Pokémon Mythology
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Por Acaso

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Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:39

Ali, sentado naquela cadeira, enquanto ouvia as palavras daquele senhor de cabelos grisalhos, encarando o corpo de minha amada, sentia vontade de fazer algo. Não. Ela não morrera em vão. Ou... Será que sim? Não! O que é isso?! Afaste estes pensamentos!

Imediatamente, levei minhas mãos à cabeça, chorando descontroladamente, sem medo do que os outros iam pensar de minha pessoa, estava pouco me importando para eles nesse momento! Logo senti mãos me acariciando a cabeça. Nesses momentos, era ela quem deveria estar fazendo isso... Era ela quem deveria me consolar enquanto eu chorava... Era ela quem deveria estar viva... Era ela... Ela que fazia a diferença... Ela... Ela... Estava morta.

Não havia mais nada a ser feito neste momento. A não ser, lamentar-me. O que eu havia feito? Foi minha culpa... Eu nunca deveria ter dito à ela... Poderia satisfazer-me só de longe. Sentindo seu perfume como um... Mísero... Amigo? Não agüentaria por muito tempo certamente... Mas de fato, estava morta, e nada podia ser feito. Dawn mais uma vez me disse em tom baixo

– Não chora Ash... Isso passa... – Disse enquanto acariciava minhas costas

– Não Dawn! – Murmurei soltando-me de suas mãos gentis e me virei para ela – Isso não passa! A May era o meu amor! E nada, nem ninguém irá mudar isso! Eu perdi a única pessoa que eu já amei em toda a minha vida! Não tenho mais razão de viver como um ser humano! Apenas... Um mísero e rejeitado... Covarde... Que deixou a garota que amava, morrer em seu lugar... Você não entende não é mesmo Dawn?

– Claro que eu entendo Ketchum... Ela era a minha melhor amiga, não fará falta só a você!

– Eu só quero um tempo... Um tempo para pensar...

– Aí Ketchum... Relaxa cara... Ela ta em um lugar melhor que esse... Você sabe dessa... Deixa disso cara... Justo você que sempre foi tão forte e tão frio... – Disse uma terceira voz

– Não é isso Gary! Você é meu primo cara! Pensei que soubesse que eu quero ficar sozinho! [palavra censurada]! – Levantei-me da última cadeira da fileira e me sentei na primeira. Era o único lá. Todos tinham medo de chegar perto do corpo. Porém isso não me incomodava.

Pus minhas mãos de volta nos olhos e comecei a chorar novamente, em silêncio, não permitiria que ninguém mais me ouvisse. Estava realmente frágil e precisava de amparo. Mas ninguém ousava chegar perto de mim. Exceto... Exceto ela... Aquele dia...

~ Flash Back On ~


Lá estava eu, andando de bicicleta no parque de Pallet. Andava alegre, “Rápido como um raio!” Este era o meu lema quando montava na minha “Bike”. Amava sentir o vento batendo com força no meu rosto. Coisa de criança sabe? Tinha apenas dez anos de idade. Era meio bobo. Como toda criança de minha idade... Até que me distraí com um grande caminhão que chegava na minha pequena cidade. Desviando minha atenção, bati em meu primo, que capotou no chão e levantou-se sério, como se nada tivesse acontecido, apenas me empurrou e eu caí no chão, ralando o joelho. Como eu era um conhecido... Pirralho... Abri o berreiro e comecei à chorar.

Até hoje não entendera por que Gary fez aquilo comigo. Enquanto chorava no chão, meu primo ria juntamente de Paul, meu melhor amigo. Minhas amigas também zombavam de mim. Isso me deixou ainda mais triste. Logo vi uma garota desconhecida vindo correndo em minha direção, ela tinha olhos azuis e cabelos de cor-mel, rapidamente ela se agachou ao meu lado e sorriu.

– Você está bem menino? – Falou com o mesmo sorriso no rosto

– Ah... Aham – Dei uma fungada antes de responder, o que à fez dar uma pequena risada

– Venha na minha casa, acho que a minha mãe pode cuidar de você... – Disse examinando meu ferimento. Eu corei de leve – Vem! – Puxou-me pelo braço. Sem escolha, acabei indo

– Ah... Quase me esqueci... Meu nome é Ash! O seu como é?

– Meu nome é May! Sou nova aqui na cidade... Estava vendo o meu pai com os Pokémon dele e acabei me distraindo, mas quando vi aquele garoto te empurrando eu corri pra ver se estava bem... Eu sei que mal te conheço, mas sou muito preocupada com as pessoas... Meu sonho é ser uma grande Coordenadora!

– Puxa! Que sonho legal! Eu quero ser um grande Mestre Pokémon! Vou capturar todos os Pokémon do mundo!

– Esse também é um sonho super legal! Olha... Chegamos – Falou entrando dentro da casa – Mamãe!

– Diga May? – Disse uma mulher alta se aproximando de mim

– É que o meu amigo novo, ele caiu e machucou a perna. Você pode dar um jeito nele? – A menina disse apontando para mim

– Ah meu anjo... Claro! Vejo que já está fazendo novos amigos... Isso é ótimo. – Gritou a mulher da cozinha pegando uma caixinha branca – Qual o seu nome garotinho? – Ela me perguntou

– Meu nome é Ash... – Respondi com um meio sorriso

– Que nome bonito! Meu nome é Caroline. Nossa... Vejo que foi uma queda feia hein?

– Ah... Isso foi o meu primo, ele me empurrou. – Falei como se fosse algo simples – Ele é mais velho que eu dois anos, daí acha que pode bater em mim quando quiser, mas eu sempre revido – Assim que percebi que a mulher já estava espantada, parei de falar.

– Seu primo deve te adorar não é? – Caroline falou em tom de brincadeira

– Eu fui atrás dele quando vi ele caindo no chão – May falou entrando na conversa

– Aii! – Gritei sentindo minha pele queimar no local ferido

– Desculpe Ash! Mas é que está muito sujo de sangue. Já estou terminando...

Logo que ela terminou a frase, um garoto um pouco mais novo que eu, entrou na sala com um homem muito alto.

– Olá meu bem. Já conhece o novo amigo da May? Ela acabou de conhecê-lo! Viu ele machucado e o trouxe pra cá. Gentil da parte dela não?

– Claro que sim amor. Diga-me, qual o seu nome meu jovem?

– É Ash! – Disse muito animado como sempre

– Nome legal! Meu nome é Norman! E esse aqui... É o Max... Ele é o irmão da May.

– Oi Max – Sorri

– Oi Ash. Não sei como deixou minha irmã te conhecer! Eu sairia correndo!

– Ahhh! Seu pirralho! Eu te mato – Me assustei quando vi minha amiga nova voando no pescoço do irmão com uma fúria imcomparável

– Não vamos começar com isso na frente da visita não é Max?! – Gritou Norman furioso

– Foi mau pai – Revirou os olhos

– Hunf – May virou o rosto

– Não é a mim que tem de pedir desculpas. – Afirmou ele

– Mas pai...

– Nada de mais!

– Tá bom... Desculpe May – Falou as palavras com um certo nojo.

– Não ligue, isso sempre acontece aqui em casa – Exclamou Caroline com uma gota enorme

– Eles devem se adorar – Brinquei. Nesse momento todos riram comigo. Senti que teria ali uma amizade para a vida inteira...

– Onde você mora Ash? – Norman indagou-me

– Eu? Moro na casa ao lado. – Disse apontando para a pequena casa recém-reformada ao lado da deles

– Legal! Nós somos vizinhos! – May exclamou feliz da vida

– É! Eu nem tinha notado isso! Ei! Aposto que você nem sabe! Minha mãe vai me dar um Pokémon!

– Puxa! Que legal! Eu sempre quis ter um Pokémon... Mas meus pais não me deixam – Ela disse olhando culposamente para os pais.

– Ah... Já que ele pode ter um... Não vejo o mau... Você pode ter um também. – Norman admitiu revirando os olhos pra filha, que deu um enorme grito de felicidade – Então jovem, qual será o Pokémon que sua mãe pretende lhe dar?

– Eu não sei. Ela disse que ia sair para a Floresta Viridiana qualquer dia desses, atrás de um. Pode ser qualquer Pokémon. Menos... Um Pikachu! – Falei convicto que a minha mãe não me daria aquela coisa amarela e feia

– Ah... Mas o Pikachu é tão fofinho! Além de ser rápido e forte. E é bem melhor que um Caterpie! – Ouvi ela me questionar de cara feia. – Além do mais, não se deve ter vergonha de seu Pokémon! Um bom treinador, jamais faria isso – Por fim empinou o nariz. Incrível como no primeiro dia que a conheci, ela me fez mudar totalmente de pensamento. Para uma garota de dez anos de idade, até que ela era bem espertinha.

– Ahn... Pensando bem... Você tem razão... Não posso reclamar... Mas aposto que também ficaria feliz com um Pikachu...

– Assim é que se fala – Exclamava ela toda contente – Mais ainda tenho dúvida em que Pokémon eu quero pegar... – Murmurou derrotada

– Eu acho que tenho uma que você pode gostar filhota linda... É a sua cara! – Disse Norman se aproximando da filha, que agora tinha um sorriso estampado no rosto

– Qual? Qual? Quaaaaal?! – Gritava ela alegre

– Calma! Deixe o seu amigo receber o Pokémon dele, que você pega o seu – Rapidamente ela olhou pra mim com um brilho nos olhos e um sorriso perfeito, se não fosse por um dente de leite que estava faltando, eu dei uma risada abafada – Tudo bem? Quando ele receber, venha aqui e eu lhe dou o Pokémon – Nesse momento o sorriso brotou ainda mais em seu rosto

– Aiiii! – Exclamei pronto para começar a chorar novamente

– Prontinho! Já terminei... – Disse Caroline levantando-se

– Obrigado senhora Caroline! - Falei com os olhos marejados

– Ora o que é isso... Me chame só de tia Caroline, ou se preferir só tia – Ainda meio envergonhado eu assenti...

Os dias se passaram na velha cidade... Passou-se uma semana... Duas semanas... Dois anos para ser mais exato! E a minha mãe, nada com o meu Pokémon... Estava ficando irritado... Mas eu podia esperar... Todos os dias, eu e May brincávamos, nossos pais já se conheciam... E por algum motivo, sempre ficavam rindo quando ficavam nos olhando brincando... Meu melhor amigo Paul, me esqueceu, e eu também esqueci-me dele.

~ Flash Back Off ~


Dias bons... Muito legais... Tudo passou rapidamente por minha cabeça, não pude deixar de me comover com cena de quando ela chegou perto de mim só para saber se eu estava bem... Aquilo passou como um raio por minha cabeça...

O enterro continuava lento ali... Todos choravam desesperados... May era a mais querida de toda a cidade. Todos iam sofrer sem ela... Principalmente... Max... Ele ainda não sabia disso... Por isso o deixamos em casa, ele não suportaria a dor de perder a irmã...

Então... Voltando... Porém um dia... Um dia mudou a minha vida completamente... Foi quando eu finalmente percebi que a amava

Continua...

Namath
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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:41

Capítulo 2: Eu... Te Amo?


~ Flash Back On ~



Agora, aos doze anos de idade, eu ela e ela, só tínhamos olhos uns para o outro... A minha melhor amiga! Até que um dia... Toda a minha impressão de amizade mudou... Foi como uma pancada diretamente na minha cabeça!

– Tchau pra vocês, aposto que está na hora do almoço lá em casa, e eu estou morto de fome... – Tentei sair, mas May me segurou pelo braço – Que foi May?

– Fica mais um pouco! Por que você não almoça aqui?! Ele pode não pode mãe?! Diz que pode! Por favor! – Rapidamente os dois adultos se entreolharam e começaram a rir. Não entendi muito bem na época... Mas agora eu entendo bem.

– Parecem nós dois quando crianças – Sibilou Norman

– São eles todinhos – Concordou Caroline

– Mãe! Pai! – May gritou furiosa, e eu parado ali sem entender nada do que se tratava o assunto.

– A May tem namorado! A May tem namorado! A May tem namorado! – Cantarolava o irmão mais novo dela num tom de deboche, só com essa brincadeira, foi que eu entendi do que se tratava

– Ahhh! Eu vou te matar! – Exclamamos em uníssono e voando no pescoço do irmão dela

– Definitivamente! Se lembra quando fizemos isso com o meu irmão mais velho?! Foi muito hilário – Riam-se os dois adultos

– Kyaaaaaaah! Foi mau... Eu parooooo! – Tentava gritar Max, mas não conseguia, pois nós dois estávamos apertando seu pescoço, até que Norman, nos fez parar

– Desculpe Ash... Eu sei que você não vai querer um troço desses! – Gritou e saiu correndo da casa, acompanhado por May, logo em seguida

– Ah... Eu não sei mais o que fazer com esses dois... – Murmurou Norman para a esposa, logo em seguida, beijando-lhe a boca. Na época não entendi aquela ação... Mas achei nojento! Depois disso ele saiu da casa gritando o nome dos filhos. Fiquei sozinho com Caroline na casa deles.

– Então Ash... – Ouvi ela dizer - Você gosta da May não é? – Fiquei meio desentendido com a pergunta. Certamente se fosse nessa época, eu claramente ficaria constrangido

– Ahn... Como assim? Claro que eu gosto dela! Ela é a minha melhor amiga! – Como eu era bobo antigamente...

– Ah... Você ainda tem muito o que aprender ainda...

– Ah não! Me conta tia! Por favor! Eu corto a grama do seu quintal! Por favor!

– Nossa! Como você é curioso! Não deveria ter dito isso – Riu-se ela – Tudo bem eu digo a você... Mas se a May te perguntar... Não disse nada certo? – Sussurrou enquanto se agachava para perto de mim. Eu assenti. Animado como sempre fui – Bom... A May, ela gosta de você! Mas nunca teve coragem de te falar, ela acha que você não gosta dela... Por isso que eu fiz aquela pergunta entendeu? – Não entendi bem... Mas eu acho... Acho! Que estava começando a entender do que se tratava... Até que entrou bufando pelo porta da frente e toda encharcada

– May?! O que aconteceu?! – Gritei confuso

– Foi o Max! Ele me empurrou e eu caí no lago da cidade! – Gritou ainda mais furiosa

– Puxa... É melhor você se trocar, se não vai acabar ficando doente não é?

– Claro... – Ela fez um pouco de bico para a mãe, que saiu e disse:

– Fique aí Ash, logo eu irei voltar com a May toda cheirosinha! – Ela me piscou o olho e eu corei de leve.

Sentei no sofá e fiquei vendo um pouco de televisão... Estava passando um programa, que tinha um velho de cabelo cinza, falando sobre Pokémon... Fiquei muito interessado... Ele estava falando sobre um tal de Charmander... Era um lagartinho vermelho, que tinha uma cara fofa e que tinha uma “Tocha” no final da cauda. Eu fiquei encantado, quando ele mandou o pequeno utilizar um golpe chamado “Lança-Chamas”!

Até que desprendi minha atenção, quando vi que alguém se sentava do meu lado. Olhei e era May. Não sei por que... Quando vi que era ela... Senti uma coisa estranha... Como se aquele ali não fosse eu... Como se fosse... Outra pessoa...

– Ash? – Ela falou meio... Assustada, porque ainda estava encarando ela. Rapidamente balancei a cabeça e respondi

– Ahn? – Meio confuso ainda

– Nada não – Revirou os olhos e me bateu de leve no ombro. Com o passar do tempo, via aquilo como uma forma de carinho. Eu ri de leve e voltei a observar o programa.

Agora tinha uma tal de tartaruga azul. Uma tal de... Squirtle. Tinha um casco enorme e aparentava ser um pouco... Gorda. Me surpreendi quando a vi usando o “Jato D’Água”... Um ataque muito maneiro! Depois veio um sapo com uma planta colada nas costas. Era verde e parecia com um dinossauro. O nome dele era... Bulbassaur. Ele usou o “Folha Navalha”, muito massa também... Quando chegou na vez de um ratinho amarelo com as bochechas vermelhas, a mãe da May nos chamou para o almoço. Meio à contra-gosto eu me levantei do sofá e me sentei na mesa. Ainda pude ouvir o nome dele... “Pikachu”... Então... Era este o famoso Pikachu... Até que ele era legal... Me servi, comi, ainda brinquei um pouco com a May e quando já era mais ou menos umas oito e meia da noite...

– Acho que agora eu tenho que ir mesmo! Minha mãe já deve estar me esperando... – Vi um misto de tristeza e decepção brotar no rosto da May, mas logo me corrigi – Mas se você quiser ficar lá em casa pra a gente brincar mais um pouco... Tudo bem! – Rapidamente ela olha para a sua mãe, com os conhecidos olhos de cachorrinho, irresistíveis dela, que diz sim com a cabeça

– Oba! Eu vou sim! – Exclamou animadíssima

– Legal! Vem! Vamos pegar alguns brinquedos seus! Lá em casa tem uns que eu acho que você vai gostar! – Corri para o quarto com ela, pegando alguns brinquedos que nós adorávamos brincar, assim ela se despediu de seus pais e fomos correndo para a minha casa.

– Mãe! Cheguei! – Gritei assim que chegamos em casa – A May veio comigo pra gente brincar mais!

– Ainda bem que você veio meu filho... Estava ficando preocupada... Oi May – Agachou-se e fez um carinho na cabeça da minha amiga

– Oi tia Délia! – Ela disse com um sorriso

– Vem! Vamos brincar aqui na sala! – Exclamei pondo os brinquedos em cima do tapete e indo para o meu quarto – Vou pegar os meus! – Mas assim que dei o primeiro passo na escadaria, um trovão cortou o céu!

Não pude evitar, tomei um susto e caí da escada, mas felizmente não me machuquei muito, faltou energia... Começou a chover... E o celular da minha mãe começou à tocar, tateando no escuro ela o encontrou... Disse algumas palavras que não entendi muito bem. May estava chorando de medo e me chamando. Rapidamente, me levantei e tateando no escuro fui para perto dela. Assim que sentiu que eu me sentei do seu lado, ficou mais calma e se puxou mais para perto de mim. A minha amiga estava quentinha e seus olhos estavam muito úmidos, com pena dela eu a abracei e fiquei assim por um bom tempo... Até que eu vi uma luz vinda da cozinha...

– Volto logo... Fique aí e não saia! – Sussurrei corajoso. Me levantei e fui na direção da luz amarelada que vinha da cozinha... – Quem está aí?! – Falei por último

– Ah... Oi meu bem... Estava procurando uma vela... Te assustei foi? – Riu minha mãe

– E muito! – Brinquei com ela

– Ah sim, escute, a mãe da May pediu para ela dormir aqui hoje, pois não quer que ela saia nessa chuva, parece que vai ter uma tempestade a noite todinha... Vocês querem dormir aqui na sala? Pelo menos podem ficar brincando um pouco antes de dormir – Corei de leve ao ouvir minha mãe dizer aquelas palavras... Quer dizer... Que a May ia dormir aqui em casa? Mas não tem nada de mais... Eu já dormi na casa dela... Mas com o irmão dela... Mas... Nós dois... Sozinhos? Corei mais ainda ao pensar que ela iria dormir na sala comigo. – Vou pegar um colchão grande para vocês... Volto logo – Vi minha mãe pegar outra vela e acendê-la, indo até o andar de cima – Fique aí com a May meu filho – Ela sussurrou por último. Voltei-me para a garota que antes estava sentada no tapete, e que agora estava sentada no batente da pequena escadinha que dava para a rua. Ela estava olhando a chuva. Abraçava seus joelhos numa tentativa inútil de se proteger do frio... Tremia muito. Os respingos ricocheteavam na calçada e batiam nela. Aquilo não iria ajudar muito...

– May... – Sussurrei

– Ahn? – Ela se virou – O que?

– Você vai dormir aqui em casa hoje, sua mãe disse que você não podia sair nessa chuva... Daí você vai dormir aqui na sala...

– Sozinha? – Ela me cortou

– Não! – Falei um pouco mais alto – Err... Comigo... – Abaixei a cabeça de leve. May corou muito, ainda sentada no batente da casa. Mas logo outro trovão saiu dos céus, assustando-a, que rapidamente, levantou-se e correu para trás de mim. Senti seu perfume bem de perto... Distraído com o cheiro, mal percebi quando minha mãe chegou por trás de mim e me pegou com a cara toda abobalhada. Ela riu e piscou um dos olhos para May. Não entendi aquele gesto até hoje... E talvez nunca vá entender... Mas voltando... Minha mãe estendeu o colchão na sala e disse:

– Podem deitar crianças, eu vou fazer algo para vocês comerem antes de irem dormir – Assim, minha mãe saí da sala e vai até a cozinha, deixando apenas uma vela com a minha amiga. Ela põe o objeto com a ponta incandescente na mesinha da sala e se deita no colchão, jogando seu corpo contra ele, eu continuava parado sem expressão facial, encarando-a

– Ash... Você ta me assustando... – Ela disse me olhando com medo

– Ahn?! Ah! Foi mal... Eu estava...Distraído... Tava pensando na vida – Uma gota surge por minha cabeça, me sentei no colchão ao lado dela e fiquei olhando o teto pensativo

– Pode me dizer no que tanto você pensa? – Ela me indaga vindo mais perto de mim

– Ahn... Coisas... Muitas coisas...

– Entendi... Você não quer me contar... – Ela revirou-se no colchão, ficando de costas para mim – Meio sem jeito eu disse:

– Ah May... É besteira minha, eu tenho esses momentos às vezes, você mesma sabe, que eu fico parado encarando o nada, deixa disso... – Ela se revirou de novo, e olhou pra mim com a cara de quem tinha acabado de dar uma boa risada – O que foi? – Ela riu de novo

– Ah... É que você acreditou que eu tava com raiva de você! – Ria-se – Você é tão bobo Ash! – Eu comecei à rir juntamente à ela, estávamos de fato nos divertindo muito... Até que a minha mãe apareceu na sala, segurando dois pratos, eu dei um salto, como sempre fui guloso, juntamente à ela, que acompanhava o meu mesmo comportamento em relação à comida.

– Puxa mãe! Estão ótimos! – Falei de boca cheia, enquanto deliciava-me com o lanche

– Não fala de boca cheia! – Senti May me dar uma tapa de leve e me encarando com uma cara de dar medo

– Foi mal... – Limitei-me a dizer apenas isso

– Não... Foi péssimo! – Após a frase ela deu uma grande mordida no seu sanduíche, enquanto eu já havia terminado o meu

– Se você não quiser mais eu quero viu? – Falei encarando sua comida

– Ash! Você já comeu um! – Me encarou com uma cara fuziladoramente fuziladora

– Foi mal! – Revirei os olhos

– Não... – Cortei-a

– Foi péssimo! – Disse juntamente à ela, fazendo-a rir de novo

– Bom, está quase na hora de dormir... Eu já estou exausta... Prometem que não vão virar a madruga? – Como assim? Minha mãe ia dormir? E me deixar sozinha na sala... Com... May?! Ela ficou louca?!

– Claro que prometemos tia... Isso se o Ash concordar não é? – Ela me chutou a canela por de baixo da mesa – Né?

– Err... Claro! Nós vamos dormir mãe!

– Hum... Sei... – Riu ela – Boa noite para vocês dois - Por último, pegou a vela e saiu do cômodo, subindo as escadas de madeira – Até amanhã... – E assim, ouvimos a porta do quarto dela sendo fechada

– Nós vamos dormir... Né? – Perguntei confuso

– Ah pelo amor de Deus Ash! Fala sério né? Eu estou aqui pra gente brincar e você pensando em dormir... – Revirou os olhos soltando o resto do sanduíche no prato. Mas quando eu fui pegá-lo, levei um tapa na mão – Nem pense nisso! – Disse para mim com raiva

– Ai! Pensa que seus tapas não doem?! – Falei com cara de deboche, ela apenas revirou os olhos e terminou de comer o lanche dela...

– Claro que doem! Por que você acha que eu bati em você – Falou rindo

– Ah mas você não tem jeito não é? – Ri com ela – Acho que vou me deitar um pouco...

– Nem vem Ash! Você vai terminar me enrolando e dormindo! – Droga! Como ela sabia?

– Tudo bem... Vamos brincar mais um pouco... Mas depois dormir!

– De que vamos brincar? – Indagou me pegando no flagra

– Err... Não sei – Uma gota oceânica se formou em minha cabeça – É que normalmente é você quem dá as idéias de que brincar... Daí eu pensei que você soubesse...

– Hum... Acho que não sei dessa vez... Que tal pega-pega?

– Minha mãe ta dormindo e ta de noite – Revirei os olhos

– Hum... Gato Mia?

– A mesma coisa May – Bufei

– Hum... O que é, o que é? – Falou com um pingo de esperança

– É... Parece legal... Parece! – Falei com um meio sorriso

– Ok... Eu começo – Exclamou sorrindo – O que é, o que é... O que tem dentro da cauda de um Azurill? – Falou pensando convencida

– Óleo... – Falei sério – Mais alguma pergunta?

– Ahh! Não vale! Seu sem graça! – Fez bico. Assim que ela fez aquilo com os lábios, me veio a mente o pai dela, beijando a tia Caroline... Afinal... Por que isso me veio a cabeça?! Será que eu... Não! Impossível... Ela é a minha amiga... Como posso estar pensando nisso? Eu devo estar ficando maluco...

– Eu acho que vou me deitar... A gente pode ficar brincando deitado? É que as minhas costas estão doendo – Certamente ela iria desistir e dizer que era melhor dormimos... Estava certo disso!

– Claro... – Como?! Ah fala sério! Meu plano falhou. Revirei os olhos e me deitei, logo em seguida, ela se deitou ao meu lado e se virou para mim... – Sua vez – Sorriu

– Hum... O que é, o que é... Pra que serve a barbatana na cabeça de um Mudkip?

– É um radar – Ela revirou os olhos como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo... E de fato... Era...

– Claro... Essa é fácil! – Brinquei e ela riu – Bom... Eu vou pegar um pouco de água... Você quer alguma coisa?

– Não. Eu to legal.

– Tudo bem – Levantei-me do colchão e fui até a cozinha com a vela, bebi minha água, fui ao banheiro, ainda dei uma paradinha para comer um dos doces que tinham na geladeira e voltei para a sala, quando cheguei lá, observei que a minha amiga já havia dormido – Fala sério – Revirei os olhos e sorri – E ainda diz que ainda não estava aqui para dormir... – Apaguei a vela com um sopro e me deitei na cama, completamente exausto – Boa noite... – Murmurei por último.

Algumas horas se passaram... E eu me revirando na cama. Sem sono. Alguma coisa estava me incomodando. Bufei e levantei do colchão, bebi mais água, fui ao banheiro de novo e quando voltei para a sala e vi May dormindo com a respiração calma e lenta, não pude evitar sorrir. Agachei-me e acariciei seu rosto. Senti meu rosto queimar enquanto fazia aquilo. Logo depois, ainda meio receoso, contornei a linha de seus lábios ainda com medo de ela acordar e me ver fazendo aquilo.

Sorri corado e senti um rebuliço no estômago. Afinal, o que era aquilo que eu sentia? Não fazia idéia... Senti ela se mexendo, repeli-me e me afastei, corri para a porta e a abri, sentei no batente, e olhei para meu relógio de pulso, passavam das duas e meia da manhã... Olhei a rua... Deserta... A tempestade estava forte. Parecia que só iria cessar de manhã cedinho...

– O que você está fazendo? – Ouvi uma voz de sono vinda da sala – Vem dormir Ash, já está tarde... – Virei e vi May sentada na cama me chamando. Corei mais ainda. Fechei a porta e fui para o colchão, me deitei e virei para o lado oposto ao dela. Dormi rapidamente. Acordei no outro dia, perto das nove e meia da manhã...

O sol batia no meu rosto por uma pequena fresta da janela, incomodado com a claridade, abri os olhos meio irritado e percebi que May ainda estava dormindo ao meu lado. Como qualquer garoto... Imbecil... Eu a empurrei, e assim que ela acordou, olhou para mim com um cara feia, eu meio constrangido, dei um sorrisinho amarelo.

– Não devia ter me acordado Ketchum – Ela revirou os olhos e bateu em meu ombro forte

– Ai! Isso dói! Mas já está na hora sabia senhorita preguiça?

– Ahh... Mas eu to cansada! Quero dormir mais... – Espreguiçou-se falsamente

– Eu sei que você está fingindo – Revirei os olhos

– Droga! – Murmurou com uma gota oceânica

~ Flash Back Off ~

Aquele com certeza fora um dos dias mais engraçados da minha vida... Nós nos divertimos muito... Depois que acordamos, minha mãe fez nosso café da manhã, brincamos mais um pouco e depois a mãe dela apareceu lá em casa. Ela foi para a casa dela e eu fiquei o dia em casa... Entediado... Céus! Que dia para irem visitar os avós em Hoenn! Só agora, que eu havia me tocado o quanto ela me fazia falta... Um dia sem ela era como um dia perdido de minha vida...

Continua...


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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:42

Capítulo 3: Mentiras Não Duram Para Sempre...


Só agora, que eu havia me tocado o quanto ela me fazia falta... Um dia sem ela era como um dia perdido de minha vida...

~ Flash Back On ~


Estava sentado no batente de minha casa. Enquanto eu via Dawn, Drew, Paul, Gary e Misty, brincarem juntos de pega-pega, minha cabeça estava presa nela... Apenas nela... O que fazia para demorar tanto em Hoenn? Será que... Eu fui substituído? Não... Era não faria isso... Faria? Assim que comecei à me perguntar se ela faria mesmo aquilo, vi um carro na entrada da cidade! Levantei mais um pouco minha cabeça, observei mais uns minutos e assim que ele tomou mais forma, pude ver que era o mesmo carro azul com o qual ela deixou a cidade para ir até Pewter, pegar o avião. Me levantei e corri até a entrada, Mas Gary, me segurou. Como ele era mais velho que eu, deixei-me ficar preso. Mas sabia que ele não iria me segurar por muito tempo.

Logo quando o carro estava à uns vinte metros da entrada da cidade, ele parou. A porta traseira se abriu. Meu sorriso foi de orelha a orelha, May desceu de lá e fechou a porta, saiu correndo pela estrada que ia dar na entrada, eu me movimentei bastante e soltei-me das mãos de Gary, que seguravam meu ombro.

– May! – Gritei animado

– Ash! – Ela me respondeu. Nós nos abraçamos e ela me contou tudo de maravilhoso que tinha no continente de Hoenn e lamentou-se por não poder me levar. – Lá era o maior tédio! Não tinha ninguém para brincar, a não ser meu primo Raycon, mas ele é muito chato, só sabe brincar de luta de Pokémon, isso é realmente irritante! Ah... Eu também ganhei isso de minha avó – Mostrou-me um cordãozinho de ouro, mas sem pingente – Ela disse que quando eu ganhasse um pingente, era pra colocar. Mas eu não sei onde vende pingente... – Imediatamente, lembrei-me de um pingente em formato de flor, que tinha guardado em um bauzinho de minha mãe, o meu pai deu à ela antes de pedi-la em casamento.

Mas infelizmente ele morreu, quando eu tinha uns dois anos... Foi terrível crescer sem um pai. Mas para mim isso era meio que... Comum... Mas voltando... Acho que estava na hora de passá-lo para outra geração...

– Ah! Espera aí! Passa lá em casa perto das duas e meia, eu tenho uma coisa que eu acho que você vai gostar... Não! Eu tenho certeza! – Dei um sorriso de orelha a orelha

– Ahn? Err... Tudo bem – Olhou para o lado e viu seus pais lhe chamando. Fez um sinal com a mão de “Espera Aí” e disse – Tudo bem, eu passo lá por volta das duas e meia...

Isso! Eu sou [palavra censurada]! Agora sim! Ela vai me amar! E... Espera... Por que eu estou pensando isso?! Eu bebi?! Argh! Estou ficando cada dia mais maluco... Mas ainda assim sinto uma vontade sobrenatural de dar aquele pingente a ela... Corri para casa, pulando de alegria! Entrei correndo e logo perguntei à minha mãe:

– Mãe!

– Sim meu bem? – Falou minha mãe saindo da cozinha

– Err... Sabe aquele pingente... De flor... Que o papai te deu? – Vi as lágrimas invadirem seus olhos. Ela virou o rosto, mas eu sabia que estava chorando – Não... Não foi com essa intenção que eu vim...

– Não tem problema meu bem... – Ouvi-a fungar o nariz. Ela ainda não havia superado... – Pra que você o quer? – Perguntou meio desconfiada

– É que... A May ganhou um cordãozinho dourado... Daí, eu queria dar o pingente à ela... – Murmurei meio corado – Você pode me dar ele? – Falei ainda mais vermelho, minha mãe deu um meio sorriso, desconfiada

– Ah... Claro meu bem... Só me prometa... Que ela é mesmo a garota com a qual você quer dar este pingente... Você sabe que ele é a única lembrança que seu pai deixou para nós – Vi as lágrimas brotarem novamente em seus olhos – Você promete? – Nesse momento as lágrimas rolaram soltas pelo rosto de minha mãe

– Eu juro – Falei sério e decidido, logo ela subiu as escadas e desceu, segurando algo em suas mãos, com muito cuidado. Elas formavam uma concha. Logo ela me estendeu a mão. Abrindo-a devagar, eu vi a beleza do tal enfeite... Nunca o vi. Mas sabia que ele existia... (N/A: O Nyah! é tão fofo, que não deixa entrar hyperlink X3 Obrigada Nyah! Kk' Well... Eu vou passar o Link aqui X3 [ http://www.fotosimagens.net/wp-content/uploads/2011/08/Flor-de-lotus-vermelha-desenho.jpg ] Done ^^ Kk' Aproveitem *¬*)

Quando vi aquilo, meus olhos brilharam. Nunca vira algo tão belo em toda a minha vida! Isso... Exceto o sorriso de May... Aproximei minha mão, mas logo hesitei...

– Vamos... Pode pegar – Sorriu minha mãe

Olhei para ela duas vezes antes de pegar o delicado pingente. Ele era realmente lindo. Como reflexo, olhei para o relógio. Suspirei. Eram apenas duas horas... Peguei-o e corri para meu quarto, enquanto subia a escada, parei e gritei para a minha mãe:

– Obrigado mãe! Você é dez! – Como resposta, ela sorriu e eu continuei correndo

Assim que cheguei em meu quarto, pus o objeto em cima de minha escrivaninha e saí correndo para o banheiro. “Arranquei” literalmente minha roupa e me joguei no chuveiro. Não demorei muito, logo saí do banho e coloquei uma roupa nova, olhei para a escrivaninha e lá estava ele... Tão lindo... Segurei-o com a mão direita e pus no bolso.

Olhei para o relógio e ele já marcava duas e vinte, desci correndo, quase caindo da escada, assim que cheguei lá em baixo, minha mãe me encarou meio assustada, mas logo fiz um sinal com a mão e ela sorriu. Corri para o sofá e tentei ficar o mais natural possível. Estava a cada minuto mais nervoso. Olhei para o relógio... Já eram duas e meia... Passaram-se mais alguns minutos e ela chegou. Sorri como um retardado.

Num pulo saí do sofá e olhei para ela. Fui andando com um sorriso apagado no rosto, quando cheguei bem perto, notei que a minha mãe estava nos encarando. Logo sugeri

– Err... Vamos lá fora... – Olhei por cima do ombro para minha mãe que murchou um pouco – Vamos logo, quero te dar uma coisa... – Percebi que ela corou... E muito! Quando chegamos no campinho... Naquela árvore que costumávamos sentar todos os dias em sua sombra, para conversarmos e brincar eu comecei à ficar agitado – Bom... Eu... Err...

– Ah fala logo Ash – Revirou os olhos

– Você... Trouxe seu cordão? – Falei olhando para o lado

– Hum... Trouxe! Desde que ganhei eu não desgrudo dele... – Pus a mão no bolso e senti que o pingente continuava ali – Por que?

– Me dá... – Estendi a mão – Vai... Confia em mim, me dá ele... Não vou ficar com ele né? Vai me dá – Revirei os olhos. Meio receosa, ela me estendeu o tal cordão... Me virei de costas e tirei a flor do bolso. Com cuidado passei-a pelo cordão e segurando ele ainda, falei – Agora, se vira, eu quero que seja uma surpresa! Mas uma surpresa mesmo! Garanto que você vai adorar... – Confiando em meus olhos inocentes, ela virou-se e eu passei o braço por seu pescoço com o pequeno enfeite. Percebi ela corar.

Puxei mais para mim e em seguida, encaixei o fecho do objeto. Assim que eu fiz um sinal afirmativo, ela soltou seus longos cabelos... Da cor do mel... Céus! Essa garota me deixa imbecil!

– Mas o que...? – Minha “Amiga” pôs a mão sobre o busto. Assim que sentiu o tal pingente, o puxou de leve e viu. Seus olhos brilharam naquele instante – Ash... Por que me deu isso?

– Eu... Quero que seja seu... Guardei para você... – Disse em um sorriso amarelo. Ela imediatamente sorriu comigo. Estava tímida... Típico... – Então...? Gostou?

– Não... – Meu coração apertou. Ela fez uma cara feia. Senti como se meu mundo fosse desmoronar! – Eu amei! – Ela me abraçou... Me abraçou... Eu... Nunca me senti tão [palavra censurada] em toda a minha vida!

– Sério?! – Eu duvidei cessando o abraço com cara de espanto

– Sério! É lindo Ash! Parece que foi feito nos mínimos detalhes! Não acredito que se incomodou em me dar isto... É tão...

– Gentil? – Adivinhei as palavras

– Não... Tão romântico... – Fez aquele sorriso que sempre me deixou vermelho de vergonha. Tentei pronunciar algo mas... – Ash...

– Ahn? – Falei corado com as mãos no bolso, enquanto olhava para o chão

– Olha... Você deve achar que é bobagem... Mas... Eu quero tentar uma coisinha... Mas... Você promete que não vai se mexer? – Falou calmamente. No fundo eu não achei que era algo tão importante... Assenti – Ahn... Você não vai mesmo né?

– Claro que não May – Revirei os olhos.

– Tudo bem... – Puxou o ar com a boca – Err... Fecha os olhos – Rapidamente obedeci – Continua com eles fechados viu?

– Ta bom... – Confirmei

– Jure! – Falou meio sem jeito

– Ok... Eu juro pela minha vida que irei manter meus olhos fechados! Feliz? – Revirei os olhos novamente.

– Tudo bem... Agora estou... – Disse sorrindo... Céus! Que sorriso perfeito... Singelo e marcante... – Tá... Fecha – Obedeci novamente. Após algum tempo eu resmunguei

– May... O que você... – Ainda de olhos fechados

– Espera... – Ela murmurou. Eu resmunguei novamente...

– Mas May... Eu– Minha fala foi cortada. Senti seus lábios pressionando os meus. Imediatamente minha respiração falhou. Com cautela eu passei minhas mãos por sua cintura e a puxei mais para perto de mim. Ela passou os braços por meu pescoço. Para mim... Aquela passou a ser a definição do Infinito! (N/A: Obrigada por essa fala linda rodrigocaetano xD) Após mais algum tempo, nós nos separamos, minha respiração estava falha. Um momento muito constrangedor... – E- Eu... May... – Olhei em seus olhos cristalinos – O que... O que foi isso? – Perguntei-lhe sem entender do que se tratava. Ela apenas sorriu e mordeu a parte inferior dos lábios.

– Só uma maneira de te agradecer pelo lindo pingente... – Ela olhou para o céu como se fosse a pessoa mais inocente do mundo e pressionou seus lábios um contra o outro... Não posso acreditar que beijei aquela boca... – Gostou? – Abriu um sorriso tímido

– Eu adorei! – Sorri mais tímido ainda... Caramba... Meu primeiro beijo foi com May Dixon! Eu sou [palavra censurada]! – Bom... Eu já vou indo – Pus as mãos nos bolsos da calça.

– Eu também – Segurou o pingente com a mão direita – Até mais Ash – Ela se despediu de mim e saiu correndo na direção de sua casa...

– Ainda não acredito no que me aconteceu... – Levei as mãos à cabeça e sentei, escorando-me na árvore. Fiquei um bom tempo lá, pensando na vida... Até que me levantei e fui para casa...

~ Flash Back Off ~


Até hoje nunca me esqueci daquele dia... E pensar que meu primeiro beijo... Foi com uma garota de tamanha perfeição... Isso foi... Incrível! Mas alguns anos depois... Nossos pais tiveram a brilhante idéia de nos colocar em uma escola... Isso foi o fim! Porque... Cá entre nós... Eu, Drew, May, Misty, Dawn e Paul na mesma sala...

Com certeza daria merda! E uma das grandes... Levantei-me da cadeira e fui para a fila de despedida. Não podia acreditar que aquele seria um adeus... Lágrimas dançavam por minha face... Eu na tentativa de parecer forte, apenas tentei ignorar o fato... Mas as pessoas já haviam notado... Bem... Não fazia tanta diferença, já que todos ali choravam... Ouvi uma voz me chamando...

– Ash... Meu filho, desde que você apareceu lá em casa, eu sabia que você seria o garoto certo para May... Você é tão bondoso meu querido – Chorava Caroline abraçada ao marido. Limpei minhas lágrimas com as costas das mãos e a fitei.

– May era uma menina alegre, extrovertida e engraçada. Ela não tinha medo de demonstrar seus pensamentos, nem seus sentimentos. Era isso que fazia dela uma garota única e especial, que eu nunca irei esquecer por toda a minha vida Senhor e Senhora Dixon. Ela marcou minha vida, eu jamais irei amar outra garota como amei a filha dos dois – Disse com a voz rouca de tanto chorar e com os olhos já inchados

– Isso mesmo meu jovem... Ela será insubstituível... – Concordou Norman

– Única... Como a primeira rosa que desabrocha na primeira manhã de primavera... – Chorei ao lembrar desta frase... – Eu sempre irei rezar por ela... Para que seu espírito seja velado e guardado por todos os anjos de nosso senhor... – Abaixei minha cabeça... Como esta garota me fazia tanta falta... Seu sorriso... Sua risada... Seu abraço... Sua... Presença – Como ela, não haverá mais nenhuma... – Logo notei que Max estava na porta do cemitério... Ele ainda não sabia...

Arregalei meus olhos. Ele havia pulado o portão e já estava à cinqüenta metros de onde acontecia o enterro. Ele cerrava os olhos e mexia freqüentemente nos óculos para tentar ver melhor. Corri até ele. Os pais dele olharam na direção que eu havia disparado, quando viram Max, a Senhora Dixon quase caiu no chão.

Não queria que o filho soubesse... Nenhum de nós queríamos... Isso era de mais para a sua pequena cabeça... Quando estava perto dele, agachei-me à sua altura, seus olhos inocentes me fitaram confuso. E então ouço ele me perguntando...

– Ash... O que é isso? – Tentava olhar por cima de meu ombro, mas por ser mais velho que ele, não conseguiu ver...

– Escute Max... Nós dissemos para você não vir aqui não foi? – Eu murmurei tentando esconder a lágrima presa em meu olho

– Mas... O que estão fazendo aqui? – Ele perguntou. Eu pisquei e a deixei escorrer... Quente... Por meu rosto frio e gélido. Eu o encarei. Ele percebendo a lágrima gritou – Ash! O que está acontecendo?!

– Max... Venha... Eu vou te levar para casa... – Levantei-me e ainda segurando minhas duas mãos em seu ombro, tentei levá-lo dali. Mas pequeno e rápido como ele sempre foi... Acabou saindo de minhas mãos. Ao perceber, gritei desesperado – Max! Volte aqui!

– Sinto muito Ash! Mas eu não posso fazer isso! – Respondeu-me enquanto corria até o enterro... Eu obviamente fui atrás dele... Como todos estavam vendo se a Senhora Caroline estava bem, o caixão estava isolado. Ele vendo aquela caixa grande e branca aberta... Se aproximou lentamente...

– Max! Não faça isso! – Eu gritei na tentativa de livrar sua cabeça daquela loucura – Não Max! – Ele me fitou por alguns segundos, e então se virou para frente, olhando para o corpo. Quando viu sua irmã... Ele surtou...

– May?! – Gritou chorando – May! May! Minha irmã... May! – Ele chorava com vontade. Soluçava de tantas lágrimas que lhe vinham ao rosto. Eu cheguei por detrás dele e segurei em seus ombros. Ele me olhou incrédulo – Ash... Como... – Indagou-me com a face completamente vermelha

– Max... Era disso que estávamos tentando te proteger... Você não deveria saber... – Eu disse decepcionado

– E como iam esconder isto de mim a vida inteira?! – Gritou

– Nós queríamos te contar quando você fosse mais velho Max... – Disse Norman se aproximando de nós dois

– Isso mesmo... Você não iria agüentar o choque no auge de sua juventude... Você só tem treze anos Max... Por favor... – Eu completei

– E como eu iria me despedir de minha irmã?! A minha irmã mais velha?! Aquela que sempre cuidou de mim! Aquela... Que era especial! Como pretendiam fazer isto?! – Gritou tentando bater em mim. Apenas agachei-me à sua altura e o fitei.

– Max... Nós não queríamos que você soubesse assim... Nem era para isto acontecer... E pior... É que a culpa é toda minha... – Via a fúria tomar conta de seu corpo. Ele tentou socar-me. Mas segurei sua mão. Norman chegou por detrás dele e complementou:

– Não quer ao menos ouvir a explicação dele Max? – Falou sério. O garoto apenas assentiu e limpou as lágrimas de seu rosto. Eu não demonstrei expressão facial...

Apenas abaixei a cabeça e permiti-me chorar... Em silêncio... Levantei e sentei em uma cadeira... Apoiei meu rosto nas mãos. Senti alguém apalpar minhas costas. Levantei o olhar e vi Gary.

– Cara... A May era nossa amiga... Você sabe disso... Nós vamos tentar superar essa. Todos nós. Juntos – Sorriu meio apagado – Juntos nessa e pra sempre? – Disse a frase que dizíamos quando éramos menores, quando estávamos prestes à fazer alguma besteira juntos. Concordávamos em dividir a culpa entre nós – Ok?

– Tudo bem Gary... – Ergui a cabeça e o cumprimentei com a mão.

– Ash meu filho, que tal contar ao Max como aconteceu? – Sugeriu-me o Senhor Dixon... Eu assenti

– Claro... – Murmurei. Max me encarava, seus olhos vermelhos e sua face rosada não me ajudavam... Tinha medo de não conseguir dizer à ele como tudo ocorrera... E se... Se a culpa fosse totalmente minha? Só minha?... Torci a boca e comecei à falar...

~ Flash Back On ~


Estava sentado no pátio da escola... Já com dezesseis anos, eu era o menino mais bonito da escola. Mas não era vaidoso e não desvalorizava ninguém. Essa coisa de tietes ¹... Não são pra mim... Sozinho eu fitava o muro pichado da escola... Delinqüentes... Pensei comigo mesmo. Olhei ao meu redor e vi os grupos escolares... Os Atletas... As Patricinhas... Os Nerds... Os Excluídos... As Burras... Os Delinqüentes... Mas... Não vi ela... Ela não estava ali... E por mais incrível que pareça... May não se encaixava em nenhum grupo escolar... Como eu já disse... Ela era única... Me levantei e fui até o bebedouro. No caminho encontrei com Gary... Meu primo... Estava na categoria dos Atletas...

– Fala aí Gary... – Cumprimentei-o com a mão, ele fez o mesmo. Fui até o bebedouro. Fiquei um tempo lá.

Vi algo que por um momento ofuscou minha visão. Pisquei várias vezes para admitir que aquilo estava realmente acontecendo. Tomei uma atitude para impedir aquele ato de vandalismo... Mas... Quando finalmente o sinal tocou corri para a sala como se aquela fosse a minha única chance de sobreviver... Cheguei, cumprimentei o Senhor Carvalho e me sentei. Lá na minha escola, as cadeiras eram de duplas, ou seja, dois alunos por mesa. Coincidentemente, minha dupla era a garota mais linda da escola... May Dixon!

Cara... Como ela mudou desde aquele dia no campo com dez anos... Estava mais alta, mas ainda menor do que eu, tinha os seios avantajados, o que causava inveja em muitas garotas... Seus cabelos tinham uma cor mais escura e se tornavam loiros ao decorrer dos fios... Pareciam luzes, mas era tudo natural, só quem a conheceu mesmo aos dez anos, pode confirmar no que eu dizia...

Mas voltando ao assunto principal... Ela sentou-se do meu lado e eu sentindo falta de incomodá-la, impliquei:

– Está atrasada sabia mocinha? – Sorri no final da frase

– Ah! Morre Ash – Revirou os olhos. Eu joguei a cabeça para trás e pus a língua de fora. Ela riu e me bateu no ombro – Vai seu leso... Para com isso, sério... – Sorri e olhei para ela

– Onde estava? Você entrou depois do toque... Achei que tinha se perdido no caminho – Soltei uma risada no final da frase. Ela riu irônica... – Então... Onde tava?

– Ah... Eu estava procurando uma coisa... – Sorriu

– E eu poderia saber que coisa é essa senhorita May Dixon? – Brinquei fazendo uma cara de desconfiado

– Você é tão leso! – Ela debochou. Eu fiz bico

– Que maldade – Murmurei com voz de criança – Então... Vai me dizer ou eu vou ter que descobrir? – Fiz uma cara... Sarcástica

– Duuh! Eu digo leso! – Revirou os olhos – Eu estava procurando isso daqui olha – Puxou um pouco a blusa e tirou o cordão com o pingente que havia lhe dado quando tínhamos doze anos... Eu corei de leve – Feliz? Mais alguma pergunta para completar seu interrogatório? – Brincou

– Hum... Agora sim eu estou feliz... – Quando terminei a frase, o professor começou à falar sobre Diversidade Pokémon... [palavra censurada]!

Odeio essa matéria! Suspirei e encostei a cabeça na minha carteira tentando disfarçar. Dormi. Acordei um tempo depois com umas cutucadas na cabeça. Quando olhei, May estava brincando de colocar o lápis em meu ouvido. Eu resmunguei e peguei o lápis dela.

– Ah não! Me devolve! – Ouvi-a dizer

– Só se você parar de cutucar meu ouvido! – Revidei. Quando ela tomou ar pela boca para responder, o professor chamou nossa atenção...

– Se for para os dois pombinhos ficarem de namorico, sugiro saírem de sala! – May e eu coramos juntos

– Nós não somos namorados! – Gritamos em coro. Assim que percebemos que falamos juntos, gritamos de novo – Para de repetir o que eu falo! – Rapidamente eu pus a minha mão na boca dela e ela pôs a dela na minha. A sala toda gargalhou...

Continua...

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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:43

Capítulo 4: O Beijo Problemático! Parte 1



Quando a sala parou de rir de nós, eu virei meu rosto para o lado tentando esconder a cor rosada e puxei mais meu “Cap” (N/A: Aqueles bonés fofos que nós meninas gostamos de carregar de vocês garotos xD) para baixo na intenção de cobrir a cara. Mas não deu muito certo, pois Paul puxou o Cap... Eu o fuzilei com o olhar. Ouvi um burburinho se formar no “fundão” da sala de aula. Revirei os olhos e sentei-me em meu lugar, logo em seguida abaixando a cabeça, com isso balbuciei:

– Podemos ou não continuar com a aula? – Carvalho riu irônico. May corou de leve e a sala voltou a murmurar. Com isso o sinal toca. Ufa! Salvo pelo gongo! Todos nós nos levantamos e saímos para trocar de materiais para o segundo tempo.

Foi aí que notei que todo o pessoal se concentrava em um ponto específico do corredor. Segui todos, quando encontrei com May. Logo tornei à perguntá-la:

– O que é isso? – Completei olhando para os lados

– Vai rolar uma viagem incrível! Vai ser no final do ano! Todo mundo vai... – Ela completou com um daqueles sorrisos de parar literalmente o trânsito. Sim. Ela era perfeita.

– Pra onde vai ser?

– Ah... Tipo... Vai ser um acampamento... Nós vamos para a floresta que fica ao redor da cidade, mas não no comecinho, lá no fundo mesmo! Daí vamos cantar ao redor da fogueira, dormir em barracas, tomar banho de rio... Coisas do gênero né? – Disse com os olhos brilhando. De todas as garotas que eu conheço, ela é a única que se anima para dormir no meio de uma floresta... Também, pudera, desde criança ela era apaixonada pela natureza.

– Deve de ser muito da hora! – Completei com a minha típica animação.

– Vai ser muito da hora! – Riu no final da frase. – Eu já estou indo me inscrever... – Falou tentando entrar na multidão que assinava loucamente os papéis para garantir a vaga da viagem...

– Boa sorte! – Gritei para mexer com ela.

– Como assim?! Você não vai?! Mas Ash...

– Claro que eu vou! – Ri com sua reação. – Coloca o meu nome?

– Tá bom. – Deu um meio sorriso. – Folgado! – Brincou. Eu dei outro sorriso e saí. Fui até meu armário, que obviamente, ficava ao lado do da May, e encontrei a seguinte mensagem:

“Ash e May, sentados em uma árvore! Se beijando sem parar! Gostou né Ash?”

Dei um “rosnado” e ouvi umas risadinhas de deboche. Revirei os olhos, e arranquei o tal bilhete do armário, logo em seguida jogando-o no lixo. Abri a pequena portinha, quase quebrando-a. Me encararam de cara feia e eu olhei de lado, logo murmuraram algo e saíram de fininho... Logo em seguida May chega, eu olhei para ela e comecei à reclamar

– Você sabe o que nossos amiguinhos fizeram?! Você sabe?! – Fiz uma cara feia e disse tudo friamente

– Ai! Calma! Eu não sei de nada, acabei de assinar o papel... E por algum motivo estranho... A Misty passou dando uma risadinha junto do Gary... Você sabe o que foi? – Indagou-me completamente inocente

– Ah... Simples... – Corri até a lixeira e peguei o bilhete. Por um momento ela fez cara feia, mas quando desenrolei o papel, sua expressão, mudou de uma de nojo, para uma de surpresa com um misto de raiva – Viu? Agora sabe as “risadinhas” dos nossos “amiguinhos”? – Fiz sinal de aspas com os dedos

– Ai Ash! Relaxa... É tudo brincadeira de escola – Revirou os olhos. Como conseguia ficar tão calma assim?! – Além do mais, eu vi o Gary muito apegadinho à Misty – Fez cara de santa. Sabia que vinha rolando algo entre Misty e Gary já havia algum tempo... Ri de leve

– Eu já sabia dessa... Tanto que a Misty tem aparecido freqüentemente lá em casa, já que o Gary mora comigo e com a minha mãe... Mas isso na escola é novidade... – Vi a cara de aflição dela e logo senti algo errado. Fiz a minha cara de suspeita e falei – Algo errado May?

– Ah... É que... O Drew... Ele... – Mal a deixei terminar a frase. Completei-a

– Ele tentou te beijar e você deu um tapa nele... – Completei frio e seco

– C-Como você sabia?! – Espantou-se

– Eu estava no bebedouro quando vi isso acontecer – Olhei para o lado calmo e com uma cara sarcástica

– É... Mas eu...

– Eu sei, você deu um tapa nele – Revirei os olhos – Mas tudo bem. Se você tivesse beijado ele, não faria muita diferença... Afinal você é a minha melhor amiga, e melhor amiga... Bom... É a melhor amiga não é? – Não sabem como me doeu dizer aquilo. Eu realmente queria abraçá-la e correr atrás de Drew para lhe meter um esporro... Mas como sou uma cara considerado “legal” Eu não faço esse tipo de coisa... Não em público...

– É... É verdade... Bom... Eu... Eu vou andando... Tenho que ir para a aula de Física... – Assim ela torceu a boca e suspirou fechando o seu armário, logo em seguida se virando e indo para a aula designada... Agora eu teria aula de Álgebra... Andava mal em matemática...

Torci a boca e deixei a cabeça cair e a meneei. Puxei uma lufada de ar e a soltei lentamente... Logo em seguida ergui o rosto e enxerguei um pontinho verde no meio da multidão... Quem mais teria cabelo verde naquela escola se não ele?! Saí empurrando tudo e todos de meu caminho, quando o alcancei, puxei sua camisa e o joguei contra a parede com força o bastante para machucar-lhe a cabeça.

– Você enlouqueceu?! É imbecil?! Retardado?! Psicótico?! Afinal... Qual o seu problema pirralho?! – Sim... Drew e May eram mais novos que eu... Como entramos todos juntos na mesma escola... Ficou por ficar... Entrei atrasado e deu nisso... Mas Gary já entrara antes...

– Qual o meu problema? Qual o seu problema!? O que deu em você seu animal?! Fica empurrando os outros agora, por diversão? Francamente Ketchum... – Não agüentei e esmurrei-lhe a cara. Ele me olhou incrédulo

– Não vou repetir de novo... Por que tentou beijar a May? Você sabe que ela não gosta de você! Fumou?! – Completei deixando-o sem reação alguma... – Me responda! Seu merda! – Apontei o dedo para sua cara, quando senti alguém pondo a mão em meu ombro.

Era Brock... O inspetor do colégio... Drew sorriu e deu um “Tchau” com a mão e soltou um de seus sorrisos de escárnio... Fomos até um canto do bebedouro para podermos conversar...

– O que deu em você Ash?! Você sabe que se a diretora te pegasse você levaria uma suspensão!

– Ah qual é... O safado tentou beijar a May! Eu só estava mostrando a ele que quando se mexe com ela, mexe comigo... – Bufei. Não. Ele não contava à diretora as coisas que eu fazia de errado... Era amigo de minha família... Nós somos ótimos amigos apesar da diferença de idade. Ele suspirou...

– Quando vai admitir? Você sabe que não pode evitar isso para sempre... Sabe que não vai viver sem ela... Por que não faz isso de uma vez cara? – Eu corei. Praguejei algumas palavras em baixo volume e olhei para ele.

– Na hora certa... – Fiquei meio cabisbaixo e torci a boca.

– Sabe uma boa oportunidade? A viagem da escola no final do ano é uma boa pedida... Ninguém vai incomodar os dois na floresta...

– Isso! Você é um gênio Brock! Valeu mesmo cara!

– Hehe... Eu sei... Agora vai logo pra sala de aula se não eu conto o que aprontou para a diretora – Riu. Eu saí correndo para a aula de Álgebra. Entrei na sala chamando a atenção de todos.

Assim que percebi o mico me desculpei e recebi umas risadinhas da turma... Típico. Revirei os olhos e sentei em uma cadeira vaga na segunda fileira. Nossa! Eu não estava entendendo nada! Tudo estava preso naquela garota de cabelos da cor do mel... Por que?! Por que tinha de ser logo com a minha melhor amiga?!

Torci a boca e encostei a cabeça no caderno, mas logo recebi um toque nas costas. Olhei para trás e Paul me mandou olhar para a frente, vi o professor me encarando, dei um sorriso amarelo e ergui a cabeça para prestar atenção na aula novamente... Mas era impossível... Passaram-se mais alguns minutos e tocou para o banho de sol... Digo...

Intervalo... Peguei minhas coisas e fui até o armário, nenhum bilhete... Mas quando o abri... Uma cartinha logo caiu dele e eu me abaixei para apanhá-la. Quando desembrulhei, quase tive um troço!

Continua...

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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:45

Capítulo 5: O Beijo Problemático! Parte 2




No bilhete, lia-se o seguinte:

“Ketchum precisamos conversar! Eu sei que você está a fim da May desde pequeno... Por isso eu decidi fazer alguém feliz... Encontre-me depois das onze, quando o colégio estiver fechado, perto da árvore, que fica ao lado do muro pichado... Sei que estará lá...

S.P.”

Afinal... Quem seria? Não conheço ninguém com as iniciais de “S. P.”... E se... Fosse um aluno novo? Um cara invisível... Ah! [palavra censurada]-se! Só sei que... Iria me ajudar com a May... Nervoso, li o bilhete novamente, pus a mão na cabeça e suspirei. Levei um susto maior ainda quando ouvi aquela voz...

– O que é isso Ash? – Indagou-me a morena à minha frente encarando o bilhete, tentando vê-lo.

– O que? Ah! May?! – Puxei minha mão escondendo o papel – Que bilhete? – Dei um sorriso amarelo.

– Ah... Não se faça de bobo! Eu sei que tem um bilhetinho aí! Me fala! Por favor! – Quando ela fez aquela carinha de cachorro com fome... Argh! Não! Seja forte! – Mostra? – Fez sua carinha de criança com beiço.

– Ah... Não é nada... Sério May... – Uma gota cresceu em minha cabeça.

– Hum... Se não quer que eu saiba é só falar... – Virou o rosto e saiu andando. Torci a boca e fui atrás dela – Escuta... É que... É um segredo... Um segredo que eu nunca contei à ninguém e que ninguém sabe... Entendeu?

– Hum... – Murmurou com cara de desentendida... Acho que não estava me escutando...

– Ah... May! – Sacudi seu ombro.

– Ai! O que é?! – Fuzilou-me com os olhos.

– Me escuta! – Revirei os olhos. Ela também fez o mesmo...

– Tá! Fala... – Disse voltando o caminho e abrindo seu armário para pegar o material da próxima aula – E aí? O que é? – Sorriu meio... Irônica...

– Bom... É que é uma coisa muito secreta minha... – Corei – E eu... Bom...

– Ah para de enrolar Ash! Me conta logo! – Riu com minha falta de jeito. Eu sorri. Estava feliz por ter a feito rir... Sua risada... Não tinha preço...

– Bom... É que tipo... Ah! Só pra causar um clima de mistério... – Fiz uma pose enigmática, lembrando daquilo que Brock havia me dito – Eu te digo no final do ano, lá no acampamento... Pode ser? Dá mais tempo pra você pensar... – Ri nervoso. Ela suspirou. Parecia saber o que era... Será que... Não! Não mesmo! Sem chance!

– Tudo bem... Agora eu tenho de ir... Tenho que conversar com as garotas! – Sorriu e saiu andando feliz da vida... Como ela consegue? Como ela consegue se dar tão bem com a vida? Isso é lendário... – Até mais! – E por fim desapareceu no corredor...

– Até... – Murmurei para o vento... (N/A: Eu to tão trágica nessa Fic xD Kk’)

Até que me lembrei que tinha “Contas” à acertar com uma certa pessoa... Soquei a porta de meu armário e saí correndo como um alucinado, passei por May em uma velocidade assustadora. Apesar de ser o bonitinho da escola, eu era rápido e bom em esportes...

Quando eu era pequeno, fiquei fera em fugir do Gary... Eu pintava as costas de seu Squirtle... Ele me amaldiçoava por isso... Mas eu nem ligava... Sorte dele não ter escolhido um Charmander! Se não... Eu faria experimentos com um copo e com a chama dele... Mas claro que isso quando eu era pirralho! Ri lembrando-se de quando corria dele e subia nas árvores da praça... Ficava um bom tempo lá em cima até minha mãe convencer ele a não me bater...

Mas voltando ao assunto principal... Depois de correr quase a escola todinha atrás daquele... Err... Daquele cara... Eu encontro ele sentado dando em cima da Dawn... Será que ele não se tocou que ela tem namorado? O Paul ficaria furioso se soubesse dessa mais... Passei por ele com passos firmes e fortes, o agarrei pela gola da camisa e o arrastei até um canto da parede. Apontei-lhe o dedo na cara como no corredor e disse:

– Se sabe o que é bom pra tosse... Sugiro que fique bem longe da May... Bem longe mesmo! – Murmurei devagar e sério o bastante para assustar até Gary, que era dois anos mais velhos que eu.

– E por que eu faria isso? – Sorriu com escárnio. Eu dei o mesmo sorriso e olhei de lado um pouco acompanhado de uma risada. Mas logo o encarei novamente.

– Por quê? Acho que você não vai gostar de ter uma cara amassada... Estou certo? – Provoquei. Como resposta ele me empurrou. O olhei com ironia – O que foi Drew? Resolveu deixar de ser o bom menino é? – Como resposta, tive um soco direto no rosto.

Levei a mão até o local atingido e o olhei de relance. Devagar e com calma me limpei e fui até Drew. Parecia que não tinha medo de ter a cara amassada mesmo! Atingi-lhe em cheio com meu punho esquerdo. Ele caiu no chão e eu chutei-lhe a barriga. A essa altura, já devia ter uma multidão ao nosso redor... Não me preocupei muito com isso... Estava mais interessado em defender a honra da May... Na hora que eu pensava nela, o garoto caído no chão passou-me uma rasteira.

Caí e ele se pôs a me socar. Tentei reagir, mas ele segurava em meu pescoço... Estava a ponto de perder a consciência por falta de ar, já que apertava minha traquéia, quando ouvi uma voz doce gritando desesperadamente...

– Parem com isso! Por favor! Não briguem! – A única coisa que me lembro antes de apagar era que a voz estava chorosa... Depois disso tudo ficou escuro... Desmaiei...

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Quando acordei, senti uma luz branca em cima de mim. Friccionei os olhos na tentativa de protegê-los da claridade... Não adiantou muita coisa afinal... Gemi um pouco ao sentir as dores da briga. Mas logo eu percebi que não estava sozinho na sala da enfermaria... Como eu sabia? Simples... Não tem como confundir este lugar...

– O que deu em você criatura?! Ficou louco?! O que tinha na cabeça?! Podia ter morrido Ash! Não faça isso de novo... Por favor... – Ouvi May chorar ao meu lado... Com um pouco de dificuldade pus a mão em seu queixo e o virei para mim.

– Não se preocupe comigo – Sorri com dificuldade. A dor estava insuportável... De fato... Mas não suportava ver minha morena chorando... Era de mais... – Tudo bem? Agora... Por favor... Me ajude a sair daqui... Preciso terminar uns assuntos – Fiz uma cara audaciosa. Ela apenas torceu o nariz e me encarou com umas das sobrancelhas elevadas. Ri nervoso.

– Onde pensa que vai? – Indagou-me com um tom autoritário.

– Err... Pra casa ué! – Sibilei meio envergonhado.

– Como se eu acreditasse não é? – Riu irônica.

– Tudo bem... Eu ia terminar o meu papo com o Drew... Feliz?! – Indignei-me. Afinal, eu me arrebentava todo para fazê-la feliz... Estava defendendo-a... E ela achava ruim?! Então... O que eu tenho que fazer?!

– Ah... Ash... O que eu faço com você... – Segurou o pingente de seu colar... Não acredito que ela tenha gostado tanto assim... Logo em seguida suspirou e acariciou-me os cabelos... Sorri com a ação e fechei os olhos... Estava acostumado com essas carícias...

– Mais para a direita... – Murmurei. Como resposta, obtive uma pequena tapa na cabeça. Ela riu.

– Você é tão bobo! – Logo em seguida me levantei da cama da enfermaria. Ainda tinha um pouco de gosto de sangue em minha boca. May se assustou com minha atitude. Fui andando decidido até a porta de saída, quando me toquei... – May... A aula já acabou?

– Já... É que você ficou inconsciente e... Bom... Eu vim ver se você estava bem... Não quero que nada te aconteça – Ela sorriu – Mas Ash, por que você fez aquilo? Não tinha motivo...

– Claro que tem! – Virei o rosto – Você acha que eu iria comprar briga com o Drew por nada?!

– Não... Mas... – Seus olhos marejaram. Droga! Eu tinha feito isso... Por que eu sou tão idiota?! Logo eu... Eu que a amo...

– Desculpe... Eu... Não queria ter feito isso... Foi sem querer eu juro... – Abracei-a. Ela pôs sua cabeça eu meu busto e suspirou.

– Não tem problema... – A ouvi murmurar – Mas... Por que fez aquilo? – Tornou-se a me indagar.

– Você não faz a mínima idéia não? – Sorri torto. Ela meneou a cabeça. Olhei para o lado e respondi. – May! Acorda! Ele tentou te beijar! – Encarei-lhe a face avermelhada – Eu não podia deixar isso barato... – Completei com um sorriso torto. Ela pôs as mãos na frente da boca e olhou para o chão, permitindo-se corar – Entendeu agora? Eram motivos de força maior... – Disse com meu tom compreensivo e sentei na maca. Ela me olhou confusa. – Ah May! Por favor! Eu só estava te defendendo – Revirei os olhos e corei. Ela riu, logo em seguida pegou em minha mão e me puxou.

– Vamos... Acho que já está na hora do almoço... – Saímos andando corredor a fora, atraindo os olhares de várias pessoas.

Ela ainda segurava minha mão com bastante força... Já estava ficando incomodado com a quantidade de pessoas que nos olhavam... Então finalmente saímos da escola. Pallet já estava bastante diferente... Tinha ruas, prédios de grandes empresas, bancos, lan houses, lojas de eletrônicos... Enfim! Tudo de uma cidade... Ainda assim, não havia assaltos... Inacreditável não? Mas por incrível que pareça, ainda tinha aquele ar de cidade do interior... As áreas verdes continuavam intocadas...

Quando estávamos no portão do colégio, lembrei do bilhete e parei do nada. May se assustou e me encarou confusa.

– O que foi?

– Err... Eu esqueci meu livro de Álgebra... Vou voltar para pegar, depois a gente se fala ta? – Sibilei meio nervoso. Ela apenas sorriu e saiu andando.

– Ah... Eu vou passar um tempo na sua casa... Meus pais foram deixar o Max em Hoenn e aproveitaram pra visitar o vovô e a vovó... A peste disse que tava com saudade de uma “amiguinha” dele – Uma gota cresceu em sua cabeça – Eles já avisaram à sua mãe... Depois a gente se vê – Sinceramente... Não prestei atenção ao que ela disse! Estava meio ocupado pensando em quem seria... Apenas assenti e saí correndo.

Quanto ao livro de Álgebra... Bom... Tudo bem! Eu o esqueci de fato... Mas isso não era importante... Quando vi que já estava longe o bastante, senti que era seguro sair... Peguei meu celular... Vi que já passava de onze horas... Saí andando calmamente até o local designado... Quando cheguei lá, vi uma silhueta. Friccionei um pouco os olhos para tentar distinguir quem seria... Quando cheguei um pouco mais perto, eu vi e logo gritei:

– Você?! Ma- Mas como?! – Larguei minha mochila no chão.

– Shh! Calado Ketchum! Se não vão descobrir! Discrição nunca foi seu ponto forte não é?! – Gritou a pessoa fazendo uma cara reprovadora

Continua...

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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:46

Capítulo 6: Contar?! Está Louco?!




– Co- Como você sabia?! – Gritei ainda mais alto

– Simples... Você acha que eu não percebia a maneira que você olhava para ela? – Respondeu Gary acompanhado de um sorriso escarneço.

– Ma- Mas... E o bilhete?! Não tem as suas iniciais! – Reclamei confuso.

– Ora... “S. P.” Queria dizer “Seu Primo.”– Continuou com o mesmo sorriso. Nesse momento eu me deixei cair... Bati o joelho no chão e busquei apoio nas mãos. De cabeça baixa eu me senti um grande otário! Como não conseguia disfarçar que estava a fim de minha melhor amiga?! Mandou bem! Idiota! – Bom... É o seguinte... Você quer ajuda ou não?

– O que você acha Gary?!

– Ah nesse caso... Eu estou indo embora – Deu um sorriso debochador. Eu grunhi irritado com seu comentário idiota.

– Tá! Eu quero ajuda sim! Feliz?! – Completei ainda mais irritado.

– Agora eu estou feliz... – Sinceramente... Seu sorriso estava começando à me irritar! – O que será que eu posso fazer por você?

– Pergunta logo a mim?! Gary! – Gritei

– Tudo bem, tudo bem... Que tal dizer a ela? Cabeção!

– Como assim?! De cara?! Fala sério Gary! Pensei que você ia me ajudar! – Inconformado eu dei as costas e comecei à ir pra casa.

– Ei! Eu estava brincando! Ta de TPM é? – Debochou. Odiava quando ele dizia isso!

– Tira onda com isso de novo e eu serei obrigado a quebrar a sua cara!

– Você e eu sabemos que não é capaz de fazer isso “Ashzinho”. Mas eu vou te ajudar mesmo assim... – Ele sorriu novamente de forma escarneça. – Bom... Vamos começar... Quando pretende contar à ela?

– Como assim? Eu tenho que contar pra ela? – Estranhei completamente

– Claro que vai! Se não disser logo, vai acabar perdendo ela!

– Mas... Se ela não gostasse de mim? – Indaguei inseguro como sempre. Posso ser animado, mas sempre fui meio... Digamos... Tímido... Nunca gostei de falar em público... Os trabalhos escolares e as apresentações me incomodavam profundamente...

– Err... Sabe... Eu não tinha pensado nisso... – Respondeu Gary, cara-de-pau!

– Como assim?! Você acha que era só eu dizer que amo ela e então a May iria se jogar nos meus braços?! – Os olhos verdes dele se arregalaram, assim que eu disse a palavra “Amo”.

– C- Como assim?! – Ele se assustou

– Eu. Ash Ketchum. Amo. May Dixon! – Repeti lentamente, como se falasse com uma criança.

– Cara... Você ta de zoa né? – Ele deu um sorriso sem graça.

– Você acha... Que eu... Estaria zoando com isso? – Falei de novo, vagarosamente – Ou... Você acha, que a May não é bonita?! Cara... Por que se você estiver achando isso... Você está fudi- Fui cortado por meu primo.

– Ash, você ta de brincadeira?! A May é um avião! Muito gostosa aquela mina! Você acha mesmo... Que nenhum garoto, nunca olhou para as pernas dela, na aula de Educação Física, enquanto ela jogava vôlei? – Sorriu debochadamente. Quem era ele... Para falar desse jeito dela?!

– Olha como fala dela! – Me irritei – Você não o tem DIREITO de falar assim daquela garota! – Gritei

– Shh! Quer que alguém nos ouça?!

– Tudo bem – Bufei já irritado – O que eu tenho que fazer para conquistar a May então? Você não é o “Expert” no assunto? – Agora foi a minha vez de dar um sorriso debochador. Gary suspirou e coçou a cabeça.

– Vou ser sincero contigo cara... Eu não sei não! – Caiu na gargalhada.

– C- Como assim não sabe?! – Gritei incrédulo.

– Olha... Eu sei o que fazer em paixões, mas amor... Eu não sei mesmo. Foi mal aí.

– Claro! Você está com a Misty só para dar uma de “Importante”. – Fiz aspas com os dedos – Só porque ela é uma das garotas da torcida – Revirei os olhos. Ele corou.

– E- Eu... Não só gosto da Misty... É tipo... – Eu arqueei uma das sobrancelhas.

– Você... Ta me dizendo... Que está apaixonado pela garota mais tosca da cidade toda?

– ELA NÃO É TOSCA! – Gary me respondeu totalmente enfurecido – Se é assim... A May... Err... – Hesitou – Droga! Não tem nada de ruim pra falar daquela garota – Fez uma cara de decepção.

– Eu sei... Por isso que eu amo aquela garota – Completei com uma voz de “Bobo Apaixonado”.

– Bom... Sei lá cara... Ela vai almoçar lá em casa hoje né?

– Hum... Acho que ela me falou algo do tipo... É sim... Ela vai passar um tempo lá... Os pais dela foram pra Hoenn... Acho que foram levar o Max pra vis- Gary me cortou.

– Eu te fiz uma pergunta! Não quero a história toda! – Revirou os olhos. Céus! Meu primo podia ser legal às vezes. ÀS VEZES. Mas na maioria das vezes era uma praga na vida de qualquer pessoa.

– Então, o que eu tenho que fazer?

– Sei lá... Tenta beijar ela ué!

– C- Como é que é?! T- Tenho q- que fazer o q- que?! – Disse incrédulo enquanto arregalava meus olhos.

– Tenta beijar ela. É simples... Mas acho que você ainda nem deu um selinho. Vai ser mei- Cortei-o.

– Como assim não dei nem um selinho? Eu já beijei a May sim, mas foi selinho, o que significa que eu, só não beijei de língua ainda, pra sua informação! – Assim que terminei a frase tapei a boca com as mãos.

–... Você... Você... Fez... O que? – Gary disse boquiaberto.

– Nada! – Neguei.

– Por que você nunca me disse isso?! Quando foi?! Como Foi?! – Ele estava eufórico. Talvez... Será... Que ele já tinha tentado beijar a May?

– Err... Tudo bem! Foi quando eu dei o pingente do colar que ela sempre usa. Eu coloquei o colar nela aqui, de baixo dessa árvore, e aí ela me deu um selinho. Pronto. – Disse tudo, tão rápido, que quase não entendi o que tinha dito.

– Cara você saiu no lucro! A May ta gamada em você!

– Como pode ter certeza? Nós tínhamos doze anos, não acha que as coisas mudaram um pouco?

– Hein?

– Eu dei aquele pingente à ela, quando tínhamos doze anos. Ela pode muito bem ter mudado de idéia, agora que já estamos com quatorze, não acha? – Disse convicto de que aquilo era meio... Impossível de se acontecer... Mas de certa forma, era meio óbvio que May não gostava mais de mim, ou nunca gostou. Mas... Quem gostaria... De uma pessoa como eu...?

– Ah cara... Deixa de ser pessimista... – Gary escorou-se na árvore e usou o pé como apoio na mesma – Tenho quase certeza de que ela gosta de você.

– Você acabou de dizer que não sabe nem ao menos o que é amor cara. – Arqueei as sobrancelhas e disse com uma voz de deboche. Ele corou e caiu de cara no chão.

– E- Eu sei sim! Não adianta ficar me olhando com essa cara! Eu sei sim o que é amor! – Por alguma razão, ele estava trêmulo. Por que será? Heheh’

– Ah é? – Confirmei irônico – Então... O que é?

– Err... É um sentimento... Muito forte... Espera... Por que eu to te dizendo isso?! Logo pra um pivete como você?! Poupe-me! – Bom... Acho que ele sabe sim o que é amor... E acho que sei por quem ele sente esse amor. Heh’

– Tudo bem... Então vamos logo pra casa, antes que a coroa nos dê uma bronca... – Afirmei pegando minha mochila e andando até a minha casa. Que por azar, ficava extremamente próxima à minha escola.

Gary veio logo em seguida. Ele estava com um casaco preto, que tinha um capuz. Por cima estava outra blusa, uma azul marinha, com um jeans descolorido, até alcançar o tom ideal de azul, usava também um sapato de quem pratica Free-Step. Sim. O Gary era praticamente, o “Cara Maneiro” da escola.

Quando chegamos em casa, lá estava ela... Sentada no sofá. Lendo aquele livro, que ela sempre carregava... “O Último Pôr-do-sol”. Era um livro de romance, que eu havia dado à ela em seu aniversário de treze anos. May não vivia sem aquele livro... Já leu e re-leu aquelas páginas mais de sete vezes... Não sabia que tinha gostado tanto dele...

– Você demorou... – Ela acariciava seu Pokémon, uma Eevee.

Eu não respondi. Apenas tirei meu moletom, e sentei-me ao seu lado, logo em seguida, liguei a TV em seguida, meu “Rato” pulou em minhas costas.

– Pi! Pika! – Gritou ele alegre

– E aí amigão! – O segurei em meu colo enquanto prestava atenção no programa

May pegou seu lápis e começou a cutucar meu ouvido. De novo! Olhei pra ela com uma cara assustadora enquanto largava o Pikachu do meu lado no sofá.

– Pode parar? – Disse irritado.

– Não até você me responder. Por que demorou? –Tirou Eevee de seu colo e voltou a me encarar.

– Eu estava conversando com o Gary...

– Isso é verdade! – Disse meu primo entrando na conversa.

– Tudo bem... Sobre o que? – Curiosa como sempre. Bufei.

– Sobre a escola... – Menti. Ela me olhou nos olhos. Aquelas lindas orbes azuis, encarando os meus...

– Você está mentindo... – Ela disse convicta. Como me conhecia tão bem?

– N- Não! Eu não estou mentindo! – Disse meio... Hã... Desesperado. Quando May puxou ar para me responder, minha mãe chegou à sala.

– Olá meninos! Demoraram... May foi a primeira a chegar! – Ela estava arrumando a mesa.

Eu suspirei e sentei-me na mesa, o almoço foi calmo... Exceto por Gary me cutucando o tempo inteiro, pedindo para que eu revelasse à May. Sério... Não sei pra que eu fui dizer a ele... Após o almoço... Como toda cidade do interior, estava na hora da sesta.

– O que você tem Ash?! – Indagou-me May, me jogando contra o sofá.

– Nada! O que há com você May?! Por que fez isso?! – Eu respondi meio assustado.

– Ash... Eu sou sua melhor amiga... Não sou?

– Mas é claro que é. Desde que eu te conheci ué. Por que a pergunta? – Eu puxei sua blusa, fazendo com ela se sentasse ao meu lado.

– Ah... Besteira da minha cabeça! – Ela sorriu.

– Hum... Então... Então ta! – Sorri juntamente à ela. Nesse momento Gary saiu da sala e me piscou o olho. Não! Eu não vou contar a ela!... Ou... Será que vou...?

– Bom... Estou cansada. – May me empurrou do sofá.

– Ei! Por que você me empurrou?! Isso doeu! – Eu reclamei caído no chão.

– Ah... Eu to com sono, e vou dormir ué!

– Mas...

– Nada de mais! – Ela me respondeu com uma cara zangada.

– Me deixa falar pelo menos? – Revirei os olhos. Ela assentiu – Como é visita... Minha mãe disse que é feio deixar visita dormir na sala, e o quarto de hóspedes está ocupado pelo Gary... Então... Você vai dormir no meu quarto, e eu vou dormir aqui – Ela corou.

– Não! O quarto é seu ué! E eu nem sou assim... Tipo... “Visita” – Fez aspas com os dedos – Eu já sou conhecida...

– Nada à ver! – Bufei irritado. Afinal... Estava sendo gentil... Isso é raridade! – Vamos May... – Tentei arrastá-la até as escadas. Ela ria intensamente.

– Tudo bem! – Finalmente! Pensei que teria de passar a tarde toda ali – Até mais... – Antes de subir as escadas, porém, May me beijou na bochecha. Eevee subiu as escadas apressada atrás de sua dona. Mas o que?! May... Beijou-me a bochecha... Nunca a vi fazendo tal coisa antes... Será... Não! Impossível... – Tchau Ash – Ouvia dizer com sua doce voz. Cara... Essa garota me deixa louco!

Assim que ela desapareceu na escada com um doce e singelo sorriso, eu levei a mão até a bochecha que a garota beijara. Dei um sorriso tímido e me permiti corar mais ainda. Não sei dizer mais ou menos quanto tempo passei daquele jeito... Só sei que foi de mais! Nunca esperei receber um beijo de May, ainda mais nessa idade. Talvez até de alguma outra garota... Mas dela... Nunca...

Suspirei e fui até o sofá. Encarei Pikachu por um momento e sorri de novo.

– Amigão! Parece que eu estou com sorte! – O ratinho amarelo sorriu para mim. Logo em seguida, sentei-me – Você... Acha que eu deveria... Dizer que gosto da May? – Ele assentiu... – Droga! Até você?! – Pikachu caiu na risada. Logo em seguida, ele pulou em meu ombro – Tudo bem... Eu vou tentar...

Assim, deitei de bruços no sofá. Apaguei por completo.


OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO


Quando abri os olhos, já estava escuro... Todos ainda estavam dormindo... Pus a mão no bolso à procura de meu celular. Eram seis e meia. Graças que já era sexta-feira... Levantei-me e olhei ao meu redor.

– Que sono... – Passei as mãos nos olhos, tentando inutilmente me acostumar.

Fui até a cozinha, como sempre, tomei água, da boca da garrafa. Fui até o banheiro fazer minhas... Hã... Necessidades... (N/A: Meninos tarados pensaram outra coisa ¬¬) Logo em seguida, fui acordar Gary. Abri a porta do quarto. Hum. Ele não estava lá. Acho que foi a um encontro com a Misty. Fiz uma de deboche. Bati no quarto da minha mãe... Ela não abriu a porta... Ouvi o barulho do ar-condicionado ligado. Conclui que ainda estava dormindo.

Agora... Só faltava uma pessoa... Engoli em seco antes de ir a seu quarto. Que na verdade era o meu, mas num surto de gentileza o ofereci a ela... Bati na porta do quarto. Nada. Não era possível! Todos iam me ignorar agora?! Bati novamente, chamando seu nome. Ouvi um gemido de preguiça. Em seguida a porta foi aberta. May apareceu com uma cara de sono, visivelmente irritada.

– O que é?! – Ela estava morta de sono... Também... Pudera... Depois de uma semana inteira estudando...

– Já são seis e meia – Uma gota cresceu em minha cabeça.

– E daí? – Coçou os olhos.

– E daí que talvez seus pais tenham chegado? – A gota cresceu mais ainda.

– Não chegaram... – Ela bocejou e foi sentar-se na cama.

– Não chegaram como? – Disse confuso.

– Mas você não presta atenção em nada mesmo não é?! – A morena fez uma cara estressada – Eu disse que vou passar um tempinho aqui! Acho que uns... Três dias... – Coçou a cabeça e deitou virada pra cima, encarando o teto. Eu corei de leve...

– Hum... – Fiz a maior cara de interessado possível. Mas sinceramente... Não deu! - Bom... Você sabe que já é de noite... – Revirei os olhos.

– E daí?

– Err... – Era chegada a hora... Eu ia falar nem que fosse a última coisa que eu fizesse em toda a minha vida...

Continua...


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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:47

Capítulo 7: Tão Perto... Tão Longe...





– Então? – May me encarou meio curiosa – O que é? – Sorriu e pegou uma escova de cabelos... Logo em seguida começou à penteá-los.

– Err... Você... Eu... Quero dizer... – Completamente sem jeito, eu comecei a corar.

– O que estão fazendo aí? – Disse minha mãe, estragando completamente minha tentativa de declarar-me à May. Ela não estava dormindo?!

– Droga! – Balbuciei decepcionado – Nada não mãe! – Menti descaradamente.

– Hum... Sei... – Ela fez aquela cara de desconfiada... Droga! Pais sabem de tudo mesmo! Só pode. Revirei os olhos. Logo em seguida ela saiu. Como sempre, foi preparar o jantar...

– Então? O que era? – Sorriu May, muito, mas muito curiosa. Assim que terminou, soltou a escova em cima da cômoda.

– Err... O quê? – Mudei de assunto. Como minha mãe estava acordada... Não ia dar muito certo... Se é que me entende...

– Ash! Seu sem graça! Quero saber agora! – Fez um bico de criança pequena – Então... Conta? – Sorriu torto... Aquele sorriso desconcertante que sempre me fizera corar...

Sem dizer uma única palavra, levantei-me e tentei sair do quarto, mas May segurou meu braço e me encarou séria. Séria de mais. Quando ela fica assim, ou é porque está irritada, ou porque está de TPM... Sinceramente... Não prefiro nenhum dos dois!

– Você vai me contar agora Ketchum! – Ela sussurrou em meu ouvido. Não havia mais tom de brincadeira em sua voz...

– May... Por favor... – Eu segurei sua cabeça com as duas mãos e a fiz me encarar. Ela corou e eu olhei fundo em seus olhos.

Estávamos escorados na porta de meu quarto... A única luz era a do corredor, a centímetros de distância um, da boca do outro, ambos começamos a nos aproximar. Nos encarávamos com um pouco de receio. May colocou as mãos em meu peito.

– Ash... – Ela sussurrou.

Eu me aproximei mais um pouco e pude sentir seu hálito... Quando estávamos para encostar os lábios... Uma voz tiniu em meus ouvidos... Mais parecia um grande candelabro de cristal, caindo próximo a milhares de microfones...

– O que os dois estão fazendo aí hein? – Era minha mãe... [palavra censurada]! [palavra censurada] que nos pariu! Logo agora?! Ela não ia fazer o maldito jantar?! Eu estava tão perto...

Num instante nos nós separamos. Eu já parecia uma maçã. May não estava tão diferente... Eu pus a mão atrás da cabeça e a cocei nervosamente, já ela, passou as costas das mãos na bochecha. Minha mãe me olhava fixamente com uma das sobrancelhas levantadas. Tinha um sorriso maroto no rosto.

– Não estávamos fazendo nada... – Eu sibilei.

– Tinha alguma coisa no meu olho... Ash só estava olhando... – Ela disse de mesmo tom.

– Aham... Sei... – Ela riu – Bem... Venham logo jantar, o jantar será a mesma coisa que o almoço, ou seja, macarronada.

– Uhum... Tudo bem... – Dissemos eu e May juntos

– Err... Eu vou ao banheiro... Com licença – A morena ao meu lado saiu do quarto e foi até o final do corredor, logo em seguida virando na última porta à esquerda.

– Bem... Eu vou trocar de roupa... Com licença mãe! – Fechei a porta rapidamente. Ainda ouvi uma risada irônica dela, logo em seguida, vários passos apressados na direção da escadaria – Que merda... – Sussurrei decepcionado.

Rapidamente troquei a blusa e saí do quarto. Desci as escadas com pressa e logo me sentei-me à mesa. Como de costume em qualquer cidade do interior, tínhamos que esperar todos virem à mesa para podermos jantar.

– Gary vem jantar mãe?

– Não. Saiu com a Misty. Não tem hora para voltar... – Ela disse séria – Mas... Diga-me... Você e a May... – Cortei-a rapidamente.

– Não tem nada entre mim e a May! Ela é apenas minha amiga! Nada além da minha amiga! Ok?! –Sussurrei completamente vermelho. Logo a garota em questão desceu as escadas.

– Boa noite... Desculpem o atraso... Foi sem querer – Sorriu falsamente.

O jantar foi rápido. Sem muitas delongas. Ninguém trocou palavra alguma. O clima tenso predominava no local. Assim que terminei o jantar, levantei-me e me dirigi ao sofá, como todos os dias... Liguei a TV e pus logo no Pokémon Planet¹. Sabiam que o Voltorb se assemelha a uma PokéBola para a camuflagem?

Ah! Voltando ao assunto... A morena se sentou ao meu lado, um pouco distante, mas ainda assim... Minha mãe tirou a mesa e subiu as escadas.

– O que aconteceu... Entre nós... Eu... – Ela não continuou a frase. Logo ficou em silêncio... Eu me aproximei dela e enlacei minhas mãos em sua cintura. Imediatamente May corou. Eu sorri de leve e fiquei meio vermelho – Ash... Nós somos amigos... Você sabe que se fizermos isso... Nada entre nós vai ser o mesmo... – Ela sibilou decepcionada. Olhei-a com um pouco de compreensão no olhar. Torci a boca e lhe dei um beijo na bochecha. Ela fez o mesmo e fez menção de levantar-se. Assim o fez. Com um olhar, ela disse tudo. Seus olhos marejados me preocuparam... Tentei segui-la, mas quando estava para tocá-la...

– Fala aí cara! – Gritou Gary entrando pela porta da entrada apoiado no ombro de Misty. Bêbado... Sim... Meu primo tinha 16 anos e já se embebedava, enquanto eu ficava em casa na TV! Lindo não?

– Pode deixar Misty... Cuido dele... Obrigado por trazer ele até aqui – Sorri segurando no braço dele.

– De nada... Ah e diga para ele que eu o mandei maneirar um pouco mais na bebida... - Ela sorriu meio tímida. Logo em seguida olhou para Gary e lhe fez uma carícia no cabelo – Tchau Ash! – Ela disse apenas meu nome... Então... Merda!

Joguei Gary no sofá. Literalmente! E subi as escadas apressadamente. Quando cheguei ao corredor de cima, fui diretamente para a porta de meu quarto. Fechada... Mas que droga Gary! Era culpa dele! Saco! Desci e fui até a sala. Olhei com escárnio para meu primo e sibilei para mim mesmo: “Está dormindo... Bem... Não vai ligar se eu dormir no quarto dele hoje... Hehe”.

Assim que terminei o pensamento, corri para seu quarto, que “Por Acaso” ficava do lado do meu... Então... Se ela tivesse um pesadelo... Argh! Estou ficando doido! Joguei-me na cama e fiquei pensativo... “Quantas pessoas sabiam? Era muito comentado entre eles? May gostava de mim? Sim? Não? Ou estava apenas protegendo nossa amizade, caso nosso namoro não desse certo...?” Tirei a roupa e fiquei apenas de boxer. Adormeci com isso em minha cabeça: “Eu a amo... Mas... Ela me ama?”


OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

No outro dia... Sábado! Sim! Um lindo dia de sábado! Ouço os Starly e Taillow cantando... Deve ser um ótimo dia para ir até o clube da cidade nadar um pouco... E... Abri a janela... Dia frio... Frio de mais! A janela estava até coberta por uma fina camada de gelo... Uma gota enorme cresceu por minha cabeça. Tudo bem... Acho que me empolguei DE MAIS. Rapidamente peguei uma das roupas de frio de Gary... Aposto que ele não ia ligar... Afinal, provavelmente estaria se queixando de suas grandiosas dores de cabeça, porque bebeu muita cerveja ontem...

Escolhi uma camiseta verde, com uma camisa de botão quadriculada nas cores azul claro, azul escuro e verde-água. Peguei um jeans qualquer, no tom de azul claro... Peguei os tênis favoritos dele... Típico de quem pratica Free-Step... Sim... Gary sabia fazer Free-Step, eu ainda estava aprendendo um pouco... Mas já entendia de alguns passos. Penteei o cabelo e o balancei, para ficar como sempre foi... Bagunçado... E venhamos e convenhamos, nem sei pra que eu o penteei, se ele ia ficar bagunçado de todo jeito! Saí do quarto todo empacotado praticamente... Só faltavam as luvas. Na hora que saí do mesmo, a porta ao lado abriu. Era May...

Ela usava um moletom rosa de modo que apenas seu capuz aparecesse, uma fina blusinha branca com detalhes em Pink e uma calça larga de lã. Não usava sapatos, estava de meias... Hehe... Desde que a conheci, sabia que tinha o costume de andar de meias em casa... Sorri ao vê-la. Ela fez o mesmo. Passei o braço por seu pescoço e fomos andando até a escada, até lá fomos falando...

– Vai fazer o que hoje? – Perguntei curioso.

– Terminar de ler o livro – Ela respondeu em tom de brincadeira.

– NOVIDADE! – Exclamei em mesmo tom – Jurava que hoje era dia de sol... Até ouviu alguns Starly e Taillow cantando...

– Não... Era apenas o galho da árvore ao lado, roçando no vidro... Daí fazia um barulho agudo – A garota riu de minha cara.

Logo chegamos à sala de estar... Gary estava do mesmo jeito que o deixei antes de roubar seu quarto! Meu Deus! Não tem condições de aquele cara ser meu parente! Não mesmo! Ri de leve e fiz sinal para May ir até a cozinha. Quando chegamos lá, expliquei-lhe todo o plano, ela pegou tudo conforme eu disse. Por fim demos uma risada maliciosa.

Fui até o lado de Gary e passei uma grande quantidade de chantilly em sua mão. Fiz sinal positivo à morena e ela cutucou seu nariz com uma pena do Pidgeotto da minha mãe... Se ela souber... Gary torceu o nariz e meteu a mão toda enlameada de chantilly na cara! Ele acordou confuso, olhando para os lados. Parecia uma galinha medrosa esperando a hora do abate!

– Hahaha! Que otário! Hahah’ Você é muito idiota Gary! – Eu ri bolando no chão.

– Haha... É mesmo... – May sorriu sem exaltar-se muito. Acho que tinha medo de algo...

– Vocês... Vocês não fizeram isso... – Ele riu sem graça limpando o rosto – Estão todos fudidos! – Ele gritou se levantando do sofá e tentando me pegar pela gola da camisa.

Eu recuei e saí correndo para fora da casa. Estava muito frio mesmo! Só consegui despistá-lo perto da periferia da cidade... Ou seja... Corri quinze quarteirões e meios... Mas... Eu não conhecia aquela parte da cidade... Não sabia de nada por lá... Por onde eu andava várias pessoas me encaravam... Ouvi alguns caras perto de uma casa noturna murmurar: “Um grã-fino por aqui... Deve ter se perdido do caminho do hotel!” Seguido de várias risadinhas. Depois de andar alguns metros eu decidi parar e tentar voltar.

Bem... Isso depois de ver dois caras grandes me encarando com um canivete nas mãos. Uma gota cresceu em minha cabeça e engoli em seco. Comecei a voltar o caminho todo... Andava apressado. Até que olhei para trás. Eles estavam atrás de mim... Merda! Que foi que eu fiz?! Comecei a correr desesperado. Mas sinceramente, lá parecia um grande ninho de rato! Fácil de comparar a um grande e complicado labirinto... Corri até achar algo que se pareceu com uma saída... Até que ouvi uma voz conhecida.

– O que está fazendo aqui Ketchum? – Assim que ouvi meu sobrenome olhei para os lados, tentando identificar o autor daquela voz.

– Misty?! – Espantei-me – O que você faz aqui?! Mora neste lugar?! – Eu me exaltei.

– Não! Eu sou voluntária no abrigo do bairro... Ajudo a tirar jovens do crime – Sorriu orgulhosa – Mas... Vai virar voluntário também?

– Não... Eu estava correndo do Gary... Ele estava tentando me bater e acabei me perdendo do caminho... – Sorri sem graça.

– Tipo... Quinze quarteirões? – Uma gota cresceu por sua cabeça.

– E meio – Ri com ela.

– Mas... Por que estava correndo? – Indagou-me séria.

– Err... Tinha uns caras... Deeeeeeeste tamanho – Fiz gestos com as mãos – Eles estavam atrás de mim e eu fiquei com medo ué...

– Ah... Eles tinham alguma coisa na mão? – Eu assenti – Ah... Não se preocupa, são só o Spencer e o Carter, eles fazem isso pra assustar os outros, eu até peço pra eles pararem... Mas eles sempre fazem isso escondido de mim... – Então ela sorriu.

– Ah ta! Bem... Pode me levar de volta para minha casa? Aposto que minha mãe deve estar preocupada... Mas vem comigo! Se não o Gary me mata! A propósito... Vocês estão namorando né? – Eu levantei uma das sobrancelhas. Ela corou bruscamente.

– Err... De onde tirou isso Ash?! Pff! Que baboseira! Pff! – Eu levantei mais ainda a sobrancelha. Ela me olhou por um momento e suspirou – Sim... – Ela sorri meio tímida. Então... Todos estavam namorando... Menos eu... Aposto que daqui alguns dias, Drew ia pedir May em namoro...

– Hum... Legal Misty... Fico feliz pelos dois – Sorri meio falso. Claro que eu estava feliz pelos dois... Mas não tanto, por não estar namorando com May... Mas tudo bem... O mundo dá voltas e a minha vez vai chegar! – Bem... Você pode me levar para casa Misty? É que eu não sei o caminho – Uma gota cresceu por minha cabeça.

– Claro! Vamos lá... – Sorriu e virou o rosto para dentro da construção – Ô Zê! Eu vou ali deixar o primo do meu namorado em casa! Volto já!

– Tá! – Um homem gritou de lá de dentro, confirmando a saída de Misty.

– Vamos Ash... – Ela disse sorrindo.

Nós saímos da porta da construção e fomos andando por inúmeras ruelas... Até que comecei a reconhecer o local. Vi a sorveteria que ficava perto de casa... Alguns minutos depois eu vi Gary, May e minha mãe na frente da porta de casa. May estava com os olhos marejados e tinha um copo com água em mãos. Assim que ela me viu eu sorri. Ela largou o copo nas mãos de Gary e veio correndo na minha direção, logo em seguida me abraçando.

Eu logicamente retribuo o abraço... Ela me olhou com aquelas belas orbes azuis e se aproximou de meu rosto. Eu sorri de leve e então me aproximei mais ainda, nossos rostos. Nossos lábios se tocaram. Mas foi apenas um selinho... Ela passou a mão em meu rosto de leve e após isso se separou. Eu a olhei meio confuso, mas ainda assim, muito feliz...

– Nunca mais faça isso... – Ela murmurou me abraçando novamente.

– Eu prometo May... Eu prometo...

~ Flash Back Off ~

– Bem... Foi aí que começamos à flertar... - Eu disse entre soluços.

– Eu entendo Ash... - Norman pôs a mão em meu ombro

– Eu... Eu vou contar como foi o acampamento agora... - Eu murmurei apertando um pequeno objeto em minhas mãos.

Continua...


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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:50

Capítulo 8: A Viagem...




– Lembro de quando a May deu a notícia do acampamento a mim... – Murmurou senhora Dixon – Seu rosto estava reluzente... Ela estava tão animada... – Logo em seguida ela caiu em prantos novamente.

– Calma Caroline... – Norman a abraçou e afagou a cabeça dela.

– Por favor, Ash... Continue... – Max me pediu. Eu assenti

~ Flash Back On ~

– Qual é mãe! Você deixou! Vamos! Por favor! – May praticamente implorava.

– Você tem certeza? Tem muitos insetos... Muitos Caterpies e Weedles nojentos! – Caroline fez uma cara de nojo.

– Fala sério, Mãe! – May disse inconformada – Claro que eu quero ir! Se eu estou aqui, na fila do embarque para o ônibus, óbvio que eu quero ir né? – May disse passando mais uma de suas bagagens para mim. Eu virei o carregador de malas dela... Grande demonstração de amor não? O tempo se passara e eu ainda não disse a ela, meus verdadeiros sentimentos...

– Tudo minha filhota... Tome cuidado! – Caroline gritou deixando finalmente May subir para o ônibus – Eu te amo filha! Está levando o repelente não está?

– Claro que sim... – Ela respondeu.

– E o biquíni? – Aposto que se deixar, a mãe dela vai ficar perguntando tudo que ela botou na bolsa... Aposto!

– Claro que sim mãe! – May bufou – Posso ir agora?!

– Pode sim meu bem... Tome cuidado! E não fale com estranhos! Olhe sempre pros dois lados antes de andar pela floresta! E se certifique de que não está sendo seguida! – Ela achava que a mata era o que?! Uma cidade perdida no meio da floresta?! Fala sério!

– Mãe! – May gritou já irritada – Eu só vou passar um tempo fora, e além do mais, vai todo mundo que eu conheço! Relaxa um pouco mãezinha do meu coração! – Ela era tão sarcástica... Até que por fim, subimos para o ônibus...

– May! Aqui tem dois lugares! – Eu gritei guardando as bagagens dela no compartimento de cima.

Sinceramente, esse ônibus era diferente dos que eu já vira no estacionamento da escola... Tinha ar-condicionado, poltronas, aquelas cortininhas das janelas para proteger contra a claridade, banheiro, luz para a leitura, leitor de MP3... Cara! Detonou! A garota se aproximou de mim com um sorriso e logo passou para o lado da janela. Como sempre, ela gostava de ir vendo o caminho...

– Ah! Que ansiedade! Eu quero chegar logo lá! Ah! – Ela gritou animada – Será que vamos pescar? Eu adoro pescaria! – Duvido que essa animação toda dure a viagem inteira...

Algumas horas depois, eu já estava ouvindo minhas músicas. Confesso que viciei em uma música da Jessie J... “Who’s Laughing Now”. É musica é muito [palavra censurada]... Mas ta... Olhei para o lado e todos no ônibus ou estavam escutando música como eu, lendo ou dormindo... Confesso que 75% estavam dormindo. Olhei para meu lado e enxerguei a morena em um profundo sono. Dito e feito. Ela não ia conseguir segurar essa animação toda.

– É bom você dormir... Não vou procurar meu dormitório sozinha! – Ela estava... Hã... Fingindo? Uma gota cresceu por minha cabeça – Temos só duas horas de viagem...

Bem... Eu como um bobinho apaixonado, abaixei o volume de meu MP3 e escorei a cabeça na cadeira e em pouco tempo já estava ressonando...

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Acordei com a correria das pessoas dentro do ônibus. Uma gritaria sem fim! Friccionei os olhos, irritado eu olhei para os lados. Tirei os fones do meu ouvido e espreguicei-me, logo em seguida vi que May já havia acordado e estava tentando tirar sua mala do carregamento.

– Ah! Até que enfim você acordou! – Ela disse sorrindo.

– Espera, deixa que eu pego... – Me levantei e peguei todas as suas malas... Nossa... Como pesa! Acho que ela trouxe pedras dentro dessas coisas!

Quando descemos do ônibus, eu quase derrubei tudo no chão! Era lindo... Tinha uma pequena lagoa cristalina, algumas cabanas de madeira, erguidas por várias estacas, provavelmente prevenindo contra alagamentos... Nós nos mais um pouco e vimos uma pequena placa de madeira, com duas setas e alguns desenhos. Para a direita estava um desenho de uma Gardevoir e escrito embaixo “Meninas”, a da esquerda um Gallade e escrito “Meninos”.

– Hum... – May murmurou – Vamos! – Ela seguiu para a direita. Eu corei... Afinal, ela estava me arrastando para a ala das meninas... – Vem Ash! – Gritou por último.

– Já vou! Não é você que está carregando todo esse peso! – May riu e me esperou. Logo chegamos a sua cabana designada, claramente, ela ficou com Dawn e Misty...

Eu logo que deixei suas malas dentro da construção de madeira, despedi-me delas:

– Bem... Aqui estão suas coisas... E eu ganhei uma tremenda dor... – Estalei as costas.

– Ah, deixa de ser bobo! Fique feliz por ter me ajudado! – Ela sorriu e mexeu no meu cabelo.

– Ei! Meu cabelo! – Eu segurei suas mãos e comecei a bagunçar os seus também – Agora estamos quites... – As garotas riram juntamente a mim – Bem... Eu vou pegar minhas coisas e guardar na ala dos meninos... Tchau garotas... Tchau May – Sorri para ela, fazendo-a corar.

– Tchau Ash! – Disseram Misty e Dawn juntas. May apenas sorriu acenou com a cabeça.

Assim que fechei a porta do pequeno barraco de madeira, pude ouvir Misty e Dawn falarem algo e rirem, logo em seguida, ouvi May gritando:

– Parem com isso já! – Logo em seguida um grito das garotas e uma porta batendo, olhei pela janela e vi May batendo em uma porta, tentando abri-la. Ri de leve pensando: “Maluca... Minha maluca...”

Virei o rosto e pus a mão no bolso da calça, voltando lentamente para o ônibus. Quando peguei minhas bagagens e fui para o dormitório masculino... Veja a coincidência! Fiquei de colega com Paul e Gary! Essa semana vai ser muito irada! Tenho total certeza disso! Assim que arrumei minhas coisas e forrei minha cama, joguei-me na mesma e fiquei encarando o teto, pensando na vida...

– Vai ficar aí mesmo? – Paul me perguntou com um sorriso no rosto.

– Acho que sim cara... Eu to morto... A viagem foi muito tensa... – Eu respondi morrendo de cansaço.

– Tudo bem... Mas cara! Se você não for pra fogueira hoje de noite, véi! Vai ser o mó vacilo! – Meu amigo disse colocando sua jaqueta – Eu soube que a May vai... – Ele sorriu e eu corei de leve – Se eu fosse você, ficava esperto! Tchau aí, maninho! – Ele disse e bateu a porta do quarto.

Eu gemi com preguiça e me virei para o lado. Passaram-se alguns minutos e eu estava quase conseguindo pegar no sono... Até que alguém bateu na porta. Fala sério! Dei um suspiro, olhei em meu relógio de pulso e vi que já eram seis e meia. Levantei-me da cama, indo quase que tateando até a porta do barraco. Abrindo-a cautelosamente.

– Você não vai pra fogueira? – Misty me perguntou com Dawn ao seu lado.

– Todo mundo vai Ash! Vamos lá! Eu soube também que uma “certa pessoa” também estará... – A garota concluiu a frase.

– Claro! Claro que vou! Eu havia me esquecido! Vou só trocar de roupa... – Disse corado. Eu fechei a porta e corri para minha mala.

Abri o zíper da mala e revirei tudo que havia lá dentro, até achar a roupa ideal! Peguei uma camiseta vermelha, com o número 85 bordado na altura da clavícula, uma calça cinza claro e um tênis preto. Passei no espelho e ajeitei o meu cabelo, logo em seguida passando um perfume... Ouvi mais algumas batidas na porta.

– Vamos logo Ash! Não temos a noite inteira pra esperar você se arrumar! – A ruiva gritou.

– É! Vamos logo Ketchum! Você não vai para um casamento! – Dawn complementou.

– Já vai! – Respondi com a testa franzida e endireitando a gola da camiseta – Estou pronto! – Corri para a porta e passei a chave, logo a guardando no bolso – Vamos garotas! A noite é uma criança! – Eu disse rindo e correndo até perto do rio, onde acenderam a tal fogueira.

Quando cheguei lá, vi alguns troncos de madeira ao redor do fogo, com meu primo e Paul sentados conversando, assim que virão Dawn e Misty, eles se levantaram e foram cumprimentar suas respectivas “Namoradas” com beijinhos e coisa e tal e tal e coisa... Olhei para os lados e lá estava ela...

May usava um mini-short jeans, colado na perna, uma regata branca, com um desenho de um gatinho em preto, uma sandália cruzada na perna e um prendedor de cabelo em forma de coração cinza.

Ela tinha algumas pedras nas mãos, em poucos intervalos de tempo, ela as jogava no lago, fazendo as mesmas quicarem na água, antes de afundarem. Eu que a ensinei a jogar as pedrinhas assim... Pensei orgulhoso. Sorri e fui até ela procurando fazer o mínimo de barulho.

– A senhorita me daria a honra de acompanhar-me na festa ao redor da fogueira, esta noite? – Eu disse com uma voz engraçada. Ela se virou pra mim e sorriu.

– Pensei que não vinha mais! – Falou mais animada.

– Vamos lá! A noite é uma criança! – Falamos juntos, logo em seguida corando de leve.

Fomos caminhando juntos até um dos quatro troncos encontrados ao redor da fogueira, que queimava intensamente, jogando suas brasas para todos os lados...

– Por que demorou tanto? – Ela murmurou perto do meu ouvido.

– Não queria sair feio, perto de uma menina tão linda né? – Brinquei fazendo-a corar.

– Hum… - Ela riu nervosa.

Ficamos sentados juntos. Alguns segundos depois, May escorou sua cabeça em meu ombro. Eu logo senti meu rosto queimar. Comecei a suar frio. Dei uma olhada desesperada para Gary, que sorriu com a cena. Logo em seguida ele se levantou.

– Pessoal! Vamos fazer uma das coisas mais comuns em acampamentos do verão! – Meu primo sorriu novamente e pegou seu violão – Vamos cantar aí galera!

– Yeaaaaah! – Todos os presentes levantaram suas mãos e gritaram em coro.

– Vamos lá! A primeira música é uma bem simples... Garanto que uma garota aqui... Conhece ela bem! Wouldn't Change a Thing! – A música da May! Não acredito! – E como essa música é um dueto... May, escolha seu par!

– Ai gente! Não! Fala sério né? – Ela corou muito...

– Vai! May! May! May! – Gritávamos juntos. A morena suspirou de leve e deu um sorriso tímido. Em seguida segurou minha mão e fomos juntos para frente da fogueira.

Confesso que não sei cantar nem um pouco. Troquei as letras, desafinei, me distraí, perdi o tom, cantei a parte dela... Ou pelo menos tentei...

– Ah Ash! Você não sabe cantar! – Gary gritou decepcionado.

– Verdade... – May riu – Mais alguém sabe essa música?!

– Eu sei! – Gritou uma pessoa lá do fundão... Quando ele se levantou, quase não acreditei em meus olhos...

– Você?! – Gritei enfurecido – Não! May... – Olhei para ela com os olhos pidões de sempre.

– Ah Ash... Só uma música... – Ela sorriu e bagunçou meu cabelo.

Resumindo... Sim... É quem vocês estão pensando... Drew... Ele veio para frente da fogueira e ficou me olhando com um sorriso escarneço no rosto. Revirei os olhos e entortei a boca. O verdinho deu uma risada de leve... Bom, dando o relatório geral... A música dos dois estava perfeita... Cantaram tudo de uma maneira que parecia estarmos no verdadeiro clipe. Quando fomos chegando no final da música...

– But you're the harmony to every song I sing
And I wouldn't change a wouldn't change a thing...

Já estavam no final da música. Confesso que estava incomodado com a proximidade dos dois. Quando Gary parou de tocar o violão os dois se aproximaram mais um pouco, e enfim... Sim... Eles se beijaram... Meus olhos umedeceram. Pisquei os olhos e deixei as lágrimas escorrerem, logo em seguida o gosto salgado me veio à boca e eu torci os lábios. Logo alguém colocou a mão em meu ombro. Era Paul... Rapidamente limpei o rosto. Nesse meio tempo, a multidão estava aplaudindo o entrosamento da música e o clima que rolou no final.

– O que você tem cara? – Ele me perguntou, fitando-me com preocupação.

– Nada de mais... Só... – Balancei a cabeça e sorri falsamente – Um momento de fraqueza... Nada mais que isso...

Bem... É isso... Perdi a garota da minha vida... Suspirei por um momento e voltei correndo para as barracas de madeira. Quando cheguei lá, bati a porta com força e escorei-me na mesma, logo em seguida escorrendo, sentando no chão e permitindo-me desabar em lágrimas naquela noite... Tudo dera errado... Por que justo comigo?

Fui até minha cama, tirei os sapatos, depois disso, joguei-me de qualquer jeito e fiquei assim um bom tempo. Afinal... Não faria tanta diferença assim não é? Logo depois, algumas batidas na porta...

Continua...

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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:51

Capítulo 9: A Viagem... Parte 2




– Ash... Precisamos conversar... – Era Dawn... – Sinceramente, ficar chorando pela May, enquanto a vê beijar outro cara, não vai adiantar muito! – Ela entrou sem pedir licença para mim.

– Dawn... Eu não quero falar disso... E eu não estava chorando! Homens não choram!

– Ah é? Então por que seu nariz está vermelho? Por que seus olhos estão inchados? Por que está me olhando com essa cara de espanto? Por que está com essa voz penosa? Por que Ash? Por que? – Ela disse séria. Eu ainda meio constrangido fechei a porta e passei a mão nos olhos.

– Dawn... Você não entende! – Eu murmurei com o timbre de choro. Logo em seguida ela veio e me abraçou. Um abraço reconfortante. Chorei tudo que podia no ombro da garota de cabelos azuis.

– Ash... Como acha que a May está agora? Você a convidou para passar a noite com você... E então saiu do nada... Ash... A May está muito mal... – Ouvi-a murmurar.

– Se está mal... Foi porque quis... Ela beijou o Drew porque quis... Ela pediu... Ela deixou... Ela... Queria... – Eu disse afastando-me da garota e olhando para a lua pela janela.

– Ash... A May está no nosso dormitório... Ela está mal pelo que fez com você... Por favor, Satoshi... – Ela só me chamava assim quando queria muito que eu fizesse algo.

– Dawn... – Eu disse olhando para seus olhos azuis. Imediatamente lembrei-me dos de May. Senti um arrepio na nuca e meus olhos novamente umedeceram – Não dá... Eu não posso... – Ela suspirou. Logo em seguida sorriu para mim.

– Tudo bem... Eu entendo você... Quando quiser falar com ela, basta... Chamá-la... – Ela se aproximou e beijou de leve minha testa – Fala com ela Satoshi... Não por mim, ou por qualquer outra pessoa... Mas por ela... Por vocês dois... – E por fim, sorriu, logo em seguida deixando o cômodo. Fiquei pensativo... Afinal... Não é todo dia que temos uma desilusão amorosa não é? Suspirei cansado e fui me deitar... Afinal, não ia ser bom falar com a May naquele estado...

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Acordei cedo no outro dia. Olhei ao meu redor e vi os garotos deitados. Olhei para a cama de Gary. Ele estava de vestido e com uma maquiagem exagerada. Não quero nem saber o que aconteceu ontem... Logo em seguida olhei para a cama de Paul. Estava abraçado a uma garrafa de cerveja... É... Triste realidade dos meus amigos... Peguei meu casaco marrom e os sapatos de ontem. Vesti-me rapidamente e saí da barraca.

– Que irônico... Dia de chuva... – Murmurei comigo mesmo.

Saí andando acampamento a fora, sem rumo. Fui até o refeitório tomar meu café. Comi muito pouco... Estava triste de mais para comer bastante como fazia habitualmente... Assim que terminei, levantei-me da mesa. Mas quando eu estava levando meu prato para a pia, dei de cara com May. Ela me olhou assustada e abaixou o rosto. Eu apenas revirei os olhos e apressei o passo, procurando sair dali o mais rápido possível. E eu consegui não?

Passado algum tempo, fiquei sentado no “cais” do lago que lá se encontrava. Logo em seguida, comecei a cantar em baixo volume uma música qualquer... Toda a noite anterior passava como um filme em meus olhos... Eu estava mal... Muito mal... Minhas poucas lágrimas se misturavam às águas da lagoa. Ouvi alguns passos se aproximando lentamente de mim. Logo revirei os olhos e me levantei. May olhou para mim como se tivesse visto uma assombração.

– Ash... – Ela murmurou.

– Não May... Agora não... Não estou a fim de ouvir desculpas... – Eu disse cuspindo as palavras. Falei tudo com muita dificuldade. Não estava acostumado a falar com ela de tal maneira.

– Ash... Por favor... – Os olhos dela marejaram.

– Não May! Hoje não! Não mais! – Aumentei o tom de voz e saí pisando fortemente no chão, indo em direção à cabana.

Entrei correndo. Logo em seguida, olhei pela janela e vi a figura da garota ainda de pé no mesmo lugar que eu estava. Passou-se um bom tempo e eu fiquei observando-a, no mesmo lugar. Até que a vi passar a mão no rosto. Dawn chegou lá e abraçou May. Senti-me culpado por não ter tratado de fazer isso antes. Cocei minha bochecha decepcionado. Logo em seguida, vi Dawn andando rapidamente para meu dormitório.

– Merda... – Murmurei – Eu to morto... – Comecei a olhar nervosamente para os lados, até que decidi deitar. Sem muita demora, a garota bateu na porta. Eu não me mexi. Gary acordou e gritou nervoso:

– Caramba! Ash seu babaca! Atende logo a porta! – Com isso eu ri de leve e engoli em seco, preparando-me para enfrentar as duras verdades de Dawn.

Logo que encostei a mão na maçaneta, senti meu estômago embrulhar. Lentamente, girei-a, e abri um fino espaço pela porta, por onde, pude passar. Do outro lado, estava Dawn com as mãos na cintura, me encarando com um semblante irritado.

– Oi Dawn... – Murmurei com uma gota ENORME na cabeça.

– Você sabe o que fez, não sabe Ash? – Ela bateu o pé e apertou um pouco os olhos.

– Dawn... Eu... Eu posso explicar... – Pigarreei completamente nervoso.

– Pois comece. Eu tenho bastante tempo! – Riu irônica – O problema, é que com você é sempre oitenta ou oitocentos Satoshi, você nunca pensa nos outros, nunca pensa no que suas decisões podem ocasionar! Pode por favor, se colocar no lugar da May? Por um segundo? Pensar em como ela se sente a respeito do que fez com ela? – Dawn parou e me encarou seriamente. Confesso que senti meu rosto queimar. MUITO. Abaixei a cabeça e passei a mão na nuca. Completamente envergonhado sobre meu comportamento. Dawn me abrira os olhos... Agora... Como eu ia concertar? – Pense bem no que fez Satoshi... Pense bem... – Ela completou decepcionada.

Logo em seguida, suspirou e saiu andando calmamente até o dormitório feminino. Fiquei estático em frente à porta. Respirei fundo e me encostei-me na mesma. Pensei bastante no assunto. Até que ouvi uma movimentação no quarto. Acho que Paul havia acordado... Com certeza, eu não ia perder a chance de tirar onda com ele, por ter dormido agarrado com uma garrafa de cerveja! Mas... Agora eu tinha “outras” coisas a resolver...

– É agora ou nunca... – Suspirei e fui entrando no quarto.

– Fala Ketchum... – Paul murmurou morto de sono, revirando sua mala atrás de uma roupa.

– Bom dia Paul... – Mas o que tem de bom?! Acho que quem bebeu fui eu...

– Aí Ash... Ontem a Dawn voltou pra fogueira meio desolada... Acho que aconteceu alguma coisa. Você sabe o que foi? – Ele me perguntou colocando uma camiseta pólo.

– Não que eu saiba Paul... Não que eu saiba... – Cara... Estava mentindo pra [palavra censurada]!

– Hum... Ei cara, se liga... Mó vacilo o que tu fizesse com a May... Sinceramente...

– Tsc! Eu não quero falar sobre isso Paul! Não com você! – Respondi curto e grosso.

Peguei um casaco de camurça e meu MP3 com algumas músicas antigas e que me faziam refletir sobre minhas atitudes – Que, aliás, não andam nada boas. Logo em seguida, coloquei o casaco e saí apressadamente da barraca, em seguida indo para um lugar um pouco afastado. Dessa vez, fui para a beira da lagoa. Confesso que fiquei um bom tempo sentado lá. Meus olhos já estavam inchados. Até que senti alguém tocar de leve meu ombro. Assim que me vire, notei Gary com a boca meio torta me encarando preocupadamente.

– Aí carinha... Tudo bem contigo? – Murmurou. Era possível perceber a preocupação e o cuidado em sua voz.

– Nada bem Gary... Nada bem... – Meus olhos se encheram de lágrimas, logo eu levei as mãos aos mesmos, com a intenção de enxugá-los.

– Ah cara... Nem liga... É assim. Um dia você resolve isso... – Meu primo sentou-se do meu lado, fitando-me com preocupação.

– Resolver? Eu simplesmente dei o maior gelo no May... Cara... Na May! – Completei irônico, elevando um pouco mais o tom de voz. Mas isto não mudava o fato de que ela tinha beijado o Drew...

– Relaxa carinha... Pra tudo se tem um jeito... Você vai se dar bem nessa... Isso eu garanto. Agora vamos lá, já está ficando tarde e você vai acabar se perdendo. Aqui é bem escuro durante a noite... – Gary murmurou com um sorriso torto em seus lábios.

– Ok... Eu só... Não. Esquece. Vamos voltar... – Sibilei ignorando completamente meus pensamentos. Eu queria tentar falar com a May. Queria beijá-la. Sentir seu cheiro. Andar de mãos dadas com ela. Ficar deitado no sofá abraçando-a. Poder dizer que a amo. Abraçá-la. Fazê-la sorrir... Mas principalmente... Queria ser o MOTIVO de seu sorriso.

A noite chegou rápido. Passei o resto do dia deitado na cama da cabana. Pensando... Colocando tudo pra fora da minha cabeça. Usava apenas uma camiseta azul escura e uma calça jeans de boca larga. Logo senti uma corrente de ar frio passar por mim. Gelei e logo em seguida soltei um gemido de preguiça.

– Hum... Paul... Fecha essa porta cara... – Me virei na cama, mas ainda de olhos fechados.

– Não é o Paul... – Ouvi uma voz feminina cantarolar.

– Então quem... O que?! Quem te deu as chaves?! E o que está fazendo aqui?! – Gritei horrendamente assustado.

– Cala a boca! Não quero que NINGUÉM saiba que eu estive aqui! Combinado?!

Continua...


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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:52

Capítulo 10: A Viagem Parte Final





– M- Mas... POR QUE você está aqui?! – Continuei berrando – E quem é você para me mandar calar a boca?! – Friccionei os olhos para ter certeza de que era quem eu estava pensando.

– Ash... Desculpe-me. E- Eu sei o que fiz... – Ouvi May dizer com uma voz chorosa – Acredite em mim, sei exatamente o que fiz... Mas... E- Eu... – Logo parou.

– Eu sei May. Mas sinto muito, não posso mais acreditar em você. May, você beijou o Drew. Se o beijou e contribuiu, então é porque gosta dele– Eu continuei ignorando completamente as palavras de Dawn. Em seguida eu abaixei a cabeça e sentei-me na cama. Sem muito tempo, eu ouvi alguns soluços de choro.

– P- Pensei que você ia me desculpar... A D- Dawn disse que... Disse que v-você ia entender...– May chorava copiosamente. – E- Eu achei que podíamos resolver isso... M- Mas... Você não quer nem conversar comigo... – Ela tentou limpar o rosto com as costas das mãos. Sem sucesso...

Imediatamente lembrei. Cara, eu havia prometido à Dawn que ia conversar com a May. O que eu estava fazendo agora? Imediatamente tratei de fitar May, que ainda tinha as mãos nos olhos enquanto tremia e soluçava bastante.

– May... – Murmurei completamente arrependido... – Eu... – Suspirei hesitando. Logo levantei e fui em sua direção. Assim que cheguei perto da garota, passei a mão em sua bochecha – Me desculpa amor... – Fiz menção para abraçá-la. Mas ao invés de corresponder ao meu abraço, ela fechou os punhos e bateu em meu busto, repetidamente, fazendo com que eu me afastasse.

– Não chegue perto de mim! – May gritou com a face avermelhada.

– May... Não faz isso... – Disse num tom calmo.

– Você não entende! Eu vim aqui para te pedir desculpas! Queria resolver isso! Mas você é sempre grosso! Eu te odeio! – Ela continuou com o mesmo tom de voz. Logo sem seguida fechou os punhos e levou a mão direita para a boca e soluçou pela última vez. Eu tentei chegar perto dela novamente...

– May... Acredite em mim... Eu quero me desculpar com você... De coração... Por favor, May... – Meus olhos marejaram – Você não sabe... Mas... E- Eu te amo... – Finalmente... Eu consegui... Embora não tenha sido o melhor momento...

– Mentira! – A garota gritou e saiu correndo da cabana em passos rápidos. Fiquei sem ação... Esperava outra reação de May... M- Mas essa... Não... Acho que me enganei... Imediatamente senti meu peito doer. O gosto salgado me veio à boca... Senti as primeiras lágrimas se formarem nos meus olhos... Pisquei-os, deixando com que as finas gotas escorressem por meu rosto.

– Não... May! Volta aqui! – Num surto repentino de coragem, balancei a cabeça e saí correndo na direção do dormitório feminino. No caminho, passei pela fogueira, na qual, imediatamente Dawn levantou-se e veio em minha direção.

– Satoshi! – Berrou e se pôs em minha frente – O que você fez?! Por que está correndo assim? – Indagava com uma das sobrancelhas levantadas.

– A May foi falar comigo... – Disse ofegante.

– Eu sei – Sorriu – Eu que a mandei ir falar com você. E aí? Como foi?! – Dizia de forma empolgada.

– O que você acha?! Eu fiz merda! Aliás, como sempre! May está furiosa comigo! Ela quer me matar! Tenho certeza disso! E- Eu... Eu tenho que concertar as coisas... – Completei com uma cara meio tristonha, porém decidida.

– Nani¹?! O que você fez?! Satoshi! Eu já te disse! Você não tem jeito... Mas pelo menos percebeu isso antes que seja tarde demais... Espero... – Sorriu meio receosa – Então?! O que está esperando?! Vai logo atrás dela! – Dawn bateu em minha cabeça meio irritada. Mas logo em seguida sorriu. E eu disse:

– Obrigado Dawn... Você é uma grande amiga... Não vou te decepcionar! Eu prometo! – Logo em seguida eu tomei caminho para a barraca.

– Eu espero que não Satoshi! Espero que não! – Dawn falou por último num tom alegre. Logo em seguida ouvi alguns passos e a garota berrando desesperada – Ah! Aonde pensa que vai?! – Um baque surdido pôde ser ouvido, uma voz conhecida e irritante guinchou. E logo em seguida um grande burburinho de pessoas se levantou dos troncos ao redor da fogueira.

Hum... Acho que devia dar uma olhada... Não! Foco! Foco! Foco! May é mais importante! Foco nela! – Aumentei gradativamente o ritmo da corrida, até que cheguei aos pés da escadinha da cabana das garotas...

A noite estava estralada. Lua cheia, com certeza. Dava para ver perfeitamente o caminho por onde se passava. Em poucos minutos cheguei à cabana que May dividia com Dawn e Misty. Bati uma vez. Duas vezes. Três vezes. Na quarta vez, Misty abriu a porta, irritada. Estava furiosa, eu aposto.

– O que porra você quer aqui?! Vai embora Ash! Eu estou com dor de cabeça! Não vou voltar para a fogueira! Idiota! - A cada palavra ela me batia. Aposto que foi culpa do Paul... Acreditem, ele é irritante quando quer! Quando terminou, Misty me soltou no chão de madeira e pôs as mãos na cintura enquanto batia os pés.

– F- Foi mal Misty - Passei a mão onde ela havia espancado. Para uma garota, ela era bem forte MESMO!

– O que você quer? - Indagou novamente com o semblante mais irritado.

– Érr... A May está aí? - Uma gota oceânica formou-se em minha cabeça. A expressão dela se suavizou. Logo em seguida, Misty soltou uma lufada de ar pela boca e sentou-se ao meu lado.

– Não. Ela foi atrás de você. Disse que ia falar com você. E aí? Me conta! Vocês se beijaram?! - Misty sorriu e agarrou meu braço, sem parar de sacudí-lo, como uma "YaoiFãGirl" alucinada ao ver o casal se agarrando (Desculpem pela comparação, rapazes/moças -qq É que eu estou na minha fase Yaoiística, e estou vendo/lendo muito animes/mangás Yaoi @-@ Não me julguem! I'm YaoiFãGirl >_> Kkk').

– M- Misty! S- Solta meu braço! - Gritei em meio às risadas - Está parecendo uma YaoiFãGirl! - Continuei rindo.

– E eu sou mesmo! - A ruiva me mostrou a língua e começou a rir mais ainda, soltando meu braço e virando a cabeça para cima - São lindas, não são?

– O que? As estrelas?

– Claro que são as estrelas, seu idiota! - Misty revirou os olhos.

– Ehh - Outra gota formou-se em minha cabeça. Após um longo momento de silêncio, ouvi alguns passos. Olhei para frente esperando encontrar May em meio aos prantos, mas o que vi foi um simples pedaço de bosta verde. Resumindo, Drew.

– O que quer aqui? - Misty falou antes de mim. Pelo visto ela também não gostava do cabeça de grama.

– Nada, oras. Não se pode mais vir falar com uma moça? - Verdinho sorriu divertido e me encarou.

– O quer com a May?

– E isso é da sua conta, garoto irritante?

– Se eu estou perguntando, é claro que é da minha conta, pirralho cabeça-de-grama! - À essa altura, já estava agarrando o colarinho da camisa de Drew e levantando-o do chão.

– Ash! Não faz isso! - Misty agarrou meu braço - Não vale a pena...

– Qual é Ketchum?! Tá com medo de levar outra surra minha? Claro, medroso do jeito que você é! - Drew riu ainda suspenso no ar.

– Saiba que eu posso muito bem acabar com você a hora que eu quiser! - Ameacei erguendo o punho próximo ao rosto dele.

– Ah é? Então vai lá! Você não machuca nem uma mosca, Ketch- Não deixei ele terminar a frase e soquei sua cara irritante. Ele caiu e rolou no chão com a mão no lado direito do maxilar.

– Ash! Não acredito que se rebaixou ao nível dele! - A ruiva ralhava no meu ouvido, dando vários puxões de orelhas. Enquanto tentava me desculpar com ela, Drew me pegou pelo ombro e me jogou no chão, tentando chutar meu rosto - Pare! Pare Drew! Pare com isso agora! - Misty tentava impedí-lo, ele simplesmente a empurrou, fazendo-a cair no chão. Ela saiu correndo, acho que estava indo atrás de alguém para me ajudar. Acho.

– Não é tão corajoso agora, hein Ketchum? Vamos, reaja seu inútil! - O cabelo de grama começou a acertar meu estômago. Em alguns segundos eu já sentia o gosto de sangue na boca. Quando vi que Drew já estava cansado, tentei me levantar, sentindo uma dor terrível no estômago.

Antes que pudesse fazer algo, Misty, Gary, Dawn e alguns outros meninos da nossa sala que também eram nossos amigos chegaram correndo. Espera um momento, cadê o Paul? Ah, isso não importa agora. Minha camiseta do Iron Maiden (Sim, eu curto curto Rock!) estava completamente manchada de sangue. Acho que não estava me sentindo muito bem, pois comecei a cambalear e Dawn veio me apoiar.

– Satoshi! Está me ouvindo? Satoshi, acorda! - Ela dava vários tapinhas frenéticos em meu rosto.

– Drew! - Ouvi a voz de Gary, mas ainda estava meio grogue... - Quem você... Bater no meu primo?! Você... Idiota! Me ajuda aqui, Brendan! - Tudo que consegui escutar foram frases cortadas. Ficava apagando o tempo todo, enquanto as pessoas gritavam com o verdinho.

– M- May... - Murmurei ainda com uma dor terrível.

– Gary, o Ash tá acordando! - Dawn gritou desesperada.

– Cara! Você tá vivo?! Ash! Fala comigo carinha, vamos lá! - Meu primo se abaixou à minha altura e me fitou morto de preocupação - O que a tia vai dizer se você morrer? Aguenta firme, primo!

Confesso que estava quase apagando novamente, não fosse o Paul vindo correndo como um desesperado, tentando não tropeçar nos próprio pés. Assim que ele chegou, tropeçou nas costas de Drew e deu de cara no chão. Dawn soltou uma curta risada e murmurou algo como "Meu idiota...". Assim que ele chegou mais perto, agarrou-se à camisa de Gary para se levantar e olhou para mim, que já estava começando a me recuperar.

– A... A M-... A May sumiu!


Continua...


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Re: Por Acaso

Mensagem por Namath em Qui 17 Jan 2013 - 2:54

Capítulo 11: I Will Stay With You Forever



– A... A M- ... A May sumiu!

Com estas simples palavras, as pessoas começaram a falar, todas ao mesmo tempo, causando um barulho irritante e ao mesmo tempo insignificante para mim. Quer dizer... A May sumiu... O que eu vou fazer? Tentei me levantar, mas Dawn segurou meu ombro.

– Não Ash. Nós vamos procurar a May. Você tem que descansar. - Ela olhou para frente. - Paul e Gary. Venham me ajudar a colocar o Ash dentro da cabana. O resto vai procurar a May, temos que encontrá-la rápido.

Eles vieram me ajudar enquanto Misty, Brendan, a outra May - A May era May Dixon, esta era May Mapple -, Ethan, Lyra e mais algumas pessoas que eu não lembro o nome, foram procurá-la.

Assim que entrei na cabana, eles me guiaram para uma cama completamente intocada. Dawn puxou o lençol e eu praticamente me joguei no colchão. Logo em seguida ela me cobriu. Sabe que esse travesseiro tem um cheiro bom? Tem cheiro de fruta Oran. O shampoo favorito da May... Droga, por que tudo tem que me lembrar dela?!

– Hm... - Sorri involuntariamente ao sentir o perfume do travesseiro de novo. Tudo bem, eu tenho que ir atrás dela! Assim que sento na borda da cama, o quarto começa a girar e... - Gwaaaah... Cof! Cof!... Eca...

Fico encarando aquela coisa pastosa e amarela sentindo o gosto ácido na boca. E lá se vai a minha Ruffles... (N/A: [palavra censurada]-se, eu A-M-O Ruffles, o Ash TEM que gostar de Ruffles também! And fuck that shit!) Tudo bem, vamos lá. Me aproximo devagar da porta de entrada e escuto um barulho de isqueiro... Logo em seguida, fumaça de cigarro. Francamente, deixaram o Barry tomando conta de mim? É capaz de ele acabar tacando fogo na cabana (N/A: [palavra censurada]-se! Eu quero que o Barry fume, a Fic é escrita por essa problemática aqui! E ela tem a caneta, então não me julguem!).

Dou meia volta em direção à janela. Ela está aberta. Ótimo! Mas antes... Preciso de uma lanterna... Depois de rodar um pouco pelo quarto e encontrar várias calcinhas no banheiro, consigo achar uma lanterna. Não é lá grande coisa, mas eu acho que posso me virar. Agora sim, para a janela! Passo pela abertura e caio de cara no chão. Fala sério, a janela fica a uns dois metros e meio do chão! É impossível evitar...

Antes mesmo de perceber, já estava zanzando pela mata. Eu nunca parei para observar, mas as árvores dessa floresta não são muito distantes umas das outras. E as raízes estão muito aparentes. Acho que deve ser culpa das enchentes em época de chuva... A pilha da lanterna está bem fraca, dá pra perceber pela luz amarelada que sai da lâmpada. Mas de qualquer forma, a luz da lua já o suficiente. Ah, a quem quero enganar?! SÁPORRA DE LANTERNA FOI FALHAR LOGO AGORA!

– Merda! - Grito enquanto bato em um tronco de árvore ao meu lado. - May! May! Cadê você?! - Tento andar um pouco, apesar de minha barriga estar embolada e alguns pontos pretos aparecerem na minha visão vez ou outra. Praticamente sem sucesso. - Porra! Tem como ficar pior?! - Pergunto, olhando para o céu como se desafiasse Arceus. Nada acontece... - Ah tah, pensei que fosse acontecer alguma coisa... Mas enfim, vamos lá... - Volto a caminhar com certa dificuldade, mas volto.

‎ Alguns minutos depois escuto um gemido meio choroso. Baixo. Um tanto quanto sufocado. May? Sem nem ao menos perceber que havia falado seu nome, eu me surpreendo com o ruído diminuindo ainda mais o volume. É ela. Sem dúvidas. Solto um suspiro meio cansado e me sento no chão, escorado a uma das enormes árvores.

– Sabe... Quando eu conheci aquela menina na campina de Pallet, não imaginava que ela iria me dar tanto trabalho... Sempre pensei que você fosse mais fácil de lidar, mas por incrível que pareça, eu entendia melhor o Gary. Mas enfim, sabe que quando você apareceu toda molhada na porta da sua casa? Eu comecei a te achar uma gracinha... Minha pequena May. Quem poderia dizer que estamos aqui agora, eu tentando te fazer acreditar em umas poucas palavras? - Sorrio e fecho os olhos, lembrando-me do dia em que ela caiu no lago. Uma das milhões de vezes... Noto que ela ficou calada; Acho que está prestando atenção.

– Eu sempre te achei demais pra mim. Sério, você é única, conhece bem o pessoal, atura o Gary, me dá conselhos, consegue suportar a Misty e a Dawn falando sobre o menino que dizem que quer ficar com a Dawn, mas tem medo do Paul... - Dou uma risada lembrando o dia em que apanhei porque achei a coisa toda ridícula. Escuto outra risada meio abafada. - E... Lembra do dia... Em que eu sumi? - Senti a tensão no ar. - E a Misty me trouxe de volta? Você parecia à beira de um ataque! - Levanto tentando fazer o máximo de silêncio possível. - E aí quando eu voltei... Você me deu aquele beijo? Às vezes é legal fechar os olhos... E ficar pensando na sensação... Às vezes, eu sinto o estômago revirar, como naquele dia. - Vejo-a escondida perto das raízes de um enorme salgueiro que fazia uma espécie de buraco entre as raízes e a terra. Os olhos fechados com um sorrisinho bobo enquanto algumas lágrimas secam.

– E aí eu fico pensando... Por que essa menina não nota que eu a amo tanto? Acho que ela tem um complexo... Ou é desligada, como sempre. - Observo sua reação. Ela abre os olhos e cruza os braços fazendo uma cara de brava e olhando para o lado de fora, só para encontrar meus olhos. Sorrio e vejo-a ficar vermelha, desviando o olhar. - E quando essa menina boba fica com vergonha... Consegue ser mais bonita do que já é. - Ela leva a mão ao pescoço e acho engraçada a confusão que se forma em seus olhos ao notar que seu tão estimado objeto não estava lá.

– D- Desculpa... - Ela balbuciou com a voz meio embargada.

Sem dizer mais nada, a morena se joga em meu pescoço, escondendo o rosto ali enquanto termina de chorar o que ainda não havia chorado escondida. Afaguei seu cabelo enquanto dava leves beijos em sua cabeça. Ela não ia escapar tão fácil assim de mim...

– Você está bem? – Sussurrei com calma. Finalmente ela estava comigo. Apenas a senti balançar a cabeça para confirmar. May estava com a pele fria, quase congelando. A abracei mais forte. – O que você tinha para sair correndo daquele jeito? Ainda mais pro meio do mato? – Ela tremeu de leve em meio ao meu abraço e eu encostei a cabeça no topo da sua, aspirando o perfume. – Ainda bem que nada te aconteceu...

A garota continuava calada, ainda com os olhos úmidos enquanto apertava meus ombros com força. Lentamente se afastou e eu a encarei, aquela face chorosa e vermelha. Segurando seu rosto com cuidado, me inclinei de leve, roçando nossos lábios. May soltou um pequeno gemido e entreabriu os lábios. Então nosso beijo se intensificou, ela abraçou meu pescoço com fervor e eu desci uma das mãos para suas costas, trazendo-a para mais perto de mim. Não posso descrever a sensação de sentir os lábios da garota que amo contra os meus. E ainda mais, quando realmente é um beijo. Ah, confesso que fiquei meio desnorteado naquela hora.

Apenas nos separamos por causa do maldito oxigênio que se fez presente naquele momento. Logo depois nos encaramos e nos beijamos novamente, dessa vez um beijo mais ardente, mais desesperado. Mais necessitado de ambos os lados. May me pegou desprevinido assim que disse entre os lábios:

– Eu... também te... te amo. - Ofeguei e senti o estômago revirar.

Ela não estaria dizendo aquilo apenas porque eu estava ali, beijando-a, estava? Acho que não. Ela estava sendo sincera. Comecei a deitá-la nas folhas ressecadas para começar a beijar seu pescoço. Mas algo me chamou a atenção e eu parei. Ela bufou, irritada. Ele estava ali, me encarando. Havia gritado meu nome, acho que foi isso. Levantei e o encarei longamente, com o orgulho estampado nos olhos.

– O que você estava fazendo com ela? - Drew me perguntou, transbordando ódio nos olhos.

– Nada que seja da sua conta. - Respondi secamente. May levantou e se afastou um pouco. A boca do menino se torceu num sorriso maníaco.

– Ora Ketchum, quanta falta de educação! - Ele riu longamente, apoiado numa árvore.

– O que você quer aqui?! - Gritei, fechando os punhos com força. Ele me encarou com cinismo, quase com um pouco de pena.

– Sinto lhe dizer, Ketchum... - Ele puxou algo prateado de dentro da calça. À luz da lua não consegui ver realmente...

– Não! Drew, não faça isso! Não, Drew! - May gritou levando as mãos à boca. - Eu te imploro! - Ao ver o pequeno cano brilhar, refletindo o mínimo brilho da lua, senti o estômago revirar. Aquilo era uma arma?

–... Mas se eu não posso ficar com a May... Ninguém pode. - Ele riu como um maníaco, encarando meu rosto assustado. - O que foi? Está com medinho de morrer, hum? - Ele apontou para meu braço esquerdo. - Que tal brincar um pouco, Ketchum? - Logo em seguida puxou o gatilho. Antes que eu pudesse perceber, meu braço latejava com uma dor lacinante.

– Pare Drew! Você está louco! - May gritou, horrorizada.

– Ghh... V- você é um covarde... C- covarde! - Falei num grito estrangulado enquanto levava a mão direita ao ponto que sangrava.

– Se eu fosse você não faria ameaças, Ketchum... - O outro riu novamente. - Sabe, eu sempre gostei muito de você, May... - Ele olhou para a garota maliciosamente. - Sempre tão bonita, gentil, inteligente... Só que com mau gosto... Uma pena. - Dizia enquanto brincava com a arma nas mãos. - Bem, bem... Que tal Ketchum? Alguma palavra final?

– G- Ghh... Q- Que tal... você ir dar o cu... hein, sua bichinha retraída? - Grunhi apertando o ferimento. Drew gargalhou histericamente como um louco antes de apontar a arma para mim.

– Até que foi bom te conhecer, Ketchum... Seria uma pena viver sem matar um babaca como você... - Soltou um risinho abafado. Logo em seguida puxou a trava.

Confesso que não entendi muito bem o que aconteceu logo em seguida. Drew estava mirando diretamente na minha barriga. Algo se moveu ao meu lado, e aí o barulho da arma sendo disparada. Ao longe, um grito de homem. Estranhamente, não senti nada. Apenas algo molhado respingou em meu braço. Abri os olhos e encarei a pessoa que caia no chão com a blusa azul-celeste manchada de vermelho.

– MAY! - Comecei a chorar. Olhei ao redor e não vi mais ninguém. Aquele miserável havia fugido! Fiz menção de levantar. - Eu vou buscar ajuda... Eu vou... Você vai ficar bem, vai sim. Você vai ver. - Um puxão fraco me deteu.

– Não... - Ela disse com a voz fraca. - Fica... Por favor. - May disse com os olhos cheios de lágrimas. - Me desculpa... Fiz uma burrada, né? - Ela franziu o cenho de dor quando tentou forçar uma risada.

– Por que fez isso? - Sussurrei enquanto aninhava sua cabeça em meus braços. - Por que May? Não devia ter feito isso! Não!

– Shh... Não estrague o momento, tá? - Ela tossiu um pouco e eu vi sua boca avermelhada por conta do sangue. - Me perdoa? - Seus olhos estavam começando a perder o brilho. Abaixei a cabeça e toquei sua testa com a minha... Por que? Por que ela? Perguntava enquanto as lágrimas escapavam, molhando seu rosto.

– Claro que sim... - A essa altura, sua blusa já estava empapada de sangue, que começava a me melar também. Eu não me importava. Não ligava. Não queria saber. Ela sorriu e com dificuldade levantou a mão completamente vermelha até meu rosto. O cheiro metálico me invadiu o nariz.

– Eu te amo... - Arquejou. - Promete... Que vai seguir a vida... Não me deixa atrapalhar tudo... Promete pra mim...

– Não May... Não posso fazer isso... Eu não consigo! - Sua respiração falhou. Logo em seguida a mão dela caiu ao lado do corpo com os olhos vítreos, encarando o nada com a boca entreaberta. - May... May! Não! May, não me deixa aqui! MAY! - Comecei a gritar enquanto alguém me puxava para longe dela. Não era justo! Por que ela? Por que não eu?

Vi meus amigos rodeando ela, preparando-se para levantá-la. Comecei a berrar, queria continuar do lado de May. Não podia me afastar dela, eu a amava. Senti a vista embaçar por conta das lágrimas e chorei com força. Caí no chão da floresta aos soluços enquanto batia no chão repetindo "não, não, não!" até minhas mãos ficarem doloridas. Não devia ser assim. Não podia ser assim.

– MAY! - Falava aos soluços. - V- VOLTA... VOLTA PRA MIM...

~ FlashBack Off~

– Calma Ash... Calma... - Misty repetia enquanto esfregava a mão nas minhas costas.

– E- Eu queria... Eu queria que ela estivesse aqui... Eu queria que ela não tivesse feito aquela idiotice... E- ela poderia estar viva... - Soluçava desesperado.

– Sofrendo? Sofrendo porque você morreu? É isso que queria? Que a May estivesse debruçada sobre seu corpo, ouvindo as suas últimas palavras? Era isso que você queria, Ash? - Gary reclamou ao meu lado. Todos já estavam prestando suas últimas homenagens. Apenas quem continuava comigo eram: Max, Misty, Gary, Sr. Dixo e Sra. Dixon. - Queria vê-la sofrer?

– Preferia ter ido junto com ela... - Resmungei, passando as mãos nos olhos inchados de tanto chorar.

– Vamos querido, venha se despedir dela... - A Sra. Dixon segurou o lencinho na frente do nariz e começou a chorar no ombro do marido. - V- Vá querido, vá...

Formamos uma pequena fila para os mais íntimos. Depois que todos se despediram de May, eu fui o último. Tirei o colar que ela jogara no chão da cabana no dia fatídico do bolso. Ele já estava bem velhinho... Um pouco riscado aqui e ali, mas ainda assim belo. Sem notar comecei a chorar por cima dela.

Com certa dificuldade, coloquei a correntinha de ouro ao redor de seu pescoço, passando a mão por seu rosto adormecido. Agora, eternamente adormecido. Senti o meu estômago embrulhar só de pensar que seria a última vez que veria seu rosto delicado, os lábios fartos e a expressão serena.

– Eu te amo... Eternamente, eu irei te amar. E nada vai mudar isso, minha querida May... Nunca. Sinto muito, mas não consiguirei te esquecer. - Beijei-lhe a cabeça, como da última vez e me afastei, vendo a tampa ser lacrada e a caixa descer lentamente para a cova. Eu nunca irei parar de pensar nela. Nunca.

Fim.


@Pepe Akemi: Bem, cara você infringiu uma regra da FFM por isso sera avisado em breve, por enquanto trancado.

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