ênfase nas vogais. — Um belo nome artístico, eu diria. Intimidador, agressivo. É diferente ver pessoas adotando nomes artísticos como treinadores, você não é contente com seu nome de batizado? Qual o seu nome, para ser sincero?

— ...Meu nome e se eu sou contente com ele não convém aqui. — Sua voz era grossa e um pouco rouca. Diferente, mas agradável de ouvir. — As pessoas não querem saber sobre meu nome, sobre minha vida. As pessoas querem ver Hammer Skyfall destruindo seus oponentes no campo de batalha. Ninguém precisa saber nada sobre mim além do fato de eu ser esse Hammer Skyfall que representa no campo de batalha.

— Outch. — Lance não parecia gostar da resposta, afinal, quem gostaria? Mas seu profissionalismo era tamanho que ele levava na esportiva, rindo e tentando disfarçar o fora que havia levado em seu próprio programa. — Parece que, tanto nas batalhas como na música, você é bem focado em seus objetivos, qua—

— Seguinte. — Hammer Skyfall interrompia a pergunta antes mesmo que ela fosse feita por Lance. — Eu sou respeitado a um ponto que sei que vocês não vão me desqualificar por fazer o que eu estou fazendo no momento. Eu não quero perder tempo aqui falando besteiras sobre meu passado ou sobre minha carreira musical. Eu ficarei dez minutos aqui, debatendo sobre o que eu penso sobre meus participantes e não revelando meus segredos íntimos para aumentar o ibope de seu programa. Então vamos, me pergunte, quem você acha que eu quero destruir no campo de batalha?


Um silêncio após a pergunta, Lance hesitava mas não demorava em repetir a exata pergunta que Hammer ordenava.


— O treinadorzinho que mais quero cair no campo de batalha para destruí-lo por completo, pedacinho por pedacinho, até não deixar nada além de migalha e lágrimas por suas esperanças terem sido tiradas de seu corpo vazio e sem vida, é esse tal de novo queridinho de Kanto.


Ao escutar essas palavras, o corpo de Luke estremecia e sentia seu âmago arder em chamas, a um ponto de sentir náuseas. Ele sabia que atualmente, por sua história, dedicação e batalhas, ele era considerado o “queridinho de Kanto”.


— Luke Veil Sharpp. — Skyfall dizia pausadamente e de forma lenta, olhando para a câmera como se olhasse nos olhos do dito cujo. — Eu espero, no fundo de meu coração, se eu tivesse um, que eu caía com você logo na primeira fase. Quero tirar seu coração pela boca. Quero que meu Salamence devore seu Lucario e mastigue até eu poder escutar seus ossos se rompendo.  


O contato visual pelas câmeras era algo que assustava Luke. Skyfall sabia que Luke estava olhando para a televisão naquele exato momento, e mesmo não sendo diretamente, os dois sustentavam o olhar de forma desafiadora. Os outros participantes davam uma discreta olhadela para Luke, para ver sua reação, e no fundo, se deliciavam com a cena ao vê-lo cerrando os punhos e os olhos. Franzia a testa e as sobrancelhas, mostrando-se infeliz diante tal comentário. Mesmo estando apavorado por dentro, seu corpo desejava estar frente a frente para ter um direito de resposta.

As perguntas a seguir foram irrelevantes a um ponto que Luke nem ao menos escutava. Só refletia nas palavras proferidas por Hammer Skyfall.




~>x<~
[Karine Redflame]



Karine estava sentada em uma das poltronas do camarim, entediada. Havia acordado cedo, coisa que odiava fazer, então sua mente exausta e mal-humorada não tinha intenções em trocar mais do que palavras necessárias que respeitassem o código de cordialidade a qual fora criada. De resto, ela dava respostas curtas para não dar procedimento em conversas longas.

Mesmo sonolenta e irritada com a rotina puxada e desnecessária, exausta de certa forma, ela refletia sobre algumas perguntas e respostas nas entrevistas que conseguiam prender a sua atenção. “Quero que meu Salamence devore seu Lucario e mastigue até eu poder escutar seus ossos se rompendo” havia sido uma dessas respostas que chamava sua atenção. Havia sido brutal.

A garota nunca chegara a conhecer bem Luke. Durante toda sua jornada, havia o visto pelo menos duas vezes quando criança. Tinha impressão que já havia vencido dele em alguma batalha, mas ele era tão insignificante na época que essa lembrança poderia ter sido implantada por uma série de coincidências da época. Agora, o rapaz era um ícone importante e venerado pela mídia, sendo conhecido como “o queridinho de Kanto”. Por mais que achasse isso um pouco bobo, ela sentia-se mal ao ver a reação de Luke diante aquela resposta.

Tensão, adrenalina, pressão principalmente. Ela podia sentir o cheiro de medo que transpirava por sua pele estremecida como suor frio. Gostaria de dizer alguma coisa legal para ele, mas não estava no clima no momento, decidia apenas focar nas entrevistas.

Bocejava. Aquilo era totalmente desnecessário. Uma batalha de egos onde um dizia ser melhor que todos e outro discordava. A sua entrevista em si, havia sido no mínimo supérflua. Coisas que não tinham nada haver com a Grande Liga, e sim a mídia em geral. Lance perguntou sobre romances, festas, rotinas, saúde e coisas que nem valia a pena recordar. Clichês, mas que o público queria ouvir. É claro que para manter as aparências, respondia sorrindo, até ria quando escutava uma piada decorada de Lance.

Ao ver que o último treinador havia respondido a última pergunta, ela se segurou para não agradecer aliviada que tudo havia acabado.



~>x<~



Ao sair do prédio, cada um ia cuidar da sua vida de sua maneira. Karine podia observar que alguns participantes haviam afinidade com outros, criando até alianças temporárias que tendiam a desmanchar com o progresso das chaves. Ela observava Luke saindo sem conversar com ninguém, então resolvia chamar a sua atenção e corria até ele.


— Hey, queridinho de Kanto!


Luke se virava, esperando que aquilo não passasse de uma provocação. Ele se surpreendia ao ver que era Karine.


— Oh... Karine-San. — Ele dizia esboçando um sorriso. — Você não está com Kyle-Kun?


Sharpp havia tocado num assunto delicado ao citar Kyle Green. A garota não esperava que Luke soubesse alguma coisa sobre a intimidade dela com o treinador citado, mas pelo fato dos dois terem sido amigos durante a jornada, aquilo não a surpreendia tanto. A pergunta que a incomodava era o quanto de informação ele tinha sobre os dois.


— Ah... Kyle. Bem, eu certamente irei  procurará-lo daqui a pouco, mas ele deve estar com Ezekiel ou Seth. Na verdade, eu queria bater um papinho contigo, se não for incomodo.


Luke franzia a sobrancelha, estranhando a atitude abrupta de Karine.


— Claro... Erm... Mas você tem que saber que eu meio que já gosto de uma garota. — Sua mão coçava sua nuca por baixo de seu gorro negro, sem graça. Karine se sentia ofendida com aquelas palavras.

— Fique tranquilo. Procurar alguma aventura romântica não é de meu interesse. — Ela respondia, tentando ser o mais educada possível, mesmo com tanto mau-humor latejando em sua cabeça. — Gostaria apenas em te dar um conselho. Não deixe que as palavras dos outros participantes, como as de Hammer Skyfall, entrem na sua cabeça. Eles querem apenas de provocar e fazer com que você aja sem pensar, cometendo erros.


A lembrança amarga voltava a sua cabeça, fazendo Luke torcer o nariz.


— Outra coisa. — Karine voltava a falar, prendendo a atenção de Luke. — Você não deveria passar esses dias tão afastado dos outros. Sei que deve estar se preparando ou estudando todo mundo, mas a solidão é um veneno que irá te sufocar. Vamos fazer alguma coisa hoje a noite, entre amigos, com Kyle e Ezekiel. Talvez eu até chame Lucas, embora duvide que ele junte-se a nós.

— Pode ser. — A proposta criava um sorriso no rosto de Luke, animado com o convite.




~>x<~
[Alex Strokes]


Alex lustrava uma esfera de captura em sua mão, alisando-a com um pano de tecido leve e úmido. A Pokébola básica, em seu padrão bicolor vermelha e branca – o que era incomum para um treinador de elite como Alex –, refletia a luz do lustre da sala, distorcida, de maneira que o reflexo seguisse a circunferência do objeto.

Dentro da mesma, a figura em miniatura de um Haxorus negro o observava, de maneira desafiadora e com resquícios de impaciência.


— Yo, Blade-Chan.  — Alex, o cumprimentava em um tom baixo, como se tivesse vergonha de ser visto conversando com seu Pokémon dentro de sua Pokébola.


O dragão caliginoso acenava com a cabeça, por respeito a seu treinador, mas continuava a afrontá-lo contestador com o olhar.


— Amanhã será o último dia de espera. — Dizia após um muxoxo de desdém. — Sairão às chaves e teremos um treino intenso voltado a estratégia do infeliz que cair conosco.


Nenhuma reação por alguns segundos, então, finalmente, o Haxorus desistia de sustentar sua encarada ao seu treinador. Alex esboçava um sorriso de canto.
Blade não fora seu Pokémon inicial, muito longe disso. Devido à sua rara coloração denegrida e o fato de seu treinador possuir o título de “Especialista do tipo Dragão”, muitos associavam que seu Pokémon oficial fosse seu inicial. Na verdade, poucos sabiam que Alex se tornou um especialista no tipo após concluir a sua jornada em Unova. Seu inicial fora um Snivy, que por ventura, acabou por despertar sua paixão pela espécie dragão.

Mesmo sendo jovem demais para ser um especialista nobilitado, Alex teve um histórico em seu portfolio de Pokémons dragões que treinara antes de conseguir tal Haxorus.
O rapaz capturou Blade em “Nature Preserve”, uma ilha que o rapaz teve acesso com a permissão do governo, há no máximo três anos. Fora, sem sombra de dúvidas, o Pokémon mais teimoso e complicado de treinar, devido a sua gigantesca desobediência. No entanto, tal esforço foi recompensado com a força de seu novo aliado, avassaladoramente assustadora.

Mesmo tendo-o adestrado, ainda teria o fardo de mostrar-lhe quem era o dominante, que ele era o macho alfa. Um simples gesto de vencer um contato visual que o Haxorus lhe desafiava, já contava para manter seu respeito diante o dragão.


— Heh. — Seu sorriso aumentava, mesclando com a determinação em seus olhos. Seu Haxorus parecia ficar curioso em respeito do motivo disso. — Amanhã você vai poder extravasar toda sua ansiedade acumulada no treino. Espero, no entanto, que você apenas acumule essa ansiedade. Assim, o nosso primeiro oponente irá sofrer com as consequências.






Ending


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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por -Ice em Qua 15 Mar 2017 - 23:39

Que capítulo senhor Rush, que capítulo.
Não sei dizer se esse foi o meu preferido até agora, já que tenho um pouco de dificuldade em escolher um preferido quando todos foram bons, mas posso te garantir que curti pra caramba esse em específico.

Você disse que pretendia explorar o psicológico antes de começar com toda a ação envolvendo a grande liga, e eu queria te dizer que gosto muito dessa escolha. Até agora, tivemos várias perspectivas diferentes de pessoas com pensamentos diferentes, com pouquíssimas aparições dos pokémon, e eu gosto muito disso, por desenvolver os personagens de um modo que eles pareçam conhecidos para nós, e fazendo com que, logo nas primeiras eliminações (creio que ao menos um desses que já apareceram será eliminado logo no começo) possamos sentir a perda e o peso das batalhas.

Esse capítulo me pareceu mais curto que os outros, não sei se foi mesmo ou se foi apenas o efeito Rush que o fez passar mais rápido, mas tive essa impressão. Tudo o que foi apresentado nele me agradou, e me deixou com a sensação que nada foi em vão, é que até os mínimos detalhes vão importar mais para frente (como por exemplo a Victória ter dormido com o Ezekiel).

A parte que mais gostei foi o ponto alto do capítulo, quando Hammer fala diretamente com Luke em sua entrevista. Eu consegui me sentir no lugar do treinador do Lucario, com toda essa pressão envolvendo um cara desse nível me desafiando. O engraçado é que pode ser que algum dos dois seja eliminado antes mesmo deles poderem lutar, mas acho que isso não vai acontecer -q

Ah, e uma coisa que esqueci de dizer no meu comentário anterior, é que eu curti pra caramba a Karine estar tendo um "lance" com o Kyle. Não me lembro muito bem se teve alguma sugestão disso na primeira fic, mas com certeza eu gosto mais de Kyle junto com ela do que com a Brenda.
A propósito, teremos algo dos outros personagens não-treinadores nessa fanfic? Tipo a Brenda, o Russel e o Davi. Eu imagino que eles vão aparecer quando o Planalto Índigo estiver aberto ao público, e realmente espero que isso aconteça, todos esses personagens são ótimos.

É isso Rush, continue postando e mantendo esse padrão de qualidade, porque está sensacional. Até mais
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Rush em Dom 19 Mar 2017 - 16:10

@-Ice: Muito obrigado! Eu fico muito feliz que tenhas gostado do capítulo. Sobre este capítulo, ele de longe será o maior capítulo do primeiro volume, tudo porque vai ser o último cap "sem ação". Spoilers já ditos, o próximo já conterá as primeiras batalhas. Eu realmente não quero spoilar nada sobre essas eliminações, porque acredite, modéstia a parte, mas vai ser MUITO pior do que você imagina.

Eu agradeço de coração que você esteja acompanhando a fic, espero que continue lendo e que eu continue agradando. Muito obrigado! <3



~>x<~



O motivo pelo qual eu estou postando este capítulo é pelo fato do meu teclado ser uma bosta. Ele já está velho e alucinando coisas, como por exemplo, eu digitar o número "5" e "6" após as letras "b" e "n". Fican6do essa b5osta sem n6en6huma con6diçao de escrita

Como esse capítulo vai ser bem extenso, com o maior número de PoVs, eu vou acabar o postando logo. Até eu resolver de vez, fiquei um tempo sem postar nada, provavelmente umas duas semanas. Enfim. É isso. Espero que gostem.








[Luke Veil Sharpp]





Luke acordava com milhares de vozes infestando sua cabeça, junto aos passos e risadas de uma multidão. O rapaz abria seus olhos com muito esforço, devido o peso de suas cansadas pálpebras. Sua visão era direcionada ao relógio em cima do criado mudo ao lado da cama, observando que ainda era cedo. Sete horas da manhã.

Bufava, enraivecido, questionando-se se a Confederação da Grande Liga o odiava. Liberar os portões do Planalto Índigo tão cedo? Já bastava o dia desnecessariamente estressante no dia anterior. Foi com tal memória que Luke então abria os olhos, lembrando-se de ter jantado com Karine, Kyle, Ezekiel e Victória.

Sorria de maneira acanhada ao se lembrar de que pensou na possibilidade de ficar de vela no jantar, mas na realidade fora tratado com bastante atenção por todos os jovens, onde tiveram ótimas conversas sobre o passado durante suas jornadas.


— Obrigado, Karine-San. — Dizia em tom baixo, sorrindo enquanto olhava para o teto, agradecido por saber que poderia contar com algumas pessoas e chama-las de amigos.





As Crônicas de um Gyarados Voador!

- A L L   ★   S T A R S ! -


Volume I - Imensurável

Opening


Capítulo IV – Cabeças irão rolar







[Kyle Green]



As ruas do Planalto Índigo estavam lotadas por cidadãos que ficavam bestificados com cada ponto comercial que entrava em seu campo de visão. Todos pareciam até mais ansiosos do que os próprios participantes, com a diferença de eles estarem sedentos por sangue derramado na grama verde do campo de batalha, mas o desejo parecia menos sanguinário com risos, balões em formatos de Pokémons e algodão doce em suas mãos.

Ainda eram nove horas da manhã, mas Kyle havia perdido a conta de quantas fotos havia tirado com fãs que acompanharam a sua jornada pela televisão ou pelo site da Grande Liga, não que isso o perturbasse.


—Kyle-Kun! — A voz familiar fazia-o virar na hora em direção do chamado. Seu sorriso abria-se ao reconhecer um rosto em meio à multidão.

—Davi! — O treinador corria em direção do amigo, dando-lhe um fortíssimo abraço que não podia expressar a felicidade que sentia ao reencontrá-lo.


Davi fora um dos acompanhantes de jornada de Kyle, servindo como o cozinheiro do grupo. O engraçado é o fato de serem extremamente amigos, mesmo que no início fossem inimigos devido à vida criminosa de Davi, a qual se arrepende amargamente.

O cozinheiro acabou sendo o último do grupo a deixar Kyle durante sua jornada, devido o convite de trabalhar como Chef em um renomado restaurante de cinco estrelas, com um salário a qual poderia viver tranquilamente fazendo o que gostava.

O treinador não guardava rancor disso, pelo contrário, havia incentivado Davi correr atrás de seus sonhos. Entrou em depressão, mas não revelara isso a ninguém além de seus Pokémons, já que todos seus companheiros de viagem tiveram que o abandonar em certo ponto.

Brenda fora a primeira a deixa-lo, ficando em Cerulean para estudar medicina e trabalhar num museu ali. Fazia anos que Kyle não a via pessoalmente, apenas em fotos em redes sociais, onde mostrava o sucesso em sua carreira e estudos.

Jason foi o segundo, voltando a viver em Veridian para cuidar de sua esposa grávida, Clarice, durante seus meses finais de gestação. O mecânico apareceu inúmeras vezes em sua jornada para visita-lo e apresentar à Kyle seu filho, Jensen Sem-Sobrenome.

A terceira havia sido Alice, a Coordenadora, após uma divergência nos rumos de cada um, onde o próximo ginásio e o próximo concurso seriam em cidades diferentes. A garota seguiu jornada com Luke então, já que ambos eram Coordenadores na época.

Os últimos foram Davi e Russel. O cozinheiro despertara a paixão de Russel pela culinária, fazendo com que os dois seguissem carreira no mesmo restaurante, após uma proposta de emprego. O mais irônico, é que Russel era um Hitmonchan que por algum mistério da vida, era racional a ponto de poder se comunicar na língua humana.

A cada despedida, Kyle chorou sozinho. Mesmo sendo sempre bem-humorado, brincalhão e positivo, cada despedida o fez amadurecer. O fez enxergar que mesmo sendo um grupo de jornada, cada um tinha uma ambição. Cada um tinha seu sonho. O treinador não poderia tirar isso deles.

O único que continuou no grupo de viagem foi seu empresário, Jöhan T. Falk, mas este nunca o acompanhou durante as viagens. Em raras situações visitou o treinador, mas o contato que tinha era em sua grande maioria pela Pokédex ou pela Box em cada Centro Pokémon.


— Faz tanto tempo que não o vejo! — Kyle dizia eufórico, ainda abraçando o amigo.

— Um ano, mais precisamente. Fico feliz que tenha chego aqui. — Respondia, afastando-se suavemente enquanto o abraço se desfazia. —Vamos, temos que nos juntarmos aos outros!


Kyle sorria, concordando com a cabeça e o seguindo. Demorou aproximadamente vinte minutos até chegar a um restaurante próximo ao estádio “Intempérie”, na região leste do Planalto Índigo. Seus olhos enchiam-se de lágrimas ao ver as figuras de seus antigos companheiros de viagem.

Jason estava carregando uma pequena criança em seus braços, tão branca como Clarice, sua mãe, mas com os cabelos ruivos do mecânico. Jensen tinha três anos e acenava freneticamente sua mão, dando oi para o treinador. Ao lado do mecânico, sua mulher, Clarice, sorria ao ver Kyle. Russel, o Hitmonchan, erguia seu punho vestido com luvas de boxe azul.

Jöhan acenava com a cabeça, o cumprimentando. Orgulhoso de vê-lo ali. Ao seu lado, Brenda não podia esconder um sorriso acompanhado por olhos brilhantes, cheios de lágrimas.

Não pode resistir, o treinador acelerava o passo e quando pode perceber, corria em direção dos amigos.


— Kyl— Brenda não tinha tempo de dizer nada, sentia o fortíssimo abraço do amigo envolvendo seu corpo, fazendo seu ombro encostar-se a seu queixo, calando-a de maneira carinhosa. Ela se surpreendia ao ver a altura do amigo, que em seus tempos de viagem era menor do que ela.

— Uma parte de mim pensava que eu nunca mais iria reencontrá-la novamente. — Kyle chorava ao proferir as palavras, pausadas com soluços. — Nunca me perdoei por ter deixado você me deixar.

— Eu também não, seu besta. — Brenda respondia no mesmo tom choroso, se contagiando com as lágrimas.


Os amigos sorriam, lutando contra as lágrimas para não entrarem na choradeira. Davi, Russel e Clarice, no entanto, perdiam e deixavam finos fios de lágrimas escorrerem pelo rosto.




~>x<~
[Lucas Darkblue]


Aquilo o irritava. As pessoas o irritavam. As pessoas eram clichês.


— Sir. Darkblue! Poderia tirar uma foto com minha menina? — Um homem invadia sua privacidade na calçada de uma estrada no sul do Planalto Índigo, exibindo sua filha de aproximadamente seis anos de idade como se ela fosse um troféu. — Viajamos o continente inteiro apenas para vê-lo! Não creio que te encontramos!


Lucas suspirava, revirando seus olhos. Nunca fora sociável, não por dificuldades, mas por falta de interesse. Seus Pokémons eram as únicas companhias que gostava de ter ao seu redor, e podia viver contente apenas como eles.

Ao ver os olhos esperançosos da pequena garotinha que parecia eufórica diante de uma figura famosa como Lucas, o rapaz balançava negativamente a cabeça. A reação da criança era nítida, parecia devastada.


— Uma foto. — Reconsiderava sua resposta, suspirando novamente. Pousava ao lado do pai, com a filha entre eles. Em seguida, não fazia cerimonia ao se virar e sair sem ao menos receber os agradecimentos ou se despedir.


O quarto dia no Planalto Índigo era caótico e de notória falta de privacidade. Usava roupas comuns juntos a um par de óculos escuro para não ser reconhecido, mas sempre havia alguém com um senso de percepção acima do normal e o reconhecia, como agora.


Seguia o seu caminho para o estádio Vitória após ter almoçado no único restaurante que atendia às suas preferencias de agrado. Mesmo que caminhasse com as mãos dentro do bolso de seu casaco negro, de maneira despreocupada, ele sentia uma leve tremedeira em suas mãos, que soavam. Seu coração batia em uma frequência irregular, o que afetava a sua respiração.

Estava nervoso?

Quando chegasse ao estádio Vitória, as chaves iriam ser definidas quando todos os participantes estivessem presentes. Aquele pensamento martelava em sua cabeça, onde cada impacto era um pensamento atrás do outro. E logo na primeira batalha tivesse que batalhar com Kyle, Karine ou Arthur Liesel? Em um mata-mata, que seria o esquema da primeira fase, ele poderia perder para esses treinadores, caso vacilasse.

Assistia a cena do estádio Vitória aumentando a cada passo que avançava. Os portões do gigantesco estádio eram proporcionalmente grandes. Épico, no mínimo, já que os treinadores deveriam estar muito bem preparados psicologicamente para poder passar por dentro deles, devido a sua grandiosidade. A atmosfera parecia se mudar ao dar o primeiro passo dentro do estádio, adentrando-se então no Hall. O ar pareceu ficar mais pesado, assim como seu corpo. A pressão lhe assustava.

Olhava para os lados, via treinadores, cidadãos, seguranças e funcionário públicos. O hall era obviamente enorme. Seria a ponte entre o Planto Índigo e o campo de batalha, então o lugar seguia por toda a circunferência do estádio, sendo sua borda. Podia reparar que para adentrar mais a fundo, a um ponto em que saísse no campo de batalha, precisaria passar por uma dos milhares de catracas e passar por mais um portão, que no caso, estava fechado com pesadíssimas grades de ferro. Lucas presumia que dentro desse portão ainda haveria uma espécie de túnel que iria conectar com as arquibancadas.

Enquanto ficava perdido em seus pensamentos, observando aquele portão de acesso, ele se assustava ao sentir um toque em seu ombro.


— Grande Lucas Darkblue! O badboy da temporada! — Lucas olhava ranzinza para o autor do dialogo, Lance Kenneth, o Mestre de Cerimônias. Lucas não gostava nem um pouco dele, pois sabia que ele era o diabo em pessoa. — Você veio bem na hora, falta apenas você e alguns participantes!


Sem escolhas, o acompanhava pelo hall circular, até chegar ao portão principal ao sul, que era a saída mais próxima do Hotel Índigo. Chegando lá, sua visão poderia ser ofuscada se não usasse óculos escuros, pelos milhares de flashes que vinham de câmeras profissionais até aparelhos celulares, que capturavam as imagens dele chegando até os outros competidores.

Pensou se esse era o motivo pelo qual Lance nunca tirava seus óculos escuros.

Os competidores eram separados dos meros cidadãos por uma corrente fina amarela e preta, além de ter vários homenzarrões como segurança, prontos para impedir qualquer engraçadinho que desrespeitasse o limite de segurança entre treinador e cidadão.

Havia quatro enormes piscinas na frente dos treinadores. Lucas suspirava.

A cada quatro anos, a Grande Liga ocorria, e a cada Grande Liga, a definição das chaves mudavam. A chave poderia ser simplesmente gerada aleatoriamente por um computador, Lucas pensava, mas Kanto era apegada a tradições antigas. Ele caminhava lentamente e parava ao lado de um treinador moreno, que o rapaz não fazia questão em conhecer.



~>x<~
[Aaron Storm]



O coração de Aaron pulsava forte ao ver que Lucas ficava ao seu lado. Aaron conhecia bem o sujeito. Lucas Darkblue foi o merecedor do inicial Squirtle, além de ser o primeiro treinador desta temporada a vencer o ginásio de Veridian, da líder Giovanna, que agora era uma das integrantes da Elite dos Quatro.

Pelo fato de Aaron ter sido o merecedor do inicial de água de Johto, Totodile, ele sentia certa afinidade por Lucas Darkblue. Talvez até uma rivalidade. Esperava no fundo de seu coração que tivesse a chance de batalhar com o treinador, provando a força de seu Feraligatr em oposição ao seu Blastoise.

Aaron havia estudado tanto Lucas que se sentia familiar com o rapaz, como se eles já se conhecessem. Perguntava-se se esse era o motivo dele parar ao seu lado. Será que ele estudou sobre mim e tem o mesmo pensamento que eu? Será que ele parou ao meu lado para me desafia?

Um sorriso confiante brotava em seu rosto ao pensar nas possibilidades. Aquilo lhe estimulava a ser melhor do que o Kantoniano.

O moreno observava o último participante que restava se unir aos demais, um loiro baixinho que vestia um gorro que possuia detalhes que se assemelhavam a orelhas. Ezekiel alguma coisa, pensara.

Com sua chegada, Lance Kenneth, o sujeito que seria o Mestre de Cerimônias da Grande Liga, fazia um longo discurso carismático sobre a Grande Liga, ou alguma coisa do tipo que Aaron não quis prestar atenção. Sua atenção era voltada exclusivamente para aquelas quatro piscinas que estavam tão cheias d’água que quase transbordavam. Se olhasse com atenção, podia perceber alguns movimentos de Pokémons que ele rapidamente reconheceu como Magikarps.

Qual o sentido deles?




~>x<~
[Hammer Skyfall]


Fitava de maneira sisuda seu olhar em Luke. Seus braços musculosos estavam cruzados, e seus dedos apertavam-nos impacientes. Skyfall percebia a insegurança de Luke, sentia o seu medo como um cão de caça farejando sua presa. O rapaz sentia que Hammer o olhava e então devolvia o olhar em sua direção, mas ao ter contato visual, ligeiramente abaixava a cabeça, tentando disfarçar.

Skyfall sabia que Luke não iria durar um segundo com ele no campo de batalha. Sabia também, por sua experiência como treinador, que ele não iria passar nem da primeira fase. Ele iria cair tão rápido como sua fama. Seria uma estrela cadente em meio a uma constelação – chamativo, mas passageiro.

Isso o irritava profundamente. Aquilo não era espaço para crianças sortudas que fizeram a fama por boa aparência e Pokémons bonitinhos que sempre eram o clichê em filmes e desenhos. Tinha a vontade de esmagar o crânio de Luke, o galãzinho de Kanto, ali mesmo, e depois jogar seu corpo para os Magikarps comerem, em qualquer uma daquelas quatro piscinas.

Sabia que não valia a pena gastar sua liberdade em um treinador como aquele. Além de, o prazer que sentiria vencendo dele no campo de batalha, seria infinitamente melhor.

Lance Kenneth, aquele apresentador meio tigela e arrogante, continuava com o discurso até pedir para que todos os sessenta e quatro participantes se organizassem em quatro filas indianas, cada uma em cada piscina. Skyfall foi o primeiro a se mover, ficando assim, na frente de todos os quinze que o seguiam.



— Agora, como a velha tradição do Planalto Índigo dizia em seus tempos antigos, os participantes irão pescar seus destinos. Eles que irão decidir o rumo das batalhas e escolher seus adversários!  — Kenneth continuava seu discurso tedioso e exageradamente carismático, fazendo um sinal para que um funcionário público entregasse quatro varas de pescar para cada um dos quatro líderes de cada fila. — Podem ir à diante, campeões! Pesquem seu destino!



Skyfall pegava bruscamente a vara de pescar do funcionário publico que devolvia um olhar assustado para o moreno. Sem pensar duas vezes, ele avançava alguns passos e lançava a isca no meio da piscina redonda. Não demorou a que a boia em formato de Pokébola afundasse e ele puxasse o arco com força, subindo o anzol com um Magikarp, possuindo uma numeração na lateral de seu corpo. O número vinte e quatro, seguido da letra “b”.


— Skyfall será o vigésimo quarto na série B! — Lance gritava, e em um gigantesco monitor que ficava grudado a parede em cima das catracas, mostrava duas enormes chaves. Skyfall torcia o nariz, vendo que iria demorar em que ele pisasse em campo.




~>x<~
[Luke Veil Sharpp]


Luke ficava incomodado com o fato de sentir alguém o observando. Ao erguer a visão, discretamente, podia reparar que Hammer Skyfall o encarava com seus olhos azuis penetrantes. Fora uma questão de segundos para que desviasse seu olhar, crente de que o moreno não tivesse percebido o contato visual.

Lance Kenneth havia explicado em seu discurso como seriam definidas as chaves. Cada treinador pescaria um Magikarp, cujo numero de sua posição da chave estaria pintado no peixe. Seriam duas chaves no total, a série “A” e a série “B”. Cada série seria a junção de uma enorme chave com o total de sessenta e quatro participantes, mas para a primeira fase ser mais rápida e dinâmica, esta seria dividida nas duas respectivas, onde teriam o inicio simultâneo.

As palavras de Kenneth assustavam todos ali presentes que prestavam atenção. A primeira fase, não seria no estádio Vitória, mas sorteados entre os quatro estádios menores nos extremos do Planalto Índigo: Ártico, Intempérie, Vulcano e Íris, além da primeira fase ser estilo “mata-mata”, onde seria 1x1. Apenas um Pokémon.

Aquilo significava que além da derrota ser MUITO mais fácil, a metade deles iriam para casa sem ao menos pisar no estádio Vitória, que era considerada uma das maiores honras como treinador.

Luke engolia seco.

Em seguida, formavam quatro filas indianas. Luke não fez questão de ficar na frente, então ficava atrás de Kyle, que trocava algumas palavras sorridentes e fazia algumas piadas sobre a situação. Luke se assustava em como o amigo conseguia permanecer positivo mesmo diante tal situação tensa.

Conforme os treinadores iam pescando os Magikarps, as duas chaves estampadas iam se formando com a foto 3x4 de cada treinador – a mesma que fora tirada no registro deles na Grande Liga.


— Skyfall será o vigésimo quarto na série B! Willian Danzler será o terceiro da série A! Alex Strokes será o quinto da série A! Cole D. Montenegro será o último da série B!


E assim ia. As chaves lentamente se formavam de acordo com a velocidade e habilidade de cada treinador na pescaria. Alguns, como Zeus e Christopher Yellow, não tinham tanta habilidade e não conseguiam pescar de primeira, causando impaciência nos treinadores que estavam atrás deles nas filas. Zeus surpreendeu todos ao tirar o número “Dois A”, mostrando que iria participar da primeira batalha.

Ezekiel, logo em seguida, pescava um Magikarp com o número “Um A”. Todos ficavam surpresos com a coincidência. Ezekiel e Zeus protagonizariam a primeira batalha da série A, enquanto Victória e tal de Guillermo iriam protagonizar a primeira batalha da série B. As duas seriam simultâneas. Logo todas as chaves eram formadas:




Série A



Série B


(Links das chaves:
http://image.prntscr.com/image/024ab66443c64d41b4deab45a45a9c94.png
http://image.prntscr.com/image/0e36e8252c2b4d09864ee475488088ce.png)






— Que azar. — Luke comentava num tom não mais alto que um sussurro. No dia anterior, durante o jantar, o rapaz descobriu que Ezekiel e Victória estavam um pouco... Íntimos demais, sendo provavelmente, o primeiro casal formado na Grande Liga. Agora, por ironia do destino, iriam batalhar ao mesmo tempo em arenas diferentes, não podendo acompanhar as batalhas um dos outros.


Luke refletiu sobre isso. Pensou em como seria se um vencesse e o outro perdesse, o quão chata seria a situação.

Suspirava. Após refletir melhor, concordou que seria melhor do que assistir o outro perdendo, ou pior, ter que se enfrentar nas finais, embora fosse muito improvável que isso acontecesse.

Kyle, em sua frente, pescava um Magikarp com o número “Quatro A”, mostrando que iria enfrentar Willian Danzler, um forte concorrente e especialista em Pokémons de água. Pelo fato de Kyle possuir um Venusaur como inicial, Luke sentia-se aliviado pelo amigo.

Ao chegar à sua vez, ele segurava com duas mãos a vara de pescar entregue pelo seu amigo, fincando seus dedos na madeira polida. Com força, ele jogava a isca no meio da piscina, e quase no mesmo instante, um Magikarp a mordeu, fazendo com que Luke puxasse no timing perfeito um gordo Magikarp. Ele caía em seu frente, debatendo-se no chão polido do Hall de Vitória. O número “Seis B”, fazia seu coração pular até a garganta.

Iria protagonizar a terceira batalha, mas felizmente, poderia assistir a batalha de Kyle.



~>x<~
[Atilla]


Seu coração pulsava fervorosamente enquanto seu sangue fluía por suas veias, exibidas em seus braços musculosos e em seu pescoço grosso. Poderia sentir a adrenalina em seu corpo, rastejando por seu âmago como se fosse uma praga, uma parte dele queria simplesmente segurar aquilo e tirar de si, mas a sensação de euforia também lhe trazia bastante prazer a um ponto de simplesmente deixar aquilo se manifestar por seu corpo.


— All Right! — Ele fechava o punho direito tão forte, que o som de seus dedos estalando se assemelhava a um estrondo de um trovão. — Décimo Quinto A. — Seu sorriso era gigante, mostrando todos os dentes brancos acomodados em sua boca.


Deslizava seus dedos suavemente pelo pequeno amontoado de pelos lisos e castanho-escuros em seu queixo, analisando com seus olhos vermelhos a sua concorrente. Helena Moore.

Dava passos lentos e largos em direção da treinadora. Sua aparência assustadora fazia com que quem estivesse em seu caminho, se afastasse para ele passar. Seu sorriso era diabólico e seus olhos encaravam Helena como se fosse devorá-la em uma refeição.

Quem olhasse Atilla caminhando em sua direção em uma calçada, com certeza iria atravessar a rua com medo de ser assaltado ou espancado. O homem causava calafrios em qualquer um, devido a sua altura assustadora, chegando a dois metros e dez, além de possuir feições diabólicas, como se estivesse pensando apenas em perversidades e espalhar a crueldade no mundo.

A verdade, é que Atilla já se envolveu no mundo criminoso quando mais novo, mas sempre amou batalhas, embora não tivesse condições de comprar Pokébolas ou rações. Desde criança, é um sonho seu ser treinador, e por não ser ligeiramente inteligente, ele forçava a sua carreira na base da violência e trapaças, além de assaltar alguns treinadores. Claro que, com fichas criminais e desprezo dos outros, o homem aprendeu a amadurecer e livrou-se completamente dos crimes há anos.

Agora, Atilla era provavelmente o homem mais bondoso que alguém poderia conhecer, mesmo que sua aparência continuasse a mesma. Era irônico.



— Boa tarde. — Ele ficava na frente de Helena, com a respiração pesada como a de um lobo faminto encarando uma indefesa ovelha. A mulher não se intimidava ao vê-lo, apenas sorria e acenava para o homenzarrão. Dois seguranças que viam a cena se preparavam para agir caso o suspeito tomasse uma atitude perversa.

— Boa tarde, querido! — Helena cumprimentava o homem desconhecido, sem julgá-lo pela sua aparência. As amigas que cercavam a mulher se encolhiam, pois só a voz de Atilla estremecia a caixa torácica de quem estivesse perto.

— Nós iremos nos enfrentar na primeira fase. — Ele dizia, ainda com o sorriso maléfico no rosto calejado por cicatrizes, resultado por brigas em sua adolescência. — Eu só queria desejar-lhe boa sorte, que o melhor treinador vença. — As palavras faziam Helena sorrir e acenar com a cabeça. — Além de pedir a permissão para que eu possa pesquisar sobre você e criar uma estratégia para eu te vencer. Não quero invadir sua privacidade sem sua permissão, então caso você autorize, eu ficaria grato, pois não acho que tenho a capacidade de vencer de uma treinadora tão boa como você sem me preparar antes em estuda-la.


As amigas que acompanhavam Helena trocavam olhares, estranhando o comportamento do sujeito, estranha demais para a sua aparência. A treinadora apenas sorria simpaticamente, colocando suas mãos delicadamente no pulso de Atilla.


— Que cavalheiro! Lógico, você tem minha permissão para isso, querido. Espero que você consiga aprender o suficiente sobre mim para ter um bom desempenho, mas não posso garantir que pegarei leve com você. — Continuava com um sorriso tão simpático, que qualquer homem se apaixonaria se a conhecesse e a visse pessoalmente.


Atilla, por si só, ficava corado diante a beleza e simpatia da mulher.


— Muito obrigado, senhorita Moore. Espero que a senhorita dê tudo de si em nossa batalha. — Sua voz grossa e alta realmente não combinava com tamanha educação. — Agora se me der licença, irei treinar. Você também tem a permissão para me estudar, caso isso lhe favoreça.

— Bem, se você me concede essa honra. — Respondia ainda com aquele maldito sorriso meigo e apaixonante.


Atilla ficava sem graça ao ver que havia passado alguns segundos e ele ainda estava ali, admirando a beleza e simpatia da mulher. Ele ficava tão corado como uma maçã madura ao escutar risadinhas que vinham das amigas da treinadora, e enquanto fazia uma mesura, se afastando do local.


— Ele é bem fofo. — Escutava uma delas, antes de se afastar por completo para poder se preparar para a primeira fase.





~>x<~
[Karine Redflame]



Karine estava trancada dentro de seu quarto no hotel Índigo, e por mais que recebesse convites tentadores de seus amigos que vieram ao Planalto ver seu desempenho na Grande Liga, ela não tinha pretensão de sair hoje.

Bebia a sua décima segunda ou décima terceira xícara de café, honestamente, já havia perdido a conta. Tentava manter-se o mais desperta e focada o possível, mesmo que já se aproximasse da uma hora da manhã e tivesse que acordar cedo, apenas algumas horas mais tarde.

Estava preocupada, não escondia isso de si mesma. De todos os sessenta e quatro treinadores que protagonizariam essa Grande Liga, logo na primeira fase, iria cair contra um treinador conhecido pelo seu estilo “força bruta”, conhecido como o melhor neste módulo de batalha.


Merda! — Gritava, socando a sua mesa de vidro que não trincava pela sua qualidade e grossura, mas balançava o suficiente a ponto de derrubar alguns livros e outros objetos que descansavam em sua superfície. — Se fosse à segunda fase... Em qualquer outra situação... Mas logo na primeira fase?! Logo no um contra um?


Via que discutir consigo mesma era inútil. Deslizava os dedos de ambas as mãos pelos cabelos castanhos, envolvendo a cabeça. Hammer Skyfall além de ser conhecido como o melhor treinador no estilo força bruta — este que a deixava em uma desvantagem imensa por poder usar apenas um Pokémon —, também era conhecido pelas suas habilidades no campo, até ser líder de ginásio e um membro da Elite dos Quatro em Hoenn.

Ela se sentia em um beco sem saída. Teria que treinar como nunca treinara antes, e, com certeza, seria o maior desafio que ela iria enfrentar em toda a sua vida.



~>x<~
[Willian Henzler Degener]



O pequeno Wingull planava docemente com suas longas asas enquanto carregava algo, que se assemelhava a uma rosa de pétalas brancas.

A ave parecia deslizar contra o vento e sua serenidade no ar se assemelhava a uma pipa, sendo conduzida pelo próprio corpo, até pousar perfeitamente no ombro de um jovem loiro, que pegava a rosa e acariciava a cabeça emplumada da gaivota.


— Para ti, princesa. — O jovem dizia, com um sorriso no mínimo cafajeste no rosto, antes de entregar a rosa que seu Pokémon trazia para uma lindíssima garota. — A rosa branca significa serenidade e longevidade, em Hoenn. Dizem que devemos presenteá-las quando queremos desejar uma vida longa e prospera para alguém. — As palavras faziam os olhos azuis de a mulher brilharem em encantação. — Esse é meu presente para que você possa ter uma vida longa, ostentando essa beleza celestial, que faz até o poderosíssimo guardião dos céus, Rayquaza, chorar em tamanha honra em contemplá-la.


A jovem estava com as pernas tão moles, que um simples sinal de vento poderia derrubá-la contra o chão, por isso, ela inclinava o corpo em direção de Willian, para que caso isso acontecesse, ela caísse de encontro contra os braços do belíssimo jovem.

O loiro sentia a aproximação da garota, e como um imã em seus lábios, avançava virtuosamente o seu rosto, de modo que suas bocas pudessem se tocar. Os olhos de ambos de fechavam, apenas para sentir o calor do toque e iniciar um beijo decente, que pudessem entrelaçar suas línguas como um abraço, até Willian sentir um toque no seu ombro.

Seu rosto virava abruptamente em direção do destruidor de climas, com tanta frieza no olhar que poderia congelar facilmente o vulcão de Cinnabar, transformando o lendário Moltres em um Articuno.

O autor, ou melhor, autora do toque, era uma garota também muito bela, que correspondia o olhar gélido com uma encarada tão flamejante que derretia Willian com um fortíssimo tapa, que estalava por todo o espaço territorial do Planalto Índigo.


— Coé guria! — Seu sotaque forçado rapidamente era desmascarado, assim como a cordialidade em suas palavras. — Pra que isso, mulher?!


Willian colocava a mão sobre sua bochecha pulsante, que ao invés de uma suave pele bronzeada cor de caramelo, possuia a marca estampada vermelha da mão e os cinco dedos da mulher.


— Cretino! — Respondia em prantos. — Eu dei meu número, meus lábios, meu corpo e alma a você, e é isso que você faz?


A outra que segurava a rosa, rapidamente afastava um passo e redirecionava o olhar, tentando não participar daquela situação constrangedora que atraía a atenção das pessoas como um cubo de açúcar para formigas.

Após uma discussão que poderia ser mais considerado um monólogo por parte da traída, as duas mulheres se retiravam, deixando-o sozinho. Vendo a situação, um homem ruivo musculoso, e mesmo que no frio revigorante da madrugada, andava sem camisa, se aproximava com risos e aplausos forçados.


— Esse é meu pequeno Will. — Dizia se aproximando e dando alguns tapinhas nas costas do loiro, que ainda estava com a mão tapando a marca no rosto. — Arrasando os corações das novinhas, ein?

— Cale a boca, Sky. Perdi uma dez barra dez. — Sua expressão séria acabava em risos, contagiado pela amizade do outro treinador. — Cê tá ligado, menor, que não é diferente contigo.

— Certeza, moleque. — Sky Supernova ainda ria. — Selador de vaginas. Você ia mesmo pegar a mina com teu Wingull no ombro?

— Cale a boca, Sky. Só cale a boca.  


Willian Denzler e Sky Supernova eram treinadores especializados no estilo força bruta, além de terem a terrível fama de ser “garanhões” por abusar de sua fama para levar quem quisessem para a cama. Tal coincidência na personalidade de ambos os treinadores, fizeram com que se tornassem grandes amigos antes mesmo de se hospedarem no Planalto Índigo.

O ruivo segurava uma lata de cerveja na mão esquerda, enquanto abraçava o amigo com a direita. Willian, por ser menor de idade e poder afastar contratos e patrocínio, recusava os goles na cerveja que o amigo oferecia.


— Mas eai, já estudou sobre teu adversário amanhã? Você vai batalhar com ele amanhã mesmo, moleque.

— Nem. — Willian respondia com um sorriso amarelo. — Cê acha mesmo que eu vou perder praquele caipira de Pallet? Porra. Parece que tu não me conhece. Vou sentar o cacete naquele caipira.


Sky revirava os olhos, como se tivesse previsto a sentença proferida pelo loiro.


— Okay, burguesinho. — Forçava as palavras, como se tentasse fingir que estava ofendido pelo insulto à cidade de seu continente natal. — Só to dando esse toque porque você é meio previsível né.

— Como assim?

— Você vai usar teu Mega Swampert na batalha. O inicial do caipira foi um Bulbasaur. Posso estar errado, mas grama não é o forte de seu Swampert, né?


Willian se afastava de Sky, tirando o braço do amigo de seus ombros.


— Que foi? Ta tentando fazer eu ser eliminado? — Perguntava visivelmente irritado, com os olhos arregalados sem piscar. — É isso, menor? Tá querendo que eu seja eliminado na primeira fase pra não ter que me enfrentar?


Sky ria, não se abalando ou se sentindo intimidado.


— Fica quieto, moleque. To te ajudando, caralho. — Respondia calmamente, tentando colocar a mão amigavelmente no ombro de Willian, que apenas tirava bruscamente.

— Se afasta de mim, menor. — Seus olhos ainda não haviam piscado. Suas narinas bufavam como se estivesse pronto para atacar o amigo. A mão estampada em vermelho ainda pulsava em sua bochecha. — Eu vou usar a porra do Kohlhase sim. Vou ganhar essa porra de título de campeão foda dessa merda de região de Kanto.  Vou sentar o cacete naquele viado, depois no próximo viado que aparecer, até em você se cê tiver no meu caminho, menor. Agora sai da minha frente, porra.


Willian saía irritado, deixando Sky sem entender, mas obviamente ofendido.


~>x<~
[Kyle Green]


Eram quase duas horas da manhã. As olheiras embaixo dos olhos de Kyle estavam inchadas, seu cabelo estava bagunçado, mas seus olhos nem piscavam enquanto liam tudo sobre Willian Henzler em um Notebook.

Estava na sala de estar de seu quarto no hotel, onde Brenda, Russel e Jöhan estavam presentes, sentados nos sofás acompanhando os estudos e dando sugestões. Jason, Clarice e Jensen dormiam em outro hotel, assim como Davi. Já Alice, Kyle não havia a encontrado ainda, o que havia sido decepcionante.


— Kyle, me escute. — Brenda continuava no que parecia ser uma insistência em um argumento já usado várias vezes. — Willian vai usar o Mega Swampert dele, eu tenho certeza.

— Sei que usar apenas um Pokémon é algo muito frágil. — Jöhan complementava o que Brenda dizia, concordando com as palavras da garota. — Mas Aoki é a melhor opção. O Swampert não vai ter chances com um Venusaur.


Russel roncava alto já adormecido.


— Nah. — Aquela resposta irritava tanto Brenda como Jöhan, que se lembravam da teimosia do garoto durante a jornada. — Vocês estão pensando óbvio demais. Com certeza ele pensou nisso também e mudou para algum Pokémon de fogo.

— Mas o garoto é especialista em Pokémons de água, Kyle! — Brenda bufava as palavras, querendo que o treinador entendesse o quão sem nexo era o que ele dizia.

— Por isso mesmo. — O garoto não se abalava em nenhum momento, mantendo-se calmo e focado na estratégia que iria utilizar. — Ele vai querer surpreender. Usar um Pokémon de fogo ou de gelo para destruir um possível Pokémon de grama.

— Faz sentido, mas mesmo assim. — Jöhan alisava o queixo. — É mais se—

— Senhor Falk, por favor. — Kyle o interrompia, olhando diretamente em seus olhos com tanta determinação, que o empresário sentia um calafrio estremecer sua espinha. — Eu quero fazer uma troca contigo.


Brenda e Jöhan se entreolhavam, confusos. Kyle continuava encarando fixamente para o empresário.


— Uma troca? Tipo um favor?

— Não. — Respondia imediatamente. — Eu quero fazer uma troca de Pokémons com você.


Brenda se levantava, indignada com o amigo.


— Uma troca? Na véspera de sua batalha? Você precisa ter intimidade com os Pokémons que irá usar durante a Grande Liga, Kyle! Qualquer vacilo é a derrota certeira!

— Eu sei, Brenda. — Ele se levantava, segurando nas mãos de sua amiga. — Por favor, confie em mim. Eu tenho certa intimidade com esse Pokémon.


Jöhan suspirava, balançando a cabeça negativamente.


— Kyle... — Dizia, pensando em como negar o pedido de maneira educada.

— Por favor, Senhor Falk.


Kyle não cessava o seu olhar de determinação mesclado com misericórdia, como se dependesse de um “sim” de Jöhan para determinar o resultado da batalha. O empresário já sabia quem Kyle queria e aquilo apertava o seu coração com arames farpados.

O empresário abaixava a cabeça, suspirando.


—Não quero nada em troca. Ares é seu.













Ending


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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Illews em Dom 19 Mar 2017 - 19:26

E aí Rush! Tudo joia? issoai


Em primeiro lugar, eu queria dizer que eu estou chocada com esse último capítulo e me indagando internamente o porquê diabos o Jöhan deu sem mais e nem menos o raio do Ares pro Kyle; a minha reação sobre essa afronta trocazinha "humilde" é basicamente essa: Facepalm

O Ares basicamente era o brô do Jöhan e do nada o Kyle quer o bicho e o ser humano ACEITA DAR  O BICHO PRO CAIPIRA SEM MAIS E NEM MENOS, então aguardo ansiosa pelo próximo, pra ver que merda conflito que isso vai dar e o porquê do próprio empresário do Kyle dar o - único - Pokémon fodão que ele tem desde que começou a jornada sem nem hesitar e pedir algum Pokémon do Kyle, bicho, então, eu estou no aguardo do próximo.

Eu estou gostando bastante de suas fanfics já li a saga do Kyle inteira hoje e os últimos 4 capítulos agora mesmo, então, né, acho que eu vou comentar em todos os capítulos que você lançar, porque cara, você merece, sua escrita é impecável, os personagens que você cria são todos muito legais e com um estilo único, então qualquer fanfic ou trabalho vindo de você, eu tenho certeza que é foda.

Como essa fanfic se passa no futuro, eu estou torcendo pelos casais, por exemplo, gostaria bastante que a garota que o Luke - meu personagem favorito até agora - mencionou e disse gostar da mesma, seja a Alice, porque mano, o cara era louco por ela se ele for aquele menininho sardento que a Alice protegeu ou eu posso estar errando feíssimo ao pensar que o pirralho sardento e fofinho que apanhou pro otário do Anthony é o mesmo que tem um Mega Lucario forte pra burro, eu tô na expectativa também para que a Brenda fique com o Kyle, mas como a fanfic não é baseada em um romance, vamos deixar essas expectativas pro lado - por enquanto, hehe.

E como eu não poderia deixar de lado a parte que eu mais gostei: que FOFINHO o encontro dos ex companheiros de viajem com o "caipira" e o abraço que o Kyle deu na Brenda aaawwnnnnnn e a emoção que ele sentiu, você realmente sabe descrever muito bem as emoções dos personagens!

E mano, essa tal de Skyfall me deu um pouco nos nervos, quem ele acha que é pra falar com um cara que de derrotado passou a ter um MEGA Lucario lvl 100, zika das galáxias, tipo, mais fácil o Lucario do Luke TRITURAR o Salamence do bombadão com uma Aura Sphere só, eu apostaria que o bicho caía duro pra trás.

Enfim, acho que meu comentário foi só isso, não consegui encontrar erros de gramática neste capítulo, acho que os outros usuários vão achar, então, acho que não tem problema...

Até o próximo capítulo, eu estou no aguardo!



See u later!  tchau



desculpa pelo comentário gigantesco e se eu fui chata demais duiahdskajljsbduawdaijs
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por -Ice em Seg 20 Mar 2017 - 20:24

Rush! o/ Fiquei feliz em ver outro capítulo sendo postado tão rápido, mesmo que eu não tenha comentado assim que li (ultimamente tenho passado mais tempo na netflix do que no fórum -q), mas aqui estou eu! A propósito, também fiquei meio triste ao ver que ficará afastado do fórum por um tempo, mas esse é um erro bem bizarro de se acontecer, não? Laughing creio eu que apenas uma limpeza resolveria o problema, mas não está na hora de comprar um teclado novo, senhor Rush? kkk

Enfim, esse foi, de longe, o capítulo mais excitante até agora, teve uma certa epicidade que eu não soube explicar, talvez pela abertura dos portões do planalto índigo, talvez por esses reencontros maravilhosos (já já falo disso), sei lá, só sei que foi bem épico.

Eu estava lendo o guia da fanfic para me situar melhor, e acabei vendo que tem um treinador com um Elgyem (ou Beehyem, sempre confundo os dois) que ajudou o professor Oak morrer com um sorriso no rosto, alterando suas memórias. Foi impressão minha ou essa é uma referência genial ao jogo To the Moon? Se foi, me abraça, pois chorei pakas jogando esse jogo.

Já sobre o capítulo, o que mais curti mesmo foi o reencontro entre Kyle e seus ex-companheiros de jornada. Foi emocionante ler como cada um foi, aos poucos, se desprendendo do protagonista até que não eram mais um grupo. Mas, ao mesmo tempo, fiquei muito feliz ao ver que esses personagens sensacionais conseguiram realizar seus sonhos, principalmente por Davi, que se tornou um dos meus favoritos em pouco tempo e ainda forma a melhor dupla com Russel =P

Sobre as chaves, tive algumas surpresas. Geralmente, são os protagonistas enfrentando personagens random para que, conforme as fases forem passando, a competição se torne batalhas entre os personagens principais. Colocar Karine contra Hammer, para mim, foi a coisa mais inesperada, já que eu não quero ver a garota sendo desclassificada logo no começo, mas também quero que Hammer passe para perder para Luke. Realmente estou em cima do muro quanto a essa batalha.

Outra que me deixou com uma pulga atrás da orelha foi Ezekiel contra Zeus. Tipo, é meio óbvio que o protagonismo deixa a balança da batalha mais pesada para o lado de Zek, mas, sei lá, Zeus não perdeu uma batalha até agora. Acho que vou me surpreender bastante com essa batalha.

Agora o Kyle eu já tenho certeza que vai ganhar mas, mesmo assim, pegar o Poliwrath do Jöhan apenas por causa de sua intuição foi tão... Kyle Laughing

É isso Rush, espero que volte ao fórum logo e que poste mais um capítulo logo, porque, senhor, quero ver essas batalhas!
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Rush em Qui 23 Mar 2017 - 14:54

@Illews: Yo, fico feliz em vê-la por aqui! E estou desacreditado que você tenha lido a jornada de Kyle inteira. Surprised

Sim, realmente foi muito estranho Jöhan dar seu inicial sem mais nem menos, mas acredite, isso vai ter uma explicação dizendo o porquê e detalhando toda uma background por trás disso, que deveria ter sido explorada na jornada interminável de Kyle, na outra fic.

Fico muito feliz que estejas gostando da Fan Fiction, isso me dá mais animo de me esforçar mais para deixá-la mais agradável de se ler e mais empolgante também. Luke é um dos meus personagens preferidos também, e esse capítulo vai mostrar um pouco do motivo de eu gostar bastante dele. E SIM, ele era o garoto sardento que perdeu humilhadamente para Auto e foi humilhado por Anthony. Desde aquela época ele tinha uma paixonite pela Alice, e bem... VOCÊ VAI VER. Mas infelizmente, não nesse capítulo. :/ Hahahah

Muito obrigado pelos elogios, fico muito grato em ver que tenha gostado da história. Espero que continue lendo, mais uma vez obrigado e até mais!



@-Ice: Heyllo -Ice. Sei que disse duas semanas, mas eu tava tão puto na hora que acabei exagerando um pouco na minha raiva extremista. No final eu taquei o teclado no chão, "sem querer", e ele voltou a funcionar ainda mais potente e preciso. Olha que legal: BNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBNBN Nenhum "5" e nem "6", hurray!

SIM! Eu fiz uma referência ao To The Moon, mas não esperava que alguém fosse pegar essa. Eu QUASE coloquei o nome do ET que eu também esqueço o nome de River, mas acho que não iria combinar muito além de ficar bastante manjado. Mas eu também chorei horrores nesse jogo, séloko.

Sobre as chaves... Não quero spoilar nada, mas eu não pretendo levar o "protagonismo" muito em consideração... E se você reparar BEM nas chaves, você vai notar que a merda vai bater no ventilador em algumas merdas. VAI DAR MUITA MERDA. Não entrarei em detalhes pois são Spoilers que iriam estragar algumas coisas que estão para surgir, mas o que valerá nas batalhas serão a habilidade e estratégias In-Character.

Muito obrigado pelo comentário e pelos elogios, fico muito feliz em ver que você ESTÁ VIVO (Ainda não acredito que você voltou ç.ç) e esteja curtindo a fic! Obrigado mais uma vez e até mais, Ice!





~>x<~




Eu estou postando esse capítulo quatro dias após o último lançado, o que sempre foi contra os meus princípios de demorar até 1 ano pra postar o capítulo seguinte. Hehe Mas eu admito que eu estou BEM ansioso em postar esse cap, porque bem... Finalmente as batalhas vão começar. Está faltando um pouco de ação, não é mesmo? Após essa postagem, prometo demorar mais pra postar os capítulos, é que a ansiedade falou mais alto desta vez.

Antes de tudo, já digo que eu copiei na cara dura uma das formatações do @-Ice em sua fic  Project Re-Type!, no caso a formatação dos vídeos que servem de trilha sonora, já que os players dão
É isso, espero que tenham uma ótima leitura! muito trabalho.

E ah, se puderem, escutem todas as músicas. Até a de endi
ng.






[Luke Veil Sharpp]








O som dos trompetes era simplesmente magnifico, ainda mais ao mesclar-se aos sons dos fogos de artifícios que brilhavam intensamente sobre o céu azul, escasso de nuvens. As poucas que subsistiam diante ao majestoso e imponente sol das duas horas da tarde, eram o alívio das pessoas sentadas em bancos com nenhuma cobertura nas arquibancadas.

Os raios solares abraçavam o estádio Intempérie como uma mãe carinhosa carregando seu filho, embora tal condição fosse indesejada para todos que suavam, lutando contra o calor escaldante que beirava aos trinta e dois graus célsius.

A maioria, já precavida diante o tempo bipolar de Kanto, garantiam o seu bem estar, trazendo guarda-sóis e leques para se refrescarem. Os demais tinham que gastar de seu próprio bolso para comprar os mesmos itens de mercadores ambulantes que bradavam sobre a qualidade de seus produtos na larga escadaria que separavam as arquibancadas. Além dos tais mencionados, vendiam guloseimas como pipoca, algodão doce e picolés, bebidas e variando das mais curiosas criatividades, de balões, brinquedos de pelúcia e até Pokébolas.

Luke ria ao ver um ousado vendedor que exibia orgulhosamente a miniatura de pelúcia dos participantes desta temporada, não hesitando ao comprar um mini Luke de pelúcia acompanhado de seu Mega Lucario.

Assim como todas as outras estrelas da Grande Liga, Luke sentava-se na primeira fileira, tendo a melhor visão do campo de batalha que poderia desejar. Podia sentir o cheiro da grama verde da arena, sentir a suave brisa balança-la antes de beijar o seu rosto. Além de tudo, ainda deliciava-se com a sombra causada por uma cobertura que se alongava até a quadragésima e quinta fileira, estas reservadas para os treinadores, acompanhantes e pessoas que pagavam a mais o ingresso para adquirir uma pulseira VIP.

Mesmo com um clima eufórico de alegria e festividade, saciando uma garrafa de cerveja com os amigos, uma pontada de decepção de ainda não ter visto Alice perturbava seus pensamentos. O lugar reservado ao seu lado direito permanecia vazio.


— Hoi! Ali está Zek! — Escutava Kyle gritar enquanto apontava o dedo, cujo lugar reservado estava exatamente ao lado esquerdo do amigo.  


Ao lado direito de Green, estava Jöhan, seu empresário, e Brenda. O direito de apenas dois acompanhantes por treinador — geralmente para os pais, devido a ética familiar nunca respeitada pelos treinadores por desentendimentos ou não consentimento da família —, acabou por fazer Jason, Clarice, Davi, Russel e outros amigos do treinador sentarem em fileiras mais acima.

Luke acabara por ceder seus dois lugares para seu pai e Alice, e embora a garota não tivesse dado notícia desde que se hospedara ao grande hotel Índigo, seu pai acabava de voltar após uma longa ida ao toalete.


— Desculpe a demora, campeão. — Seu pai sorria orgulhosamente para seu filho, sentando-se no lugar da ausente Alice. — O banheiro estava lotado. Enquanto eu mijava em um dos mictórios, escutei vários caras falando bem sobre você.

— Pai! Não precisa compartilhar suas aventuras no banheiro. — Luke ria, enquanto seu pai caía na gargalhada, colocando a mão sobre seu ombro. — Espero que tenha pelo menos lavado sua mão. — Mais risadas.


Sharpp era um dos raríssimos treinadores que ainda possuía contato com seus pais, ou pelo menos demonstração de afeto pelos mesmos. Seu amigo Kyle, por exemplo, estava um bom tempo sem conversar com os mesmos, devido um acidente pelo qual nunca ousava comentar em uma conversa com o amigo.

Assustava ao escutar mais fogos de artifícios, das mais belas cores e dos mais grandiosos tamanhos estourando no céu. Por um momento, todo medo se transformara numa empolgante ansiedade.

A imagem de Ezekiel entrando no campo lhe causava calafrios. Ele parecia ser não maior que uma taça de vinho, devido à distância. Perguntava-se em como diabos o garoto aguentava o calor usando seus trajes tradicionais.

Zeus ainda não havia pisado em campo. Não sabia se era uma pausa dramática, ou se o garoto ainda se preparava registrando o Pokémon que utilizaria. Nesse meio tempo, percebia que metade dos treinadores estava no estádio Vulcano, onde ocorreria simultaneamente a batalha de Victória contra Guillermo. Por um momento, Luke gostaria de poder estar em dois lugares ao mesmo tempo para contemplar ambas as batalhas.







As Crônicas de um Gyarados Voador!

- A L L   ★   S T A R S ! -


Volume I - Imensurável

Opening


Capítulo V – Que as batalhas comecem!



VS. 




~>x<~
[Zeus Zepelin]



O estádio Intempérie era muito menor que o estádio Vitória, no entanto, Intempérie era gigante. Isso fazia Zeus se questionar o quão grandioso Vitória seria.

Trajava seu jaleco vermelho que, de tão longo, chegava a arrastar-se ao chão liso e limpo do corredor que conectaria ao campo de batalha. As poucas luzes circulares no teto, em pares, não eram o suficiente para iluminá-lo por completo, mantendo-se misterioso e escuro. Os pisos refletiam as mesmas, causando o mínimo de iluminação necessária.

A luz no fim do túnel, no entanto, era ofuscante. Impossível de ser olhada diretamente, obrigando-o a fechar os olhos. Sentia um forte vendaval bagunçar lhe os cabelos, seguido de gritos de uma multidão eufórica e fogos de artificio. Permitiu-se então abrir os olhos, que eram invadidos pela cor verde da grama e azul do céu.


— Ezekiel! Ezekiel! Ezekiel! — Gritavam em uníssono, incluindo os treinadores rivais nas primeiras fileiras da arquibancada. Aquilo chateava profundamente Zeus.

— “Não. É Zeus, não Ezekiel!” — Queria gritar, mas sua voz apenas se perderia nas milhares de torcidas a favor de seu oponente. Estava CANSADO de ser invisível.


Zeus não sentia nem um pouco de nervosismo. Pelo contrário, estava crente que venceria a batalha. No entanto, ao ver a imensidão do campo de batalha, o pequeno Ezekiel de longe no extremo oposto do campo, ele teve a primeira impressão a muito tempo de ter se sentido insignificante.

Teve um flashback do início de sua jornada, de como ninguém, absolutamente ninguém, torceu por ele, botou fé em sua capacidade. Mesmo sendo imbatível em campo, nem ao menos a sua família mandou uma carta de parabenização, demonstrando um orgulho que ele sabia que não cederiam.

Desde que Shocker era apenas uma Mareep que capturara em um pasto na rota trinta e dois em Johto, Zeus prometera ao Pokémon que o transformaria em um campeão.


— A primeira fase da série A irá dar-se início agora! — Escutava um juiz, que não era Lance, bradar em um tom que sentia pena de suas cordas vocais. Colocava a mão na garganta, imaginando se ele recebia bem o bastante para valer a pena a dor. — A batalha entre Ezekiel Lyn Vega — erguia uma bandeira verde, direcionada ao seu oponente. — E Zeus Zepelin! — Erguia uma vermelha em sua direção.


O som da plateia não parecia ser tão intenso como imaginou ser. Todos gritavam o mais alto o possível, mas a distância das arquibancadas ao campo fora precisamente projetado para evitar um desentendimento do Pokémon às ordens de seu treinador.

O que mais perturbava Zeus era não poder ver as feições de Ezekiel devido a distância entre eles. Não sabia se seu oponente estava nervoso ou inseguro, o que acabava sendo o sentimento consequente nele mesmo.


— A batalha será do estilo mata-mata. Apenas um Pokémon poderá ser usado, sem substituições. O único Pokémon capaz de manter-se batalhando, trará a vitória ao seu treinador e garantindo sua colocação na segunda fase, onde será no estádio Victória.


Zeus nunca dera atenção aos discursos previsíveis do roteiro de um juiz, mas neste caso, escutava as palavras como uma ameaça. Cada palavra proferida parecia ser eterna. Mesmo que o falatório durasse questão de segundos, em sua cabeça, duravam torturantes horas.


— Quando os treinadores estiverem prontos, podem se cumprimentar e começar. — O juiz finalmente abaixava as bandeiras para saciar sua sede em uma garrafinha de água, que também aliviava sua garganta após gritar tão alto.


Como a ética na Grande Liga exigia ambos os treinadores caminhariam até o centro do campo para se cumprimentar, apertando as mãos e trocando breves palavras. Após isso, o juiz iria jogar uma moeda, onde cada um dos treinados iria escolher cara ou coroa. O perdedor iria lançar o primeiro Pokémon, mas como a primeira fase era um contra um, com Pokémons já selecionados antes mesmo de pisar no campo, esse joguinho não seria levado em consideração.

Cada passo que avançava, sentia o sol castiga-lo com seus raios enfurecidos. Sentia gotas de suor escorrer pelo rosto à medida que a silhueta de Ezekiel aumentava, vindo em sua direção.

Quando chegavam ao centro do campo, os dois davam as mãos para se cumprimentar. Foi neste momento, que Zeus pode reparar no nervosismo nos olhos trêmulos de seu oponente.


— Boa sorte, que o melhor treinador vença. — Ezekiel dizia num tom baixo. Não soube identificar se era nervosismo ou se era um costume ruim do rapaz em não dar muita atenção sobre os fatos ao seu redor.

— Não precisarei de sorte. — Pestanejou num tom ríspido e orgulhoso, tentando esconder qualquer sinal de insegurança. Precisava parecer forte.


Ezekiel fechava a boca diante tal resposta, insatisfeito pela falta de cordialidade. Zeus por um momento quis chama-lo de volta e dizer palavras bondosas, como “Desculpe, não quis ser grosso contigo” ou apenas “Quis dizer que não iremos precisar de sorte”, mas agora já era tarde demais e caminhava ao seu extremo oposto do campo.

Os dois finalmente ficavam em suas respectivas posições. Todos por um breve momento, se calaram, esperando a ordem do juiz. Apenas o som do vento balançando as folhas da grama permaneceu.

Escutava a respiração irregular. Sentia um pingo de suor escorrendo. As batidas cardíacas pareciam com um bumbo de uma bateria sendo usado por um baterista.


— Podem começar!




~>x<~
[Ezekiel Lyn Vega]


— Podem começar! — O juiz bradava, abaixando ambas as bandeiras verde e vermelha respectivamente, num movimento brusco.

— Atlas, vamos nessa! — Retirava sua Pokébola presa ao seu cinto, apertando em seu botão central e ampliando o seu tamanho. Em seguida, como um jogador de baseball, inclinava o seu corpo com o punho para trás, levantando a perna para manter o equilíbrio, e num movimento que girava o seu corpo horizontalmente, lançava a Pokébola o mais forte que podia, mirando no centro do campo.






Ainda no ar, a Pokébola de abria, soltando um raio esbranquiçado que materializava a forma de um gigantesco Pokémon quadrupede, possuindo algo que parecia uma árvore em suas costas. O colossal Torterra rugia fortemente ao ser completamente revelado pelo raio, em um tom altíssimo a ponto de estremecer a caixa torácica de todos no estádio Intempérie.

Sentia a Pokébola voltando velozmente em sua direção. Com um reflexo rápido somado com sua memória motora, conseguia segurar a Pokébola firmemente antes de sentir uma forte pressão nas juntas do braço, sentindo-a voltar com a mesma força que fora lançada.

O vento balançava seus trajes enquanto a imagem do Torterra parecia mais distante do que gostaria que estivesse. Seria aquilo o peso de importância em uma batalha na Grande Liga? Será aquilo uma batalha no auge de seu profissionalismo?

Ezekiel não tinha tempo para pensar em uma resposta. Apenas observava o Pokémon do oponente sendo materializado na frente de Atlas, revelando ser um Mega Ampharos.


—Atlas! Escute-me bem, esse adversário está no nosso nível por estar aqui conosco, então temos que dar tudo de nós nesta batalha! — Gritava alertando seu Pokémon.


O Torterra virava levemente seu rosto, orgulhoso em ver seu treinador sedentário tão focado como vira em raras situações. Seus olhos vermelhos brilhavam, com sede de uma batalha empolgante e desafiadora.

Quando o Torterra se virava, encarando o Mega Ampharos, Ezekiel apontava o dedo indicador para frente.


— Não vamos ser pacientes como de costume, use Earthquake!

— Apressado, huh!? — Zeus dizia em um tom alto, para que Ezekiel escutasse. — Use Reflect e Thunderbolt no chão, Shocker, força total!


O Torterra assentiu com a cabeça, sorrindo eufórico com uma terrível sede em destruir seu oponente que acabava por contagiar seu treinador. A multidão berrava e assobiava, parecendo explodir a qualquer momento no calor da batalha que se iniciava.

Atlas pressionava suas patas dianteiras para levantá-las, ficando de pé. Com uma velocidade surpreendente para seu peso, ele chocava suas patas contra o campo de grama, causando um fortíssimo tremor. Estalactites de rochas cresciam velozmente em direção do Ampharos.

Obediente e decidido, o dragão elétrico botava em prática as ordens de seu treinador. Uma belíssima tela quase que transparente surgia de forma circular ao redor de seu corpo, se assemelhando muito a uma bolha. Uma fortíssima eletricidade saía de seu corpo, criando uma aura amarelada que transformava o Ampharos em uma silhueta preta e estremecida. A quantidade concentrada de eletricidade atingia o chão, fazendo com que a pressão do ataque o tirasse do solo e o fizesse dar um magnifico salto que o desviava das estalactites rochoras.



— Thunder, força total! — Zeus ordenava com saltos e gestos, se assemelhando a um primata que descobrira fogo.


Embora soubesse que a maioria dos espectadores sussurrariam palavras questionando a escolha do movimento em questão do elemento “terra” de seu Torterra, Ezekiel havia estudado o suficiente sobre Zeus a ponto de saber que, por algum motivo, os golpes elétricos de seu Ampharos conseguiam ter êxito contra oponentes de tal elemento, que deveriam naturalmente resistir.


— Atlas, Protect e Vine Whip, formação Hammer Slam! — Contra atacava rapidamente.


O Torterra concordava com a cabeça, rugindo e criando um escudo semelhante ao Reflect que envolvia Shocker, só que de uma coloração mais forte amarelada, mesmo que ainda um pouco transparente. A quantidade de eletricidade do Thunder era facilmente bloqueado pelo escudo, sendo refletido para os lados e chamuscando as gramas do campo a um ponto que elas fossem totalmente tostadas. Um “v” escuro envolvia o local onde Atlas permanecia de pé.

Quatro chicotes esverdeados saíam da copa da árvore em suas costas, sendo lançadas tão velozmente que rapidamente atingiam o Ampharos e envolviam-se em seu escudo-bolha que havia criado. Em seguida, com toda a sua força, tirava as patas dianteiras para puxar os chicotes, lançando o Pokémon contra o chão o mais forte que poderia.

O impacto fazia um baque estrondoso de vidro sendo estilhaçado quando o “Reflect” se partia em milhões de pedaços ao investir-se contra o chão. O Ampharos recebia um grande dano deste impacto, mas sua proteção havia aliviado bastante o que poderia ter encerrado a batalha.


— Thunder, Thunder, Thunder! — Zeus gritava rapidamente, onde Shocker aproveitava a oportunidade em que Atlas se recompunha do golpe.


A eletricidade era tão espessa que qualquer um da primeira fileira poderia sentir a estática invadindo o campo. Um raio grosso  e intenso do trovão consumia todas as folhas verdes por onde passava, transformando-as apenas em terra queimada. A velocidade do movimento era tão grande que atingia Atlas antes mesmo que Ezekiel gritasse um comando de defesa.


— Tor!!! — O Torterra urrava de dor, se surpreendendo em como era a dor de um ataque elétrico, já que era a primeira vez que um surtia efeito nele. Seu corpo era rapidamente banhado em eletricidade, num brilho tão ofuscante que apenas uma silhueta fraca revelava a localização da tartaruga.

— Força total, força total, força total! — Zeus continuava saltando e apontando para frente, como uma criança excitada ao ver que estava vencendo em um jogo.



Shocker concordava com a cabeça e berrava, se esforçando a usar todo seu potencial logo no início para criar uma quantidade devasta de eletricidade, tão ofuscante, que iluminava o campo inteiro em um clarão.

A silhueta do Torterra já não podia mais ser vista.


— Atlas!! — Ezekiel arregalava os olhos, vendo que o rumo da batalha havia ido longe demais, a um ponto que poderia ter perdido o controle da situação.


Após alguns segundos persistindo no poderosíssimo golpe, o Ampharos cessava exausto e ofegante. O Torterra permanecia de pé, mas com os olhos fechados, com o corpo todo chamuscado e saindo fumaça. As folhas em sua árvore haviam sido destruídas, e apenas um tronco com galhos secos eram a consequência do fortíssimo golpe.

A plateia se calava, vendo que a batalha havia acabado. O juiz avançava um passo, para decretar o vencedor do primeiro turno.

Zeus ria estrondosamente. Gargalhava pela sua vitória, garantindo-se na segunda fase.


— Synthesis! — Aquelas palavras calavam as risadas de Zeus instantaneamente, que apenas se agachava e encarava em desdém o seu oponente.


O Torterra chacoalhava a cabeça, com um sorriso maléfico em seu rosto. Parecia ter gostado de receber um golpe digno logo na primeira batalha. Aquilo o satisfazia, fazia-o querer dar o melhor de si. Ele chacoalhava o corpo, tirando as cinzas que foram deixadas quando recebera o golpe. Seu corpo brilhava em um tom cintilante de verde, enquanto uma aura esfumaçada que se assemelhava a raios de luz em contraste com fumaça subia lentamente pelo seu corpo.

Nos galhos de sua árvore, folhas rapidamente voltavam a crescer, como se estivesse em um vídeo acelerado sobre o processo de crescimento de uma árvore. Além de restauradas, elas pareciam mais verdes e maiores.

O Torterra parecia revigorado. Seus olhos vermelhos agora encaravam maleficamente o seu oponente exausto e ofegante, que estava boquiaberto.



— Shocker, Reflect e Thunderbolt no chão! — Repetia os comandos, desesperado.

— Atlas, hora de sua resposta. — Ezekiel possuía o mesmo sorriso maléfico de seu Torterra no rosto. — Vine Whip e puxe-o para você!


O Ampharos criava uma bolha cintilante de energia ao redor de seu corpo novamente, mas antes que pudesse lançar o Thunderbolt no chão, ele sentia o seu corpo sendo puxado por quatro vinhas numa força que tirava os seus pés do solo. Quando podia ver, estava muito próximo do Torterra, em uma zona de extremo desconforto e perigo.

O som de fogos de artifícios distantes estourava, sinalizando que a batalha de Victória e Guillermo já havia terminado. Ezekiel lutou para não perder o foco em sua batalha, mas a preocupação em Victória ter perdido assombrou sua mente.



~>x<~
[Zeus Zepelin]



Zeus estava calado, estupefato. Como, mas como em qualquer hipótese, aquele Torterra resistira ao Thunder mais forte de Shocker? Ele havia sido derrotado. Zeus havia visto. O juiz também, aquela batalha já deveria ter sido encerrada. Agora, observava o Torterra pisando no escudo circular que envolvia o Ampharos, que se partia e era totalmente estilhaçado. Shocker olhava para seu treinador desesperado, esperando algum comando milagroso que o salvasse de uma situação que nunca se encontrara.
No fundo, Zeus sabia que havia perdido.


— U-use D-Dragon Pulse! — Dizia num tom hesitante e fraco. Seus braços perderam a força, balançando enquanto mantinham-se presos aos seus ombros.


O Ampharos não escutava e recebia uma forte pisada do Torterra nas costas, fazendo-o urrar de dor e desespero, mas ainda estava consciente.


— T-Thunder... F-F-Força t-total… — Nada. O Ampharos não escutava. Apenas berrava enquanto o Torterra mordia a pelugem embranquecida e o jogava contra o chão de forma brutal.


Zeus não acreditava no que via. Não tinha como. O Torterra ainda estava totalmente saudável e com nenhum sinal de fadiga ou exaustão. O sonho de ser o campeão fugia de suas mãos.

O rapaz de cabelos verdes cerrava os punhos, respirando fundo e berrando o mais alto que poderia.


—Shocker! Use THUNDER! — Sua voz conseguia superar a do juiz que ditava as regras alguns minutos atrás, surpreendendo até ele mesmo.


Enquanto o Torterra dava outra pisada contra o seu corpo frágil, o Ampharos liberava uma fortíssima quantidade de eletricidade, mas tão intensa e espessa, que cobria os corpos de ambos os Pokémons.

O Ampharos urrava, destemido no olhar, e aumentava ainda mais a intensidade no mesmo nível do volume do comando que havia escutado vindo de seu treinador. A força era tanta que o Torterra levantava a parte superior do corpo, ficando sobre duas patas e lutando para se equilibrar e não cair de costas.

Ezekiel ficava boquiaberto, admirando a força daquele Ampharos. Seu Torterra finalmente caía de costas, sentindo a dor de seu peso ao atingir o chão. O tremor balançava todo o campo.


— Não pare! Continue usando Thunder! — A esperança voltou a brilhar no olhar de Zeus.


O Ampharos continuava usando toda sua força para liberar aquela exuberante quantidade de eletricidade, que ainda envolvia o seu corpo como o de Atlas. As esferas na pelugem branca em suas costas brilhavam intensamente, a um ponto que pareciam que estourariam a qualquer momento.

Em uma questão de um segundo, ele fraquejava, vacilando e diminuindo gradativamente a intensidade do golpe, a um ponto que parecia um simples e fraco Thundershock. Suas pernas estavam bambas, e a luta para manter-se de pé era seu novo desafio. O golpe havia sido tão poderoso que havia causado dano em seu próprio corpo.


— Synthsis! — A voz de Ezekiel causou-lhe repulsa. Olhava incrédulo a cena em que uma aura verde cobria o Torterra, enquanto este tentava se levantar, com êxito.


A cena era lenta em seus olhos, tudo ficava mudo. Um silêncio que apenas era quebrado pelas batidas de seu coração. Arregalava seus olhos a um ponto que sentia dor envolta dos mesmos, desacreditando na cena em que o Torterra ficava inerte à frente de Shocker, como se acabasse pisado no campo de batalha.


— I-Impossível. — Murmurava as palavras de forma trêmula, como as pernas no momento.


Ezekiel proferiu um comando que não pode escutar diante aquela situação. Seu Ampharos estava tão paralisado quanto, e independente se gritasse algum comando, ele duvidava que o Pokémon teria sucesso em obedecê-lo, diante tanta exaustão.

O campo que antes era verde e belo, agora parecia um campo durante uma seca, após anos sem chuva. Folhas chamuscadas exalavam o cheiro de queimado que predominava em suas narinas, além da negridão das folhas tostadas pela eletricidade. No entanto, o Torterra continuava tão revigorado como se não tivesse recebido nenhum golpe.

Agora Atlas rugia, e embora Zeus estivesse surdo por desacreditar no que estava contemplando, ele sentia seu corpo tremer pelo alto volume criado pelas cordas vocais da tartaruga-ilha. O corpo de Atlas brilhava numa intensa aura verde, fazendo sua silhueta estremecida como se fosse usar um “Thunder” esverdeado, mas ao invés de liberar o movimento como uma carga de eletricidade, ele investia fortemente contra Shocker, o lançando como um torpedo a vários metros do chão, caindo próximo ao seu treinador.



~>x<~
[Luke Veil Sharpp]



— Wood Hammer!


Luke estava sentado, enquanto Kyle e seu pai estavam de pé, gritando euforicamente e torcendo pela vitória que contemplavam. Não só eles, como a maioria dos espectadores estavam de pé naquele momento, fazendo com que ele fosse um dos únicos que ainda estavam sentados.

Não se levantava não por arrogância ou não estar impressionado, pelo contrário. Aquela batalha havia o surpreendido muito. Os pelos de seu braço ainda estavam arrepiados pela estática presente nos poderosíssimos golpes de Shocker. O cheiro de queimado era no mínimo, insuportável, como se estivesse no meio de um incêndio florestal.

O campo, logo na primeira batalha, havia sido destruído. Aquele campo verde que transmitia felicidade e esperança, agora mostravam as cinzas da derrota de Zeus. Sua primeira derrota.

O Torterra de Ezekiel, no entanto, demonstrava apenas a fadiga do ultimo movimento usado como golpe final. Tirando isso, ele parecia estar tão revigorado como quando pisou em campo, mesmo tendo sido quase derrotado duas vezes.

Aquele movimento, Synthesis, era brutal.


— Ampharos está fora de combate! — O juiz selava a batalha, mesmo que sua potente voz fosse ofuscada pelas milhares de vozes e assobios que comemoravam a vitória de Ezekiel. — Ezekiel e seu Torterra são os vencedores, garantindo seus lugares na chave da segunda fase, no estádio Victória!


Luke não podia tirar os olhos de Zeus, que caía de joelhos diante a humilhante derrota que dava fim ao seu título de “imbatível”. Ele rastejava, de maneira quase que dramática, até seu Ampharos, acariciando sua pele amarela e caindo em prantos ao ver o Pokémon naquele estado, mesmo tendo dado tudo de si. Aquilo era triste a ponto de fazer os olhos de Luke brilhar com lágrimas, mas não se permitiria chorar a onde estava, não quando seu mais novo amigo vencia a batalha.

A animação de Kyle era gigantesca. Luke sabia que os dois eram amigos de longa data. O treinador de Pallet abraçava Brenda que estava ao seu lado e jurou por um segundo que ele ia pular da arquibancada e correr ao campo de batalha para abraçar Ezekiel, mas felizmente isso não aconteceu. Não sabia se isso traria consequências, mas de qualquer forma, ficou feliz em ver o treinador onde estava.

Fogos de artifício eram lançados, comemorando a vitória de Ezekiel na primeira fase. As cores belas eram refletidas nos olhos úmidos de Luke. Ele não parava de pensar em como Zeus estaria se sentindo. Aqueles fogos deveriam ser tão devastadores para ele, quanto gratificantes para Ezekiel.



~>x<~
[Zeus Zepelin]



Fazia aproximadamente quarenta minutos que sua derrota havia sido selada com fogos de artifícios e comemorações das mesmas pessoas que nunca haviam torcido por ele.

Cada batalha iria ter uma pausa de uma hora até os outros participantes entrarem em campo e um deles sentir a mesma coisa que sentia no momento. O sonho havia acabado, tirado de suas mãos por um movimento que deveria ser banido. Um movimento sujo e no mínimo imoral. Synthesis.

A confederação da Grande Liga bancava o caríssimo hotel Índigo, cuja diária poderia ser estipulada por cinco mil Zenys, desde que o treinador estivesse participando durante a Grande Liga. Como havia perdido, logo na primeira fase, o seu contrato com a confederação havia cessado.

Rapidamente, apressado por dois seguranças do hotel, ele fazia suas malas para sair de lá, voltar para Johto e afundar sua cara em um travesseiro. Não no travesseiro da cama de seu quarto. Nunca iria voltar para sua casa e ter que contemplar o sorriso irônico de seus familiares.

Com duas maletas pesadas em cada mão, contendo pertences e roupas, ele saía do hotel cabisbaixo, até ver um dos participantes correndo até ele. Zeus bufava ao ver que esse treinador queria conversar com sua pessoa.


— Zeus? Desculpe o incomodo, mas você teria um tempinho? — Esse alguém era Luke, o famoso “queridinho de Kanto”. Era uma das últimas pessoas que gostaria de ver, ainda mais sabendo que provavelmente ele iria chegar às finais de algo que não estava mais ao seu alcance.

— Não tenho mais tempinho. — Cuspia as palavras de forma rancorosa. — Eu perdi, não tenho mais lugar aqui no Planalto Índigo.


Luke ficava sem graça. Zeus percebia o quão grosso era e olhava para o rapaz.


— Desculpe. Tenho um tempinho sim. — Abria um sorriso triste, como se ele se arrependesse em ter descontado toda sua tristeza no garoto.


Luke não dizia nada, apenas avançava seu corpo contra o corpo de Zeus, dando um fortíssimo abraço no treinador de cabelos verdes, que ficava sem reação ainda segurando as malas.

Sharpp persistia o forte abraço, fazendo com que Zeus largasse as malas no chão e retribuísse, aos prantos, enquanto pressionava a cabeça no ombro do rapaz que era maior que ele. Seu choro era abafado pelo corpo de Luke, seus soluços faziam ambos os corpos terem espasmos.

Os dois seguranças olhavam a cena com uma vontade imensa de rir de quão ridículo Zeus era, mas Luke os encarava sem dizer nada, fazendo-os apenas se afastar e darem espaço para o treinador.


— Escute... Independente de você ter perdido e não poder mais participar da liga este ano... — Escolhia as palavras com cuidado, num tom carinhoso e compreensível. —Você não pode deixar isso te desanimar ou causar-lhe depressão. Você chegou aqui cara, você é foda. Só de estar aqui entre os melhores, você faz parte dos melhores. Você é jovem e tem uma vida inteira de sucesso pela frente. Não deixe esta derrota o derrubar, use essa derrota para se tornar ainda mais forte.


Zeus continuava com a cabeça pressionada no ombro de Luke, mas parava soluçar com seu choro, prestando atenção nas palavras proferidas pelo rapaz.


—Olhe pra mim. — Dito isso, ele suavemente afastava seus corpos, segurando nos braços de Zeus e fitando em seus olhos inchados e cheios de lágrimas. — Você é foda, não se esqueça disso. Eu notei você. Eu vi o quão bom você é. Falta um pouco de humildade, claro, mas você continua sendo um treinador incrível e invejado. — Um sorriso triste era formado em ambos os rostos. — Inclusive, se você não fosse tão incrível, não existiria isso.


Luke puxava uma miniatura de pelúcia de Zeus ao lado de seu Ampharos, comprado pelo mesmo vendedor ambulante onde havia obtido a sua. Ele oferecia a Zeus que segurava a pelúcia com timidez, fungando e limpando as lágrimas com a manga, embora a atitude fizesse mais lágrimas escorrerem.


— Obrigado, Luke-San. Você foi a primeira pessoa que foi legal comigo... Por um bom tempo, na verdade. — Ele esboçava mais um sorriso triste, limpando novamente as lágrimas e se recuperando dos soluços.


Logo, um taxi estacionava na calçada a frente do hotel Índigo. Zeus, com a sua pelúcia em mãos, novamente dava um abraço em Luke, agradecido pelas palavras, pegava suas malas e entrava no veículo.

Sentado no banco de couro, ele contemplava a imagem do treinador se distanciando, mudando o foco de sua visão para o estádio Victória onde nunca teve a oportunidade de pisar em seu campo.

Na entrada do estádio Victória, um slogan eletrônico mostrava a imagem de Ezekiel e dele, onde ao lado deu seu oponente estava esbanjando um “v” verde e ao lado da sua, um triste “d” vermelho. Ao lado, mostrava que Guillermo havia perdido para Victória, e pensava se o treinador – que perdera bem mais rápido, de acordo com os fogos durante sua batalha -, estava tão mal como ele.

Zeus respirava fundo, tentando manter a compostura dentro do taxi, e sorria ao ver a pelúcia que sua miniatura, com um sorriso confiante e cabelos verdes bagunçados.



Ending





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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por -Ice em Qui 23 Mar 2017 - 22:20

Rushee!!

Que felicidade em ver que não demorou duas semanas =P Fiquei muito feliz e vim correndo ao ver que as batalhas começariam nesse capítulo. Tanto que eu tinha que estar fazendo meus deveres agora -q

Pra começar, nem precisava falar de mim ao avisar que ia usar os players do youtube. Eu mesmo os adaptei da antiga fanfic do -Murilo, A Jornada de Delailan (sim amigo, nós já somos dinossauros nesse fórum em processo de reconstrução AHUAHS) Vamos lá

Caralho cara, eu não consegui deixar de ficar pasmo durante todo o capítulo, me surpreendendo cada vez mais em como você conseguiu retratar um evento desse peso tão majestosamente. Geralmente em fanfic pokémon (e eu também cometo MUITO esse erro) temos a banalização das jornadas e dos acontecimentos, sabe? O protagonista tá no primeiro ginásio, e age como se fosse só uma pedra no caminho, ele vai andando até outra fucking cidade e não age como se isso fosse algo demais, ele geralmente luta contra vilões cruéis e é tudo mais um dia comum para ele. Por isso, eu gostei PRA CARALHO de ver como foi para os treinadores estar na grande liga. A reação deles ao saber que uma batalha tinha acabado no estádio ao lado, a forma como tudo era novo e contribuía para o desespero dos mesmos, foi muito foda. Por algum motivo, me lembrou de quando fui na ccxp ano passado, mas não estou aqui pra falar disso Laughing

Até agora, por razões obvias, eu não estava gostando nem um pouco do Zeus. Tudo contribuía para que eu torcesse para Ezekiel, e foi deste lado que comecei a batalha, mas você, de uma maneira genuína, esperou até essa grande batalha para explorar o background do Zeus. De última hora, ficamos sabendo da personalidade até que amigável do treinador, e como foi tão difícil para ele quanto para os outros, já que nem sua família acreditava nele. Quando as cartas foram jogadas, eu já não sabia mais quem eu queria que ganhasse, qualquer um dos dois resultados seria desastroso. Sonhos destruídos, ambições esmagadas, e tudo isso na primeira batalha.

Eu achei interessante também a reação de Zeus ao perder, não só pelo choro e pela sensação de impotência, mas também por causa da aversão que ele criou ao golpe Synthesis. Ele falar que o golpe devia ser banido me lembrou bastante de mim mesmo, sempre que eu perco pra uma Mega evolução ou um Pokémon EX no TCG eu fico todo revoltado com a existência desses pokémon e acho que tal apelação não devia existir. Isso fez com que a derrota de Zeus fosse ainda mais devastadora.

É sério, eu realmente não imaginava que fosse sentir empatia por ele, não imaginava que fosse sentir dó e muito menos que fosse me identificar com ele. No final inclusive, quando eu achei que teríamos uma música tipo "agora vai começar a epicidade pananannaann" e você me vem com essa música que me fez, do início ao fim, imaginar Zeus se afastando de carro da liga e olhando pelo vidro, ainda sem conseguir digerir a derrota. Eu imaginei como ele deveria estar e como eu estaria em seu lugar. Faz isso comigo não )':

Até mais Rush, posta esse capítulo logo que eu quero ver mais crueldade nessa fanfic maravilhosa. Te adoro
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por DarkZoroark em Qui 23 Mar 2017 - 23:47

Rush o/
Só por costume... Primeiramente, gostaria de me desculpar pela imensa demora para vir aqui comentar seus novos capítulos. Havia visto anteriormente quando postasse o terceiro, mas estava no meio de uma viagem na época e acabei deixando para comentar mais tarde. Bom, acabou que antes de vir aqui resolvi voltar e ler toda a 'As Crônicas de um Gyarados Voador - Kyle' pra me lembrar de todos os detalhes. Isto, mais o fato de a faculdade ter voltado e que eu estou cheio de planos de Fanfics pra esse ano, acabaram me atrasando um pouco. Enfim, agora que já fiz tudo que precisava, vamos ao review: (Quanto tempo que eu não escrevo essa frase...)

Olhando por cima a princípio, devo dizer que estou gostando bastante da forma com que estás conduzindo esta Fanfic. A princípio - quando postasse ela mesmo - eu estranhei o uso de múltiplos POVs, mas a forma com que usas este elemento para fazer os leitores conhecerem e, por consequência, se afeiçoarem aos vários competidores da liga é fenomenal. Eu compararia ao George Martin, mas o gordo genocida se preocupa mais em quatro parágrafos de descrição sobre uma refeição do que mostrar as nuances de alguns personagens menos explorados (i.e Tywin Lannister nos livros. Na série ele era foda). Nesse ponto, acho que tiveste um êxito maior em criar empatia pelos participantes, mesmo os mais F.D.P como o Darkblue. O fato de ele, apesar de tudo, ter tirado uma foto com uma fã mostra que ele não é tão ruim assim.

Um ponto que eu gostei bastante - fã antigo é dose - foi o reencontro do Kyle com seus antigos acompanhantes de viagem. Fiquei chocado, embora me recorde que tinhas avisado durante a outra Fanfic deste universo, e meio triste que ele acabou completando a jornada sozinho. Embora eu já esperasse que o Jason deixasse o grupo por causa do filho por nascer, ver que a Alice, o Russel e o Davi deixaram também me pegou de surpresa. Por um lado, é um aspecto real que eles eventualmente se separassem e cada um fosse atrás de seu próprio sonho, mas o feels...  Sad  Não sei dizer se a cena do reencontro foi um fanservice ou não, mas como leitor assíduo e antigo fiquei muito feliz em ver o ocorrido.

Aliás, interessante o fato de o Russel ter seguido carreira como cozinheiro ou assistente de cozinheiro. Devo dizer que não esperava por isso.

O fato de mostrares que mesmo veteranos como o treinador do Haxorus - Alex? - sintam a pressão e o nervosismo de uma competição em larga escala como esta destaca ainda mais o realismo da história com relação ao anime... e, em menor escala, ao mangá (se bem que a liga só foi apresentada em BW e RBGY neste,) Com algumas poucas exceções - *cof* Hammer Skyfall *cof* - que talvez estejam escondendo o fato ou sejam convencidos o suficiente para acharem que não serão derrotados. Aliás, aproveitando que o nome do Skyfall veio à tona... Estou com uma pena da Karine... Ela vai suar pra talvez conseguir a vitória.

A batalha entre o Zeus e o Ezekiel foi, como dito pelo -Ice, de tirar o fôlego. A destruição do campo pela magnitude do combate e a força dos ataques trocados foi um detalhe sensacional. Não são muitas pessoas que se atentam a descrever o dano que os arredores recebem durante um combate - atribuo isso em grande parte ao anime - mas é nos pequenos detalhes como este que se captura os leitores. O nervosismo do Zeus ao ver seu Mega Ampharos não conseguir nocautear o Torterra com seu ataque mais forte e depois ser atacado impiedosamente, na falta de um termo mais apropriado, deu um nó na garganta. Aliás, concordo com o garoto de cabelos verdes que é sacanagem usar Synthesis ou outros movimentos de recovery... Mais por experiência do competitivo mesmo. Amigo meu tem uma Cresselia que fica só no Toxic/Moonlight/Light Screen/Reflect. Ô combo do inferno.

A cena posterior entre o Zeus e o Luke, com este o presenteando com uma miniatura de pelúcia, foi extremamente cativante e emocionante, embora os seguranças tenham sido cuzões naquele momento. Achei triste que ninguém nunca tenha mostrado carinho ou zelo pelo treinador do Ampharos, e ele desabar em lágrimas tanto pelo gesto de amizade quanto pela frustração de ser derrotado imediatamente em seu primeiro confronto pareceu combinar com o clima da cena. Só fiquei na dúvida de porque ele não poderia ficar para assistir aos combates seguintes. Há algo nas regras que proíba os participantes eliminados de torcerem por alguém?

As trilhas sonoras foram bem implementadas, tanto durante os combates quanto durante a ending. Usar uma trilha clássica como aquela para o combate entre o Zeus e o Ezekiel foi uma jogada legal. Além de adicionar um clima para o confronto, a nostalgia foi enorme.

Enfim, vou ficando por aqui. Vou estar ansioso pela batalha do Kyle. Não me importo se ele não for o vencedor, mas pelo amor de Arceus/Deus/Vishnu/Buda/Jeová, me faz ele derrotar o metido a galã. Aguardo pelo próximo capítulo. ninja
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Re: As crônicas de um Gyarados Voador - All ★ Stars!

Mensagem por Brijudoca em Sab 25 Mar 2017 - 17:12

Me sinto estranho ao fazer um comentário em sua fic Rush, uma vez que não acompanhei a primeira com as aventuras de Kyle. É estranho sabe? Como se eu assistisse primeiro ao spin-off de uma série super conhecida. Inclusive até pensei (ainda penso) em ler a fic original, porém o elevado número de capítulos causa um certo bloqueio.

Durante a leitura desses cinco capítulos provavelmente perdi alguns easter eggs ou mesmo algum fan service que você deve ter incluído para os leitores antigos, mas nada me impediu de ficar totalmente fascinado com sua escrita. Sério, senti que eu estava lendo algo escrito por um profissional. São muito poucos os que conseguem descrever cenários e batalhas como você o fez, deixando o leitor aflito e empolgado ao mesmo tempo.

Mas a cereja do bolo fica para o incrível desenvolvimento de personagens. Foi um acerto e tanto dedicar tantos capítulos antes do início das batalhas para criarmos afeto com os personagens. E que personagens hein? Achei incrível o uso de múltiplos POVs, fez com que eu pudesse me identificar cada vez mais com os os personagens e me importar de verdade com o que irá acontecer nesse torneio.

A batalha de Zeus e Ezekiel foi intensa demais, exatamente como as grandes batalhas Pokemon tem que ser, e ainda durante a batalha pude conhecer e entender mais sobre Zeus, chegando inclusive a torcer por ele em algum momento haha Foi bem emocionante o final, com Luke o consolando. Falando em Luke, que personagem foda, de longe é o meu favorito.

Estou ansioso demais pelo próximo capítulo, fico no aguardo viu?
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