Pokémon Mythology
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Nouvelle Vague

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Nouvelle Vague

Mensagem por Yoshihime em Sex 28 Jun 2013 - 1:41

Venho aqui com mais uma fic, dessa vez desenvolvida em parceria com o Mag, vai ser bem experimental pra ambos...

Nouvelle Vague


Prólogo

Nouvelle Vague... Nouvelle Vague... É assim que estão chamando esse fenômeno no meio científico e acadêmico. As pessoas da população geral, da massa de manobra, não têm conhecimento algum sobre o que é isso, a menos, é claro, que faça parte dessa nova onda. “Mas o que é isso?” você deve estar se perguntando, é exatamente o que o nome diz, uma nova onda, uma nova onda de humanos.
 
Pessoas por todo mundo passaram, nos últimos cinco anos, a apresentar estranhas e variadas habilidades. Não se sabe ao certo a razão que levou a isso, muitos cientistas acreditam que seja mutação genética, outros seguem essa linha para uma evolução e surgimento de uma nova espécie, alguns dizem que há nesses eventos coisas que vão além da ciência conhecida.
 
O fato é que pessoas normais estão sendo surpreendidas ao perceber que conseguem fazer coisas extraordinárias ou patéticas. Há o caso de um homem nos arredores de São Petersburgo que transformava qualquer coisa que tocasse em girassóis, assim ele conseguiu destruir um pequeno vilarejo quase completamente, acabou louco. Em Buenos Aires uma garota fez desaparecer um carro, no dia seguinte foi encontrado, mas estava reduzido a um centésimo de seu tamanho inicial.
 
Essas pessoas começaram então a ser recrutadas para servirem como objeto de pesquisa, contudo, sua vida pode se tornar um verdadeiro caos antes de ser descoberto pelas autoridades.
 
O mundo está entrando em uma nova era.
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Re: Nouvelle Vague

Mensagem por Black~ em Sex 28 Jun 2013 - 11:26

Bom, vamos lá.

A história pelo que o prólogo apresentou foi muito interessante, essa nova onda de humanos, pessoas com certos "dons" e habilidades. No começo achei que fosse algo como super-heróis que teriam poderes e blablabla, mas vi que é algo bem diferente, e bem mais sério.

Eu achei bem tenso o cara ter transformado a cidade em um monte de girassóis o.o , também foi tenso a mulher que transformou o carro em apenas um centésimo do tamanho original, realmente é tudo muito tenso, quero ver como serão os outros.

Ao que parece eles serão recrutados pra fazer algum trabalho "macabro" por alguns malandrinhos que querem ganhar dinheiro -q. Bom, acho que você explicar depois como eles ganharam esses poderes, se foi algo planejado por alguém, ou se foi algum "acontecimento da natureza", mas enfim.

Erros não vi nenhum. Portanto é só, e boa sorte com a fic.
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Re: Nouvelle Vague

Mensagem por laser queer em Dom 30 Jun 2013 - 17:41

Gui. O:

Cara, eu gostei da proposta. Quer dizer, pode parecer um pouco clichê falar de super heróis, mas não tem como algo não ser pelo menos um pouco clichê hoje em dia, creio eu. Bom, de qualquer forma, foi um bom jeito de introduzir, eu ri muito com o primeiro exemplo. -q

De qualquer forma, boa sorte.

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Re: Nouvelle Vague

Mensagem por Mag em Qua 21 Ago 2013 - 2:11

Obrigado Black e Date por comentarem. Eu e o Gui ainda estamos decidindo muito do que vai acontecer. Fiquei com a responsa de postar o primeiro capítulo e tentei introduzir por meio de uma espécie de exemplificação. Desculpem demorar, estou anti-inspiração esses dias. Espero que gostem.


1
Cruel Cantora

Era uma tarde escaldante na grande Berlim. Clima propício para que grupos de amigos se refugiassem em aconchegantes pubs a fim de tomarem do trincado schoppen alemão enquanto se dispendiam em conversas embriagadas sobre tudo que vinha à mente – nada de censura, nada de tabu.

À simpática cantora responsável por alegrar um pequeno pub localizado numa periferia da capital germânica, as cenas dos grupos rindo e conversando euforicamente era reconfortante. No fundo, aquilo a ajudava a continuar naquele trabalho mal remunerado e que nunca garantia reconhecimento. A única vez que um cliente viera lhe elogiar pessoalmente tinha sido com a finalidade quase óbvia de leva-la para a cama. Mas ela não se orgulhava de ter sido ingenuamente ludibriada.

O bar em que trabalhava era o maior e mais bem frequentado da proximidade, mas estava longe de alcançar o ideal esplendor das famosas casas de chope da Alemanha. Como a freguesia havia crescido recentemente, os donos ainda discutiam o nome próprio que dariam ao recinto, com a possiblidade remota de trocar o simples letreiro da entrada, que dizia apenas “Das Bierhaus”. Mas seguia a aparência tradicional de roupagem rústica, com balcão e piso de madeira bem polida, mesas e cadeiras confortáveis, grandes copos de vidros grossos para servir chope de qualidade.

Ao fim da canção Time After Time, da Cyndi Lauper, da qual ela gostava especialmente de cantar pois achava que cabia perfeitamente em seu tom áspero de voz, a dona do pub aproximou-se sutilmente. Ela já sabia o que era, e respirou calmamente. O filho dos proprietários trabalhava de garçom no bar durante a tarde, mas ultimamente sempre saia escondido antes do horário combinado; ela desconfiava que ele usava drogas, mas não ousava mencionar aos pais. Para a cantora, portanto, sobrava o trabalho de garçonete. Não se revoltava, aquele trabalho era sua maior segurança.

– Desculpe, querida, mas preciso de você para servir – desse a patroa.

Ela assentiu com a cabeça, guardando o violão na caixa atrás de si. Depois seguiu direto para o balcão, onde vestiu o avental e foi à mesa ocupada por clientes recém-chegados. Sorriu com simpatia, embora estivesse um tanto estressada com a situação que se repetia pela terceira vez na semana.

– O que desejam? – Perguntou.

Eram três rapazes jovens e bem apessoados. Conversavam entre si por cochichos e sem estardalhaço. Depois de alguns segundos inquirindo-se sobre o que pedir, um deles respondeu:

– Três copos de chope trincando, por favor.

Ela consentiu um pouco envergonhada. O sangue subiu-lhe à face involuntariamente e marcou sua pele clara. O homem que falou tinha voz grave, a pele negra, a cabeça sem nem um fio de cabelo, e seus olhos escuros a fitavam com um fervor apaixonado, com uma confiança inabalável. Além da insegurança que sentia ao ver alguém se interessar por ela, sempre tivera um fetiche incontrolável por homens negros possantes.

Deu as costas ao grupo e receitou o novo pedido à dona, que se servia de cozinheira no próprio pub.

– Obrigada, Evelyn. Você é uma boa moça – disse a mulher, olhando a cantora de seu pub com profunda sinceridade.

Evelyn sorriu fracamente em resposta, ainda em choque pelo contato com o olhar inconveniente do freguês. Nunca se sentira uma mulher realmente bela ou altiva. Tinha estatura média, a pele clara comum à raça ariana, olhos bem azuis. O único item que considerava admirável em si eram as madeixas longas e negras, que escorriam quase retas até a cintura. Desejava ainda, no fundo, que fossem mais encaracoladas ou até crespas. Características estéticas que, para ela, conferiam muito mais expressividade ao ser humano.

– Viu as olhadelas que o grandão te lança, querida? – Disse a patroa, sonhadora; apoiara os cotovelos no balcão, o chope ao lado aguardando ser entregue. – Já se foi a época em que os bonitões ficavam de chacota pra cima de mim.

– Ele é muito bonito... – Evelyn respondeu, a voz fraca.

– Deixe dessa timidez, menina. Cadê a mulher que solta a voz ali na frente sem o menor medo? Aproveite, porque esse tempo de juventude não volta depois – cutucou o ombro de Evelyn, apontando a mesa. – Agora vá, o chope está trincando.

Inconsequente, andou estabanada até onde se encontravam os três amigos tão bem comportados. Só se lembrou realmente de que estava diante de um cara que a observava com tanto interesse depois de já ter lhes entregue o chope.

– Obrigado – ele agradeceu.

Ela tremeu ao som daquela voz grave, tão sútil e harmônica. Sentiu dor na cabeça e ficou um pouco tonta. Desequilibrada, teve de apoiar-se com força numa das cadeiras para que não caísse. Os homens sentados à mesa olharam com espanto; um deles perguntou se ela se sentia bem. Respondeu que sim e andou depressa até à patroa, avisando-a que precisava usar o banheiro com urgência. Era a maldita menstruação. Nunca se sentia bem quando estava menstruada, e parecia que nunca se acostumaria. Recordava sua menarca, o dia desesperador em que sangue escorrera da sua parte mais íntima pela primeira vez. Desde então, tudo virara um inferno. O mais estranho era que nos últimos dias seu sistema hormonal estava todo desregulado, o que só piorava a situação. Naquela semana, tivera de usar absorvente todos os dias, para precaver. Pensou que precisaria ir a um médico no dia seguinte. Então lembrou-se, um tanto assustada, de que amanhã completaria 23 anos. Riu de si mesma, enquanto se limpava e trocava o absorvente.

Enquanto ria, uma dor monstruosa apossou-se de seu ventre. Ela olhou para baixo, onde estava para colocar o absorvente inutilizado, e um grito lhe escapou. Um sangue escuro, quase negro, escorria de sua vagina em enormes jorros, de uma maneira que nunca antes vira. Cobriu a intimidade com a mão e tentou se levantar. Caiu no chão atapetado do toalete e berrou como uma condenada. Sentia seus órgãos internos sendo literalmente torturados e dilacerados.

Jogada no chão, começou a se contorcer descontroladamente e os berros não mais cessaram. Ao longe, num universo que parecia outro, alguém batia numa porta, perguntando algo que ela nunca pôde compreender. As batidas na porta aumentavam a força à medida que seus próprios gritos e contorções convulsivas ficavam mais intensas. Num momento de súbito terror, abriu os olhos e levantou a cabeça. Então achou que estava louca. No lugar da sua barriga e da perna, estava um corpo repleto de pelos grossos, de cor bege. Quando a dor aumentou, jogou a cabeça contra o chão e sucumbiu num pesadelo delirante.

Fora, na porta do banheiro, a proprietária do pub já estava em prantos, gritando por ajuda, depois das tentativas infrutíferas de chamar por Evelyn e de tentar abrir a porta trancada. Um homem negro e forte, um dos últimos fregueses a entrar no bar, se aproximou calmamente para ajudar, enquanto o resto do pub observava com tensão. Naquele momento os gritos e sons de coisas caindo e se quebrando dentro do toalete já haviam cessado. O pequeno pub estava num silêncio mudo. A dona chamou pela cantora outra vez e não obteve resposta.

– Vou tentar arrombar a porta. Todos se afastem, por favor.

A proprietária e alguns fregueses mais próximos se afastaram. O homem agarrou a maçaneta e começou a balançar a porta com força, mas logo provou ser mais resistente do que ele esperava. Pegou distancia, impulsionou-se e bateu o ombro contra a madeira. No mesmo instante ela caiu, mas para o espanto de quem assistia, a porta abrira-se de dentro do banheiro para fora, e não o contrário. Debaixo da porta, o homem negro encontrava-se estatelado, as pálpebras fechadas; havia desmaiado.

E ali, à frente de uma seleta freguesia de um dos milhares pubs alemães, estava um demônio retirado dos mitos de uma das mais ancestrais civilizações humanas. O corpo de Evelyn tornara-se robusto e estava coberto por uma grossa cabeleira marrom clara, os braços e pernas foram substituídos por grandes patas, as garras bem expostas, como uma leoa. Enormes asas de águia estendiam-se horizontalmente a partir de sua coluna. A cabeça e o busto, porém, mantinham-se o da mulher outrora tão simpática. Os seios maduros e sem sequer um rastro de pelos contrastavam com a pelagem que encobria o resto do corpo. Os longos cabelos negros avultavam sobre sua nova forma, e os olhos azuis eram agora desvairados. Era a lendária Esfinge, a cruel cantora que ressurgira dos recônditos da mitologia grega.

Pânico tomou conta dos clientes do pequeno pub. Vários saíram correndo, tombando uns contra os outros. Alguns, mais corajosos e curiosos, permaneceram, estáticos, próximos à saída do bar, observando com certa admiração e espanto aquela fantasia pitoresca.

A Esfinge parara pouco depois do toalete e observava com calma o lugar onde se encontrava. Subitamente, ela abriu suas asas e saltou em cima do balcão de atendimento, onde a dona do pub estava encolhida de medo. Nisto, a mulher começou a gritar a plenos pulmões, as lagrimas escorrendo por sua face.

– Decifra-me, ou devoro-te – anunciou a voz áspera e ritmada da cruel cantora. – Qual o animal que, do repouso dos humanos é implacável inimigo, tornou mil amantes invejosos de sua sorte, se alimenta de sangue e encontra vida nos braços daquele que procura sua morte?

Uma expressão de confusão se apossou da dona do bar. Ela olhava para os lados, sem conseguir parar de chorar. Parecia não decidir se dava atenção ao que a criatura lhe dizia, se gritava por socorro ou se, como decisão fatídica, caia logo, desmaiada. A voz da cantora assomou-se novamente aos sons estardalhados da proprietária da casa de chope.

– Decifra-me, ou devoro-te.

A mulher saiu correndo abruptamente em disparada na direção da porta que dava para a rua. À poucos metros de atingir a saída, a Esfinge alcançou-a por cima, impiedosa. Colocou-se de pé diante dela, mesmo quadrupede, e com as duas patas dianteiras envolveu o pescoço de sua ex-patroa. Começou a estrangula-la. Em poucos segundos, o rosto da mulher já estava vermelho e inchado; sangue escorria por suas costas, descendo de onde as garras da Esfinge a haviam perfurado. Quando morreu – ou quase – a cantora jogou a mulher ao chão e lançou-se sobre ela sem qualquer cerimônia, abocanhando sua barriga e alimentando-se de suas vísceras.

As outras pessoas que ainda se encontravam no pub começaram a gritar alucinadas, correndo sem controle para fora, atropelando-se e derrubando-as umas às outras. A Esfinge continuou sua refeição como se nada pudesse abala-la.

O alarido na rua chamou a atenção de um homem à paisana, que logo se colocou a caminho. Quando chegou à entrada do pub, todos já haviam saído, exceto pelo outro que estava preso debaixo da porta e pela Esfinge que devorava a mulher. Era um homem com pele negra e lisa, o rosto marcado por uma barba bem feita; o cabelo crespo descia pelas costas e sobre a própria face num penteado rastafári. Os olhos, únicos, eram de um preto puro. Sob as finas roupas que trajava, os músculos naturais sobressaiam-se. Na boca, um charuto.

Parado, assistia de longe, com um pouco de asco, o que acontecia dentro do pub. Era uma das cenas mais bizarras que já vira. O mais incrível era que não se assemelhava em nada às imagens de filmes de terror qualificados pela crítica. Acontecia com a maior naturalidade que se possa imaginar. A cabeça perfeita de uma mulher se enfiando nas entranhas de outro ser humano, devorando todo órgão que cruzasse à sua frente.

– Então isso é a Esfinge... Pensei que me sentiria atraído – desdenhou.

Então suspirou profundamente e fechou os olhos. Pela primeira vez a atenção da Esfinge desviou-se do cadáver. Ela dirigiu seu olhar para o intruso, a cauda como de uma cobra serpeando de um lado ao outro. Com a cabeça virada, sorriu num tom sarcástico para aquele homem. Ele abriu os olhos e pôde jurar que, se não fosse pelo sangue que sujava toda a face dela, seria uma simples menina – sim, uma menina – zombando dele. A cantora começou a se aproximar.

– Nada disso, pode ficar quietinha aí – disse, grave.

Fitou-a com as pálpebras bem abertas, e a cor preta de seus olhos começou a se desdobrar gradualmente numa miríade de colorações, do azul bordô ao dourado brilhante às cores inominadas, até se fixar finalmente num carmesim estonteante.

– Decifra-me – iniciou a Esfinge.

– Ou devoro-te – cortou-a o homem.

A Esfinge travara à sua frente e ele pensou que havia conseguido se apropriar dela, até que a cantora abriu a boca e prosseguiu sua canção com normalidade.

– Qual o animal que, do repouso dos humanos é implacável inimigo, tornou mil amantes invejosos de sua sorte, se alimenta de sangue e encontra vida nos braços daquele que procura sua morte?

Ele arregalou os olhos, confuso. Sequer imaginava a resposta. Mas outro fato o assustava. Não estava conseguindo fazer seu poder ocular atingi-la de maneira adequada, e agora um terror sufocante se apossava pouco a pouco dele, sentido até em seu estômago. Então isso era estar diante da Esfinge. Continuou a fita-la, impregnando o máximo de força que podia ao poder que tinha, porque se sentia incapaz de pensar em qualquer outra coisa além dessa que era sua necessidade primordial – continuar vivo. Os lábios tremeram e o charuto caiu no chão. Da sua boca escorreu um fino fio de sangue; então ele repetiu, peremptório:

– Decifre-se, ou devoro-te. – Da sua voz emanava acidez.

A Esfinge ficou estática novamente. Segundos depois, espantada consigo mesma, ela soltou:

– A pulga – respondeu-se.

Em seguida, a cantora emitiu um uivo estridente e totalmente desafinado, e ele viu que aquele som não era nem humano nem animal. O monstro olhou-o com um profundo ódio emanando daquela imensidão azul. Depois pulou para fora do pub e deu voos rasantes sobre a rua, jogando-se no chão e esfacelando o próprio corpo. Como último ataque a si mesma, ela se sentou no meio do asfalto e, com dentes humanos e o pescoço anormalmente alongado, mordeu o próprio seio até atingir o coração.

Neste momento, as sirenes de caros policiais e ambulâncias ouviram-se chegando na rua, onde a Esfinge encontrava-se arremessada. Um forte homem negro se distanciava do lugar, andando pela calçada. Carregava na mão esquerda uma garrafa de cerveja Weissbier, e na direita um novo charuto já aceso.




Não quis usar o enigma mais famoso e mais antigo do mundo, dito pela Esfinge de Sófocles, então saí pesquisando e o que eu usei, tirei daqui:
http://sbgfilosofia.blogspot.com.br/2009/12/contos-e-enigmas-filosoficos.html
Se alguns não conhecem a lenda dessa personagem da mitologia grega, recomendo que façam uma pesquisa rápida ou até leiam Édipo Rei, é muito bacana.


Última edição por toda chupadinho em Seg 9 Set 2013 - 22:18, editado 2 vez(es)
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Re: Nouvelle Vague

Mensagem por Caio. em Qua 21 Ago 2013 - 13:59

Caras, malz não ter lido. Antes não tinha visto e quando o Mag postou, já estava doidão das conversas que estava tendo com o Rush e meus olhos estavam ardendo pra ler q Achei bem interessante a proposta da fic. É muito diferente do que costumamos ver. É tipo um X-Men mutantezão completo (ok, essa foi a definição mais próximo, porém não a mais correta, do que eu originalmente quis expressar).

Acho que o trabalho em duplas será bom, ainda mais uma dupla tão boa. Mag, você deve parar de ludibriar os seus leitores com palavras difíceis, fazendo-os achar que ludibriar pode ser qualquer coisa, menos enganar q Ok, estou de sacanagem. Também curto usar palavras assim, tu sabe disso :c E sabe que eu fico bem macambúzio quando não consigo, não é? u.u

Essa mulher... Eu estava gostando dela :c E agora gosto ainda mais ;a Sempre curti esfinges. E essa parada do decifra-me ou devoro-te sempre foi algo bem, bem fodão. Espero saber mais desse carinha aí que decifrou, ele parece ser interessante.

PS: Adorei os locais onde a fic se passa. Você soube contar bem a cultura deles.
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Re: Nouvelle Vague

Mensagem por Yoshihime em Sab 7 Set 2013 - 5:23

é a minha vez, para o round 2, haha, obrigado pelo comentário a todos que comentaram desde o prólogo. com letras maiúsculas dessa vez. beijo.

2
Doce Depressão

Estava em sua vigília da madrugada, que era simplesmente se sentar em uma mesa em frente à janela, com o computador e olhar para a cidade, procurando nos pequenos edifícios ao redor do seu quem estaria acordado assim como ele, quais apartamentos estavam com suas luzes acesas como o seu. Enquanto isso digitava suas dores, suas queixas, seus tristes pensamentos noturnos, que a princípio vinham se alojavam em sua mente por algum tempo e depois sumiam no ar. Mas há algum tempo eles já vinham pra ficar, surgiam e não sumiam, nem quando escritos.

Fazia bastante frio em Roma naquela madrugada, estava com as luvas calçadas, mas constantemente se via esfregando uma mão na outra para aquecê-las. Um gorro negro tapava seu curto cabelo loiro. Seus olhos avelã pareciam assumir cada dia que passava uma face mais cinzenta.

Porque o tempo passava arrastado, deixando tudo de bom para trás, o que crescia em seu peito era um enorme vazio do ser, que ele não conseguia por nada preencher. Esse sentimento já fizera ele perder sua namorada, sua falta de vontade afastara ela, sua falta de energia de viver. Seu emprego, amigos, tudo ia aos poucos. As perdas só aumentam o vazio. E qualquer ganho parece inútil, fútil.

Emilio sentiu um aperto no peito. Uma vontade enorme de chorar ou de deixar existir, um sentimento qualquer de vontade de não ser, por não se pertencer mais. Mas morava no quarto andar de um prédio baixo, a possibilidade não morrer era grande. Salvou tudo que tinha escrito, não se via com energia para aquilo, para nada na verdade, quer saber? aquilo que tinha escrito não ficara utilizável, deletou.

Deu uma última olhada pela janela, só restava um apartamento aceso nas redondezas pelo visto, o seu. Apagou as luzes e se lançou na cama. Como de praxe o sono não veio, demorava sempre a vir, enquanto isso sua mente era invadida por inúmeros pensamentos do passado, da dúvida sobre se alguma vez fora realmente feliz, se algum dia seria de novo, se voltaria a conhecer novas pessoas, sair de seu quarto.

Acordou com sua campainha tocando. Quem seria? Ninguém o visitava há três semanas desde quando sua ex-namorada Cecília saíra pela porta para não voltar mais. Levantou-se. Estava ainda de luvas, casaco e gorro. Só precisava colocar calças. Pegou uma que estava jogada no chão e, como a maioria de suas roupas, não recebia uma lavagem há um tempo tão grande quanto a campainha ficara sem tocar.

Quando abriu a porta teve a certeza de que estava sonhando, mas não estava. Quem tocara a campainha foi um homem, ele estava ali em pé na sua frente, com um jaleco de couro marroquino negro, com saia, calças, luvas e botas de mesma cor, tudo de couro de maneira que tudo ficasse muito bem encaixado. Seu rosto era completamente tapado por uma máscara branca com um longo bico curvado se estendendo para frente, e dois visores de vidro escuro e redondo sobre os olhos, com uma cartola na cabeça e uma bengala debaixo dos braços. Se vestia exatamente como um Medico della peste.

O homem entrou sem pedir licença, se virou para o rapaz e disse: — Você é Emilio? — Ele retirou uma das luvas, exibindo uma mão branca como leite.

— Sim, mas quem é você? — antes de terminar de falar o homem pegou seu braço, tocando-lhe o pulso com a mão fria. Emilio sentiu algo maravilhoso passar pelo seu corpo, aquele vazio em seu peito começou a ser preenchido, seus olhos recuperavam o brilho, seu rosto a esperança, seus pensamentos não pareciam mais sombrios, ser era bom, ele se pertencia.

— uma moça chamada Cecília me mandou aqui, disse que você precisava de tratamento, — retirou de um bolso em seu jaleco um papel semelhante a um boleto — são vinte e cinco mil euros, daqui a sete dias eu voltarei para buscar o pagamento, você nunca mais vai afundar.

Ele já estava de saída quando Emilio tentou gritar: — Mas espera, como eu vou conseguir... — a porta bateu.

O que importava era que estava curado, seu corpo e mente perfeitamente bem. Queria sair pela rua, correr, gritar, dar pulinhos e socos no ar de euforia. Foi o que fez, colocou o papel debaixo do seu computador, se preocuparia com aquilo depois.

Enquanto estava andando pelas ruas pegou seu celular e ligou para sua ex-namorada, precisava agradecer ela por ter enviado aquele homem para curá-lo. “Ele foi mesmo, e funcionou? eu não acreditava que fosse algo efetivo assim, só arrisquei”, disse. “Funcionou, estou ótimo, as coisas estão mais bonitas, é como se eu conseguisse ver esperança em cada pequena ou grande coisa, você quer sair hoje? Podemos beber algo para comemorar...”.

Os dias passaram, assim como as noites, tudo brilhando bem, reatou laços, buscava um novo emprego, sorria como nunca antes, seu calor se espalhava e as outras energias positivas adentravam seu corpo, Cecília estava sempre linda, ele estava sempre bem.

O entusiasmo, a euforia nos cega, o corpo marcha para longe de preocupações, e vinte cinco mil euros não se arruma desligado, desenfreado. E os sete dias se passaram, com certeza fora a melhor semana de sua vida.

Era madrugada, Emilio chegava em casa levemente embriagado, errava alguns passos. Abriu a porta e logo acendeu a luz. Lá estava o homem sentado numa pequena poltrona no canto. Com seus visores de vidro escuro refletindo todo o apartamento. Sua bengala pousada em seu colo. Virou lentamente o rosto na direção da porta. Apontando com seu grande e curvado bico para o rapaz.

— Vim para o pagamento. — disse se levantando. — Está tudo muito bem na sua vida, não é? Então vamos em frente, acho que você me deve, sejamos rápidos.

— Mas... — Emilio estava confuso, se esquecera, estava tudo certo demais, seu coração saltou, se debateu rápido. Suava frio. — Eu não vou ter o dinheiro hoje... pode me dar mais tempo, vinte e cinco mil não é uma quantia muito fácil...

O homem retirou uma de suas luvas calmamente, mexeu seus dedos grandes e brancos. Caminhou lentamente até o rapaz. O bico de sua máscara tocou o nariz de Emilio por conta da proximidade.

— Você gosta da euforia que eu lhe dei, certo, — levou a mão fria até o rosto do jovem. — vou lhe dar um pouco mais...

O corpo de Emilio foi dominado por uma sensação maravilhosa, era um entusiasmo enorme que acabava por se tornar um prazer quase que sexual, ele urrou. Tudo estava maravilhoso, deu um sorriso bobo. Uma risada.

— Mais... — O homem desceu sua mão para o pescoço do rapaz que teve seu corpo invadido por mais euforia, se pôs a urrar de prazer, rir, sorrindo. A coisa só aumentava. O corpo de Emilio começou a tremer, seus olhos viraram para trás, sua língua enrolava, espumava pela boca. Seus batimentos estavam incrivelmente acelerados.

O homem calçou sua luva e levou o cadáver do rapaz até a cama. Com o indicador e o polegar fechou-lhe os olhos. Ouviu uma risada vinda da janela, se virou. Parado lá iluminado pela lua estava um jovem, usava um chapéu de guizos, em vermelho, verde e branco. Assim como uma roupa de bobo e maquiagem nas mesmas cores.

— E Spleen faz mais uma vítima. — Disse o Bobo seguido de uma gargalhada. — Acho que seus preços estão altos, meu caro, deveria abaixar isso.

— Dos meus preços entendo eu, Euforia. — Spleen se aproximou da janela. — O que faz aqui? Por acaso está me seguindo?

— Se você quiser chamar assim. — O bobo cruzou os braços sorrindo. — Eu diria que estou te fiscalizando, para passar o tempo, mas as coisas na sua vida são muito chatas, meu caro, você nunca recebe pagamento por suas curas, acaba matando todos seus clientes.

— Você pretende me roubar então... para um ladrão você não é nada discreto, usando essas roupas ridículas.

— Quem é você para falar sobre roupas ridículas?, olha como...

Spleen não poderia perder tempo, finalmente distraíra Euforia. Dividiu sua bengala em duas revelando uma lâmina longa e fina escondida nela. Cortou o ar na direção da janela. E foi só isso... quando percebeu o bobo havia desaparecido. Ouviu uma gargalhada atrás de si e virou. Seu adversário emergia do chão como se esse fosse água.

— Muito lento, meu caro, precisa melhorar essa velocidade se quiser me matar, melhorar muito, — a entonação da frase foi completamente crescente, quando terminou estava praticamente gritando — porém entendi o recado, não quer mais papear, poxa, achei que viajando sozinho você estaria disposto a alguma conversa comigo, mas me enganei. — O bobo se lançou novamente no chão afundando nele como em água, rindo.

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Re: Nouvelle Vague

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