Pokémon Mythology
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A Case in Red

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A Case in Red

Mensagem por Samm em Seg 28 Set 2015 - 19:05

❦ A case in Red ❦

AVISO: Antes de começar a leitura, saiba que essa história possui palavras de baixo calão e cenas de violência explícita.

Sinópse:
Em uma região de Kalos assolada pela violência, a população vive sob constante ameaça de bandidos e organizações criminosas. A polícia tem se mostrado ineficiente para solucionar esses problemas, que a cada dia se agravam. Esse cenário desperta em Lysandre um sentimento e dever de justiça, dando-lhe força e coragem para lutar por sua região e torná-la bela novamente.

(Essa fanfic seguirá a história dos jogos Pokémon X e Y, mas sob o ponto de vista do vilão. Pretendo expor aqui a ideia que eu tive sobre como Lysandre ficou obcecado com a ideia de beleza absoluta e como fundou a Team Flare. A majoritariedade dos personagens presentes narrativa já existem nos jogos, e eu tentarei ser o mais fiel possível a eles em suas caracterizações.)

_________________________________________________________________________________________________

Capítulo Um


“Mais um caso de violência na cidade de Shalour. Um grupo de turistas foi atacado pela manhã na praia, na altura do posto quatro, por dois assaltantes e um Diggersby, que conseguiram fugir. Eles levaram seus equipamentos eletrônicos, dinheiro e pokébolas. Esse é o vigésimo segundo caso no município somente esse mês...”

“Um rapaz foi apreendido com cinco quilos e meio de cocaína em Coumarine enquanto tentava sair da cidade pela rota 13. As entradas da cidade estão sob vigilância para tentar conter o tráfico de drogas. O maior destino dessas drogas é..,”

“Perseguição policial em Lumiose! Três homens arrombaram uma joalheria na Avenida Autumnal e fugiram quando o alarme foi disparado. A polícia chegou rapidamente ao local e duas viaturas perseguem o veículo, que no momento encontra-se próximo à Plaza...”


– É só isso que se ouve ultimamente. – disse o homem na mesa ao lado, fazendo um gesto para desligar seu Holo Caster. – Está cada vez mais difícil de sair por aí. É só uma questão de tempo até acontecer com a gente.

    Seu amigo riu de canto de boca e deu mais um gole na cerveja, assentindo com a cabeça. Os dois continuaram conversando e suas vozes se misturaram às demais do bar. Realmente, Kalos não se encontrava em uma boa situação. A criminalidade crescia mais a cada dia. A polícia já não conseguia dar conta: assaltos, tráfico de drogas e de pokémons, roubos, sequestros... Com denúncias surgindo de toda parte, era difícil estabelecer em que problema se focar primeiro. Novos grupos e gangues tomavam conta de bairros e distritos diariamente, acuando a população e tornando as ruas praticamente desertas.

    Após sucessivos anos de violência gratuita, o número de treinadores de Kalos diminuiu drasticamente. Os ginásios encontravam-se vazios, e os seus líderes passavam meses sem receber um desafiante. A última Liga Pokémon registrou o menor número de participantes em trinta de quatro anos. E os Pokémon Showcases não possuíam previsão para voltar desde sua última edição, há um ano e meio atrás. Pais encontravam-se relutantes em deixar seus filhos saírem em jornada devido ao estado atual das rotas, em sua maioria com policiamento deficiente. Desse modo, o laboratório regional encontrava-se com muitas de suas atividades congeladas. Kalos não era mais a região que um dia foi. Não havia segurança e muitos perderam a esperança de uma sociedade em paz novamente.

    Lysandre parou seu copo na metade do caminho até a boca. Ouvir aquelas chamadas no noticiário tirou seu apetite. Pousou o copo sobre um guardanapo, tirou umas notas do bolso para pagar a conta e saiu do bar. Fazia frio na noite em Anistar. Um vento gélido sobrava em direção ao mar, fazendo as copas altas das árvores dançarem agitadamente. Havia um cheiro de eletricidade no ar, indicando uma chuva por vir. Com as mãos nos bolsos da calça, ele começou a andar em direção de seu apartamento, a algumas quadras dali.

    Um homem com o paletó jogado sobre o ombro passou por ele com uma expressão cansada. Provavelmente estivera fazendo hora extra até agora em algum dos muitos escritórios espalhados pelo bairro. Ele andava apressado, talvez por querer chegar rapidamente em casa ou por saber como eram perigosas as ruas à noite. Provavelmente pelas duas razões. Ao se aproximar do semáforo no final da rua, Lysandre ouviu um barulho vindo da direção contrária e virou-se a tempo de ver o homem do paletó ser empurrado contra um muro e três pessoas saírem em disparada para uma ruela perto dali, com sua maleta embaixo do braço.

    Uma onda de emoções percorreu o corpo de Lysandre. Com seu status elevado e todas as regalias que isso lhe proporcionava, ele nunca correu um perigo real, muito menos presenciou um ato de violência tão de perto. Girou o pulso e ativou o Holo Caster inconscientemente. Demorou alguns segundos para perceber o que tinha feito. O holograma em branco aguardava um comando, sem conseguir manter a imagem fixa, e foi então que ele notou que sua mão tremia. Pensou em ligar para a polícia, mas essa ideia foi descartada rapidamente. Não iria adiantar em nada chamar as autoridades. Aqueles bandidos já teriam escapado com uma grande vantagem de tempo até alguém chegar ali. E ele percebeu que já estava correndo.
Correu para a rua estreita na qual o grupo se esgueirou. Uma onda de adrenalina deu forças às suas pernas e a coragem de fazer aquela loucura. Ele não aguentava mais ouvir todas aquelas tragédias. Nenhuma notícia boa passava pelos noticiários fazia alguns dias e isso tinha que mudar, nem que fosse ele a trazer as mudanças.

    Ouviu o homem gemer alguma coisa ao passar por ele, segurando um braço junto ao corpo. O resmungo foi desaparecendo quanto mais Lysandre corria, até se misturar ao barulho do vento. Ao entrar na rua, diminuiu o passo e se aproximou dos muros, andando nas sombras para evitar ser visto. Uma risada áspera cortou o ambiente e, oculto na escuridão, conseguiu identificar os três criminosos. Eles estavam em volta de uma grande caçamba de lixo, todos de preto, dois deles em pé olhando ansiosos ao redor enquanto o terceiro vasculhava a maleta. Ele tirava vários papéis de dentro dela furiosamente. Aparentemente aquele não foi um roubo produtivo, a menos que eles se interessassem por tabelas e gráficos.

– Merda! – gritou, jogando a bolsa de couro no chão. Pela voz, não devia ter muito mais que dezessete anos. – Não acredito que viemos até aqui pra roubar umas merdas de papel! Aquele desgraçado nos deu informação errada!
– Você foi o mais idiota em nos arrastar pra essa furada. – o outro falou, cuspindo. Também aparentava uma idade jovem. O primeiro avançou e agarrou a gola de sua blusa, mas o último integrante do trio separou os dois e falou algo, baixo demais para Lysandre conseguir escutar.

    Eles se afastaram um do outro e viraram na direção em que Lysandre se ocultava nas sombras. Seu coração pulsava acelerado. Fora descoberto. O garoto que cuspiu deu uns passos para frente, com uma das mãos no bolso. Ele sorria mostrando os dentes, como um predador pronto para atacar uma presa fácil.

– Que sorte a nossa, Faust! Quem sabe esse ai vale alguma coisa. – soltou um risinho abafado. Correu os olhos sob o gorro vagarosamente em direção do lugar onde Lysandre estava. Parecia não saber sua localização exata, apenas que havia alguém ali, espionando. – Não quer vir aqui dizer olá? Vamos logo, caso contrário eu não prometo deixar a sua cara intacta.

    Fazia muito tempo que Lysandre não batalhava e ele carregava somente uma pokébola consigo, um velho hábito do qual não conseguiu se desfazer. A última vez que fez seu Pokémon lutar parecia uma memória distante que não queria ser reencontrada. Seu companheiro havia se tornado de estimação, fazendo-o companhia em sua casa. Ele nem tinha certeza se ainda lembrava-se dos golpes que poderia usar. Mas, nas circunstâncias em que se encontrava, viu-se obrigado a reagir. Enquanto dirigia sua mão ao bolso, o brilho de uma pokébola se abrindo clareou parte do beco, e um Granbull agitado surgiu no meio do asfalto.

– Se não quer sair daí, não tem problema – ele deu de ombros dramaticamente. – Nós vamos até você. Granbull, Thunder Fang!

   Tudo aconteceu muito rápido. O cão correu em sua direção com a mandíbula escancarada, faiscando. Lysandre não se lembra de ter jogado sua pokébola, mas um enorme Pyroar surgiu na sua frente, rugindo furioso, desferindo uma mordida poderosa na lateral do corpo do Granbull, arremessando-o contra o lixo.

    Os três recuaram um passo, assustados. Não esperavam reação de sua nova vítima. Não nos tempos presentes: a população tinha medo de reagir. Descobriram que alguém estava empenhado em detê-los da pior forma: com um leão enorme a poucos metros de distância, exalando ferocidade. A juba do Pyroar emanava um calor constante, como se a própria fosse feita de pura chama. Seus olhos esmeralda seguiam de um meliante para o outro, brilhando, enquanto rosnava sob a respiração. Sua cauda chicoteava o ar, ansiosa. O Pokémon estava inquieto e queria atacar depois de anos afastado de batalhas.

    Em meio ao barulho dos sacos de lixo, Granbull ergueu-se com um ganido de dor, mas ainda tinha forças para lutar. Ele encarava o oponente com bravura, aguardando o comando de seu mestre. Pyroar, impaciente, rugiu e flexionou as patas, pronto para dar o bote.

– Wild Charge nesse desgraçado! – gritou seu treinador. O Pokémon se envolveu numa bola de eletricidade e disparou contra o Pyroar.
– Revide com Dark Pulse! – rebateu Lysandre, ainda nas sombras.

   Granbull não era tão forte quanto seu adversário. A onda negra quebrou sua armadura elétrica e o emburrou cinco metros para trás. A juba de Pyroar emitiu fagulhas de excitação e pequenos pontos flamejantes se acenderam nela.

– Agora, Will-O-Whisp.

    Chamas azul arroxeadas foram lançadas para todo lado, atingindo não só Granbull, mas o garoto que ainda segurava a maleta, agora vazia. O fogo tocou seu ombro e um pedaço de sua orelha, e ele urrou de cor, debatendo-se numa tentativa de apagar o fogo. Um cheiro de roupa e pele queimadas tomou conta do lugar, e o rapaz se afastou do grupo, soltando xingamentos com uma voz lacrimosa. Os outros dois mantiveram posição, em alerta.

– Que tal uma luta limpa, ein? – o treinador gritou. Era possível sentir o medo em sua voz, que saiu levemente esganiçada. Lysandre riu.
– Luta limpa? Não é exatamente isso que vocês vêm fazendo ultimamente. – deu um passo a frente, revelando-se parcialmente aos seus adversários. – Vamos acabar logo um isso, Pyroar. Fire Blast.

    Uma corrente de fogo irrompeu entre os dentes afiados do leão, tomando o formato do kanji “fogo” em sua trajetória até o inimigo. Grambull, apesar de estar queimado pela investida anterior, conseguiu pular para o lado, esquivando-se por pouco. Entretanto, o ataque atingiu em cheio um poste do outro lado da rua, que soltou inúmeros estalos em meio a uma chuva de brasa e eletricidade, e terminou caindo, interditando o beco. Estilhaços da lâmpada voaram por toda parte, e seus cabos expostos chiavam em contato com o fogo.

    O poste caído dividiu o grupo. De um lado, o garoto queimado e, do outro, os dois restantes, Lysandre e os pokémons. Os bandidos olhavam nervosos para os lados, procurando alguma rota de fuga, agora que sabiam que não tinham grandes possibilidades de vencer. Pyroar, sentindo o medo crescente deles, começou a avançar em sua direção, rosnando.

– Outrage! – gritou o rapaz, desesperado, enquanto tentava alcançar algo no próprio bolso.

    Lysandre não precisou dar o comando. Com uma sede insaciável por batalha, o leão saltou sobre o Granbull, que ainda carregava seu ataque. Ele gravou seus caninos no pescoço do cão e ali mesmo desferiu um Fire Blast ardente. Todos protegeram seus olhos da luz emitida pelo golpe. Quando o brilho se esvaiu, puderam ver o cão caído no chão, ensanguentado, tremendo e cheio de queimaduras. Ele gritava de pura dor, e seus latidos correram naquela noite silenciosa.

    Seu dono parecia nervoso demais para fazê-lo retornar à pokébola. Ele finalmente apanhou o que procurava, e estendeu o braço em direção a Lysandre, tremendo. Uma pistola prateada brilhava entre seus dedos incertos. Seu companheiro tentou se aproximar do Pokémon caído, mas se afastou ao ser atingido no braço por mais um Will-O-Whisp.

– Fique parado aí! – ele urrou, segurando a arma com mais força. Sacudiu a perna para apagar uma chama na barra de sua calça – Q-Quem é você? O que é você? – sua respiração estava muito pesada e sua roupa estava grudando em sua pele suada. Seu corpo inteiro estava tremendo. Lysandre soltou uma risada entre os dentes. – O que você fez com meu Pokémon?! Você matou ele?!

    Lysandre olhou de canto de olho para o Granbull, que estava mais quieto, porém ainda vivo. Ele parecia estar com dificuldade para respirar, e sua garganta produzia um zumbido estranho ao tentar puxar ar. Seu sangramento não parara e várias partes do seu couro despontavam, sem pelo.

– Ele não está...
– Cale a boca! – esganiçou. – O que você quer? Por que não dá o fora daqui de uma vez?!
– Porque essa situação inteira é inaceitável. Vocês andam por toda Kalos deixando um rastro de podridão atrás de si. Isso não pode continuar assim. – ele respondeu, tentando ignorar a arma apontada para seu rosto, mesmo que a metros de distância. Pela visão periférica, notou seu leão aproximando-se silenciosamente do rapaz, que parecia indiferente àquilo. Estava tudo claro para ele agora. Se as autoridades não tomavam uma providência para conter todos aqueles crimes, ele próprio iria lutar pela sua região. Avançando alguns passos, continuou – Já está mais que na hora de alguém fazer a diferença.
– Eu mandei ficar parad...

   Não chegou a concluir a frase. Pyroar saltou por trás dele, cravando as garras em seus ombros e mordendo seu braço. O som de um tiro cortou o ar, e a arma ricocheteou no asfalto. A bala errou seu alvo, mas o Pokémon, não. O garoto caiu na rua, com o braço pendendo num ângulo estranho, com algumas tiras de pele soltas. Havia sangue por toda parte e pedaços de pele e cabelo foram queimados pelo calor da juba do leão, que seguia para a próxima vítima, a última que restava de pé. Ela virou-se para correr, mas esqueceu-se que havia um poste em chamas bloqueando seu caminho.

– Basta. – Lysandre falou, firme. Pyroar protestou, ainda emerso em seu frenesi. Rugiu e estalou a cauda. Ele lançou um último olhar ao Pokémon, chamando-o de volta para a pokébola. – Não há motivo de se perder mais tempo aqui.

   Não obteve resposta. A pessoa tremia de dor e de medo. Lysandre aproximou-se para buscar a maleta roubada, mas percebeu que ela havia sido destruída no meio da batalha. Soltou uma lufada de ar, irritado. Afinal, entrara em toda aquela confusão pirotécnica para resgatá-la. Virou-se e saiu do beco, ao som do vento proclamando uma tempestade iminente e do fogo que se espalhara do poste para a caçamba de lixo. Em meio a esse turbilhão de barulhos ouviu um grito vindo da direção contrária, alguém chamando-o de monstro. Não pôde deixar de sorrir.

ᕕ( ᐛ )ᕗ



Nota da autora:
Olá, obrigada por ter lido o primeiro capítulo. Gostaria de comentar uma coisinha. Nos jogos, o Holo Caster fica preso em um cordão, mas pensei em criar novos tipos, como um relógio de pulso, ou até mesmo algo parecido com um celular. Deve ser um incômodo andar por aí com aquilo pendurado no pescoço. Não sei se alguém percebeu isso ou se incomodou com o fato de eu ter modificado o dispositivo, então senti necessidade de esclarecer isso aqui. Obrigada pela atenção.
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Re: A Case in Red

Mensagem por Kirkos em Seg 28 Set 2015 - 19:12

Lógico que eu vou ser o primeiro, duh.

Bem, eu poderia passar o comentário todo elogiando da forma clichê, mas resolvi não fazer isso. Quero só atentar para uma coisa que não tem outra palavra pra não dizer além de FODA é que você pegou a história do ponto de vista do vilão e vai contá-la ANTES da treta toda que se instaura por Kalos durante os jogos de X e Y começar.

Obviamente eu estava com grandes expectativas, afinal eu já vi trabalhos passados seus e amava-os e vejo que você mantém um nível de escrita digno de um grande autor (ou autora no caso Laughing ). Eu devo admitir que não sou o maior fã de violência, gosto de umas pancadarias mas não é algo que eu realmente vá levantar a bandeira para uma história, mesmo. Entretanto, até quando se tratava de algo que eu "não gosto" eu fiquei com vontade de ler.

Tenho grandes expectativas quanto a essa história, você sabe disso. Não acho que venha a ser diferente da maioria dos seus trabalhos que diga-se de passagem sempre foram muito bons de ler então esse será apenas mais um de seus sucessos.

Boa sorte, embora eu ache que você não precise dela. õ/
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Re: A Case in Red

Mensagem por Rush em Seg 28 Set 2015 - 21:04

Fala, Samm, tudo bem?

Antes de tudo, seja bem vinda ao fórum. Eu juro que quero fazer um discurso maneiro de boas vindas assim como eu faço com todos os novos escritores que chegam por aqui, mas eu estou ansioso demais para comentar na fic. Então vamos lá! Seja bem vinda, tenho certeza de que você vai adorar o fórum e as fan fics que aqui descansam, também recomendo que você vá para a área de RPGs que também é muito maneira.

Ok, de início, me lembrou muito a fic da Ana, a grande obra "Lá Fora...!" que ainda não chegou a ser terminada, mas eu recomendo muito. Garanto que você vai gostar, pois tem uma ideia bem semelhante usando o antagonista dos jogos X/Y.

Eu gostei da forma em que você trabalhou com o realismo da Fan Fiction, mostrando em como a violência e o tráfico de drogas dominaram as ruas de Kalos, comprometendo a região. Me pergunto se você irá trabalhar com a corrupção também, pois essa seria uma boa maneira de explicar como a Policia se tornou ineficiente no começo de tudo, perdendo o controle dos crimes e etc. Pelo visto, Lysandre vai ser um "Batman" na fic, fazendo justiça com as próprias mãos e queimando geral.

Uma coisa que eu adorei, foi o Pyroar sendo até então o Pokémon oficial do antagonista. Mesmo sendo o Gyarados nos jogos, eu sempre achei que o Pyroar combinava MUITO MAIS COM ELE, tanto pelo formato e cor do cabelo, como o símbolo de "rei" que o leão trás, dando a devida majestosidade ao homem. A forma em que você trabalhou o leão também foi ótima. Quando ele se esgueirou sorrateiramente atrás do ladrãozinho e atacou ele... Meu coração até pulsou mais forte com o sentimento que eu senti de mistura de assustado com prazer, ao ver a justiça sendo feita.

De qualquer forma, mesmo eu gostando de ver bandido se fodendo, eu senti pena deles. Serem atacados por um leão realmente foi algo muito... Assustador. Imagino como essa noticia vai ser divulgada e aceita pelos cidadãos de Kalos.

É isso, adorei o realismo da fic, da ação e desenvolvimento do capítulo um - que mais pareceu um prólogo. Eu com certeza irei acompanhar a fic.

Aguardo o próximo capítulo, um abraço!
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Re: A Case in Red

Mensagem por Benitez em Seg 28 Set 2015 - 22:31

Adorei ver uma fic realista, com o mundo pokémon passando por problemas graves da vida real. Gostei também de ver os ataques do Pyroar nos bandidos, nenhuma arma consegue ser mais ameaçadora aos humanos do que um pokémon bem treinado. Durante a leitura fiquei pensando se o Lysandre não vai começar uma espécie de guerra pokémon moderna, mas contra os males da sociedade.

Continue a fic, achei muito boa mesmo.
Estarei aqui nos próximos capítulos o/
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Re: A Case in Red

Mensagem por Black~ em Ter 29 Set 2015 - 15:34

Bom, vamos lá.

Devo dizer que gostei muito da ideia da fic. Nunca joguei Pokémon XY, então não sei direito a história, mas a outra ideia é uma proposta ousada, visto que o tema é Pokémon, onde geralmente o mundo é bonitinho, todo mundo é legal e os vilões são Jesse e James -q, enfim. Eu gostei bastante desse mundo de caos que é Kalos e o protagonista querer fazer justiça com as próprias mãos. Algo como o Batman, como já citou o Rush, e também o Demolidor, mas enfim.

Quando você disse que a fic seria uma região assolada pela violência, eu não imaginei que fosse uma região tão assolada assim. Parece que Kalos viveu uma Guerra Civil e os bandidos aproveitaram tudo isso. Ou talvez seja só um país normal que foi tomado pela violência, dada a ineficiência do Governo, como foi dito -q, mas enfim.

Eu também achei interessante o realismo exposto na fic. Essa parte da violência que eu citei, de ser talvez um país tomado pela violência devido à ineficiência do Governo é real sim, isso ocorre no mundo. E imagino, assim como o Rush, que a corrupção deve ter um espaço bem destacado também. No mais, gostei de todo esse negócio do tráfico de drogas, etc.

Apesar de eu não ser muito fã de ver coisas como pokémons sangrando, perdendo braço, cabeça, etc., até gostei do fato de a sua ter isso, até porque se encaixa um pouco nesse "realismo" da fic, mas enfim.

Eu achei bem forte e demoníaco esse Pyroar huahuah. O bicho destruiu todo, tacou fogo nos bandidos, no poste, etc. além de (quase) ter matado o Granbull. Pra quem tava tantos anos sem lutar, até que foi apresentação nada mal hein huaha. Realmente deve ser tenso você roubar uma maleta e acabar sendo surpreendido por um fucking leão de fogo huahua, coitados dos bandidos -q, mas enfim.

Quero ver como vai desenrolar essa parte do protagonista indo fazer justiça com as próprias mãos. Imagino que certamente esse acontecimento estará nos jornais, e a população deve adotá-lo como uma espécie de "herói". Como disse, não joguei XY, então não sei bem o plano específico da Team Flare, mas a julgar pelo prólogo, imagino que o Lysandre criará a equipe com o intuito de "fazer justiça", seja por meios éticos ou não.

Bem, é só e boa sorte com a fic.
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Re: A Case in Red

Mensagem por Slow em Ter 29 Set 2015 - 19:37

Hey Samm o/

Bem vinda ao fórum (já deve estar cansada de ler isso -.-'). *~le discurso imaginário, cujo estou com uma imensa preguiça de fazê-lo, então, uso o do Rush -q*

Bem, eu não joguei XY (sem 3DS ;-; ) e sei muito pouco sobre tal jogo, mas não acho que será um problema com a fic.

Pode parecer batman para vocês, mas achei Lysandre muito parecido com Kira, protagonista de Death Note. Que, aliás, é o personagem que eu mais odeio (mais até que muitos antagonistas), mas isso é uma questão pessoal, de ideais. O pior é que, o exato ponto que eu odeio nesse cara, é o que é semelhante com o Lysandre. Mas, não se preocupe, eu acho completamente aceitável nesse caso, na realidade em que a sociedade está, mas creio que ele realmente será mto parecido com o Kira (um fdp q vai ser transformado em herói pela população, no meio do caos). N sei se vc já assistiu e tirou inspiração de lá, mas, se não, super-recomendo assistir c:

Eu gostei bastante da batalha. Bem descrita, bem semi-realista (já que animais não soltam poderes e pá), enfim, muito foda. Que Pyroar sanguinário, hein? auhasuhas foi pegando um por um. Concordo com o Black~ na parte dos Pokémons sangrando, morrendo, etc. Talvez pq ninguém gosta de ver esse tipo de coisa acontecer com os animais e tal, por isso, eu estranho um pouco em Pokémon, mas acho muito normal em Dragon Ball e Naruto, por exemplo.

Andar com uma maleta por ai, mesmo cheia de gráficos, não é nada seguro. Se uma carteira no bolso já chama a atenção, imagina só uma coisa dessas? Em uma realidade dessas?

Só uma coisa que eu não entendi, embora acredite que não é importante, mas quem é o cara que fala com ele lá no começo? Por vc n ter falado o nome, creio que ele não tem muita relevância, mas, sla...

Enfim, Não tenho muito o que comentar, simplesmente, ta foda.
Tchau, boa sorte com a fic e até o próximo capítulo o/
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Re: A Case in Red

Mensagem por Samm em Sab 3 Out 2015 - 21:01

Resposta aos comentários:
@Kirkos Muitíssimo obrigada pelo comentário, chuchu! Você sabe o quanto sua opinião é importante pra mim <3 Como eu não tava com saco pra escrever outra jornada do herói, pensei em usar algo “já pronto” para servir de base pra história, e como xy são meus jogos preferidos... tcharam!
É, muita gente não gosta de violência, mas eu gosto, então vai ter. Não tem como escrever sobre um vilão sem porradaria e sangue... Nem me desculpo por isso haha.
Obrigada pelo carinho e espero que goste desse capítulo!

@Rush Primeiramente gostaria de agradecer pela indicação da fanfic “Lá fora...!”. Li e achei muito boa mesmo, obrigada pela dica! Eu precisava de um cenário meio caótico para o surgimento desse anti-herói-que-vai-virar-vilão, então pensei em detonar Kalos mesmo ^^” Vou tentar expor pra vocês tudo que está errado nessa região e como isso ficou assim e suas consequências. E Lysandre definitivamente não é um Batman... ele está bem longe de ser lawful good ou qualquer uma das classificações lawful haha.
Eu sempre olhei pro Gyarados do Lysandre e soltei um “...não...”. Não consigo ver uma sintonia forte entre eles, sabe? Já o Pyroar...  se encaixam tão perfeitamente que chega a doer (os bandidos que o digam). Muito obrigada pelo comentário! Espero não desapontar nos próximos capítulos. ;D

@Benitez Olá, obrigada por comentar! Fico feliz que tenha gostado desse primeiro capítulo. Pensei em utilizar o realismo na narrativa pra poder retratar melhor a selvageria e violência que assolam Kalos. Não teria a menor graça lançar um Fire Blast na cara dos inimigos e eles saírem com uns arranhões de nada, como no anime e nos jogos (que só desmaiam). Bom, o que o Lysandre vai começar não é meio que mistério, os jogos XY são um spoiler gigantesco pra minha fic. ^^” Eu só resolvi escrever o eu acho que aconteceu antes da história oficial. Espero que goste dos próximos capítulos!

@Black~ Olá, obrigada pelos elogios! Sim, Kalos tá bem acabada mesmo, vou tentar mostrar mais disso pra vocês nessa fic, e como ela foi mudando até chegar ao estado mais fofinho e inofensivo dos jogos XY. A violência utilizada pelo Lysandre é um mal necessário, não consigo imaginar um tema pesado assim sendo tratado de outra forma. Você disse que não jogou xy, mas não se preocupe, porque eu vou tentar deixar bem claro os planos pra Team Flare. Não gostaria que ninguém ficasse perdido por não ter jogado os jogos. Mais uma vez obrigada pelo comentário e espero que goste dos capítulos seguintes!

@IsaacXD7 Oii, obrigada pelo comentário! Repetindo minha resposta ao Black~, não se preocupe por não ter jogado xy. Percebi que alguns de vocês não tiveram acesso ao jogo, por isso vou tomar cuidado para que possam entender direitinho as ideologias do Lysandre e tudo por trás da Team Flare. Bom, ele está muito distante de ser um Batman, mas também não sei se seria um Kira por motivos de: vocês vão descobrir. Sim, eu já li o mangá e assisti o anime, mas confesso que ele não me vinha à memória há muuuuito tempo! Então não, a ideia dessa fic não veio de Death Note.
E essa parte ai que você não entendeu, o personagem que falava no início do capítulo não tem importância, e não estava conversando com o Lysandre. Ele estava na mesa ao lado. Aqui o trecho pra você conferir:

“– É só isso que se ouve ultimamente. – disse o homem na mesa ao lado, fazendo um gesto para desligar seu Holo Caster. (...)”

De novo, obrigada pelo comentário! Todas as críticas e dúvidas serão bem vindas. Espero que eu não desaponte nos próximos capítulos. ;D



Capítulo Dois

   
    Raios de luz invadiram a sala do apartamento de Lysandre, que então percebeu que passara a noite inteira em claro. Com olhos pesados após a privação do sono, fez uma rápida checagem no cômodo. Pyroar dormia esparramado no tapete, de barriga pra cima, aproveitando o calor matutino que vinha da janela. Um leve cheiro de ozônio estava presente no ar, resquício da chuva da madrugada. O leão parecia tão confortável e relaxado, como se todos os acontecimentos da noite anterior não passassem de um sonho. Seu ronronar rítmico fazia seu peito subir e descer.

   Viu seu paletó e sapatos espalhados pelo chão, retirados com nervosismo na sua volta para casa. Essas lembranças não paravam de se repetir em sua mente, num looping infinito que estava deixando-o paranoico.

    Quando saiu do beco, escutara o som de um caminhão de bombeiro à distância. Alguém devia ter observado a confusão de um dos prédios nas cercanias e ligado para eles, assustado. Passou a mão pelo rosto e ombros, limpando a fuligem que os sujava e avançou como não fosse ele o culpado daquilo tudo.

Quanto mais se afastava de lá, mais seu nervosismo crescia. Ir atrás dos bandidos pareceu a coisa certa a se fazer. Um homem ferido e roubado precisava de ajuda, e ele encontrava-se por perto. Por que não prestar socorro? Sua cabeça latejava. Não devia ter feito nada. Chamar a polícia e uma ambulância teria sido melhor, não geraria tantos transtornos. Mas ao mesmo tempo, o que eles fez soava tão certo...

   As autoridades, corrompidas, só se preocupavam em defender a burguesia. A grande e iluminada Lumiose mantinha os índices de criminalidade controlados, enquanto as demais cidades ruíam à sua sombra. Realmente, por que se importar por meia dúzia de municípios que não produziam tanta riqueza pra região? Algumas nem ginásios ou laboratórios possuíam. Alguém tinha de fazer algo pela população indefesa.

   Lysandre suava frio quando chegou em casa. Suas veias pulsavam aceleradas e sua cabeça parecia que ia explodir. Conseguiu tomar uma aspirina depois de lutar contra suas mãos trêmulas, que se recusavam a abrir a embalagem do medicamento. Ingeriu tudo num gole de água pesado feito chumbo. Desabotoou a gola da camisa e sentou-se no sofá, com o rosto entre as mãos.

   Pyroar libertou-se de sua pokébola e aproximou o focinho de seu mestre, afagando seu cabelo ruivo. Lysandre levantou num sobressalto e empurrou o Pokémon para longe. Eles trocaram olhares por um instante, aquele não parecia o mesmo leão que atacara sem piedade os garotos no beco. Era tão calmo e carinhoso... Entretanto suas garras discordavam disso. Havia sangue seco nelas, relembrando-o de que tudo aquilo fora muito real. O incêndio, as pessoas queimadas, o Granbull agonizando. Eles foram a causa disso.

    A madrugada passou num piscar de olhos. Sem conseguir relaxar, olhava freneticamente para todos os cantos da sala e através da janela, como se alguém fosse aparecer ali e prendê-lo. O silêncio mortal da cidade dormindo era agonizante, fortalecendo ainda mais sua paranoia. Quando o sol já havia se levantado completamente, o barulho de uma chamada do Holo Caster soou, perturbando o ambiente calmo. Lysandre desligou-se de seus pensamentos por um momento, desconcertado pelo som. Fez um movimento com a mão e um holograma apareceu. Era Augustine Sycamore. Sua blusa estava amarrotada e seu cabelo apontava para várias direções. Uma xícara de café com a frase “#1 Prof” fumegava, soltando uma linha de vapor branca. Ele parecia cansado, o que não era uma novidade.

–... Olá, Augustine. – sua voz saiu carregada. Ele espremia os olhos para se acostumar com a luminosidade da imagem.
– Lysandre! – Sycamore largou o jornal e xícara de lado ao perceber que o amigo respondera à chamada. – Que ótimo vê-lo bem! Quer dizer, você parece péssimo, mas, hmm... – juntou o dedo médio ao polegar, estalando-os repetidamente, resgatando a ideia na memória. – Em segurança! Era esse o termo. Liguei para saber como você estava. Você viu os noticiários? Houve um incêndio aí em Anistar, encontraram duas pessoas e um Pokémon feridas no local. Um estrago. A rua toda ficou interditada e...
– Eu estou bem. – apoiou o queixo sobre o punho fechado. – Você tem que parar de me ligar toda vez que ouve uma notícia dessa cidade. Não é como se tudo acontecesse aqui na frente do meu prédio.
– Desculpa se eu fiquei preocupado. Aliás, avise pros seus amigos que esse não é mais o seu número. Acordei com o barulho da caixa de mensagem cheia, um monte gente ligando pra perguntar se você estava bem por causa desse incidente. – deu um gole demorado no café. Lysandre soltou uma risada abafada. Sycamore notou na tela menor a própria imagem e passou a mão no cabelo, tentando arrumá-lo. – Tem previsão para voltar a Lumiose? Essas férias suas estão durando o quê? Dois meses? Nada de bom acontece por aqui sem você.
–... Não sei. Estou no meio de um projeto aqui... – mentiu Lysandre. Ele não se sentia preparado para encarar a cidade grande de novo. A vida parecia mais simples ali, longe dos holofotes e da mídia para todo o lado.
– Se o seu projeto é desarrumar seu apartamento o máximo possível, você conseguiu. O que houve com você, Lysandre? Essa maresia deve estar corroendo o seu cérebro. Tenho treinadores com hora marcada para vir aqui ao laboratório. Treinadores, Lys! – exclamou, agitando as mãos – Sabe quanto tempo faz desde a última vez que alguém aparece?!
– Muito tempo. – sua voz saiu preguiçosa entre um bocejo.
– Exatamente! Por que não aproveita a oportunidade pra dar as caras e apresentar o Holo Caster pra eles, aquela coisa de praxe toda, como você sempre fazia? Vai te ajudar a reviver os ânimos. – propôs alegre, com um sorriso de orelha a orelha.

    Lysandre permaneceu em silêncio. Talvez fosse mesmo uma boa ideia sair dali. Para onde quer que olhava, a memória do que ele fez na noite passada aflorava, deixando-o nervoso e irritado. Voltar ao trabalho e focar em seus antigos projetos e até criar novos soava convidativo.

    Acabou por aceitar a oferta do amigo. Sycamore soltou várias exclamações e se despediu prometendo contar várias novidade e levá-lo aos novos restaurantes da cidade. Ao encerrar a chamada, notou o Pyroar do outro lado da sala, agora sentado, encarando-o. Foi até o Pokémon e afagou sua juba espessa, seguindo para apanhar um lenço umedecido. Não podia deixar o sangue nas patas do leão, isso geraria perguntas. Lutas tão violentas assim eram má vistas pela sociedade, e tudo que ele menos precisava agora eram pessoas o importunando.

    Quando foi apanhar os sapatos, percebeu que seu apartamento realmente estava uma bagunça. O sofá fora arrastado, o tapete estava embolado e com uma mancha escura, vários livros estavam espalhados em cima de mesas e estantes e algumas garrafas vazias de vinho e uísque encontravam-se amontoadas ao lado da porta. Nada daquilo estava certo. O clima atual de Kalos estava afogando-o cada vez mais em uma depressão. Não sentia mais prazer em fazer nada. Seu jeito metódico e perfeccionista de ser estava a um ponto de se esvair. Os planos para sua empresa pareciam escorrer por entre seus dedos feito areia. Sentiu-se impotente, sufocado. Tinha que sair dali.

    Tentou dar uma arrumada rápida no cômodo. Recolheu as roupas do chão, empurrou o sofá de volta para seu lugar, juntou todos os livros numa pilha e esticou o tapete o máximo possível com a ponta do pé enquanto tentava guardar os livros numa prateleira. Não estava perfeito, mas era o máximo que ele conseguiria fazer no momento. Recolheu Pyroar para sua pokébola e chamou pelo Holo Caster seu piloto, requisitando que seu helicóptero estivesse disponível dentro de uma hora. Tomou uma ducha gélida, mas a tremedeira de seu corpo em contato com a água o fez se sentir bem, como se um pouco da sua antiga vida voltasse aos poucos. Com o cabelo pingando, pegou uma muda de roupas aleatória e enfiou numa mala, junto com seu computador pessoal e qualquer outra coisa útil que via pela frente. Por fim, vestiu seu smoking característico, preto com detalhes em laranja escuro.

    Sua imagem no espelho parecia errada e certa ao mesmo tempo. Sua pele ficara pálida demais, o cabelo estava muito comprido, olheiras marcavam seu rosto cansado e a barba crescera. Estava muito diferente de quando chegou em Anistar. Tentou esboçar um sorriso, aquilo não era de todo mal. Já não se sentia a mesma pessoa há meses, então a aparência nova podia lhe servir bem.

    Fechou o zíper da mala e saiu puxando sua alça, as rodinhas emitindo um ruído ao passar pelo chão. O ar da cidade lhe pareceu estranho. Seu tempo ali chegara ao fim. Ao entrar no heliporto, as hélices do veículo começavam a girar, barulhentas. Lysandre se acomodou no assento e em nenhum momento da viagem olhou para trás.

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   Chegar em Lumiose foi cansativo. Antes de o helicóptero pousar, Lysandre observou um grupo de engravatados a sua espera. Dois meses recluso em sua cidade natal sem receber notícias da empresa vieram lhe bater à porta. Mas ele não queria ser incomodado com isso agora. Logo que tocou o chão, as pessoas avançaram sobre ele tão rápido como Pidoves quando lhes é dado migalhas de pão. Estendiam-lhe planilhas e papéis que precisavam de sua assinatura e tentavam lhe dirigir a palavra ao mesmo tempo, criando um tumulto. Conseguiu identificar pedaços das frases, ouviu “incêndio em Anistar”, “estávamos preocupados” e “tentamos entrar em contato”. Aparentemente aquela fora uma notícia destaque nos jornais.

    Mantendo a formalidade, Lysandre fez um gesto, não resolveria nenhum daqueles problemas imediatamente. Alisou o terno e abotoou seu único botão, entrando no elevador com paredes de vidro. A descida até o térreo foi reconfortante. Era bom estar na própria empresa novamente. Além disso, rever seu Gyarados o reanimou. O túnel e o elevador eram transparentes e atravessaram um enorme tanque do aquário que cortava o prédio de cima a baixo. Sua serpente marinha parecia maior e mais forte, nadando imponente, seguida por um cardume de Gyarados menores.

    Ao cruzar o hall de entrada, todos lhe lançaram olhares espantados e cochicharam entre si. Sua presença era uma surpresa. Eles saíam de seu caminho, fazendo pose e soltando cumprimentos nervosos, tentando transparecer que trabalhavam duro por aquela companhia. Um chofer correu apressado ao seu encontro, guiando-o até um carro preto lustroso. Lysandre ordenou que o levasse até o laboratório do professor Sycamore, e em seguida enviou uma mensagem ao próprio, avisando que estava a caminho.

    Era estranho ver ruas tão movimentadas. O comércio já estava aberto e milhares de pessoas circulavam de um lado para o outro, entrando e saindo das variadas confeitarias e lojas. Diversos pokémons faziam parte do cenário urbano, locomovendo-se entre a população, recebendo afagos e biscoitos ocasionais. O barulho dos sapatos batendo nas pedras do calçamento e o cheiro de pão e café frescos invadiram o carro e Lysandre sentiu a garganta se apertar. Aquilo estava errado. Tudo em Lumiose parecia correto demais. Sua população parecia não se importar que as demais cidades sofressem corte de gastos nos investimento públicos nem que estivessem à mercê de criminosos para manter a capital viva. Pressionou um botão com desgosto e a janela se fechou.

    O laboratório despontou à sua frente, e ele pode ver Sycamore debruçado sobre a mureta, acenado ansiosamente. Lysandre foi recebido com dois beijos estalados em cada bochecha.

Mon chéri, não imaginei que você fosse chegar tão cedo! – envolveu-lhe num abraço apertado. Ele cheirava a café e baunilha. Seu cabelo continuava embaraçado. – Venha, entre! Quero te mostrar muitas coisas.

    Sycamore puxou-o pelo pulso, e juntos atravessaram o pórtico de entrada. O laboratório continuava no mesmo caos de sempre, mas Lysandre notou como o amigo tentou organizar tudo de última hora. As gavetas transbordavam cheias de papel, pokébolas foram empurradas para debaixo das mesas, vários livros e tubos de ensaio encontravam-se amontoados próximo ao computador. Uma chaleira borbulhava na pequena cozinha anexada ao cômodo. Augustine andava de um lugar para o outro e apanhava vários objetos e papeis diferentes e os recolocava no lugar, sem conseguir decidir o que apresentar primeiro a Lysandre. A chaleira soltou um apito alto, tirando o professor de seu transe.

– A água para o café! – tentou colocar um livro de volta em sua pilha, que começou a desmoronar. Assustado com o seu nervosismo, o ruivo disse:
– Deixa que eu cuido disso. – sorriu, compreensivo. – Não quero ter que passar pela experiência de tomar um café feito por você novamente.

    Desligou o fogo e derramou a água sobre uma garrafa térmica com coador e pó já posicionados. Em seguida, estendeu uma caneca para Sycamore na qual estava escrito “Hot Prof” com tinta esferográfica preta. Imaginou que o próprio fizera aquilo e deu um risinho antes de tomar o café.

– Ummmm, está maravilhoso. – Sycamore enchia o segundo copo, inspirando profundamente para absorver todo o aroma delicado. – Peço desculpas pela bagunça. Não consigo manter organizado depois de, você sabe...  

    Lysandre não deu importância ao comentário. Seus olhos correram pelas paredes. Vários diplomas estavam pendurados num canto, enquanto que no meio da parede pendiam quadros de Melhor Pesquisa, Professor do Mês, Sorriso do Ano, outro de Professor do Mês, e assim por diante. A maioria deles escrita à mão, com letras infantis, e todos possuíam molduras bem lustradas. E, no centro de tudo isso, uma foto. Ele se aproximou para ver melhor. Ali estava gravado todo mundo.

    Diantha com um a jaqueta preta e bracelete com espinhos, piercings nas orelhas e maquiagem escura ao redor dos olhos. Ao seu lado, Malva, com um sorriso carinhoso e cabelo colorido num rosa brilhante. Sycamore, que na época usava o cabelo comprido preso num rabo de cavalo, posava de braços esticados, de boca aberta às gargalhadas. No canto esquerdo estava Lysandre, tímido em meio aos amigos agitados. Parecia que tudo aquilo acontecera há mil anos.

– Você ainda tem contato com elas? – continuava fitando a fotografia, absorvendo cada informação que ela continha.
– Há! Não. – balançou a mão, como se aquela pergunta não fizesse sentido. – Estão todas muito ocupadas por aí. Depois de virar atriz, Diantha apareceu umas duas vezes. Já a Malva, não tenho notícias desde a faculdade. Mas eu também não tenho muito tempo sobrando pra visitar elas o tempo todo...– olhou para a foto também. – Sacré bleu, como meu cabelo era enorme! Lembra da vez em que a Gabite incendiou ele? Soltou um cheiro horrível e tive que cortar no final das contas. – sua gargalhada foi interrompida por uma exclamação.

    Sycamore largou a caneca em cima de uma pasta e abriu várias gavetas a procura de algo. Sua busca acabou por desarrumar mais ainda aquele inferno de papelada, cabos e pokébolas. Algumas gavetas reviradas depois, ele retornou segurando dois cordões com pingentes semelhantes, e conduziu Lysandre para o jardim nos fundos, aos pulinhos.

    O jardim era o completo oposto do restante do laboratório. Os canteiros eram bem aparados, com folhas brilhantes e flores de vários formatos e cores. Algumas árvores de tronco grosso faziam sombra, deixando o local fresco. Havia alguns pokémons espalhados por ali. O bulbo de um Bulbasaur era visível entre os arbustos, um Chespin comia frutos do alto de um galho, Charmander, Fennekin e Squirtle corriam atrás do outro numa brincadeira. Um Frogadier treinava golpes num canto, sob a vigilância de uma Garchomp enorme. Augustine a chamou. Prendeu um cordão ao redor do seu pescoço e outro no da pokémon dragão.

– Estava ansioso para te mostrar isso! Estou nessa pesquisa há meses e acho que estou chegando perto de obter sucesso. Vê essas pedras aqui? – Apontou para os brilhantes: um era multicolorido e o outro possuía tons de azul escuro e laranja. – Andei estudando mega evoluções, e com esse equipamento eu consigo ativar uma nova forma mais poderosa dos pokémons!
– Isso é... Realmente muito impressionante – Lysandre respondeu, surpreso. Era bom ver o amigo tão empolgado com algum projeto depois de tanto tempo sem conseguir um resultado satisfatório. Acrescentou, num misto de curiosidade e desejo por ver Sycamore empolgado com seu interesse no trabalho – E como isso funciona, exatamente?
– Os dados indicam que, se um treinador e seu Pokémon compartilham um forte vínculo, a mega evolução se efetivará. – explicou animado. – Que tal uma batalha de demonstração?
– É seguro? – relutou.
– Ainda não tive tempo de testar... Que bobagem a minha, deve ser seguro. – deu de ombros em meio a uma risada forçada.

    Lysandre não se convenceu totalmente, mas chamou seu Pyroar, que logo se viu de frente a uma velha amiga, a Garchomp. Seu rabo balançou de um lado para o outro, e ele ronronou.

– Vamos lá! Garchomp, está na hora de fortalecer nosso elo. Supere as barreiras da evolução!

    Ao acionar a keystone e a garchompite, o Pokémon começou a brilhar. Um redemoinho de areia a circundou enquanto ela crescia pelo menos mais um metro e seu corpo ganhava espinhos e nadadeiras mais poderosas. O resultado foi incrível. Mesmo com pequenas alterações, ela parecia muito mais imponente que sua versão normal. Lysandre e Augustine admiraram-na por algum tempo, enfeitiçados. As bochechas do professor ficaram doloridas de tanto sorrir.

Très bien, hora de testar seu poder, garota. Comece com Dragon Tail!
– Desvie e use Will-O-Whisp. – Ordenou Lysandre.

    A cauda da mega Garchomp brilhou em tons esverdeados e ela saltou para cima do adversário. Todo esse tamanho tornou-a lenta, e o leão conseguiu desviar com facilidade, deixando-a queimada com seu golpe. Os dois se encararam, ansiosos, aguardando o próximo comando.

Fantastique! – Sycamore tinha as mãos fechadas em punho, animado como um jovem treinador em sua primeira batalha – Seu pokémon pode ser ágil, mas será que ele consegue escapar de um Stone Edge?

    Garchomp deu um pulo e caiu com toda a força sobre o chão. Com o impacto, várias rochas afloraram, encurralando Pyroar num círculo de pedras altas. Ele tentou escalar para sair dali, mas fracassou. Suas garras deixaram marcas profundas na rocha. Acuado, ele rosnou e soltou um Fire Blast para cima, acertando somente o ar.

– Aproveite que ele não pode escapar e use Dragon Tail novamente!
– Neutralize com Hyper Voice! – ordenou Lysandre.

    Um rugido ensurdecedor cortou o jardim e subiu em direção ao céu. Um bando de Fletlings levantou voo, assustado. Lysandre e Sycamore tamparam os ouvidos para tentar abafar o som. Quando ele terminou, viram que Pyroar estava livre – o rugido deve ter desestabilizado Garchomp, que não conseguiu manter as rochas expostas. Um ganido estranho chamou a atenção deles para a dragoa. Ela estava apoiada nas quatro patas, arfando com um olhar selvagem. Levantou-se balançado a cabeça e recarregou o Dragon Tail uma terceira vez, focada no leão de fogo com o olhar vidrado.

– Tudo bem, garota, vamos parar por aqui. – Augustine enfiou a mão no bolso atrás de sua pokébola.

    Entretanto, a pokémon não obedeceu, partindo para mais uma investida. A pokébola falhou ao tentar recolhê-la. A dragoa pulou sobre o Pyroar, a cauda pronta para nocauteá-lo quando uma rajada de chama ardente saiu dentre as presas do leão, acertando-a em cheio. Garchomp apoiou-se sobre um joelho. Seu couro liso e áspero de tubarão ficou com vários pontos queimados, e ela ardeu mais sob o efeito do Will-O-Whisp. O felino aproveitou essa brecha e avançou, arrancando-lhe o cordão com a Mega Stone a dentadas.

    O frenesi da Garchomp desapareceu na mesma velocidade com que veio. Seu corpo brilhou, voltando à forma original, e ela caiu no chão, exausta. Sycamore correu ao seu lado, passou um braço em volta de seu ombro e a ajudou a sentar. A respiração dela era pesava e seu peito arquejava. Lysandre
recolheu Pyroar e se aproximou dos dois.

    No terceiro andar do laboratório, uma assistente apareceu na janela, assustada, perguntando o que havia acontecido. O professor fez um gesto para que ela retornasse ao trabalho, porém a moça rapidamente desceu os lances de escada e entrou no jardim, prendendo o cabelo crespo num coque alto, com alguns cachos rebeldes soltos. Botou as mãos na cintura num gesto de reprovação.

Sacré bleu, Augustine! Ficou louco? – pressionou o indicador no peito do professor. – Você sabia que precisávamos fazer mais algumas análises antes de testar a mega evolução. Imagine só o que poderia ter acontecido se monsieur Lysandre não estivesse aqui para ajudar?! Garchomp poderia ter facilmente destruído tudo e atacado os pokémons! – virou-se rapidamente para Lysandre, com um sorriso envergonhado. – Desculpe-me pelos transtornos, senhor.
– Muito bem, Amélie! Já está tudo resolvido por aqui. – envolveu-lhe pela cintura, afastando-a do grupo. Botou a mão em concha ao lado do ouvido e encenou: – O que é isso? Querida, vá atender ao telefone para mim, por favor? Merci.

   A garota se desvencilhou de Sycamore num safanão e saiu batendo pé. Ela não havia se acostumado com as incoerências e extravagâncias do professor mesmo depois de quase um ano trabalhando ali, um recorde entre os funcionários. Augustine soltou uma lufada de ar e relaxou o corpo. Apanhou o cordão com a garchompite da boca do Pyroar e recolheu sua pokémon. De volta ao laboratório, o Holo Caster de Lysandre apitou.

– Desculpe incomodá-lo, senhor – a voz de sua assessora saiu engasgada. No holograma, uma mulher morena de cabelos pretos presos num rabo de cavalo apertado olhava constantemente para os diversos papéis em suas mãos. – Sei que nos ordenou para não lhe importunarmos, mas recebi chamadas que possam ser de seu interesse. – Pressionou os lábios, nervosa.
– Céline, não estou preocupado com esses assuntos agora – Lysandre estava a meio caminho de finalizar a ligação, quando ela respondeu:
– É sobre os noticiários, senhor. Alguns jornalistas e até um detetive tentaram contatar o senhor para obter mais informações sobre a noite de ontem. Julguei necessário contar-lhe isso.
– Detetive? – uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas. Por que estavam atrás dele? Será que alguém mais presenciou a cena do beco? Talvez os ladrões tenham reconhecido seu rosto... Não. Ele permaneceu com a face encoberta durante todo o encontro. O que aquilo significava? Lysandre ficou visivelmente perturbado, piscou repetidas vezes os olhos, confuso e irritado por não conseguir decifrar o que ele poderia ter feito de errado. – Chegarei aí o mais rápido possível. – encerrou a chamada.
– O que houve, Lys? – Sycamore olhou sobre seu ombro o holograma desaparecer. Percebeu então a inquietação do amigo.
– Não é nad... Eu preciso ir. – passou a mão pelo cabelo, empurrando-os para trás.

   Lysandre cruzou o laboratório apressado, sentindo sua pressão subir a cada passo. Girou a maçaneta da porta de entrada de forma bruta e quase tombou sobre uma garota que se encontrava do outro lado, com o braço esticado para tocar a campainha.

– Ai! – ela reclamou, dando um passo para trás, ajeitando a bolsa no ombro. – É a terceira vez que eu toco a campainha e me atendem assim! Você é o professor, não é? Tentei ligar mais cedo, mas pelo visto vocês não usam o telefone normal em Kalos, só aquela porcaria de Holo-alguma coisa. – ela não parava de falar. Ajeitou o cabelo atrás da orelha e alisou a blusa sob um macacão. – O outro treinador que vinha comigo desistiu, preferiu ficar em Sinnoh ou algo do gênero, eu realmente não dei importância...

    Lysandre ficou atordoado com todo aquele falatório. Ela continuou reclamando mais um pouco, até que Sycamore juntou-se a eles na porta.

– Amber, chérie, bem vinda! Já conheceu monsieur Lysandre, uma pena que ele estar de saída. Ele criou o Holo Caster, sabe? Uma maravilha! – percebendo o desconforto do ruivo, Augustine conduziu a menina para dentro. Dirigiu a palavra ao amigo uma última vez, preocupado. – Está tudo bem mesmo, Lys? Saiba que pode contar comigo caso precise de ajuda...
– Eu sei. – cortou sua fala enquanto atravessava o portão, entrando no carro.

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    Lidar com os jornalistas foi fácil. Eles estavam mais interessados em saber sobre os planos de Lysandre para a empresa e seus futuros projetos e lançamentos. Apenas dois deles fizeram perguntas sobre o incidente em Anistar, queriam saber qual era a sua opinião sobre o ocorrido e a situação das ruas na cidade. Lysandre ficou furioso com sua assessora. Ela deixara transparecer que o assunto era importante, e aquelas entrevistas foram uma perda de tempo. Restava o detetive.

    O tiquetaquear do relógio de pulso estava deixando-o louco. Claridade entrava pelas grandes janelas que ocupavam toda uma parede da sala, iluminando-a por completo. Lysandre sentava-se em sua mesa de madeira grossa e negra. Acima dela, uma pequena pilha de cartões de visita vermelhos encontrava-se milimetricamente arrumada. O abajur, as poltronas, o tapete, o computador, o chão e as paredes possuíam um padrão de cores, criando uma harmonia vermelha-preta-branca no cômodo.

    Tamborilava os dedos sobre a mesa, agitado. Olhou novamente para o relógio: já eram quase duas da tarde. Quanto tempo mais teria que esperar? Ele era um homem ocupado, não podia simplesmente ficar sentado aguardando pelos outros. Pegou uns papéis a sua direita, lendo por alto os projetos a serem aprovados. Alguns títulos fizeram sua espinha arrepiar: alguns funcionários seriam convidados a se retirar em breve. Uma mensagem de voz foi reproduzida em seu Holo Caster, indicando que o senhor Looker aguardava e ele o mandou entrar.

    À primeira vista, ele parecia um homem cansado. Devia ter seus quarenta e tantos anos, o cabelo grisalho na lateral da cabeça denunciando a idade. Seu rosto era marcado por rugas de preocupação e seu sobretudo surrado indicava longas horas de trabalho e pouco descanso. Lysandre notou a ponta de um distintivo da Policia Internacional à mostra no bolso em sua camisa.

– Boa tarde, senhor. Fico contente por ceder um pouco do seu tempo. – estendeu a mão para um aperto firme. – Detetive Looker.
– Prazer. – forçou um sorriso, sentando-se novamente em sua poltrona, fazendo sinal para que o homem lhe acompanhasse. – Fiquei curioso quando soube que me procurava. E agora o senhor prende minha atenção. Fiz algo de errado para atrair o olhar da Polícia Internacional? – soltou uma risada. Não poderia deixar escapar nada. Looker pareceu desconcertado e se ajeitou na cadeira.
– Duvido que esse seja o caso. – sua boca se retorceu, tentando retribuir um sorriso dissimulado. Buscou alguma coisa em sua pasta. – Creio que o senhor não se incomodaria se essa conversa seja gravada.
– De forma alguma. – o detetive posicionou um gravador sobre a mesa, entre os dois.
– Penso ser de seu conhecimento os eventos que ocorreram na noite de ontem em Anistar. Estou correto?
– Não me é nenhum mistério.
– Claro que não. – mais um sorriso. – Uma rua interditada, incêndio e dois feridos não passam despercebidos assim. Os garotos foram levados ao hospital com queimaduras graves. Um deles precisou ter parte do braço amputada – Lysandre lutou para ocultar suas emoções. Dois garotos. O terceiro membro do grupo conseguira escapar! Seria ele seu delator? Enquanto isso, Looker fez um movimento, indicando o tamanho do coto, um pouco acima do cotovelo. – O pobre Granbull não resistiu, coitado. Uma pena. Bom, encontramos uma testemunha no final das contas. Não nos deu muita informação, mas em seu relato mencionou um homem cujas descrições batem com a sua.

    Então fora o engravatado! Lysandre não sabia o quanto ele poderia ter falado para as autoridades. Quando ele saiu do beco, o homem não estava mais lá. Talvez ele nem o tenha visto entrando na ruela em primeiro lugar... O detetive posicionou três fotos na sua frente:

– Reconhece essas pessoas?
– Os dois rapazes, não. – seus rostos estiveram ocultos por máscaras durante o assalto. A terceira pessoa ele conseguiu identificar, mas mentiu: - Quer que eu me lembre da cara de um engravatado de Anistar? Há milhares deles por lá, sem contar os inúmeros que eu vejo só nessa empresa todos os dias. Não significa nada para mim.
– Certo. – recolheu as imagens – Entretanto, nós o entrevistamos antes do senhor e lhe mostramos uma foto sua após ouvirmos as descrições. Ele afirmou que era você quem ele viu. Tem algo a comentar sobre?
– Devo ter cruzado por esse homem na minha volta para casa. – Lysandre respondeu, se esforçando para parecer que aquilo não era nada de mais. – Tudo que me recordo é que ouvi um grito e me virei para ajudar, mas quando vi os bandidos vindo na minha direção, corri. Não seria lógico ficar parado esperando para ser atacado. Mas rosto, não consigo me lembrar de nenhum. Tudo aconteceu muito rápido.
– Sua história bate com a de nossa fonte. Ele também nos contou que viu o senhor correndo e disse que invejou seus reflexos tão ágeis. – finalmente pareceu ter comprado aquela história. Se as memórias do engravatado estavam confusas depois de ter sido ferido, fazendo-o esquecer de alguns detalhes, Lysandre não iria reclamar. O detetive esticou o braço para apanhar o gravador de volta e fez uma última pergunta: – O senhor teria mais alguma informação para nos ajudar na busca pelo culpado pelo incêndio?
– Não. Esse pobre senhor já lhe contou tudo. Nada mais a acrescentar.

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   Lysandre só percebeu que já era noite quando Sycamore ligou, convidando-o para um jantar no restaurante Le Yeah, cujo proprietário e chef era o membro da elite quatro Siebold. O ruivo pediu desculpas e recusou com formalidade, estivera muito atarefado desde a saída do detetive Looker. O interrogatório o deixara agitado, o que o motivou a voltar logo ao trabalho a fim de distrair a mente.

    Realizou duas reuniões para discutir os assuntos mais urgentes, o que lhe custou mais três horas. Os funcionários já estavam ansiosos para voltar para casa. Entrou no elevador com um grupo que conversava animadamente, como se não notassem a presença de seu patrão. A maioria dos assuntos era sobre papelada, uma cafeteira defeituosa e saídas prum bar. A porta se abriu e enquanto saíam, Lysandre pescou um início de frase:

– A Central hoje estava ótima! Muitas ligações engraçadas, vocês não imaginam o que...

    E o elevador voltou a se movimentar. Lysandre ficou estupefato. O rapaz contava como se fosse recorrente sua visita à Central de Dados para bisbilhotar as conversas alheias. Todas as ligações eram arquivadas cuidadosamente e só eram resgatadas caso seu conteúdo fosse relevante para alguma investigação policial, mas as solicitações eram raras. Aquilo era inaceitável. Ele fez uma anotação mental de que reforçar a segurança e monitoramento da Central seria a primeira coisa na sua lista de afazeres da manhã seguinte. Entrou rapidamente na sua sala, apanhou a maleta para finalmente ir para casa.


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   Lysandre acordou estonteado. O barulho Holo Caster parecia mil vezes mais alto quando o arrancou de seu sono. Desvencilhou-se das cobertas e tateou o criado mudo, a procura do equipamento. O brilho indicando a chamada de voz o fez piscar os olhos repetidamente. Era um número desconhecido.

– Alô... – sua voz saiu embargada. Ele esfregou o rosto, tentando despertar.
– Boa noite, senhor. – respondeu uma mulher do outro lado da linha. – Sou Hélène e falo em nome do Hospital Geral de Lumiose, procuro pelo senhor Lysandre.
– Está falando com ele... – Hospital? Franziu o cenho. – Do que se trata essa ligação?
– Um de nossos pacientes pediu-me para contatar-lhe logo antes de ser internado, senhor. Por acaso conhece um homem chamado Augustine Sycamore?
– Sim, ele está bem?! O que houve? – ele se sentou. Sycamore parecia bem no dia anterior, o que poderia ter acontecido com ele?
– No momento, seu quadro encontra-se estável, senhor. Ele foi trazido para cá com um corte profundo no braço esquerdo e na barriga, esfaqueado. Fui informada que o laboratório dele foi arrombado. – ela completou. O cérebro de Lysandre estava a mil. – Geralmente, a visitação é permitida apenas para familiares, mas como seu nome era o único na lista para emergências, o senhor poderá visitá-lo.

    Não se lembrava se agradeceu a mulher antes de desligar. Sua mente não conseguia processar as informações recebidas. Como aquilo fora acontecer? Por que alguém invadiria um laboratório Pokémon? Não encaixava a ideia de uns bandidos se interessarem por biologia, comportamento de Pokémons e evolução... Mega evolução. Sycamore iniciara esse projeto há alguns meses, mas ainda não o havia apresentado ao público. De algum modo essa informação deve ter vazado, e Mega Stones nas mãos de criminosos era tudo o que Kalos menos precisava no momento.

    Tentou se levantar, mas seu corpo estava paralisado. Sentiu uma camada de suor grudar a roupa contra a pele. Não conseguiu se acalmar: a imagem de Augustine num leito de hospital só o deixou mais nervoso. Mienshao apareceu na porta, com um olhar curioso. Aproximou-se e cutucou a mão de Lysandre com o focinho. Com certo esforço, o ruivo conseguiu sair da cama. Vestiu uma calça cinza e o primeiro casaco que alcançou, e quando estava a ponto de deixar o apartamento, ouviu um miado baixo do Pyroar.

    O leão e a doninha encaravam-no. Não soube por que, mas sentiu-se mais calmo quando os recolheu para as pokébolas e as enfiou no bolso. Pegou a chave do carro a saiu acelerado pelas ruas cintilantes do centro de Lumiose.

    Enquanto dirigia, surgiu-lhe uma ideia. Freou bruscamente e parou no meio da pista, o motor ronronando rítmico. Ele não poderia fazer muita coisa por Sycamore no hospital, e vê-lo inconsciente só o deixaria mais transtornado. Lembrou-se do que um de seus empregados dissera mais cedo, sobre as conversas que ouvira na Central de Dados. Pegou o retorno e seguiu em direção ao prédio da empresa. Chegando lá, nem se deu ao trabalho de entrar na garagem, deixando o carro estacionado no meio fio.

    O edifício parecia completamente diferente. Emitia uma luz fraca, com poucas lâmpadas acesas àquela hora da madrugada. Passou seu cartão de acesso e as portas se abriram. Um vigia noturno lhe cumprimentou enquanto ele andava apressado até o elevador. O quinto andar do subsolo nunca lhe pareceu tão distante. Cada momento da descida parecia durar uma eternidade, ele apertou com mais força o botão marcado, impaciente. Pelo vidro pôde ver alguns pokémons do aquário despertando com o barulho repentino. Quando a porta se abriu, Lysandre saiu num pulo, mantendo as passadas largas. Passou o cartão mais uma vez e entrou na Central.

    Inúmeros telões brilharam pelo recinto, revelando inúmeros corredores de processadores e gabinetes. Mas ele sabia qual acessar. No extremo oposto da sala havia uma máquina com as informações que ele buscava. Todas as conversas de Kalos estavam registradas ali, assim como a localização de todos os Holo Casters da região. Começou a filtrar sua pesquisa: distrito, município, horário... Mas havia muitas mensagens. Aparentemente havia alguma festa num canto da cidade e a rede estava repleta de áudios de gente ébria.

    Seus olhos corriam agitados de um arquivo para outro, até que desistiu de tentar encontrar algo que pudesse ter sido deixado pelos bandidos. Não seria muito inteligente fazer ligações no meio de um crime, de qualquer maneira. Chamadas podiam ser interceptadas. Pensou então em filtrar pelo histórico do GPS dos aparelhos. Digitou uma senha: esse conhecimento era restrito somente a ele, nem a polícia tinha acesso a essa informação. Pouco tempo depois, ali estavam seus criminosos.

    Pela atividade do localizador, três pessoas invadiram o laboratório de Augustine há pouco menos de uma hora. Permaneceram lá por onze minutos e fugiram em direção a nordeste. Três estrelas vermelhas dos seus Holo Casters apareciam num ponto do mapa. Mais uma estrela apontava para o mesmo lugar. Lysandre memorizou o endereço e trancou a sala enquanto saía.
   
    Pisou fundo no acelerador. Seu carro foi serpenteando pelas ruas de Lumiose em direção ao subúrbio. Ele olhava frequentemente para GPS, conferindo sua posição e proximidade com o local. Quanto mais a distância diminuía, mais colérico ele ficava. Aquilo tudo o enfureceu. Viu-se enojado por ter sentido algum remorso depois de atacar os moleques e incendiar o beco na noite anterior. Dessa vez o incidente era pessoal, e ele não deixaria ninguém sair ileso.
Longe do centro, as ruas eram mais estreitas e não tão iluminadas. Parou o veículo afastado do seu destino – seria imprudente chamar atenção – e seguiu o restante do caminho a pé, com o rosto oculto pelo capuz do casaco. Os bandidos encontravam-se dentro de um pequeno galpão há trinta metros de distância. As motocicletas estacionadas perto da entrada indicavam a presença deles ali. Com as costas coladas no muro, Lysandre aproximou-se silenciosamente, estudando a edificação.

    Num momento, ouviu uma risada abafada vindo de seu interior. Uma conversa prosseguiu, entretanto, do lado de fora soava como um ruído baixo. Ele identificou uma garrafa de gasolina ao lado das motocicletas e a apanhou furtivamente. Poucos passos a frente encontrava-se a escada de incêndio, e ele subiu até o segundo e último andar. Forçou as janelas com o máximo de cuidado que se permitiu, até uma ceder. Estava dentro do galpão.

    O piso superior era estreito e bagunçado. Dezenas de caixotes velhos espalhavam-se espalhados por todo o canto. Lysandre tomou cuidado onde pisava, pois alguns cabos estavam soltos pelo chão. Posicionou-se de modo a conseguir visualizar o andar de baixo: o quarteto circundava um par de mochilas abertas. O brilho de mega Stones emanava de uma delas enquanto a outra continha equipamentos eletrônicos surrupiados.

– Tem certeza que não deixaram nada para trás? Nenhuma digital?! – o homem com as mãos na cintura falou. Ele era baixo, loiro e de membros troncudos. Usava uma jaqueta, calças rasgadas e uma bota de couro. Nas mãos, vários anéis dourados. Pela postura, deveria ser o líder.
– Nada. Usamos luvas o tempo todo – um rapaz tirou a máscara, revelando um rosto magro e encovado, de um nariz comprido e cabelos pretos num corte militar. Os outros dois fizeram o mesmo. Eles eram muito parecidos, provavelmente irmãos. Eram altos, musculosos e carecas, com expressão de poucos amigos.
– Espero que esteja falando a verdade. Da última vez quase fomos pegos, seus imbecis. – o chefe bradou. – E essas pedras... Pegaram todas?
– Sim. Reviramos o laboratório, são todas as que encontramos...

    Enquanto a conversa continuava, Lysandre aproveitou a oportunidade para derramar gasolina entre as caixas. Tentou fazer o menor barulho possível, torcendo para que o cheiro forte não descesse e ele fosse descoberto. Sua mente dava voltas enquanto traçava um plano.

– Espere, não sabemos se é seguro ativar isso ainda! – a voz do moreno saiu tremida.
– Cale a boca! – o líder lançou uma pokébola, da qual saiu um Lucario. Ele então prendeu um cordão com a lucarionite no pescoço do cão rispidamente, e segurou a keystone firme no próprio punho. – Vamos, mega evolua!

   Lucario estava agitado. Levou mais tempo brilhando do que a Garchomp de Sycamore. Seu corpo cresceu um pouco e ficou rajado de preto e vermelho, com o pelo eriçado. Seu treinador soltou uma risada maliciosa, dando tapinhas nas costas do pokémon, que balançava a cabeça freneticamente, olhando ao redor, em alerta.

– Olhe quanto poder! Consigo sentir sua força daqui! – virou-se para os três, que agora pareciam convencidos. Lucario farejou o ar e soltou um rosnado na direção das caixas acima. – O que foi? Você sentiu alguma coisa?

    O cão latiu e saltou em direção ao segundo piso, com o Bone Rush preparado. Quando estava quase alcançando a grade, um Mienshao pulou na sua frente, acertando-o no queixo com um intenso High Jump Kick, jogando-o ao chão.

– De onde esse bicho saiu?! – gritou o chefe, explodindo de raiva. Apontou para seus subordinados – Isso é culpa de vocês! Alguém os seguiu! Façam alguma coisa!

    Um dos carecas libertou um Vigoroth e ordenou que usasse Shadow Ball no invasor. Lucario levantou-se, atordoado. Após se firmar de pé, estalou as patas dianteiras, carregando um Aura Sphere pulsante.

– Pyroar, Fire Blast!

    Lysandre havia dado a volta pelo piso superior, descendo pela escada atrás dos bandidos. Seu leão lançou um jato de fogo em todas as direções, ferindo os adversários e incendiando as caixas do galpão. A chama atingiu o andar de cima, explodindo em contato com a gasolina derramada. Todos se jogaram no chão, fugindo dos estilhaços que voaram para toda parte. O ar ardia e começava a se impregnar de fumaça. Cheiro de tecido e pele queimados misturou-se ao de fuligem e combustível.

    Na confusão, a mochila com as Mega Stones caiu, e o ruivo correu para apanhá-la, cobrindo o nariz e a boca do cheiro forte. Quando pôs suas mãos sobre ela, sentiu um puxão na outra alça.

– Não vai roubar isso de mim, seu merda. – o chefe grasnou. – Lucario, Close Combat!

    O pokémon correu em sua direção, preparando os punhos. Lysandre fez força ao puxar mais uma vez a bolsa, dando as costas para o Lucario que vinha furioso. Calculou em sua mente o tempo que restava até o ataque... E se abaixou.

    Alterado pela instabilidade da mega evolução, o cachorro não conseguiu se deter a tempo. Uma chuva de socos e chutes foi desferida contra seu próprio treinador, num frenesi. Foi possível ouvir ossos se partindo, e o homem estatelou no chão de concreto, a boca aberta sem conseguiu gritar, tamanha sua dor. Seus comparsas ficaram sem reação. Era a vez de Lysandre contra atacar.

– Mienshao, Knock Off no Lucario, depois finalize com Acrobatics. – gritou a plenos pulmões. Estava ficando difícil de respirar. – Pyroar, acabe com o Vigoroth!

    A doninha acertou o golpe, arrancando com seu braço longo e musculoso o cordão com a mega Stone do pescoço do cão, que emitiu um brilho fraco e voltou a sua forma original. A seguir, chocou seu corpo contra o dele de forma tão rápida que nem Lysandre conseguiu acompanhar. Lucario ganiu e foi arremessado em direção a uma viga que se partiu, caindo junto dele no inferno incandescente. Seus urros foram abafados pelo crepitar das chamas.

    Enquanto isso, Pyroar rugia feroz, desferindo arranhões e mordidas em Vigoroth. Sangue escorria do pescoço e costelas da preguiça, e sua pelagem branca estava chamuscada. O leão, com o dobro do tamanho, prendeu-o num abraço apertado e liberou um Dark Pulse que o nocauteou. Dessa forma, os dois pokémons partiram para cima dos três bandidos, que tentavam escapar. Pyroar bloqueou a saída e espalhou mais fogo pelo galpão enquanto Mienshao desferiu uma série de Poison Jabs, deixando-os desmaiados.

    Lysandre olhou seus corpos desfigurados com asco, reprimindo a bile que tentava subir pelo esôfago. O galpão estava quase todo tomado pelo fogo. Ele recolheu seus dois pokémons ofegantes pelo calor e falta de oxigênio no ar, apoiou a mochila nas costas e partiu em silêncio. Do lado de fora, obervou o incêndio subir espiralado em direção ao céu, como uma lança flamejante realizando uma estocada contra a noite estrelada. Fumaça negra corria pelo vento, espalhando os restos daquela tragédia.

    Ele riu ao voltar para o carro. Riu enquanto dirigia de volta para casa. Riu por ter feito justiça ao seu querido amigo. A partir daquele dia decidiu que ninguém mais iria continuar a sujar Kalos. Ele seria aquele que iria purificar aquela região, fazendo-a renascer bela novamente.

ᕕ( ᐛ )ᕗ


Nota da autora:
Olá! Muito obrigada por ter lido até aqui. Sim, o capítulo ficou grande... Mas eu precisava colocar tudo isso. Pensei em dividir em capítulos menores (o que seria ótimo pra mim, pois eu poderia ir postando ao longo da semana), mas não teria um final emocionante. Se tivesse terminado depois da conversa com o Looker, por exemplo, ia ficar meio "meh, tá e daí?"
Enfim! Espero que tenham gostado e que comentem!  Very Happy Se não gostou, comente também! Me fale o que não te agradou pra eu poder melhorar no futuro. Críticas construtivas são sempre bem vindas. Caso alguma dúvida, me diga aí em baixo que eu respondo, a menos que seja um spoiler, aí vocês vão descobrir mais pra frente na história.

E pra terminar, queria deixar aqui um bônus! Olha como eu sou legal. Eu acabei desenhando a foto que estava na parede do laboratório do Sycamore, com a patota toda e pensei, por que não colocar aqui? Espero que gostem da ideia. Se eu tiver com tempo, pretendo (?) fazer isso nos próximos capítulos também, o que acham?

Beijinhos e até o próximo capítulo! o/

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Re: A Case in Red

Mensagem por Kirkos em Dom 4 Out 2015 - 16:12

Olá, tudo bem? :B

Então, esse capítulo ficou muito grande, ô se ficou. Entretanto, eu não vi ele como um capítulo pesado ou cansativo de ler, geralmente quando capítulos sejam de fic ou de livro comum ou até mesmo de quadrinhos (incluindo mangás) ficam muito grandes eu fico com um tédio absurdo e quase desisto de ler. Não foi o caso aqui, e isso é MUITO bom porque mostra que mesmo fazendo uma coisa grande, sua escrita não cansa o leitor.

O Lysandre pra mim é uma incógnita em relação ao fato de que ele vai se "corromper" e criar a Team Flare. Eu não joguei XY e particularmente tenho 2825192625260 críticas a Kalos mas você conseguiu fazer com que eu não detestasse Kalos at all como eu detestava, isso em grande parte não pela história em si como um todo e sim pelo Lysandre na época pré Team Flare (uma ideia genial, mas eu já te disse isso hahaha).

A sequência de ações do Lysandre chegando na companhia dele foi PERFEITA. Adorei porque eu de fato enxerguei um falatório e papeis quase sendo esfregados na cara dele. Consegui até rir com ele tentando andar mas sendo impedido pelas pessoas hahahahah

Outra coisa que é muito interessante é que pela linha temporal de Kalos as Mega Evoluções realmente são ditas como "novidade" então não se sabe muito sobre elas, tanto que Garchomp ficou descontrolada na luta com Pyroar, o que mostra que Sycamore tem que estudar um pouco mais o fenômeno. Falando em Sycamore, eu não consigo vê-lo se não como uma criança pequena que está conhecendo seu herói toda vez que ele vê o Lysandre Laughing

Bem... Syca foi parar no hospital por conta do roubo, isso realmente é complicado. Eu tinha falado do lance da violência, mas dessa vez (acho que mais porque eu acabei me acostumando depois do capítulo 1 eu não torci a boca na hora que vi cenas de violência e tal). O incêndio foi muito bem construído e eu achei interessante também porque eu como eu disse ali em cima, a construção do Lysandre corrompido começa agora, com ele praticando pequenos atos de violência em prol "do bem maior".

Estou ansioso para um encontro com a Malva, não sei porque, mas quero muito que ela e Lysandre conversem afinal ela é classificada na Bulba como uma membro do Team Flare (ainda que não efetivada ou alguma coisa assim). Eu quero muito ver ela embarcando nessa ideia do Lys para ajudar a tornar Kalos um lugar melhor.

Ah, uma coisa que eu acho interessante para sugerir enquanto leitor e que tem expectativas em relação a isso: eu quero ver a Mega Evolução do Gyarados do Lys, e acho que seria suuuuuuuper legal se a Gyaradosite fosse um presente do Syca pro Lys depois de ele ter feito alguma coisa ele, embora eu tenha muita vontade de ver mais pro final da história com a Team Flare quase formada uma fenda na relação dos dois com uma batalha usando Mega Evoluções hahahah

Aliás, uma coisa que eu acabei achando muito interessante ao assistir o especial da Mega Evolution foi que logo depois que eu terminei e vim ler seu cáp. eu consegui enxergar o Lysandre com muito mais clareza, apesar dele ser mais novo aqui. Isso fez um bem danado para minha compreensão dele enquanto personagem.

Falando da escrita e estrutura: impecáveis, como sempre. Eu só queria atentar para uma coisa que é meio que mania minha então pode ser meu lado egoísta enquanto escritor falando mais alto mas é que eu tenho uma coisa com descrição envolvendo as cores do lugares, sabe? Eu imaginei muita cor aleatória e eu gosto de enxergar o que o escritor tá pondo no "papel" pra eu ler, sacas? É mais um egoísmo meu, então não acho que seja de fato uma crítica. A formatação do texto torna ele MUITO bom de ler e tô pensando em dar uma roubada pra minha fic Laughing

A foto no final ficou muito fofinha e bem feita, eu super imagino eles na faculdade super amigos e tal, pena que... Né rs Seria interessante sempre postar uma imagem de algo do capítulo, daria uma maior realidade pra história (:

Acho que é isso, keep writing. Preciso saber mais da história desse cara, pfvr. Te amo <3
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Re: A Case in Red

Mensagem por Benitez em Dom 4 Out 2015 - 19:03

Realmente, o capítulo ficou grande, mas isso não me incomodou de forma alguma. Achei o desenho da foto muito foda, esse tipo de coisa complementa muito bem a fic.

Os planos com a fic vão até Lysandre fundar a Team Flare ou vai continuar a partir desse ponto? Ia ser legal ver o eventos do xy na ótica mais realista que você escreve, sem necessariamente estar vinculado ao que acontece no jogo. Seria divertido por exemplo se aqui a Team Flare triunfasse. Pelo menos eu vou torcer pra que isso aconteça haha

Siga com a fic, estou gostando muito
Estarei aqui nos próximos capítulos o/
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Re: A Case in Red

Mensagem por Black~ em Dom 4 Out 2015 - 21:24

Bom, vamos lá.

Capítulo bem grandinho mesmo, mas who cares? Eu gostei bastante desse capítulo e como você disse, ele teria que ser escrito inteiro, se você o fragmentasse, ele ia ficar incompleto. Tipo, uma coisa é mistério, outra totalmente diferente seria você acabar naquela cena do Looker, por exemplo, como você falou, mas enfim. Gostei bastante e li até rápido, já que a narração foi fluindo bem.

Bem, o Lysandre talvez não seja nem herói, nem vilão. Pelos jogos e pelo anime, ele é vilão. Mas pelo que foi mostrado até agora, ele seria no máximo um anti-herói, visto que ele resolve os problemas de maneira pouco usual - matando as pessoas, por exemplo. Além do mais, ele mostrou-se preocupado com Kalos e mostrou que quer resolver os problemas, ele só não disse que iria fazer isso seguindo a lei.

A situação descrita de que a população já está acostumada e acomodada é mostrada quando o detetive Looker diz que o engravatado que foi quem denunciou Lysandre. Mesmo que o homem não soubesse que Lysandre ia matá-lo, ele tinha atacado bandidos, então, não acho que teria a necessidade de ele chamar a polícia, visto que o Lys só estava "fazendo o bem", mas enfim.

A relação entre o Lysandre e o Sycamore é bem interessante. Tinha até uma fic aqui no fórum (muito boa, por sinal) que explorava esse bromance. Não sei o quão próximo eles são nos jogos, mas imagino que seja bastante, já que foi retratado outra vez numa fic. Eu também gostei bastante do fato do Lysandre ter feito essa coisa "ilegal" para ir atrás dos bandidos.

O fato que eu achei interessante, foi que você realmente colocou a corrupção na fic mesmo, o que era óbvio já. Esse fato de ignorarem as outras cidadezinhas só pra investirem tudo em Lumiose ficou bem legal, e a população de Lumiose parecia nem se importar que todas as outras 15 ou 20 cidades do continente estão em condições de calamidade.

Não me lembro bem, mas quando o Ash foi ao laboratório do Sycamore, ele ainda estava pesquisando sobre a Mega Evolução, mas a fic se passa num tempo passado em relação aos eventos do anime/games, então achei até que o Sycamore "descobriu" rápido a Mega Evolução. Mas, como era de se imaginar, ela falhou bastante e ainda alterava o comportamentos dos pokémons, deixando-os bem sinistros.

Bem, já espero para ver até onde vai esse senso de justiça de Lysandre e quando a Team Flare será, de fato, formada -q, mas enfim.

É só e boa sorte com a fic.
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Re: A Case in Red

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