Pokémon Mythology
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Memento

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Memento

Mensagem por Weird von Gentleman em Ter 10 Fev 2015 - 15:29

Nesta já ando a trabalhar há muito.
Disfrutem! cheers



Sinopse:
Quando o Leitor encontra uma série de documentos de um misterioso escritor, a sua vida nunca mais voltará a ser a mesma. Decidido a encontrar resposta a inúmeras perguntas que ficam por responder numa carta dirigida a si, depara-se com um conjunto de narrativas, nas quais a linha que separa a realidade da ficção é tão frágil como um fio de seda. Várias personagens movem-se num mundo em que criaturas misteriosas povoam lugares assombrados e cabe apenas e só ao Leitor discernir no que acredita: nos relatos bizarros que parecem fruto da imaginação do escritor, ou nas terríveis semelhanças com a realidade?
Índice:
Carta deixada ao leitor, sob forma de prólogo [Neste post]

Parte 1 - Em flor
1| Chegada 
2| Primeira paragem
3| Serena
4| Mais dúvidas, menos certezas

---------

Carta deixada ao leitor, sob forma de prólogo



Não há nada mais frustrante do que remexer num baú poeirento e não encontrar o que se procura, tal é a amálgama de memórias. Contudo, não devem ser celebradas tréguas sem primeiro desalinhar todo o seu conteúdo estomacal do objeto, fazendo-o vomitar todas as recordações que engolfou. Um baú é um objeto guloso, que devora lembranças, como um urso devora mel. Não obstante ser difícil remexer no seu bolo alimentar, a descoberta frutífera de uma memória há muito esquecida e ali reencontrada, é, como todos sabemos, uma das mais gratificantes sensações. E ainda mais gratificante se torna quando, ao remexer em todas aquelas recordações, não encontramos só aquela que procuramos: encontramos algo mais que nos desperta a nostalgia. De facto, o sobrescrito que encontrei esta manhã, quando procurava algumas notas há muito guardadas, foi uma descoberta “acessória” que muito me entusiasmou. Digo acessória, por não ter sido o principal objeto de interesse do meu estudo às entranhas do baú, mas sim como algo lateral que encontrei.

É um objeto interessante: amarelado, cheio de rugas, com o seu selo vermelho de lacre já quebradiço – sinais de como o tempo passa e deixa atrás de si um rasto de mutabilidade. Não me lembro de o ter posto no baú, para ser franco. Posso não me lembrar da maior parte das memórias que aqui guardo, mas quando encontro algo que me surpreende, a minha consciência estabelece uma ligação entre o passado e o presente e a memória do objeto vem-me à cabeça. Mas isso não aconteceu com esta carta. Está lacrada com um selo carimbado envergando umas letras estilizadas que me parecem um M e um V, mas não faço qualquer correspondência. À frente, uma caligrafia delicada, onde cada letra está cuidadosamente desenhada, discrimina o recetor do sobrescrito.

“Ao leitor”

Nada mais direto, nada mais vago. Esta carta foi claramente destinada a alguém que espera receber a mensagem nela contida. No entanto, as probabilidades de o recetor deste velho sobrescrito ainda estar vivo são remotas. O Homem enruga, fraqueja, desfalece e morre; as palavras são eternas. Decido, portanto rasgar com cuidado a dobra do envelope, de modo a conservar aquele lacre carimbado, expondo o seu conteúdo à claridade. A tinta, encerrada há tanto tempo, sedenta de olhos que lhe deem atenção e de luz que a alumie, tremeluz com a vibração da chama da vela. Começo a ler a carta.

“Caro leitor,
Peço desculpa pela brusquidão com que entrei na sua vida. Não queria de todo que o nosso primeiro contacto fosse por intermédio de uma carta, mas temo que os tempos conturbados em que vivo não me deixam outra alternativa. Confesso que temo que as mãos erradas se tenham apoderado desta nota, mas algo na minha cabeça me sugere que não; algo me sugere que as suas mãos são as mãos indicadas.

Mas passemos ao que interessa; não quero que pense que esta carta é um texto vago, sem sentido, que merece ser deitado ao lixo antes sequer de ler o que mais tenho para lhe dizer. Não! Se leu tudo até aqui, não me posso dar ao luxo de perder a sua atenção agora. Contudo, preciso que me garanta que se encontra na divisão em que encontrou este sobrescrito, caso contrário, não lhe será entregue a totalidade da mensagem.

Creio que o melhor será começar por lhe referir quais as circunstâncias em que lhe escrevo esta carta: ontem tive a terrível notícia de que poderei estar em risco de partir deste mundo. Ao que parece, possuo uma condição rara que afeta uma baixa percentagem da população e que, sem dúvida, me privará de tudo aquilo que consegui reunir, neste mundo, ao longo dos meus setenta e cinco anos de vida. Os especialistas não souberam dizer ao certo em que momento do tempo isso acontecerá, mas pela expressão com que me deram a notícia, julgo que se encontra para breve. Mais ninguém sabe e não tenciono contar a ninguém aquilo que se está a passar comigo, a não ser consigo, caro Leitor. Tem o direito de saber tudo isto, porque de si depende o futuro da minha causa. Possivelmente estará a perguntar-se porquê de ser o Leitor e não outra pessoa qualquer? Porque a roleta do tempo não para e o Destino caminha em frente, sem nunca olhar para trás. Não há salvação possível e ninguém do meu círculo me pode ajudar, portanto só me resta depositar as preocupações e esperanças num estranho que não conheço e que também não me conhece a mim, mas cujo destino está ligado ao meu. Ocasião haverá em que nos conheceremos melhor, tenho a certeza, mas por enquanto teremos de manter esta relação virtual baseada numa carta.

Não julgue possível encontrar-me e não tente nunca procurar-me, pois não me encontrará. Eu estou perdido; a causa pela qual luto é que requer a totalidade da sua atenção. Se realmente me quiser ajudar, é essa causa que deve tomar como sua e pela qual deve lutar. Digo-lhe de antemão, caro Leitor, que não será fácil, pois eu mesmo tentei levá-la a bom porto e não consegui. Mas eu confio em si e se este sobrescrito lhe foi parar às mãos é porque, como lhe disse, está destinado a ser o meu salvador. Vidas separadas, destinos ligados.

A causa por que lutei durante toda a minha vida não pode ser descrita em meras palavras. Não. É demasiado complexa para isso. O Leitor possivelmente estará intrigado com toda esta minha hesitação em denominar qual o cerne de toda esta questão, que sem dúvida já o fez sentir confuso, frustrado e irado, mas a paciência é uma virtude que terá de desenvolver se quiser lutar por isto. Por isso, não o maçarei mais com as minhas hesitações, dando uso, agora, à única exigência que lhe fiz no início desta carta. Apenas se for o verdeiro portador desta carta, poderá saber qual a resposta a todas as suas questões.

No baú onde encontrou o envelope, procure um embrulho verde, de peso considerável, atado com uma fita de seda carmim. Dentro desse pacote, encontrará três volumes distintos onde finalmente poderá obter respostas às suas perguntas mais pertinentes: Quem sou eu, como veio esta carta parar-lhe às mãos e, acima de tudo, que causa é a minha? Peço-lhe apenas a sua máxima discrição e zelo. É seu dever ler e depois disso dar ao mundo aquilo que eu não fui capaz de dar. Lembre-se de que foi escolhido na roleta para ser o Leitor e, por muito que resista, o Destino já o prendeu nas suas garras e delas não poderá sair.

Boa leitura!

M. V.”


Última edição por Weird von Gentleman em Sab 14 Mar 2015 - 9:34, editado 8 vez(es)
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Re: Memento

Mensagem por Alice Le'Hills em Ter 10 Fev 2015 - 20:01

Olá!

A princípio não me parece ser uma fic sobre Pokémon, mas vamos ver como essa história irá se desenrolar.

Gostei bastante do prólogo, apesar dele não ter explicado muita coisa da história. Fiquei intrigada em saber quem escreveu a carta e qual a causa pela qual ele lutava. Confesso que sua escrita, rebuscada, me assustou um pouco no começo, mas logo depois eu percebi que provavelmente você é de Portugal. A forma com que você construiu o prólogo também foi bem bacana e surpreendente. Qual tipo de ligação há entre esses personagens? Só me resta continuar acompanhando para descobrir.

Erros não vi muitos. Mas teve uma coisa que me incomodou (em negrito):


@Weird von Gentleman escreveu:
[...] portanto só me resta depositar as preocupações e esperanças num estranho que não conheço e que também não me conhece a mim [...]


Não sei se foi intencional, mas me pareceu pleonasmo. De qualquer forma, aguardo pelo próximo capítulo!

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Re: Memento

Mensagem por Weird von Gentleman em Sex 13 Fev 2015 - 20:49


@Alice Le'Hills: Obrigado pelo comentário e pela atenção! Só tenho a dizer que nem tudo o que parece é hahaha. Terás de acompanhar mesmo todos os capítulos para ficar a perceber como tudo está ligado. A ação vai-se desenrolando e as respostas vão surgindo, isso posso garantir.
Quanto ao estilo de escrito, confesso que é muito diferente do que tenho visto aqui pelo fórum... Como te disse, apesar de falarmos a mesma língua, a barreira linguística existe e tal como eu acho estranha a vossa maneira de escrever, vocês também irão achar a minha. Mas acho que este pluralismo só contribui positivamente para a diversidade de estilos. É muito enriquecedor, sem dúvida.

Comecemos então com a história propriamente dita!
Um abraço  cheers


Parte 1

Em flor

"Uma erva não passa de uma flor sem amor."

1| Chegada

No dia em que cheguei a Aspen, pela primeira vez, a chuva caía a cântaros. Estava um frio de rachar e pela estrada, verdadeiros rios de água corriam em direção às sargetas nas bordas do passeio. O comboio parou numa estação, a cerca de um quilómetro da vila, pelo que ainda tinha algum caminho a percorrer pela frente. Felizmente vinha acompanhado do meu guarda-chuva preto e do casaco que a Dóris me oferecera, as únicas coisas que julguei realmente úteis uma vez que viesse tão para norte.

Parei para olhar em redor. Uma imensidão de folhagem estendia-se à minha volta, sendo a única coisa elaborada pelo Homem, uma estreita estrada em ziguezague, que me pareceu ser a única forma de encontrar o caminho certo para a vila. À frente, a não mais de um quilómetro da estação de comboios, uma colina possante com o cume rapado de folhagem, erguia-se acima das copas de carvalhos e choupos. Silent Hill, murmurei para comigo. Lá no alto, onde a estrada desembocava, precisamente no ponto em que a vegetação dava lugar a um aglomerado de casas, ficava a vila de Aspen. Uma vila fria que, durante todo o ano, conhecia apenas uma das estações: o inverno. Embora estivéssemos em abril, em plena primavera, o meu bafo congelava no ar como se estivesse ainda no inverno. O frio começava a penetrar pela minha roupa, entranhando-se lentamente na minha pele até chegar aos ossos, onde um arrepio me despertou para a situação. Ainda tinha algum caminho pela frente, maioritariamente a subir, pelo que deixei os meus pensamentos de lado e fiz-me à estrada.  

Demorei cerca de meia hora a chegar às portas da vila, onde uma casa com dois pisos, toda construída em pedra, dava as boas vindas aos visitantes. Com as janelas fechadas e o pequeno jardim da frente mal cuidado, aquela casa parecia ter sido deixada à mercê da intempérie. Salvo a coluna de fumo que se erguia da chaminé, nada mais havia que refletisse a presença humana. Tiritando de frio, com o vento a soprar e a chuva a chicotear-me a cara, não hesitei em bater à porta. Porém, não tardou muito até que esta se abrisse revelando o sorriso da tia Belle.

- O meu Tristan voltou! – A sua voz deteriora-se com o passar dos anos, mas o sorriso permanecia tal e qual como eu me lembro. Agarrou-me com aqueles braços que me ampararam tantas vezes, quando não passava de um rapaz e, ao sentir que estava totalmente ensopado, meteu-me dentro de casa e apressou-se a despir-me e a empurrar-me para junto da lareira. – Meu filho, como estás molhado! Fica aqui junto do fogo para secares essas roupas. Olha para ti! Ensopado que nem um borrego acabado de estufar!

Ver os pedaços de lenha a arder e a crepitar foi uma visão suficientemente reconfortante, após uma caminhada húmida e gelada. Mas nada me aquecia mais do que o sorriso da tia Belle.
Despi o casacão e deixei que ela me pusesse uma velha manta pelas costas. Depois, sentámo-nos no sofá, junto da lareira, em silêncio, disfrutando das ondas de calor que nos mordiscavam a pele. Entreolhámo-nos, tentando perceber quais as alterações que o tempo havia provocado em nós. Ela estava mais curvada e frágil, marcada com profundas rugas na cara e com as pálpebras pendentes e tristes; eu estava na mesma, só que mais alto e encorpado, com uma barba castanha, mas não muito hirsuta. Ao fim de um tempo, foi ela quem quebrou o silêncio.

- Estás tão mudado, Tristan. – A sua voz estava magra e roufenha. – Pensar que ainda ontem eras um pequeno rufia, sempre à procura de aventura em casa canto. Pequeno e traquina, como uma criança deve ser.

- A tia Belle é que parece não mudar. Continua tal e qual eu me lembro de si. – Menti.

Ela soltou um risinho abafado e afagou-me o cabelo molhado. Decerto percebera que eu estava apenas a fazer conversa de ocasião; que eu não podia dizer-lhe o quão deteriorada ela estava, o quão velha se tornara, o quão triste…

- Ora, Tristan, tu nunca foste um bom mentiroso. Eu sei que estou velha, engelhada, com a vida a querer escapar-se de dentro de mim. Já vivo há tempo de mais para reconhecer o que o destino me reserva. – Tentei interrompe-la, mas um gesto da sua mão foi o suficiente para me fazer permanecer em silêncio. – Mas chega de lamechices. Não vieste aqui para ouvir a tua velha tia lamentar-se. – Agarrou-me nas mãos e senti a chama da vida ainda bem acesa dentro dela. Aquelas mãos quentes e delicadas eram outra das coisas que não tinham mudado nada. – Conta-me como tem sido a tua vida. Quero saber tudo o que tens andado a fazer, não me deixes nada de fora.

Não pude deixar de lhe fazer a vontade e contar todos os pormenores da minha vida, desde que me mudei para a capital. Contei-lhe do curso de literatura que tinha levado cinco anos a tirar, de como conheci a Dóris, dos nossos primeiros anos juntos e de como trocámos dois anos de vida académica por um romance que teimava em não terminar, da mudança dos meus pais para outro continente e de como isso me forçou a ter de crescer mais depressa e, claro, do pedido de casamento que iria fazer à Dóris, assim que regressasse a casa. A tia Belle não me largara as mãos desde o início, mas quando percebeu que em breve iriamos estar noivos, senti um aperto enternecedor, o que me pareceu ser um apogeu de felicidade na cabeça dela.

- Ela ainda não faz ideia do que a espera, mas já tenho o anel e tudo. – Com isto, levantei-me e peguei no casacão, onde meti a mão no bolso interior e tirei uma pequena caixa de veludo azul, do tamanho da palama da minha mão. Depositei-a com cuidado nas mãos da tia Belle e ela abriu-a delicadamente para exibir um solitário prateado, com uma dúzia de minúsculos diamantes que, dançando ao ritmo das labaredas da lareira, adquiriam tonalidades vermelhas e amarelas. – Comprei-o a um joalheiro em Padstow. Dizem que têm os melhores dedos para produzir jóias. Parece-me que não fui enganado.

A tia Belle não pronunciou qualquer palavra, mantendo-se em silêncio, com um sorriso rasgando-lhe os lábios, enquanto contemplava o anel.

- A Dóris é uma rapariga cheia de sorte, meu filho. – Disse ela, ao fim de algum tempo. – Não há nada mais bonito do que ver um amor florescer desta maneira, à nossa volta. Quando o inverno se abate sobre nós, desmoronando a nossa vida, é bom sentir que ainda estamos vivos para ver uma túlipa brotar do chão gelado.

O relógio de parede soou as oito horas, despertando-nos de volta para a realidade. Por mim, ficava a tarde inteira a falar com a tia Belle e a contar-lhe os pormenores todos. Para ela era um alívio ter um momento de distração, depois de tudo o que aconteceu. Por aquela altura, nenhum dos dois tinha tocado no delicado assunto que as nossas mentes teimavam em não querer abordar. Sentia-se algo pesado na atmosfera, mas nenhum de nós queria acordar um fantasma que, caso fosse acordado, permaneceria muito mais tempo entranhado do que o necessário para o esquecer. Contudo ela ainda não o tinha esquecido…

- És igual ao teu tio, Tristan. – Acabou ela por dizer. – Ninguém o pode negar. Romântico, belo, inteligente e bem torneado pelas mãos do Criador. Um herói disfarçado de homem banal. – Levantou-se devagar e pôs-se a contemplar a lareira, como se tentasse vislumbrar alguma coisa nas chamas. – A lenha arde enquanto o fogo vive. Aquece e conforta tudo em seu redor com o calor que emana. Mas quando a chama se extingue, ficam só as brasas e as cinzas, meu filho. É assim que morrem os heróis.

- Ele não morreu, tia Belle… - Disse, numa tentativa vã de a reconfortar.

Ela olhou-me com o pesar daqueles olhos azuis profundos e magoados, mas não disse uma palavra. Em vez disso, encaminhou-se para a cozinha a fim de preparar o nosso jantar, enquanto eu fiquei sozinho na sala de estar, a ver o fogo arder e a pensar no verdadeiro motivo pelo qual ali estava.  
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Re: Memento

Mensagem por Platinum Slytherin em Sab 14 Fev 2015 - 2:38

Você escreve muitooooooooooooooooooooooooo bem, e de forma madura. Nunca vi algo assim em fics O.O
Mas cara, cadê o pokémons??????
Estou empolgado com sua escrita, sério mesmo... Que coisa linda!

Abraços.
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Re: Memento

Mensagem por Alice Le'Hills em Sab 14 Fev 2015 - 14:30

Hey!

Mano, sua história ta muito interessante. Sua forma de escrever é um charme a parte: descrição e narração impecáveis. Me pergunto se o tio do Tristan realmente morreu... Só acompanhando pra descobrir.

Ainda senti falta de Pokémon na história, e estou curiosa pra saber como você vai encaixá-los, pois, pelo menos pra mim, a história me pareceu verossímil de mais.

Erros não vi nenhum que prejudicasse a leitura, mas teve algo que não é realmente um erro, mas que pode causar certo estranhamento devido a barreira linguística que existe entre o português daqui e o português daí. Sugiro que não use a palavra "rapariga", pois no Brasil, além de pouco usual, significa meretriz, prostituta...

Enfim, boa sorte com a fic. Aguardo pelo próximo capítulo! See ya!

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Re: Memento

Mensagem por Black~ em Dom 15 Fev 2015 - 20:55

Bom, vamos lá.

Primeiro, não consegui entender muito bem a mensagem da fic, e também não entendi ainda onde os pokémons podem entrar nessa história. Mas, gostei bastante de ter lido esses dois capítulos, principalmente com o fato de que você escreve muito bem, mas enfim.

De toda forma, gostaria de saber quem era aquele que nos remetia a carta no primeiro capítulo. Acredito que ele tenha alguma relação com o Tristan. Na verdade, eu tenho quase certeza de que ele tem relação, mas vamos deixar a história rolar e as coisas começarem a se encaixar, como você mesmo disse.

O Tristan, de fato, deve ter algum motivo para ter ido à casa da tia Dóris. Acredito que ele não iria se enfiar naquele fim de mundo somente para falar sobre o casamento. Principalmente na parte final, quando ele diz que o tio dele não está morto, e o capítulo acaba. Vamos esperar para ver.

Você realmente escreve muito bem (deve ser coisa de português escrever tudo certinho, pois todos que eu vejo, escrevem tudo certinho husahauha, enfim), mas, apesar da barreira linguística, algumas palavras podem acabar tornando-se desagradáveis, como a palavra "rapariga", como a Alice citou. Não estou pedindo pra trocar, até porque aí usa-se essa palavra, só estou dando um toque mesmo, mas enfim.

É só e boa sorte com a fic.
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Re: Memento

Mensagem por Weird von Gentleman em Ter 17 Fev 2015 - 19:45

Muito obrigado aos três pelas vossas mensagens e incentivos!


@Platinum Slytherin: Muito obrigado pelo elogio, mas sou apenas mais um escritor que está a tentar levar as FF de pokémon a outro nível. Eu sei que a ausência dos Pokémon tem sido muito frustrante, mas quem espera sempre alcança!

@Alice Le'Hills: Terás de acompanhar tudo para perceber o que realmente aconteceu. Os mistérios vão sendo desvendados lentamente, para não perderes o apetite, mas ainda assim há outros que vão surgir. Já tratei de alterar as "raparigas" para "moças" de modo a que nos entendamos mais corretamente hahaha. Obrigado pela atenção!

@Black: Ter um membro veterano como tu a ler a minha FF é muito gratificante. Muito obrigado por isso. Quanto às tuas hipóteses, talvez estejam certas. Talvez exista uma ligação entre o Tristan e o autor mistério. Mas para saber isso, só acompanhado até ao final dos finais hahaha!

Deixem-me dizer-vos que este capítulo é um pouco maior que o anterior. Não quero que vivam na ignorância para sempre e, portanto, aumentei-o um pouco para ficarem a perceber melhor a história. Ainda assim não está tudo revelado, como já sabem! Demorem o vosso tempo a ler, mas digiram bem a mensagem.

2| Primeira paragem

A minha primeira noite em Aspen não foi tranquila. Apesar de o colchão ainda estar mole e de me sentir aconchegado por cobertores e mantas quentes, o meu sono não foi profundo. Talvez por estar numa casa diferente, ou por não ter a Dóris ao meu lado para me aquecer, passei uma noite agitada, marcada por inúmeros pesadelos. Ainda hoje me lembro de como, quase de hora a hora, acordava sobressaltado por ter sonhado com a morte da Tia Belle, da Dóris ou de alguém que me fosse próximo. Dizem que sonhar com a morte de alguém é estar a dar a essa pessoa anos de vida, mas isso não passa de uma superstição como todas as outras. De qualquer das maneiras, é um alívio voltar à realidade e saber que afinal nada passou de um susto pregado pela nossa própria mente.

Foi quando os primeiros raios de luz começaram a entrar no quarto, que eu consegui adormecer. Num momento ouvi o chilrear dos pássaros, que despertavam lá fora; no outro estava a acordar com a voz da tia Belle a chamar-me para tomar o pequeno-almoço. Devo ter adormecido umas duas ou três horas, mas foi o suficiente para me recompor de toda aquela agitação.

Apressei-me a tomar banho e vestir qualquer coisa quente, pois embora o dia estivesse solarengo e sem uma única nuvem para colorir o céu, o ar devia estar gélido e húmido como no dia anterior. A Dóris cedera-me apenas uma semana fora de casa para tratar dos assuntos todos. Após esse tempo teria obrigatoriamente de voltar para os braços dela, sob pena de ela me vir buscar a Aspen, portanto teria de me apressar a tratar de tudo o que queria. No entanto, antes de começar tinha de fazer uma paragem obrigatória e tinha de ter tempo para ela.

- Bom dia, meu amor! – O sorriso e o calor da tia Belle, logo pela manhã, combinados com o cheiro a especiarias no ar. A Dóris teria de me perdoar esta pequena traição.

- Bom dia, tia Belle! – Respondi, sentando-me na mesinha da cozinha e avaliando todas as frugais iguarias que ela me tinha preparado: torradas com mel, panquecas com uma calda de especiarias, bagas de todas as cores e, claro, um chá de menta para despertar os sentidos.

Os habitantes de Aspen não consomem café, pois continuam a viver à base daquilo que cultivam e produzem em suas próprias casas. Numa região tão remota é difícil fazer chegar certos produtos exóticos que, para quem vive nas grandes metrópoles, já existem há muito tempo. No entanto, têm as suas próprias alternativas, como as bagas de zimbro, que fornecem energia, e o chá de menta, para despertar os sentidos.

Devorei as torradas e as panquecas como se estivesse esfomeado e fosse aquela a minha primeira refeição, desde há cem anos atrás. O chá deixou-me um sabor muito agradável na boca e as bagas completaram a refeição na totalidade. Nunca conseguiria arranjar produtos tão frescos, para uma refeição, na capital.

Peguei no casacão preto e no cachecol de lã, que ainda estavam no mesmo sítio, e despedi-me da tia Belle com um beijo na bochecha, prometendo-lhe estar em casa para jantar.

Assim que abri a porta da rua, o vento entrou sem permissão, galopando por cada divisão. Ao contrário do que previra, a temperatura estava amena e o tempo convidava a um passeio. De um lado e de outro da rua, as árvores, com os seus ramos ainda despidos do inverno, enchiam-se de tenras folhas verdes. Os pássaros chilreavam, compondo inúmeras melodias e agradecendo ao sol pelo calor proporcionado. Das ervas e arbustos que compunham o tapete verde que cobria o solo, brotavam pequenas e delicadas flores que enchiam a atmosfera com o seu perfume. O ar estava carregado de jasmim, orvalho, cores, melodias e primavera. Teria o inverno finalmente cedido ou seriam apenas tréguas temporárias?

Encaminhei-me pelas ruas de Aspen, recorrendo ao mapa mental que a minha memória ainda não tivera o descuido de apagar. Embora não possuísse mais de quinze ou dezasseis ruas, Aspen era como que uma teia de aranha: as ruas exteriores formavam uma espécie de hexágono que convergia para um ponto central, cortadas por travessas mas estreitas e dando origem a um labirinto no qual um incauto se poderia perder. No entanto, se alguém se perdesse, bastava seguir as ruas até uma das interseções e, a partir daí, continuar para o ponto de convergência: a Praça Central. Era precisamente nesse ponto que se encontrava a minha primeira paragem.

Apesar de já ser dia, a vila permanecia silenciosa. Janelas fechadas, estores corridos e portas trancadas eram comuns pelas ruas onde passava. Parecia que a vila tinha sido desprovida dos seus habitantes, permanecendo apenas o sepulcral silêncio do vento que preenchia o vazio de vozes nas ruas. Continuei o meu caminho, pela estrada de seixos polidos e lustrosos, onde cada pedra cinzenta azulada brilhava à luz do sol, cabisbaixo e em silêncio, como se de uma procissão se tratasse. Mais à frente, já perto da Praça Central, encontrei a Beth Ruiva e o seu marido Arnold e fui retido numa conversa de ocasião que parecia não ter fim. A Beth Ruiva sempre tivera um aspeto másculo, mas agora que estava alguns anos mais velha, apresentava-se ligeiramente flácida, como um pneu que começava a perder o ar. No entanto, o seu cabelo (talvez agora pintado) permanecia de um tom acobreado intenso, quase como se estivesse em chamas. Já no marido, o Arnolf, não notei qualquer diferença, pois possuía uma figura franzina e desajeitada, com mais pele do que músculo, que lhe dava um aspeto velho e doente. A única diferença que encontrei foi a pequena clareira na sua cabeça, derivada da calvíce.

Após uma tentativa de evasão bem sucedida, consegui pôr-me de novo a caminho e em pouco tempo cheguei à Praça Central. A melhor forma de a descrever é imaginar um relógio, onde cada hora é uma árvore, de onde nascem doze trilhos de terra batida que convergem para um fontanário central. Foi precisamente na sua borda que o encontrei sentado, relaxado, a olhar para o vazio e a fumar um cigarro de enrolar, provavelmente com o tabaco que plantava na sua horta. Não tardou muito a que desse pela minha presença, erguendo-se rapidamente e atirando o cigarro para a gravilha. Com as sobrancelhas arqueadas de espanto, vi um raio de felicidade trespassar-lhe o olhar.

- Tris? – Perguntou. Apesar do tabaco, a sua voz continuava límpida. – És tu? – Depois avançou rapidamente e fixou aqueles olhos esverdeados em mim. Perscrutou cada milímetro da minha cara e só depois de ter a certeza que era mesmo eu é que tornou a falar. – És tu! És mesmo, mesmo tu!

- Quem querias que fosse, Alfie? – Perguntei, enquanto nos abraçávamos ferverosamente e distribuíamos calorosas palmadas nas costas um do outro. Ao sentir o cheiro a pinho e suor que a sua roupa emanava, recuei ligeiramente. – Há quantos dias não trocas de roupa, Alfred?

Ele levantou os braços e deu duas valentes fungadelas em cada um dos sovacos.

- Não tenho bem a certeza. – Respondeu, enquanto encolhia os ombros. – Mas não gostas do meu “Perfume de Lenhador”?

Soltamos uma gargalhada em uníssono. O Alfie não tinha mudado em nada. Continuava com aquele seu bom humor e o espirito jovial. Apenas a barba castanha estava mais crescida, dando-lhe um aspeto mais maduro por fora. Por dentro, continuava a ser a mesma criança.

Dirigimo-nos para o bar onde costumávamos passar as nossas tardes a jogar dardos, cartas, engraçar com as raparigas que passavam, beber uma outra bebida mais forte e fumar cigarros de enrolar às escondidas. Sentámo-nos ao balcão e o velho Filly, o dono do bar, naquela altura quase octagenário, serviu-nos duas cervejas.

- Ao filho pródigo que volta a casa. – Declarou, enquanto erguia a sua caneca para propor um brinde.

Não hesitei em aceitar e vertemos a nossa primeira cerveja pela goela, enquanto eu lhe contava todas as novidades que me pautavam a vida. O Alfie escutava tudo com a máxima atenção, sem fazer perguntas ou interromper para comentar. No fim, quando lhe disse que daí a uma semana estaria de volta para propor a Dóris em casamento, ele fitou-me admirado.

- Diz-me, Tristan Goodfrey. – Começou ele. - Vais-te embora sem olhar para trás, direitinho a uma cidade grande onde tens tudo o que há de melhor. Esqueces os teus amigos e o sítio onde nasceste, pois a tua vida corre às mil maravilhas. – Conseguia sentir o tom repreensivo na voz dele. - Entras numa universidade toda reputada e não sei quantos anos depois sais de lá feito um doutor. Conheces uma moça e acabam os dois por se apaixonar um pelo outro, ao ponto de tu comprares um anel cheio de diamantes para a pedires em casamento. – Emborcou um último golo de cerveja e fitou-me novamente. – Dez anos se passam e ninguém sabe nada de ti. De repente, abandonas a tua noiva, por uma semana, e surges à minha frente, vindo do nada. – Um momento de silêncio assomou-lhe aos lábios, enquanto ele ganhava coragem para fazer a pergunta que pairava sobre nós. – O que é que tu estás aqui a fazer, Tris?

O Alfie podia ser um folião traquina e irreverente, mas no fundo era muito mais que isso. Dotado de uma inteligência muito acima da média e de uma agilidade de pensamento enorme, sabia quando fazer as perguntas certas. Se a história tivesse sido diferente, se fosse ele a ir para a capital e eu ficasse ali a cortar lenha para o resto dos meus dias, ter-se-ia tornado seguramente num prestigiado aluno da academia. Infelizmente, não teve a sorte de nascer no seio de uma família preocupada e atenta, como a minha. Em vez disso, crescera no meio de uma família complicada, em que a mãe tinha de o sustentar a ele e à irmã, bem como ao pai alcoólico. Mais tarde, durante um acesso de bebedeira, o pai do Alfie entrou em estado de coma e acabou por morrer por falta de cuidados médicos. Pode parecer um alívio, mas foi especialmente complicado para o Alfie ver-se na posição de homem da família, apenas com dez anos. A falta de dinheiro, o pão que escasseava para os alimentar, uma casa que perdia as condições gradualmente, tudo isso eram gigantes que os espezinhavam, debaixo do próprio teto. E eu, impotente, assistia ao seu esmagamento…

A pergunta pairava no ar, enquanto eu pensava na resposta que havia de dar. Por fim disse aquilo que mais me pareceu ser mais razoável.

- Só posso avançar para um casamento com a Dóris, quando tiver posto um ponto final à única coisa que me assola a mente. - Comecei a ficar tenso, só de pensar no que ia dizer. Respirei fundo e reparei que o olhar do Alfie já não mostrava vestígios de surpresa. Só pela minha hesitação, ele já percebera o motivo da minha visita. Uma espécie de sorriso desiludido esboçou-se-lhe no rosto. – Eu tenho de saber…

- O que aconteceu ao teu tio. – Acabou ele. Soltou um suspirou e fitou a parede. – Tris, a Maybelle tem sofrido muito com a recordação do que aconteceu. Todos sofremos com o desaparecimento do Rufus, não penses o contrário. Mas ele morreu, Tris. Aceita isso de uma vez por todas.

- Ele pode não ter morrido, Alfred! – Exclamei, alterando um pouco o tom da minha voz. – Se desapareceu, pode muito bem ainda estar vivo, algures na floresta.

Aquela palavra fê-lo estremecer. Por algum motivo, pareceu-me que as suas pupilas se tinham dilatado, num sinal de extremo pavor. Mas o Alfred não era homem para se assustar com a floresta. A sua vida, como lenhador, dependia dela. Era como se um pescador tivesse medo do mar.

- A floresta… – Murmurou ele

- Que tem a floresta? – Retorqui, tentando perceber o que se passava.

- Desde que te foste embora que as coisas têm vindo a mudar. – A voz dele continha subtis tons de nervosismo. – Têm acontecido coisas que não são fáceis de explicar e as pessoas estão muito nervosas. Todos os anos acontece qualquer coisa diferente, por esta altura. Primeiro foram os animais que começaram a ficar loucos. Do dia para a noite começaram a atacar as pessoas, sem razão aparente, até que um veterinário veio averiguar a situação e descobrimos que havia um surto de uma virose qualquer. No ano a seguir, as plantas começaram também a comportar-se de maneira estranha: árvores, ervas e arbustos começaram a crescer a ritmo elevadíssimo, chegando mesmo a cobrir os passeios e as estradas. Quem tinha plantas em casa, viu as suas divisões invadidas por raízes, flores e folhas. Nunca ninguém chegou a descobrir como aquilo aconteceu, mas assim como começou, parou. As pessoas acham que o que quer que esteja a provocar isto vem da floresta. Alguns dizem que é a criatura demoníaca que levou o Rufus que está a provocar isto, sedenta de sacrifício. E este ano… - Interrompeu-se a si mesmo, como se estivesse a beira de contar algo que não devia ser revelado.

- Este ano o quê, Alfred? – Perguntei eu. – O que é que aconteceu este ano?

O Alfie não respondeu. Em vez disso, baixou a cabeça como se fosse um animal abandonado e uma gota caiu no balcão. Depois outra e mais outra. À primeira não me tinha apercebido do que se estava a passar, mas quando reparei que os olhos verdes do Alfie se tinham enchido de lágrimas, percebi que algo muito grave acontecera. Pousei a minha mão no ombro dele, tentando reconforta-lo, pois era isso que ele faria se estivesse na minha posição.

- O que é que aconteceu este ano? – Insisti, sedento de uma resposta.

Sabia que ele estava a sofrer, que falar daquilo o magoava, mas precisava de uma resposta. O meu tio desaparecera na floresta, havia anos atrás. Agora algo acontecera com o Alfred no mesmo sítio. Tinha de saber o que era.

Foi então que ele me olhou e murmurou o nome dela. Percebi de imediato que alguma coisa acontecera com a sua irmã.
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Re: Memento

Mensagem por Black~ em Qua 18 Fev 2015 - 11:22

Bom, vamos lá.

Esse capítulo ficou bom. Ficou bem misterioso, mas, pelo menos mostrou aparentemente o que de fato será a história, e, diga-se de passagem, será bem misteriosa. Todos esses desaparecimentos, a busca do Tristan pelo tio, enfim, são muitos mistérios, que serão resolvidos aos poucos huaha.

Ainda não vi o envolvimento com os pokémons, mas, se você diz que eles logo aparecerão, então assim espero. Ao que me parece, a tal criatura demoníaca, citada pelos dois amigos, deve ser um pokémon. Quer dizer, assim espero, pois acho que só teria sentido assim -qq.

Bem, realmente essa criatura é bem demoníaca. Para possivelmente ter matado ou sumido com o tio do Tristan, além de deixar os animais loucos, fazendo-os atacar as pessoas, etc. Além de ter feito algo com a irmã do Alfie também. Enfim, esse bicho é realmente demoníaco, fico esperando pra ver se é um pokémon e qual pokémon é.

É só e boa sorte com a fic.
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Re: Memento

Mensagem por Alice Le'Hills em Qui 19 Fev 2015 - 12:53

Hey!

Bem, foi um capítulo interessante, e demonstrou que a fic vai ser bem misteriosa. Aliás, foi todo esse mistério, combinado com sua forma única de escrever, que me encantou. Sua narração é excelente e sua descrição idem.

Agora, falando sobre a história. Bem, me pergunto se a carta do prólogo fora escrita pelo tio do Tristan. E, como o Black~ disse, eu também espero que aquela criatura demoníaca seja um Pokémon, porque se não for não faria muito sentido, mas enfim.

É isso, boa sorte com a fic. Espero pelo próximo capítulo! See ya!

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Re: Memento

Mensagem por Platinum Slytherin em Sab 21 Fev 2015 - 1:05

Ai que medo dessa floresta!!  bounce

Você está fazendo um ótimo trabalho ao meu ver, criando aos poucos o ambiente, os personagens, os mistérios... E como disse, sua escrita é incrível, e apesar de estarmos apenas no segundo capítulo, estou gostando dos rumos que a estória está tomando.
Aguardo ansiosamente o capítulo três.


Última edição por Platinum Slytherin em Sab 21 Fev 2015 - 11:57, editado 1 vez(es)
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Re: Memento

Mensagem por Brijudoca em Sab 21 Fev 2015 - 1:12

Olá

Já tenho lido sua fic ao longo da semana, porém só agora consegui terminar de ler tudo.

Sua escrita é realmente fascinante. Muito envolvente e precisa, embora eu precise recorrer ao google para várias palavras que eu desconheço hahah

Essa história misteriosa já me ganhou, com certeza vou acompanhar de perto pra descobrir o que está acontecendo. Estou muito curioso sobre como a Carta ao leitor do prólogo vai se encaixar em tudo, e também descobrir o que teremos de pokemon nesse mundo já está se tornando um mistério a parte aaushauhsas

Aguardo ansiosamente o próximo capítulo.
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Re: Memento

Mensagem por Weird von Gentleman em Dom 22 Fev 2015 - 13:20

Pessoal, uma vez mais obrigado pelo incentivo e comentários. Vejo que estão a gostar tanto de ler esta FF, como a mim me dá prazer escrevê-la! Trago-vos aqui mais um capítulo desta primeira parte. Já se começa a perceber onde é que os Pokémon estão hahaha. Desafio-vos a, no final da leitura, postarem as vossas conclusões sobre este capítulo. 

@Black: Obrigado, Black! Não te vou dizer mais nada, pois neste capítulo tens resposta para tudo o que disseste no comentário. 

@Alice: Obrigado pelos elogios, mais uma vez! As dúvidas do prólogo só mesmo no final é que serão reveladas. Ainda temos um longo caminho a percorrer até lá  Razz.

@Platinum: Não há que ter medo da floresta. Só há lá uma criatura qualquer demoníaca escondida, nada mais haha. 

@Brijudoca: Bem vindo, amigo! Pois, eu também tenho de recorrer muitas vezes ao goggle para perceber certas palavras do português brasileiro. Tipo "nocautear"; nunca me passaria pela cabeça essa palavra hehehe. Espero que continues a acompanhar a história e obrigado pelo comentário.


Agora, sem demoras, acompanhem-me neste terceiro capítulo!

3| Serena

Ela estava sentada na sua cama. Na mesa-de-cabeceira, ao seu lado, uma vela alumiava o ambiente, dançando ao sabor da brisa que entrava pela fenda da janela, desenhando suavemente os nossos contornos na parede. O dela, prostrado na cama; o meu, inclinado sobre a sua figura, para conseguir ouvir o murmúrio da sua voz. 

O Alfie quisera ficar ali, pois não lhe era possível estar longe da irmã, naquele momento de sofrimento. Contudo, ela pedira-lhe para ficarmos a sós e eu garanti que se algo acontecesse na sua ausência o iria chamar de imediato. Após alguns momentos de hesitação, o Alfred lá compreendeu que eu não era um estranho e que me podia confiar a privacidade dela. Afinal de contas, os três eramos os melhores amigos. Mas eu compreendia que ele se sentisse relutante, após a minha prolongada ausência e recente chegada. Se para mim não era fácil lidar com tudo o que estava a acontecer, para eles era muito pior, agora que eu tinha “regressado”. Era como se fosse um fantasma que os decidisse assombrar, num momento particularmente sensível e delicado das suas vidas. 

O sol estava a descer no céu, quando o Alfie nos deixou. A janela do quarto dela estava virada para poente, pelo que ficámos a assistir a um magnífico por do sol, sobre a imensidão verde que se estendia para lá de Aspen. Algures, lá para diante, naquela confusão de copas e folhas, escondia-se o lago onde o meu tio Rufus tanto gostava de pescar. Tentei imaginar como seria se ele não tivesse desaparecido, como me iria sentir feliz por voltá-lo a ver, depois de tantos anos, e como ele me iria chamar “homenzinho crescido” quando lhe contasse do pedido de casamento. No entanto, esses pensamentos rapidamente deram lugar a uma simples pergunta: se ele não tivesse desaparecido, estaria eu ali? Teria eu ido a Aspen, sequer? 

Ela tossiu, fazendo-me voltar à realidade. Perguntei-lhe se queria que lhe desse um pouco de água, mas afirmou que estava bem. Ficámos em silêncio durante um bocado, até que decidi quebrar o gelo.

- Desculpa não ter chegado antes. – Disse, cabisbaixo. Ela não respondeu. Em vez disso, deixou-se ficar a contemplar a chama ondulante, ao seu lado, e a brincar com uma madeixa do seu liso cabelo preto. – Se eu soubesse do que aconteceu mais cedo, tinha…

- Tinhas o quê, Tristan? – A sua voz subira de tom, mas ainda assim notava-se a sua debilidade. Nos seus olhos verdes conseguia ver a raiva e o ódio que ela tentava não colocar na voz. – Tinhas voltado do teu lugar seguro, onde tens tudo o que queres com um estalar de dedos? Tinhas abandonado a tua vidinha perfeita para te vires meter numa cidade árida, numa casa a cair de podre, comigo neste estado? Oh, não, espera! Já sei! Tinhas abandonado tudo e todos para fugires comigo e assim vivermos felizes para sempre? Era isso que tinhas, Tris? 

- Serena… - A minha voz convertera-se também num murmúrio. Estendi a minha mão para tocar na dela, mas ela evadiu-se rapidamente.

- Não me toques! - Os olhos dela estavam inundados de lágrimas. Lágrimas que só podiam ser de ira e revolta contra mim. – Não tinhas o direito de me fazer isto! Dia e noite esperei ansiosamente pelo teu regresso. Todos os dias rezava pela tua alma e desejava que regressasses. Os dias eram uma tortura; as noites estavam recheadas de pesadelos. Sonhava com o dia em que voltasses, para poder finalmente cair nos teus braços, descansada e feliz. Feliz, imagina tu! – A raiva começara-lhe a inundar a voz. – Feliz como uma rapariga que se sente amada; como uma princesa na véspera de casar com o seu príncipe encantado; como uma donzela a quem um mancebo prometeu amor eterno e se acaba por entregar. Tu eras isso tudo para mim e eu pensava que o mesmo se aplicava a ti. Mas não, decidi viver cega e ignorante à sombra das tuas promessas de amor. “Vamos fugir juntos”, disseste-me no lago. “Esta noite fazemos as malas e partimos”, dizias-me tu quando eu estava desesperada. “Sou teu para sempre”, declaravas quando passávamos por baixo de algum azevinho. – Um súbito ataque de tosse assomou-lhe à boca, mas a sua ira era mais forte e rapidamente retomou o discurso. – Tu prometeste-me tanta coisa, Tristan Goodfrey, e eu cega e loucamente apaixonada cedi a tudo. Corrompeste a minha alma e quebraste o meu coração. 

Agarrou-me no colarinho do casacão preto e aproximou a sua cara da minha. Estava tão perto dela que sentir o seu cheiro era uma facada no meu coração. Ia dizer qualquer coisa, mas algo caiu ao chão, interrompendo-a. Era a caixa com o anel de noivado que, com um impacto, estava agora aberta expondo o solitário. Tentei apressadamente esconde-lo, uma vez que só iria piorar a situação, mas era tarde de mais. A Serena ficou atordoada, tentando perceber o que aquele objeto representava, mas rapidamente pôs de parte as dúvidas e o seu olhar surpreendido deu lugar a um sorriso irónico. 

– Então é isso. – A raiva tinha dado lugar ao desprezo. - Diz-me: viste aqui para obter a minha bênção, ou para ter a certeza de que eu estou a definhar e morro em breve, para não ficares com a consciência pesada? 

Eu não sabia o que responder, portanto permaneci calado, enquanto desajeitadamente voltava a guardar a caixa. A respiração dela estava acelerada e, por muito que se esforçasse para não deixar sair um arquejo de dor, via perfeitamente a expressão de sofrimento na sua cara. Levantei-me da cadeira onde estava sentado e dirigi-me para a porta.

– Vim aqui para tentar fechar um capítulo da minha vida que sei que nunca terá um desfecho fácil. Para tentar purgar o meu sofrimento ao estar convosco, uma vez mais. – Mais valia ser sincero. Não lhe queria causar mais dor. – Queria viver tudo uma última vez antes de começar uma nova fase, sem rancores, nem desilusões. Queria acabar com todos estes anos de silêncio e retomar o fio à meada que perdi. Queria ver-te uma última vez, para não me esquecer do que ambos vivemos e de como fui feliz. – Aquilo pareceu surpreende-la. – O Alfie tem razão quando diz que eu parti sem hesitar ou olhar para trás. Mas achas que foi fácil para mim? Achas que era isso que eu queria? – Senti o ardor das lágrimas nos olhos. - Eu amava-te e era feliz, Serena. Nós eramos felizes.

Não esperava chorar ali diante dela e acho que ela também não esperava ver-me chorar. Chorava de raiva contra mim mesmo, de sofrimento, de pesar, de compaixão. O que mais me doía, era pensar no quão egoísta tinha sido para com os meus amigos e de como isso os magoava. As dores de crescimento fazem parte do desenvolvimento humano, mas não esperava que aos vinte e um ainda tivesse que as sentir. Doía-me a alma e a consciência e pela primeira vez, comecei a interrogar-me sobre se o passo que daria dali a uma semana seria o mais sensato. Teria eu perdido tudo ali para ser feliz com a Dóris? Seria essa felicidade suficiente para apagar as marcas de sofrimento que, embora latentes, ainda me magoavam? 

Olhei-a nos olhos; naqueles olhos em que a ousadia que vibrava há anos atrás, dava lugar ao sofrimento e às lágrimas. Tinha vivido um sonho, ignorando o sofrimento daqueles que me amavam e agora, lentamente, começava a despertar para a realidade. A Serena estava a sofrer e que tinha eu ido ali fazer: magoá-la ainda mais? Deixá-la ainda mais marcada e a sofrer do que ela já estava? Não tinha o direito de o fazer, por isso decidi ir-me embora.
- Espera. – Disse, no momento em que me preparava para sair. Apesar de termos estado tanto tempo separados, ainda conseguíamos ler os pensamentos um do outro: ela sabia que eu não queria partir e eu sabia que ela não queria ficar sozinha. – Posso pedir-te, pelo menos, para me trocares a vela? Esta já se está a apagar. – A sua voz tinha voltado ao murmúrio.

Tirei uma vela da gaveta de uma das mesa-de-cabeceiras e pus no pedestal, ao seu lado. Tive de tentar várias vezes para acender os fósforos húmidos, mas quando a acendi, a cara dela iluminou-se por completo, deixando-me de ver as feridas que outrora haviam sido escondidas pela falta de luz. As mais pequenas tinham já sarado, mas as mais profundas ainda estavam abertas. Aproximei a minha mão do seu rosto e fitei-a. Ela não se desviou e deixou que lhe percorresse todo o perfil, suavemente, com os dedos. A sua pele estava pálida e fria, mas aqui e ali ainda sentia a humidade das suas lágrimas. 

- Foi aquela coisa… - Respondeu, antes de eu ter sequer tempo para lhe perguntar o que tinha acontecido. O Alfred apenas me tinha dito, ainda no bar, que a tinha encontrado inconsciente, no chão da floresta, coberta de sangue e com as roupas rasgadas, como se tivesse sido atacada por um urso. 
- Que coisa? – Perguntei, esperando receber pormenores sobre a tal criatura demoníaca que todos diziam viver na floresta. 

Ela não respondeu logo. Inspirou uma golfada de ar e expirou ruidosamente, como se estivesse a preparar para um grande discurso. Estava só a tentar acalmar-se. O que quer que tenha acontecido, traumatizou-a profundamente.

- Era ainda de madrugada, quando saí para colher bagas na floresta. O zimbro deve ser colhido logo pelos primeiros raios da aurora, para aproveitar o orvalho e tornar as bagas frescas, por isso saí antes do sol nascer. Tinha ouvido alguém dizer que num certo sítio, mais para dentro da floresta, havia um conjunto denso de arbustos carregados de bagas maduras e robustas, portanto decidi averiguar. Se não encontrasse, não fazia mal, retornava pelo mesmo caminho e ia direita aos arbustos que conheço e que de certeza não me dececionariam.

«Passei a Pedra Mãe e antes de chegar ao lago virei mais para dentro da floresta, fugindo do trilho que todos costumam seguir. Levava algumas fitas que ia prendendo nos ramos das árvores, para no caso de alguma coisa correr mal, saber qual o caminho que me devolveria ao trilho conhecido. Assim, fui avançando, plantando aqui e ali uma fita, enquanto os primeiros raios de sol começavam a iluminar a floresta. Creio que não demorei mais de quinze minutos a chegar ao sítio que me fora indicado: uma clareira, com uma dúzia de arbustos pintalgados com púrpuras bagas maduras. Precipitei-me rapidamente para elas, como um pássaro esfomeado, e comecei a encher cesto que levava. As bagas de zimbro costumam ser vendidas a um bom preço, pelo que um cesto cheio delas iria render dinheiro suficiente para o mês seguinte. No entanto, absorvida na minha tarefa de recolher bagas, senti que algo não estava bem. Sentia-me estranha, com a sensação de que algo ou alguém estava a observar. Porém, apenas as altas árvores que rodeavam a clareira me observavam com os seus sérios troncos lenhosos.»

«Quando acabei de apanhar todas as bagas maduras que encontrei, olhei para o cesto e tive a gratificante visão de que estava cheio até cima. Dei-me por satisfeita e tentei descobrir onde tinha plantado a última fita, para voltar para casa. Depois de a encontrar, não devo ter dado mais de dois passos, quando vi um objeto bizarro e curioso, plantado mesmo à minha frente. Era o maior e mais estranho botão de flor que alguma vez vira. Era grande e rechonchudo, com quatro pétalas ainda por abrir, que pareciam pérolas gigantes de um castanho pálido, salpicado de branco. Por baixo destas, nasciam quatro delgadas sépalas vermelhas, parecidas com folhas de erva, que se estendiam para o chão. Não conhecia aquela espécie de planta e por isso debrucei-me para perceber melhor o seu aspeto. Quando me aproximei, senti um cheiro nauseabundo penetrar-me as narinas. Cheirava a uma mistura de decomposição e morte, como se estivesse a apodrecer.»

«Foi então que tudo aconteceu. Uma descarga de pólen foi mandada para o ar, atingindo-me em cheio na cara, o que me fez cair, zonza, no chão. Depois, o botão oscilou e qualquer coisa parecida com um bolbo azulado surgiu na sua base. Parecia uma criatura feia e grotesca, com membros formados por raízes aglomeradas, de um lado e de outro do corpo. A meio, uma fenda vertia seiva branca e pegajosa, tornando o ar saturado de um aroma doce e pungente. Os seus olhos vermelhos fitavam-me como que a uma presa e senti o medo invadir-me o corpo. Apesar disso, tentei levantar-me rapidamente, mas não consegui: estava presa por um aglomerado de raízes. Um grito involutário escapou-me da boca, enquanto aquela coisa me prendia mais e mais. Senti-me a perder os sentidos, mas ainda consegui estar acordada durante algum tempo. A última coisa de que me lembro é de sentir picadas por todo o corpo e daqueles olhos vermelhos e diabólicos a fitarem o interior da minha alma. Depois, só escuridão.»
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Re: Memento

Mensagem por Alice Le'Hills em Dom 22 Fev 2015 - 14:04

Hey!

Bem, foi um capítulo bem bacana, e eu estou gostando muito da forma como você está conduzindo a história. Não imaginava que o Tris tivesse tido esse tipo de relação com a irmã do Alfie. De qualquer forma, torço para que eles fiquem juntos.

Essa criatura é bem estranho, pelo visto. Será a mesma criatura que pegou o Rufus (se é que ele está vivo)? Será ela um Pokémon? Não sei não, mas eu to começando a achar que sua história se passa num período onde os Pokémon ainda eram "novidade" e ainda não haviam sido descobertos ou explorados.

Eu me pergunto quais motivos fizeram o Tris sair de Aspen e porque ele deseja tanto esquecer aquele lugar, ou ainda, o porquê dele não ter ficado com a Serena...

Enfim, ansiosa pelo próximo capítulo. Boa sorte com fanfic! See ya!

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Re: Memento

Mensagem por DarkZoroark em Seg 23 Fev 2015 - 2:33

Gentleman o/
O comentário era para ter saído sábado, mas tive o aniversário do meu tio-avô para ir e deixei-o para depois. Teria feito-o mais cedo, mas tive de ajudar um amigo e só deu tempo agora. Peço desculpas por ter demorado. Enfim, deixando isto de lado, vamos ao review. Antes, porém, devo dizer que este talvez seja um pouco menor do que a média com que estou acostumado a escrever; por tê-la pega já em andamento e com alguns capítulos postados farei um overview geral da situação da fic até aqui. Futuramente farei alguns mais específicos, mas chega de trivialidades e vamos ao que interessa:
Quanto a história, devo dizer que estou gostando bastante da mesma. O tom de mistério e as pegadas meio dark que colaboram para um clima noire na história são realmente impressionantes. Além disso, a história ser contada em primeira pessoa e conseguir fluir tão bem é algo que considero como sendo mais desafiador do que se for usada a perspectiva em terceira pessoa. Lembrou-me bastante da forma com que são escritos os livros de Assassin's Creed - embora eu saiba que é bem pouco provável uma relação existente aí. Outro ponto bem interessante é a de que, até o momento ao menos, houve pouca participação de Pokémons no enredo - assumindo que o ser que atacou a Serena seja um, porque não consegui identificar apesar da descrição excelente - o que é realmente raro, mas muito bom. Um aprofundamento dos personagens humanos é algo que sinto uma certa falta em muitas Fanfics deste tema.
Já aproveitando ter tocado neste ponto, devo parabenizá-lo pela construção sobretudo psicológica dos mesmos. Personagens com tal humanização - e com isso quero dizer possuindo incertezas, problemas sociais e outros problemas que são refletidos no psicológico - são tanto quanto raros quando se trata de Pokémon. As dúvidas, mágoas, sentimentos... Cara, realmente estás de parabéns por ter feito uma obra tão boa neste quesito.
Vou ficar aguardando pelo próximo capítulo desta incrível história. ninja
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Re: Memento

Mensagem por Weird von Gentleman em Qui 5 Mar 2015 - 12:32

Pessoal! Obrigado pelos vossos comentários e leitura do último capítulo. 

Peço desculpa por estar a demorar um pouco a postar o próximo capítulo, porque ando um pouco atarefado... 

Mas não pensem que me esqueci de vocês! Posso não ter o capítulo pronto para postar agora, mas não vos vou deixar ficar mal. 

Vocês perguntaram-me muitas vezes como se encaixavam os Pokémon na história e eu sempre respondi que a seu tempo, com paciência, iriam descobrir. Pois bem, como uma história vive das pessoas que a leem e como eu quero muito que esta seja uma FF diferente daquilo a que estão habituados, que tal um pequeno desafio para "entreter" enquanto esperam pelo próximo capítulo?

Neste último capítulo, a Serena deu-vos uma descrição bastante detalhada da criatura que a atacou. Se realmente fosse um Pokémon a tê-la atacado, qual acham que se encaixaria melhor nessa descrição? Quais são os vossos palpites?

Deixem aqui as vossas opiniões. E já agora, só para abrir o apetite, deixo-vos aqui uma música que muito ter a ver com o capítulo seguinte.



Fico à espera dos vossos palpites! Só vocês podem ajudar-me a tornar esta FF em algo diferente e interativo.

Até já,
Weird  cheers
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Re: Memento

Mensagem por Slow em Qui 5 Mar 2015 - 15:46

cara, me empresta um pouco de ortografia? rsrs

também começarei a acompanhar a fanfic (ganhou mais um leitor, mesmo que um bem modesto), está parecendo-me ótima Very Happy

meu palpite para a criatura, seria um garbodor, que teria utilizado toxic spikes contra Serena (dai as picadas). A unica coisa que não vejo da descrição nele são os olhos vermelhos, será que ele estaria alterado por alguma coisa? Veremos em breve, hehe Wink
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Re: Memento

Mensagem por Weird von Gentleman em Sex 13 Mar 2015 - 20:29

Pessoal, desculpem a demora na postagem, mas isto de procurar emprego é um trabalho árduo (curriculums, entrevistas, etc)... Comecemos com os agradecimentos do costume  Laughing

@ Alice: Muito obrigado pelo comentário! Apesar de a FF ser mais negra, eu gosto sempre de explorar o lado romântico das personagens. Não que seja para destemperar o mauzão, mas porque quando um romance dá errado ou acontece qualquer coisa desse género, é muito mais eficaz na produção de um sentimento do leitor, do que um episódio mais assustador. Agora só resta saber o que acontece com o Tris e a Serena. E nunca esquecendo que ele tem uma noiva à espera!

@ DZ: Obrigado pelos elogios! Eu quis muito que esta FF mexesse com os sentimentos dos leitores e a única forma eficaz de o fazer era construir personagens reais e às quais todo o mundo pudesse se relacionar. Eu no fundo não quero ser reconhecido por nenhuma FF, nem nada desse estilo. Mas gostava muito que os meus leitores dissessem "Poxa, esse Tristan/Alfred/Serena é mesmo parecido comigo! Isso me aconteceu também". Por que vocês no fundo estão assistindo à vida de outra pessoa. Ou de vocês próprios...  Laughing

@ Isaac: Primeiro que tudo... Muito bem vindo! Obrigado pelo seu comentário! Ortografia não posso emprestar, não... Mas se precisar de ajuda ou opiniões, isso eu posso até dar! Quanto ao seu palpite, lamento dizer que essa criatura não é um Garbodor. É algo mais... Vegetal  Laughing



E como hoje é Sexta-Feira 13, não podia deixar de postar um novo capítulo, claro! Arrepiante? Vocês diram!

4| Mais dúvidas, menos certezas


O médico chegou de manhã. Era um homem jovem, bem constituído, com um cabelo castanho claro manchado de madeixas louras, sobrancelhas a condizer e olhos de gato, negros como azeviche, mas capazes de perscrutar a alma de uma pessoa. Dono de uma voz dura e aparentemente inflexível, não deixava de possui um certo encanto na maneira como falava connosco. Os três sabíamos que a situação era grave, mas o jovem médico tentava ao máximo alimentar as nossas esperanças, sem nunca deixar de lado as hipóteses mais negras. Falava comigo e com o Alfred calma e sossegadamente, com o seu tom ríspido, mas estranhamente terno, numa tentativa vã de não despertar os nossos demónios interiores.

Enquanto auscultava o magro e pálido peito da Serena, os seus finos lábios apertavam-se de cada vez que o fraco coração dela emitia uma batida. Nesse momento, não pude deixar de me sentir culpado. Se não tivesse sido eu, se não tivesse sequer aparecido, se não a tivesse obrigado a relembrar aquela manhã atroz, se não a tivesse deixado…

- O coração ainda bate, mas está muito fraco. – Concluiu o médico, após realizar a auscultação, interrompendo-me os pensamentos. - A fraqueza instalou-se, mas ela continua a lutar. – Olhou o Alfred com aqueles olhos perscrutantes, como se estivesse a tentar entrar na sua alma. – A sua irmã não nasceu para ser vencida.

O Alfie fez um aceno com a cabeça, de lábios cerrados e cabeça altiva. Aquela expressão não me era desconhecida; vira-a de todas as vezes que ele lutava pela sobrevivência da sua família. A sua dureza não era mais do que uma máscara que escondia a face de um homem que chorava pela irmã, mas que não podia deixar ninguém ver. Eu tinha-o visto chorar no bar do velho Filly, mas isso fora um deslize. Agora estava a castigar-se por ter deixado as emoções soltarem-se da sua rédea.

- Que devemos fazer agora, Dr. Aidon? – Perguntei. O Alfie estava demasiado tenso para falar e se o fizesse acabaria por deixar cair a máscara, o que o deixaria ainda mais magoado. 

- Trate-me por Sebastian, por favor. – Pediu o jovem médico, exibindo um sorriso algo fúnebre. Depois, dirigiu-se à pasta de couro negro que tinha trazido consigo e remexeu-a até encontrar um pequeno frasco opaco. Abanou para se certificar de que não estava vazio e em seguida estendeu-mo. – Administrem-lhe estes comprimidos três vezes por dia. Não serão tão eficazes quanto um almoço ou um jantar, mas pelo menos não corremos o risco de desidratação ou subnutrição excessiva.

- E ela vai sobreviver apenas com três comprimidos? – Perguntou o Alfie, sem perceber o sentido da ordem do médico. Para um homem que nunca tomou um único comprimido e apenas remediava dores de cabeça e cansaço com cataplasmas e papas de aveia, aquilo era demasiado extravagante. 

Sebastian Aidon sorriu debilmente, como se tivesse sido uma criança ingénua a fazer-lhe aquela pergunta.

- Pelo menos não irá perecer por falta de energia ou por desidratação. – Respondeu o médico, sem dar certezas. – Mas até conhecermos os resultados da análise ao sangue que recolhi, nada mais podemos fazer. – Pegou no tubo cheio de sangue vermelho e opaco, que minutos antes tinha colhido da fina veia do braço da Serena, e observou-o à contraluz como se o estivesse a analisar. – Pelo que a sua irmã descreveu, o ataque desta… criatura misteriosa pode não ter sido mais do que um ato de defesa por parte de algum animal selvagem venenoso, por isso temos de ter a certeza de que toxina se trata para poder administrar o antídoto correto. – Voltou a guardar o tubo na sua pasta. – E convém sermos o mais rápidos possível, pois muitas das toxinas demoram tempo a agir, mas quando o fazem, são mais velozes que um cavalo esporeado.
 

Não consigo descrever a impotência que me invadiu, naquele momento. A Serena prostrada na cama, num intermitente coma que eu induzira com a minha inconveniente curiosidade; o Alfred com um olhar vazio, mas cheio de angústia, caminhando por mais um calvário na sua vida. E que podia eu fazer? Ficar ali impávido e sereno, a observar todo o desenrolar das suas vidas, como se de um estrangeiro me tratasse. Mas que era eu senão um estrangeiro? 

- Não há mesmo mais nada que possamos fazer, Doutor? – Dei por mim a perguntar.

- A única coisa que há a fazer neste momento é esperar pelo resultado das análises. Se bem que se tivéssemos um vislumbre de qual o tipo de animal que atacou a menina Thomas, seria consideravelmente mais fácil. – Respondeu Sebastian Aidon, na sua calma e ríspida voz. - Bem meus senhores, creio que o melhor será tratar de analisar o sangue da menina Thomas o mais rapidamente possível. Peço-vos apenas que siga a minha prescrição o mais rigorosamente possível. – Arrumou os seus instrumentos médicos na pasta e pegou no chapéu, dirigindo-se à porta.

O Alfred recuperou a sua consciência quando o médico se despediu e acompanhou-o à rudimentar porta de madeira. Um último relance dos seus olhos negros permitiu-me perceber que também ele se sentia impotente. E quando um médico se sente impotente quanto ao tratamento do seu paciente, como nos devemos nós sentir? A única coisa que há a fazer neste momento é esperar pelo resultado das análises. Se bem que se tivéssemos um vislumbre de qual o tipo de animal que atacou a menina Thomas, seria consideravelmente mais fácil, dissera ele sem esperança. Mas como iriamos nós saber que tipo de criatura tinha atacado a Serena? Teria sequer sido um animal, ou teria ela ingerido algum tipo de bagas que lhe toldassem a visão e lhe apagassem os verdadeiros factos, substituindo-os por ilusões? Ou será que havia mesmo uma criatura demoníaca a viver no coração da floresta, capaz de atacar um ser humano para consumir a sua carne? Perguntas para as quais não havia respostas. Mas elas tinham de existir! Só tinha de arranjar uma maneira…

- É isso! – Exclamei, esmurrando levemente o ar. O Alfie olhou para mim confuso. – Ele disse que seria mais fácil arranjar um antídoto, caso soubéssemos o que atacou a Serena. Só temos de saber o que foi. – Ele ainda continuava a olhar para mim, vazio de pensamentos. – Temos de encontrar a criatura, Alfred!

- A criatura… - Repetiu, saboreando cada sílaba da palavra. Aquilo pareceu ser suficientemente forte para o despertar do seu estado adormecido. 

- Sim, isso mesmo! Tu lembraste onde encontraste a Serena? Lembraste qual o caminho até lá?

Ele estremeceu. A ideia de voltar àquele lugar deixava-o tenso e apreensivo, como um animal traumatizado. Ainda assim movimentou a cabeça, em jeito de consentimento. 

Sinceramente, também eu estava apreensivo, pois não tinha tido tempo suficiente para organizar os meus pensamentos e encontrar um fio condutor lógico. Não sabia no que devia acreditar ou temer, mas a cada hora que passava, o corpo da Serena torcia-se e retorcia-se, definhando e caminhando num passo acelerado para o abismo. Não havia tempo a perder e Sebastian Aidon tinha deixado isso bem claro. Para além disso, a minha visita a Aspen tinha um propósito principal: encontrar o meu tio (ou o que restasse dele…) e, por isso, uma viagem até à floresta podia ser a maneira ideal de ajudar a Serena e encontrar alguma pista que levasse ao meu tio. 

Quando o relógio soou as dez e meia da manhã, eu e o Alfie estávamos já a caminho do local onde ele tinha encontrado a irmã. Tínhamos apenas tido tempo para deixar a Serena aos cuidados da tia Belle e arranjar uma mochila velha com duas sandes e uma garrafa de água, para o caso de algum de nós precisar. No entanto, o Alfie tinha insistido também em levar uma faca de mato, não fosse surgir a necessidade de a usar. Noutra ocasião, eu talvez me tivesse oposto à decisão de andar armado, mas não sabíamos o que iriamos encontrar ao certo, por isso quer fossem bagas alucinogénias, quer fosse uma criatura demoníaca, teríamos uma defesa, ainda que fraca.

Rapidamente chegámos à entrada da floresta: um ponto em que a estrada de um asfalto primitivo dava lugar a um trilho de terra batida e onde um nevoeiro verde de folhagem nos tapava o horizonte. Naquele sítio nada mais havia senão copas de árvores e troncos altivos. O cheiro a pinheiro e flores no ar depressa me transportou para as manhãs de primavera, em que os três costumávamos brincar à porta da floresta. Foi também ali que vi o meu tio pela última vez… Parece que foi ontem que o vi despedir-se de mim com um “Volto já!”, dirigindo-se para o lago, incauto que aquela despedida seria a definitiva. 
Não vale a pena gastar tinta a descrever a visão que se tem, ao entrar na floresta. Imaginem apenas um mundo onde verde e castanho são as cores que dominam e onde os únicos sons são o restolhar da erva por baixo dos nossos pés e o suave cantarolar de uma carriça ou e um chapim. Há anos que dava tudo para voltar àquele lugar, mas naquele dia só me apetecia fugir dali. Uma atmosfera sombria pairava sobre as nossas cabeças e, muito embora o sol ainda estivesse na sua hora jovem, a floresta estava coberta por um véu de escuridão, dada a dificuldade dos raios de luz atravessarem as copas. 

Se não fosse o Alfie, eu tinha-me perdido rapidamente nos conjuntos de trilhos que fluíam pelo chão da floresta como rios desaguando e nascendo uns dos outros. Era ele que me apontava qual o caminho a seguir, como se de uma bússola se tratasse, tomando o caminho da esquerda numa bifurcação e depois o da direita, noutra. Aqueles trilhos eram os veios das suas mãos, as mãos de um lenhador que passara vinte anos a experimentar todos e cada um deles em busca da melhor madeira. 

Passadas algumas bifurcações, chegámos a um local onde uma angular pedra marmórea se erguia. À sua volta, dezenas de pequenas pedras, cópias em miniatura do gigante, cobriam o chão. A Pedra Mãe, relembrei a mim mesmo. Olhei em redor, para os ramos, em busca de fitas que a Serena tivesse utilizado para marcar o caminho de volta. Rapidamente encontrei um farrapo de roupa cor-de-rosa, presa a um raminho de um arbusto. Não faltava muito para chegarmos à clareira das bagas. Bastaria seguir as fitas e depressa... 

- TRIS! – O grito do Alfred preencheu o ar da floresta, como uma nuvem. 

Rodei a cabeça, com os pelos da nuca eriçados de pavor, e dei de caras com uma assombrosa visão. O Alfred estava caído inanimado, junto da Pedra Mãe, com um pequeno fio de sangue a percorrer-lhe o rosto, desaguando em grossos pingos, sobre as minúsculas cópias da rocha. 

- ALFRED! – Gritei eu, batendo ao de leve no seu rosto ensanguentado, de modo a que recuperasse a consciência. – ALFRED! ALFRED!

Mas nada. Peguei na sua mão e numa manobra desajeitada tentei sentir o seu pulso. Esperei um pouco e nada. Esperei ainda mais um pouco… Mais um pouco… Tinha de sentir qualquer coisa, o Alfred não era homem para me deixar assim; não enquanto a sua irmã moribunda o esperava em casa. 

Ao fim de algum tempo, senti um leve batimento. Depois outro e outro. O Alfie ainda vivia. 

No entanto, eu sentia a ameaça presente à nossa volta. Reuni todas a minhas forças e levantei o corpo inanimado do meu companheiro, sentido o seu corpo quente, mas já perigosamente arrefecido. Arranquei a faca de mato do seu cinto e coloquei-a no meu, tentando equilibra-lo o melhor possível para não aterrar no chão e sofrer mais ferimentos. 

Era certo que o que quer que tivesse atacado o Alfie não nos queria ali. Estávamos no território de alguém. Ou de algo… Talvez estivéssemos perigosamente perto do território da criatura que atacara a Serena, mas com o Alfie naquela condição, era melhor encerrar por ali a jornada e confiar na perícia e rapidez do Dr. Aidon. 

Mas quando tentei dar dois passados na direção contrária à da Pedra Mãe, algo me impediu de continuar. Olhei para o Alfred, na esperança de o encontrar desperto e de pés fincados no chão, na teimosia de continuar. Tentei uma vez mais fugir daquele sítio, desta vez arrastando o seu corpo, já que as forças começavam a abandonar-me por aquela altura. Contudo, quando o puxei pelos ombros, senti uma resistência ainda maior e depois um puxão, como se algo o estivesse a puxar para o outro lado. Olhei para os seus pés e vi que estavam presos por uma espécie de raízes azuladas, que se contorciam como vermes e começavam a trepar-lhe pelas pernas acima. Tirei a faca de mato do cinto e dei um golpe no emaranhado de raízes, soltando-lhe os pés. Um líquido vermelho, semelhante a sangue, escorreu das raízes que se contorciam com mais vigor, agora que as tinha apunhalado. 

Só a muito custo consegui arrastar o Alfred para o meio da folhagem, o mais rápido possível, para longe da Pedra Mãe. Quando fiquei sem forças, tomei um momento para recuperar o fôlego e a minha curiosidade aproveitou-se da situação. Ergui a cabeça devagar, como um animal à espreita de um predador, e olhei para o sítio onde o Alfie tinha caído. O emaranho de raízes que prendia os pés do meu companheiro e se contorcera com o corte, estava no chão, banhado pela mistura de sangue e liquido viscoso. Senti um odor estranho, como se tivesse passado por um cadáver ou algo apodrecido, mas depois de olhar em meu redor constatei que nada havia; apenas plantas. A Pedra Mãe soerguia-se sobre as suas miniaturas, agora cobertas de vermelho, sossegadamente no meio da floresta. 

Subitamente, ouvi restolhar e algo saiu do meio da vegetação junto à rocha. Era uma criatura pequena, no tamanho de um cão, semelhante a um tubérculo, mas com quatro robustas pétalas acastanhadas, ainda por abrir. Veios imperfeitos rasgavam a sua figura, em torno dos seus olhos vermelhos mas baços, como acontece numa cenoura ou numa beterraba. De um veio central, mais profundo que os outros, um fio de seiva pegajosa escorria em direção ao chão. Caminhava desajeitadamente à custa de dois aglomerados de raízes modificados, que se assemelhavam a uma forma rudimentar de pés e, de cada um dos lados do corpo, possuía outros aglomerados que formavam mãos. Uma delas estava cortada, assemelhando-se a um coto, vertendo pingos de líquido viscoso vermelho vivo.

- Glooooooooom. – Silvou a criatura, enquanto caminhava em direção ao emaranhado de raízes que prendia os pés do Alfie.

Fiquei a observar a criatura, reparando-lhe todos os traços e comparando com a descrição que a Serena me havia fornecido. Parecia uma criatura feia e grotesca, com membros formados por raízes aglomeradas, de um lado e de outro do corpo, dissera ela. A meio, uma fenda vertia seiva branca e pegajosa, tornando o ar saturado de um aroma doce e pungente. Não havia dúvidas de que aquela era a criatura que a Serena descrevera e que tinha atacado o Alfred, como apontava o corte que sofrera no membro direito.

Levei a mão ao cinto, devagar, para agarrar na faca de mato e preparar-me para o que fosse acontecer a seguir. Contudo, em vez da lâmina fria, a minha mão tocou apenas o ar. Levei os olhos ao cinto e constatei inutilmente que a faca não estava ali. Numa tentativa desesperada de a encontrar, comecei às apalpadelas no chão à minha volta. Só quando olhei em frente, de novo para a criatura é que percebi onde a tinha deixado. 

- Gloooooooom. – A criatura avançava na minha direção, com um dos membros amputado, mas com a faca no outro. 


Então? Era assim tão dificil perceber que criatura era hahaha?
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Re: Memento

Mensagem por Slow em Sex 13 Mar 2015 - 22:06

Oi Weird o/

Gostei muito desse capítulo, ainda que nunca havia imaginado antes um gloom sem um dos braços correndo atrás de alguém com uma faca na mão, rsrs (pra mim eles sempre foram, digamos, "do bem") ou que fosse tão perigoso a esse nível (claro que não é quando se estar com um charmander/charmeleon ao seu lado por exemplo XD) mas talvez se você tivesse falado sobre a "baba" dele, eu acho que tinha adivinhado kkkk.
Creio que algum outro Pokémon virar salvar-los, já que não deve ser muito fácil se defender de uma criatura com altura de no máximo os seus joelhos, com raiva de ter perdido um de seus braços, defendendo seu território, com uma faca de mato em sua mão enquanto você tem que defender você e seu amigo inanimado sem defesa alguma... ou quem sabe até o tio do Tristan apareça?(não ponho muita fé nisso) Esperemos para descobrir...
Outra coisa que esqueci de colocar no comentário anterior: estou torcendo por Tristan e Serena, mas ainda não vimos o outro lado da moeda, Doris. Se ele ficar com Serena, magoará outra mulher. Se ficar com Doris, magoará (ainda mais) Serena, tendo uma chance de 90% do Alfie matar ele kkkkk. A unica solução seria um "triângulo amoroso", mas não acho que eles sejam desse tipo...
A proposito, Alfred é quase que meu sobrenome hehe (que é Alfredo)
Boa sorte e já esperando o próximo capítulo o/
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Re: Memento

Mensagem por DarkZoroark em Dom 15 Mar 2015 - 9:26

Gentleman o/
Bem, acho que não há muito para falar previamente devido ao fato de eu ter vindo comentar dentro de um período de tempo relativamente curto, então vamos ao review:
Dando um overview geral à principio, o capítulo foi, de fato, excelente. Todo o clima de angústia - pelo menos do meu ponto de vista - e impotência a princípio para mais tarde terminar com uma sensação de medo instalado na mente do Tristan - novamente, tirando conclusões com base no que observei - deixou a história do mesmo bem interessante. Finalmente uma história sobre Pokémon em que aparece um médico regular e não apenas mais uma Enfermeira Joy. Não tenho nada contra a personagem, mas é dose ler em praticamente toda santa história apenas ela(s) sendo citada(s) como capaz de medicar os outros. Isso traria a questão de que os seres humanos são praticamente imortais em grande parte das histórias, mas vou deixar este tópico de lado para não me desviar demais do propósito deste post. Resumindo, gostei bastante deste detalhe.
Outro ponto bem legal foi a forma com que o veneno agiu. Não é muito comum, apesar de ser realista, que toxinas demorem a agir. Em geral, assim que o personagem é acometido por envenenamento começa a sentir os sintomas no mesmo instante. Enquanto que, de fato, é a reação normal há casos - como o que descreveste neste capítulo - em que o mesmo leva mais tempo para agir. Realmente bem interessante ter visto isso.  Observação à parte, estes costumam ter maior chance de fatalidade.
Fiquei realmente surpreso ao ver que a criatura misteriosa tratava-se de um Gloom. A princípio julgava que seria um Weepinbell ou Victreebell apoiando-me no fato de que ao menos no mangá é mostrado que possuem uma boa quantidade de sucos digestivos no interior de seus corpos. Considerei também que pudesse ser um Gulpin ou um Swalot, embora com menor probabilidade para tal. De toda forma, foi uma escolha bem original. Apesar de fazer parte dos "clássicos 151" que meio mundo diz ser a melhor das gerações, Oddish e suas formas evolutivas não são Pokémons vistos rotineiramente em histórias. Em parte creio que seja devido ao fato de não serem tão populares quanto outras espécies, se bem que boa parte das histórias não chega a um ponto em que sejam introduzidos. Realmente, bem legal ter visto um em ação aqui.
Por falar nisso, devo dizer que esse deve ser o Gloom mais esperto que já vi em uma história, ou ao menos o que possui o maior "instinto de predador", digamos. Na realidade, creio que esta seja uma das primeiras e poucas vezes que cheguei a ver Pokémons empregando métodos de caça. Devo dizer que gostei bastante de tal inovação. A utilização de vinhas provenientes, do que me pareceu, do Leech Seed para prender as vítimas é uma estratégia bem legal. Outro ponto que me deixou, admito, boquiaberto foi a cena final do capítulo. Pokémons utilizando armas, mesmo que brancas, é algo que eu nunca vi antes e na realidade nem cheguei a pensar que veria. Um Gloom então... Sei lá, sempre achei a espécie tendo um certo "retardo mental", na falta de um termo mais apropriado. Foi uma cena que realmente destaca ainda mais a sua história das outras.
Erros não encontrei nenhum e, como de costume, sua escrita continua muito boa. Vou ficando por aqui, dizendo que espero pelo próximo capítulo. ninja
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Re: Memento

Mensagem por Alice Le'Hills em Dom 15 Mar 2015 - 20:43

Hey Gentleman!

Bem, devo dizer que adorei o capítulo, principalmente por, finalmente, ter um Pokémon. Gostei da escolha do Gloom. Não é um Pokémon que eu tenha visto com frequencia em fics.

Coitada da Serena, em coma. Espero que ela fique bem, para que ela e o Tris fiquem juntos. Nada contra a Dóris, mas sei lá. Eu queria entender mais sobre o universo da fic. Eu realmente tenho a impressão de que a fic se passa numa época onde os Pokémon não existiam, ou não eram comuns. É interessante pensar como essa história vai se desenrolar.

Espero que o Tris e o Alfie fiquem bem. Não sei não, mas tenho a impressão de que o alguém irá salvá-los. Será o tio do Tris? Ah, não adianta eu ficar aqui especulando. Só me resta esperar pelo próximo capítulo.

É isso. Boa sorte com a fic!

See ya!

________________
Acompanhem a minha primeira fanfic:
Pokémon - O Elo Perdido
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Re: Memento

Mensagem por Killer123 em Sex 20 Mar 2015 - 22:02

Hello Weird!

Desculpe por não ter lido antes, eu queria entender um pouco melhor sobre sua escrita, já que é bem complexa, mas isso dá um "charme" para sua fic!

Eu li os três primeiros capítulos, apesar de ter gostado muito, eu senti a falta dos nossos queridos ou não monstrinhos de bolso. Mas agora eu vi que você quer utilizar eles de maneira diferente. Como se fosse demônios ou melhor criaturas raras que se escondem nas entranhas de uma floresta negra. Eu comecei a desconfiar disso a partir do capítulo 2, e depois do incidente com a Serena, já tinha minha teoria pré-definida.

Eu já estou shippando a Serena com o nosso querido protagonista.Apesar de sentir um pouco triste sabendo que ela pode morrer a qualquer momento.

Bem é só isso!
Boa sorte!
lol!
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Re: Memento

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