Pokémon Mythology
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Astral Zero

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Re: Astral Zero

Mensagem por DarkZoroark em Ter 12 Abr 2016 - 9:08

@Rush escreveu:DZ!

Me perdoe pela demora do comentário... Para ser honesto eu havia desistido do fórum, mas alguns membros como você, o Bakujirou e o Dei acabaram me incentivando a ficar, então é isso. Se o fórum morrer não vai ser por falta de tentativas, pois não irei sair daqui. Heh.

Bem, focando no capítulo, tenho que dizer que esse foi o mais intenso já postado. A forma na qual o Zoroark deu conta do Regigigas foi algo assustadoramente épico, e me fez lembrar-me de Shadows of the Colossus, grande jogo de ps2. Não esperava que o titã fosse apanhar tanto sem causar dano em troca com tanta dificuldade como o que pude presenciar. Chego a aplaudir o Zoroark por suas habilidades de batalha, porque puta merda, ele merece.

Gostei também da conversa entre Taiyou e Valentina. Quer dizer que a Liguria realmente morreu? Ela foi apenas substituída por alguém tão talentosa quanto? Rapaz, eu achei isso dark pra caramba. Eu achava que ela havia sido ressucitada de uma forma bem zumbi amaldiçoada mesmo, sabe? Tipo sei lá, o provável Montanha do Game of Thrones, mas pelo visto é algo além. Eu não entendi qual é o desejo de Valentina, mas pro Taiyou ficar daquele jeito deve ser bem tenso. Não entendi mesmo, pois ela não havia realizado esse pedido no passado? Porque diabos isso de novo?

A cena da batalha com certeza foi uma das coisas mais épicas que eu já pude presenciar em muito tempo. Ainda não me conformo em como o Zoroark conseguiu fazer o Regigigas de bobo, dando uma surra nele enquanto o colosso não podia contra-atacar. De qualquer forma, o titã se vingou com aquela cena da perna... Cara que aflição de imaginar aquilo. Já vi gente colocando o osso no lugar quando ele se desloca, mas o osso QUEBRADO? Isso deve ser MUITO mas MUITO agonizante.

Ainda bem que a Silver Witch está lá com seu Gallade maroto para curar!

Ah, achei bem egoísta da parte da Valentina fazer o que ela fez com o Taiyou por curiosidade. Ok, ela foi comandada por alguém, mas ela deixou claro que só o fez porque também queria medir a força do rapaz. Aquilo poderia ter o matado, e se tivesse acontecido isso? Ela ia ficar de boa?

Enfim, a fic está frenética. Falta só mais um cap para a conclusão do volume e eu mal posso esperar para lê-lo. Quero ver o resultado dessa luta, que esta sendo absolutamente épica!

Eu aguardo ansiosamente o próximo capítulo DZ, um abraço! Até mais!

Rush o/
Nem se preocupe com a demora em comentar, visto que em geral eu também levo um tempo considerável  para escrever um capítulo. Fico feliz que não tenhas desistido do fórum. Somos dois que vamos ficar aqui o quanto der. Também me alegra saber que gostaste do capítulo. Então, para a batalha entre o Zoroark e o Regigigas eu me inspirei bastante tanto em Shadow of the Colossus quanto em algumas Boss Battles de Bayonetta. Eu levei bastante em conta a velocidade e as habilidades ilusórias do Zoroark durante a batalha, por isso a vantagem. Dá para considerar um confronto no estilo Davi e Golias, na falta de um exemplo melhor. Não sei como uma Liguria Aquallir impostora seja mais macabro que uma versão zumbi dela - embora uma versão zumbi seria 10x mais épico. Em relação ao pedido da Valentina, as dúvidas e a reação do Taiyou vieram do fato de que ele não se lembra do que ocorreu durante o período em que ela o teria feito. Tanto isso quanto a razão de ela ir atrás de um novo desejo serão explicadas mais para frente durante a história. Fico feliz que o resultado da batalha tenha sido tão bom assim. Eu empaquei uma ou duas vezes porque não sabia como desenvolver a cena, então fico feliz que tudo tenha fluído com naturalidade. A cena do osso quebrado eu me inspirei em um dos primeiros episódios de Gundam Wing. Quanto a Valentina ter feito o que fez apenas por curiosidade... Bem, ela é uma personagem que considera os próprios interesses acima de tudo. Ela tem um carinho e respeita o Taiyou, mas também preza o que pode aprender. Na mente dela, era impossível que ele fosse morto por alguém, digamos, "tão fraco" quanto um membro raso da Murders. Espero que gostes deste capítulo.




Capítulo XIII - Black Knight

Outrora tingido em laranja, o coliseu mais parecia uma pintura em preto em branco. Relâmpagos negros dançavam pelas arquibancadas, intercalados por uma esmagadora luminescência branca. Um sentimento conjunto de serenidade e apreensão preenchia o local. Um show bruxuleante e hipnotizante de luz e trevas. No epicentro da energia, Taiyou fitava distraidamente as costas de suas mãos. Ilustrados sobre elas residiam um par de círculos mágicos. Um era de tom ametista e representava uma meia-lua e uma estrela; o outro apresentava duas espadas entrecruzadas no centro de um anel azul-prateado. Símbolos antigos decoravam o contorno das ilustrações. Uma quantidade exorbitante de energia emanava no interior dos selos e percorria todo o seu corpo. A sensação era revigorante; cinco anos de poder mágico acumulado agora atravessavam cada uma de suas células. Dizer que estava surpreso era pouco. Sentia o olhar perplexo das garotas às suas costas. Também era capaz de ver de soslaio a combinação de uma expressão leve e sorriso arrogante presentes no semblante do Zoroark. Aquilo era o mais próximo de alívio que poderia esperar do vulpino sombrio. A muralha de chamas ilusória tornara-se fumaça por conta da falta de concentração do animal, mas Regigigas não avançou. Algo o deixara paralisado. Medo, apreensão, suspeita, cautela, cansaço... Não se importava nenhum pouco com o que seria, apenas com a reação. O colosso o reconheceu como ameaça; pouco provável que sua atenção voltasse às moças agora. Também confirmava suas suspeitas anteriores; era possível aniquilá-lo com suas Viralts. Não entendia a razão de subitamente voltar a ser capaz de conjurá-las, mas no momento era insignificante.  Com um sorriso estreito, cerrou os olhos e retesou os músculos de seus braços. Estendeu a mão direita primeiramente.


– Beautiful princess of steel, snow fairy of unwavering will; at this moment I shall ask for your help, curse-destroyer sword. Turn into my blade and lend me your power! – O selo começou a resplandecer com mais força. Estendeu o outro braço e concentrou-se nele. – Eternal princess of darkness, terrifying alluring witch; release your restraints and feed on the blood of the gods, pitch-black blade. Bring down the black clouds of heaven!

O mundo desapareceu imediatamente em um mar de luz e sombras. Ao ressurgir, Taiyou viu-se empunhando um par de espadas. Um rápido vislumbre e constatou que a aparência delas era ligeiramente diferente quando comparadas há cinco anos antes, mas não se perturbou; há muito aprendera com Ariel que a fisionomia de uma Viralt era, em parte, determinada de acordo com a motivação do Astralis. Outrora vivia exclusivamente para aniquilar quem quer que se interpusesse entre ele e seu objetivo, agora o fazia para satisfazer seus próprios interesses. Cada arma possuía cerca de oitenta e cinco centímetros de comprimento. Destes, cerca de setenta eram apenas as lâminas. A espada em sua mão esquerda era majoritariamente prata-arroxeada. O gume e o cabo eram negros como azeviche, toda e qualquer menção à luz ausente destes pontos. O vinco da arma era prateado, quase branco em certos pontos. Sete ametistas estavam presentes ao longo de sua extensão; aquela em seu pomo possuía um formato triangular. O guarda-mão possuía o formato de um par de asas de dragão metálicas. A arma à sua direita era visivelmente mais clara. O gume era branco como a neve. O sulco assemelhava-se ao céu noturno estrelado; azul-marinho com vários pontos brilhantes de luz. O guarda-mão assemelhava-se a alvas asas de anjo recolhidas contra o corpo da arma. As penas eram feitas de pequenos cristais azulados. O guarda-chuva era uma pequena safira sobre a qual a luz parecia dançar. O pomo tinha o formato de uma rosa ainda por desabrochar.

– Rathy, Julie... Apresento-lhes as minhas garotas. – A expressão de deslumbramento fixa na face de ambas era impagável. Se a situação fosse outra, com certeza teria feito uma piada. – A espada sagrada exterminadora de demônios; Demon Slayer – Caelus Est. – Um flash de luz irradiou da Viralt em sua mão direita. – E a espada demoníaca aniquiladora de deuses; God Slayer – Caligo Requiem. – Pequenos relâmpagos negros dançaram sobre a outra.

– M-Mentira... – Murmurou a morena, em um estado misto de negação e choque. A expressão era refletida pela loira. Bem, não era como se pudesse culpá-las. – Um único Astralis ser capaz de empunhar uma Holy Class Viralt e uma Demonic Class deveria ser impossível. E esses nomes...

– Sou uma exceção; a contradição definitiva. – Interrompeu em um simples dar de ombros, dispensando as dúvidas da garota. Nem ele próprio entendia a razão pela qual era capaz de utilizar ambos os tipos de Viralt e, verdade seja dita, tinha a certeza de que este era um dos motivos do interesse que a Silver Witch possuía nele. Voltando sua atenção para frente, deu um passo em direção ao colosso. – Dito isso, faz um bom tempo desde a última vez que as usei pela última vez. – Cinco anos, para ser mais exato. Antes tarde do que nunca. Com uma expressão vazia em seu rosto, deixou que seus instintos de combate e sede de sangue fluíssem livremente. – Está na hora de terminarmos essa luta. Entre um gigante ensandecido e um demônio revivido.  

Contemplando a cena, Rathy não pôde evitar que um calafrio se alastrasse por sua espinha. Algo na voz do moço estava diferente; o tom jovial que usara em todas as suas conversas estava ausente. Em seu lugar, apenas um vazio. A sensação que provinha de suas palavras era a de presenciar uma serpente prestes a dar o bote, quase hipnótica. Era difícil, se não impossível desviar os olhos. Aquele era o mesmo Taiyou com quem conversara amigavelmente naquela mesma manhã? Ambos os combatentes permaneceram estáticos; a respiração do adolescente e o sangue escorrendo do olho destruído do golem albino eram os únicos indícios de que não se tratavam de estátuas. Regigigas dera a investida inicial. Ergueu um dos punhos subitamente e, recobrindo-o em um véu de energia dourada, lançou—o em direção ao Astralis. Não houve nem mesmo o esboço de uma reação; o garoto apenas fitava silenciosamente o espaço à sua frente.  Pensou tê-lo visto flexionar os joelhos, mas em um ínfimo segundo o garoto desaparecera sob o soco do gigante. Um abalo sísmico de dimensões próximas do inimaginável varreu o coliseu. O solo estralou como uma janela atingida por um tiro. Terra, poeira e rocha subiram ao ar, ocultando o corpo do Pokémon colossal. As zonas mais deterioradas das arquibancadas ruíram. A loira não era capaz de ver nada daquilo.

– Impossível... – As palavras lhe escaparam os lábios, quase um sussurro. As forças que lhe restavam pareciam ter se dissolvido. Não. Aquilo não podia ser verdade. Meneando hesitantemente a cabeça de um lado para o outro, lutava contra a pequena voz em sua cabeça. Aquilo não podia ser real, era o que queria gritar, mas não se mostrava capaz de emitir qualquer som. Sentia a garganta seca e engolir tornara-se uma tarefa difícil. Recusava-se a aceitar que o adolescente estivesse morto. Suava em frio, seu corpo tremendo de nervosismo. Foi só quando a morena tocou-lhe levemente o ombro que sua voz voltou. – Taiyou-san!

– Desgraçado! – Bradou Julie, os olhos cor de rubi exibindo o ódio fulminante que sentia pelo colosso. Seu rabo-de-cavalo se agitava vívido como uma chama. Estava furiosa com o gigante, com o adolescente e, acima de tudo, consigo mesma. Se fosse mais forte... Só um pouquinho mais forte aquilo talvez não tivesse acontecido. Ergueu sua Viralt no ar, a língua de fogo dançando perigosamente acima de sua cabeça. Antes que pudesse atacá-lo um vulto negro surgiu em seu campo de visão e agarrou-lhe o pulso. – O quê?! Solte-me! Não queres vingar o seu parceiro?! – Indagara em um tom irritadiço. Tentou se soltar, mas Zoroark simplesmente ergueu-a no ar como uma boneca de pano. Ele era mais forte fisicamente do que aparentava. Rindo tranquilamente, o Pokémon sombrio indicou levemente com um meneio na direção do gigante. Ainda que relutantemente, seguiu o movimento com os olhos. Seus olhos arregalaram imediatamente. Por entre a areia, seu corpo surgiu; dera um salto que o deixara na altura do antebraço do colosso.

– Impressionante. Agora entendo porque esta é uma espécie considerada lendária. – O moço analisou taciturnamente, observando a devastação causada por Regigigas. Esboçava uma expressão curiosa; tinha um sorriso gentil nos lábios, mas um olhar gélido. – Todavia, se comparado à Silver Witch... – O movimento levou pouco mais de um segundo. Um risco negro cruzou o ar em um arco ascendente. Estendida à esquerda do jovem, God Slayer brilhava escarlate sobre negro. – Faltam-lhe velocidade e técnica.

Sangue jorrou do braço do gigante seguido por um urro agonizante de dor. Um corte profundo e limpo surgira em seu bíceps. A areia tornou-se rubra e pesada ao absorver o líquido. Permitiu-se um segundo de alívio. Tivera de ultrapassar os limites de seu corpo novamente para evitar o soco. Sentia os músculos em suas pernas queimando e o fêmur fraturado ameaçava sair do lugar. Teria a vantagem enquanto evitasse um acerto direto do gigante. Dito isso, sua situação era equivalente a de Zoroark; um movimento mal-calculado e poderia ser o seu fim. Semicerrou os olhos ao ver uma espécie de névoa flamejante escapando do ferimento. O golpe fora suficientemente sério para fazer a Damned Soul em seu interior reagir. Estalou a língua, não satisfeito. Não estava dissipando energia astral o suficiente para que aquela área fosse perto do núcleo. Tinha de encontrá-lo para nocautear o gigante. Se para isso fosse necessário transformá-lo em uma rede de pesca, que assim fosse.

A resposta de Regigigas fora rápida e brutal. Bradando furiosamente, lançou mais um soco contra o garoto. Uma esfera de energia acinzentada envolvia seus dedos. Ainda no ar, tudo que conseguiu fazer foi cruzar a Demon Slayer sobre o peito. Lâmina e punho se encontraram. A força da colisão impeliu o adolescente de encontro às arquibancadas. Sua aterrissagem fora bruscamente amparada por várias fileiras de pedras desiguais. Salvos alguns arranhões e abrasões superficiais ouviu o estalo de três costelas quebrando e sentiu algo perfurar seu flanco direito; na certa algum seixo afiado. Uma vitória. Sofrera menos ferimentos graves do que havia estimado. Melhor ainda, a espada que lhe servira de escudo estava inteira. Aquilo era uma surpresa particularmente agradável. Caelus Est era uma Viralt do elemento metálico com alguns traços de uma Holy Class, então sua resistência a danos era consideravelmente alta. Ainda assim, aquilo superava suas expectativas. Permitindo-se um breve riso seco e ríspido pôs-se de pé e cuspiu a colherada de sangue que enchia sua boca. Achava um milagre que seu osso não houvesse saído do lugar novamente. Regigigas reagiu de imediato à sua movimentação. Criou uma esfera azulada em frente a uma de suas mãos e lançou-a ao seu encontro. Flexionou levemente os joelhos e, tomando impulso, saltou para cima. A explosão proveniente da colisão entre o globo de energia e as arquibancadas tivera força suficiente para transformar em cascalho parte do estádio. Não pode evitar sorrir ao ver que o assalto do Pokémon colossal não iria parar por ali. A adrenalina de um combate após tanto tempo era quase tóxica. Um par de anéis constituídos por rochas acinzentadas envolveu o corpo do gigante diagonalmente. Inverteu a empunhadura das espadas ao ver os projéteis voando em sua direção. Fácil demais. Inalou todo o ar que conseguiu e então exalou.


Assassination Skill – Twin Fang Style: Orochi

Inúmeros riscos brancos e negros preencheram o espaço ao seu redor enquanto suas Viralts cortavam o ar. Movimentava seus braços com precisão mortal e destreza. As pedras eram transformadas em cascalho tão logo se aproximavam. Seu tórax queimava de dor a cada gesto mais arisco, mas ignorava a sensação; poderia tratar de suas fraturas quando voltasse à Academia. Destruindo a última leva, fitou Regigigas tranquilamente e assobiou. Zoroark surgiu por trás do Pokémon colossal e expeliu uma rajada de chamas vermelho-alaranjadas. Um novo berro de dor escapou dele quando o musgo em uma de suas pernas ardeu em meio às labaredas. Aterrissando com leveza, Taiyou avançou em direção ao oponente. Com um rápido meneio, abriu um novo corte pouco acima do joelho do golem branco. Errou o alvo; mirara em seu tendão. Cinco anos de hiato haviam deixado-o enferrujado. Precisaria praticar sua mira posteriormente. Sangue esguichou da ferida juntamente ao miasma negro da Damned Soul. Era mais diluído do que o anterior; o núcleo devia estar em uma área superior do tronco. Posicionando-se ao lado do vulpino sombrio, lançou-lhe um olhar extenuado, mas alerta.

– Lembre-me de nunca mais ficar tanto tempo sem treinar. – Brincou em um tom cansado, um sorriso amargo presente em seu rosto. A ferida em seu flanco ardia quase insuportavelmente. Em resposta, o Pokémon ilusório riu em silêncio e deu de ombros. Com movimento de pescoço, Taiyou indicou as garotas. – Estou pensando em mostrar para elas o que a Silver Witch nos ensinou. – Não conseguiu segurar o riso ao ver a leve surpresa que cruzou o olhar de Zoroark. Apesar das aparências, a ideia não viera de um puro desejo de se exibir. Os dois estavam feridos; se quisessem acabar com a disputa em segurança, teriam de atacar com força e velocidade. – O que acha? Estratégia do enxame sombrio? – O sorriso no rosto do animal lhe deu a resposta.

Os olhos do canídeo cintilaram brevemente antes que ele apoiasse uma das mãos no solo e, flexionando os joelhos, saltasse de encontro ao gigante. Cruzando os braços sobre o peito, criou um par de esferas de círculos azuis e negros sobre as palmas de suas mãos. Concentrando-se, deixou que uma aura escura como carvão revestisse os membros até a altura dos cotovelos. Descruzando-os, fez com que dezenas de globos surgissem ao redor do colosso. Seu corpo fora então revestido rapidamente por uma aura carmesim. O número de projéteis fora imediatamente triplicado. Aterrissando com graça, virou rapidamente e uniu as mãos em frente ao corpo, pouco abaixo do abdômen. A pressão surgiu quando o adolescente pusera um pé sobre elas. Sorrindo quase diabolicamente, impulsionou-o para cima. Fagulhas de tom obsidiana dançavam sobre a God Slayer. Com um sorriso, pôs o pé sobre uma das esferas; como esperado, não houve nenhuma reação da mesma. Movimento metafísico tri-dimensional. Em outras palavras, a habilidade de se mover em qualquer superfície ao injetar energia astral nas extremidades de seu corpo. Um dos muitos talentos que aprendera naquele lugar. Contrabalanceando o peso de seu corpo sobre o globo, apontou a ponta da Caligo Requiem em direção ao gigante com um floreio. Um orbe preto como petróleo surgiu à sua frente e centelhas de mesma cor oscilaram por sobre a lâmina. Um sorriso revigorante formou-se em suas feições.

– Desapareça na escuridão interminável.  – Murmurou o adolescente, sua voz fria como gelo. A energia da God Slayer fora intensificada com as palavras. – Vorpal Erosion!

Uma rajada de relâmpagos negros como azeviche partiu da esfera e foi de encontro ao Pokémon colossal. O nível de poder da técnica era quase avassalador, mesmo para os parâmetros do jovem. Muito provavelmente seria fatal para qualquer ser humano que fosse atingido. Simultaneamente, todas as dezenas de globos que envolviam Regigigas dispararam correntes de anéis negros e azuis. O golem cruzou os braços defensivamente sobre o tronco. De nada adiantou. A explosão da Vorpal Erosion fora suficiente para atirar seus braços para trás, marcas de queimadura espalhadas por ambos os membros. O aglomerado de Dark Pulses o atingiu como abelhas furiosas por todos os lados. Verdade seja dita, a maioria não passava de ilusões. Ferroadas que dispersavam a atenção, por assim dizer. As reais o alvejavam constantemente, mas provocavam pouco dano. Dando um passo para trás deixou que a gravidade o levasse ao solo. Pousando com o máximo de suavidade que a perna ferida o permitia, olhou Zoroark de soslaio e acenou levemente com a cabeça. Flexionando as pernas, a dupla de Astralis e Pokémon avançou. As garras do canídeo passaram a exibir uma aura avermelhada. Subitamente o garoto atirou a God Slayer em sua direção. Deixando-a passar centímetros a frente de seu focinho, agarrou-a com uma das mãos e imitou a postura do jovem.


Assassination Skill: Shadow Mirror Style – Rising Viper

Um par de rastros branco e preto em velocidade divina. No instante seguinte cortes diagonais irromperam da altura das coxas até a base das jóias prateadas. Sangue esguichou das feridas e o Pokémon colossal pareceu perder momentaneamente o equilíbrio. A fumaça sombria novamente escapava dos ferimentos, mas ainda eram demasiado difusas. Com um suspiro levemente desanimado, o canídeo sombrio jogou a espada de volta para o jovem. Pegando-a em meio ao ar, disparou um olhar cauteloso na direção do mamífero. A última coisa de que precisava era um maníaco por combates sentindo-se entediado ou arrogante. As chances de um descuido proposital tornavam-se bem maiores sob qualquer uma destas situações. Vê-lo dando uma vantagem ao golem albino não era uma imagem particularmente difícil de idealizar. Teria de derrotá-lo o quanto antes. Uma tarefa que era mais fácil na teoria do que na prática, visto a resistência física e o estado de fúria cega do alvo. Não que seria impossível fazê-lo. Possuía uma técnica que conseguiria incapacitá-lo em um instante, mas era arriscada. A dor e o desgaste físico que ele próprio sentiria fariam a própria morte empalidecer. Ademais, usá-la com o corpo já ferido e após cinco anos sem treinamento intensivo era uma loucura que beirava ao suicídio. As técnicas que lhe foram passadas pela Silver Witch eram a definição mais simples e pura de uma faca de dois gumes.

Urrando em uma mistura de fúria e dor, Regigigas voltou sua atenção novamente ao garoto. Erguendo ambos os braços, criou uma gigantesca esfera azulada entre seus dedos. Outra Focus Blast. Nada de novo, mas o tamanho era surpreendente. Quatro ou cinco vezes o diâmetro das anteriores. Tinha de admitir, ainda que relutantemente, que estava impressionado. No estado em que estava o Pokémon colossal não deveria ser capaz de liberar tanto poder. Admirável, de fato. Um sorriso genuíno abriu espaço entre seus lábios. O ataque do Pokémon ameaçava destruir metade do estádio e, no entanto, a situação o divertia. O coração acelerado. A leve e persistente dormência em ambos os seus braços. O som de lâminas cruzando o ar... Eram em ocasiões como aquela em que sua verdadeira natureza vinha à tona. Fora condicionado fisicamente e psicologicamente desde a infância para tais casos. Experimentar um combate após cinco anos de abstinência era quase prazeroso.

– Zoroark, vá e proteja as garotas. – Taiyou falou em uma estranha mescla de serenidade e ânimo. O canídeo erguera uma sobrancelha e parecia querer protestar, mas fora interrompido antes que pudesse começar. – Irei dançar um pouco. – A expressão do canídeo fora de incomodada a mais pura surpresa quando enfim compreendeu o significado por detrás daquelas palavras. Aplicando mais pressão na empunhadura das espadas, o moço olhou de soslaio por sobre o ombro. – Conto com você.

O Pokémon ilusório gesticulou afirmativamente e recuou. Pondo-se em frente às estudantes e seus parceiros, encostou uma das mãos no solo. Um campo de força turquesa surgira ao seu redor, envolvendo-os sob uma cúpula defensiva. Salvo um impacto direto, a proteção devia ser capaz de resguardá-los. Deixando as preocupações de lado, o adolescente respirou fundo. Derrotar o colosso tornara-se uma tarefa simples. Julgando pelo volume de energia que convergia na esfera em suas mãos havia pouca chance de que conseguisse reagir a um contra-ataque imediato. Só precisava esquivar e então golpeá-lo com uma sucessão de Assassination Skills. Porém não era o que faria. Parte do que herdara de Ariel em suas várias aulas era algo que recordava dubiamente o código de conduta de um espadachim. Não acreditava em um combate justo e honrado, mas o conceito de combater a força máxima de um oponente com a sua própria era algo que o agradava. Avançando um passo, um lampejo resoluto cintilou em seus olhos; usaria as técnicas da Silver Witch para derrotá-lo. Muito provavelmente sentiria uma dor desgraçada ao fazê-lo, mas era uma opção mais atraente que a insatisfação.



Regigigas rugiu a plenos pulmões. A onda de choque sonora atingiu-lhe o corpo, fazendo-o perder o equilíbrio momentaneamente. Aproveitando-se de seu deslize o colosso rapidamente lançou o orbe ao seu encontro. Tudo em seu caminho era imediatamente reduzido a pó. Fendas brotavam do solo vitimado pela pressão do ataque. Imaginava o rombo que aquilo causaria no coliseu; curiosamente, o único efeito que tal pensamento teve fora acentuar seu sorriso. Injetou o tanto quanto pode de energia astral nos músculos de suas pernas e flexionou os joelhos. Seus músculos queimavam por dentro, mas o efeito era revigorante ao invés de doloroso. Aguardou pacientemente enquanto a técnica do golem albino se aproximava. Saltou no mais tardar que se atrevia. O globo passou a centímetros sob seus pés e explodiu contra parte das arquibancadas. Por um instante, o laranja espectral que tingia a cidade foi substituído por um azul tão intenso quanto a luz do sol. Explosões fizeram a arena estremecer e ruir. Destroços atingiram a barreira de Zoroark, esfarelando-se ou ricocheteando para os lados. Mandá-lo proteger as garotas fora definitivamente uma boa ideia. Pouco mais de um quarto da estrutura do coliseu permanecia de pé após os violentos tremores. Em seu epicentro o gigante respirava em ritmo irregular na tentativa de recuperar as forças. Não teria essa chance. O adolescente jogou todo o peso do corpo para as pernas e, após balançá-las para frente e para trás um par de vezes, deu uma cambalhota. Olhou momentaneamente para baixo e deu-se por satisfeito. Conseguira aumentar a altura que estava com a pequena acrobacia. Mais importante, estava sobre Regigigas. Sorrindo, ajeitou a empunhadura de suas Viralts. Agora não haveria mais volta. Difundiu toda a energia astral que ainda possuía pelo seu corpo e atirou-se em queda livre para baixo.

Meteo Arts Dance – Annihilation Form: Crimson Lotus Spiral Bloom – Nineteen Successive Slashes

Uma série rápida e ininterrupta de ataques realizados na velocidade da luz. A arte elaborada para aniquilar um adversário para o qual, em circunstâncias normais, seria combatido por um pequeno esquadrão de Astralis altamente treinados. Por motivos óbvios era algo que não deveria ser usado em seres-humanos. Dezenove golpes e dezenove acertos. Uma vez utilizada eram poucos aqueles capazes de contra-atacá-la. Na verdade, a única pessoa que conseguira essa proeza contra ele fora a mesma que o ensinara. Cortes, sangue e miasma surgiram por toda a extensão de seu corpo enquanto o colosso gritava em agonia. Girando sobre os calcanhares, Taiyou observou a intensidade com que a fumaça escapava de seus ferimentos. Identificando a mais densa, permitiu-se um riso seco. Agora sabia onde o núcleo da Damned Soul estava. Ajeitando a sua postura concentrou sua energia na sola dos pés. Ainda tinha alguns instantes antes de sentir quaisquer efeitos adversos. Usá-lo-ia para cuidar daquilo. Respirou fundo. Desaparecera um segundo depois.

Meteo Arts Dance – First Form: Lightning Shot

Instantaneamente metal atravessara músculos e ossos. Ainda empunhando a God Slayer com sua mão esquerda tinha a Demon Slayer enterrada até o cabo no espaço entre quatro dos olhos do gigante. O movimento primordial do arsenal que lhe fora entregue por Ariel e talvez o mais útil, não era nada mais que uma estocada em velocidade divina. Era especialmente versátil por não existir um contragolpe específico que pudesse pará-la. Simples, rápida e mortal; bem ao estilo da Silver Witch. Taiyou fechou os olhos e recitou rapidamente um encantamento. Imediatamente uma imensurável quantidade de luz escapou por todos os cortes no corpo do colosso. O mundo tornou-se uma enorme esfera branca por alguns momentos antes que as cores e as formas voltassem a surgir. Regigigas continuava como antes, salvo que o miasma negro deixara de vazar pelas feridas. Com um suspiro satisfeito e cansado, encostou os pés no corpo do Pokémon colossal e recuou com um salto. A lâmina da espada branca deslizou junto de sua mão sem qualquer resistência. Pousou com alguma falta de graça e observou o adversário tombar para trás. As garotas estavam as suas costas, então não tinha de se preocupar. Seu adversário não se ergueria novamente. Ao destruir a Damned Soul de seu corpo também eliminara a maior parte das forças que lhe restavam. Passar-se-iam alguns dias antes que ele pudesse agir novamente.

Dando-se por satisfeito, Taiyou tentou pôr-se de pé só para sentir todo seu corpo estremecer em meio a uma dor insuportável. Trincou os dentes, suprimindo um grito. Todos os seus músculos convulsionavam em agonia. Sangue escorreu da ferida em seu flanco e o fêmur fraturado saiu do lugar. Já esperava por algo assim; o efeito adverso de usar as técnicas de Ariel sucessivamente. Não imaginava algo com tamanha intensidade, entretanto. Estava de moleza tempo demais. Sentia os braços e pernas ameaçando rasgar de dentro para fora. ‘Desconfortável’ era uma descrevia muito vagamente o que sentia. Cravando as Viralts no chão o moço cambaleou vacilante, sua consciência flutuando. Quando estava prestes a cair sentiu um braço passar por de suas axilas e ajudá-lo a ficar de pé. Não precisou abrir os olhos para saber quem era.

– Francamente... Acho que exagerei novamente, não é mesmo? – Indagou retoricamente, sua voz não mais que um sussurro. Droga. Não permaneceria muito mais tempo acordado. Zoroark limitou-se a um riso ríspido e um olhar cínico. – Bem, se não te importares, vou tirar um pequeno cochilo. Deixo o resto em suas mãos. – Foram suas últimas palavras antes de desmaiar. O vulpino ilusório deu um suspiro incomodado. O humano que tomara como parceiro por vezes ultrapassava os limites da compreensão. Talvez por isso fossem uma combinação que funcionasse tão bem?




Observando a cena com os olhos arregalados em uma mescla de deslumbre e surpresa, Rathy ergueu-se com dificuldades. A lasca de pedra que atravessara sua coxa fora removida anteriormente graças à ajuda de Julie. Ataduras rudimentares feitas com tiras de tecido rasgado de seu uniforme cobriam a ferida. Pressionava um bloco de gelo contra o machucado com uma das mãos, esforçando-se para suprimir a dor. A perna vacilava sempre que punha alguma pressão sobre ela. Com a respiração curta e rápida, a loira começou a caminhar em direção ao moço. Glaceon seguia seus passos de perto. Seu rosto estava inchado e, pela forma com que andava, parecia ter quebrado alguns ossos em decorrência de ser estapeado por Regigigas. Mais a frente, Julie e Flareon mantinham os olhos fixos no Pokémon colossal. A morena tinha sua Viralt presa na cintura, o cabo roçando em seus dedos. Aproximando-se do golem albino, seu coração parou por um momento ao ver Taiyou sendo carregado na cacunda de Zoroark, seu rosto enterrado na juba carmesim do vulpino. Preocupada a princípio, sua tensão transformou-se em um suspiro de alívio quando a raposa ilusória revelou a face adormecida do adolescente. Suas lâminas estavam presas cuidadosamente sobre suas costas. Achara aquilo curioso; em geral, um Astralis inconsciente não deveria ser capaz de manter suas Viralts em estado corpóreo.

– Quem diria... Ele fica adorável quando dorme. – Comentou Julie, piscando algumas vezes perante a cena. Um riso escapou do Pokémon ilusão em meio a um dar de ombros. Havia algo oculto em seu olhar, mas não saberia dizer o que.

– Sim. – Foi tudo que Rathy conseguira dizer. Sangue fluía das costas do garoto e uma de suas pernas estava projetada em um ângulo estranho, mas estranhamente não conseguia evitar esboçar um pequeno sorriso. – É difícil imaginá-lo derrotando Regigigas olhando-o agora. – As memórias ainda estavam vívidas em sua mente. A diferença entre o garoto adormecido de agora e o guerreiro que confrontava o gigante era enorme.

– Verdade. – Concordou a primeira com um leve meneio. Apoiou sua face em uma das mãos, seus olhos se estreitando e focados completamente no garoto. Havia algo de errado ali. As habilidades que ele mostrara eram, de certa forma, nostálgicas. E havia também o nome de suas Viralts... – Bem, vou querer confirmar alguns fatos quando ele acordar, mas por hora creio que tudo esteja bem. – Voltou sua atenção para o gigante caído. – O que faremos com ele? É perigoso demais deixá-lo no meio da cidade.

– Creio que eu possa cuidar disso, Onee-chan. – As palavras, ditas por uma voz que lhe era desconhecida, causaram arrepios em sua espinha.

O som de vácuo sendo formado irradiou pelo coliseu em ruínas. Voltando-se para o epicentro do ruído, a loira sentiu seus olhos arregalarem inconscientemente. Uma fenda, com largura considerável, flutuava no espaço poucos metros à sua frente. Sentia como se lhe faltassem palavras para descrever o interior da fissura. Era um espaço ametista, distorcido e vazio. Uma aura maligna e ameaçadora parecia fluir de suas profundezas. A cena tornara-se mais estranha quando uma moça de longos cabelos azuis e olhos púrpuros surgiu do interior do portal. Suas roupas eram, no mínimo, reveladoras e, em suas mãos, havia uma grande foice emanando a mesma sensação do portal. A garota bateu o cabo da arma um par de vezes contra o solo. O rasgo espacial à suas costas fechou-se imediatamente. Um sorriso calmo e arrepiante brotou em seus lábios. Viu Julie agarrar o cabo de sua Viralt e Zoroark recuar um paço, rosnando agressivamente em sinal de alerta. Aquilo pareceu apenas diverti-la.

– Na sua posição, eu pensaria duas vezes antes de fazer isso, Onee-chan. – A garota advertiu, fitando Julie com um tom sarcástico e zombeteiro. Contudo, havia um lampejo assassino ali. – Se não conseguiram sequer ferir Regigigas suas chances de me derrotarem são zero.

– Posso presumir pelas suas palavras que tivestes algo haver com esta confusão toda? – Indagou a morena, sua voz to calma e séria quanto o possível. Entretanto, Rathy sabia que sua amiga estava irritada por ter sido subestimada. O dar de ombros que recebera como resposta não ajudara com seu temperamento.

– Sim. – Confirmou, uma leve nota de despreocupação mesclada à sua voz. Aquilo pegou a loira de surpresa; uma resposta tão simples não era o que estava esperando. Virando de costas para o grupo, a moça fez aparecer um pequeno cristal vermelho entre seus dedos. Examinando os ferimentos espalhados pelo corpo do gigante, um semblante quase sádico formou-se em seu rosto. – Como esperado. Taiyou e Zoroark-chan conseguiram causar um belo estrago. – As estudantes fitaram o Pokémon ilusório, mas não houve reciprocidade. Seus olhos, agora sombrios e atentos, focavam apenas a intrusa. – Vai ser bem fácil selá-lo neste Blood Crystal. – Aproximando-o do colosso, observou tranquilamente enquanto centelhas vermelhas envolviam o corpo do golem albino. Uma subespécie rara de Capture Crystal, era comumente utilizada em espécies mais fortes para capturá-los com maior facilidade.

– Como se eu fosse deixar! – Exclamou Julie, retirando Feurengue de sua cintura e açoitando o chão aos seus pés com um forte estalido. Chamas irromperam imediatamente, estendendo-se por toda a superfície do chicote. – Flareon, Quick Attack!

– Nós vamos também, Glaceon! – Bradou Rathy, Largando o bloco de gelo e materializando seu arco. O mamífero gélido deu um passo em frente, preparado para o combate. – Use Quick Attack!

A dupla de quadrúpedes avançou em meio a rosnados. Os gritos de advertência de Zoroark encontraram ouvidos surdos. Aqueles dois iriam aprender uma dura lição da pior maneira possível. Correndo em alta velocidade, deixavam rastros de luz branca por onde passavam. A garota não lhes dera um mínimo de atenção, a única reação sendo seu sorriso levemente acentuado. Uma abrupta rajada de vento gélido envolveu ambos os Pokémons. Seus movimentos foram detidos e, após um instante, foram ambos aprisionados no interior de enormes estalactites de gelo. Aquilo deixara Julie e Rathy sem reação. Um ciclone de neve irrompeu no espaço entre Glaceon e Flareon. Em seu centro surgira um Pokémon humanoide. Seu torso era humanoide e assemelhava-se a um kimono. Uma faixa vermelha envolvia sua cintura e lembrava-a de um obi. Seus braços estavam conectados às laterais de seu rosto e tornavam-se mais largos ao redor de seus pulsos. Manchas azuladas decoravam as ‘mangas’. Suas mãos consistiam em três pequenos dedos. Sua cabeça tinha o formato de uma gota d’água e era decorada com dois cristais de gelo pentagonais semelhantes a chifres. Alguns buracos na estrutura faziam-na parecer uma máscara. Por entre dois destes, um par de olhos cristalinos e de esclera amarela podia ser observado. Fitava as garotas desinteressadamente e com um sorriso intransigente. O esboço de uma reação surgiu quando seu olhar caiu sobre Zoroark. A resposta do canídeo foi um rosnado de aviso.

– Ara, Zoroark-chan. – Suspirou a garota com uma sobrancelha erguida em meio ao que julgava ser uma expressão de agradável surpresa. – Pensei que ficarias mais feliz ao rever a Froslass após tanto tempo... – O comentário viera em um tom que oferecia apenas tranquilidade e uma pitada de curiosidade. O olhar penetrante e sóbrio do vulpino fizera-a repensar seu julgamento. A loira não o vira tão alerta nem mesmo durante o combate contra Regigigas. Aquela garota era realmente tão perigosa? – E então, Onee-chans? Vão parar por aqui ou tentarão mais alguma coisa em um exercício de futilidade? – O deboche em sua voz era palpável, mas a seriedade com que as fitara a seguir fizera com que qualquer replica que tivessem planejado morresse em suas gargantas. O instinto assassino que acompanhava seu olhar era tão esmagador quanto o do garoto adormecido. – Honestamente, eu poderia matá-las com a mesma facilidade que uma faca atravessa manteiga, mas isso seria o mesmo que iniciar uma guerra contra Taiyou e a Silver Witch. Isso é algo que eu gostaria de evitar, no presente momento. – Seu rosto tornou-se repentinamente angelical, toda e qualquer maldade desaparecendo de suas feições. – Por isso peço que fiquem quietinhas enquanto eu termino meu trabalho, ok?

– Cale-se... – Proferiu Julie, suas palavras menos que um sussurro. Seu corpo inteiro tremia e as chamas ao redor de seu chicote dançavam como um furioso leão enjaulado lutando para se libertar. Seus cabelos agitavam-se levemente, uma labareda dançando sob o sol do crepúsculo. Rathy não tinha dúvidas; sua amiga passara da raiva há muito e aproximava-se da ira muito velozmente. – Cale-se... – As mesmas palavras, um pouco mais altas desta vez. Rathy retesou a corda de seu arco, uma seta de gelo translúcido formando-se entre seus dedos. A adversária dera-lhes as costas uma vez mais, seu foco residindo inteiramente na tarefa de selar Regigigas. Em frente a ela, a fantasma de gelo fitava-as com o mais puro desinteresse. – Cale-se! – Seus olhos, vermelhos como rubis, fitaram a adversária com veneno suficiente para matar um exército. Estalou sua Viralt contra o solo e, por um instante, o fogo que o cobria oscilou entre um vermelho vivo e um rubro mais escuro. – Irei transformar esse seu excesso de confianças em cinzas aqui e agora!

Atacou movendo a arma em um arco horizontal. Um ciclone de fogo projetou-se do chicote e, de seu interior, surgiu uma pantera de labaredas rugindo a plenos pulmões. Simultaneamente a loira disparou seu projétil. A meio-caminho do alvo a flecha explodiu em uma chuva de pequenas aves cristalizadas. Froslass observou a investida combinada, um leve toque de surpresa diluído em suas feições. O sorriso sombrio que dera a seguir pusera fim às esperanças da loira em pegá-la desprevenida. O Pokémon fantasma atravessara os braços sobre o peito e emitira um brilho espectral vermelho de seus olhos. Descruzando-os, invocou uma rajada de ventos arroxeados ao seu redor. Enfrentando as correntes de ar, os projéteis gélidos da loira tiveram sua trajetória alterada forçadamente e o felino de fogo fora dissipado pela ausência de oxigênio. Sem dar tempo para uma segunda investida, Froslass ergueu os braços. Um par de esferas negras surgiu em frente às suas mãos. Pequenos relâmpagos violeta dançavam pelo exterior dos orbes. Rodopiando, disparou ambos na direção das garotas em alta velocidade Observando seu avanço, Zoroark reprimiu uma praga. Eram duas vezes mais rápidos que as técnicas da loira e da morena. Parte de si chamava-o de tolo; lutara ao lado do Pokémon fantasma durante anos. O correto não seria esperar por algo ainda mais inacreditável? Inspirou fundo e inflou as bochechas. Estava debilitado e cansado, mas julgava ainda ser capaz de fazer a mulher fantasmagórica lutar pelos seus espólios.

Não foi necessário nem que começasse o embate.

Momentos antes que expelisse uma rajada de fogo contra o ataque adversário uma lâmina rósea de energia trespassou ambas as esferas, dividindo-as em quatro. Explosões ocorreram, erguendo um nevoeiro negro como azeviche extremamente denso. Outras três cortaram o nevoeiro. Duas atingiram as prisões gélidas em que Flareon e Glaceon estavam presos. Não houve rachaduras; os cristais foram inteiramente dizimados pelos golpes. Desorientados, os mamíferos caíram no chão um tanto quanto atrapalhadamente. A terceira avançara de encontro à Froslass, mas atravessou seu torso sem maiores efeitos. A névoa se dissipou para revelar Gallade, as espadas em seus braços emitindo uma aura rósea. Seus olhos ignoravam a fantasma da nevasca e focavam exclusivamente na garota às suas costas. Coberto pela energia vermelha, o corpo do colosso foi absorvido pelo Blood Crystal. Virando-o entre seus dedos com uma expressão condizente a de uma criança que ganha um brinquedo novo, Valentina voltou-se na direção do grupo. Fazendo contato visual com o gladiador, riu entretidamente.

– Há quanto tempo, campeão da Silver Witch. – Fez uma leve reverência cortês. O Pokémon guerreiro não se dignou a replicar. Notando isso, a garota inclinou levemente o pescoço para o lado. Seu sorriso era tudo menos inocente. – Ara, parece que consegui deixá-lo irritado. – Novamente nenhuma resposta. Onde Ariel era descontraída, Gallade era rígido. Senso de humor era algo lhe faltava. Dando de ombros, apoiou o cabo da foice contra o ombro. Froslass desapareceu imediatamente... Só para ressurgir ao seu lado. Com um movimento quase imperceptível com o pulso, a moça criara uma fenda dimensional as suas costas. – Se possível eu gostaria de conversar um pouco mais, mas irei irritar algumas pessoas se ficar aqui por muito tempo. – Acenou despreocupadamente com a mão em que o cristal vermelho se encontrava. – Onee-chans, se quiserem ter alguma chance na Battre de Champions é melhor treinarem mais. No seu nível atual, meus colegas conseguiriam derrotá-las em um piscar de olhos!!– A maneira despreocupada e energética com que pronunciara a frase fora como um soco no estômago de ambas as garotas. Seu foco mudou para o canídeo. – Zoroark-chan, dê meus cumprimentos ao Taiyou quando ele acordar. – O Pokémon suspirou pesadamente, mas assentiu, ainda que de mal grado. Era uma velha amiga apesar de tudo e o adolescente se importava com ela. Girando sobre os calcanhares, a garota preparava-se para entrar no portal quando ouviu um passo. Não precisou olhar por sobre o ombro para saber de quem se tratava. – Eu o aconselharia a parar por aí, Gallade. Admito que teria dificuldades em vencer você e o Zoroark-chan, mesmo que ele esteja no fim das suas forças. Entretanto... – O tom sombrio que usara em sua voz causara calafrios na espinha de Rathy. Era uma sensação similar à que sentira quando Taiyou desafiara Regigigas. – Mesmo que me derrotem, eu ainda seria capaz de matar as duas garotas e seus Pokémons durante a luta. A pergunta que lhe faço é essa: estás disposto a arriscar a vida delas só pela chance mínima de me capturar?

O gladiador permaneceu estático por alguns instantes. A tensão era tal que seria possível cortá-la com uma faca. Fechando os olhos, recuou um passo e retornou as lâminas em seus antebraços ao tamanho original. Acima de tudo, seu dever como Pokémon da diretora da Academia Laurel era priorizar o bem-estar dos estudantes. Um riso entretido escapou dos lábios de Valentina antes que ela adentrasse o portal. Foi então que a loira viu. Seus olhos arregalaram de imediato. Tatuado nas costas da adversária estava o desenho de um dragão negro mordendo a própria cauda. Seu rosto empalideceu consideravelmente e seus olhos foram de imediato para a figura do garoto adormecido. Era a mesma marca que o moço tinha. Várias perguntas lhe vieram a mente, mas uma ecoava com mais força que as demais.

“Taiyou-san... Quem você realmente é?”
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Re: Astral Zero

Mensagem por DarkZoroark em Sex 8 Jul 2016 - 4:00

Olá!
Bem, peço desculpa pela demora em trazer este capítulo. Tive um bloqueio mental e também tenho feito malabarismos entre quatro capítulos diferentes de três Fanfics - incluindo esta - que estou escrevendo. Tendo dito isso, espero que gostem do capítulo e da conclusão do Volume I.




Epílogo - What was Won After the Battle

– Sua recuperação parece estar indo bem. – Observou Ariel, recostada contra o parapeito da janela. Seu tom era afetuoso e seus olhos cintilavam gentilmente. Os raios solares brincavam por entre seus cabelos, tornando-os prateados como o luar. Suas mãos repousavam dentro dos bolsos de seu jaleco. – Mais dois ou três dias e deves estar apto a receber alta. – Avaliou, seu olhar pairando momentaneamente sobre a perna ferida do adolescente antes de voltar ao seu rosto. – Surpreende-me que não estejas te queixando. Imaginei que ficar preso na enfermaria sem nada para fazer deixá-lo-ia entediado rapidamente. – Não pôde deixar de notar o toque de nostalgia presente em sua voz. Corou levemente ao ouvir aquelas palavras.

– Estar impossibilitado de sair deste quarto não me impede necessariamente de encontrar alguma distração. – Remarcou Taiyou, acomodando-se na cama. Sentado, fitava desinteressadamente as pernas estendidas sobre o colchão. Tentava com todas as forças conter a vermelhidão de seu rosto. De outra forma, teria de abrir mão do conceito de paz de espírito por um bom tempo. – Mirenya-sensei costuma vir ao anoitecer e só sai ao amanhecer. – “Visitar um companheiro que aprecia as belezas do corpo feminino em desenvolvimento é um dever sagrado!”, ou assim fora o que ela lhe dissera quando perguntou o motivo de suas visitações. Na ocasião, um suspiro pesado havia lhe fugido aos lábios. Não tinha paciência ou vontade para explicar à professora sobre o mal-entendido que levara à sua fama como um depravado; tinhas suas dúvidas se ela acreditaria e, honestamente, ele próprio não entendia a situação. Entretanto, aquelas palavras fizeram-no ganhar alguma estranha forma de respeito pela educadora; uma vida sendo criado como um monstro enjaulado garantia relacionamentos bizarros com pessoas ainda mais estranhas. Por outro lado... – Seria bom se ela parasse de demandar uma revanche toda vez que perde uma partida de xadrez... – A resposta da diretora fora uma risada leve e curta.

Estavam a sós em uma das alcovas da enfermaria. Assim como todos os outros cômodos da Academia, o local era desnecessariamente espaçoso. Pelos seus cálculos, Taiyou desconfiava que pudessem replicar três quartos de uma boa pousada usando do mesmo espaço. O chão era coberto por lajotas brancas. As paredes estavam tingidas da mesma cor. Um par de grandes janelas permitia à luz permear o ambiente. A mobília era escassa. Um armário de madeira castanho-avermelhada posicionado em um dos cantos, duas prateleiras cobertas por vasos de flores variadas, algumas cadeiras com estofamento de couro, uma mesa de cabeceira e a própria cama. A seu pedido, um pequeno balcão havia sido posicionado próximo ao leito. Sobre ele, um tabuleiro de xadrez com as peças organizadas para o começo de uma nova disputa. Ficara surpreso quando Mirenya trouxera-o para ele em sua primeira visita, e ainda mais quando soubera que era o mesmo que comprara horas antes de enfrentar Regigigas. Aparentemente, Iri, sem saber que ele estava na enfermaria, tentara entrar no dormitório masculino para lhe entregar os pertences que havia deixado com ela, mas recuava toda a vez que um dos garotos saía de lá. Em retrospecto, ela ter decidido fazê-lo pouco antes do início das aulas talvez não houvesse sido uma boa ideia. Supostamente, fora então que a professora, em um ato de puro altruísmo, resolvera ajudar a jovem aluna... O olhar que Mienshao lhe lançara na ocasião contava uma história bem diferente.

Haviam se passado três dias desde a batalha contra Regigigas. Dormira durante todo o primeiro e parte do segundo, segundo os relatos tanto da professora quanto da Silver Witch. Os músculos em seus braços e pernas foram tão sobrecarregados que alguns rasgaram superficialmente. Aquela informação conseguira fazê-lo franzir o cenho. Não esperava que o ‘coice’ após usar as Meteo Arts Dance fosse tão grave. Isso só servia para mostrar o quão fraco seu corpo estava se comparado há cinco anos. A equipe médica da Academia levara doze horas para poder repará-los. Impressionante, tendo em vista que seu corpo era naturalmente resistente a magia. Uma benção em alguns casos, uma faca de dois gumes em outros. Já haviam curado a ferida em seu flanco e as costelas fraturadas, mas a perna... Por o maior osso do corpo humano de volta o lugar e cicatrizá-lo através de magia requeria grandes reservas de energia astral. Era verdade que Ariel poderia fazê-lo sem dificuldades, mas o garoto lhe pedira que não. Algumas lições tinham de ser aprendidas através da teoria de causa e efeito.


– Aliás, ainda tenho de agradecê-la por manter minha presença na enfermaria um segredo. – Observou Taiyou, uma pontada de honestidade presente em sua voz e olhar. Nada se espalha mais rapidamente que um boato; na Academia Laurel, aquelas palavras eram particularmente verídicas. O número de interessados em tê-lo como um membro de equipe para a Battre de Champions praticamente triplicara após a história sobre o que ocorreu no coliseu tornar-se pública. Fora Ariel e o corpo docente, apenas Rathy, Julie e Iri sabiam que ele estava ali. – Começo a sentir inveja das capacidades ilusórias do Zoroark... – Murmurou baixinho. O Pokémon já estava completamente curado e passava grande parte do dia lutando ou caçando na floresta ao redor da escola. Longe de ele tentar impedi-lo.

– Por certo, as habilidades dele são extremamente úteis. – Concordou com um leve aceno de cabeça, seus olhos reluzindo pacificamente. Pareceu desconsiderar sua oferta de compensação. – Mas que problemático... Valentina causou uma bela confusão... – Apoiou o rosto em uma das mãos, imersa em seus pensamentos. Por um momento, Taiyou pensou ter visto a expressão serena da mulher tornar-se séria. – Acho que terei de puni-la na próxima vez que a encontrar. – As implicações do que dissera contradiziam o sorriso gentil e expressão radiante que se seguiram à frase.

– N-Não... Não acho que isso seja necessário. – Comentou timidamente, seu rosto ligeiramente mais pálido do que de costume e uma sobrancelha tremendo levemente. Se deixasse a Silver Witch ir em frente com o seu plano, sua ex-companheira passaria pelo inferno na terra. – Por hora, me dou por satisfeito em saber que ela esta viva e bem. – O leve contentamento e a gentileza em sua voz por uma vez eram honestos. Reclinando-se contra a cabeceira da cama, suas feições tornaram-se repentinamente sérias e ponderativas. – O que eu gostaria de saber é o que Liguria Aquallir deseja com o Regigigas e a Military Class Viralt...

– Verdade. O Instituto Divino já foi alertado, então usar qualquer um dos dois durante a competição causaria eliminação automática... – Ponderou Ariel, uma expressão confusa e pensativa adornando seu rosto. – Mas se Valentina concordou em participar, deve haver algum objetivo secundário... Que problemático. – Suspirou tristemente, seus olhos espelhando o que sentia. Apesar da sua reputação, a diretora era honesta com seus sentimentos. Ou talvez fosse essa a razão que a permitia tamanha sinceridade? Por vezes, Taiyou questionava-se quanto a isso. – Fazes alguma ideia? – Ela indagou curiosamente, mirando o adolescente.

– Não tenho a mínima noção. – Declinou, balançando a cabeça em negação. Havia somente uma situação em que era capaz de pensar, mas era impossível. Observara em primeira-mão as chamas a consumirem. Ao raiar da manhã restavam somente ele e Valentina. – Suspeito que o fato de eu ter readquirido minhas Viralts seja do interesse dela também. – Murmurou, fitando os selos gravados nas costas de suas mãos. Agora que recuperara as armas não via necessidade de usar luvas. – Imagino que saibas o motivo? – Indagou. O sorriso da Silver Witch era uma resposta mais que suficiente.

– Possivelmente isso se deva a uma alteração em seu subconsciente. – Um riso leve escapou de seus lábios ao ver a expressão ambígua do adolescente. Era em momentos como esse que se tornava capaz de testemunhar, ainda que muito brevemente, a inocência e curiosidade escondidas no âmago do moço. – Em suma, alguma decisão que fizeste serviu como catalisador para que elas despertassem. – Explanou, observando um lampejo de compreensão surgir em seus olhos.

Deveras verdade, ajuizou Taiyou. Descobrir que Valentina ainda vivia retirara um enorme peso de suas costas. Saber que não falhara com todos os membros de sua família fora uma ótima sensação. Todavia não era simplesmente isso. O desejo de procurar a verdade de cinco anos atrás e, sobretudo, não perder mais nenhuma pessoa que lhe era importante afloraram em seu peito. Pela primeira vez em muito tempo, morrer não era mais uma alternativa viável. A vontade de continuar a viver fora o estímulo de que necessitava, talvez? Por certo, no passado ele possuía um motivo pelo qual lutar. Era apenas isso que lhe faltava? Sentia-se um tolo por não ter reparado mais cedo...

– Não se martirize. Eu também não notei. – Consolou Ariel, seu tom levemente reconfortante. O adolescente encarou-a de imediato, o aborrecimento transpondo suas feições. Odiava quando liam sua mente. A risada suave da professora pouco serviu em amenizá-lo. – Desculpe. Eu estava curiosa. – Novamente, não o tranquilizou. – Mas a sua teoria é válida. Também explica a nova aparência delas. – Explanou, dando de ombros. Resoluções simples eram, por definição, suas favoritas. Era mais uma razão que tornava difícil compreendê-la. – Há também a questão do seu teste para resolvermos. – Isso fez com que ele erguesse uma sobrancelha em um misto de surpresa e intriga. A reação fora engraçada. – É natural; um único aluno derrotar uma espécie que um esquadrão de Arkane Knights teria dificuldades em sobrepujar inevitavelmente atrairia atenção de nobres influentes.

– Rathy e Julie estavam lá também. – Redarguiu Taiyou em um murmúrio desconfortável. Estar sob o holofote nunca fora uma boa notícia para um assassino. – Três Astralis habilidosos conseguiriam um resultado similar. – Estava forçando a barra, mas havia precedentes. E verdade seja dita, sem a habilidade de perturbar o fluxo de energia astral de seus adversários, o valor de um Arkane Knight equivalia às suas habilidades em combates. O número dos que ele matara comprovavam isso.

– Sério? – Perguntou a mulher, piscando os olhos algumas poucas vezes no que aparentava ser surpresa. Não gostou daquilo. – As duas disseram que fostes o único capaz de infligir ferimentos significativos ao colosso. – A revelação o fez estalar a língua em uma praga silenciosa. Não tivera a oportunidade de combinar alguma história com as garotas e isso agora voltava para atormentá-lo. – E, mesmo que não houvesse o relato delas, creio que seu teste para torná-lo um rank S ocorreria da mesma forma. Quem o indicou foi a terceira princesa do Império. – A única reação do adolescente foi exalar sonoramente pela boca em uma mistura de cansaço e aborrecimento.

– Francamente... – Murmurou, pressionando a testa contra a palma da mão. Conhecia a garota e os sinais de uma batalha perdida. Sua opinião pouco faria contra o pedido de um membro da realeza. – Em que ela estava pensando? – Os olhos cor de ardósia e os cabelos prateados como a luz da lua lhe vieram à mente. Não duvidava que a garota estivesse pensando no que era melhor para ele próprio, mas o efeito fora oposto. Estava praticamente de mãos atadas.

– Sei lá... Lápis-chan sempre o viu como excepcionalmente habilidoso. – A diretora ponderou, seu semblante pacífico impossibilitando a compreensão sobre o que estava pensando. Seu olhar pouco revelava também. – E também, se o avaliarmos somente por maestria em combate, seria apenas questão de tempo. – Afirmou, seu tom exibindo uma leve nota de diversão. Taiyou apenas deu de ombros; não possuía qualquer interesse no assunto.

Antes que houvesse uma resposta, um par de batidas à porta atraiu a atenção de ambos os ocupantes do quarto. Dado o consentimento da diretora, Gallade abriu a porta e deu um passo para o lado. A alguns passos de distância Rathy sorria timidamente, sua face levemente corada. Os ferimentos que recebera durante o combate contra Regigigas haviam sido tratados pela equipe médica da Academia. Constatar que estava aparentemente contente serviu para tranquilizar Taiyou. Pelo que Zoroark lhe contara Valentina não fora particularmente gentil com ela e a amiga. Estava de mãos atadas quanto ao comportamento da ex-companheira. Ele podia ser capaz de fazê-la abandonar seu ar manipulador e apático, mas efetivamente mudar parte de sua personalidade estava acima dos seus talentos.

– Bom dia, Taiyou-san. Diretora. – Cumprimentou a loira, fazendo uma leve e elegante reverência à última. O moço retribuiu com um aceno de mão; a diretora apenas sorriu reconortantemente. – Estou interrompendo alguma coisa? – Indagou apreensivamente.

– Não, eu já estava de saída. – Constatou tranquilamente Ariel, afastando-se do parapeito. Parou em frente à cama e fitou Taiyou de soslaio brevemente. – Quanto ao seu pedido, irei providenciar que seja atendido. – A resposta veio na forma de um olhar álgido como gelo. Odiava quando alguém lia sua mente. Ariel apenas sorriu despreocupadamente e voltou a andar. Deteve-se uma vez mais ao lado da garota e aproximou os lábios de seu ouvido. – Deixo-o em suas mãos, Rathy-chan. Força! – Não se preocupou em sussurrar; o assassino ouviria de uma forma ou outra. A sede de sangue que dançava às suas costas só confirmava. O rosto da aluna tornou-se escarlate com as suas palavras. Endireitando-se e com as mãos ainda nos bolsos do jaleco, tornou a caminhar. Gallade fez uma rápida reverência silenciosa antes de segui-la, a ombreira em seu ombro dançando sob a luz a cada passo.

– Eu juro que ainda mato ela... – Murmurou Taiyou, mais para esfriar a cabeça do que uma ameaça verdadeira. A Silver Witch invadir seus pensamentos quando bem queria tirava-o do sério, ainda mais quando o tratava como uma criança que necessitava de supervisão. Por outro lado, ela se disponibilizara a ajudá-lo. Respirou fundo e exalou pela boca. Mais calmo, tracejou um sorriso gentil. – Fico feliz que estejas bem, Rathy. Gostarias de se sentar? – Perguntou, apontando um banco próximo com a mão.

– S-Sim! Obrigada... – Agradeceu a loira, sua face ainda tingida de rubro. O assassino não fazia ideia da razão para tamanho acanhamento. Havia algum significado oculto nas palavras que a diretora lhe dissera? Enquanto ponderava, a moça acomodou-se ao seu lado. O silêncio perdurou por alguns momentos antes que ela voltasse a se pronunciar. – Por que a diretora estava aqui?

– Provavelmente veio conferir como eu estava e se inteirar sobre o que houve no coliseu. – Ou ao menos assim esperava. A possibilidade de ela ter tido um motivo secundário e incompreensível não era uma a ser descartada. Havia a questão da promoção a ser considerada também... – Devo ficar mais alguns dias por aqui antes de receber alta. – Outras três noites com a companhia de Mirenya. Seus pensamentos diante da perspectiva eram ambíguos.

– S-Sério? Ainda bem... – Proferiu Rathy, uma mão posta sobre o peito em sinal de alívio. Não o convenceu; seu tom estava demasiado inseguro para que ela se sentisse confortável. Algo a incomodava, e ele tinha uma boa ideia do que seria. Um breve instante taciturno surgiu, a garota meramente fitando o chão. Viu-a respirar fundo, reunindo coragem, antes de seus lábios voltarem a se abrir. – Taiyou-san, no estádio surgiu uma garota...

– Valentina Luen Fylim. – Interrompeu o jovem, subitamente cansado. Aquela seria uma conversa difícil; acima de tudo, não devia revelar mais do que o necessário. – Uma ex-companheira minha. – Isso para dizer o mínimo. Vislumbrou a loira de esguelha, uma expressão de surpresa e apreensão fazendo-se presente em sua face. – Zoroark me contou. Peço desculpas por qualquer coisa que ela tenha feito ou dito. – Suplicou, curvando-se o melhor que conseguia em uma mesura

– N-Não! Isso é...! Não foi sua culpa, Taiyou-san. – Articulou rapidamente, uma expressão preocupada adornando sua face. Se ao menos o que ela dissera fosse verdade, pensou sobriamente. Julgava que Valentina teria ao menos tento na língua se não estivesse desacordado. – Ela é realmente tão forte quanto parece? – Indagou, seu tom de voz levemente apreensivo.

– Não. O poder dela é bem maior – Respondeu simplesmente. Não via necessidade de mentir. Diante da naturalidade com que proferira aquelas palavras, o choque da loira era compreensível. – Sujeitando-se à situação, é provável que ela dê conta de me derrotar. – “Embora o normal seja o oposto”, refletiu silenciosamente. Até retornar ao que era há cinco anos, não poderia dizer essas palavras. E ter consciência sobre as próprias limitações era um professor melhor que a confiança. – Ataques à longa distância são inúteis contra a Viralt dela, Excendeiss. A menos que a peguem de surpresa, você e a Julie estarão em clara desvantagem. – Talvez ela já soubesse disso, mas sentiu que seria bom reafirmar o fato. A loira estava quieta ao seu lado, uma leve pontada de tristeza trespassada em seus olhos. Aquilo o fez sentir-se culpado. – Porém, com o treinamento correto, talvez sejam capazes de derrotá-la. – Comentou, um sorriso gentil brotando em seus lábios. Era um enorme talvez, mas havia a possibilidade. Individualmente ainda seriam presas fáceis para a assassina; contudo juntas...

– Verdade?! – Aquelas palavras pareceram animá-la, se a expressão de agradável surpresa servisse de indício. Uma risada silenciosa escapou do garoto. – E-Então, poderias nos auxiliar, Taiyou-san? – Indagou timidamente. Um sorriso radiante surgiu em sua face ao vê-lo assentir. Ensinar um ou dois truques as garotas não faria mal a ninguém. E se as garotas quisessem ter alguma chance de triunfar na Battre de Champions, seria necessário. – Obrigada! Quando achas que podemos começar? – A empolgação com que falava era revigorante. Odiava ter de jogar um balde da água fria sobre o ânimo da moça, mas...

– Se possível, gostaria de esperar um mês. – Ponderou, analisando todas as variáveis diante de si. A súbita irritação no olhar dela, coroada por uma bochecha inflada, talvez funcionasse se ele não considerasse a expressão encantadora. Dando de ombros, ergueu ambas as mãos em sinal de paz. – Preciso de algum tempo para me habituar às minhas Viralts novamente. Após cinco anos, sinto estar enferrujado.

Era apenas meia-verdade. Enquanto que melhorar seu tempo de reação aos adversários fazia parte de seu plano, seu objetivo principal era condicionar seu corpo uma vez mais de modo a reduzir os efeitos adversos sentidos em decorrência do uso das Meteo Arts Dance. Desmaiar em meio a Battre de Champions por tanto tempo não só era prejudicial à equipe, como também uma falha que seria explorada por qualquer adversário razoavelmente inteligente. Teria também de refinar suas habilidades. Se Liguria Aquallir contava com o apoio de Valentina as chances eram altas de que soubesse como defletir quaisquer Assassination Technique que pensasse em utilizar. Com sorte, a Silver Witch seria capaz de ajudá-lo.

– Bem, não tem jeito então... – Murmurou Rathy, resignada. Seu tom apontava uma leve irritação, a qual em resposta Taiyou só pôde sorrir timidamente. Era tão divertido provocá-la que devia ser um crime. – Suas Viralts... São mesmo aquelas? – Indagou, fazendo-o erguer uma sobrancelha. Ela o vira invocá-las. Como não seriam as... E só então compreendeu o que ela quisera dizer. Em retrospecto, talvez ter dito o nome dos armamentos em alto e bom som não fosse uma boa ideia.

– É provável que sim. – Ao menos fora o que a Silver Witch lhe falara uma vez. Estendeu as mãos e, injetando energia astral nos selos, fez com que as armas surgissem-lhe entre os dedos. Moveu as lâminas pelo ar, observando a luz do sol dançar por elas. – A espada da Santa Valquíria Laurel, Caelus Est... E a espada do Imperador Demônio Ceimun, Caligo Requiem. – As lendárias Viralts usadas pelos dois principais personagens da Sacred War. Era sua impressão, ou haviam pulsado suavemente quando falara seus nomes. – Eu falei que sou a contradição definitiva, não? – Brincou, apesar da expressão aflita desenhada em sua face. Aquilo nunca fora um arauto de boas notícias. Com um suspiro, deixou-as desaparecerem. – De todo modo, ainda temos de procurar por quatro pessoas competentes... – E por competentes queria dizer aqueles que tivessem uma chance contra Valentina. Eis uma tarefa problemática...

– Quatro pessoas? – Repetiu Rathy, inclinando levemente a cabeça em dúvida. – O que queres dizer? – Deduzia pela entoação de sua voz que ela possuía algumas teorias, mas não desejava revelar. Garota esperta.

– Já esqueceu? Que maldade... – Comentou Taiyou, fingindo um tom abatido. A réplica da moça viera na forma de um olhar incomodado e um beicinho, suas faces levemente avermelhadas. Sentir-se-ia mal se a expressão não fosse tão encantadora. – Eu prometi, não é mesmo? – Novamente apenas dúvidas. Deu de ombros. – Se eu por ventura recuperasse minhas Viralts, iria reconsiderar seu pedido de participarmos juntos na Battre de Champions. – Os olhos da jovem esbugalharam e sua boca se abriu. À medida que a informação era absorvida, o choque transformava-se em esperança e felicidade. – Infelizmente ocorreu cedo demais para eu inventar alguma desculpa, então... Creio que nós e a moreninha piromaníaca trabalharemos juntos de agora em diante, Ojou-san. – Brincou, um leve sorriso agraciando suas feições.

– Sim! – Assentiu, acenando com a cabeça fervorosamente. Lágrimas formavam-se nos cantos de seus olhos, mas sua expressão de felicidade revelava que eram por um bom motivo. – Vamos fazer o nosso melhor! – Desejou.

– Bem, o que acha de sairmos daqui? – Indagou e, sem esperar por uma resposta, jogou as pernas para fora da cama. Rathy pôs-se de pé imediatamente e estendeu as mãos em sua direção, o sorriso outrora presente substituído por preocupação. – Não se preocupe. Só quero caminhar um pouco para clarear as idéias. – Comentou, usando de um tom calmo e ligeiramente reconfortante.

Não chegou a dar mais de um passo. O membro ferido cedeu no instante que pôs algum peso nele. Antes que pudesse registrar o que acontecera, já estava no chão. Estalou a língua, reprimindo uma praga. Havia tropeçado; esse tanto era evidente. Gostaria de saber o que ocasionara a queda. Olhou por sobre o ombro, mas não viu nada que se destacasse. Um acidente do acaso, talvez? Sem adrenalina ou a tensão de um combate, estava mais propenso a cometer alguns deslizes. Não deixava de ser embaraçoso, contudo. Teria de convencer Rathy a não falar sobre o assunto. A última coisa de que precisava era a Silver Witch ficar sabendo sobre isso. Exalando o ar, tornou o rosto para baixo, apoiou as mãos no chão e preparou-se para se erguer. Seu corpo congelou imediatamente. Rathy estava caída sob ele, olhos esmeraldinos arregalados e face vermelha como um tomate. Sua respiração estava calma, mas rápida, seus lábios entreabertos. Podia sentir o leve cheiro de seu perfume e o aroma adocicado de seu hálito. Parecia estar paralisada. Não que pudesse culpá-la. Seus rostos estavam tão próximos que qualquer movimento da parte dela faria seus lábios se tocarem. Pessoalmente, não se incomodava com a possibilidade. Na verdade, bem pelo contrário; um beijo de uma donzela tão bela quanto ela seria suficiente para levantar a moral de qualquer um. Seria fácil fazê-lo, mas iria se amaldiçoar pelo resto da vida. Se a reação dela dias antes ao ver seu torso nu fora tal, não era capaz de imaginar o que ocorreria se a beijasse sem seu consentimento. Brincar e provocar eram uma coisa, mas aquilo forçava a barra.

– D-Desculpe... – Foi tudo que conseguiu dizer, quase um sussurro. Seu rosto começava a ruborizar também. Em momentos como esse sentia falta da infância; naquela época era pouco provável que seus hormônios tentassem traí-lo. Seu cérebro mandava-o se erguer, mas o corpo não obedecia; estava totalmente absorto nos olhos da garota. – Não estás ferida? – Perguntou, uma pontada de apreensão presente em seu tom.

– N-Não... – Declinou Rathy, sua voz muito mais calma e lenta do que ela própria era capaz de acreditar. Seu rosto estava corado e seu coração batia acelerado; por todos os motivos do mundo, deveria estar sentindo-se agitada. E, no entanto, sentia um alívio quase inexplicável. Apenas fitava o azul meia-noite na vista do garoto. Já o conhecia há uma semana e, mesmo assim, a sensação não a abandonava. Alguma coisa apavorante e hipnotizante residia em seu âmago e não era capaz de explicar o que seria. – E quanto a você, Taiyou-san? Sua perna...

– Rathy, desculpe pelo atra... – Uma nova voz, precedida pelo som da porta do quarto se abrindo, tirou ambos do transe. O rosto do jovem converteu-se instantaneamente de vermelho para azul. Era a última pessoa que gostaria de encontrar naquela situação. Tornou a cabeça em sua direção e deu de cara com Julie. A morena tinha os olhos esbugalhados e o rosto enrubescido em um misto de raiva e embaraço. Seu rabo-de-cavalo ondulava perigosamente em meio ao ar. – Você... O que pensa que está fazendo? – Perguntou em voz baixa, mas sem esconder a fúria que sentia. É... Ele estava morto. Ela o cortou antes que pudesse explicar o mal-entendido. – Calado! Pervertido! Fera libidinosa! – Berrou, invocando Feuerengue. O chicote estalou contra o solo, chamas vermelho-alaranjadas incandescendo ao longo de sua língua. Taiyou estava mais impressionado que uma nobre soubesse o significado de “fera libidinosa” do que com a ameaça. – Irei transformá-lo em cinzas! – Declarou, antes de agitar a Viralt em meio ao ar e lançá-la na direção do garoto. Só teve tempo de se afastar da loira antes de receber o golpe.

Com companheiras assim, aquele seria um longo ano escolar.
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Re: Astral Zero

Mensagem por xKai em Sex 8 Jul 2016 - 11:02

Fala DZ, bom espero que não repare muito na pobreza do comentário, como já tem bastante tempo que não comento em uma fanfic já perdi bem a prática de como se faz...

Como o próprio título sugere, "Epílogo" o capítulo em questão pareceu ser um divisor de águas entre esta "temporada" para a seguinte. Repleto de diálogos bem elaborados e situações um pouco que hilárias, ao mesmo tempo que interessantes, eu tenho que dizer que gostei bastante. O capítulo foi bem calmo, como os anteriores foram bem agitados acho que é super natural, eu costumo fazer a mesma coisa, é como se fosse a calmaria que se procede após uma forte tempestade. Um dia eu ainda me acostumo com a personalidade do Zoroark, prefere ficar lá na floresta caçando, lutando, comendo e seja lá mais o que ele faz, do que ficar próximo de Taiyou, bem levando o tema da fanfic em consideração e toda a trama até aqui, acredito super normal, os monstrinhos de bolsos aqui possuem um papel totalmente diferente, então suas personalidades são bem mais etiquetadas do que em fics de jornada, ou qualquer outra onde os pokémons são meras ferramentas de batalha que ficam guardados em suas pokeballs. Julie, no finalzinho do capítulo conseguiu quebrar todo o clima calmo que o mesmo vinha tendo, a parte engraçada é que a reação de Taiyou, mesmo que no princípio tenha sido, talvez de terror, depois, em seu último comentário foi simplesmente natural, todo bom grupo de amigos deve passar por uns bons momentos assim, não é mesmo? Adoro imaginar esses tipos de situações, onde amigos brigam ao mesmo tempo que estão se dando super bem, cada um tem seu jeito de demonstrar seus sentimentos. ótimo capítulo, espero que o próximo seja ainda melhor, e espero poder comentar em dia desta vez.

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Re: Astral Zero

Mensagem por Hyurem em Sex 6 Jan 2017 - 9:00

Falae, DZ!
Estou criando o mau hábito de só vir comentar em intervalos muito grandes de tempo. Preciso tentar corrigir isso XD
Ah, Valentina... Mal conheço e já considero pacas. Gostei muito da forma como você construiu essa personagem, misturando dois aspectos supostamente antagônicos. A conversa dela com o Tayiou disse muito sobre quanto um é importante para o outro, e mesmo sem estar a par de todos os acontecimentos pelos quais eles passaram, me senti dentro do diálogo, como se entendesse os sentimentos de cada um. Você montou muito bem essa cena.
Empunhadura dupla, com uma espada de cada cor... Acho que já vi isso em algum lugar hahaha Perdão, a comparação é inevitável de se fazer pra mim. Mas, sinceramente, gosto muito mais da personalidade e do estilo do Astralis do que do Espadachim Negro. Aparentemente, as Viralts não são construídas, e sim passam de mão em mão por Astralis ao longo da História. Se for assim, é muito interessante porque limita muito o número de pessoas com esse poder disponível.
O poder de Regigigas é assombroso. Para mim, nos jogos há, infelizmente, uma banalização dos lendários. Sendo Pokémon míticos, deveriam ser mais desafiadores, mas a única grande dificuldade para consegui-los nos jogos é o Catch Rate. Você colocou o Pokémon colossal numa condição muito acima dos Pokémon normais, mostrando o tempo todo como Zoroark, embora causasse muito mais danos, continuasse em desvantagem. Esse é o tipo de lendário que eu gosto de ver e gostaria de enfrentar.
Eu percebi que os Astralis e seus parceiros são muito menos dependentes um do outro do que eu imaginava. Achei que havia uma conexão mais direta entre eles que, embora não os impediria de lutar separados, pelo menos dificultaria muito isso. Mesmo o Tayiou jogando a espada para Zoroark quando estavam lutando juntos, me pareceu algo mais para melhorar o poder de ambos do que para completa-lo (espero que entenda o que eu quero dizer), embora a sincronia de ambos fosse, sem dúvida, muito próxima do impecável. Essa independência foi confirmada com a Valentina afirmando as dificuldades que teria em enfrentar Zoroark e Gallade. Isso é interessante, pois abre brecha para os Pokémon terem um aspecto mais humano, deixando-os tão imprevisíveis quanto nós.
A sinergia entre o "trio protagonista" é muito gostosa de se ver. A amizade entre as duas garotas, Tayiou provocando-as (principalmente a Rathy) e Julie chegando sempre na hora errada hahaha O relacionamento entre o garoto e a menina loira também está sendo muito bem construído, e como eu já sou um tanto romântico, acabo ficando apaixonado também hahaha
Essa suposta Liguria Aquallir é curiosa, no mínimo. Uma oponente do nível de Valentina já é algo muito preocupante. Espero que o treinamento de Tayiou com as garotas as coloque num patamar em que consigam enfrentar pessoas desse nível em pé de igualdade... ou, pelo menos, que não morram tão facilmente lutando.
Bem, é isso. Peço perdão pela demora em vir comentar.
Espero que consiga prosseguir com a Astral Zero, e te desejo sorte com suas outras fanfics também.
See ya!
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Re: Astral Zero

Mensagem por DarkZoroark em Sab 25 Mar 2017 - 0:06

Saudações a todos!
Bom, apesar da longa espera para este capítulo sair, aqui estou eu trazendo o começo do segundo volume da Astral Zero. Duas coisas contribuíram para esta longa demora. A primeira foi um puto bloqueio de escritor no Capítulo I do segundo volume que me levou mais de seis meses. O que acontece é que, quando eu sei o que quero escrever mas não encontro uma forma satisfatória de fazê-lo sem desagradar a mim próprio, eu empaco até conseguir contornar esta dificuldade. Creio que eu seja meu critico mais exigente e, embora ás vezes isso seja bom, em outras cria grandes confusões.

A segunda questão foi que o fórum acabou meio morto por um tempo e eu acabei me desligando também, dando uma passada uma vez a cada dois meses mais ou menos apenas para ver se tinha ocorrido alguma modificação interessante. Bem, aproveitando que o movimento está voltando para esta área, decidi bater a poeira do teclado e voltar também. Peço desculpas antecipadas a qualquer fã que tenha se sentido lesado de alguma forma por quase um ano sem um update. Prometo que os próximos não levaram tanto tempo. Porém talvez demorem um pouco pelo fato de eu estar fazendo malabarismo entre quatro trabalhos diferentes, fora a faculdade. São eles:


  • Astral Zero - Obviamente, a Fanfic em questão
  • Uma futura história de Ansatsu Kyoushitsu, ou Assassination Classroom, que planejo postar nas próximas semanas no Fanfiction.net
  • Outra futura história, desta vez dentro do universo de Highschool DxD. Apesar de o anime focar bastante em ecchi e fan-service pra punheteiro de plantão, seguirei mais a linha das light-novels onde, apesar de ter um ou outro momento de putaria, tem um enfoque mais sério. Esta era para ter sido postada há algum tempo no Fanfiction.net, mas por algumas questões de enredo estou em um processo de reescrever o que já tinha feito (4-5 capítulos). Deverá sair nos próximos meses.
  • O último é um projeto secreto, não vinculado a Fanfics. Este, além de eu estar dedicando parte do meu tempo livre exclusivamente, também vai precisar de alguma sorte, mas se Deus quiser daqui a algum tempo se torne conhecido.

Bom, explicações dadas, vamos ao reply dos comentários e, após isso, o tão aguardo - nem tanto assim - prólogo do segundo volume. Prometo que o primeiro capítulo sairá em, no máximo, algumas semanas. Desejo uma boa leitura à todos:

Comentários:

@xKai escreveu:
Fala DZ, bom espero que não repare muito na pobreza do comentário, como já tem bastante tempo que não comento em uma fanfic já perdi bem a prática de como se faz...

Como o próprio título sugere, "Epílogo" o capítulo em questão pareceu ser um divisor de águas entre esta "temporada" para a seguinte. Repleto de diálogos bem elaborados e situações um pouco que hilárias, ao mesmo tempo que interessantes, eu tenho que dizer que gostei bastante. O capítulo foi bem calmo, como os anteriores foram bem agitados acho que é super natural, eu costumo fazer a mesma coisa, é como se fosse a calmaria que se procede após uma forte tempestade. Um dia eu ainda me acostumo com a personalidade do Zoroark, prefere ficar lá na floresta caçando, lutando, comendo e seja lá mais o que ele faz, do que ficar próximo de Taiyou, bem levando o tema da fanfic em consideração e toda a trama até aqui, acredito super normal, os monstrinhos de bolsos aqui possuem um papel totalmente diferente, então suas personalidades são bem mais etiquetadas do que em fics de jornada, ou qualquer outra onde os pokémons são meras ferramentas de batalha que ficam guardados em suas pokeballs. Julie, no finalzinho do capítulo conseguiu quebrar todo o clima calmo que o mesmo vinha tendo, a parte engraçada é que a reação de Taiyou, mesmo que no princípio tenha sido, talvez de terror, depois, em seu último comentário foi simplesmente natural, todo bom grupo de amigos deve passar por uns bons momentos assim, não é mesmo? Adoro imaginar esses tipos de situações, onde amigos brigam ao mesmo tempo que estão se dando super bem, cada um tem seu jeito de demonstrar seus sentimentos. ótimo capítulo, espero que o próximo seja ainda melhor, e espero poder comentar em dia desta vez.

Xkai o/
Nem esquenta muito com isso. Aliás, já vou pedindo desculpas antecipadas pela demora do reply e do novo capítulo. Também estou meio enferrujado quanto a comentar e responder a comentários, mas é que nem andar de bicicleta.

Primeiramente, fico grato que tenhas gostado do fechamento deste primeiro arco. De fato, o capítulo foi calmo, não apenas para servir como, dito por ti próprio, a calmaria antes da tempestade, mas também para oferecer um momento de descontração e descanso aos personagens. Embora uma história sempre frenética seja interessante, creio que após um tempo fique cansativa, sem falar que o desenvolvimento individual e interpessoal dos protagonistas por vezes é comprometido quando algo assim ocorre.

A personalidade do Zoroark eu criei já pensando em como ele atuaria ao lado do Taiyou. A combinação dos dois é para ter um ar de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, ou Bruce Banner e Hulk. Os dois são diferentes em vários aspectos, mas, de uma forma única e singular, acabam completando um ao outro. A concepção que eu tive para o Zoroark é que ele fosse um personagem mais selvagem e barbárico, mas que mostre se importar com alguém através de pequenos gestos. Ele e o Taiyou tem uma relação quase que de melhores amigos, onde um tira sarro da cara do outro, mas na hora do aperto estão ajudando um ao outro. Eu planejo dar uma certa liberdade e individualidade, tanto de personalidade quanto de ações, aos Pokémons que aparecerem ao longo da história, principalmente àqueles que possuam um parceiro.

O momento com a Julie na realidade é um clichê utilizado inúmeras vezes na indústria dos animes, mas achei por bem usar e criar um alivio cômico na hora. Fico feliz que tenhas gostado da forma com que apresentei a amizade entre os três. Agradeço-o mais uma vez pelo comentário e espero que gostes deste prólogo.


@Hyurem escreveu:Falae, DZ!
Estou criando o mau hábito de só vir comentar em intervalos muito grandes de tempo. Preciso tentar corrigir isso XD
Ah, Valentina... Mal conheço e já considero pacas. Gostei muito da forma como você construiu essa personagem, misturando dois aspectos supostamente antagônicos. A conversa dela com o Tayiou disse muito sobre quanto um é importante para o outro, e mesmo sem estar a par de todos os acontecimentos pelos quais eles passaram, me senti dentro do diálogo, como se entendesse os sentimentos de cada um. Você montou muito bem essa cena.
Empunhadura dupla, com uma espada de cada cor... Acho que já vi isso em algum lugar hahaha Perdão, a comparação é inevitável de se fazer pra mim. Mas, sinceramente, gosto muito mais da personalidade e do estilo do Astralis do que do Espadachim Negro. Aparentemente, as Viralts não são construídas, e sim passam de mão em mão por Astralis ao longo da História. Se for assim, é muito interessante porque limita muito o número de pessoas com esse poder disponível.
O poder de Regigigas é assombroso. Para mim, nos jogos há, infelizmente, uma banalização dos lendários. Sendo Pokémon míticos, deveriam ser mais desafiadores, mas a única grande dificuldade para consegui-los nos jogos é o Catch Rate. Você colocou o Pokémon colossal numa condição muito acima dos Pokémon normais, mostrando o tempo todo como Zoroark, embora causasse muito mais danos, continuasse em desvantagem. Esse é o tipo de lendário  que eu gosto de ver e gostaria de enfrentar.
Eu percebi que os Astralis e seus parceiros são muito menos dependentes um do outro do que eu imaginava. Achei que havia uma conexão mais direta entre eles que, embora não os impediria de lutar separados, pelo menos dificultaria muito isso. Mesmo o Tayiou jogando a espada para Zoroark quando estavam lutando juntos, me pareceu algo mais para melhorar o poder de ambos do que para completa-lo (espero que entenda o que eu quero dizer), embora a sincronia de ambos fosse, sem dúvida, muito próxima do impecável. Essa independência foi confirmada com a Valentina afirmando as dificuldades que teria em enfrentar Zoroark e Gallade. Isso é interessante, pois abre brecha para os Pokémon terem um aspecto mais humano, deixando-os tão imprevisíveis quanto nós.
A sinergia entre o "trio protagonista" é muito gostosa de se ver. A amizade entre as duas garotas, Tayiou provocando-as (principalmente a Rathy) e Julie chegando sempre na hora errada hahaha O relacionamento entre o garoto e a menina loira também está sendo muito bem construído, e como eu já sou um tanto romântico, acabo ficando apaixonado também hahaha
Essa suposta Liguria Aquallir é curiosa, no mínimo. Uma oponente do nível de Valentina já é algo muito preocupante. Espero que o treinamento de Tayiou com as garotas as coloque num patamar em que consigam enfrentar pessoas desse nível em pé de igualdade... ou, pelo menos, que não morram tão facilmente lutando.
Bem, é isso. Peço perdão pela demora em vir comentar.
Espero que consiga prosseguir com a Astral Zero, e te desejo sorte com suas outras fanfics também.
See ya!

Hyurem o/
Cara, nem esquenta muito com questão de demora em comentar, até porque depois de quase um ano sem atualizar nada eu não tenho qualquer direito em reclamar. Também preciso corrigir este mau-habito que adquiri XD

Alegra-me saber que tenhas gostado da Valentina. Por alguma razão que eu ainda desconheço, sempre me senti atraído por personagens que sejam um misto de malícia e inocência. Creio que seja porque, em geral, a complexidade destes personagens e a forma com que são trabalhados façam o leitor/espectador sentirem-se atraídos e se sensibilizarem para com ele(a). O passado dela e do Taiyou será explicado posteriormente durante a história, mas já digo que eles passaram por uma barra pesada. Além disso, os dois amam um ao outro como irmãos, então a dimensão dos sentimentos que um tem pelo outro é algo singular. O engraçado é que, ao rever o capítulo agora, eu achei meio corrida a forma com que fiz o diálogo entre os dois, mas fico feliz que tenha-o agradado.

Eu já imaginava que teria certas comparações ao Kirito em SAO. Na realidade, uma pequena porcentagem da inspiração que eu tive para a construção do personagem principal veio dele mesmo, embora a questão de combate eu tenha puxado mais de personagens como Lu Xun e Cao Pi, da franquia Dynasty Warriors. A aparência das Viralts foi algo que, na época, me deixou dias tentando estabelecer um visual que fosse prático e ao mesmo tempo belo. Saber que um leitor fiel como tu és gostou delas faz valer o esforço. Acertaste quanto a função das Viralts. Elas são, de fato, passadas de mão em mão ao longo da história. Por isso, o número de usuários é limitado e não existe uma que seja exatamente igual a outra.

Concordo inteiramente com o teu argumento sobre a banalização de Pokémons lendários nos jogos, sobretudo os da terceira e quarta gerações. Rayquaza, Groudon, Kyogre, Dialga, Palkia, Giratina e Arceus são Pokémons que, teoricamente, poderiam arrasar com o planeta se assim quisessem, mas o combate contra eles não é mais difícil do que contra Pokémons comuns. Meio triste que a única coisa que os diferencie durante o combate, além dos stats mais altos e movepool ligeiramente melhor, seja a catch baixa que eles tem. A disputa entre o Zoroark e o Regigigas foi em parte para demonstrar a força que os Pokémon lendários terão ao longo da história. Isso que, na minha modesta opinião, o Pokémon colosso é um dos mais fraquinhos entre os lendários. Fora a força bruta, ele não tem nenhuma característica específica que o faça se sobressair aos demais. Então, tente imaginar o que vai ocorrer quando os mais fortes entrarem na parada...

O conceito que eu tive ao esquematizar a relação entre os Astralis e os Pokémons é que eles fossem realmente parceiros. Então, seguindo esta lógica, são capazes de agir com certa individualidade quando isso se torna necessário. Outro motivo é, assim como notaste, para deixar os Pokémons mais imprevisíveis e abrir uma gama maior de possibilidades para se escrever os combates e outras cenas.

A relação entre o Taiyou e duas pode se dizer que será um dos pontos mais trabalhados durante a história. Como o adolescente é um tanto quanto duas-caras - agindo mais ou menos como esperado de alguém de sua faixa etária na frente delas e mostrando-se mais frio quando a sós - por hora ele tem uma visão mais simples sobre os laços que possuí com elas. Porém, ao decorrer da história, ele irá se aprofundar mais nisso.

Liguria Aquallir será, de certa forma, o oposto polar do Taiyou. Eles vão ser opostos em várias questões, ainda que compartilhem certas ideias e concepções. Já posso adiantar que o encontro entre os dois não será dos mais agradáveis, ainda mais por que a identidade 'Liguria Aquallir' tem uma relação pesada com o passado do garoto. Agradeço-o mais uma vez por ter vindo comentar e espero, sinceramente, que venhas a gostar deste novo prólogo.

Volume II - Rank S
Prólogo - Numbers

As cortinas cerradas transformavam o escritório em um ambiente escuro como uma noite sem lua nem estrelas. A porta estava trancada e enfeitiçada; som algum escaparia do aposento. Reclinada contra o encosto da cadeira, descansava seus olhos cor de âmbar. Haveria ainda algum tempo antes que a conferência iniciasse e pretendia desfrutá-lo plenamente. Seus lábios tracejavam um sorriso sereno, condizente com seu estado de espírito. Às suas costas, Gallade tinha os braços cruzados e as pálpebras cerradas. A respiração levemente acelerada era o único indício do que fazia poucos minutos antes. Taiyou aparentemente lhe dera algum trabalho. O jovem recebera alta havia dois dias e não demorara muito para requisitar o auxílio que lhe fora prometido por ela. A ligeira fadiga do gladiador era uma decorrência disso. Não era nada de novo; mesmo ao longo dos dois anos em que o tivera como hóspede em sua residência a disposição do assassino em treinar era surpreendente. Presenciar este aspecto de sua personalidade retornar deixava-a mais que satisfeita.

Círculos mágicos afloraram em uma roda em frente à sua escrivaninha. Abriu os olhos calmamente e esboçou um sorriso sereno. Ergueu-se de seu assento e rodeou a mesa com passos curtos, suas tranças dançando pelo ar a cada passo. Estabelecendo-se em um ponto, enfiou as mãos em seus bolsos e respirou fundo. Um círculo prateado formou-se aos seus pés, totalizando uma dezena com os demais. Pessoas surgiram dos outros círculos, seus corpos inteiramente negros e fantasmagóricos salvo seus olhos. Três homens e seis mulheres, de acordo com as silhuetas. Projeções astrais, notou. Não era um feitiço essencialmente complexo, mas a concentração necessária para mantê-la por longos períodos de tempo evitava que fosse utilizado amplamente. Para eles era simples como um estalar de dedos; eram os Numbers, afinal. Todos Astralis de Rank S ou maior. Os mais fortes e hábeis do Império.


– É um prazer revê-la, madame Ariel. – Dissera uma das mulheres, curvando-se respeitosamente perante ela. Outros seguiram sua deixa, exceto por um.

– Yo, bruxa! – Cumprimentara um dos homens, sua voz e postura corporal ostentando nada mais que preguiça e desinteresse. Reuniões nunca foram nada mais que empecilhos e dores de cabeça para ele. A resposta da diretora fora um pequeno e sincero sorriso. Apreciava seu ar descontraído. – Já tem algum tempo desde que nos falamos pela última vez. – Comentou com certa nostalgia em seu tom. Sete meses, se recordava corretamente.

– Vejo que sua personalidade continua a mesma, [Blade Governor] Tartys Varchiel. – Comentou, seu tom de voz indecifrável como seu semblante. Um riso curto e seco foi a resposta do homem considerado como o segundo mais poderoso do Império Harmônia. Viu-o levar a mão a nuca e coçá-la. Não se surpreenderia se houvesse um sorriso resignado em seu rosto. Vinte anos de convivência e ele não mudara em nada. – Posso presumir que todos estejam bem? – Questionou, recebendo uma aquiescência unânime do grupo. Um a um, todos os que haviam abaixado suas cabeças se ergueram. Não que isso a espantasse; poucas pessoas sãs tentariam atacar algum deles. Talvez Valentina e, em menor escala, Taiyou. – Acredito que todos tenham ciência da razão desta reunião? – Inquiriu casualmente.

– É claro! – Exclamou um terceiro, jogando os braços para os lados. Em comparação aos outros dois sua voz era mais jovial e animada. Sua postura somente confirmava o entusiasmo que sentia. Era um atributo de sua personalidade que ela apreciava. – A terceira princesa só fala disso nos últimos dias. – Revelou em um misto de gozação e riso. A informação fez com que Ariel erguesse uma sobrancelha; isso poderia ser bom ou ruim, dependendo das circunstâncias.

– ...Lápis-sama está entusiasmada. – Concordou outra sombra, anuindo quase apaticamente. Seus olhos chamavam atenção; o esquerdo era azul-marinho e o direito roxo como uma ametista. Eram deslumbrantes, mas mortais. A garota não sentia incômodo algum em eliminar os que cruzassem seu caminho. Fazia-a se lembrar de Taiyou.

– É como a Fenlira disse. – Confirmou o anterior. Quase podia avistar o sorriso cintilante em sua face. Havia mais alguém entusiasmado pela perspectiva de um novo Number. Os outros eram mais sigilosos quanto às suas opiniões. – E então? Onde está nosso aluno revelação do momento? – Indagou com o mesmo interesse que uma criança pedindo por doces. Só os deuses saberiam dizer se queria conhecê-lo ou desafiá-lo para uma batalha.

– Em aula. – Ou assim Ariel esperava. Não seria surpresa se o adolescente enforcasse as lições deliberadamente por achá-las entediantes. Trazer isso a tona traria mais complicações que assistência. Julgava ter visto um beicinho se formando na projeção astral do jovem. – Algum de vocês se opõe à indicação dele como Rank S? – Indagou, seus olhos cor de âmbar esquadrinhando o aposento lentamente. Tartys e Mathis não tinham qualquer objeção, esse tanto era óbvio. Fenlira estava indiferente. Acentuou seu sorriso suavemente. – À vista disso, ao final desta reunião determinaremos a data para o seu teste. – Finalizou. Os outros anuíram, cada um à sua própria maneira. Sem alterar sua expressão, deixou uma fagulha de inteligência dançar por seus olhos. Era hora de jogar. – Há também a recomendação da terceira princesa para que ele assuma uma das duas posições vagas entre os Numbers. – Deixou que a informação fosse absorvida antes de prosseguir. – Objeções? – Fariam coro ao próprio adolescente quando ele descobrisse a real dimensão da indicação de Lápis. Possuía poucas dúvidas de que ele abdicaria do cargo.

– Seria prudente, madame Ariel? – Uma das sombras indagou, erguendo a mão. Não se surpreendeu ao ver quem fizera a pergunta. A primeira pessoa a lhe cumprimentar naquela manhã e a integrante mais responsável entre os integrantes do grupo; Renia Rafait. Verdade seja dita, era a única entre eles que tinha algum apreço pelo significado simbólico da posição. – Não existem muitos registros que anteriores à sua entrada na Academia Laurel. – Era verdade. Salvo a certidão de nascimento que criara para ele, Taiyou Hildebrand era, para todos os efeitos, um fantasma. Já havia previsto a reação da mulher. – Não é suspeito?

– Estás exagerando, Renia. – Criticou outra projeção feminina, os braços cruzados sob o busto. Desinyth Mirel, conhecida como [Winter General]. Sua voz era álgida e taciturna, os olhos azuis como cristais de gelo. Ariel deu-se por satisfeita em observar o desenrolar daquele argumento. – O único pré-requisito para tornar-se um Number é possuir habilidades excepcionais como um Astralis. – Suas palavras ressoaram pelo aposento. Viu Mathis acenando a cabeça vigorosamente em concordância ao seu argumento. Não sabia dizer se era o que realmente pensava ou se apenas desejava conhecer o estudante. – Derrotar por si só um Regigigas é prova o suficiente para mim. – Esclareceu, antes de um sorriso sádico surgir em sua face. – E sempre podemos eliminá-lo se ele causar mais problemas do que vale.

– Desconfio que realizar tal proeza seja mais complicado do que pensas, Desinyth. – Comentou Ariel, mais uma declaração que uma dúvida. Os olhos da general, bem como dos outros, imediatamente caíram sobre ela. Curiosidade queimava no interior de todos, mesmo dos de Tartys. Sentiu Gallade aproximar-se da discussão. – Na remota hipótese de a situação chegar a este ponto, então eu, como professora e guardiã legal dele, não ficarei de braços cruzados. – Deixou parte de sua Energia Astral se manifestar para enfatizar o significado de suas palavras. Viu um ou dois Numbers recuarem um passo. A aura que liberava era retransmitida aos outros através de sua projeção espiritual. – Ainda que os oponentes sejam vocês, não pretendo me segurar.

Sua expressão pacífica, combinada à sua voz inalterada teve um efeito melhor que o esperado. Não era uma ameaça, mas sim uma declaração. Instauraria uma guerra contra o Império se fosse necessário para protegê-lo. Um juramento que fizera a si mesma na noite em que o conhecera. Não tinha sido a primeira vez que enviaram assassinos infantes atrás de sua vida. Ele e Valentina lutavam melhor que a maioria, mas a diferença de experiência e habilidades logo se fez presente. Entretanto, no momento em que se aprontava para dar-lhe o golpe final, percebeu seu olhar; havia apenas resignação ali. Nada dos sentimentos comuns perante a morte como medo, raiva ou receio... Apenas aceitação. Um dos raros instantes de sua vida que fora pega desprevenida. Perante seus olhos estava uma criança que não temia a morte. Levou alguns segundos antes de perceber que sua suposição estava errada. Não... A verdade era ainda mais cruel; ele nem ao menos sabia o que era estar vivo. Não era uma expressão que um garoto daquela idade deveria ter. Por fim, resolveu poupá-los e tomar conta de ambos. Posteriormente, Valentina lhe contara o que ocorrera com ela e Taiyou antes de a encontrarem. Sentiu pena dele. Suportara mais em uma década do que muitas pessoas a vida inteira. Fosse por empatia ou instinto materno, prometeu a si mesma que o protegeria a qualquer custo. Mesmo que tivesse de destruir o país, não voltaria atrás com sua palavra.

– Hm? Guardiã legal? – Repetiu Tartys curiosamente, indiferente a tensão crescente. O assunto não o interessava; era até capaz que se rebelasse em conjunto à Silver Witch contra o Império simplesmente por lhe ser a alternativa mais atraente. Aquelas duas palavras o fizeram recordar de algo. A única vez que a vira usando-as fora... Um sorriso capcioso brotou em sua face. – Oi, Ariel. O garoto que estamos considerando para os Numbers é o mesmo pirralho de seis anos atrás? – Perguntou. Vendo-a confirmar com um aceno de cabeça, caiu na gargalhada. – Interessante! Isso é realmente interessante! – Sentia o foco dos outros sob si. A diretora continuava com seu costumeiro olhar indecifrável e Mathis parecia igualmente animado. Após se acalmar, ergueu uma das mãos displicentemente. – Eu apoio a nomeação.

– Quem diria que existe alguém capaz de empolgá-lo tanto assim, Tartys-san?! Eu estou arrepiado! – Comentou o garoto, jogando os braços para os lados em êxtase. A situação tornava-se mais excitante a cada instante. – Estou louco para encontrá-lo! – “E desafiá-lo para uma disputa.”, concluiu mentalmente. Não havia razão para exprimir seus desejos em voz alta. – Também sou a favor! – Exclamou, radiante.

– Eu concordo. – Assentiu Desinyth, sua voz calma e fria revelando o mais leve tom de curiosidade. Mesmo através da projeção, era possível ver o sorriso predatório que agraciava suas feições. – Pode ser que hajam dúvidas sobre seu passado, mas é inegável que ele seja forte. – O fato de a Silver Witch ter um passado com o dito jovem só corroborava suas convicções. Ele seria uma boa adição ao grupo.

– ...Lápis-sama acredita nele. – Murmurou Fenlira, não mais que um sussurro. Apesar da personalidade lacônica sua lealdade à família real, sobretudo à terceira princesa, era inquestionável. – ...Então farei o mesmo. – Anunciou, erguendo uma de suas mãos. Seu voto era o decisivo, percebera. À exceção de Renia, os outros que ainda não haviam dado seu parecer verbalmente estavam indiferentes ou pendendo para o lado da Silver Witch. – ...Qual de nós irá testá-lo? – Indagou, inclinando sua cabeça para o lado suavemente. O exame de admissão do grupo era, na realidade, um combate contra um dos Numbers.

– Eu me voluntario! – Exclamou imediatamente o segundo, sua própria fisionomia revelando seu estado de excitação. Era a primeira vez desde que fora nomeado para o cargo que sentia tamanha alegria. A chance de enfrentar alguém que considerado interessante pela Silver Witch e o Blade Governor não surgia todo dia. – Posso estar aí em pouco mais de uma semana, talvez menos. Peço-lhe que me deixe fazê-lo, Ariel-san! – Baixou a cabeça, em sinal de deferência à opinião da diretora. Como capitã dos Numbers, a escolha final cabia a ela.

– Tudo bem. – Respondeu, sorrindo gentilmente. A resposta imediata foi um grito de felicidade. A natureza otimista e energética do jovem era revigorante. Com sorte, ele e o assassino adolescente criariam um sentimento de camaradagem facilmente. – Incubo-o desta tarefa, [Sky Knight] Mathis Yvon Lodgar. – Sua voz ecoou pelo ambiente, serena e alegre. – Estarei aguardando ansiosa pela sua chegada à Academia.

– Sim! – Exclamou, sem conseguir esconder a excitação em seu tom. Enfrentar alguém que derrotou um Pokémon considerado lendário... Soava mais divertido do que julgava ser possível. – Taiyou Hildebrand... Pergunto-me que tipo de Astralis ele é. – E, com uma mescla de empolgação e orgulho, acrescentou. – Estou ansioso para trocar golpes com ele!

Ariel só pode torcer para que o assassino tivesse a mesma disposição. Apesar da personalidade questionável, Mathis era um adversário contra o qual não se pode bobear.
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Re: Astral Zero

Mensagem por Rush em Sab 25 Mar 2017 - 15:59

Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow
Astral Zero voltou!


Fico imensamente feliz ao ver essa excepcional obra voltando à tona. Embora tenha sumido no último capítulo e no epílogo, eu retornei para dizer que VOCÊ PRECISA CONTINUAR A FIC ATÉ O FINAL. Eu me sinto dentro do universo dos Astralis ao ler cada trecho vindo de ti. Consigo imaginar de maneira precisa um anime sendo reproduzido na minha mente, onde os personagens e as histórias são conduzidos por você. Este prólogo não fora diferente disso. 

Tenho que admitir, esses tais Numbers me lembraram bastante a Akatsuki. Mesmo que não seja tão fã de Naruto, ou ao menos curtir o anime, eu tenho um carinho enorme por ele por ter sido bastante presente durante minha infância. Lembro que quando eu brincava com meus brinquedos ou amigos, eu SEMPRE FAZIA uma organização - geralmente maléfica - onde tinham os personagens mais fortes, e em algum ponto, os protagonistas teriam que enfrentá-los um por um, estilo cavaleiros do zodíaco na saga dos cavaleiros de ouros, mais a saga da akatsuki e ainda somado com a saga da Sasuke indo pro lado negro da força, onde os ninjas da folha lutaram contra os discípulos do Orochimaru. Só de lembrar das brincadeiras e da esplendidão que isso causava ao plot, eu me arrepio.

Não quero spoilers e nem tentar adivinhar o plot futuro da fic, mas uma parte de mim que permaneceu desde minha infância, torce para que haja uma situação em que Taiyou tenha que lutar - até a morte, pois sou sanguinário - contra os Numbers, batalhar singulares e que causam sequelas astronômicas.

Em primeira vista, eles pareceram, em sua grande maioria, neutros em relação ao "bem" e o "mal", indo a favor do lado mais pacífico. Gostei de todos os integrantes apresentados, principalmente, por algum motivo, a Winter General. Ela foi a primeira introduzida com um indício sádico e que por ventura, pode se tornar um grau de antagonismo no futuro. Além de sua personalidade ser afiada, mostrando que ela não tem medo de sujar as mãos.

Gostei bastante do [Blade Governor], Tartys. Por um momento, jurava que ele fosse o mais jovem, mas ficou confuso em relação a idade, já que as projeções astrais não revelavam detalhes físicos, além da cor dos olhos. Ele parece ter um bom coração, afinal das contas. Gostei tanto da sua sinceridade como de sua ousadia. 

Outra que me despertou bastante curiosidade, foi Fenlira. Não sei porque, mas a imagem que veio em minha cabeça, foi de uma criança silenciosa e sem expressão que pode destruir tudo em sua frente, se comandada pela princesa Lápis. A impressão que tive, é que ela é uma das mais poderosas entre os Numbers, não sei porque. 

Gostaria de comentar também sobre Mathis, o Sky Knight, mas pretendo definir melhor minha opinião sobre ele no capítulo posterior, onde ele provavelmente vai ter mais destaque, assim como revelado o seu Pokémon. Provavelmente um voador pelo o título. Ele também pareceu ter um bom coração, mas vou aguardar antes de criticá-lo, pois não quero que o comentário seja apenas de suposições! Hahaha

Enfim, DZ, fico MUITO feliz que tenhas voltado e muito ansioso para ver o primeiro capítulo do segundo volume. A batalha entre Taiyou e Mathis pode mesclar entre o incrível como pode nem acontecer, prevendo um possível desinteresse do protagonista em relação aos Numbers, mas por ser NADA previsível, só me resta aguardar para ver! Hahaha

É isso, meu amigo. Aguardo ansiosamente o primeiro capítulo e seja bem vindo de volta. Um abraço!
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Re: Astral Zero

Mensagem por xKai em Sab 15 Abr 2017 - 11:17

Fala DZ, como diriam os grounders do seriado The 100, minha paixão ultimamente... "... from the ashes we will rise." Como uma fênix em seu maior momento de glória eis que uma das minhas fanfics favoritas do fórum está de volta! Confesso que tive que dar uma olhadinha lá atrás para relembrar de algumas coisinhas, cá entre nós foi um hiatus um pouquinho demorado, né? Mas quem sou eu pra falar sobre isso XD


Bom, já dizendo que estou muito enferrujado nisso aqui, tem tempos que eu não faço um comentário, então talvez eu não consegui transmitir totalmente o que eu penso, falta de prática somada com um ligeiro bloqueio mental, talvez.

Logo no começo do capítulo eu imaginei algo do tipo Fairy Tail, pelo título obviamente, só que eu imaginei que um Astralis absurdamente OP iria aparecer do nada, meio que tipo um Gildarts da vida, mas, de qualquer forma vai ser algo meio Fairy Tail mesmo, o que eu gosto. Um exame para qualificar o Taiyou como Rank S, o que eu achei diferencial, pois aparentemente este exame será particular, não haverá outros aspirantes a RANK S. Imagino se será algo em etapas ou será uma e única disputa. Rachei com a pressão que a Silver Witch colocou em cima dos amiguinhos Numbers aí, deu pra sentir o cagaço deles de longe haha! Fico imaginando se existe alguém por aí mais forte do que ela, porque ela consegue intimidar até o próprio diabo... Mas eu tive uma estranha sensação com ela desta vez, ela me parece quase como um animal, no bom sentido, como uma mãe disposta a fazer de tudo para proteger seu filhote... Fico pensando se por acaso não existe um parentesco entre eles, ou pelo menos uma relação similar.

Bom, estou ansioso para a disputa de Taiyou Vs. Mathis, parece que será o próximo clash of titans... Espero que não demore muito para postar, mas como a vida nunca é fácil, quase sempre corrida e complicada, tudo é feito no seu tempo não é? Espero o tempo que for necessário, bom trabalho aí e que continue com o projeto, que está muito bom.

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Re: Astral Zero

Mensagem por Hyurem em Dom 28 Maio 2017 - 10:39

Astral Zero is back, you bit****
Tudo certo, DZ? Infelizmente, também fiquei muito tempo sem entrar no fórum, assim como você, e realmente acho que o ritmo das coisas por aqui deu uma diminuída.
Quase um ano sem postar capítulos, assim quer nos matar do coração. Mas acho que toda a demora vale a pena depois que faço a leitura deles. Embora sempre fique curioso pra ver como a história vai se desenrolar, eu entendo seu lado "perfeccionista". Afinal, se não nos agradamos com algo que fazemos, principalmente se tratando de um hobby, qual o sentido de fazer, não é mesmo? Além disso, escrever três fanfics e levar um outro projeto pra frente, ainda mais fazendo uma faculdade, é coisa de maluco hahaha Mas ainda bem que é assim, dessa forma podemos apreciar seu trabalho fantástico de escrita
Vi que concorda comigo em relação à posição dos lendários nos jogos. É realmente uma pena que o único desafio real neles seja a baixa catch rate. Infelizmente, acho que é por uma questão de game balance. Mas não deixa de ser meio decepcionante. O Regigigas é um dos mais fracos e deu aquele trabalho colossal pro Taiyou (ba dum, tss)... Mal consigo imaginar o que vai rolar quando vierem os monstros que controlam o céu, o mar, a terra, as dimensões.
Esse segundo volume da fanfic promete. Prevejo lutas fantásticas, já começando com a batalha entre Taiyou e Mathis. Uma disputa de gigantes. Considerando o título do novo personagem, seu Pokémon deve ser tipo Flying. "Sky Knight" também me faz remeter a uma armadura, ou ao tipo Steel. Seria um Skarmory? Desculpe pela viagem, eu gosto de especular esse tipo de coisa hahaha
Achei interessantes os Numbers. Aparentemente, existe uma hierarquia direta entre eles, o que me lembrou os Arankars de Bleach (não lembro bem se esse é realmente o nome), que possuem números de 1 a 10 de acordo com a força de cada um. Também dá a impressão que não há um número exato para eles, sendo o único critério de escolha o poder do astralis candidato a uma vaga. Me questiono se eles formam alguma espécie de força especial do Império ou se "Number" é só um título de prestígio. Aparentemente, eles não tem nenhuma obrigação moral ou de honra, porque creio que a Silver Witch não se prenderia a nada que a colocasse numa situação inferior a outrem. Ela parece que obedece somente a si mesma, pensando em como colocou-se numa posição defensiva em relação ao protagonista, mesmo que isso signifique lutar contra todo o Império. Espero ansioso para vê-la e aos outros Numbers em ação.
O prólogo é curto mas coloca várias questões e não responde nenhuma hahaha Mas creio que isso faça um bom romance (acho que não se importa se eu chamar sua história assim).
Já se passaram quase dois meses que postou o prólogo e tinha dito que o capítulo 1 não demoraria mais que algumas semanas. Estamos de olho hahaha
Brincadeiras a parte, espero que continue com sua história apesar das dificuldades. Sempre irei acompanha-la, mesmo que demore para comentar.
Bom, é isso. Sucesso com seus projetos, e até mais!
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Re: Astral Zero

Mensagem por DarkZoroark em Seg 7 Ago 2017 - 11:49

Bom dia a todos!
Peço desculpas pela enorme demora em trazer este capítulo. Acontece que, além da faculdade, alguns outros fatores me desanimaram e/ou distraíram enquanto eu o fazia. Na verdade, eu o tinha pronto quando postei o prólogo, mas o pen-drive em que eu o guardava literalmente entortou e eu perdi todos os arquivos que estavam lá. Idiotice minha em tê-lo guardado em apenas um lugar, mas reescrever um capítulo sempre foi algo que me desanimou. E o maior problema foi que eu ganhei um PS4. É... acho que não preciso explicar muito mais sobre isso.

Então, sem muito mais delongas, vamos a resposta dos comentários:


@Rush escreveu:Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow Rainbow
Astral Zero voltou!


Fico imensamente feliz ao ver essa excepcional obra voltando à tona. Embora tenha sumido no último capítulo e no epílogo, eu retornei para dizer que VOCÊ PRECISA CONTINUAR A FIC ATÉ O FINAL. Eu me sinto dentro do universo dos Astralis ao ler cada trecho vindo de ti. Consigo imaginar de maneira precisa um anime sendo reproduzido na minha mente, onde os personagens e as histórias são conduzidos por você. Este prólogo não fora diferente disso. 

Tenho que admitir, esses tais Numbers me lembraram bastante a Akatsuki. Mesmo que não seja tão fã de Naruto, ou ao menos curtir o anime, eu tenho um carinho enorme por ele por ter sido bastante presente durante minha infância. Lembro que quando eu brincava com meus brinquedos ou amigos, eu SEMPRE FAZIA uma organização - geralmente maléfica - onde tinham os personagens mais fortes, e em algum ponto, os protagonistas teriam que enfrentá-los um por um, estilo cavaleiros do zodíaco na saga dos cavaleiros de ouros, mais a saga da akatsuki e ainda somado com a saga da Sasuke indo pro lado negro da força, onde os ninjas da folha lutaram contra os discípulos do Orochimaru. Só de lembrar das brincadeiras e da esplendidão que isso causava ao plot, eu me arrepio.

Não quero spoilers e nem tentar adivinhar o plot futuro da fic, mas uma parte de mim que permaneceu desde minha infância, torce para que haja uma situação em que Taiyou tenha que lutar - até a morte, pois sou sanguinário - contra os Numbers, batalhar singulares e que causam sequelas astronômicas.

Em primeira vista, eles pareceram, em sua grande maioria, neutros em relação ao "bem" e o "mal", indo a favor do lado mais pacífico. Gostei de todos os integrantes apresentados, principalmente, por algum motivo, a Winter General. Ela foi a primeira introduzida com um indício sádico e que por ventura, pode se tornar um grau de antagonismo no futuro. Além de sua personalidade ser afiada, mostrando que ela não tem medo de sujar as mãos.

Gostei bastante do [Blade Governor], Tartys. Por um momento, jurava que ele fosse o mais jovem, mas ficou confuso em relação a idade, já que as projeções astrais não revelavam detalhes físicos, além da cor dos olhos. Ele parece ter um bom coração, afinal das contas. Gostei tanto da sua sinceridade como de sua ousadia. 

Outra que me despertou bastante curiosidade, foi Fenlira. Não sei porque, mas a imagem que veio em minha cabeça, foi de uma criança silenciosa e sem expressão que pode destruir tudo em sua frente, se comandada pela princesa Lápis. A impressão que tive, é que ela é uma das mais poderosas entre os Numbers, não sei porque. 

Gostaria de comentar também sobre Mathis, o Sky Knight, mas pretendo definir melhor minha opinião sobre ele no capítulo posterior, onde ele provavelmente vai ter mais destaque, assim como revelado o seu Pokémon. Provavelmente um voador pelo o título. Ele também pareceu ter um bom coração, mas vou aguardar antes de criticá-lo, pois não quero que o comentário seja apenas de suposições! Hahaha

Enfim, DZ, fico MUITO feliz que tenhas voltado e muito ansioso para ver o primeiro capítulo do segundo volume. A batalha entre Taiyou e Mathis pode mesclar entre o incrível como pode nem acontecer, prevendo um possível desinteresse do protagonista em relação aos Numbers, mas por ser NADA previsível, só me resta aguardar para ver! Hahaha

É isso, meu amigo. Aguardo ansiosamente o primeiro capítulo e seja bem vindo de volta. Um abraço!

Rush o/
Em primeiro lugar, agradeço profundamente pelo comentário. Pode ficar tranquilo que, se depender de mim, vou finalizar esta obra, apesar de prova do contrário. Agradeço-o também pelos elogios. Esse efeito de fazer com que tudo pareça ao máximo com um anime é o que eu venho procurado reproduzir desde que comecei a escrever esta história, então fico feliz de ver que tem funcionado.

Fico feliz que tenhas gostado dos Numbers. Admito que me inspirei um pouco na Akatsuki enquanto os criava, embora não seja o maior fã de Naruto e também tenha usado os Spriggan 12 e outros grupos de Fairy Tail como fonte de ideias também. Inclusive, a projeção astral que eles utilizam para se comunicarem por longas distâncias é baseada em uma das técnicas do grupo de renegados. O conceito de haver uma organização que reúna os guerreiros mais poderosos, maléfica ou não, sempre foi algo que me interessou. Os Numbers são a realização deste interesse.

Sem dar muitos spoilers, mas é bem provável que o Taiyou enfrentar um (ou mais) deles até a morte possa vir a ocorrer no futuro da história. A Winter General também terá um bom destaque mais para frente.

O Tartys tem uma idade próxima a da Ariel; por volta dos trinta anos. Posso confirmar a parte sobre ser sincero e ousado, mas quanto a bom coração... Bom, aí depende do ponto de vista. Ele é um personagem confiável e sábio, mas com hábitos e manias censuráveis. Ele terá um papel bem importante posteriormente, fique seguro quanto a isso.

Vou admitir que a sua sensação quanto à Fenlira está correta. Não há um ranking de força entre os Numbers; exceto pelas duas primeiras posições - A Silver Witch e o Blade Governor, respectivamente - os outros estão mais ou menos no mesmo patamar. Contudo, a Fenlira tem um potencial para destruição em massa consideravelmente maior do que os outros. Por sorte, ela não tem qualquer interesse de usar os poderes para o mal.

O Mathis vai demorar um pouco mais para dar as caras - vai ter um pequeno arco antes disso - porém ele tem um bom coração. É o tipo de personagem que gosta de fazer amigos e está sempre de bom-humor. Será que o Pokémon dele é um voador? Não sei dizer....

Agradeço-o uma vez mais pelo comentário, e espero que gostes deste novo capítulo.


@xKai escreveu:
Fala DZ, como diriam os grounders do seriado The 100, minha paixão ultimamente... "... from the ashes we will rise." Como uma fênix em seu maior momento de glória eis que uma das minhas fanfics favoritas do fórum está de volta! Confesso que tive que dar uma olhadinha lá atrás para relembrar de algumas coisinhas, cá entre nós foi um hiatus um pouquinho demorado, né? Mas quem sou eu pra falar sobre isso XD


Bom, já dizendo que estou muito enferrujado nisso aqui, tem tempos que eu não faço um comentário, então talvez eu não consegui transmitir totalmente o que eu penso, falta de prática somada com um ligeiro bloqueio mental, talvez.

Logo no começo do capítulo eu imaginei algo do tipo Fairy Tail, pelo título obviamente, só que eu imaginei que um Astralis absurdamente OP iria aparecer do nada, meio que tipo um Gildarts da vida, mas, de qualquer forma vai ser algo meio Fairy Tail mesmo, o que eu gosto. Um exame para qualificar o Taiyou como Rank S, o que eu achei diferencial, pois aparentemente este exame será particular, não haverá outros aspirantes a RANK S. Imagino se será algo em etapas ou será uma e única disputa. Rachei com a pressão que a Silver Witch colocou em cima dos amiguinhos Numbers aí, deu pra sentir o cagaço deles de longe haha! Fico imaginando se existe alguém por aí mais forte do que ela, porque ela consegue intimidar até o próprio diabo... Mas eu tive uma estranha sensação com ela desta vez, ela me parece quase como um animal, no bom sentido, como uma mãe disposta a fazer de tudo para proteger seu filhote... Fico pensando se por acaso não existe um parentesco entre eles, ou pelo menos uma relação similar.

Bom, estou ansioso para a disputa de Taiyou Vs. Mathis, parece que será o próximo clash of titans... Espero que não demore muito para postar, mas como a vida nunca é fácil, quase sempre corrida e complicada, tudo é feito no seu tempo não é? Espero o tempo que for necessário, bom trabalho aí e que continue com o projeto, que está muito bom.

xKai o/
Antes de qualquer coisa, agradeço pelo comentário. Olha, embora não tenha aparecido fisicamente ninguém com a força do Gildarts, alguns entre os Numbers seriam um páreo duro para o mago. Dentre os que foram introduzidos, a Fenlira é alguém que estaria pau a pau com o mago quanto a destruição em larga escala. Vai demorar um pouco até que eles sejam introduzidos, mas alguma hora eu chego lá.

A promoção para Rank S é uma disputa de um contra um. Já que o Rank é algo puramente baseado na força e/ou habilidades de um Astralis, não há muitas razões para que hajam várias provas para se transformar em um. A do Taiyou, como possível membro dos Numbers, terá o diferencial de enfrentar um dos membros do grupo.

Ao menos por hora eu não planejei introduzir um Astralis que seja mais forte que a Ariel, mas nunca se sabe... Para ela, a posição como Number é apenas um título trivial e nada mais. Por isso ela não se importa muito em manter ou não a posição. A relação entre ela e o assassino será melhor explorada posteriormente, então fique no aguardo.

Espero que gostes deste capítulo.


@Hyurem escreveu:Astral Zero is back, you bit****
Tudo certo, DZ? Infelizmente, também fiquei muito tempo sem entrar no fórum, assim como você, e realmente acho que o ritmo das coisas por aqui deu uma diminuída.
Quase um ano sem postar capítulos, assim quer nos matar  do coração. Mas acho que toda a demora vale a pena depois que faço a leitura deles. Embora sempre fique curioso pra ver como a história vai se desenrolar, eu entendo seu lado "perfeccionista". Afinal, se não nos agradamos com algo que fazemos, principalmente se tratando de um hobby, qual o sentido de fazer, não é mesmo? Além disso, escrever três fanfics e levar um outro projeto pra frente, ainda mais fazendo uma faculdade, é coisa de maluco hahaha Mas ainda bem que é assim, dessa forma podemos apreciar seu trabalho fantástico de escrita
Vi que concorda comigo em relação à posição dos lendários nos jogos. É realmente uma pena que o único desafio real neles seja a baixa catch rate. Infelizmente, acho que é por uma questão de game balance. Mas não deixa de ser meio decepcionante. O Regigigas é um dos mais fracos e deu aquele trabalho colossal pro Taiyou (ba dum, tss)... Mal consigo imaginar o que vai rolar quando vierem os monstros que controlam o céu, o mar, a terra, as dimensões.
Esse segundo volume da fanfic promete. Prevejo lutas fantásticas, já começando com a batalha entre Taiyou e Mathis. Uma disputa de gigantes. Considerando o título do novo personagem, seu Pokémon deve ser tipo Flying. "Sky Knight" também me faz remeter a uma armadura, ou ao tipo Steel. Seria um Skarmory? Desculpe pela viagem, eu gosto de especular esse tipo de coisa hahaha
Achei interessantes os Numbers. Aparentemente, existe uma hierarquia direta entre eles, o que me lembrou os Arankars de Bleach (não lembro bem se esse é realmente o nome), que possuem números de 1 a 10 de acordo com a força de cada um. Também dá a impressão que não há um número exato para eles, sendo o único critério de escolha o poder do astralis candidato a uma vaga. Me questiono se eles formam alguma espécie de força especial do Império ou se "Number" é só um título de prestígio. Aparentemente, eles não tem nenhuma obrigação moral ou de honra, porque creio que a Silver Witch não se prenderia a nada que a colocasse numa situação inferior a outrem. Ela parece que obedece somente a si mesma, pensando em como colocou-se numa posição defensiva em relação ao protagonista, mesmo que isso signifique lutar contra todo o Império. Espero ansioso para vê-la e aos outros Numbers em ação.
O prólogo é curto mas coloca várias questões e não responde nenhuma hahaha Mas creio que isso faça um bom romance (acho que não se importa se eu chamar sua história assim).
Já se passaram quase dois meses que postou o prólogo e tinha dito que o capítulo 1 não demoraria mais que algumas semanas. Estamos de olho hahaha
Brincadeiras a parte, espero que continue com sua história apesar das dificuldades. Sempre irei acompanha-la, mesmo que demore para comentar.
Bom, é isso. Sucesso com seus projetos, e até mais!

Hyurem o/
Antes de qualquer coisa, agradeço pelo comentário e peço desculpa por ter demorado tanto em trazer este novo capítulo. Realmente um hiato longo é de desanimar qualquer um. Agradeço também pelos elogios. Ainda vai demorar um pouco para que outro lendário apareça, mas vou tentar fazer com que cada batalha seja épica. Realmente, quando se leva os aspectos gerais em consideração, o Regigigas é um dos mais fracos deste grupo, embora sua força física exceda a de alguns. Kyogre, Groundon, Rayquaza e os outros irão aparecer posteriormente e quando isso acontecer... Bem, o apocalipse é o limite.

Bem, enquanto que eu vou tentar fazer este segundo volume melhor do que o primeiro, lamento informar que a batalha entre o Taiyou e o Mathis não será a primeira.
Haverá outra antes disso, com igual ou até maior importância para o enredo geral da história. O título Sky Knight não tem qualquer relação com o Pokémon dele, e sim com a Viralt que ele usa. Não vou dizer muito quanto a identidade do Pokémon, só que ele dará trabalho para o Zoroark.

Boa parte dos seus palpites sobre os Numbers estão certos. Não há uma hierarquia exata de poder, fora pela Silver Witch e o Blade Governor que tem as duas primeiras posições. Realmente, o único critério para ser indicado a uma posição é possuir uma força avassaladora e se distinguir. Quanto a sua pergunta, eles são ambos na verdade.
Embora o título seja visto pela maioria deles apenas como prestígio, eles são ao mesmo tempo uma força especial dentro do Império que serve diretamente à família real.
Contudo, a maioria não sente qualquer obrigação moral quanto a isso, e agem mais por respeito do que por obrigação. A Silver Witch mantém o título porque é proveitoso para ela, mas não pensaria duas vezes em descartá-lo caso necessário.

Espero que gostes deste capítulo.


Capítulo I - Invite

A lâmina cruzou o espaço poucos centímetros a frente de seus olhos.

Bloqueou um segundo ataque instantes depois, a espada negra em sua mão esquerda soltando faíscas ao encontrar o braço direito do gladiador. Sem lhe conceder qualquer espaço, o Pokémon retraiu o membro superior livre e lançou um punho em direção ao seu rosto. O assassino reagiu de imediato. Dobrou levemente os joelhos e, tomando impulso, saltou para trás em evasiva.

Estreitou as pálpebras de leve ao ver uma rajada de vento concentrado avançar em sua direção. Aquilo era apenas a deformação sofrida pelo ar perante a força do soco, mas era mais potente que diversos movimentos utilizados por outros Pokémons na escola. À queima-roupa poderia quebrar duas ou três de suas costelas e encerrar sua sessão de treino diária com facilidade. O punho do gladiador por si só talvez não causasse mais do que um lábio ensanguentado e uma brutal dor de cabeça.

Tão logo seus pés tocaram o solo, exerceu pressão adicional na empunhadura de sua Viralt obsidiana. Relâmpagos dançaram sobre a extensão da lâmina enquanto uma aura ameaçadora a envolvia, tão forte quanto o aroma das flores dentro de uma floricultura. Moveu a arma em arco e disparou uma navalha em crescente de trevas. O ataque trespassou a rajada de vento com a mesma facilidade com que uma faca atravessa manteiga antes de seguir em direção ao Pokémon psíquico.

Momentos antes que houvesse algum contato, Gallade inclinou seu tronco para frente e desapareceu de seu campo de visão. Sem nenhum outro obstáculo em seu caminho, a navalha sombria avançou até a linha das árvores e explodiu ao colidir contra uma, fazendo-a tombar para trás. Um forte odor de madeira queimada preencheu as narinas do adolescente.

Calafrios percorreram-lhe a espinha. Seu corpo respondeu à sensação instintivamente; reflexos adquiridos e cultivados por anos de árduos combates. Girando sobre seus calcanhares, ergueu a espada branca a tempo de impedir que o calcanhar de Gallade atingisse o seu crânio. O impacto fez o chão sob seus pés estremecer e rachar, além de quase arrancar a Viralt de seus dedos. Uma fina nuvem de poeira ergueu-se ao seu redor.

Exibindo uma expressão austera, o Pokémon psíquico lançou um chute com a perna livre em direção ao seu rosto. Com um movimento de pulso, inverteu a empunhadura da arma obsidiana e apoiou o cotovelo contra a parte chata da lâmina. O pé do guerreiro atingiu a face oposta da arma. Antes que tivesse tempo para registrar o ocorrido, seu corpo era impulsionado para trás. Ondas de choque cruzaram o lado esquerdo de seu corpo, e seu braço pareceu adormecer por um breve instante. Assustava-o saber que o golpe de Gallade não fora desferido com força total.  

Foi empurrado por alguns metros antes que conseguisse firmar os pés e deter sua trajetória. Cravou as espadas no solo e limpou o suor que se acumulava em sua testa com as costas de uma de suas mãos. Seu peito subia e descia em ritmo acelerado, marcado vez ou outra por um arquejo. Mais a frente, o guerreiro alabastrino mantinha-se em guarda, seus olhos escarlates observando o adolescente atentamente.

Sua resistência física começava a decair após duas horas de combate contra o gladiador, um adversário cuja única comparação possível era a Silver Witch. Uma faca de dois gumes; enfrentá-lo era um desafio maior do que poderia vir a esperar de outros indivíduos, mas suas habilidades cresceriam na mesma medida. E, com a Battre de Champions a apenas cinco meses e meio de distância, mais a sua promessa de treinar Rathy e Julie, não tinha tempo a perder. Precisava superar seus limites neste meio-tempo. Estava mais do que disposto em pagar esta evolução com hematomas, cortes e ossos quebrados.

Recuperando o fôlego, pegou as Viralts em empunhadura reversa e avançou para um novo embate, sua expressão facial insinuando o mais leve prazer.

Zoroark assistia ao combate de seu assento improvisado sobre o galho de uma árvore próxima. Uma mescla de animosidade e aborrecimento dançava em seu semblante. Observá-los sem poder participar da contenda era quase insuportável para o vulpino ilusório. Resmungando algo, agarrou um punhado de caramelos e jogou-os sem cerimônias para dentro de sua boca. Um ‘presente’ do adolescente para que tivesse algo com que se distrair durante suas sessões de treino.

Um suborno, a bem verdade.

Por vezes se irritava com o quão bem o garoto parecia conhecê-lo e a facilidade com que o desarmava com argumentos e/ou brindes. Contudo, tinha de admitir que a perspectiva de batalhar contra Valentina e um pacote contendo um quilo de guloseimas eram o suficiente para fazê-lo criar algo próximo ao conceito de paciência. Caso isso não fosse o bastante, sempre poderia arranjar algum problema com um Pokémon da floresta e espancá-lo. O pensamento quase lúgubre levou-lhe um sorriso aos lábios.

Lutar, comer e dormir quando bem entendesse… A vida em uma escola não era nem um pouco ruim.





– Francamente… Como que consegues se machucar com tanta frequência, Taiyou-san? – Perguntou-lhe Rathy, soando ligeiramente exasperada. Seus lábios rosados estavam franzidos em um beicinho. – Não podes passar uma semana sem se causar um ferimento novo? – Indagou uma vez mais, pressionando um saco de gelo contra o inchaço arroxeado no pulso do rapaz. Seus olhos, brilhantes com esmeraldas, fitavam-no como que o acusando.

– B-Bem, não é como se eu quisesse que isso acontecesse… – Foi tudo que conseguiu dizer, um sorriso apologético desenhado em sua face enquanto ria acanhadamente. Sentia-se como uma criança recebendo uma bronca de um dos pais. Fora a contusão, ostentava também um pequeno corte próximo ao canto da boca. – Empolguei-me demais durante o treino matinal e acabei me excedendo um pouco… – Era uma forma de analisar o ocorrido.

Podia ter dito a verdade também, mas isso só faria preocupar à loira ainda mais. Usou uma Meteo Arts Dance durante o combate simulado com Gallade e este, pego desprevenido, causou-lhe os ferimentos durante o contra-ataque. Um acidente sem grandes consequência, tendo em vista que pusera os ossos de volta no lugar quase que de imediato. Contudo, a região ainda assim inchou e arroxeou. Isso fez o Pokémon psíquico optar por encerrar as atividades do dia por ali. Fosse outro individuo, o adolescente teria insistido em prosseguir com a contenda, mas sabia que de nada adiantaria com o resoluto gladiador.

Sem muito mais o que fazer, voltou para o seu quarto e tomou uma ducha rápida. Chegaria atrasado à sala de aula com toda a certeza, mas a perspectiva não o incomodava enquanto não esbarrasse com Kristi Hairetch ou um de seus ‘cães de caça’ – um apelido carinhoso que dera aos subalternos dela no comitê disciplinar da academia. A matéria que estavam vendo era relativamente fácil, sem mencionar que Ariel já o havia instruído sobre assunto anos antes.

Verdade seja dita, a única razão pela qual atendia às aulas com a frequência que tinha era para que tivesse algo mais para fazer além de passar parte do dia jogando xadrez com Zoroark como seu único adversário. O vulpino sombrio era surpreendentemente bom… Durante as primeiras partidas, pelo menos. Passado algum tempo, começava a perder a paciência e mover as peças sem uma estratégia em mente. Era um aspecto preocupante que teria que trabalhar com o Pokémon ilusório. Com sorte, conseguiria arranjar tempo suficiente para lidar com isso.

Tão logo chegara à classe, levantara a mão para cumprimentar os demais alunos. Um erro, agora que refletia sobre o ocorrido. Deveria ter usado a outra. Assim que pôs os olhos sobre o inchaço em seu pulso e em seu lábio ferido, Rathy ergueu-se de sua cadeira, caminhou até onde ele estava sem pronunciar qualquer palavra, agarrou-o pelo braço e, pedindo licença para a professora, praticamente o arrastou porta afora. Nunca em sua vida teria imaginado que algo assim fosse lhe ocorrer. Em geral, não eram necessários muitos argumentos para fazê-lo deixar uma sala de aula.

Enquanto atravessavam o arco da porta, o assassino adolescente não pôde evitar notar Mirenya acenando com a cabeça em sinal de aprovação, os braços cruzados sobre o peito. Tinha a nítida impressão de que o gesto não fora direcionado à loira, mas resolveu não pensar muito sobre o assunto. De uma maneira que não conseguia compreender inteiramente, as possíveis respostas que a instrutora poderia lhe fornecer deixavam-no mais apreensivo que dançar conforme o ritmo ditado pela Silver Witch.

Presentemente, o par de adolescentes estava sentado ao redor de uma das mesas ao ar livre do refeitório da Academia. Os móveis haviam sido esculpidos em mármore negro e possuíam uma superfície circular com um diâmetro aproximado de setenta centímetros. Um guarda-sol preto e vermelho estava fixado a um pequeno furo em seu centro. As cadeiras eram de um tom majoritariamente obsidiana, a única exceção eram as almofadas escarlates que repousavam sobre os assentos.

Estas, fez-se notar o jovem, eram muito confortáveis. A sombrinha era particularmente útil; um conforto muito bem-vindo em um dia ensolarado e quente como aquele. A leve e ocasional brisa auxiliava em parte, mas não era nem de longe tão efetiva quanto a sombra provida pelo objeto.

Um suspiro aborrecido por parte da loira o fez retornar a realidade.

– Garotos… – Murmurou Rathy, os lábios ainda pressionados em um beicinho. Virou a cabeça para o lado com um audível “Humph”, seus longos cabelos dourados dançando em meio ao ar. A resposta do assassino foi esboçar um novo sorriso constrangido.

Um pouco mais afastado, Zoroark ria ironicamente enquanto assistia à comoção, entretido pelas reações do seu parceiro. Balançava-se perigosamente em uma das cadeiras, descansando os seus pés sobre a quina da mesa mais próxima. Começava a desejar que o garoto arrumasse logo uma namorada. Vê-lo sem reação alguma era hilário e quase tão prazeroso quanto enfrentar um poderoso adversário.

Repousando sob a mesa, Glaceon deixou escapar um leve suspiro. Sentia um pouco de pena do moço. Fora uma brincadeira maliciosa ou outra, ele não era alguém ruim de se ter por perto. Observá-lo ser censurado pela sua dona fazia um súbito desejo de se desculpar com o adolescente surgir em seu peito.

– Eu entendo que queiras treinar, mas lesões como esta – Apontou com a mão livre para o carpo inchado do assassino. – irão prejudicar o seu bem-estar físico se não receberem a devida atenção.

‘Ah, se ela soubesse…’, refletiu com uma pontada de amargura. Um pulso deslocado e um lábio ensanguentado não eram graves o suficiente para lhe deixar preocupado. Verdade seja dita, tornavam-se insignificantes quando comparados àqueles que obtivera ao longo dos anos sob a tutela da Murders e posteriormente da Silver Witch. Seu primeiro encontro com ela lhe rendeu múltiplas fraturas e um pulmão perfurado.

Achou por bem não revelar isso a loira e nem que já havia posto os ossos deslocados de volta no lugar. Tinha dúvidas de que a informação fosse capaz de alterar sua conversa atual sem levantar questões que preferia manter no passado.

– Pelo menos me prometa que vais cuidar melhor de si mesmo, Taiyou-san. Por favor… – Solicitou Rathy, em um tom de voz que o fazia sentir-se como se tivesse dado um chute em um pobre filhotinho. Seus olhos brilhavam como que suplicando, um misto de preocupação, zelo e apreensão dançando em seu âmago.

Não sabia se deveria sentir-se culpado por fazê-la ficar tão preocupada ou apenas permitir-se ser hipnotizado por uma cena tão encantadora como a que tinha perante seus olhos. Era difícil experienciar algum peso na consciência enquanto fitava a garota. Além do mais, era estranho ter alguém tão abertamente preocupado com o seu bem–estar físico. Os únicos que apresentaram algum interesse durante os últimos cinco anos foram Zoroark e a Silver Witch, e… bem, nenhum dos dois fazia o tipo emotivo.

– Ainda creio que uma lesão leve como esta não me causará qualquer contratempo… – Divagou, deixando escapar um leve suspiro. A moça franziu as sobrancelhas, a sombra de um beicinho ameaçando surgir em sua face. – mas posso ao menos tentar maneirar durante minhas sessões de treino se estiveres disposta a fazer alguns sanduíches para eu ter o que comer após me exercitar.

‘Tentar’ era a palavra-chave. Não voltaria a utilizar uma Meteo Arts Dance contra o gladiador tão cedo, mas se segurar contra um adversário experiente não era uma façanha que pretendesse realizar. Até onde sabia, fazer algo do tipo resultava apenas em uma cova precoce. Sem falar que teria de lidar com Zoroark rindo da sua cara por algumas semanas, no mínimo. A expressão facial do vulpino só corroborava suas suspeitas.

– Sim! – A loira respondeu, um sorriso radiante agraciando suas feições. – N-Nesse caso, será que eu poderia assisti-lo de vez em quando? – Perguntou de maneira tímida, um leve rubor florescendo em sua face.

Ergueu a bolsa de gelo pressionada contra o pulso do garoto e recitou um breve encantamento. Uma aura gélida dançou ao redor do item, minúsculos cristais azuis cintilando sob a luz do sol. Encostando-o uma vez mais contra o ferimento, viu o moço retrair o braço de leve. Não pôde evitar que um riso baixo lhe escapasse aos lábios. A reação fazia-a recordar de seu irmão mais novo.

– Não conte a ninguém sobre o que ocorreu durante estes últimos dez segundos, e negócio fechado. – Murmurou pelo canto da boca, desviando o olhar em sinal de constrangimento. Conseguia ouvir os risos abafados de Zoroark por sobre o seu ombro. Teria de aturá-lo caçoando disso pelos próximos dias. – Contudo, eu começo minhas atividades bem cedo. – Fez uma pequena pausa para que a informação fosse absorvida antes de acrescentar. – Quatro horas da manhã, para ser mais exato.

O horário, a primeira vista considerado peculiar, possuía uma simples e excelente justificativa, ao menos do ponto de vista do adolescente. Treinar sob o manto da noite enquanto a esmagadora maioria dos instrutores e alunos da academia ainda dormiam lhe fornecia a privacidade e liberdade de usar as técnicas da Silver Witch sem levantar mais perguntas sobre sua identidade. Perguntas as quais não tinha qualquer desejo de responder. Ademais, evitava que Ariel fosse vista lhe fornecendo ‘tratamento especial’. E, como diretora, manter um ar de imparcialidade era um movimento inteligente.

Contudo, do seu ponto de vista, Rathy e Julie podiam ser consideradas como exceções à regra. Iria lutar ao lado delas durante a Battre de Champions, afinal. Ainda que mantivesse segredo sobre suas habilidades – algo que, por sinal, não fizera qualquer esforço em preservar – não poderia evitar que perguntas surgissem ao longo da competição. Para uma equipe, dúvidas internas e desconfiança eram o pior dos inimigos. Além do quê, a loira já tinha conhecimento de seu relacionamento peculiar com a Silver Witch. Observá-lo trocar golpes contra o Pokémon da diretora provavelmente não iria surpreendê-la... Tanto quanto aos outros alunos, pelo menos.

– Por isso, não se sinta pressionada em estar presente quando eu começar. As sessões costumam durar algumas horas, e Zoroark pode levá-la até onde eu estiver. – Comentou, esboçando um calmo sorriso. O animal ilusório resmungou algum xingamento, mas por fim deu de ombros. – Negligenciar os seus momentos de repouso é prejudicial à saúde, especialmente para um Astralis. – Recordou em um tom sério e sereno.

– Eu sei... – Assenti Rathy, franzindo suas sobrancelhas de leve. Seus olhos esmeraldinos saltaram do inchaço em seu pulso e focaram em seu rosto, um leve traço de preocupação presente neles. – Agradeço que te preocupes comigo, mas... E quanto ao seu próprio bem-estar, Taiyou-san? – Indagou.

– Não há razão para isso. – Tranquilizou, deixando que seu olhar deslizasse até a linha das árvores. – Adquire-se vários hábitos e habilidades após meses com o pé na estrada. Despertar ao menor ruído e precisar de poucas horas de sono, por exemplo. – Ergueu a mão livre e indicou Zoroark com o polegar, semicerrando suas pálpebras. – Especialmente quando sua única companhia é um esplêndido exemplo de psicopata. – Se o canídeo sentiu-se ofendido, não deu quaisquer sinais.

Era uma meia-verdade. Seu tempo viajando aperfeiçoou alguns de seus ‘dons’, se é que podia chamá-los assim, mas não foi durante estes dois anos que aprendeu a permanecer acordado por dias ou recuperar as energias após um breve momento de descanso. Tal qual a marca em suas costas, era algo que fora instilado em seu corpo e mente durante seus anos sob a ‘tutela’ da Schwarzfieldz, uma das muitas facções que compunham a Murders. A lembrança o fez sentir um gosto amargo e metálico, chamas ilusórias dançando perante aos seus olhos.

– E-Entendo. – Sorriu Rathy, um riso nervoso acompanhando suas palavras. A relação compartilhada entre o adolescente e o animal ilusório divergia do que veio a esperar de um Astralis e o seu Pokémon. – Bem, contanto que não estejas superexigindo o seu corpo... – Suspirou, sua atenção caindo uma vez mais sobre o pulso do garoto.

...Por algum motivo, tinha a nítida impressão de que esta não seria a última vez que o encontraria com hematomas obtidos de maneira similar.

– Mudando um pouco de assunto, – Ergueu os olhos ao ouvir a voz do assassino, ostentando uma expressão de austeridade. – ainda temos que planejar o próximo passo em relação à Battre de Champions. – Relembrou Taiyou, bosquejando uma careta por alguns segundos.

Não era como se a perspectiva de uma competição em equipes o desanimasse ou o aborrecesse. Contudo, tinha de admitir que trabalhar apenas com Zoroark como companhia era uma tarefa significativamente mais simples. O número de variáveis que tinha com que tinha de se atentar crescia de maneira considerável com outra dúzia de indivíduos ao seu lado.

– Pensei que pretendesses treinar a mim e à Julie? – Questionou a loira, inclinando a cabeça de leve para o lado, as sobrancelhas arqueadas em um leve sinal de dúvida e preocupação. Ao menos fora o que ele havia lhe dito.

– Eu ainda preferiria aguardar outras três semanas antes que comecemos com as lições.  – Esboçou um sorriso contrito por um breve momento, antes que suas feições se suavizassem. – No entanto, não há porque se incomodar. – Reconfortou usando de um tom de voz gentil. – Com o nível atual das suas habilidades, duvido que haja um número particularmente alto de estudantes que possam lhes causar grandes problemas.

Além do que, se o relato de Zoroark fosse confiável, não acreditava que Valentina fosse tentar algo contra as garotas… tão cedo, pelo menos. A aparente falta de interesse de sua ex-companheira demonstrou por elas era uma benção disfarçada. O resultado do pequeno enfrentamento entre as três teria sido bem diferente se ela tivesse levado-as a sério. Autocontrole e moderação não eram conceitos que ela exercesse com a devida frequência durante um conflito.

Desconhecia as motivações e intenções da usuária de foice, e não imaginava a razão de sua associação com a nova Liguria Aquallir. Faltavam peças demais do quebra-cabeça para que obtivesse mesmo que um vislumbre do quadro completo. No entanto, pelo que pôde perceber, a atenção de Valentina aparentava estar direcionada apenas a ele. Era grato por isso. As chances de ela assassinar alguém ou se ferir eram consideravelmente menores enquanto a situação permanecesse assim.

– Dito isso, não há motivo para ficarmos sem fazer nada durante os próximos dias. – A brisa tocou-lhe o rosto, dançando pelos seus cabelos e acariciando sua face. O vento carregava a fragrância tranquilizante de grama recém-cortada. – Por hora, seria melhor recrutar mais um ou dois Astralis especializados em combate a curta ou média distância. – Analisou, estreitando as pálpebras. Por ironia do destino, a versatilidade e variabilidade da equipe era também um ponto fraco a ser explorado.

– Sim. Julie falou algo semelhante alguns dias atrás. – Contou Rathy, induzindo o garoto a erguer de leve uma das sobrancelhas. Era uma análise de força de combate surpreendentemente calma. Pensava que a morena fosse mais do tipo impulsivo. – Tens alguma recomendação? – Questionou, seus olhos esmeraldinos fitando os azuis do rapaz.

– Eu ia lhe perguntar a mesma coisa… – Murmurou, deixando os seus ombros caírem em leve desânimo. A loira redarguiu com um olhar semicerrado, sobrancelhas franzidas e uma bochecha inflada. Perante a expressão curiosamente encantadora, só pode erguer a mão em sinal de derrota. – Entendido. Dê-me um minuto para refletir.

Verdade seja dita, podia contar nos dedos de uma mão o número de alunos com quem trocava mais do que meia dúzia de palavras em um dia. E mesmo entre esses… Idade à parte, Iri era inexperiente demais como Astralis para participar em uma cerimônia no formato da Battre de Champions. Teria de fazê-la vivenciar o inferno na terra se pretendesse reverter tal situação em menos de meio ano. Desnecessário mencionar que não era uma ideia que estivesse propenso a realizar.

Levando-se em consideração que praticamente todas as suas interações com Kristi Hairetch consistiam na garota lançando-lhe olhares ríspidos, críticas afiadas enquanto exala uma aura inquietante que o recordava dos segundos antes de um confronto, podia descartá-la também. Mesmo que conseguissem recrutá-la, coordenar suas próprias ações com as dela talvez provasse ser um desafio por si só. E Ren—

…Na verdade, o ruivo não era uma má escolha. O garoto visitou-o algumas vezes depois que recebera alta da enfermaria. A despeito de sua atitude aérea e insólita, ou quem sabe por causa disso, ele era uma companhia agradável. Ademais, era um brilhante jogador de xadrez, com destaque na maneira com que utilizava os bispos. Suas únicas reservas eram não fazer ideia de qual era a Viralt e a extensão de sua destreza em combate. O ruivo não participou de nenhuma das sessões de treino desde que Taiyou ingressou na academia.

– Que tal o Ren?

– Ren-san? – Repetiu Rathy, apoiando o queixo contra o polegar e o indicador. Glaceon ergueu uma sobrancelha e fitou os estudantes com ligeira curiosidade, antes de tornar a pestanejar. – Sem dúvidas, ele é um excelente Astralis. Desconfio que não haja muitos alunos que possam derrotá-lo em uma disputa de um contra um. – Relatou, inadvertidamente incitando o entusiasmo de Zoroark. – Porém, talvez exista um contratempo. – Comunicou, revelando uma expressão dúbia.

– Eu já devia imaginar… – Suspirou, apertando a ponte do nariz. A simples menção de um empecilho começava a lhe causar uma dor de cabeça. Regigigas, assassino da Murders, Battre de Champions… Sua vida ficou bem mais complicada desde que retomou contato com a Silver Witch. Uma maldição, talvez? – Qual é o problema? Ele já entrou para outra equipe? – Voltariam à estaca zero se fosse o caso.

– Não. É o exato oposto. – Fez um meneio com a cabeça. Examinando o semblante confuso do assassino, permitiu-se um sorriso acanhado. – Desde o início do ano, Ren-san recebeu inúmeros convites para participar da competição, mas recusou a todos sem dar uma razão específica. – Comentou, e seu olhar recaiu sobre o próprio colo. – Julie e eu tentamos também, mas…

– Compreendo. – Anuiu, franzindo o cenho. Não esperava que houvesse outro aluno sem desejo de participar na competição. Em geral, ter um desejo concedido pelos deuses era um excelente incentivo. – A propósito, sabes que tipo de Viralt ele possui?

– Se eu me recordo corretamente, ele é um usuário de lança. – Respondeu a moça, enrolando uma mecha de seu cabelo loiro-platinado ao redor de um de seus dedos. – Não acho que ele a tenha empunhado mais do que meia-dúzia de vezes ao longo do ano.

– Justo o que precisávamos… – Murmurou em um tom desprovido de emoção, suprimindo uma série de pragas. Aquilo só podia ser um caso extremo de má sorte ou uma maldição da Silver Witch. – Bem, não custa nada perguntar uma vez mais. Com sorte, talvez consiga convencê-lo. – Não acreditava que fosse possível, mas um fiapo de esperança era melhor do que nada.

Do ponto de vista estratégico, um lanceiro talvez fosse a melhor adição possível à equipe no momento; alguém que servisse como ponte entre Taiyou e Julie, alternando entre ataque e suporte. A lança era, por definição, uma arma versátil e trabalhosa de se dominar. Em certos aspectos, a postura do usuário e o posicionamento das mãos eram mais importantes do que ao manusear espadas. Quando isso acontecia, contudo… Estocadas rápidas e precisas mirando as articulações, ataques em arco de longo alcance, liberdade de alcance, proficiência em táticas de bater e correr, excelência em combate a curto e médio alcance.

E ainda havia uma última particularidade a considerar: lanças são eficazes contra espadas pela ausência de um método satisfatório de aparar suas investidas com uma lâmina. Bloqueios fortes apenas resultariam em um contra-ataque, enquanto que desvios menores não produziriam uma abertura satisfatória. Para vencer, um espadachim teria de fazer o lanceiro adentrar em sua área de alcance. Estocadas representam um perigo também, mas é possível evitar golpes em pontos específicos calculando a trajetória do movimento.

– Eu deveria puni-los por cabular aula, Taiyou Hildebrand. Rathy Luftkalt. – Advertiu uma voz com a qual já estava muito familiarizado. Ouvindo-a, o assassino não pôde evitar que um suspiro baixo e desanimado o deixasse.

Virando a cabeça em direção ao som, não se surpreendeu ao ver Kristi parada em pé diante do arco que levava ao interior do refeitório, com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão rígida agraciando suas feições. Seus olhos, dourados como o sol poente, fitavam-no com uma intensidade desigual. Quase como um predador prestes a saltar sobre sua presa; um desafio silencioso.

Uma centelha pareceu inflamar em seu peito. Seu coração acelerou; sangue correndo para suas extremidades com um vigor renovado. Os dedos de suas mãos formigavam, ansiando pelo cabo de suas espadas. Os selos de suas Viralts aqueceram, brilhando de maneira tênue sob a sua pele. Mantinha o olhar fixo sobre a garota de cabelos róseos enquanto estudava seus arredores. Os músculos em suas pernas se retesaram, antecipando um salto. Suas pupilas dilataram e a fagulha transformou-se em um incêndio no mesmo instante. Algo em seu interior arreganhou as presas, sedento por sangue—

Respirando fundo, Taiyou reprimiu os instintos. Não era a hora, o lugar ou a situação correta para que se deixasse levar. Dar início a um confronto não iria lhe apresentar quaisquer benefícios. Sabia disso. E, no entanto, sentir-se como uma presa fazia com que os ensinamentos da Schwarzfieldz voltassem à tona. Seu corpo fora condicionado durante toda a sua infância para responder automaticamente desta maneira.

– Também lhe desejo um bom dia, Kristi. – Exclamou em indiferença, seu olhar recaindo uma vez mais sobre a linha das árvores. No fim, apenas ignorá-la era uma decisão menos incômoda do que retrucar seus comentários. – Aliás, não deverias fazer ameaças sem fundamento. Só faz com que percas credibilidade.

Teria dado na mesma ter dito ‘cão que ladra não morde’, mas aí pareceria menos com um conselho e mais com uma provocação. Essa tecnicalidade não impediu o vulpino ilusório de soltar um riso seco.

– Não é como se eu tivesse escolha. – Retorquiu de má vontade, quase como se tivesse ingerido algo amargo. – Fui instruída a ser leniente por alguns dias com os dois e Julie Vartouhi pela sua participação no incidente com Regigigas. – Revelou, deixando escapar um suspiro cansado e frustrado.

– Isso é desnecessário. – Retrucou Rathy em um tom de voz mal-humorado. Virou a face para o lado, o gesto fazendo seus cabelos dançarem em meio ao ar. – Não me sinto a vontade em receber tratamento preferencial. – Murmurou, afagando Glaceon atrás de uma de suas orelhas.

– Então somos duas… – Suspirou a primeira, exasperada. Recuperando a compostura, fitou o chão com uma expressão de desconforto. – Honestamente, também não gosto desta situação, mas há pouco que eu possa fazer se não obedecer. – Aquela informação fez um sorriso estreito brotar nos lábios do assassino.

– Ei, Zoroark. – Chamou, acomodado. Ainda com uma expressão entretida, o Pokémon sombrio voltou-se em sua direção. – Lembre-me de agradecer a Silver Witch por isso. Não é sempre que ela nos oferece uma recompensa de verdade.

O canídeo reprimiu uma risada antes de concordar com um aceno brusco de cabeça. Em resposta, Kristi semicerrou as pálpebras, a intensidade com que fitava o único moço no recinto aumentando drasticamente.

Nascida em uma família com longo histórico de serviço militar, a garota cresceu com a crença de que ninguém estava isento a regras e regulamentos. Não era incomum que encontrasse recrutas apresentando um comportamento displicente e desrespeitoso, mas eram disciplinados após duas ou três semanas sob um regime rígido e árduas tarefas físicas, por bem ou por mal.

De início, julgou que Taiyou Hildebrand fosse apenas um Astralis mediano que por acaso possuía alguma ligação com a diretora. Não vira nada demais no garoto ao levá-lo em um tour pela academia. Sua personalidade desleixada e despreocupada era, se muito, apenas um leve incômodo. Em uma instituição de ensino frequentada por jovens da alta classe, excesso de confiança em suas próprias habilidades não era uma ocorrência rara. Pensou que ele fosse apenas mais um caso desses.

A aula conjunta entre a Cyan Class e a Lazure Class dias atrás fora o primeiro indício de que sua avaliação estava errada. Neutralizar um Astralis armado sem utilizar uma Viralt ou interromper o seu fluxo de Astral Energy era uma tarefa difícil mesmo para um oficial superior dos Arcane Knights. E, contudo, o garoto o fez com tanta naturalidade e simplicidade que fez um arrepio lhe correr a espinha, para sua surpresa e ligeiro desprazer.

O segundo indicativo, admitidamente mais impactante, fora o combate que o jovem travou contra um Regigigas ensandecido, Pokémon cuja força era considerada lendária. A história havia se tornado o assunto mais discutido da academia em pouco tempo. Segundo os relatos de Julie Vartouhi e Rathy Luftkalt, as únicas duas espectadoras do ocorrido, o garoto, ainda que com alguma dificuldade, conseguiu sobrepujar o colosso ensandecido em minutos.

A declaração atiçou sua curiosidade o suficiente para que contatasse seu pai e lhe pedisse que investigasse o passado do garoto. Era incomum, embora não impossível, que um Astralis capaz de fazer o que fora dito conseguisse evitar chamar atenção da mídia ou dos militares por tanto tempo. Deveria haver algum registro, por menor que fosse, de ações similares no passado. Uma menção em algum torneio menor, registros escolares, mesmo alguma manchete em um jornal do interior. A resposta foi ao mesmo tempo decepcionante e intrigante.

Taiyou Hildebrand era, para todos os efeitos, um fantasma. Não havia qualquer documento sobre o jovem, salvo por uma certidão de nascimento, curiosamente criada a pouco mais de sete anos, e os papéis de transferência da academia. Tão-pouco havia informação sobre ele entre os países vizinhos. Isso só lhe deixava três opções realistas; ele realmente conseguira manter suas habilidades ocultas por mais de quinze anos, viera de terras longínquas ou alguém com grande importância e poder político estava prevenindo quaisquer outras informações de virem à tona.

Quanto mais pensava sobre o assunto, menos parecia compreender sobre a sua verdadeira identidade.

– Brincadeiras à parte, há algo em que eu possa ajudá-la? – Perguntou o assassino, em um gesto de genuína curiosidade. Como que saindo de um transe, Kristi piscou os olhos algumas poucas vezes antes de voltar-se em sua direção. – Já que não viestes até aqui apenas para nos repreender, deves querer alguma coisa.

– Sim. – Anuiu, suas íris douradas estudando-o por um instante antes que prosseguisse. Um suspiro silencioso pareceu anteceder suas palavras. – Me foi pedido que o escoltasse à sala do conselho estudantil. – Informou, em um tom que beirava o inconformado.

Arqueou uma sobrancelha, intrigado. Havia ele feito algo de tão errado que chamou a atenção do conselho estudantil? Não que conseguisse se lembrar, pelo menos. Honestamente, desconsiderando o alto número de aulas que cabulava para poder ficar à toa, estava se esforçando para manter um comportamento ‘aceitável’ desde que ingressara na academia. Ou tão perto disso quanto possível.

– Por acaso atacaste algum aluno na floresta? – Perguntou o moço, sua atenção recaindo uma vez mais sobre Zoroark. De imediato, o Pokémon sombrio revelou uma expressão consternada, vocalizando uma série de rosnados e ganidos. – Não. Para falar a verdade, eu consigo imaginar essa cena com uma clareza de detalhes impressionante. – Redarguiu, semicerrando as pálpebras.

Com um estalo de língua, o vulpino ilusório desviou o olhar e deu de ombros. Não mantinha um registro sobre quem resolvia provocar durante suas expedições pelo terreno da escola. Se o indivíduo apresentasse algum indício de ser forte ou que poderia lhe proporcionar um desafio moderado, o animal sombrio não se preocupava muito com a identidade do agredido. Talvez um dos Pokémons pertencesse a algum Astralis.

– Vocês não infringiram nenhum regulamento da academia. – Esclareceu Kristi, em um tom de quem deixava por dizer “que eu saiba”. Seu olhar pairava com cautela sobre o canídeo. – A presidente apenas o convidou para que possam conversar. – Sua posição quanto à decisão era evidente.

– Então é isso… – O assassino assentiu, proferindo um “hum” indiferente. Apesar de inesperada, não era uma proposta que possuía o potencial de deixá-lo em uma posição adversa. – Muito bem. Mostre o caminho.

Verdade seja dita, estava interessado em descobrir a razão para a convocação. Era sensato presumir que houvesse um motivo oculto para tal ação; provavelmente uma nova tentativa de persuadi-lo a entrar em alguma equipe. Todavia, se não fosse o caso… Não. Mesmo que fosse isso, o curso de ação que lhe causaria menos problemas seria ouvir o que tinham a dizer e recusar cordialmente.

Em determinados aspectos, os poucos hectares que compunham o território do internato formavam um mundo à parte daquele que conhecia; um em que palavras gentis e gestos educados de fato funcionavam. Frágil, talvez, mas reconfortante.

– Taiyou-san. – O assassino voltou sua atenção em direção à loira.  Suas sobrancelhas estavam levemente franzidas e seus olhos cintilavam em meio à preocupação. – Por favor, não faça nenhuma loucura. – O simples pedido quase soou como uma súplica.

– Vamos lá; não é como se eu não soubesse me cuidar. – Comentou. Semicerrando as pálpebras, Rathy fitou-o de maneira impassível por um breve instante antes que sua visão recaísse sobre o seu pulso machucado. – Apesar das provas contrárias, eu costumo cuidar de minha saúde física. – Esboçou um sorriso tenso, coçando a nuca com certo nervosismo.

– Passe uma semana sem algum novo ferimento, e aí eu acreditarei nestas palavras. – Respondeu, lançando-lhe um olhar cínico. O rapaz respondeu com uma risada nervosa, como uma criança pega no meio de uma travessura. Deixou escapar um suspiro e olhou de soslaio para a outra garota. – Impeça-o se ele tentar alguma coisa.

– Não precisa dizer duas vezes. – Concordou Kristi, a mais leve insinuação de um sorriso dançando pelas suas feições.

Perante a desconcertante consonância alcançada pelas duas garotas, Taiyou pôde só deixar um leve suspiro de desânimo escapar e dar-se por vencido. Erguer sua voz em protesto por conta de uma trivialidade serviria apenas para prolongar o assunto.

Ao invés disso, optou por se levantar. Deslizando uma das mãos pelo tampo da mesa, sentiu os dedos delicados da loira tocarem sua pele. Aqueles poucos e breves instantes foram curiosamente agradáveis. O toque da garota era gentil e, apesar da bolsa de gelo que segurava, quente.

Após ter recolhido o braço por completo, examinou a contusão. O inchaço havia decrescido um pouco, mas seu pulso estava dormente por conta da exposição ao frio. Talvez fosse irrelevante dentro do ambiente escolar, mas não conseguiu impedir uma careta. Ao longo de sua vida, uma articulação entorpecida nunca fora um bom sinal. Deixando o pensamento de lado, fitou Zoroark uma vez mais.

– Quer vir comigo ou ir se exercitar um pouco? – Com um movimento suave de sua cabeça, indicou a linha das árvores. Uma mera formalidade; sabia a resposta do vulpino antes de perguntar.

Um sorriso de tubarão floresceu em seus lábios, fazendo calafrios correrem por sua espinha. Removeu os pés de cima da mesa, um baque sucedendo a colisão das pernas dianteiras da cadeira contra o piso do refeitório. Ergueu-se sem qualquer ruído e estirou os músculos de seus braços. Virou em direção a floresta com um rodopio e flexionou os joelhos.

O pulo cobriu uns bons quatro metros de distância. Mesmo para os padrões do canídeo, era um alcance considerável. Olhando por sobre o ombro, o Pokémon ilusório mirou-o nos olhos por uma fração de segundos antes de resumir seu avanço. Desapareceu por entre a vegetação pouco tempo depois.

– Eu não quero imaginar… – Murmurou em voz baixa, apertando a ponte do nariz entre o polegar e o indicador. Aquele semblante predatório dificilmente era um arauto de boas notícias. – É melhor irmos indo. Não quero ser responsabilizado por nada que ele possa vir a fazer. – Advertiu. No pior dos casos, uma área significativa da floresta seria reduzida a um mar de chamas e sangue.

Pelo lado positivo, o Pokémon dormiria como uma criança.

– Ele causará algum tipo de problema? – Questionou Kristi, seu tom se revelando uma estranha mescla de seriedade, desconfiança e receio.

– Isso é como perguntar se o céu é azul. – Retrucou em um dar de ombros. A habilidade de Zoroark em resolver problemas provinha, afinal, de seu inacreditável talento em criá-los. – Bem, não acho que ele vá atacar algum estudante, pelo menos. – ‘Tomara’, concluiu em seus pensamentos.

– …Entendo. – A garota anuiu após um breve instante, ainda que com certas reservas. Só podia torcer para que ela não enviasse um grupo de busca atrás do Pokémon. A indulgência de seu companheiro ia só até determinado ponto. – Há mais algumas coisas que eu gostaria de averiguar, mas creio que deva deixá-las para mais tarde. – Dando meia-volta, andou alguns passos em direção ao portão antes de adicionar. – Sefilyra já deve estar ficando impaciente… – Sussurrou, mais exaurida do que preocupada.

– Heh…? – Ergueu uma sobrancelha em um repentino surto de interesse. Começou a caminhar, mantendo uma distância respeitosa da moça. – Tenho a impressão de que estás para me apresentar a uma pessoa singular.

– É uma maneira de dizer. – A réplica suspirada só serviu para por um pequeno sorriso em seu rosto.

Talvez a pequena reunião não fosse ser tão ruim.
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