Pokémon Mythology
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Lâmina da Salvação

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Lâmina da Salvação

Mensagem por Odahviing em Qua 22 Jan 2014 - 14:19

Para aqueles que ainda não me conhecem, sou Odahviing. A mais recente adição ao Pokémon Mythology. Como dito no balcão de apresentação, venho acompanhando o site como visitante faz algum tempo e achei que seria a hora fazer uma participação mais profunda por aqui.

E uma delas, é a postagem dessa estória aqui: Lâmina da Salvação. Antes de lerem, tenham em mente de alguns detalhes, por favor:

Primeiro: Essa história entra na faixa etária de 16 anos por conta de vários cenários de sangue e horror que serão incluídos em um futuro próximo. Por isso crianças, vocês foram avisadas.

Segundo: A história se passa no mundo do primeiro jogo de Pokémon Mystery Dungeon. Ou seja, ela não tem nada a ver com algum humano já que nesse mundo a humanidade não existe. Ela será uma modificação pessoal minha porque, em termos de história,é bem imatura e cheia de furos (isto é, a história original não é minha criação e sim da Nintendo e Gamefreak). Por isso, estou desenvolvendo uma versão mais madura e também mais realística e original para adequar a todos os públicos.

Terceiro: Acredito que o gênero satisfaça a maior parte dos leitores. Para aqueles buscam mais uma fanfic de ação, aqui vai ter. Para aqueles que buscam romance, aqui vai ter. Para aqueles que gostam de comédia, aqui vai ter (um pouco). Então, espero que eu consiga trazer esses pontos marcantes de maneira adequada e ao mesmo tempo divertida para vocês.

Quarto e não menos importante: Normalmente costumo escrever muito (de 3000 a 6000 palavras por capítulo, a depender da minha inspiração).

Bem, antes de postar, gostaria de saber se vocês aceitam esses termos. Pelo sei, alguns de vocês têm aquela preguiça de ler um texto grande.  lol!


Última edição por Odahviing em Qua 22 Jan 2014 - 17:41, editado 1 vez(es)
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Re: Lâmina da Salvação

Mensagem por GodFire em Qua 22 Jan 2014 - 14:25

Por mim esta ok, eu gosto de fic PMD. Mas obvio, só lerei até o final se gostar mesmo.
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Re: Lâmina da Salvação

Mensagem por LANGDON em Qua 22 Jan 2014 - 15:30

Aguardando o primeiro capítulo. O pessoal costuma fazer Fics mais sobre treinadores e os assuntos que já são abordados no Anime, o que torna as histórias totalmente desinteressantes e batidas. O universo Pokémon pode ser muito bem aproveitado com outros fins, admiro que você tenha reconhecido isso. Boa sorte com o andamento!
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Re: Lâmina da Salvação

Mensagem por Odahviing em Qua 22 Jan 2014 - 17:40

@LANGDON escreveu:Aguardando o primeiro capítulo. O pessoal costuma fazer Fics mais sobre treinadores e os assuntos que já são abordados no Anime, o que torna as histórias totalmente desinteressantes e batidas. O universo Pokémon pode ser muito bem aproveitado com outros fins, admiro que você tenha reconhecido isso. Boa sorte com o andamento!

Exatamente, os sites de fanfics por aí na maioria só tem essas estórias de treinadores e de jornadas que estamos todos acostumados a ver no anime. No caso de PMD, achei o contexto bem vago e precisava de sérias modificações para adequar à faixa etária adolescente. Por isso que coloquei na faixa de 16 anos, por causa de cenas de sangue e horror que planejo colocar no futuro.


Bem, espero que vocês gostem do que verão por aqui!


Capítulo 1: Amnésia

Quando pensamos em uma floresta, normalmente pensamos em um lugar pacífico e aconchegante onde o vento encontra as árvores e a grama; gentil e constantemente acariciando suas folhagens trazendo consigo uma orquestra quase silenciosa e bonita que só poderia ser ouvida por um indivíduo atento.

Uma certa floresta em questão possui exatamente essas características. Bem, possuía melhor dizendo. Nos últimos anos, vários desastres vêm ocorrendo pelo mundo todo, perturbando assim o equilíbrio das forças da natureza. Fissuras maciças no solo engoliam vilarejos inteiros, tsunamis e grandes correntes de lava lutavam entre si por dominância sobre a terra, o céu normalmente azul às vezes também mostra sua fúria com seus poderosos ventos e assustadores raios. Por algum milagre inexplicável, tais eventos ainda não haviam mostrado interesse pela floresta, mas os efeitos já podiam ser sentidos pela população local. Todos sabiam que era só uma questão de tempo.

No entanto, a verdadeira importância da floresta na história do mundo iria se manifestar de uma forma que poucos poderiam imaginar. Nesse mesmo lugar, os caminhos de dois seres nada ordinários irão se cruzar para formar uma jornada também nada convencional que será lembrada por vários milênios.

As engrenagens do destino já começaram a girar...




Parecia um tarde qualquer na Floresta das Árvores Baixas. O céu estava azul e parcialmente nublado como o de costume e o ambiente da floresta era pacífico, dando até para ouvir o balançar das folhas com clareza. A única anomalia nos últimos dias foi só uma pequena fissura que surgiu do nada e assustou alguns dos Pokémon na vizinhança. Fora isso, o dia parecia normal.

Mas nem para todos. No meio da floresta, havia um Gallade inconsciente deitado na grama de uma forma que passantes pensariam que estava apenas dormindo. Contudo, sua presença ali já seria um forte centro de atenção, isto é, se houvesse sequer alguém nas redondezas. Membros da linhagem Ralts não eram facilmente no continente de Resco, sendo dito o contrário em seu irmão distante Tresjura. Em adição, o Gallade de questão possuía uma pele azul e uma protuberância laranja ao invés do costumeiro verde e vermelho e vestia uma túnica cinza, o que era estranho considerando que Pokémon raramente precisavam de vestimentas.

Ao mesmo tempo, uma Latias chamada Anora flutuava vagarosamente em rota de colisão com o estranho. Ela estava chateada com seu mais recente fracasso em se juntar à Organização dos Resgatadores na Praça Pokémon, uma conquista que sonhava desde que quando ainda era adolescente. E é quase estranho pensar alguém como Anora, uma Lendária, perder em um mero exame de admissão. O motivo é porque ela nunca tinha sido uma boa lutadora na vida, como esperado de um Lendário. Suas feições eram mais concentradas nas áreas de caça e da engenharia, já que eram coisas que precisava para sua própria subsistência. Anora treinou algumas vezes no Dojo de Makuhita para se habituar com as exigências dos examinadores, mas no final pouco ajudou.

O único meio de entrar agora seria se ela encontrasse alguém bem forte para ser seu(ua) parceiro(a) e forma uma equipe. Mas o problema era que nunca encontrou alguém podia cegamente confiar para fazer tal acordo. Claro, a maioria das pessoas na Praça Pokémon eram frequentemente amigáveis e respeitadoras com ela apesar de sua vergonhosa reputação ser também muito conhecida, mas nenhuma se enquadrava nos padrões que escolheu para um parceiro decente. Pior ainda era que dificilmente alguém iria querê-la em uma equipe, a não ser que precisassem de alguém para algum tipo de transporte. Nisso, ela era naturalmente boa.

Se eu achasse alguém que pudesse me mostrar o caminho para ser uma boa lutadora e até formar uma equipe resgatadora comigo... Seus pensamentos vagavam constante nessa premissa, desapontada consigo mesma enquanto encarava o ininterrupto balanço das folhas da grama. Ninguém quer formar uma equipe comigo porque sou fraca. O pior é que a Equipe Malvados passou a frequentar o Dojo a maior parte das semanas e toda vez que vou pra lá, começam a me perturbar. Como vou passar no exame se o próprio destino está contra mim? Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos e então ergueu a cabeça para o céu. Arceus, eu imploro! Me mostre algum sinal de que pelo menos Você ainda continua comigo.

Com um suspiro, permitiu por um breve momento que seus sentidos focassem no vento que acariciavam suas minúsculas penas. Ele soprava gentilmente contra sua pele como se dissesse que tudo ficaria bem, como uma mãe diria a sua cria assustada. Tal harmonia fortaleceu aos poucos seu espírito ao perceber que se encontrava sorrindo sem motivo algum. Mas esse não era bem o verdadeiro presente que iria presenciar hoje.

Focando sua atenção adiante, ela encontrou a forma distinta de um Gallade deitado de barriga na grama. Anora se moveu com rapidez para o lugar onde ele estava e observou se estava bem. Estava respirando o que indicava que ainda estava vivo. Ela xingou ao lembrar que tinha esquecido sua bolsa de suprimentos em sua casa. Algumas frutas Oran vão ajuda-lo, pensou.

- E-ei! – Ela gaguejou como qualquer um que achou um corpo inconsciente. – Vou buscar algumas frutas pela floresta. Não saia daqui! – Disse às pressas antes de adentrar na floresta, imaginando que o sujeito pudesse ouvir o que falava.

Não demorou muito para terminar e voltar com quatro frutas Oran ao local. O Gallade ainda se encontrava inconsciente e ainda respirando firme. Anora não perdeu tempo e colocou uma dentro da boca dele e forçou-o a mastigar e engolir. Os efeitos começaram a funcionar logo depois quando percebeu que ele estava começando a acordar.

O Gallade se mexeu um pouco, grunhindo ininteligivelmente enquanto abria os olhos para descobrir que estava numa floresta. Logo depois notou Anora ao seu lado.

- Ah, que alívio! Você acordou! – Ela exclamou feliz e estendeu uma das garras para ele. – Aqui, coma. Elas vão ajuda-lo a recompor suas energias.

Ele olhou relutante para as frutas, mas percebeu que realmente estava com fome quando ouviu seu estômago grunhir. Muito para seu constrangimento.

- Tá vendo? Pelo menos ele concorda comigo. – Anora disse gargalhando ao mesmo tempo. Enfim, ele aceitou a oferta.

Enquanto o observava comer, Anora começou a se introduzir:

- Eu sou Anora. Te achei aqui desacordado a pouco tempo, então trouxe essas frutas pra você. Se sente melhor agora?

O Gallade a olhou seriamente como se estivesse estudando-a. Pelo que via, A Latias parecia ser inofensiva: - Sim. Muito obrigado pela ajuda, senhorita.

Anora ficou sem graça por um breve momento. Fazia muito tempo que alguém era tão cordial com ela.

- De nada. Você tem algum nome?

Ele acenou e cobriu sua cabeça com o capuz, deixando só seu rosto visível:

- Me chamo de Geo. Posso perguntar onde estou? – Falou com educação.

- Claro. Estamos dentro da Floresta das Árvores Baixas, uma floresta pequena situada ao oeste da Praça Pokémon. – Respondeu. – O que aconteceu com você?

Geo encarou o chão como se não soubesse a resposta. Na verdade, ele nem sabia como tinha vido parar nesse lugar.

- Eu não me lembro...

- Você não se lembra? – Anora o olhou com suspeita. – Bem, qual é a última coisa que se lembra?

- Para ser honesto, só meu nome. Sinto como se eu tivesse perdido minha memória: não consigo me lembrar de nada sobre mim e também de onde eu vim ou por que estou aqui. A única coisa que lembro é só meu nome. – Explicou.

A resposta era bem óbvia para Anora. O Gallade estava sofrendo de amnésia. Mas o que poderia fazer para ajudá-lo? Ela não tinha nenhuma aptidão médica e a Praça Pokémon não tinha sequer um que pudesse trata-lo nesse quesito.

De repente, Geo virou a cabeça ao sentir mais um presença se aproximando atrás dele. Uma Butterfree e pelos zig-zags que fazia, deduzia que estava bem preocupada com alguma coisa.

- Acho que devemos ajuda-la. – Ele sugeriu ao se levantar e bater em sua roupa para tirar a sujeira.

Anora já estava bem a frente dele. – E é claro que vamos. Ela é uma grande amiga minha daqui da floresta. Eu costumo brincar com o filho dela quando faço visitas.

Quando Butterfree viu a Latias, se apressou em sua direção. Assim ficaram frente a frente, começou a falar desesperadamente:

- Anora, ainda bem que te achei!

- Qual o problema, Butterfree? – Anora perguntou.

- É Caterpie! Ele ficou preso naquela fissura que apareceu naquele dia, se lembra? Eu tentei descer para tentar tirá-lo de lá, mas meu corpo não cabe para alcança-lo no fundo. – Na verdade, ela também que Anora não dava para alcançar o fundo, mas toda ajuda era bem-vinda quando se tratava de seu filho. Foi então que ela percebeu Geo chegando por trás de Anora. – Quem é esse?

- Ah, esse é Geo. Te conto mais assim que tirarmos seu filho da fissura, certo?

- O que está acontecendo? – Geo entrou na conversa. Mal terminou e Butterfree já começou o relato.

- Meu filho, senhor. Por favor, você tem que me ajudar! Ele está preso em uma fissura não muito longe daqui. Ele caiu lá quando foi pegar uma fruta Pecha e agora não consegue subir sozinho.

- A senhora pode nos levar ao local? Vamos ajudar da melhor maneira possível.

- Claro! Muito obrigado!

<>

Enquanto a dupla seguia Butterfree até o local em que a fissura ficava, Anora discutia mentalmente a possibilidade de Geo ser o parceiro que ela tanto procura. Ele parecia ser um rapaz honesto e confiável e que também podia ser prestativo já que nem hesitou ao ajudar Butterfree. Por outro lado, sua aparência definitivamente dava aquele ar de intimidação com aquele olhar sério debaixo do capuz que a deixava um pouco nervosa. Talvez ela precisaria de um pouco mais de tempo para conhece-lo melhor.

Mas será que ele aceitaria meu pedido? Pensou ao olhar para Geo que estava um pouco a sua frente. Acho que não seria uma boa ideia, afinal nós nos conhecemos quase agora!

- Chegamos! – Butterfree exclamou de repente, fazendo-a interromper seus pensamentos.

Ao chegarem nas bordas, puseram seus olhares em Caterpie lá no fundo. O pobre lagarto estava chorando e clamava pela mãe.

- Mamãe!

- Consegui ajuda, filho! Pode ficar sossegado que vamos te tirar daí! – Butterfree falou quase que gritando. Ela deixou que Geo assumisse todo o procedimento, esperançosa para que qualquer coisa que planejasse desse certo e ver seu filho são e salvo.

Instantes depois, Geo começou a fazer cálculos mentais observando as dimensões da fissura para ver se seu corpo cabia na descida até o fundo. O problema era que a mesma formava um triângulo bem estreito o que impossibilitava escalar em que sua cabeça redonda provasse ser um obstáculo no meio do caminho. Então, ele concluiu que só havia uma maneira de libertar o garoto de sua prisão:

- Vou usar Psychic para tirá-lo daí. O caminho até o fundo bem estreito e receio que cabeça não caiba até lá. – Ele relatou para as moças que acenaram ao entender sua lógica.

Com isso, Geo concentrou sua mente em envolver sua energia psíquica em Caterpie e assim que conseguiu, seus olhos começaram a brilhar num tom azulado. As moças ficaram só assistindo enquanto o Gallade trazia para cima o pequeno lagarto ao mesmo tempo tomando cuidado para não machuca-lo contra as paredes.

- Quase lá... – Anora cochichou para si enquanto Caterpie se aproximava da saída. Segundos depois, ele finalmente saiu e Geo o pôs em suas garras. – Pronto, está seguro agora.

Butterfree não conseguiu resistir sua ânsia. Ela voou até a Latias e o arrancou de suas garras para dar um grande abraço apertado.

- Oh querido, você me deixou tão preocupada! Por favor, nunca mais faça uma coisa dessas, certo?

- Não vou, mamãe! Eu prometo! – Caterpie disse entre soluços.

À distância, Anora observava a calorosa reunião familiar com um sorriso bem grande e não só isso, também abastecida com uma nova esperança. Vendo a interação dos dois insetos a fez acreditar novamente que realmente podia entrar para a Organização dos Resgatadores e que seu sonho não estava tão longe assim de se concretizar. Mas no final, tudo dependia da resposta de Geo quando ela o convidasse para seu parceiro.

Não tinha dúvidas que o estranho Gallade era a pessoa certa para ter ao seu lado já que batia com quase todos os padrões necessários que tanto procurava num parceiro. E além disso, ele é bem forte. Tanto que conhece o movimento Psychic, uma habilidade psíquica avançada usada somente por mestres nesse tipo de arte. E como ela era do tipo psíquico também, cogitou a possibilidade de Geo treiná-la para melhorar seus próprios movimentos em preparação para o próximo exame que acontecerá na próxima semana.

- Obrigada por me socorrerem quando mais precisei. – Butterfree se aproximou. – Vocês salvaram meu filho e por isso, sou muito grata.

Anora coçou o pescoço um pouco envergonhada. Ela não fez nada de significativo para receber elogios. Era Geo que merecia todo o crédito.

- Não há de quê. As coisas tem sido difíceis ultimamente com esses desastres naturais ocorrendo no mundo todo. Só estou feliz de não termos encontrado seu filho machucado.

- Desastres naturais? – Geo perguntou interessado no tópico.

- Sim, receio que sua chegada aqui não podia ser tão sortuda. Esse continente é o que está mais sofrendo com os desastres naturais por razões que ninguém ainda sabe. E poucos colocam suas vidas em risco para investigar a causa já que os Resgatadores estão ocupados salvando o máximo de vidas que conseguem. Por enquanto, as regiões próximas da Praça Pokémon foram pouco afetadas mas temo que isso não dure por muito tempo. – Anora explicou.

- Isso mesmo. – Butterfree interviu. – Essa fissura é prova do que Anora falou. Alguns dos Pokémon que moravam aqui migraram para as florestas do noroeste onde os efeitos são menores. O lado leste do continente é o que mais sofre por causa das Montanhas Lendárias, pelo que soube. Rumores dizem que os deuses que as habitam estão mostrando sua fúria contra o mundo. Bem, é o que andam dizendo por aí.

- Esse pessoal nunca para de assustar os cidadãos. – Anora comentou. Era por causa dessa gente que a Praça Pokémon não recebe mais tanto turistas de outros continentes como antes.

- Bem, já temos que ir. – Butterfree disse quando notou os primeiros traços da iminente noite. – Mais uma vez, agradecemos por sua ajuda. Se precisarem de alguma coisa, pode contar conosco, certo? Boa noite para vocês.

- Boa noite. – A dupla respondeu e observaram a família adentrar novamente pela floresta, deixando os dois a sós.

Depois um certo silêncio, Anora criou a coragem de engajar novamente em uma conversa com Geo:

- Sabe, estou feliz que você tenha ajudado eles. Pude ver que você é bem forte já que você é capaz de usar Psychic de forma perfeita e bem precisa. Normalmente, levaria meses para dominar uma habilidade desse nível.

- E aonde você quer chegar com isso? – Geo respondeu com suspeitas. Ele não era idiota. Sabia que Anora queria alguma coisa dele.

Direto ao ponto, é? Ela pensou. Então, era agora ou nunca.

- Bem, e-eu estava pensando se v-você não se importaria de formar uma Equipe Resgatadora comigo. Como o próprio nome diz, nosso trabalho seria resgatar Pokémon em apuros pelo continente e ajudar aqueles que precisam. São tempos difíceis, acredite. Vidas são perdidas diariamente e sinto que devo fazer algo para conter isso da melhor maneira possível. Mas... – Nesse momento, ela evitou o olhar dele com vergonha do que viria a dizer em seguida. – Ninguém quer criar uma equipe porque todos sabem que eu sou fraca. Nunca fui lutadora, por isso imaginei que você pudesse me ajudar a treinar para ser alguém como você. O que acha?

Para ser honesto, Geo ficou surpreso com o pedido. Não imaginava que um Lendário pudesse ter uma vida tão sofrida como dessa Anora. Enfim, ele avaliou suas opções. Primeiramente, ele podia recusar já que nada realmente interessava para ele. Geralmente, uma luta de civilização contra natureza acaba com último ganhando. Mas isso deixaria um peso emocional ao pensar no desapontamento de Anora que seria uma possível aliada nesse mundo desconhecido. Segundo, ele podia aceitar e treina-la para ser uma resgatadora. Assim, os dois poderiam ajudar de alguma forma a diminuir o ritmo de mortes pelo continente o que daria um motivo para não se sentir perdido pelo mundo.

Assim que chegou uma conclusão, ele encarou Anora que esperava ansiosamente pela resposta. Só esperava que isso não levasse para sua morte.

- Bem, nós nos conhecemos agora pouco. Mas sua causa parece ser nobre e além disso, seria a melhor opção já que ficarei facilmente perdido se eu seguir sozinho. Também, acredito que você seja a única pessoa que devo confiar no momento e se tudo correr certo, acharemos para esse meu enigma. Então... eu aceito sua oferta.

Assim que terminou sua palavra, Geo se viu abraçado pela Latias que chorava de alegria em seu ombro. Ele não podia evitar de mostrar seu sorriso de compaixão por ela.

- Ser uma resgatadora significa tanto assim para você? – Ele perguntou quando ela parou de soluçar um pouco.

Anora acenou:

- É um sonho que tenho desde que eu era adolescente. Sempre quis fazer minha parte para ajudar os necessitados, sabe? Toda vez que vou para a Praça Pokémon eu sempre acabo escutando notícias da morte de alguém por causa de um desastre natural e me deixa triste em pensar que eu poderia ter feito alguma coisa pra prevenir isso, mas não sou forte o bastante ainda. Com você junto comigo, acho que temos chances pra fazer algo de bom por aqui. E por isso, eu te agradeço de coração.

- Não há de quê. Tenho certeza que nós seremos uma das melhores equipes que já existiram.

- Unhum! – Anora sorriu.

Momentos depois, ela se acalmou e soltou-o de seu aperto. Agora que os dois seriam parceiros, só faltava mais uma coisa:

- Bem, se precisar de um lugar para dormir você pode ficar lá na minha casa pelo tempo que quiser. Quando formarmos nossa equipe, ela passará a ser nossa base de operações.

- Por favor, não. Acho que não seria apropriado da minha parte ser um estorvo para você. – Geo recusou por educação, mas não podia negar que seria melhor do que dormir em ambiente aberto.

- Que nada. Na verdade, insisto que venha comigo.

-Está bem, então. Para onde vamos?

- Minha casa fica num penhasco logo acima da Lagoa da Cachoeira que fica ao norte da Praça Pokémon. É uma vista e tanto, te garanto.

<>

Precisou de quase dez minutos para os dois chegarem ao penhasco em que ficava a suposta casa de Anora. Apesar do tempo considerável que ficaram se movendo juntos, pouco havia sido discutido entre os dois. Anora ainda se sentia um pouco tímida para se aproximar mais de Geo para tentar conhece-lo melhor, mesmo que seu problema de amnésia. Mas toda vez que olhava para ele e via aquele olhar sério debaixo daquele capuz, ela sentia que talvez não fosse uma boa ideia perturbá-lo com conversa fiada. E parecia mesmo que ele não era bem tagarela.

Pelo menos Anora esperava que ele gostasse de sua casa já que trabalhou três semanas inteiras para construir algo digno de ser chamado uma base no futuro.

- É aquela casa ali? – A pergunta de Geo a fez sair de seu transe cerebral antes de notar que haviam chegado.

Agora era sua chance:

- Sim, aquela mesma. O que acha?

- Hmm... – A casa em questão era mais comparável a uma cabana do que uma casa de verdade. Era bem pequena e feita de uma forma que parecia ser a junção de um cone e a metade de uma esfera, sendo que as paredes eram o tronco do cone e o telhado era esférico. Quanto ao material, as paredes foram construídas por madeira convencional pintada de amarelo e também reforçada por suportes de mesmo material só que mais rígido; e o telhado foi confeccionado com uma aglomeração de pedras avermelhadas locais, de alguma maneira coladas entre si para manter a integridade intacta. No lado de fora, Anora colocou uma caixa postal da mesma cor do telhado e também cercou a cabana com um muro de arbustos como toque final.

Geo não conseguia deixar de se impressionar com o tamanho do esforço que Anora provavelmente deve ter usado para fazer algo dessa magnitude. Em resumo, a casa era bem simples mas também eficientemente construída. No entanto, ainda precisava ver o lado de dentro antes que pudesse dar uma opinião apropriada.

- É muito bonita. Sinceramente, acho que o esforço que você fez aqui foi bem recompensado. – Geo opinou com honestidade. – A decoração é simples com uma beleza própria que dá aquela impressão de ser aconchegante. Se eu fosse um juiz, daria nota dez.

Ao ouvir seus elogios, Anora dançou de alegria como alguém que tivesse ganhado um prêmio lotérico. Era bom saber que pelo menos alguém apreciava seu trabalho:

- Jura? Obrigada! Eu achei que ninguém iria gostar da pintura amarela nas paredes. Amarelo não é minha cor favorita, mas presumi que combinava com o vermelho do telhado. Ainda sou meio novata em termos de decoração.

- Você fez tudo sozinha?

- Sim. Eu sempre gostei de construir coisas, sabe? Com um pouco de vontade e uns livros de engenharia que consegui na Praça Pokémon, comecei a construir para meu próprio sustento.

Geo pareceu interessado:

- Tipo o quê?

- Bem, não é nada extravagante. Só alguns baldes para me ajudar na coleta de frutas e pesca no rio aqui perto e um destilador para purificar a água do rio porque às vezes os Pokémon da floresta próxima... você sabe.

- Defecam e mijam no rio?

- É.... Mas, por favor, não vamos colocar essas imagens em nossas cabeças, certo? – Então, ela o agarrou pelo braço e arrastou até a borda do penhasco. – O que acha da vista?

Do penhasco, dava para ver o que parecia ser a Praça Pokémon, cercada por um campo de árvores e também com vista para o mar mais adiante. Era estranho pensar que os cidadãos escolheram para uma vila de quase 22 casas, mas, quando Geo colocou seu olhar onde havia uma grande concentração de silhuetas em uma parte do lugar, ele entendeu o porquê. A tal praça era na verdade o local em que os ocupantes da vila se encontravam para conversar e provavelmente puseram isso em consideração quando nomearam o local.

- Você realmente tem bom gosto com as coisas. É uma paisagem bonita. – Ele opinou.

- É.... Sempre gostei dessa vila. O pessoal daqui é bem amigável e também muito prestativo quando você tem problemas. Bem, tirando certas pessoas. – Anora disse ao se lembrar de uma certa equipe a inferniza constantemente. – Os Malvados são os únicos que são um pé no saco com os outros, principalmente comigo. Eles sabem que sou fraca e tiram proveito disso.

- Quem são esses Malvados? – Geo perguntou.

- Os Malvados são um grupo de “resgate” formado por três Pokémon. Gengar, o líder deles, é do tipo Fantasma e gosta de ser sinistro e oportunista. Ele fará de tudo pra que a reputação de sua equipe chegue ao topo. Depois, temos Arbok e Medicham, os dois comparsas dele. Arbok é uma cobra do tipo Veneno cuja mordida é botar alguém numa maca por semanas e Medicham é do tipo Psíquico assim como você. – Ela explicou.

- É, mas também sou do tipo Lutador. – Geo acrescentou.

- Verdade. Mas entenda que não procuro vingança contra eles, só acho que deveria ter meios de me defender caso venham querer me aperrear de novo.

- E por isso você quer que treine você?

- Bem, é um dos motivos. Mas o principal deles é que preciso ser mais forte pra passar no exame dos Resgatadores marcado para próxima semana. Sei que talvez não dê tempo até lá, mas estou disposta a fazer o que for preciso para atingir meu objetivo.

Geo não deixar de formar o mais imperceptível dos sorrisos ao ver a determinação da moça em sua frente. Ela tem convicção. Se continuar assim, não tenho dúvidas que será alguém importante um dia. Ele pensou.

Finalmente, ele chegou a sua decisão:

- Está bem, nosso treino começa amanhã cedo depois do café da manhã. Mas onde iremos treinar?

- A Praça Pokémon tem um Dojo que recebe fundos da Organização dos Resgatadores. Lá tem vários exercícios para vários tipos de Pokémon e também uma arena de duelos para testarmos os resultados depois de um longo treino.

- Ah, então pode ser.

- Só um aviso. Os Malvados costumam frequentar o Dojo, então há boa chance de nós tropeçarmos neles lá.

- Ótimo, quero ver se são fortes como você diz. Não suporto esse tipo de gente.

Anora não tinha dúvidas que Geo era forte, mas, caso uma luta realmente acontecesse, seria dois contra três e ela sabia não ajudaria quase em nada. Ela só conhecia Psywave como ataque e Safeguard para se defender, o que tem ajudado na hora que quisesse caçar.

- Vai mesmo lutar contra eles? – Ela perguntou um pouco preocupada.

Ele deu de ombros:

- Só me derem motivo. Relaxe, eu sei me cuidar.

- Você que sabe, então. – Com um cutuco, ela o direcionou para dentro da cabana. – Venha, já estou sono. E acredito que você também esteja depois de tudo que passou hoje.

Geo queria dizer não, mas seus músculos clamavam para que ele aceitasse a oferta. Por algum motivo, eles ainda doíam em várias partes do seu corpo.

- Acho que um descanso não faz mal algum. – Disse derrotado.

- Vamos entrar, então.

Quando entraram, o ar aconchegante tomou de seus sentidos. O ambiente era bem ventilado com as seis janelas que estavam abertas e também bem iluminado por uma espécie de lampião. Dentro da cabana, havia uma pilha de feno que parecia ser usada para fazer a cama de Anora, um tronco cortado que servia de mesa junto com uma cadeira, o destilador de madeira que ela falou antes e também vários vasos de plantas que serviam de decoração.

Enquanto Geo inspecionava a sala, Anora tomou a liberdade de pegar um amontoado de feno e colocar no lugar onde seria a cama dele. Do lado da mesa a quase um metro da cama dela.

- Aqui, essa será sua cama. – Ela disse.

- Obrigado, não precisava.  – Ele inclinou a cabeça educadamente.

- Não não, por favor. Sinta-se em casa.

- Está bem, então. – Ele tirou e a colocou do lado de sua cama antes de deitar. – Boa noite, Anora. E obrigado por tudo.

- Não, eu que agradeço Geo. Graças a você, amanhã será o começo de uma grande jornada para nós. Tenho certeza.

- Fico feliz que esteja ansiosa. Agora vá dormir, amanhã será um dia longo.

- Certo. Boa noite, Geo. E até amanhã.


Notas finais do capítulo: Como vocês devem ter notado, foi um começo bem leve. À medida que os capítulos avançam, vou aumentando o grau de violência e também a seriedade da estória. Então, peço que sejam pacientes quanto a esse ponto.

Outra coisa é que costumo começar os capítulos com uma descrição de alguma coisa que tem a ver com os mesmos. Até mesmo coisas proféticas... Enfim, não assustem se a introdução parecer estranha.
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Re: Lâmina da Salvação

Mensagem por LANGDON em Qua 22 Jan 2014 - 19:02

Legal, tem uns acentos e palavras faltando em alguns lugares, mas não atrapalha. Algo me diz que esse Geo vai se lascar.
E eu tenho uma dúvida.

Se todo mundo é Pokémon, o que exatamente eles caçam? Pokémons não-inteligentes?
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Re: Lâmina da Salvação

Mensagem por Odahviing em Qui 30 Jan 2014 - 13:10

@LANGDON escreveu:Legal, tem uns acentos e palavras faltando em alguns lugares, mas não atrapalha. Algo me diz que esse Geo vai se lascar.
E eu tenho uma dúvida.

Se todo mundo é Pokémon, o que exatamente eles caçam? Pokémons não-inteligentes?

Bem, eu não diria Pokémon não-inteligentes, mas entendi o que dizer. Bem, nesse mundo existe dois tipos de ordens de Pokémon: aqueles que entram para a civilização e aqueles que continuam selvagens. Os civilizados, por conta de leis, não podem caçar outros que estejam em sua mesma ordem, ou seja, também civilizados. Os selvagens, como o próprio nome já diz, não obedece tais regras e têm toda a liberdade de comer qualquer espécie que satisfaça seu apetite. Confesso que parece estranho, mas acredito que esse modelo seja o mais próximo que consegui bolar para esse mundo.

Se tiver mais dúvidas, é só falar!

Quanto ao capítulo, gostaria de esclarecer uma coisa que esqueci de mencionar no capítulo anterior: Aqui não existe aquela coisa de só 4 movimentos por conta da mecânica do jogo. Então, para colocar mais realismo na estória, os Pokémon são capazes de ter o número de movimentos que lhes forem possível. Claro, obedecendo as regras daquilo que eles podem aprender e não de acordo com o tipo de sua espécie.

Então, não estranhem se um Pokémon aqui usar 5 movimentos diferentes em uma mesma batalha. Será algo normal nessa estória.

Bem, sem delongas. Boa leitura!



“Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é "muito" para ser insignificante.” - Augusto Branco


Capítulo 2 – Teste de Poderes


No dia seguinte, Geo foi o primeiro a acordar. Tão cedo que notou pela janela os primeiros raios solares iluminando o céu já azul escuro para a nova manhã. Com pouco esforço, ele se levantou de sua cama e vestiu sua túnica para depois colocar sua pilha de feno de volta ao amontoado logo atrás da cama de Anora.

Muito para seu desconforto, nem mesmo ele podia controlar o barulho do feno que havia sido suficiente para acordar sua anfitriã.

– Acordou tão cedo. – Ela disse ao notar que Geo não estava mais no lugar onde estava sua cama. Seguido de bochecho, começou também a fazer o mesmo processo.

– Desculpa. É meio difícil mover o feno sem ter de acordar alguém.

– Não tem problema. Costumo a levantar a essa hora de qualquer jeito. – Pelo menos, era uma meia-verdade. Era mais cedo do que gostaria, mas podia se acostumar.

– Vamos comer? – Geo perguntou já de olho no balde de frutas que Anora tinha colocado na mesa ontem. Seu estômago já clamava por satisfação, sabendo que havia conseguido muita no dia anterior.

Anora deu uma risada de leve. Já devia ter esperado algo assim pela manhã.

– Vamos.

Com isso, Geo se sentou na cadeira frente à mesa de tronco e começou a explorar o conteúdo do balde. Tinha frutas Oran, Pecha, Sitrus, Maçã e de outros variados tipos. Ele pegou dez aleatoriamente e começou a devorá-las seguido de Anora com um banquete bem maior. Claro, sendo do tipo Dragão, sua demanda era estonteante comparada com uma de alguém da linhagem Ralts.

– Então, você sabe que horas esse Dojo abre? – Geo perguntou depois de engolir sua terceira fruta.

– Makuhita geralmente abre logo depois do Sol subir da linha do horizonte. – Anora olhou pela janela e viu a cor do céu que ficava cada vez mais clara. – Então, acho que ele já deve estar lá preparando tudo. Ele e a família Kanghaskan são as únicas pessoas por aqui abrem seus negócios cedo. Vai ser até bom porque não tem muita gente de manhã cedo, aí ele pode nos ajudar a treinar.

– Bem, eu só conheço aquilo é comum a todos Pokémon e a meus tipos. Por exemplo, evasão, precisão, força, as habilidades e entre outros. Agora não sei nada como treinar em termos do tipo Dragão. Portanto, se ele souber isso, então ficarei feliz em dar as honras.

– Ah, e ele sabe. Há rumores que ele viajou pra várias partes do mundo com o intuito de aprender as artes de cada tipo de Pokémon e trazê-las para fortalecer os Resgatadores. Alguns até dizem que ele é o Pokémon mais forte da vila. – Anora explicou ao mesmo que comia sua décima sexta fruta. Isso não se deixou passar por Geo que só a observava de olho franzido. Mais pelo fato de como as pessoas eram capazes de surpreender suas expectativas. Ele não se lembrava se alguma vez ele encontrou algum Lendário em sua vida anterior ou sequer teve a chance, mas sabia de sua grandiosidade e sua reputação entre Pokémon como ele. E aqui estava um deles em sua frente, pedindo sua ajuda para realizar um sonho pessoal. Era até irônico.

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Não muito tempo depois, a dupla já se movia em direção aos limites da Praça Pokémon juntos pela primeira vez. Mesmo que ainda não tivessem entrado na vila propriamente dito, ambos já podiam ouvir vozes e as ocasionais gargalhadas que preenchiam o ar silencioso ao redor. Para Anora, algumas delas eram bem reconhecíveis. Mais precisamente, ela conseguia ouvir as vozes dos Irmãos Kecleon que eram os comerciantes mais conhecidos nas redondezas. Anos atrás, eles abriram um negócio permanente na vila por conta da demanda de suprimentos que os Resgatadores e os cidadãos locais tanto necessitavam. Graças aos dois, o lugar ainda mantinha sua estabilidade econômica apesar dos problemas ambientais lá fora.

A tenda dos Kecleons era uma das primeiras coisas que você veria assim que chegasse em Praça Pokémon. E lá seria a primeira parada para Anora em particular. Ela havia combinado no caminho com Geo que precisaria de alguns elixires energéticos para o treino da manhã.

Ao chegarem, os dois encontraram os irmãos conversando enquanto carregavam umas caixas de suprimentos que, pelo que parecia, tinha chegado bem cedo.

– Bom dia, senhores. – Anora cumprimentou.

Os Kecleon se viraram um pouco surpreso ao reconhecerem a voz familiar:

– Anora? O que faz acordada tão cedo, menina? – O Kecleon mais velho, Roxo, perguntou. Ele era especializado em vender pergaminhos de habilidades e esferas mágicas já que sempre fascinou em estudar conteúdos complexos do tipo. Seu irmão, Verde, era mais humilde pois se especializava na venda de utensílios e também comida.

– Estou indo treinar no Dojo de novo, então achei que seria melhor levar alguns energéticos.

– Ainda com o sonho de se juntar aos Resgatadores na cabeça? – Verde perguntou.

– Não achou mesmo que eu ia desistir, achou?

– Não, não achei. Você sempre é cabeça-dura quando coloca uma coisa nessa sua mente de dragão. – Roxo rindo junto com seu irmão. Enquanto isso, Geo observava a conversa com interesse. Os Irmãos não pareciam ser pessoas más e não pareciam estar rindo dela por maldade. Ele até notou que Anora tinha aquele ar de intimidade com os dois, o que pôde deduzir que ela os conhecia faz muito tempo.

Não demorou muito para Verde e Roxo também notarem a sua presença, o que até surpreendeu Geo. Se o que Anora disse ontem sobre a raridade de Gallades por ali, então os Irmãos devem ter viajado muito.

– Ora, ora, o que temos aqui. – Verde começou.

– Já faz um tempo que vimos um Gallade pela última vez. Mais tempo ainda ver um azul em nossas frentes. Amigo seu, Anora? – Roxo perguntou.

– Sim. Esse é Geo. Achei ele inconsciente ontem lá na Floresta das Árvores Baixas e quando acordou, me ajudou com minha amiga Butterfree a tirar o filho dela, Caterpie, de uma fissura. Ele também concordou em ser meu parceiro de equipe quando entrarmos para o exame dos Resgatadores próxima semana.

– É mesmo? Quanta generosidade, senhor. – Aqui vemos os Irmãos Kecleons botando as caixas no chão e para cumprimentar Geo pessoalmente. – Perdoe-nos por nossas maneiras, somos os Irmãos Kecleons. Sou Roxo e esse é meu irmão Verde, prazer em conhece-lo Geo.

– O prazer é meu, Irmãos Kecleon. – Geo disse enquanto apertavam as mãos.

– Então, você vai ajudar nossa garota no treinamento pro exame? – Verde perguntou.

Geo assentiu. – Sim, é o mínimo que posso fazer para retribuir o trabalho de ter sido solidária comigo ontem.

– Entendo. Anora é sempre prestativa quando se trata de fazer o possível para ajudar os outros. Acho que vem da natureza de ser uma Latias. – Verde disse. – Só um instante, vou pegar uns Elixires de Energia lá atrás da tenda.

– Então, o que o traz aqui? Deve ter sido uma viagem e tanto de lá de Tresjura até Resco. – Roxo perguntou, certamente sem ter consciência do estado de Geo.

– Eu não me lembro se realmente sou de Tresjura. Na verdade, nem me lembro como cheguei aqui antes acordar. Anora me disse que estou passando por um estado de amnésia. – Ele disse sendo honesto.

– Amnésia? Hmm... Pelo que sei, o único que poderia te ajudar nessa ocasião seria Alakazam, meu jovem.

Geo franziu a testa. – E quem seria esse?

– Alakazam é o líder da Equipe Helios, uma das melhores equipes que andam por esse continente. Há rumores que ele sabe de tudo que passa pelo mundo devido a seu alto QI e também é a mente que coordena tudo dentro da equipe. Junto com ele, está Tyranitar, que usa sua carapaça dura para defender seus companheiros em caso de um ataque, e Charizard, que usa suas chamas poderosas para lançar o terror sobre seus inimigos. – Anora explicou. Ela não os conhecia pessoalmente, muito pelo fato de raramente vê-los na Praça Pokémon. Mas os rumores de suas aventuras eram bem comentados pelos cidadãos.

– Mas nem tente, garoto. Já faz meses desde a última visita deles aqui. – Roxo acrescentou.

Geo ficou desapontado, apesar de seu rosto não ter mostrado tal reação com a nova informação. Mas ele estava disposto a espera-los voltar já que o máximo que podia fazer quanto a isso. Era o tempo em que poderia se dedicar em ajudar Anora com os Resgatadores.

– É uma pena. Mas não se preocupem com isso. Não é nada urgente. – Ele disse finalmente.

– Pronto! Aqui está. – Verde voltou com um saco com seis garrafas pequenas dentro. – Vão com calma quando começarem a beberem isso, certo? Eles dão dor de barriga e às vezes diarreia se tomarem tudo de vez.

– Pode deixar. Bem, acho que vamos indo. Quanto custa cada? – Anora perguntou já buscando o dinheiro em sua bolsa.

– Ah não, querida. Esses são por conta da casa. Serve tanto de desejo de boa sorte e também boas-vindas para Geo. – Verde sorriu suavemente.

– Oh, não precisava, pessoal. Mas obrigada pela gentileza.

– O prazer é nosso, Anora. Afinal, queremos ver nossa menina lá no topo algum dia. – Verde disse.

– Bem, então nos vemos depois. Tchau! – Anora se despediu juntamente com Geo que apenas assentiu silenciosamente e retomaram seus caminhos originais em direção ao Dojo.

– Voltem sempre!

Um silêncio se apoderou da dupla enquanto eles continuaram a trafegar quietos pelas ruas da Praça Pokémon, até que Geo decidiu iniciar uma conversa dessa vez.

– Anora. – Geo falou o nome dela em um tom que significava que ele tinha uma pergunta.

– Hmm?

– Como você veio parar nessa vila? Sabe, você é uma Lendária. Todos nós, Pokémon ordinários melhor dizendo, achamos que seu tipo sempre vivia em lugares muitas vezes escondidos do público. Me perdoe se estou me intrometendo em alguma parte pessoal de sua vida, mas não posso negar que estou curioso.

Anora ficou um pouco surpresa com a repentina declaração, mas ao mesmo tempo feliz em saber que Geo estava tentando se abrir mais. No entanto, o assunto que tinha tocado não era um dos preferidos dela.

– Muitas pessoas já me fizeram essa pergunta, mas não é uma coisa que gosto de falar. – Ela disse com tristeza. Geo imediatamente notou sua mudança de humor e tentou consolá-la:

– Desculpa. Se não quiser contar, não tem problema.

– Não, acho que você tem o direito de saber. Até porque seremos parceiros daqui a pouco e parceiros devem se conhecer bem para formar uma boa equipe, não?

Geo assentiu.

– Bem, como estamos perto do Dojo então vou lhe contar a versão resumida. A verdade é que não sei de onde eu vim. Choquei sozinha debaixo de uma árvore perto de onde agora é a casa. Até hoje fico surpresa como nenhum selvagem quebrou meu ovo para me comer. – Anora deu risada breve antes de continuar. – Enfim, fui forçada a sobreviver sozinha desde que nasci. Aprendi a coletar as frutas certas para comer, aprendi a conviver as noites chuvosas e por aí vai. Com 12 anos, eu vim pela primeira vez para cá. Na época, os Irmãos Kecleons ainda eram recém-chegados na vila e tive a audácia de roubar uma maçã deles.

Geo deu um leve sorriso. – Imagino que não tenha dado certo.

– Não, não deu. Eles me pegaram antes que eu pudesse sair voando de volta pro meu esconderijo. Você devia ver a cara deles quando perceberam que eu era uma Latias.

– Não é difícil de imaginar.

– Enfim, eles me deram uma bronca e me ensinaram o significado de roubar. Depois que contei, bem, minha situação, eles passaram a me oferecer comida em troca de alguns favores. Na maioria, era só entregar umas encomendas. Daí em diante, passei minha vida crescendo por aqui e conhecendo o pessoal até os dias de hoje.

Ao terminar o relato, Geo se viu sem palavras para poder se expressar mas estava ao mesmo tempo admirado. Sobreviver sozinho desde criança não é para qualquer um.

– Deve ter sido uma vida difícil, a sua. – Ele finalmente teve coragem de dizer.

– No começo foi. Mas depois que você pega o jeito, as coisas ficam mais simples. – Ela sorriu para levantar o ânimo entre os dois.

E bem a tempo, porque estavam a poucos pés de distância do Dojo.

– Aí está ele. O Dojo de Makuhita.

Institivamente, Geo colocou uma das mãos na maçaneta da porta de madeira e a abriu para Anora, com o intuito de mostrar cavalheirismo. Ela agradeceu e entrou no prédio seguida logo atrás por seu parceiro.

O prédio não era lá muito luxuoso, nem havia necessidade para ser do tipo. As paredes eram feitas de pedras de granito, com janelas casualmente decorando-as para a luz natural entrasse nas salas. A temperatura dentro era morna e confortável no momento, mas era capaz de se adaptar de acordo com a estação de cada trimestre. Primeiramente, eles entraram no que parecia ser uma recepção onde havia um Sawk atrás de balcão de madeira.

Assim que os dois entraram, ele imediatamente botou os olhos em Geo e o encarou como se tivesse o inspecionando. Anora, que havia notado a reação, sabia o motivo do comportamento:

– Geo, abaixe o capuz. Eles não gostam de gente que escondem o rosto por aqui. Instauraram essa regra depois de um roubo. – Ela explicou.

– Oh, desculpe. – Ele disse num tom alto suficiente para o recepcionista ouvir e depois, tirou o capuz.

– Assim está melhor. – O Sawk disse. – Em que posso ajuda-los?

– Oi, Sawk. O senhor Makuhita está livre no momento? – Anora perguntou.

– Bom dia. Sim, ele está. O que precisam dele?

Dessa vez, Geo entrou na conversa:

–Precisamos que ele nos ajude com treinamento do tipo Dragão, mais especificamente para Anora aqui. Eu irei treiná-la na base Psíquica.

– Entendo. Tudo que você tem a fazer é preencher esse formulário com suas informações pessoais e suas maestrias. Depois vou passar o papel para Makuhita que o avaliará em uma batalha antes de poder lecionar. Sinto muito, mas são regras do Dojo. Ninguém leciona aqui sem a aprovação dele. – Sawk explicou.

Geo franziu a testa e se virou para Anora:

– Você não me falou nada disso.

– Acho que esqueci de mencionar. – Ela respondeu um pouco envergonhada pelo deslize.

– Tudo bem. Eu aceito os termos. – Assim, Geo pegou uma caneta e começou a escrever. Não tinha muita coisa para anotar, sendo que só tinha a data de nascimento que foi forjada, sua idade atual, seu nome, sua espécie Pokémon e uma lista de habilidades conhecidas que foi a parte que mais demorou para completar já que ele sabia muitas.

Assim que terminou, Geo entregou de volta o papel para Sawk. Ele fez um breve estudo do formulário antes de aprovar e voltar a olhar para a dupla.

– Me acompanhem, por favor. – Sawk se levantou e se dirigiu para a porta que dava acesso ao resto da academia. Institivamente, Geo e Anora o seguiu.

Depois de passar pela porta, Geo se viu em um grande salão cheio de equipamentos. Havia sacos de areia para treinar técnicas de ataque físico, tinha algumas salas de meditação, uns atiradores de bolas franeladas que serviam para praticar desvio e também uma arena onde os duelos aconteciam. Makuhita era o único que estava no espaço do Dojo e mais especificamente na arena onde estava treinando alguns golpes contra um adversário imaginário. Ele estava absorvido no que fazia que nem percebeu o grupo se aproximar.

– Senhor Makuhita? – Sawk o chamou.

– Sim?

– Há um jovem aqui que deseja lecionar no Dojo, particularmente Anora.

Ao ouvir o nome familiar, Makuhita parou sua luta e se virou para ver Anora e Geo logo atrás de Sawk. O Pokémon saiu da arena e caminhou até a Latias que recebeu um forte abraço dele.

– Anora? É bom vê-la novamente. Achei que não voltaria mais depois de ter, bem, falhado no seu exame.

– Eu também pensava, mas agora parece que fui concedida mais uma chance. Dessa vez, terei um parceiro. - Ela apontou para Geo. – Geo aqui concordou em formarmos uma equipe quando passássemos no exame.

Makuhita agora fitava Geo. – Oh, mas isso é maravilhoso! E vai ser seu treinador até o exame da próxima semana?

– Sim, senhor. Na verdade, eu soube que o senhor tem experiência em treinamento Dragão. Será que pode nos ajudar nessa parte? Eu consigo dar conta do resto. – Geo respondeu.

– Confiante você hein? Isso é bom em um guerreiro, mas tem certeza que consegue manter a palavra mesmo sabendo que tenho avalia-lo primeiro? Sawk, me dê o formulário por favor.

Sawk fez o que lhe foi ordenado e entregou o papel a Makuhita. Ele deu uma breve olhada assim como seu assistente tinha feito, mas, ao contrário dele, Makuhita não aparentou mostrar sequer reação.

– É, você parece ser bom mesmo. Certo, os termos da avaliação são os seguintes: Primeiro, você deve aguentar a batalha por três minutos. Se você desmaiar, será instanteneamente desqualificado. Segundo, habilidades como Teleport são proibidas por óbvias razões. E terceiro, o espaço estará somente limitado à arena. Consequentemente, se você sair por qualquer motivo que seja, será desqualificado. – Makuhita fez uma pausa para que Geo tivesse tempo de processar tudo o que disse. – Estamos de acordo?

– Estamos. – Geo assentiu sem menores relutâncias.

Por fim, os lutadores se posicionaram na arena a poucos metros um na frente do outro. Como Sawk era o único disponível com experiência em ser juiz de partida, ele ergueu a mão significando que a luta estava prestes a começar. Segundos depois, baixou a mão.

Geo não perdeu tempo e começou com uma sequência de Agility, Sword Dance e Zen Headbutt. Mas antes que pudesse fazer contato, seu adversário desviou no último segundo o que o fez se desequilibrar.

Makuhita aproveitou essa oportunidade com uma combinação de Bulk Up e Ice Punch, mas graças ao Agility de Geo ele também não conseguiu fazer contato.

Geo arregalou os olhos de pura surpresa. Droga, ele é muito rápido mesmo tendo um corpo gordo como aquele. Se não tivesse usado Agility, com certeza teria perdido já. Mas ele também tinha suas surpresas.

– Nada mal. Nada mal mesmo, Geo! A maioria dos meus desafiantes perdem logo nos primeiros 20 segundos e você conseguiu passar. Mas ainda só estou aquecendo!

– Digo o mesmo!

Terminando a troca de palavras, Geo surpreendeu Makuhita pelas costas com Extreme Speed e o desferiu um Low Kick para manda-lo ao chão. Só que tinha muitos anos de experiência em combate e sabia que se não levantasse logo seria o fim. Logo, usou suas mãos para impedir a queda e depois rolar para se levantar. Usando o momentum, ele também contra-atacou com o mesmo golpe para produzir o mesmo efeito em Geo. O Gallade não teve tempo de reagir e caiu no chão também, mas rapidamente se levantou.

Enquanto isso, Anora observava a luta com bastante interesse e ansiedade. Tinha de admitir que era realmente uma garota de sorte ao escolher Geo como futuro parceiro. Ele era impressionantemente magnífico em batalha! Não sabia bem descrever aqueles complicados movimentos que até a fazia se perder muitas vezes, mas sabia que qualquer um que esteve de igual para igual com Makuhita era digno de tamanha admiração. Ela até ficou corada de vergonha ao lembrar que era por causa dela que Geo estava lutando com tanta pressão daquele jeito. Mas logo deixou a questão de lado e voltou a se concentrar em assistir a luta.

Quase um minuto e meio haviam se passado. Os ataques de ambos competidores ficavam cada vez mais ameaçadores e suas táticas cada vez mais astutas. Ambos já mostravam os primeiros sinais de cansaço após o uso de vários tipos de combinações e também alguns ferimentos em seus corpos deixavam as coisas mais difíceis para os dois. Mas nenhum dos dois queria dar a vitória ao outro e por isso continuaram firmes.

Mais especificamente para Makuhita, essa estava sendo sua melhor avaliação que já teve durante toda a história do Dojo. Claro, Sawk também fez um excelente trabalho ao quebrar o desafio quando quis ser professor, mas as semelhanças com a de agora paravam aí. Pois nessa luta, ele parecia estar... se divertindo melhor dizendo, o que não passou despercebido por Geo.

– Se divertindo? - Geo perguntou entre fôlegos.

Makuhita deu uma gargalhada de aprovação. - Me divertindo? Estou adorando essa luta, garoto! Você é muito bom, tenho de admitir. Poucos me forçaram a usar meu poder máximo num teste desses. - Poder máximo entre aspas, considerando que se ambos lutassem com força total era muito provável que alguém saísse com sérios ferimentos. Os dois estavam tomando cuidado com seus ataques para que não acontece coisa do tipo.

– Falta um minuto e dez segundos pelas minhas contas.

– Então, não vamos perder tempo! Em guarda! - Makuhita avançou para a posição de Geo, mas, quando estava prestes a chegar, ele criou várias imagens de si mesmos que ficaram correndo em volta de seu adversário.

Geo percebeu o que Makuhita estava fazendo. O velho truque de ilusão óptica do Double Team. Se tratava de um movimento que criava imagens do usuário e as fazia correr em volta do oponente, deixando-o confuso enquanto tenta determinar qual deles é o verdadeiro. Mas Geo sabia que Double Team tinha um pequeno defeito contra Psíquicos, o que provavelmente não tomou em consideração no calor do momento. Pokémon do tipo Psíquico eram capazes de identificar a energia vital de outros Pokémon e era uma habilidade bem útil na medicina, psicologia ou até mesmo em situações como aquela.

Por isso, foi fácil para ele calcular seu próximo movimento segundos depois. Quando notou o verdadeiro Makuhita, preparou um Hi-Jump Kick que acertou em cheio na barriga dele com tamanha força que o mandou para o chão ao sentir tanta dor. Com o nocaute feito, Geo se aproximou de seu adversário indefeso e elongou a lâmina de seu braço direito a colocou perto do rosto de Makuhita.

– Se rende? - Geo disse.

– Ainda falta quinze segundos... - E logo, Makuhita o surpreendeu com um contra-ataque rápido de Close Combat. A ferocidade de seus punhos foi tamanha que Geo não conseguiu se defender direito da sequência veloz de murros em várias partes de seu corpo. No final, ele acabou se ajoelhando ao perder o equilíbrio de suas pernas já cansadas. Entretanto, Makuhita já estava preparando outro ataque e sabia que se tomasse esse, seria seu fim.

Para sua sorte, Sawk deu o sinal para parar a luta imediatamente. - Acabou o tempo! Batalha impressionante vocês dois. - Ele exclamou empolgado.

Anora rapidamente voou até Geo, preocupada com a fisionomia dele após um ataque terrível como aquele Close Combat. Ela mesma já teria sido nocauteada de vez se tivesse no lugar dele.

– Geo, está tudo bem? – Ela perguntou colocando sua garra direita no ombro direito dele que reagiu um pouco a seu toque. Parecia que o corpo dele estava todo tenso.

– Tirando alguns ferimentos e uma leve dor de cabeça, estou bem. Pelo menos valeu a pena no final. Agora vou poder treinar você. – Ele disse.

– Sério Geo, não precisava ter ido tão longe assim por minha causa. Podíamos ter.... – Mas antes que pudesse terminar, ele levantou sua palma indicando que queria falar.

– Anora, relaxe. Eu não prometi a você que nós vamos formar uma equipe juntos? – Ela assentiu ainda um pouco relutante. – Então, aqui estou eu cumprindo minha palavra.

Ao ouvir aquilo, Anora não conseguiu evitar mostrar sua alegria em seu grande sorriso. Ela o abraçou tão forte que algumas partes do corpo dele gritaram de dor o que a fez se parar quase que instantaneamente.

– Obrigada, Geo. Vou retribuir o favor. – Ela disse ainda sorrindo.

– Ótimo, porque eu vou cobrar. – Ele brincou.

– Own, que casal bonito! – Os dois olharam para Makuhita e Sawk que observavam toda a conversa com caras marotas. Geo e Anora coraram de vez.

– Nós não somos um casal! – Eles gritaram quase que ao mesmo tempo.

– Tá, tá, me engana que eu gosto. – Depois, Makuhita se dirigiu a Geo e o ajudou a se levantar. – Meus parabéns, Geo. Já faz três anos que meu último desafiante venceu o desafio para lecionar nesse Dojo. Sawk aqui foi essa pessoa. Você lutou muito bem hoje, até o ponto em que você me forçou a usar Close Combat. Uma habilidade que raramente uso por conta do cansaço que ela deixa depois, mas você aguentou como um verdadeiro guerreiro. E por provar seu valor debaixo desse humilde teto, eu lhe nomeio Professor do Dojo Makuhita. Carregue esse título com honra!

Seguiram-se uma série de aplausos para Geo. Por algum motivo inexplicável, ele ficou com vergonha apesar de ainda só terem eles dentro do salão. Mas não era tão ruim assim, ele achou. O discurso foi até um pouco extravagante e até desnecessário porque ele não tinha a intenção de trabalhar ali. Pelo menos, não no momento.

Então, ele recusou o título:

– Obrigado, senhor. Mas, nunca foi minha intenção trabalhar aqui. Só precisa de seu espaço para o treinamento com Anora para o exame da próxima semana.

– Estou sabendo. Mas permita-me dizer que a posição de Professor aqui é vitalícia. Portanto, você será sempre bem-vindo aqui tanto como aluno para mim e como Professor para os outros que necessitarem do estabelecimento. Pense a respeito no dia em que você precisar de um trabalho.

– Se o senhor insiste, está bem então. Vou considerar sua oferta.

– Ótimo! Agora descanse um pouco, certo? Foi uma luta intensa e seu corpo precisa recuperar as forças. Até porque Anora precisa do treinamento Dragão com urgência se ela quiser ter uma chance contra os avaliadores do exame. Então, tome esse tempo e descanse.

– Sim, senhor. – Geo agradeceu.

– Sawk, pegue algumas frutas Sitrus e dê a ele. – Depois Makuhita se virou para Anora. – Vamos começar?



Notas Finais do Capítulo:

Essa foi a primeira batalha Pokémon que escrevi em minha vida inteira. Tive até que assistir aquela bosta de anime pra ter algumas referências pra ver a metodologia e modificar para uma luta só entre Pokémon sem aqueles comandos dos treinadores. Então, se eu tiver feito alguma coisa errada ou se achar que preciso melhorar, por favor não hesitem em dizer, okay?

Também, como vocês devem ter notado, já comecei a dar os primeiros sinais do romance entre as personagens principais. Mas, ainda está muito cedo para o romance propriamente dito mostrar as caras, então será um caminho lento até chegar no momento certo.
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