Pokémon Mythology
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Pokémon - Get Away

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Pokémon - Get Away

Mensagem por Amanda R. Malfoy em Sab 27 Jul 2013 - 3:35

Olá, primeiramente. Sou nova aqui no fórum, porém está não é minha primeira fic, na verdade é a segunda, mas a primeira é sobre Harry Potter então acho que não conta exatamente como experiencia já que é muito diferente escrever sobre Pokémon e escrever sobre Harry Potter. De qualquer forma, eu me esforcei nessa fanfic e espero que vocês gostem.


Pokémon - Get Away:




Prólogo:



O dia em Castelia começa cedo, afinal tempo é dinheiro. O barulho de buzinas de carros já enchia as ruas da grande cidade e logo de manha as pessoas já estavam fora de casa para trabalhar. Porem, em um dos bairros mais ricos e afastados do centro da cidade, estava a mansão da família Gerard, ali nenhuma poluição sonora chegava, na verdade a única movimentação na casa era a dos empregados e a do próprio dono. Edward Gerard, um dos empresários mais ricos de toda Unova.

Ele estava sentado na ponta de uma grande mesa, que caberia no mínimo vinte pessoas. O homem lia calmamente o seu jornal e em alguns momentos bebericava o café, não dando a mínima atenção para toda a variedade de geleias, pães, queijos, bolos e sucos espalhados pela mesa, todos ainda intocados.

Entre as varias coisas que estavam na mente do homem, como reuniões e relatórios que tinha que fazer, um lembrete o martelava, dizendo para que dessa vez não se esquecesse ou seus planos dariam errado. O aniversario de sua filha.
Hoje ela faria quinze anos, logo teria idade o suficiente e poderia cuidar dos... Negócios da família. Ele esperava sinceramente que isso demorasse, era muito difícil admitir que sua menininha estava crescendo, ainda ontem ela era apenas um bebe e agora fazia quinze anos! Isso não estava certo.

Ele não era um pai negligente, longe disso na verdade. Apenas era muito ocupado e ocorreu de ele ter esquecido cinco ou seis aniversários... Só isso. Mas dessa vez ele tinha um motivo especial para lembra-lo, o humor de sua menina tinha que estar bem alto quando ele desse a grande noticia.

Um sorriso minimo apareceu no bonito rosto do homem, normalmente esse pequeno gesto faria varias garotas, moças e mulheres (algumas vezes até senhoras)  suspirarem. Edward era um homem muito bonito, com cabelo negro e pele pálida, suas maças do rosto eram bem definidas e dava um ar mais masculino, seus olhos tinham uma cor de tirar o folego, um lindo violeta, iguas aos da sua filha (ou vice versa). Hoje um terno caro de cor chumbo emoldurava o corpo esguio e musculoso.

     — Olá meu amor. — Soou uma voz feminina vindo da porta atrás dele.

Aquela era Eileen Fabray, a mulher tinha cabelo longo castanho escuro e olhos de um azul elétrico, estava usando um vestido preto justo e um blazer por cima da mesma cor, Edward havia conhecido ela em mais um dos jantares de negócios que tinha que ir e agora já namoravam a alguns meses.

     — Olá. — Corresponde ao selinho que a mulher deu, logo a mesma já estava sentando na cadeira a sua direita e pegando um copo de suco.

     — Onde esta Lucia? Ainda não acordou? — Perguntou Eileen.

     — Não, ainda esta dormindo... Por quê?

A mulher deu um sorriso safado e aproximou a sua cadeira da do outro, apoiando os braços na mesa expondo o generoso decote, que Edward admirou antes de ter um beijo roubado, muito menos breve e inocente do que o de antes.

.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*. Get Away .*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.

A luz do sol chegou timidamente no segundo maior quarto da casa, entrando fracamente pela varanda que servia também como janela, bloqueada por uma linda cortina cor de rosa. Era um legitimo quarto de menina, todo rosa e repleto de ursinhos de pelúcia. Uma cama enorme, onde cabiam quase quatro pessoas deitadas folgadamente estava encostada na parede oposta a porta, ao seu lado um criado mudo decorado com um porta retrato e um abajur, ainda tinha um guarda roupas de oito portas, uma estante de livros — que na verdade estava sendo usada por ursos de pelúcia e outros objetos decorativos — uma escrivaninha com um computador em cima e logo a frente da cama uma grande T.V de 48 polegadas e no canto do quarto, a porta do banheiro.

O monte de cobertas se remexeu preguiçosamente, então lentamente a garota abriu os olhos se acostumando com a pouca claridade.

Lucia acordou feliz na manha de seu aniversario. Ficou alguns minutos aproveitando a sua cama quentinha antes de se levantar, normalmente ela não acordava cedo, já que não precisava ir para a escola — Era ensinada em casa, por professores particulares — mas também não acordava muito tarde, afinal isso não era elegante. Porem, hoje o dia era só seu e ela queria aproveitar a tarde sem aulas. Sem falar que hoje aconteceria algo muito importante... Se tudo ocorrer conforme ela queria.

Logo ela jogou as cobertas para o lado e se espreguiçou, saiu do enorme quarto e entrou no banheiro. Deu de cara com ela mesma no grande espelho da pia de mármore negro. Uma garota com um longo cabelo negro ondulado, feições delicadas e é claro, seus olhos com uma linda cor violeta. Ela era um tanto baixa para a idade que estava completando hoje, mais isso nunca a incomodou...

Tomou um banho rápido e se vestiu, colocou um vestido leve de cor azul com um cinto prata e uma sapatilha também prata. Caminhou até sua cama e remexeu um pouco as cobertas até encontrar o que procurava. Ali, bem enrolado estava o seu pokémon, dormindo calmamente. Com cuidado ela o cutucou, quase fazendo carinho, e em pouco tempo grandes olhos brilhantes — que eram quase da cor dos dela — se abriram.

Dratini era o seu... Melhor amigo. Se repreendeu mentalmente, pois quase pensara "único amigo". O que importava se todos os seus outros amigos fossem completamente falsos e apenas se interessassem no seu dinheiro?
Sacudiu a cabeça deixando esses pensamentos de lado e pegou o pokémon nos braços.

     — Bom dia, feliz aniversario Dratini...

Sim, ele também estava de aniversario hoje. Lucia se lembrou do seu aniversario de dez anos, que milagrosamente foi comemorado... A primeira vez que pediu para que seu pai a deixasse sair em uma jornada, como sempre ele apenas começou um discurso de como ela era frágil e como o mundo era perigoso. Em compensação ela ganhou um recém-nascido Dratini. O que foi quase tão bom quanto sair em uma jornada... Quase.

O pokémon se tornou rapidamente seu melhor amigo, falava tudo pra ele, fazia de tudo junto com ele... Poucas vezes foi a que tiveram algum tipo de treino, e essas vezes foram um desastre completo... Talvez agora com Dratini um pouquinho mas velho ele se saísse melhor. Ela daria um jeito nisso depois, primeiro precisaria convencer seu pai de que não era uma inútil e poderia cuidar dela mesma, assim, com talvez alguma sorte ele finalmente a deixasse sair em viajem.

Enquanto caminhava em direção a mesa de café da manha, Dratini se enrolara no seu pescoço, ficando quase completamente coberto por cabelo e se camuflando na cor de vestido.

Quando já estava chegando, a garota parou abruptamente com a visão de seu pai sendo devorado por aquela coisa que ele chamava de namorada. Eileen Fabray era uma aproveitadora, que tinha peito de mais e corpo de menos. Encontrou seu pai em uma festa qualquer e foi logo tratando de seduzi-lo, dês de então estava sempre se metendo no relacionamento entre pai e filha.

Lucia olhou para Dratini e os dois fizeram cara de nojo. Limpando a garganta um pouco mais alto do que o normal, entrou e foi logo se sentando ao lado de seu pai, de frente para a mulher.
Os dois se separam com um sonoro barulho de desentupidor de pia, seu pai tentava se reconpor e arrumar o terno, não vendo olhar de escarnio que Eileen mandou para a garota enquanto passava a língua no lábio inferior.

Isso fez o sangue da morena ferver, porem ela tinha que ficar calma. Não deixaria aquela zinha estragar seus planos. Portanto tratou de respirar fundo.
Pegou uma torrada e pesou geleia, enquanto Dratini se desenrolava de seu pescoço para comer um pedaço do bolo de chocolate com cobertura.

     — Bom dia Lucy, feliz aniversario. — Falou seu pai. A garota se levantou e lhe deu um abraço e um beijo que acabou passando a geleia de morango que estava na sua boca para a bochecha de seu pai.

Quando se separaram, a mulher que estava observando a cena não demostrando emoção alguma, sorriu.

     — Ed, ficou sujo aqui. — Quando ele fez menção de pegar um guardanapo ela o parou — Espere, eu limpo.

E lambeu a marca de geleia.

Respira... Um, dois, três... Lucia tinha que se acalmar, mas isso estava sendo extremamente difícil. Argh! Aquela vaca teve a audácia de LAMBER seu pai bem na sua frente! Ah!

Edward não pareceu gostar dessa demonstração de... Nojeira, bem na frente de sua filha, mas como sempre não falou nada. O café da manha correu normalmente por mais algum tempo, com alguns olhares venenosos por parte das duas mulheres da mesa, Edward lendo seu jornal e Dratini completamente lambuzado de chocolate.

     — Então... Pai, hoje é meu aniversario — Lucia finalmente iniciou a conversa que tanto queria — Estou fazendo quinze anos hoje... Achoquejáestouprontaparaserumacoordenadora.

Pronto, talvez se ela falasse rápido o suficiente ele não entendesse e concordasse de qualquer forma.

Entender realmente Edward não havia entendido, mas não teve o resultado esperado. A garota então repetiu a frase com mais calma, observando a reação de seu pai diante das palavras "Acho que já estou pronta para ser uma coordenadora". O homem imediatamente ficou serio, pensou por alguns momentos, escolhendo as palavras que ia usar.

     — Lucia, já falamos sobre isso, você não conseguiria. — Ele falou, como se estivesse explicando que um mais um são dois. — Você é delicada demais para o mundo lá fora, como sobreviveria dormindo em uma barraca, tendo de caminhar longas distancias, sem cozinheiros, empregados... Não teria o seu computador e nem nada do que esta acostumada.

Ela já havia pensado tudo aquilo, sabia que não seria fácil, sempre estivera acostumada a tudo do bom e do melhor, porem estava disposta a largar tudo. Só para ser uma coordenadora, como sua mãe também fora antes de se casar com seu pai.

     — Certo, certo... Já sei disso tudo, ok? — Falou — Mas eu me sinto preparada para isso, entende? Não me importo se não vou ter conforto algum, eu quero muito me tornar uma coordenadora pai e queria que me apoiasse.

     — Definitivamente não Lucy, isso é muito perigoso. Como vai se proteger dos pokémons que vai encontrar? — Edward não estava estressado, na verdade falava calmamente, como se estivesse em uma reunião e explicasse algum gráfico. Isso estava começando a arrancar toda a calma que a morena conseguiu juntar, isso e o olhar de pura burla em Eileen, dizendo claramente o quanto achava aquilo ridiculo. — Sem falar que qualquer um pode fazer mal a você, afinal eu... Tenho alguns inimigos.

     — Eu tenho o Dratini! — Ela fez um gesto com a cabeça indicando a criatura lambuzada de chocolate, o pokémon imediatamente se recompôs e bateu a ponta da calda no peito, isso fez a garota abrir um pequeno sorriso. — E, além do mais... Eu sei me proteger. Não sou essa criatura frágil que você pintou!

     — Pode pensar que é forte, mas você não sabe o que acontece no mundo lá fora.

     — Então por que não me conta? O que de tão horrível pode ter além dos muros desta casa? — Ela se levantou, quase fazendo a cadeira cair. Tentou por tudo que era mais sagrado manter a calma, porem esse não era o seu forte. — Varias pessoas fazem isso! Por que eu não?

     — Porque você é minha filha. — Falou em tom que não admitia replicas — E eu, como seu pai, estou dizendo que não.

A garota tremia de raiva, apertou suas mãos em punhos e mordeu o lábio com força, lagrimas de raiva já se acumulavam em seus olhos. Saiu correndo em direção as escadas que levavam a seu quarto não esperando nem por seu pokémon que desceu da mesa com rapidez, dando um olhar raivoso ao homem antes de sair seguindo sua amiga.

Edward ficou sentado na mesa, sua expressão estava um tantinho mais preocupada com o cenho franzido, não queria brigar com sua filha... Ainda mais no dia de seu aniversario, porem esse era um assunto muito delicado, não poderia deixar que ela viajasse assim de jeito nenhum, havia pessoas que poderiam realmente se aproveitar disso e usa-la contra ele. Não, isso estava completamente fora de questão...
Mesmo assim, ele ainda estava com peso na consciência. Já começava a se levantar quando sentiu uma mão pousar em seu ombro, olhou para o lado só para encontrar aqueles olhos azuis o encarando com falsa preocupação.

     — Ed, deixe. — Falou ela, quem não soubesse(ele por exemplo) pensaria que sua preocupação era genuína. — Ela não quer falar com ninguém agora, fara melhor se deixa-la pensar. Uma hora ou outra ela vai entender que você só quer o bem dela.

     — Tem razão. Acho melhor falar com ela depois. — Falou pegando a mão em seu ombro e segurando entre as suas próprias — Só não queria que ela ficasse brava comigo hoje, pretendia contar a ela que nós vamos nos casar.

     — Entendo... — Eileen falou pensativa, mas na verdade estava se mordendo raiva da menina petulante. Sabia que se ela não quisesse esse casamento, como sabia que não queria, iria fazer de tudo para que desse errado, mas a mulher não deixaria uma menina mimada estragar a chance de sua vida... Não quando teve tanto trabalho para conseguir. — Sabe, mesmo que ela não goste da ideia no inicio, depois vai ver que... Serei uma ótima mãe para ela.

A mulher sorriu docemente, piscando os olhos.

     — Tenho certeza que vai ser uma mãe ótima. — Disse Edward — É tudo o que ela precisa agora.

     — Claro que sim. — Falou e sorriu novamente, porem de forma nada inocente — Agora... Onde nós estávamos?

.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*. Get Away .*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.

Lucia entrou chorando no quarto, correu e se jogou na enorme cama de casal. Seu pai realmente não a entendia... Ela queria apenas viajar por Unova ganhando fitas, não a paz mundial. Por que ele dificultava tudo?
Ela não quebraria com a primeira brisa, não era feita de cristal. Mas seu pai sempre a protegia de tudo, de ir a uma escola, de ir fora dos muros de casa... Seus únicos amigos eram os filhos dos sócios de seu pai, amizade a qual ela mantinha apenas porque sabia que era o que ele queria.

Estava tão concentrada chorando que nem percebeu quando Dratini subiu na cama e posou a cabeça em seu peito, a fitando com aqueles grandes olhos brilhantes que conseguia acalma-la com apenas um olhar. Fungou e limpou as lagrimas, em seguida sentou na cama, puxando o pokémon para seu colo e lhe acariciando.

    — Ah Dratini... — Sussurrou — Você me protegeria, não é?

O pokémon lançou um olhar irritado a ela, como se disse-se o quanto obvio aquilo era. Ele sempre faria tudo para protegê-la, sua melhor amiga em todo o mundo, não que ele tivesse outras é claro.

Ela riu fracamente, beijando a cabeça do pequeno dragão.

A garota passou o resto do dia trancada no quarto, não saindo nem para comer. O dia lá fora veio e foi, enquanto ela ainda estava deitada na cama, pensando em sua vida, até ouvir batidas na porta.

Toc. Toc.

     — Senhorita? — Chamou a pequena senhora grisalha na porta — O Sr. Gerard mandou informar que o jantar de seu aniversario será servido em uma hora.

E fechou a porta.

Jantar de aniversario... Tudo o que ela não queria agora. Mais um jantar onde ela teria que ser simpática com todos e jogar conversa fora com os seus tão queridos "amigos".

De qualquer forma, faltar não era uma opção. Lucia se levantou e caminhou até o banheiro, onde tomou um banho demorado, quando saiu passou alguns minutos escolhendo mais um vestido, desta vez muito mais detalhado. Era rosa com renda preta, suas mangas eram caídas deixando os ombros de fora e o comprimento não passava dos joelhos, penteou seu cabelo para o lado e foi se ver no espelho. Assim que terminou de se arrumar, virou para observar seu pokémon, ele estava esticado na cama, a fitando de cabeça para baixo e a barriga branca para cima. Estava adorável.

     — Você vai ter que ficar aqui Dratini. — Falou abrindo o criado mudo de madeira branca ao lado da cama e pegando alguma comida pokémon — Tome, você pode comer um pouco e depois tente dormir, não vou demorar muito.

Ficou mais um pouco acarisiando o pokémon enquanto o assistia comer até que a empregada voltou anunciando o inicio do jantar. Não teve mais opção a não ser descer.

.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*. Get Away .*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.

Quando finalmente voltou ao seu quarto estava exausta, não fisicamente é claro, mas mentalmente. Afinal, ouvir tanta abobrinha realmente cansa.

Caminhou lentamente até a cama e se jogou de braços abertos, sacudindo Dratini que dormia a sono solto em cima do travesseiro. Ficou alguns minutos de olhos fechados até ouvir a porta se abrir, seu pai acabara de entrar segurando um bolinho de chocolate com uma pequena vela em cima. Aquilo instantaneamente a alegrou, aquela pequena tradição que iniciou com sua mãe, e que seu pai continuou quando ela morreu a dez anos.

Alice, sua mãe, começou isso apenas para proporcionar um momento em família com a única filha, coisa que era muito rara com todos os compromissos que tinha. Em todo aniversario, no final do dia Lucia ganhava um bolo só dela, um bolinho que ela poderia dividir com quem realmente amava.

Ela se sentou na cama e seu pai fez o mesmo.

     — Feliz aniversario Lucy. — Disse antes de beijar-lhe a testa.

A garota então soprou a vela e repartiu o bolinho. Comeram em silencio até Edward limpar a garganta e em seguida abrir e fechar a boca algumas vezes como um goldeen, parecia não saber como começar a falar.

     — Filha, preciso lhe falar uma coisa.

Uma fagulha de esperança foi acessa em Lucia. Será? Será que ele pensou no que ela havia falado naquela manha e resolvera deixar que ela saísse daquela casa para se tornar uma coordenadora?

     — Eileeneeuvamosnoscasar. — Falou de uma vez, imitando a mesma técnica que ela usara muito descaradamente.

Toda a cor sumiu do rosto da garota, seus olhos se abriram em espanto e sua boca quase tocou o chão. As palavras se repetiam na sua mente como um disco arranhado mesmo assim ela não conseguia entender. Seu pai... Eileen... Casar... Não.

     — QUE?! — Exclamou, quando o homem fez um gesto indicando que iria repetir ela o parou — Não, não fale de novo, eu ouvi muito bem... Só... Só não consigo entender! Por quê? Por que vai fazer uma coisa dessas?

Ele desviou o olhar para a porta do quarto, como se fosse a coisa mais interresante do mundo.

     — Eileen é uma ótima mulher, é a coisa certa a fazer — Falou seriamente — Você precisa de uma mãe e ela esta completamente disposta a isso.

Lucia parou de respirar e estreitou os olhos, tamanha era a sua raiva. Ótima mulher? Mãe? Aquela mulher era uma filha da...

     — Eu não preciso de uma nova mãe! Ninguém nunca vai substituir a minha mãe! — Há essa hora ela já havia se levantado da cama e andava de um lado para o outro — Você a ama pelo menos?

Parou de repente, o encarando. Afinal, se seu pai pelo menos a amasse (O que ela achava muito dificil, mas era um possibilidade)...  Significava que ele estava feliz com ela, então Lucia a aturaria só para seu pai ter um pouquinho de felicidade. Ele nunca mais foi o mesmo dês da morte de sua esposa.

     — Isso não tem nada a ver com amor Lucy. — Se levantou também, mas não a encarava nos olhos — Estou fazendo o que é certo.

     — Pai! Por favor, não faça isso! Não pode fazer isso comigo... — Suplicou. Seus olhos já se enchiam em lagrimas de angustia.

     — Agora você pode achar que isso é o fim do mundo, mas sei que vai entender que tudo o que estou fazendo é para o seu bem. — Falou dando ponto final aquela conversa. Ele torcia que estivesse certo, era assim que devia ser. Antes de sair do quarto fez menção de se aproximar de sua filha para um abraço, ela porem o afastou com um gesto brusco e se virou na direção oposta cruzando os braços. — Boa noite Lucy.

Ela grunhiu em resposta.

Assim que Edward fechou a porta, Lucia se virou e tacou a metade de seu bolinho ainda meio comido. O bolo de chocolate atingiu com tudo a porta, se despedaçando e lambuzando a madeira.

Ela poderia gritar agora, mas isso não seria algo muito inteligente de se fazer, então apenas enxugou as lagrimas que escorriam por sua face. Por que seu pai estava fazendo isso? Ela não conseguia entender. Há dez anos seu pai tentava achar mães postiças para ela, todas eram idiotas interesseiras que fingiam gostar dela apenas para arrancar um pouco de dinheiro de seu pai e ter os seus dez minutos de fama, claro nenhuma tinha chegado tão longe quanto Eileen. Essa biscate devia ser uma profissional! Afinal, conseguiu convencer seu pai de que era uma boa pessoa e que queria ser sua mãe! Como Edward conseguia ser tão inteligente para algumas coisas, mas tão completamente burro em outras, era um mistério para Lucia.

Essa besteira ia acabar hoje! Pelo menos para ela, se seu pai queria se afundar que fosse sozinho... Ela estava cansada disso tudo.


Última edição por Amanda R. Malfoy em Sab 10 Ago 2013 - 16:36, editado 2 vez(es)
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Re: Pokémon - Get Away

Mensagem por Drack em Sab 27 Jul 2013 - 23:10

Primeiramente, seja bem-vinda ao fórum senhorita Malfoy. -q Espero que se divirta e seja ativa e blábláblá. Vamos para fic! -q

Vou começar comentando a gramática. Em geral, eu não notei palavras erradas, e se notei, deve ter sido só uma. O único real problema que eu notei foi a falta de acentuação nas palavras, como a palavra porém, por exemplo. Em diversas ocasiões você escreveu somente porem, sem o acento agudo. Outra coisa que eu notei foi na narração, tem algumas partes que eu não sei se você está fazendo a narração em primeira ou terceira pessoa, fica um pouco confuso. De resto, está tudo ok.

Sua história está interessante, mas ainda não sei se ela vai seguir com a Lucia sendo top-coordenadora-master-thingy ou vai se focar nos rivais do pai que vão aproveitar-se dela quando fugir; ou os dois. -q Mas de qualquer forma, a história promete ser interessante, vamos ver o tu vai desenvolver.

Tirando a Lucia, os personagens não me chamaram muita atenção. Você tem o pai ultra lindo e ultra rico e uma mulher nojenta que fica lambendo sujeira (D:) querendo dar um golpe do baú nele. O personagem do Edward pode melhorar com a questão lá dos inimigos, mas veremos. E espero que a Lucia não vire uma patricinha nem nada do tipo na história, seria ruim -q

Ah, e mais uma coisa, tente não usar esses .*.*. Get Away .*.*. quando for mudar de situação no texto, é um pouco espalhafatoso demais. Um ~x~ somente vai estar bom.

É isso, vou continuar acompanhando e boa sorte com a sua fic! (:
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Re: Pokémon - Get Away

Mensagem por DarkZoroark em Dom 28 Jul 2013 - 1:25

Saudações Amanda
Já estava lendo a história desde a manhã, mas só consegui tempo de finalizar tudo e construir um comentário agora - também porque faltou luz aqui na volta ^^'. Bem, antes de tudo permita-me dar-lhe boas-vindas ao fórum e, sem mais delongas, vamos dar uma olhada no capítulo em si.
A história, pelo menos do ponto de vista do prólogo, parece-me bem interessante. Lembrou-me um pouco de uma antiga fic que tinha aqui no fórum - e da qual eu era grande fã - por causa dos elementos que apresentaste, como famílias poderosas e inimigas, a protagonista considerada como "incapaz" pelo(s) pai(s) e depois acabar fugindo e saindo em jornada sozinho(a).
Um ponto que eu gostei, embora não seja lá tão incomum de ser visto, foi a utilização de um Dratini como inicial da Lucia. Dragonite não chega a ser o pseudo-lendário com menor número de aparições em Fanfics (Metagross quase nunca aparece e leva vantagem neste quesito), mas ainda assim é bem original tratando-se de dragões - raridade ver um hoje em dia ¬¬'.
Os personagens que apareceram até agora são bem legais, mas como dito pelo Drack não houve um aprofundamento em outros que não fossem Lucia e Dratini. Deu para entender que a namorada/noiva do Ed é uma mulher da vida que só pensa no dinheiro dele e que ele só pensa na filha. Ficou um tanto clichê, mas admito que se bem trabalhados pode haver um futuro bem legal para a história dos dois.
Quero ver agora como que a história irá ser desenvolvida; se irá seguir pelos torneios, a perseguição dos/aos inimigos do pai ou ambos. Acho que a segunda e terceira opções são melhores, já que abrem uma maior variedade de ramos possíveis para a história e deixa-a mais inovadora, mas continuarei a acompanhar seja qual for o rumo que tomares?
Quanto aos erros, encontrei alguns:

@Amanda R. Malfoy escreveu:Ele esperava sinceramente que isso demorasse, era muito difícil admitir que sua menininha estava crescendo, ainda ontem ela era apenas um bebe e agora fazia quinze anos! Isso não estava certo.
Ficou faltando um acento gráfico em "bebê".
@Amanda R. Malfoy escreveu:Mas dessa vez ele tinha um motivo especial para lembra-lo, o humor de sua menina tinha que estar bem alto quando ele desse a grande noticia.
Faltou acento tanto em "lembrá-lo" quanto em "notícia".
@Amanda R. Malfoy escreveu:Lucia acordou feliz na manha de seu aniversario.
"aniversário" e "manhã" estão sem acento.
@Amanda R. Malfoy escreveu:Poucas vezes foi a que tiveram algum tipo de treino,
Ficou meio estranho a frase começar e terminar no plural, mas com esse fragmento no singular. Creio que uma boa maneira de contornar isto teria sido fazer assim:
@DarkZoroark escreveu:Poucas foram as vezes em que tiveram algum tipo de treino,
@Amanda R. Malfoy escreveu:Encontrou seu pai em uma festa qualquer e foi logo tratando de seduzi-lo, dês de então estava sempre se metendo no relacionamento entre pai e filha.
Deveria ser "desde".
@Amanda R. Malfoy escreveu:Você é delicada demais para o mundo lá fora, como sobreviveria dormindo em uma barraca, tendo de caminhar longas distancias,
Deveria ter sido "distâncias" para que o sentido da frase não fosse comprometido. Sem a presença do acento, o sentido da palavra vira o de "ato de distanciar", "afastar" etc.
Houveram outros, mas todos em relação a acentuação. Creio que o uso do Word e de um dicionário de sinônimos em conjunto possa evitar a maioria destes. Drack também citou um ponto interessante; há partes de sua escrita em que a descrição está em 3ª pessoa e outras em 1ª. O melhor é optar apenas por uma e investir nela para não deixar os capítulos um tanto confusos.
Sua escrita é boa e se melhorar nestes pontos ficará ainda melhor. Vou fechando este comentário por aqui e ficar no aguardo de seu próximo capítulo.ninja 
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Re: Pokémon - Get Away

Mensagem por Amanda R. Malfoy em Sex 2 Ago 2013 - 20:02

Comentários:

Spoiler:
DarkZoroark em Dom 28 Jul 2013, 1:25 am
Bom, para começar obrigado por comentar. É a historia vai seguir por esses dois caminhos, torneios e os "inimigos" de Edward. Eu adoro Dratini é um dos meus pokémons preferidos, só perdendo para o Mew, mas acho que ia ficar meio apelativo ela ter um Mew, né? Quanto aos acentos... Eu realmente não sei o que aconteceu, por que eu já tinha arrumado tudo certinho, corrigido, mas esses benditos acentos não apareceram '-'... Ok, de qualquer forma, espero ter corrigido nesse capítulo. Bjs!

Drack em Sab 27 Jul 2013, 11:10 pm
Ah, espero me divertir aqui mesmo, obrigado! E esses acentos de novo. Eu acho que arrumei tudo e espero que goste deste capítulo, também resolvi o problema da divisão dos parágrafos e eu vou tentar ajeitar a narração para deixar menos confusa. Obrigado por comertar, bjs!  



Cap 01 - A fuga:



Quando Lucia Gerard tinha cinco anos, sua mãe ficou seriamente doente. Os melhores médicos de Unova foram contratados para arranjar uma cura para a terrível doença, porem nada pode ser feito.

Em três meses — três longos meses de sofrimento — ela estava morta.

Edward ficou completamente sem chão, Alice era o amor de sua vida e lhe tinha sido tirado tão cedo. Teria que cuidar de sua filha sozinho a partir de agora.

Lucia... Ela ficou completamente arrasada, não falou com ninguém por meses depois disso, apenas algumas poucas vezes com seu pai. Era muito apegada a sua mãe e todas as outras falsas mães que Edward insistia em arranjar só pioraram sua solidão. Elas eram mulheres falsas e interesseiras, uma pior que a outra... Falavam com ela com voz de bebe e agiam feito galinhas.

Nenhuma durou muito é claro, Lucia sempre dava um jeito de convencer seu pai a dar-lhes um pé na bunda. Mas com Eileen era diferente, ela sabia o que estava fazendo, se fingia muito bem na frente de Edward, mas a garota sabia a megera que ela era — Não que ela se fingisse para a morena é claro, sempre deixou bem claro o quanto era interesseira — mesmo assim, estava sendo extremamente difícil se livrar dela.

Então aquela noite seu pai dizia que iria se casar com ela. Há,há,há... Não mesmo!

Com a cabeça quente e não pensando realmente no que estava fazendo, abriu o enorme guarda roupas de seu quarto e fuçou um pouco até achar uma mochila velha. Retirou tudo que tinha ali, revirou os bolsos e tirou alguns papeis amassados. Quando estava mexendo em um bolso um pouco mais escondido encontrou duas fotos. Em uma delas estava ela com três anos, sua mãe e seu pai. Estavam na praia de Slateport, Lucia estava de chiquinhas e sorria alegremente para o fotografo, Alice tinha os longos cabelos loiros bagunçados pelo vento, seus grandes olhos castanhos observavam com carinho a filha, as duas vestiam biquínis combinando enquanto Edward vestia um calção verde musgo e tinha uma marca branca de protetor solar no nariz. O homem passava o braço esquerdo em volta delas em um abraço protetor.

Ela ficou algum tempo observando a foto, até finalmente olhar a outra. Ali estava uma jovem Alice, ela vestia um lindo vestido vermelho e um laço no cabelo combinando, ela segurava uma grande taça dourada e atrás de si estava um enorme Emboar. — Seu primeiro pokémon — Aquele foi o momento em que ganhou o Grand Festival. Ela parecia radiante... Aquela foto foi tirada alguns dias antes dela conhecer Edward.

Rapidamente limpou uma lagrima que escorria por sua bochecha. — Estava fazendo muito isso hoje — guardou as fotos outra vez no bolso e começou a arrumar algumas peças de roupas dentro da mochila. Ela fugiria daquela casa hoje á noite mesmo. Faria isso por sua mãe.

Não ia deixar ninguém substitui-la, nunca.

Assim que terminou de arrumar as roupas, foi até a pintura de uma paisagem que ficava em cima da cabeceira da cama e empurrou para o lado, ali estava o seu cofre pessoal. Tirou quase todo o dinheiro que tinha ali e a Luxury ball de Dratini.

     — Hey... Dratini... — Se aproximou da cama e cutucou a criatura enrolada em cima do travesseiro — Acorde...

Com lentidão e preguiça ele piscou os olhos, se esticou todo para se espreguiçar e observou sua amiga. Ela ainda estava com o vestido rosa, parecia que havia acabado de sair da festa e... Pra que a mochila?

     — Sei que não gosta de entrar aqui mas... — Apontou a esfera negra e dourada para o pequeno dragão — É necessário.

E o retornou.

     — Não se preocupe, logo poderá sair de novo — Sussurrou com a boca perto do botão.

Guardou a Luxury ball na mochila e andou até a janela — Não poderia sair pela porta da frente aquela hora, algum empregado poderia ver e ir direto falar com seu pai — abriu e colocou um pé para fora, antes de passar o outro relutou um pouco. Olhou para trás, observando o enorme quarto... Será que fazer aquilo era certo?

Sacudiu a cabeça e finalmente passou o outro pé para fora, não percebendo que enquanto se afastava, um pedaço da saia de seu vestido rasgou ficando preso a janela.

Agora estava de pé em cima das telhas da casa, seu quarto ficava no segundo andar. O vento noturno bagunçava seu cabelo e provocava calafrios, a garota olhou em volta procurando um meio de descer. Avistou uma grande arvore e caminhou com cuidado até lá.

A arvore ficava um tanto afastada da casa, ela teria que pular.

Tomou impulso, respirando fundo... Correu e pulou. Em quanto pulava um único pensamento se passou por sua mente. "EU ESTOU CAINDO!" Porem antes que pudesse entrar em pânico, esticou suas mãos em um gesto automático e agarrou um galho da arvore como se sua vida dependesse disso (e talvez dependesse), ficou pendurada alguns momentos, apenas respirando.

Assim que seus braços não aguentaram mais ela soltou, caiu em um galho mais baixo que quebrou com seu peso... Então caiu com tudo no chão.

Reprimindo um grito de dor, — aquilo realmente havia doido — se levantou batendo a terra das vestes. Olhou em volta tentando enxergar alguma coisa na escuridão... Agora que estava ali em baixo viu o quanto idiota ela era. Como, afinal, ela iria sair dali?

Todos os muros eram grandes demais para se pular e os portões eram controlados por guardas e eletrificados.

Já estava pensando em subir naquela arvore de novo e voltar para o seu quarto, acabando com aquela doideira toda quando ouviu vozes vindo de algum lugar ali perto. Sobressaltou-se e correu para trás da arvore, talvez já tivessem descoberto sua fuga... Porem não parecia ser isso, as vozes viam de onde devia ser a garagem.

Deu a volta na enorme casa, se embrenhando na escuridão, sempre se abaixando quando tinha que passar por alguma janela. Quando finalmente chegou perto o bastante pode ver alguns homens carregando varias caixas em um enorme caminhão preto.

Se estivesse em um desenho animado com toda certeza uma lâmpada estaria se acendendo em cima de sua cabeça agora. A garota ficou esperando enquanto terminavam de carregar o caminhão e quando avistou uma oportunidade... Correu até la e entrou, se escondendo atrás de algumas caixas. Ficou encolhida apenas ouvindo as vozes ali fora.

Passado alguns minutos a porta do caminhão fechou, deixando a garota na completa escuridão. Nesta hora o mesmo pensamento se repetia na cabeça de Lucia, como se alguém o sussurrasse. "O que eu estou fazendo?... O que eu estou fazendo?” Não parava de se repetir.

Quando o caminhão finalmente começou a andar ela sentiu uma enorme vontade de chorar. O que, afinal, ela foi fazer? Estava fugindo sabe-se lá para onde, não conhecia ninguém que pudesse ajuda-la e agora pensava no que seu pai poderia fazer quando descobrisse. Com certeza colocaria Unova a baixo até encontra-la.
Então se lembrou da sua vida naquela casa... Sempre presa, sem puder ir aonde queria, falar com quem queria ou até mesmo fazer o que queria.

Se ficasse naquela casa ainda teria que aturar Eileen "sua nova mãe", além de conviver com o pensamento de nunca ter feito nada de bom, nada que realmente valesse de alguma coisa.

O ultimo pensamento que teve antes de cair no sono foi desejando que o caminhão parasse longe, bem longe de tudo aquilo.

                                                                          oOo

Quando o sol acabava de nascer na cidade de Nuvema, Jacob Smith ainda dormia a sono solto. Sempre foi de dormir até tarde, não seria agora, na casa de sua tia que tomaria jeito. Infelizmente Juniper não pensava assim, logo às seis horas da manha entrou no quarto de hóspedes da sua casa que ficava atrás do laboratório. A mulher vestia uma simples regata branca, saia verde acima dos joelhos e um jaleco branco aberto por cima. Seu cabelo castanho claro estava amarrado para cima, deixando a mostra seus olhos verdes.

Assim que entrou conseguiu ver a cabelereira loira de seu sobrinho de dezesseis anos por cima das cobertas. Jake havia sido mandado para seus cuidados a dois dias. Sua irmã não sabia mais o que fazer, ele havia sido expulso de mais um colégio e só fazia arranjar problemas. Andou até o lado da cama e cutucou o amontoado de cobertas, coisa que só vez o garoto resmungar e rolar para o outro lado.

     — Nada disso, acorda Jake. — Falou já saindo do quarto — Não vai querer que eu chame Patrat para lhe acordar de novo não é?

     — Já acordei! Já acordei! — O garoto se levantou de um pulo, seus olhos azuis estavam abertos em susto e seu cabelo loiro dourado completamente arrepiado.

A mulher sorriu de lado antes de fechar a porta, talvez não fosse ser tão difícil assim.

O loiro apenas grunhiu e bateu a cabeça contra o travesseiro, acordar cedo definitivamente não era o seu forte, porem ainda tinha a marca da mordida que levou ontem daquele pokémon ridículo. Bufou um pouco mais alto e jogou as cobertas de lado para se levantar da cama. Pegou algumas pesas de roupa e se arrastou até o banheiro no fim do corredor, ficando por lá pela próxima meia hora.

Quando saiu do banheiro estava completamente diferente, agora ele vestia uma bermuda jeans escura junto com uma camiseta vermelha e tênis pretos, seu cabelo antes tão desarrumado agora estava penteado em um caprichado topete arrepiado.

Jake caminhou até o laboratório de sua tia, ela sempre estava lá então não era difícil encontra-la. O laboratório era todo branco e bem iluminado, com um grande balcão de pedra no meio com computadores e um grande microscópio. O garoto olhou um pouco em volta, sua tia não parecia estar em lugar algum.

    — Tia? — Chamou — Tia Ju?

    — Estou aqui fora! — A voz veio da porta que dava para a rua. O loiro seguiu e voz e saiu do laboratório, tendo uma ótima vista da calma e pequena Nuvema, bem diferente de sua cidade natal, Mistralton. Não que ele tivesse alguma opção é claro. Foi praticamente arrastado até lá por sua mãe e tia depois daquele pequeno "acidente" na sua antiga escola. Seus pais tinham certeza que passar as ferias de verão com sua tia daria um jeito nele, algo sobre a cidade calma e o contato com pokémons, é difícil saber já que ele estava usando fones de ouvido quando sua mãe falou sobre isso. — Vejo que já acordou.

O garoto mandou um olhar frio para sua tia que correspondeu rindo brevemente. Ela estava rodeada de pequenos pokémons pássaros e jogava migalhas para eles.

     — Quer alimentar os Pidoves também? — Perguntou ela oferecendo o saquinho de pão.

     — Nossa... Parece tão divertido. — Falou o garoto debochando — Mas dessa vez eu passo, obrigado.

Ignorando completamente o tom de deboche na voz de seu sobrinho a mulher voltou a jogar as migalhas e disse gentilmente:

     — Então por que não da um passeio? — Falou Juniper — Esse é um ótimo horário para isso.

Jake pensou em dar alguma resposta atravessada novamente, porem pensou melhor e viu que não era uma ideia tão ruim assim, levando em conta todo o tedio da cidade, dar um passeio seria a coisa mais animada a se fazer. Quando já estava se afastando do laboratório ouviu sua tia gritando para ele.

     — Só não vá muito longe, os pokémons estão em época de reprodução e não iriam gostar nada nada de ter alguém pisando em seu ninho.

O loiro apenas levantou a mão acenando que havia ouvido.

                                                                                  oOo

Quando Lucia abriu os olhos e não viu nada além da penumbra e caixas e mais caixas empilhadas, ela entrou em pânico. Levou alguns minutos até se acalmar e lembrar aonde estava e o que havia feito. Agora sim ela estava em pânico. Ela havia dormido por quanto tempo? Onde estava? Já haviam descoberto de sua fuga?

Ela resolveu que teria que sair daquele caminhão de uma vez, não queria nem imaginar o que fariam se a encontrassem ali. Então andou se apoiando nas caixas, pois o caminhão balançava demais, como se estivessem em uma estrada esburacada... O que ela não sabia se era bom ou ruim, afinal não havia estradas esburacadas em Castelia.

Abaixou-se e procurou a tranca da porta do caminhão, felizmente estava destrancada. A garota levantou a grande porta e ofegou, estava aparentemente no meio de uma pequena floresta — pelo menos era isso que ela achava — tudo em volta era cheio de arvores e o chão era de terra batida, devia ser de manha pois o sol ainda não nascera completamente e toda a vegetação parecia brilhar com o orvalho. Não tinha jeito, ela tinha que pular, floresta ou não. Depois ela daria um jeito.

Andou dois passos para trás e... Nada, apenas ficou parada tentando arranjar coragem. Uma furiosa briga acontecia na cabeça da garota, entre pular ou ficar ali e desistir. Mas ela já havia chegado tão longe...

Deu mais um passo para trás e segurou firme nas alças da mochila. Então ela finalmente pulou.

Caiu rolando na terra até bater em uma das arvores ali perto, gemeu de dor, mas sua boca estava cheia de terra, ela toda estava cheia de terra... Seu vestido, seu cabelo, todo o seu rosto, além dos arranhões que tinha nos braços e pernas. Se apoiou na arvore e levantou.

Deu uma olhada em volta para saber onde estava, porem não se via nada além das arvores a sua volta, mancou um pouco e se sentou se encostando na arvore. Lagrimas começaram a escorrer de seu rosto... O que ela tinha que fazer agora? Estava completamente perdida, sem saber o que fazer. O que adiantava o dinheiro que ela havia trazido se não tinha aonde comprar comida ou passar a noite? Nem celular ela tinha, pois poderiam rastreá-lo.

Um barulho agudo chamou sua atenção, ela levantou a cabeça e o que ela viu fez todo o sangue fugir de seu rosto e o ar de seus pulmões congelar. Um enorme gato roxo e amarelo a encarava com fúria, ele chiava de raiva enquanto os pelos de suas costas estavam eriçados e suas garras preparadas para atacar.

Lucia se levantou devagar, toda a dor da queda já havia sido esquecida. Liepard a seguia com os olhos sem nem mesmo piscar. Apenas movendo os olhos a garota olhou para baixo, neste momento ela poderia até bater sua cabeça na arvore e se chamar de idiota freneticamente, ao lado de seus pés três ovos descansavam. Muito provavelmente do pokémon furioso a sua frente. Como ela pode ser tão burra a ponto de sentar bem em cima de um ninho pokémon?

Antes que ela pudesse pensar em agir, Liepard fez um movimento rápido com as garras e a atacou. Com certeza teria acertado em cheio se Lucia não tivesse se abaixado, pedaços da casca da arvore cortada caíram bem ao lado da garota que saiu correndo com o pokémon logo atrás.

A morena gritou por ajuda, porem não havia ninguém ali para ajuda-la. Correu desesperada até a beira de um pequeno lago que ali havia, não teve escolha se não parar. Virou-se e olhou assustada para os lados concluindo que estava encurralada.

O pokémon se aproximou devagar, como se soubesse que já havia ganhado aquela luta. Avançou em direção a garota que com desespero rolou para o lado. Liepard apenas conseguiu abrir cortes na perna da menina. Lucia gritou e rastejou para trás, segurando a perna machucada e tentando parar o sangue que saia.

A criatura já se preparava para atacar novamente quando uma forte paulada foi acertada em sua cabeça, o pokémon tonteou um pouco até finalmente conseguir focar a visão na pessoa que o atacou.

                                                                                oOo

Jake deixou a cidade de Nuvema e andou pela rota de saída da cidade, ali era realmente agradável. Uma brisa soprava levemente e os pokémons andavam calmamente por ali, nem olhando quando ele passava. Provavelmente já estavam acostumado com pessoas, se lembrou de manter distancia dos ninhos pois sabia que era perigoso chegar perto demais.

Já pensava em voltar pra a casa de sua tia para comer alguma coisa quando ouviu um grito. Aquilo soou desesperado e assustado, o garoto estancou no lugar, sem saber o que fazer.

Ouviu mais uma vez e sem pensar duas vezes correu na direção da voz que pedia ajuda. Passou pelas arvores tropeçando em algumas raízes expostas, mas nem se importava, a única coisa importante agora era salvar o dono daquela voz desesperada. As arvores foram ficando mais espaçadas até finalmente chegar a um lago, o que o loiro viu o fez abrir os olhos em espanto completo.

Uma garota tentava a todo custo se afastar do pokémon roxo e amarelo que se aproxima lentamente. A garota tinha os cabelos desarrumados e estranhamente usava um vestido cor de rosa que estava em péssimas condições, Jake ainda pode ver que ela segurava a perna machucada.

Olhou em volta rapidamente e achou o que procurava, um grande pedaço de madeira. Segurou firme o galho grosso nas mãos e correu até o pokémon quando ele se preparava para atacar, girou o bastão e acertou com tudo na cabeça do Liepard. O pokémon ficou visivelmente zonzo, mas não foi por muito tempo, logo já se preparava para atacar o novo humano que se atreveu a entrar em seu caminho.

Avançou com as garras expostas até o garoto que mais uma vez girou o pedaço de madeira, tal movimento acertou em cheio o pokémon que foi atirado longe com um machucado feio na altura das costelas. Liepard se levantou com dificuldade e arqueou as costas em dor, correu deficientemente para longe daquele lugar.

Jake largou o bastão levemente sujo de sangue e pelos. Olhou para o lado e viu a garota, ela parecia estar tonta pois não focava direito o olhar nele. Se aproximando mais ele viu a razão para isso, suas vestes estavam encharcadas do sangue da ferida na perna, sem falar dos outros arranhões.

     — V-Você esta bem? — Perguntou se aproximando — Qual seu nome?

     — Não... Não se aproxime. — Falou com a voz fraca e se arrastou para trás, ainda segurando a perna — Fique longe de mim!

     — Calma, eu só estou tentando ajudar! — Exclamou e se aproximou mais um passo

     — Fique... Longe... — E desmaiou.

O garoto ficou observando a morena desacordada por algum tempo, suas feições agora relaxadas eram bonitas, mas estavam sujas de terra, assim como seu vestido que estava rasgado, sujo e seu corpo estava severamente machucado. Ele rapidamente pegou a mochila que ela carregava e ajeitou nas costas, logo a pegando no colo e saindo daquela clareira.

Andou rapidamente até a cidade, tinha que levar a garota até o laboratório. Sua tia saberia o que fazer.

                                                                             oOo

Edward acordou com o coração pesado naquele dia, não gostava de brigar com sua filha ainda mais com um assustou tão difícil quanto seu casamento. Lucia não gostava da ideia de uma mãe substituta, porem ela precisava de uma. Sabia não dar a devida atenção para sua filha, mas não fazia de proposito, afinal era muito ocupado. Deixando Eileen dormindo na enorme cama de casal, o homem levantou, colocou o robe negro por cima do pijama e foi até o quarto de sua filha.

     — Lucy, querida... — Chamou abrindo a porta.

Assim que entrou percebeu que algo estava muito errado, sua filha não estava na cama. Ele foi até o banheiro e voltou, quando ia sair pra procura-la pela casa avistou um pedaço de pano rosa preso a janela. Se aproximou devagar e pegou o pano nas mãos, uma chama de compreensão se acendeu em sua cabeça, imediatamente ele olhou em volta, percebendo os detalhes que antes não havia reparado.

A porta do roupeiro aberta com uma peça de roupa jogada perto e o retrato onde ficava o cofre de sua filha estava muito mal colocado. Foi até lá e o empurrou para o lado, só para comprovar o que mais temia. O cofre estava praticamente vazio e a Luxury ball do pokémon dela também não estava lá.

Não... Ele com certeza estava errado... Sua Lucia nunca faria isso... Ou será que faria?

Correu para fora do quarto, chamando por seus guardas. Nenhum deles havia visto movimentação alguma, mas como, sua filha poderia ter fugido?

Ele tinha que encontra-la o mais rápido possível, antes que algo terrível acontecesse.
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Re: Pokémon - Get Away

Mensagem por Drack em Dom 4 Ago 2013 - 21:48

Olá. o/ Devo dizer que gostei bastante deste capítulo, foi grande (coisa que adoro :3) e recheado de história.

No que se diz respeito à gramática, ainda pode se encontrar os mesmos problemas de acento do prólogo. Alguns exemplos:


@Amanda R. Malfoy escreveu:Rapidamente limpou uma lagrima que escorria por sua bochecha. (Aqui faltou um acento agudo em lágrima.)

Não ia deixar ninguém substitui-la, nunca. (Faltou um acento agudo em substituí-la)

Avistou uma grande arvore e caminhou com cuidado até lá. (Faltou um acento agudo em árvore.)


Sem falar de outros; mas não se preocupe, isso não afetou muito o texto. Talvez a utilização do word ajudaria. Não percebi nenhum outro erro muito alarmante, só alguns momentos estranhos com o travessão. Sua narração também deu uma "focada" agora, se prendeu bem mais na terceira pessoa, ficando menos confuso.

Gostei muito da Lucia e do Jake nesse capítulo, ambos tiveram um ótimo espaço no texto; sua descrição da personalidade mais "selvagem" dele e a personalidade meio saudosa e melancólica da garota deixaram os personagens bem reais e muito gostáveis. Eles foram realmente bem utilizados.

A sua jogada com os dois pontos de vista (e um terceiro lá pro final) foi bem interessante, que conseguiu acabar com uma repetição chatinha da mesma história. E de maneira geral, os acontecimentos do capítulo foram bem feitos e coincidiram muito bem. Agora vamos ver como a história vai seguir daqui, e espero um desenvolvimento legal no mau-caráter do Jake o/ É isso, boa sorte aí na sua fic.
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Re: Pokémon - Get Away

Mensagem por Gus em Sex 9 Ago 2013 - 23:27

Oi. Tudo bem com você? Sabe, eu adorei sua fanfic. *-*

Coitada da Lucia, perder sua mãe logo cedo não é fácil para ninguém. Mas, ela teve coragem e fugiu, mas achei estranho nenhum guarda ter visto, ou então, ela é boa para fugir. Jake parece um bom rapaz, salvou sua "amiga" do Liepard. E o pai da Lucia pareceu bem preocupado com ela.

Enfim, acho que você poderia centralizar o título do capítulo, fica mais bonito.
E Olha, sua fanfic é muito bem escrita, narrada e etc, mas como o Drack já falou, você não acentua quase nenhuma palavra, isso é chato as vezes quando está lendo.. Sabe, o word ia ajudar muito isso mesmo. E você também deve por vírgula antes das palavras "mas" e "pois"

Aqui:


Assim que entrou conseguiu ver a cabelereira loira de seu sobrinho de dezesseis anos por cima das cobertas.
Era pra ser cabeleira, certo?

...

É isso, ansioso para seu próximo capítulo.


Black: Fanfic trancada por inatividade. Caso queira reabri-la mande uma MP a qualquer FFM.

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